Pensar Para Viver Ou Viver Para Pensar por tereza cristina neivock - Versão HTML

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UMA NOVA HISTÓRIA

“PENSAR PARA VIVER

OU

VIVER PARA PENSAR”

(2013)

TEREZA CRISTINA NEIVOCK

 

CAPÍTULO I -  SÓ DIVERSÃO .........................................................PÁG.02

CAPÍTULO II – Nova fase, novos valores.......................................PÁG.09

CAPÍTULO III – Conflitos................................................................PÁG. 14

CAPÍTULO IV – Viajando por novas ideologias..............................PÁG. 17

CAPÍTULO V – Desmistificando o divino........................................PÁG. 24

CAPÍTULO VI – Dogmas religiosos................................................PÁG. 26

CAPÍTULO VII – Anjos e santos.....................................................PÁG. 31

CAPÍTULO VIII – Mandamentos....................................................PÁG. 35

CAPÍTULO IX – Experimentando Deus.......................................... PÁG. 39

CAPÍTULO X – O maior de meus absurdos...................................PÁG.  43

CAPÍTULO XI – Meu limão, meu limoeiro....................................PÁG. 44

CAPÍTULO XII – O poder da cura.................................................PÁG. 45

CAPÍTULO XIII – Ateu ou simplesmente humano.........................PÁG. 50

CAPÍTULO FINAL – Reaprenda com as crianças..........................PÁG. 55

 

 

 

CAPÍTULO I

                                                              Só diversão

 

         Foi muito difícil tomar a decisão de escrever minha mais recente tomada de consciência, mas...se minha experiência servir para a reflexão de outras pessoas, acho que valerá a pena.

         Nasci em uma pequena cidade do interior do estado de São Paulo. Segunda filha de quatro filhos, (3 meninas e um menino).  Fui privilegiada ao nascer no seio de uma família relativamente abastada. Meus pais me proporcionaram uma infância fantástica! Sabe aquela menina que podia andar descalça por toda a cidade. Sim, meus pés acostumaram-se a andar sobre os pedregulhos das ruas de minha cidade, as quais não eram asfaltadas. É claro que tinha os melhores calçados da época, mas nada como andar com os pés no chão. As unhas viviam vermelhas! Pernas e braços sempre ralados ou esfolados. Perdi a conta de quantas vezes quebrei os braços ou os pés. Vivia subindo em muros, árvores, pulando cercas... (até tenho uma cicatriz no joelho de uma vez que fui fugir de uma vaca e me enrosquei na cerca). Comendo frutas diretamente dos pés ou do chão! É! Apanhava as frutas no pé, limpava na roupa e levava à boca. Pensa! Manga da hora! Docinha! Amarelinha! E abiu! Conhecem? Nem sei se existe mais esta frutinha! Deve ter desaparecido da face da terra! Nunca mais vi falar! A boca ficava toda melada. O caldo escorria pelo braço misturando-se com um pouco de terra... nossa... que delícia! Jabuticaba era melhor, se roubada! Subia nos pés e era difícil disputar um lugarzinho para me apoiar sem que as espremessem, de tanta frutinha que tinha! Como era bom! Quantos amigos! Nadar em “corguinhos”! Nossa tinha um na casa de uma amiga, a Neide! Adorava ir passear em sua casa. Cada bolo gostoso! E o Corguinho então! Lembro de me deitar na areia branquinha e deixar a água cristalina correr por sobre meu corpo. Água pura que com certeza vinha de alguma nascente bem próxima.  À noite, me lembro de nos reunirmos em frente de casa após o jantar (ainda não tínhamos televisão) e enquanto os adultos conversavam, nós crianças brincávamos na rua. Pega-pega, balança caixão, feijão queimado, amarelinha, morto-vivo... Não sei de onde saiam tantas crianças! Me lembro que a iluminação da rua não era lá tão boa, mas a lua se encarregava de clarear nossas brincadeiras. O céu parecia ter mais estrelas! Reconhecia somente as Três-Marias e o Cruzeiro do Sul, mas adorava olhar pro céu procurando algum disco voador, que por sinal morria de medo. Sonhava em ser escolhida por “Ets” que me levariam para conhecer novos mundos! O que mais gostava era de dormir na “casa dos outros”! Na verdade para mim era como se hoje eu me hospedasse nos melhores hotéis 5 estrelas. Camas e travesseiros diferentes! Pular nas camas antes de dormir! Lanchinho diferente! E o café da manhã! Hum...acordar com novos cheiros, sim...! Bolos, pães caseiros, biscoitos! Nossa... era tudo muito bom! Que saudades!!!

E as festas? Quermesse em volta da Igreja! Barracas de palha e muita comida!  Leilão de frango assado! Leitoa! Bolos e tortas! Terços de São João! Tudo com muita reza! Primeiro a obrigação, depois a diversão!  Pular fogueira! Assar batata doce nas brasasda fogueira! Fogos de artifício! Nossa!!! Naquela época não tínhamos os fogos que temos hoje, eram chamados “rojões”! Muito barulho e um cheiro horrível no ar! Mas até hoje, acho que todas as festas juninas têm o mesmo cheiro! (Parece que cheira “pum” rrrsss...) E as quadrilhas? Ensaio o mês todo! Era diversão garantida! Como disse as ruas não eram asfaltadas. Levantávamos um poeirão, mas nada nos tirava o prazer e a alegria do momento! 

Boa aluna! Tinha muita facilidade em memorizar conteúdos e assimilá-los. Comecei a estudar música aos 6 anos. Aos treze já auxiliava minha professora com os alunos mais novos. Logo tornei-me sua sócia. Linda pessoinha em minha vida, Dona Lurdinha! Muito importante e marcante em minha formação! Eu era 10 anos mais nova, mas invertíamos os papéis: eu a cabeça e ela o coração! Ela muito sensível e medrosa! Eu atirada e impulsiva! Nos amamos e nos respeitamos muito até hoje! Me lembro também dos desfiles das escolas! Semana da pátria! Aniversário da cidade! Dia da República! Eu comecei como “baliza”. Sabe aquela que vai na frente com um bastão como que abrindo caminho e pedindo passagem, mas quebrei o pé por duas vezes, me impossibilitando depois de tanto treino de mostrar minha performance! Pensam que deixei o bastão? Não! Fui tocar caixa de repique e depois surdo mesmo! Fui dos sete aos 15 anos integrante da fanfarra da minha escola. Com o tempo se tornou a melhor desculpa para namorar! Não via a hora de parar o ensaio para poder beijar muito! Andávamos por toda a cidade tocando aqueles instrumentos pesados e parávamos a cada meia hora! A cidade era mal iluminada e às vezes os locais em que parávamos coincidiam de serem mais escurinhos (acho que o nosso monitor, funcionava como cupido). Que delícia! Mil beijos roubados e apressados. Só tínhamos 10 minutos de beijos! Rrrrssss... Ê tempo bão!

 

Meu relacionamento com minhas irmãs sempre foi de cumplicidade e muito amor. De vez em quando tínhamos uns “arranca-rabos”, mas logo tudo voltava ao normal. Não me lembro muito bem de meu relacionamento com meu irmão (o caçula da família). Não sei por que! Mamãe sempre muito criativa e disponível nos encheu de mimos e realizações de sonhos. Imaginem vocês em uma cidadezinha de uns 3.000 habitantes, ela conseguiu realizar 7 bailes  de Debutantes. Enquanto ela não debutou todas as filhas (3) e sobrinhas (4), ela não parou! Carnaval... Hum, não media esforços para preparar as fantasias de nosso bloco “Avenida Iluminada”!

Devido à essa criação entusiasta e liberal de meus pais, me tornei uma pessoa incrivelmente criativa. Tenho um lado artístico bem acentuado. Minha veia para teatro se manifestou logo cedo. Imaginem vocês que aos 15 anos (1974), chegou em minha cidade um parapsicólogo! Mal sabíamos o que isto queria dizer, mas logo  descobri que  eu era “sensitiva”! Nossa! Passei a ser a garota propaganda na divulgação da mais recente ciência no Brasil, a Parapsicologia!  As regressões eram feitas todas através de mim! Me colocavam em estado “alfa” e me conectavam em pensamento com quase todas as pessoas. Sexos de crianças eram descobertos, (nem ultrassom existia na época), traumas eram descobertos e retirados através da comunicação mental. Viagens a lugares os quais eu nunca estivera antes, mas também ninguém os conhecia! O que eu falasse, todos acreditavam! Adorei ser o centro das atenções por um bom tempo. Enfim, uma série de experimentos foram realizados através de mim! O que ninguém sabe e quando digo isto hoje em dia ninguém acredita, é que eu inventava tudo! Eu ficava totalmente lúcida, mas as pessoas, principalmente as mais chegadas, teimam em aceitar que todo aquele teatro, realmente é real. Não estava em alfa coisíssima nenhuma! Por isso não acredito em regressões e vidas passadas, muito menos fenômenos paranormais. Hoje acredito ser apenas distúrbios mentais.

 

 Minha criação religiosa foi meio severa. Mamãe minha catequista! Não só minha, quase que da cidade inteira! Católica, apostólica, romana, atuante e praticante nos levava todos os domingos à missa. Lembro-me de que não gostava muito! Era tudo muito sério! Tinha uns 6 anos e me lembro de ver o padre ainda de costas o tempo todo! Os cantos, entoados de forma estridentes por senhoras de meia idade, um tanto quanto desafinadas, me doíam aos ouvidos (tenho ouvido absoluto)! Não entendia nada do que acontecia e muito menos o que o padre falava! Era latim! Mas fui crescendo com os valores e dogmas da religião católica! Os domingos eram um martírio! Tínhamos que primeiro ir à missa e só depois então sair para namorar. Imaginem vocês que nós namorávamos no fundo da igreja. Não nos beijávamos, mas uma mão procurava a outra. No fundo sempre se dá um jeitinho para namorar e tenho certeza que isto aconteceu com muita gente da minha época, se é que não acontece até hoje em cidades pequenas como a minha querida Buritama. Até uns 18 anos, cumpri minhas obrigações religiosas por achar que era assim que tinha que ser! Nunca parei para questionar nada! Acho que não estava muito preocupada com a presença de Deus. Tinha coisas mais importantes para pensar!

Casei-me aos 22 anos. Mudei-me para uma cidade vizinha! Professora de música e artes da rede estadual de ensino, não tinha tempo prá nada, a não ser preparar aulas, corrigir provas, lançar notas e faltas em Diários de classe. Imaginem vocês que  na época eu ministrava 44 aulas em colégios do estado, 12 aulas no conservatório de música e 8 de geometria em cursinho para vestibular. Não vi meu filho andar e nem falar! Só tive um! Meu marido recém-formado entrou como gerente da carteira agrícola de um banco! Ele se formou em agronomia! Começou minha vida de cigana. Cada ano estava em uma cidade! Foi ótimo! Eu adorava começar do nada e conquistar através do meu trabalho,  respeito e reconhecimento como profissional, além de inúmeras novas amizades, novos costumes, novos ares. Enfim tudo novo!

Sempre ligada à música, por onde passava, formava lindos corais e deixava sempre uma marquinha registrada. Promovi concertos, recitais, cursos, shows, oficinas, concursos, encontros enfim, tudo que a música permite experimentar eu experimentei. Nesta época, meu crescimento profissional foi maravilhoso! Aos poucos ia amadurecendo como orientadora e incentivadora da experiência musical em crianças, adolescentes e adultos que passavam por mim como meus alunos. Minha experiência como  regente de coros logo se tornou uma de minhas paixões. Me vi buscando novos arranjos, elaborando e criando outros. No início eram arranjos de músicas folclóricas e populares brasileiras. Conforme os grupos iam amadurecendo e a qualidade vocal melhorando, eu arriscava arranjos mais elaborados tipo “Aleluia de Haendel”. Lembro-me de ter lido uma vez, um filósofo que disse:  Só se vive esta vida se realizarmos 3 coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro! (Preciso descobrir quem disse isto!) Eu digo que são quatro: plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro e cantar Aleluia de Haendel!  O arranjo harmônico de Haendel, nos transporta para um estado de perfeita harmonia, não sei explicar! Quem tiver oportunidade, experimente viver essa sensação de plenitude! É maravilhoso! A sonoridade que eu obtinha dos coros com os arranjos sacros, me encantavam cada dia mais e isto me levou a pesquisar e aprofundar meus estudos em relação à música sacra. Fui regente fundadora do Coral da UNIR - Universidade Federal de Rondônia! Morei por 8 anos em Porto Velho/RO. Melhores anos de minha vida de casada! Conquistamos amigos maravilhosos, pena que nunca mais os vi! Aos finais de semana levávamos nosso filho Matheus, para pescar nas várias cachoeiras e igarapés que lá existiam. Bastava sair uns quinhentos metros da cidade e já nos encontrávamos em plena floresta amazônica. Que maravilha! Uma incontável tonalidade de verdes. Árvores de todos os formatos e tamanhos. Uma flora da qual não me esqueço do cheiro. Igarapés fantásticos! Tive muita sorte de vivenciar este paraíso! Acreditem nunca mais voltei lá!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO II 

                                                       Nova fase, novos valores!

 

                Mudamo-nos para o Mato Grosso do Sul!

                É meu marido segundo ele, resolveu conhecer o outro lado da mesa. Sempre fui de família abastada, enquanto meu marido lutou muito para conseguir alcançar alguns de seus objetivos. Eu estava atravessando uma excelente fase de amadurecimento e realização profissional e ele decidiu que nos mudaríamos para Campo Grande para ele se associar ao meu pai em um laticínio que ele estava montando em sua fazenda. Segundo meu marido, quando algum de seus clientes, chegava para pedir um empréstimo bancário ou algum tipo de financiamento, eles contavam seus planos e projetos e ele ficava como que sonhando em um dia poder estar “do outro lado da mesa”, também a procura de financiamentos para realizar seu próprio sonho. Eu estava plenamente realizada! Amava Porto Velho! Mesmo não achando uma boa idéia, não quis ser egoísta, afinal de contas ele havia sofrido uma experiência muito desagradável de um assalto ao banco em que trabalhava, o que o marcou muito! Não sei se mencionei anteriormente, mas meu pai sempre teve laticínio. Sofreu muito cedo um ameaço de enfarto (também fumava uns 4 maços de cigarro por dia). Seu médico o aconselhou a parar de fumar e o operou do coração. Resultado 2 “pontes de safena” e 1 mamária. Ele era novo e aguentou bem o tranco, mas por orientações médicas resolveu levar uma vida mais tranquila, mudando-se para a fazenda no Mato Grosso do Sul. Eu já estava casada nesta época. Vendeu seu laticínio de 25 anos em Buritama e foi-se embora. Na fazenda ele sempre fabricou parmesão com o leite que era tirado na propriedade, mas não aguentou muito e lá foi ele montar outro laticínio. Em umas férias que foram passar em Porto Velho, ele e mamãe, contou ao meu marido seus planos e o convidou para ser seu sócio. Nossa! Juntou a fome com a vontade de comer...

Lá viemos nós para Campo Grande! Meu marido não parava em casa! Vivia da fazenda pra Campo Grande. Todo o dinheiro que juntamos em Porto Velho, investimos em gado de leite. Tive muita sorte! Comecei a dar aulas de musicalização para crianças em uma escola que estava iniciando mas já tinha o respaldo do nome: “Arte Viva”. Seus proprietários pessoas altamente compromissadas com objetivos de proporcionarem a melhor experiência musical para quem nos procurassem. Fomos crescendo juntos como uma verdadeira família! A escola logo cresceu muito! Com a confiança e valorização do meu trabalho passei a ganhar super bem! O país saia de uma série de planos malucos: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado ( lembram-se disto?) finalmente estabilizou-se com o “real”. Como os aluguéis em Campo Grande eram caríssimos, eu resolvi investir em um imóvel. Comprei da construtora ENCOL, um “big” apartamento na planta, 153m2 de área interna, com a promessa de que em dois anos receberíamos as chaves. As parcelas foram congeladas em dólares e na época eu pagava U$ 800 mensal e a cada 5 meses o que eles chamavam de uma parcela penta-mensal de U$ 5.000. Trabalhava das 7 horas às 22 horas. Todo o meu dinheiro, tirando despesas principais (naquela época eu fumava) eram para pagar a parcela de meu apartamento. Eu era mesmo uma pessoa privilegiada! Neste mesmo tempo, meu amigo e chefe, me convidou para integrar um coral católico do qual era regente para auxiliá-lo em uma viagem que fariam para Roma, onde se apresentariam para o Papa. Achei o máximo e lá fomos nós! Foi uma viagem perfeita! Nunca me diverti tanto e sem falar que culturalmente foi um ganho impagável, pena que o guia era um padre muuuuuito chato. Logo que retornamos, meu amigo que não era lá muito religioso, deu um jeitinho de se retirar aos pouquinhos da regência do coral e quando me vi, estava como maestrina do coral São João Bosco. Com isto comecei a me reaproximar da igreja católica. Foram 8 anos como maestrina deste coro. Adorava o padre! Adorava meus coralistas! Adorava o trabalho que eu fazia! Os grupos de música da minha igreja começaram a me pedir ajuda para melhorarem a qualidade vocal e mesmo instrumental. Comecei a desenvolver um trabalho com os músicos. Daí passei a contribuir com o ECC (Movimento de casais). Depois fui auxiliar o grupo de jovens. Convidada para ser catequista, aceitei! (Fui catequista por 10 anos). Sem falar que ainda tinha uma escola de Música com mais ou menos uns 120 alunos. Ah! Esqueci de dizer, fui animadora de Missa das crianças e também Coordenadora da Equipe de Liturgia. Não tinha tempo para nada! Mas adorava!!! De vez em quando eu era surpreendida nos supermercados por pessoas que me paravam pra dizer o quanto apreciavam a “minha” missa! Eu estranhava aquilo e os corrigia dizendo que a missa não era minha, eu apenas era um instrumento usado por Deus, para auxiliar na celebração. Isto se tornou meio que uma constante e vários pais vinham me dizer que seus filhos só queriam ir à missa da Tia Cris! Dentro do ministério de música, eu também comecei a sentir uma supervalorização do meu trabalho! Enfim, como eu era muito dinâmica e criativa passei praticamente a estar presente em todos ou quase todos os movimentos de minha igreja. Fui deixando-me levar. Imaginem vocês que como animadora da missa das crianças, eu fazia e desfazia. Com o domínio musical que possuo, as acolhidas eram literalmente “calorosas”! Realizava coreografias nas quais conseguia através das letras e ritmos, envolver toda a comunidade. Hoje vejo que eu usava o altar como se fosse um palco, comandando a cada celebração cerca de 500 a 600 pessoas, louvando a Deus. Era um delírio! As crianças amavam e seus pais também! Eu conseguia envolver até o padre! (Imagem vocês que eu fazia até o padre dançar) O que antes era uma chatice, agora era diversão. Eu adorava ver toda a comunidade se divertindo! Se abraçando! Se tocando! Dançando! Cantando! Crianças! Mulheres! Até os homens um tanto quanto mais sérios, se soltavam para LOUVAR o Senhor!  Senti que as pessoas começaram meio que me “admirar mais do que o necessário”. Eles achavam que eu era perfeita. Uma ILUMINADA! Neste meio tempo, a ENCOL quebrou e lá se foi o meu apartamento. Nem me abalei! Eu era uma ILUMINADA, amada e escolhida por Deus! Tinha certeza que Deus me devolveria na hora certa, quando eu mais precisasse, afinal ELE sabia o quanto tinha me custado cada centavo pago. Comecei a mudar o meu comportamento para que as pessoas com as quais eu mais convivia, me vissem como um ser humano cheio de defeitos como qualquer outro. Passei a ser mais autoritária, mais exigente, mais chata, pra poder passar uma imagem mais humana.  Não me lembro se foi  meu filho que é ateu convicto, ou minha nora também atéia, que disseram que  a religião é o “ópio do povo”, depois vir saber que quem havia dito isto, nada mais era do que Karl Marx! Aquelas palavras me chocaram muito, mas não conseguia parar de pensar nelas. Eu comecei  observar mais atentamente o papel da religião em minha vida e vi que tudo o que fazia, na verdade era mais uma realização pessoal, mas tinha claro que Deus me usava como seu instrumento para auxiliá-lo em sua obra, (com coisa que  Deus precisa de ajuda!)   Minha igreja, sempre inovadora, implantou um movimento chamado “Católicos em Células” do qual fui líder de célula por quase 2 anos. Hoje meu marido me substitui. Por mais que eu fizesse, por mais que eu me entregasse aos trabalhos da igreja, parecia que sempre faltava algo ou que eu estava sempre buscando algo. Comecei como líder de célula, a estudar mais a bíblia. Buscava afoita na Internet por pregações, estudos, até mesmo em outras denominações cristãs um maior entendimento dos textos bíblicos. Foi aí que o bicho pegou!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO III

 

                                                                                    Conflitos

 

         Eram tantas denominações cristãs! Na minha própria religião – o catolicismo – temos:

- Renovação Carismática, Igreja Tradicional, Neocatecumenal, Regnum Christi, Comunhão e Libertação. Estas são as que eu

conheço. E o protestantismo? Agora são evangélicos!

- Adventistas, Presbiterianos, Batistas, Metodistas, Pentecostais, Assembléia de Deus, Testemunhas de Jeová, etc... etc... segundo o google, mais de 3.000 denominações só dentro do protestantismo, sem contar as mais conhecidas como: budismo, espiritismo, islamismo, hinduísmo, judaísmo, xintoísmo, mórmons, taoísmo, etc...

        Isto me levou a pensar! Se Deus é um só, por que tantas religiões? Comecei a prestar mais atenção ao que eu ouvia e pregava. No início dos meus questionamentos passei a analisar as minhas atitudes em relação ao meu compromisso com Deus.

Observei que meu comprometimento na verdade estava mais com a igreja/comunidade/padre, do que com o próprio Deus.

Várias dúvidas foram se apossando de mim! Não podia contar a ninguém, senão logo diriam que o inimigo estava me rondando!

Recebi um dia um telefonema de uma grande amiga e aluna, muito preocupada com os pensamentos de seu filho menor o qual havia sido catequisado por mim. Ela dizia que ele estava com vários conflitos em relação a Deus, até mesmo duvidando de sua existência. Pediu-me para conversar com ele. Disse que lhe faria uma visita assim que possível. Pensei: - Como encarar os conflitos de uma criança de 11 anos, quando eu aos 50 enfrento a maior crise existencial de minha vida! Nesta fase de tantos conflitos espirituais, apareceu uma oportunidade de uma mudança radical de vida.  O laticínio responsável pela nossa vinda de Porto Velho para Campo Grande, agora com 17 anos, passava por uma crise muito difícil! O sonho de meu marido corria o risco de ir por água abaixo. (Corria o risco de ser fechado pela fiscalização...) 

     O laticínio não tinha sequer um gerente, ficava na mão dos próprios funcionários. Ninguém tinha controle de nada e meu marido coitado, tentando tocar o barco.  

       Sempre fui aquela que literalmente “Levava a vida numa flauta!” Apareceu a oportunidade para eu dar um tempo e colocar as idéias no lugar! Fui prá fazenda!  Meu pai a vida toda teve laticínio. Nasci e fui criada em laticínio! Eu na verdade só sabia comer queijo, mas... fazer!!!

          Estava tudo uma sujeira! Todo mundo mandava! Chegavam às 7 horas e saíam as 13 ou 14 horas, isto com horário de 1 hora para o almoço! Almoçavam às 10 ou 11 horas! O laticínio estava mofado do teto ao piso! Formas emboloradas e encardidas! Não tinha um vassoura que prestasse ou mesmo um rodo! Era o caos!  

Fiz uma reunião e pedi uma limpeza geral. Conscientizei a todos do perigo de contaminação, a necessidade dos cuidados com a higiene blá blá blá ... Enfim 3 horas de reunião. Comecei pintando por fora, enquanto eles faziam a limpeza interna. Resultado! Nada! A sujeira continuava! Dei mais 15 dias! Caso não melhorasse, cabeças iriam rolar! Dito e feito. Depois de um mês dispensei aquele que se intitulava chefe. Todos se assustaram e daí prá frente a coisa começou a melhorar. Há 3 anos estou à frente do laticínio e é o terceiro “A” consecutivo que tiramos na auditoria do ministério da agricultura. Sim o laticínio tem Selo de Inspeção Federal – SIF e é nota A.

Enquanto eu aprendia a fazer queijo, enformar, pasteurizar leite, defumar provolones, embalar queijos ia aos poucos implantando um programa de controle de qualidade no laticínio. A noite eu lia e estudava vários livros. Comprei um moden de Internet móvel e iniciei minhas buscas na web.

Com minhas pesquisas voltadas para as orientações em formação de grupos, liderança, gestão empresarial e etc... fui aos poucos acessando alguns vídeos de debates muito interessantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTO IV

               

                                                 Viajando por novas ideologias

 

                            Assim ficou minha vida, ficava 2 a 3 semanas no laticínio/fazenda e 2 ou 3 dias em Campo Grande. Entre minhas idas e vindas, eu havia passado no sebo e pego alguns livros sobre: budismo, taoísmo, Feng-shui, judaísmo, islamismo. Em uma outra viagem peguei: Deepak Chopra (A cura quântica), Eckhart Tolle (O despertar de uma nova consciência e O poder do agora), Daniel Colleman (Inteligência Emocional), Gandhi e  outros. Iniciei um treinamento de meditação.

                             Com Tolle, estou aprendendo a identificar e dominar o meu ego. Já consegui resultados bem interessantes. Também com Tolle, estou aprendendo a vivenciar o momento, o agora. É difícil, mas depende de muito treinamento. Com Chopra vi que as curas são possíveis. Ele mostra que o corpo humano é controlado por uma “rede de inteligência”, que determina se estamos saudáveis e bem integrados com a natureza. Daniel Goleman está me ajudando a conhecer e lidar com esta rede de inteligência.

 

                             Quando me cansava de ler, entrava na Internet em buscas de debates. Achei um que precisei de 3 dias para criar coragem de assistí-lo: “Desconstrução do mito Jesus Cristo”, com Marcelo da Luz . Ao lado como sugestão e assuntos relacionados apareceram temas que antes eu nem perderia tempo de acessá-los. Um em especial me chamou a atenção: Deus, um delírio com Richard Dawkins (legendado)... Fui para Sam Harris, caminhei pelo humor de George Carlin (comediante inglês, de uma perspicácia inimaginável).  Passei para Christhopher Hitchens e Daniel Dennett. Fique fascinada com a determinação de Stephen Hawking. Mas me encantei mesmo com a elegância de Richard Dawking. Um dos cientista mais respeitado e renomado da atualidade, se coloca no mesmo nível de adolescentes, para um debate sobre a teoria da evolução de Darwin, com um único objetivo de lhes dar oportunidade para refletirem sobre seus paradigmas e abrirem suas mentes a novas idéias. (You tube:

Richard Dawkins ensinando evolução para alunos religiosos).

Outro escritor, filósofo e neurocientista americano que me chamou a atenção pela clareza e objetividade em suas colocações foi: Sam Harris. Assistindo seu debate: “Liberdade de escolha”, conclui que precisava rever tudo o que vivenciei como verdade absoluta. Iniciei com pesquisas sobre a bíblia. Li e reli por várias vezes passagens as quais eu tinha como norteadoras de minha conduta e meus princípios de moralidade. Por que então agora elas não mais faziam sentido para mim? Comecei a ver como a figura do Deus de Abraão, descrita na bíblia me passava uma nova imagem: um Deus egoísta, destruidor, autoritário, chantagista... etc... etc... etc... (poderia citar aqui várias passagens, onde este ser aparece com tais características, mas hoje isto não mais me importa).

Sempre ouvi dizer, que Deus é onipotente, onisciente e onipresente então: tudo pode, tudo sabe e tudo vê e... por quê deixa uma criança ser estuprada, deixa uma criança morrer de fome, uma criança ser violentada fisicamente pelos próprios pais?  Só vê e nada faz? Sem dizer que antes de acontecer ele já sabia o que aconteceria! É uma atitude muito contraditória ao seu poder! Sua reação me parece mais assim: Ele olha, mas não interfere devido ao livre arbítrio e pensa...termina aí que depois na hora certa eu vou te punir! E tem mais, se caso estes malfeitores possam vir a se arrepender do que fizeram, ainda ganham seu perdão! Que Deus é este? Se Deus realmente existisse, a vida com certeza seria diferente! Um criador não quer ver sua criatura destruída! Um criador não destrói a sua própria criação inundando-a! Um criador não destruiria cidades inteiras com seus moradores, crianças e animais, deixando sobreviver segundo a bíblia (o livro sagrado escrito sob a orientação deste ser invisível e desumano) apenas um pai e duas filhas, pois até mesmo a mãe ele transformou em estátua de sal pelo simples fato de olhar para trás...

1 Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e Ló estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se com o rosto em terra

2 e disse: "Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho". "Não, passaremos a noite na praça", responderam.

3 Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.

4 Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.

5 Chamaram Ló e lhe disseram: "Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles".

6 Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si

7 e lhes disse: "Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!

8 Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto".

9 "Saia da frente!", gritaram. E disseram: "Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles". Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.

10 Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.

11 Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.

12 Os dois homens perguntaram a Ló: "Você tem mais alguém na cidade - genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,

13 porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade".

14 Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: "Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade!" Mas pensaram que ele estava brincando.

15 Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: "Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada".

16 Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.

17 Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: "Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto!"

18 Ló, porém, lhes disse: "Não, meu senhor!

19 Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, senão esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.

20 Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo".

21 "Está bem", respondeu ele. "Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.

22 Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá". Por isso a cidade foi chamada Zoar.

23 Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.

24 Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.

25 Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.

26 Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal. (Genesis 19)

 

 Este homem foi o único na cidade merecedor do perdão de deus, por acolher em sua casa dois anjos, os quais seriam violentados pelos moradores da cidade, mas que este homem tão respeitosamente, os trocou por suas 2 filhas para serem violentadas no lugar dos visitantes. Este homem de nome Ló, foi o único a se salvar no meio de todos os outros e este mesmo pai ao ir morar em uma gruta com suas filhas, acaba tendo relação sexuais com suas duas, (Gênesis 19, 30 a 38). Se este homem era o melhor para Deus... então??? Que falta de senso de justiça! (E ainda seremos julgados por ele no final de nossas vidas! Você quer?)

 E eu que durante 50 anos acreditei neste deus bíblico, aquele que deixou irmãos estuprarem irmãs...

Tamar era uma das filhas do rei Davi, que foi desejada por seu meio-irmão, Amnom.  Mas, no início, era difícil amá-la, ao ponto de adoecer por causa disso. Porém, ele tinha um amigo chamado Jonadabe que era muito sagaz e perverso, e que o aconselhou a cometer o incesto, ou seja, ter relação com sua irmã, para saciar o seu desejo (2 Samuel 13:1-5).

Amnom não pensou duas vezes e fez conforme a ideia do amigo. Ele fingiu estar doente e pediu a seu pai, o rei Davi, que mandasse sua irmã Tamar para cuidar dele. E, infelizmente, foi exatamente isso que aconteceu, porque o rei não imaginava as intenções do filho (2 Samuel 13:6).

Tamar foi à casa de Amnon, conforme o pedido de seu pai, e fez ali bolos para seu irmão. Ao servi-lo, Amnon forçou Tamar a se deitar com ele, mesmo ela argumentando e pedindo que não fizesse isso (2 Samuel 13:7-14). Depois de violentá-la, ele sentiu aversão e expulsou Tamar de sua presença. Ela, indignada com o mal que vivera há instantes, não se calou. Colocou cinzas em sua cabeça, rasgou suas vestes reais, pôs suas mãos sobre a cabeça e saiu andando e clamando.  Foi quando seu irmão Absalão a encontrou e a  abrigou em sua casa. E ali, Absalão começou a odiar seu irmão Amnom, por ter forçado Tamar (2 Samuel 13:15-22).

 

... Filhas seduzem pais (as filhas de Ló), reis traírem e matar seus soldados para ficar com suas esposas... 

O rei David seduz uma mulher casada. O marido é um oficial estrangeiro, que se encontra a seu serviço e está agora na frente de batalha. David manda ordens secretas para que lhe dêem uma missão sem esperança, onde encontre a morte. Depois, casa com a viúva. O profeta Nathan vem exprobrar-lhe o pecado e o crime. David tem a hombridade de reconhecer os factos e se confessar grande pecador. A Bíblia diz que Deus reconhece a sinceridade do arrependimento de David e lhe perdoa. (II Sam 11,1-12,15),

 

...pedir filhos em sacrifício (filho de Abrão)

Algum tempo depois Deus pôs Abraão à prova. Deus o chamou pelo nome, e ele respondeu: “Estou aqui”. Então Deus disse: “Pegue agora Isaque, o seu filho, o seu único filho, a quem você tanto ama, e vá até a terra de Moirá. Ali na montanha que eu lhe mostrar, queime o seu filho como sacrifício. (Gn. 22.1-2)

 

Adorado por milhões de cristãos, muçulmanos e judeus, Abraão recebe a ordem de Deus para matar o seu filho, ordem essa que ele aceita. Esse consentimento para o assassinato é perverso e criminal, no entanto, Abraão é visto por estas religiões monoteístas como uma referência de devoção. Como conceber que Deus mandaria um pai matar o seu próprio filho, quando qualquer pai daria a sua própria vida para salvar o seu filho? Este mandamento tirânico é simplesmente uma impossibilidade moral, uma vez que refuta todos os códigos morais concebíveis. Se matar o seu próprio filho inocente é "bom", então o que na terra constitui o "mal"? (texto extraído do blog OCTOPUS).

 

...e o pior sacrificar seu próprio filho Jesus (essa história todos conhecem bem). Mais uma vez eu me pergunto que Deus é esse? Não sei como pude acreditar em um ser assim por tantos anos! Realmente a religião nos cega para a realidade. E o pior de tudo, achar que esse “Deus Abraâmico” me devolveria meu apartamento, hoje avaliado em quase R$ 500.000,00.  Quanta ignorância! E ainda enfiar este Deus “guela a baixo” por 10 anos em pobres crianças que ao lerem os trechos bíblicos morriam de medo deste ser perverso e destruidor que mais se parece com um carrasco do que com um pai.

Não conheço os “livros sagrados” das outras religiões, mas creio que não devem ser muito diferentes da bíblia. Já ouviram falar em: “Quem conta um conto, aumenta um ponto!” Pois bem, há 3 mil anos atrás (data aproximada dos primeiros registros bíblicos) eram pouquíssimas pessoas que sabiam ler e escrever. Elas podiam escrever como bem lhe aprouvessem. Mesmo os evangelhos do novo testamento, foram escritos por volta de 70 anos após a morte de Jesus. Pensem na mesma história sendo contada por setenta anos, até ser registrada. Quanta imaginação! As cartas de Paulo foram escritas talvez de 20 a 30 anos após a morte de Cristo, mas Paulo não foi seu apóstolo. Não conviveu e tão pouco o conheceu! Só foi contando o que ouviu de outros! E as palavras tem muito poder! Quando uma mentira é contada com convicção, passa a se tornar uma verdade! Lembram-se da minha postura em relação ao curso de parapsicologia? Fiz toda uma cidade acreditar que aquilo era possível!

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO V

 

                                                            Desmistificando o divino

 

Segundo o professor Marcelo da Luz, ex-sacerdote da igreja católica, existem dois Cristos: o Jesus histórico (o indivíduo que nasceu em Nazaré e viveu na palestina) e o Cristo da fé (o homem divino – filho de deus). Assistam este vídeo de entrevista no programa Ciência e Consciência: “Desconstrução do mito de Jesus Cristo”. Não existem comprovações científicas e sim evidências da existência de um personagem histórico com o nome de Jesus, talvez um profeta, como tantos outros que existiram naquela época, mas, Jesus Cristo (o salvador, o messias, o ungido), a arqueologia vem por séculos tentando descobrir pistas que possam vir a confirmar a existência de Cristo, mas até hoje nada foi encontrado.

No you tube, tem um vídeo: Jesus, plágio de outros mitos? Muito bom! Ele faz uma comparação histórica com todos os mitos antigos. Algumas colocações:

- Horus, deus sol do Egito há 3.000 anos a.c.  Horus deus sol tinha como inimigo Set, que era a personificação da trevas. Trevas X luz, bem X mal, tem sido uma dualidade muito presente na história da humanidade. A história de Horus é a seguinte:

- Nasceu no dia 25 de dezembro,

- Filho de uma virgem, Isis,

- Seu nascimento foi acompanhado por uma estrela do oeste,

- Foi seguido por 3 Reis em busca do salvador recém-nascido,

- Aos 12 anos, era uma criança prodígio nos ensinamentos,

- Aos 30 anos foi batizado por  “Anubis” e inciou seu ministério,

- Teve doze discípulos e viajou com eles realizando milagres: cura de enfermos e andar sobre as águas,

- Conhecido por outros nomes como: Bom pastor, Filho de Deus, A luz e muitos outros.

- Foi traído por Tifão e crucificado,

- Foi enterrado por 3 dias e então ressuscitou.

Estas informações se encontram registradas em hieróglifos egípcios (prova arqueológica). Como havia dito antes, somente poucas pessoas que soubessem ler e escrever tinham acesso a tais informações. Não acham muita coincidência com a história de Jesus? Várias outras figuras mitológicas possuem uma história parecida:

Atis (Grécia) 1.200 a.c., krishna (Ínsia) 900 a.c., Dionisios (Grécia) 500 a.c., Mithra (Pérsia) 1200 a.c. e vários outros com os mesmos atributos em comum: nasceram em 25 de dezembro, de virgens, realizaram milagres, tiveram doze discípulos, foram crucificados e ressuscitaram e para todos existem registros históricos em pinturas ou incrustações em pedras. Este vídeo traz o porque destes atributos.

You tube: O CRISTIANISMO SEM JESUS CRISTO NÃO É NADA!

 

 

CAPÍTULO  VI

                                                                Dogmas religiosos

 

                               Cansei de ouvir e até dar as mesmas respostas:

- Deus nos deu o livre arbítrio;

- Ninguém conhece os mistérios de deus;

- Deus escreve certo por linhas tortas;

- Deus não dá uma cruz mais pesada do que você pode carregar;

- Na vida eterna serás recompensado;

- Isto é questão de fé;

- Deus dá o frio, conforme o cobertor (até virou tema de música);

E vai por aí afora!

                         Quero começar com a que eu acho melhor de todas: Religião e política, não se discute! Por que será? Até mais ou menos meados do séc. XIX, a ciência não conseguia explicar muitas coisas, principalmente a criação do homem. Com as experiências e a teoria de Darwin (que hoje reconhecemos e sabemos que são comprovações científicas) não se tinha uma explicação aceitável para tal fato.

 A teoria da evolução de Darwin ficou conhecida como Darwinismo e pode ser resumidamente enunciada: Durante a transição de gerações considerável número de indivíduos falece, antes mesmo de procriarem. Os que sobrevivem e geram descendentes são aqueles selecionados e adaptados ao meio devido às relações com os de sua espécie e também ao ambiente onde vivem. A cada geração, a seleção natural favorece a permanência das características adaptadas, constantemente aprimoradas e constantemente melhoradas. É a evolução das espécies. Hoje, com o conhecimento da genética, a teoria da Darwin foi incorporada à novos elementos, e passou a ser nomeada de Neodarwinismo, pela qual evolução é:“a mudança das características hereditárias de uma população de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem ao longo do tempo. Características hereditárias são a expressão gênica de genes que são passados aos descendentes durante a reproduçãoMutações em genes podem produzir características novas ou alterar características que já existiam, resultando no aparecimento de diferenças hereditárias entre organismos. Estas novas características também podem surgir da transferência de genes entre populações, como resultado de migração, ou entre espécies, resultante de transferência horizontal de genes. A evolução ocorre quando estas diferenças hereditárias tornam-se mais comuns ou raras numa população, quer de maneira não-aleatória através de seleção natural ou aleatoriamente através de deriva genética”. (Texto extraído da página do site do Colégio Santa Maria de São João do Meriti)

Com a teoria da evolução das espécies, Deus deixou de ser necessário e começaram então a aparecer vários ateus. Alguns filósofos foram tremendamente injustiçados em sua época, por defenderem a idéia que Deus não era mais necessário para explicar a criação das coisas pelas quais durante milhares de anos ele foi protagonista. Os novos questionamentos começaram aparecer e religião começou a ser discutida sim. Principalmente nos dias de hoje, não podemos mais nos omitir de nos posicionarmos diante de tais situações. Tive recentemente uma situação semelhante, onde em um almoço de família, manifestei minha nova forma de ver a vida e qual surpresa, quando ao surgirem os questionamentos, senti que ao assumir a postura de não mais necessitar de deus, como sempre fui respeitada por ser uma católica convicta, eu percebi que as pessoas franziam a testa para pensar no que eu estava falando e isto já me basta. Precisamos levar as pessoas a se questionarem e não mais engolir tudo o que veem e escutam sobre religião. Por exemplo lancei uns questionamentos que com certeza os deixaram em estado de choque, tipo:

- Vocês acham que uma criança pode nascer de uma mulher virgem? Com todas as provas científicas de como funciona o corpo humano e como é concebida uma criança, é possível isto acontecer? (catolicismo)

- Vocês acreditam que uma simples “bolachinha” pode se transformar em carne humana (corpo de Cristo) e o vinho em sangue? (Catolicismo)

- Vocês acreditam que uma pessoa possa depois de três dias enterrado, ressuscitar? (Catolicismo)

- Vocês acreditam que crianças nascem aleijadas para pagarem os pecados cometidos em outras vidas? (Espiritismo)

- Vocês acreditam que Jesus (o qual nem sabemos se existiu) voltará para arrebatar todo aquele que nele crê? (Protestantismo)

- Vocês acreditam que deuses podem encarnar em forma de animais para livrá-los ou alertá-los de perigos, tipo um peixe para matar a fome? (Hinduísmo)

- Vocês acreditam que ir à Meca poderá salvá-los? (Islamismo)