Simplesmente Como Jesus por Max Lucado - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

autor).

"Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da

liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido,

mas praticante da palavra, este tal será bem-aventurado no

seu feito" (Tiago 1:25, ACF).

Se vamos ser como Jesus, devemos ter um tempo regular

para falar com Deus e ouvir sua Palavra.

ESPIRITUALIDADE EMPRESTADA

Um momento. Não façam isso. Sei exatamente o que alguns

de vocês estão fazendo. Estão fechando seus ouvidos. Lucado está

falando de devocionais diários, certo? Este é um bom momento

para ir mentalmente ao refrigerador e ver que há para comer.

Compreendo sua relutância. Alguns de nós temos tentado ter

momentos devocionais diários e não conseguimos. Outros tivemos

dificuldades para concentrar-nos. Todos estamos muito ocupados.

Assim que, em vez de passar tempo com Deus, escutando sua voz,

deixamos que outros passem tempo com Ele e então nos

beneficiamos de sua experiência. Deixemos que eles nos digam o

que Deus está dizendo. Além do mais, não é para isso que

pagamos aos pregadores? Não é por isso que lemos livros cristãos?

Esses caras são bons para as devoções diárias. Simplesmente

aprenderei deles.

Se esse é seu método, se suas experiências espirituais são de

segunda mão em vez de ser de primeira mão, gostaria de desafiá-lo

com este pensamento: Você faz isso com outras partes de sua vida?

Acho que não.

Não faz isso com suas férias. Você não diz: "As férias são uma

completa amolação, com todo o trabalho de fazer as malas e viajar.

Vou enviar alguém para que tire férias por mim. Quando voltar,

ouvirei tudo quanto tiver para me contar, e me pouparei dos

inconvenientes". Você gostaria disso? Não! Você quer experimentá-

las pessoalmente. Quer ver as paisagens com seus próprios olhos,

e quer que seja seu próprio corpo o que descansa. Há certas coisas

que ninguém pode fazer por você.

Certamente não faz isso com o romance, você não diz: "Estou

apaixonado por essa pessoa maravilhosa, mas o romance é um

completo incômodo. Vou contratar um amante de aluguel para que

desfrute do romance em meu lugar. Depois ouvirei tudo quanto

tem para me contar, e me pouparei os incômodos". Você faria isso?

Nem pensar. Você quer experimentar o romance pessoalmente.

Não quer perder uma só palavra nem um encontro, e certamente

não quer perder esse beijo, verdade? Existem coisas que ninguém

pode fazer por você.

Você não deixa que alguém coma em seu lugar, verdade?

Você não diz: "Mastigar é uma chatice. Minhas mandíbulas

cansam, e a variedade de sabores é incrível. Vou contratar alguém

para que mastigue minha comida, e eu depois engolirei qualquer

coisa que me dê". Você faria algo semelhante? Uf! Certamente que

não! Há certas coisas que ninguém pode fazer por você.

E uma dessas coisas é passar tempo com Deus.

Escutar a Deus deve ser uma experiência de primeira mão.

Quando Deus pede sua atenção, não quer que você envie um

substituto; quer você. Convida você a gozar férias em seu

esplendor. Convida você a sentir o toque de sua mão. Convida você

a desfrutar do banquete de sua mesa. Quer passar tempo com você.

E com um pouco de treinamento, seu tempo com Deus pode ser o

ponto mais destacado de seu dia.

Um amigo meu casou com uma soprano de ópera. Ela adora

concertos. Passou seus anos na universidade no departamento de

música, e suas lembranças da infância são de teclados e

arquibancadas de coros. Ele, por seu lado, se inclina mais para os

esportes e a música popular. Também ama sua esposa, então,

ocasionalmente assiste à ópera. Os dois sentam juntos no mesmo

auditório, escutam a mesma música, com duas respostas

completamente diferentes. Ele dorme, e ela chora.

Acredito que a diferença vai além dos gostos, é a preparação.

Ela passou horas aprendendo a apreciar a arte da música. Ele não

dedicou nenhuma a isso. Os ouvidos dela são sensíveis como um

contador Geiger. Ele não pode diferenciar entre staccato e legato.

Mas está tentando fazê-lo. A última vez que falamos de concertos,

me disse que está conseguindo permanecer acordado. Talvez

nunca tenha o mesmo ouvido que sua esposa, mas com o tempo

está aprendendo a escutar e a apreciar a música.

QUANDO SE APRENDE A ESCUTAR

Estou convencido de que nós também podemos. Equipados

com as ferramentas apropriadas podemos aprender a ouvir a Deus.

Quais são essas ferramentas? As que eu achei úteis são as

seguintes:

Tempo e lugar regulares

Selecione um período em seu horário e um cantinho em seu

mundo, e separe-o para Deus.

Para alguns talvez seja melhor fazê-lo de manhã. "De

madrugada te esperará a minha oração" (Salmo 88:13, ACF).

Outros preferem a noite e concordam com a oração de Davi:

"Suba a minha oração perante a tua face como (...) o sacrifício da

tarde" (Salmo 141:2, ACF).

Outros preferem muitos encontros durante o dia.

Aparentemente o autor do Salmo 55 fazia assim. Escreveu: "De

tarde e de manhã e ao meio dia orarei" (Salmo 55:17, ACF).

Alguns sentam embaixo de uma árvore, outros, na cozinha.

Talvez você precise percorrer certa distância para ir até seu

trabalho, ou talvez a hora do almoço seja a mais apropriada.

Busque a hora e o lugar adequados.

Quanto tempo deve tomar? Todo o necessário. Valorize a

qualidade mais que a quantidade. Seu tempo com Deus deve durar

o suficiente como para a você possa dizer o quer dizer e que Deus

diga o que quer dizer. O que nos leva ao segundo recurso que você

necessita:

Uma Bíblia aberta

Deus nos fala por meio de sua Palavra. O primeiro passo ao

ler a Bíblia é pedir a Deus ajuda para compreendê-la. "Mas aquele

Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome,

esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo

quanto vos tenho dito" (João 14:26, ACF).

Antes de ler a Bíblia, ore. Não se aproxime das Escrituras

procurando suas próprias idéias; busque as de Deus. Leia a Bíblia

com oração. Também leia com cuidado. Jesus nos disse: "buscai, e

encontrareis" (Mt 7:7, ACF). Deus elogia os que meditam nas

Escrituras noite e dia (ver Salmo 1:2). A Bíblia não é um jornal no

qual podem ler-se os títulos, mas um filão que é preciso aproveitar.

"Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a

procurares, então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o

conhecimento de Deus" (Pv 2:4-5, ACF).

Este é um ponto prático. Estude a Bíblia um pouco de cada

vez. Deus parece enviar mensagens como enviava o maná: uma

porção para um dia por vez. Ele provê "mandamento sobre

mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra,

regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28:10, ACF).

Prefira a profundidade à quantidade. Leia até que um versículo

"lhe dê um tapa", então pare e medite nele. Copie esse versículo

num papel, ou escreva-o em seu diário, e reflita nele várias vezes.

Na manhã em que escrevi este capítulo, por exemplo, meu

tempo devocional me encontrou em Mateus 18. Tinha lido apenas

quatro versículos quando li: "quem se tornar humilde como esta

criança, esse é o maior no reino dos céus...". Não precisei avançar

mais. Copiei as palavras em meu diário, e meditei e pensei nela

durante o dia. Várias vezes perguntei a Deus: "Como posso ser

mais como uma criança?" No final do dia me veio a lembrança de

minha tendência a andar com pressa e esforçar-me.

Aprenderei o que Deus quer? Se escutar, aprenderei.

Não desanime se sua leitura produzir pouco. Alguns dias

uma porção menor é tudo quanto necessitamos. Uma menina

regressou de seu primeiro dia na escola. Sua mãe perguntou-lhe:

— Você aprendeu algo?

— Acho que não — respondeu a menina —. Preciso voltar

amanhã, e depois de amanhã, e todos os dias.

Assim é com o aprendizado. É o mesmo caso com o estudo da

Bíblia. A compreensão vem um pouco de cada vez, e para toda a

vida.

Existe um terceiro recurso ou ferramenta para ter um tempo

produtivo com Deus. Não só necessitamos um tempo regular e

uma Bíblia aberta, mas também precisamos de um coração que

escuta. Não esqueça a admoestação de Tiago: "Aquele, porém, que

atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não

sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-

aventurado no seu feito" (Tg 1:25, ACF).

Sabemos que estamos escutando a Deus quando o que lemos

na Bíblia é o que os outros vêem em nossas vidas. Talvez você

tenha ouvido a história do tolo que viu um anuncio de um cruzeiro.

O cartaz na vitrine da agencia de viagens dizia: "Cruzeiro: $100".

"Eu tenho $ 100", pensou, "e gostaria de fazer essa viagem".

Assim entrou e disse o que desejava. O funcionário pediu-lhe o

dinheiro, e o tolo começou a contá-lo. Quando chegou a cem,

recebeu uma terrível pancada que o deixou sem sentido. Acordou

enfiado num barril boiando num rio. Outro tolo, em outro barril,

passou por ali e o primeiro perguntou:

— Ouça, servem almoço neste cruzeiro?

O outro respondeu:

— Não serviram no ano passado.

Uma coisa é não saber; e outra muito distinta é saber e não

aprender. Paulo instou a seus leitores a que pusessem em prática

o que haviam aprendido dele. "O que também aprendestes, e

recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei" (Filipenses 4:9,

ACF).

Se você quer ser como Jesus, deixe que Deus se apodere de

você. Passe tempo escutando-O até que receba sua lição para o dia;

depois, aplique-a.

Tenho outra pergunta para examinar seu ouvido. Leia, e veja

como vai.

QUANTO TEMPO SE PASSOU DESDE A ÚLTIMA VEZ QUE

DEIXOU QUE DEUS O AMASSE?

Minhas filhas já estão muito crescidas, porém quando eram

pequenas, no berço e com fraldas, eu chegava em casa, gritava

seus nomes e as via vir correndo com seus braços estendidos e

berrando de alegria. Pelos minutos seguintes falávamos a

linguajem do carinho. Rolávamos pelo chão, acariciava suas

barrigas, fazia-lhes cócegas e riamos e brincávamos.

Nos alegrávamos com a presença do outro; não me pediam

nada que não fosse: "Vamos brincar, papai". Eu não lhes exigia

nada, além de: "Não bata no papai com o martelo".

Minhas filhas me permitiam que eu as amasse.

Mas suponha que minhas filhas tivessem se aproximado de

mim do mesmo modo com que freqüentemente nos aproximamos

de Deus: "Escuta, pai: estou feliz de que tenhas chegado. Isto é o

que eu quero: mais brinquedos. Mais doces. Podemos ir a um

parque de diversões nestas férias?"

"Hein!", eu diria. "Não sou garçom, nem isto é um restaurante.

Sou teu pai, e esta é a nossa casa. Por que não sobes nos joelhos

de papai e me deixas dizer-te quanto te a amo?"

Você pensou alguma vez que Deus quisesse fazer o mesmo

com você? Ah, Ele nunca me diria tal coisa. Não diria? Então com

quem estava falando quando disse: "com amor eterno te amei"

(Jeremias 31:3, ACF). Estava Ele brincando quando disse que nada

"nos poderá separar do amor de Deus" (Romanos 8:39, ACF)?

Sepultado entre as jazidas muito pouco exploradas dos profetas

menores está esta jóia:

"O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele

salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por

seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sofonias 3:17,

ACF).

Não passe rapidamente por esse versículo. Leia de novo, e

prepare-se para uma surpresa:

"O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele

salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por

seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sofonias 3:17,

ACF).

Note quem é ativo e quem é passivo. Quem é o que canta, e

quem o que repousa? Quem se alegra por seu ser querido, e por

quem se regozija?

Pensamos que nós somos os cantores e que cantamos para

Deus. Na maioria dos casos é assim. Mas evidentemente há

ocasiões quando Deus gostaria que permanecêssemos

simplesmente quietos e (que pensamento mais surpreendente!) que

lhe permitíssemos que Ele cantasse para nós.

Até vejo você se retorcendo na cadeira. Você diz que não se

preocupa por tal afeto? Judas também não, mas Jesus lavou-lhe

os pés. Tampouco Pedro, mas Jesus lhe preparou o desjejum.

Tampouco os discípulos que iam para Emaús, mas Jesus se deu

tempo para sentar-se com eles à mesa.

Além disso, quem somos nós para determinar se somos

dignos? Nossa tarefa é simplesmente estarmos quietos o suficiente

para permitir que Deus se apodere de nós e nos ame.

OUVE A MÚSICA?

Vou concluir contando algo que talvez você já tenha ouvido

antes, ainda que não o tenha ouvido como vou contá-lo. Ouviu,

porque você participa da história. Você é uma das personagens. É

a história dos dançarinos que não tinham música.

Pode imaginar a estranheza que é? Dançar sem música? Dia

após dia chegavam a um grande salão na esquina das ruas

Principal e Larga. Traziam com eles suas esposas. Traziam seus

filhos e suas esperanças. Vinham para dançar.

O salão estava preparado para o baile. Fitas de cores por

todas partes, e copos cheios de refrigerantes. As cadeiras estavam

colocadas contra as paredes. As pessoas chegavam e tomavam

assento, sabendo que tinham vindo para dançar mas sem saber

como, já que não havia música. Tinham balões; tinham bolos.

Havia até um palco no qual os músicos poderiam ter tocado, mas

não havia músicos.

Uma vez um homenzinho de rosto comprido disse que era

músico. Parecia ser, com sua barba até a cintura e um luxuoso

violino. Todos ficaram de pé no dia em que ele se levantou em

frente a eles, tirou o violino de sua caixa e o colocou embaixo de

seu queixo. Agora é que vamos dançar..., pensaram, porém

erraram. O homem tinha um violino, mas sem cordas. O

movimento de vaivém do arco produzia ruídos como o ranger de

uma dobradiça enferrujada. Quem pode dançar com ruídos como

esses? Assim os dançarinos voltaram aos seus assentos.

Alguns tentaram dançar sem música. Uma esposa convenceu

o marido para que tentassem, e se lançaram na pista; ela dançava

de seu jeito, e ele do dele. Os esforços de ambos eram dignos de

elogios; porém distavam muito de serem compatíveis. Ele dançava

algo assim como um tango sem companheira, enquanto que ela

girava como uma dançarina de balé. Uns poucos trataram de

imitá-los, mas como não ouviam nada, não sabiam como fazer. O

resultado foi uma dúzia de dançarinos sem música, mexendo-se

por todos os lados, tropeçando uns com os outros, e fazendo com

que mais de um observador procurasse refúgio atrás de uma

cadeira.

Finalmente, os dançarinos cansaram, e todo mundo voltou a

sentar-se e ficaram olhando, e se perguntavam se algum dia algo

iria acontecer. Um dia, aconteceu.

Nem todo mundo o viu entrar; somente uns poucos. Nada

havia em sua aparência que chamasse a atenção. Sua aparência

era comum, mas não sua música. Começou a cantar uma canção,

suave e doce, cálida e emotiva. Sua canção eliminou o gelo do ar e

produziu um calor como de crepúsculo de verão nos corações.

Enquanto cantava, as pessoas ficaram em pé, uns poucos no

princípio, depois muitos; e começaram a dançar. Juntos. Seguindo

uma música que nunca antes haviam ouvido, dançaram.

Alguns, porém, ficaram sentados. Que tipo de músico é este

que nunca prepara seu cenário? Não traz sua banda? Não veste

traje especial? Os músicos não surgem simplesmente da rua. Têm

seu séqüito, sua reputação, uma fama que projetar e proteger.

Deste cara, nem sequer se menciona muito seu nome!

"Como podemos saber que o que está cantando é realmente

música?", questionaram.

A resposta do cantor foi o ponto: "Quem tem ouvidos para

ouvir, que os use".

Mas os que não dançavam se recusaram a ouvir. Recusavam

dançar. Muitos ainda recusam. O músico vem e canta. Alguns

acham música para a vida; outros vivem em silêncio. Aos que

perdem a música, o músico faz o mesmo chamamento: "Quem tem

ouvidos para ouvir, que os use".

Um tempo e um lugar regular.

Uma Bíblia aberta.

Um coração aberto.

Deixe que Deus se apodere de você, e permita que o ame; e

não se surpreenda se seu coração começar a ouvir música que

nunca antes tinha ouvido, e seus pés começarem a dançar como

nunca antes.

"Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em

unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a

mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a

mim" João 17:23, ACF.

5. DEIXE-SE GUIAR POR UMA MÃO INVISÍVEL

UM CORAÇÃO EMBRIAGADO DE DEUS

É um dia verdadeiramente maravilhoso quando deixamos de

trabalhar para Deus e começamos a trabalhar com Deus. (Vá em

frente, leia a frase de novo).

Durante anos eu vi Deus como um Gerente de Empresa

compassivo, e meu papel como um vendedor leal. Ele tinha sua

oficina, e eu tinha meu território. Podia ficar em contato com Ele

quantas vezes quisesse. Ele sempre estava ao alcance do telefone

ou do fax. Me animava, me respaldava e me sustentava, porém

nunca me acompanhava. Pelo menos não achava que iria comigo.

Então li 2 Coríntios 6:1: nós somos "colaboradores seus".

Colaboradores? Deus e eu trabalhando juntos? Imagine a

mudança de paradigma que isto produz. Em vez de apresentar

relatórios a Deus, trabalhamos com Deus. em vez de reportar a Ele

e depois sair, nos apresentamos a Ele e depois o seguimos. Sempre

estamos na presença de Deus. Nunca deixamos a igreja. Nunca há

um momento que não seja sagrado! Sua presença jamais diminui!

Nossa noção de sua presença pode vacilar, mas a realidade de sua

presença jamais muda.

Isto me leva a uma grande pergunta: Se Deus está

perpetuamente presente, é possível desfrutar de comunhão

inacabável com Ele? No capítulo anterior falamos da importância

de separar tempo diariamente para passar com Deus. Demos um

passo além. Um passo gigantesco. Que tal se a nossa comunhão

diária jamais cessar? Seria possível viver, minuto após minuto, na

presença de Deus? É possível tal intimidade? Um homem que

lutou com estas indagações escreveu:

Podemos ter contato com Deus o tempo todo? Todo o tempo

que estamos acordados, dormir em seus braços, e acordar em sua

presença? Podemos consegui-lo? Podemos fazer sua vontade o

tempo todo? Podemos pensar seus pensamentos todo o

tempo? ...Posso pôr o Senhor de novo em minha mente a cada

poucos segundos para que Deus esteja sempre em minha mente?

Escolho fazer do resto de minha vida uma experiência para

responder a esta pergunta. 8

Estas palavras estão no diário de Frank Laubach. Ele nasceu

nos Estados Unidos em 1884, e foi missionário para os analfabetos,

os quais ensinava a ler para que pudessem conhecer a beleza das

Escrituras. O que me fascina nesse homem, contudo, não é seu

ensino. O que me fascina é sua forma de escutar. Insatisfeito com

sua vida espiritual, aos quarenta e cinco anos Laubach resolveu

viver "em contínua conversação íntima com Deus e em perfeita

resposta a sua vontade" 9.

Escreveu em seu diário um histórico de sua experiência, que

começou o 30 de janeiro de 1930. as palavras de Laubach me

inspiraram tanto que inclui aqui vários fragmentos. Ao lê-las, leve

em conta que não foram escritas por um monge num monastério,

mas por um instrutor muito ocupado e dedicado. Quando morreu

em 1970, Laubach e suas técnicas de educação eram conhecidas

em quase todos os continentes. Era amplamente respeitado, e

tinha viajado muito. Contudo, o desejo de seu coração não era o

reconhecimento, mas a comunhão ininterrupta com o Pai.

26 DE JANEIRO DE 1930: Sinto Deus em cada movimento,

por um ato de vontade: ao desejar que Ele dirija estes dedos que

agora batem esta máquina de escrever; ao desejar que Ele opere

em meus passos quando caminho.

1 DE MARÇO DE 1930: Este sentimento de ser dirigido por

uma mão invisível que toma a minha enquanto que outra mão se

estende para adiante e prepara o caminho cresce em mim

diariamente... algumas vezes requer longo tempo na manhã. Decidi

não levantar-me do leito quando minha mente não tenha se fixado

no Senhor.

18 DE ABRIL DE 1930: Provei a emoção da comunhão com

Deus que fez desagradável tudo quanto seja discordante com Deus.

Esta tarde a possessão de Deus me capturou com tal gozo indizível

que pensei que nunca havia conhecido algo parecido. Deus estava

8 Irmão Lawrence e Frank Laubach, "A prática de sua presença), Christian Books, Goleta,

CÁ, 1973. usado por bondosa permissão do Doutor. Robert S. Laubach e Gene Edwards.

9 Ibid.

tão perto e tão assombrosamente encantador que senti como se me

derretesse por completo com um contentamento estranhamente

abençoado. Depois desta experiência, que agora me acontece

várias vezes por semana, a emoção da imundícia me repele, porque

conheço seu poder para arrastar-me e afastar-me de Deus. Depois

de uma hora de íntima amizade com Deus minha alma se sente

limpa, como neve recém caída.

14 DE MAIO DE 1930: Ah, isto de manter constante contato

com Deus, de fazê-lo objeto de meu pensamento e companheiro de

minhas conversações, é o mais assombroso que jamais me

aconteceu. Funciona. Não consigo fazê-lo nem sequer por meio dia;

ainda não, mas acho que conseguirei algum dia fazê-lo durante um

dia inteiro. É questão de adquirir um novo hábito de pensamento.

24 DE MAIO DE 1930: Esta concentração em Deus é

fatigante, mas todo o resto deixou de sê-lo. Penso mais claramente,

e me esqueço com menos freqüência. As coisas que antes fazia com

esforço, agora as executo com facilidade e sem esforço algum. Não

me preocupo por nada, nem perco o sono. Ando como no ar uma

boa parte do tempo. Até o espelho revela uma nova luz em meus

olhos e rosto. Já não me sinto apressado quanto a nada. Tudo

parece andar bem. Enfrento cada minuto com calma, como se não

fosse importante. Nada pode dar errado, exceto uma coisa: que

Deus possa sair de minha mente.

1 DE JUNHO DE 1930: Oh, Deus, que nova proximidade nos

dá isto a ti e a mim, perceber que somente Tu podes compreender-

me, que somente Tu sabes todo! Já não és um estranho, Deus! És

o único ser no universo que não é parcialmente um estranho! És

tudo dentro de mim: aqui... Penso em lutar esta noite e amanhã

como nunca antes, sem te deixar nem um instante. Porque quando

te perco por uma hora, perco tudo. O que Tu queres que seja feito

pode fazer-se somente quando Tu tens toda a influência, o tempo

todo.

Segunda-feira passada foi o dia mais completamente

triunfante de toda minha vida até essa data, no que diz respeito a

dar meu dia em completa e contínua rendição a Deus... Lembro

como ao olhar as pessoas com o amor que Deus me deu, elas me

olhavam e reagiam como se quisessem acompanhar-me. Senti

então que por um dia vi um pouco dessa atração maravilhosa que

Jesus tinha quando caminhava pelo caminho depois de um dia

"embriagado de Deus", e radiante com a comunhão interminável de

sua alma com Deus. 10

O que você acha da aventura de Frank Laubach? Como você

responderia a suas perguntas? Podemos ter contato com Deus o

tempo todo? Todo o tempo acordados, dormir em seu braços e

acordar em sua presença? Podemos conseguir isso?

É realista esta meta? Está ao alcance? Você acha que a idéia

de constante comunhão com Deus é um tanto fanática, até

extrema? Seja qual for a sua opinião a respeito da aventura de

Launach, você tem que concordar com sua observação de que

Jesus desfrutava de comunhão ininterrupta com Deus. Se vamos

ser como Jesus, você e eu nos esforçaremos por fazer o mesmo.

O TRADUTOR DE DEUS

A relação de Jesus com Deus era muito mais profunda do que

um encontro diária. Nosso Salvador sempre estava consciente da

presença de seu Pai. Ouça suas palavras:

"Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo

não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai;

porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente" (João

5:19, ACF).

"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como

ouço, assim julgo" (João 5:30, ACF).

"Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim" (João 14:11,

ACF).

Fica claro que Jesus não agia a menos que visse o Pai agir.

Não julgava senão quando ouvia o Pai julgar. Nenhum ato nem

obra acontecia sem a direção do Pai. Suas palavras soam como as

de um tradutor.

10 Ibid.

Houve algumas poucas ocasiões no Brasil em que servi como

tradutor-intérprete a um pregador que falava em inglês. O homem

estava de frente ao público com sua mensagem. Eu estava ao seu

lado, equipado com o idioma. Meu trabalho era apresentar aos

ouvintes sua história. Fazia o melhor que podia para que suas

palavras fluíssem através de mim. Não tinha liberdade para

embelezar ou subtrair. Quando o pregador fazia um gesto, eu

também o fazia. Quando aumentava o volume, eu também o

aumentava. Quando ficava quieto, eu também.

Quando Jesus andou nesta terra, sempre estava "traduzindo"

a Deus. quando Deus falava mais forte, Jesus falava mais forte.

Quando Deus fazia algum gesto, Jesus fazia-o também. Ele estava

tão sincronizado com o Pai que pôde declarar: "(Eu) estou no Pai, e

o Pai em mim" (João 14:11, ACF). Era como se ouvisse uma voz que

os outros não podiam ouvir.

Presenciei algo similar num avião. Ouvia uma vez após outra

explosões de gargalhadas. O vôo era turbulento e agitado, e não

havia razão alguma para o humor. Mas alguém atrás de mim

morria de rir. Ninguém mais, somente ele. Finalmente me virei

para ver o que era tão engraçado. Tinha fones de ouvidos, e

evidentemente estava ouvindo alguma comédia. Mas como nós não

podíamos ouvir o que ele estava escutando, agíamos de forma

diferente.

O mesmo acontecia com Jesus. Como Ele podia ouvir o que

outros não podiam, agia em forma diferente à deles. Lembra

quando todo mundo estava preocupado pelo homem que tinha

nascido cego? Jesus não. De alguma maneira, Ele sabia que a

cegueira revelaria o poder de Deus (João 9:3). Lembra quando todo

mundo estava aflito pela doença de Lázaro? Jesus não. Em vez de

acudir apressadamente ao lado da cama de seu amigo, disse: "Esta

enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o

Filho de Deus seja glorificado por ela" (João 11:4, ACF). Foi como se

Jesus pudesse ouvir o que ninguém mais podia. Que relação pode

ser mais íntima que aquela? Jesus tinha uma comunhão

ininterrupta com seu Pai.

Você acha que o Pai deseja o mesmo para nós?

Absolutamente sim. Paulo diz que fomos predestinados para

sermos "conformes à imagem de seu Filho" (Romanos 8:29, ACF).

Permita-me lembrar você: Deus o ama tal como você é, porém

recusa-se a deixá-lo assim. Ele quer que você seja como Jesus.

Deus deseja ter com você a mesma intimidade permanente que

tinha com seu Filho.

QUADROS DE INTIMIDADE

Deus traça vários quadros para descrever a relação que Ele

tem em mente. Uma é a videira e os ramos.

"Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu

nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis

fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora,

como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e

ardem. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras

estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será

feito" (João 15:5-7, ACF).

Deus quer estar tão unido a nós como as varas a uma videira.

Uma é a extensão da outra. É impossível dizer onde começa uma e

onde acaba a outra. O ramo não está unido somente no momento

de carregar o fruto. O horticultor não tem as varas guardadas

numa caixa e então, no dia em que deseja uvas, as cola na videira.

Não, a vara constantemente extrai nutrição da videira. A separação

significaria uma morte certa.

Deus usa também o templo para descrever a intimidade que

Ele deseja.

"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito

Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não

sois de vós mesmos?" (1 Coríntios 6:19, ACF).

Pense comigo por um momento no templo. Deus foi um

visitante ou um residente no templo de Salomão? Você descreveria

sua presença como ocasional ou permanente? Você conhece a

resposta. Deus não vinha e ia embora, aparecia e desaparecia. Era

uma presença permanente, sempre disponível.

Que incríveis boas notícias para nós! NUNCA estamos longe

de Deus! Nunca se separa de nós, nem mesmo por um momento!

Deus não vem a nós aos domingos pela manhã e depois vai embora

aos domingos pela tarde. Sempre permanece em nós,

continuamente está presente em nossas vidas.

A analogia bíblica do matrimônio é o terceiro quadro desta

estimulante verdade. Não somos a esposa de Cristo? (Apocalipse

21:2). Não estamos unidos a Ele? (Romanos 6:5). Não fizemos votos

e Ele os fez a nós?

Qual a implicação de nosso matrimônio com Jesus a respeito

de seus desejos de ter comunhão conosco? Por um lado, a

comunicação nunca cessa. Num lar feliz, o esposo não fala com a

esposa somente quando deseja algo dela. Não aparece em sua casa

somente quando quer uma boa comida, uma camisa limpa ou um

pouco de romance. Se age assim, sua casa não é um lar; é um

prostíbulo que serve comida e lava roupa.

Os casamentos saudáveis têm um sentido de "permanência".

O marido permanece com a mulher, e ela com ele. Há ternura,

franqueza e comunicação contínua. O mesmo acontece em nossa

relação com Deus. algumas vezes nos aproximamos dEle com

nossas alegrias, outras vezes com nossas feridas, mas sempre

vamos. Ao irmos, quanto mais vamos, mais chegamos a sermos

como Ele. Paulo diz que estamos sendo transformados "de glória

em glória" (2 Coríntios 3:18).

As pessoas que vivem longo tempo juntas, no final começam

a ficar parecidas, a falar de maneira similar, e até a pensar igual.

Conforme andamos com Deus, captamos seus pensamentos, seus

princípios, suas atitudes. Nos apropriamos de seu coração.

Assim como no matrimônio, a comunhão com Deus não é

uma carga. Para dizer a verdade, é um deleite.

"Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos

Exércitos! A minha alma está desejosa, e desfalece pelos

átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam

pelo Deus vivo" (Salmo 84:1-2, ACF).

O nível de comunicação é tão doce que nada se compara.

Laubach escreveu:

É minha responsabilidade olhar a própria face de Deus até que

suas bênçãos doam em mim... Agora gosto tanto da presença do

Senhor que quando sai de minha mente por meia hora ou algo assim,

e o faz muitas vezes no dia, sinto-me como se eu o tivesse

abandonado, e como se tivesse perdido algo muito precioso em

minha vida (3 de março de 1931; 14 de maio de 1930).11

Podemos considerar uma última analogia da Bíblia? Que tal a

das ovelhas e o pastor? Muitas vezes as Escrituras nos chamam de

o rebanho de Deus. "Somos povo seu e ovelhas do seu pasto"

(Salmo 100:3, ACF). Não necessitamos saber muito de ovelhas

para saber que o pastor nunca abandona seu rebanho. Se virmos

um rebanho vindo pela trilha, sabemos que há um pastor perto. Se

virmos um cristão na frente, saberemos o mesmo. O Bom Pastor

nunca deixa suas ovelhas. "Ainda que eu andasse pelo vale da

sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo"

(Salmo 23:4, ACF).

Deus está perto de você como a videira do ramo, tão presente

em você como Deus estava em seu templo, tão intimamente como o

esposo com a esposa, e tão devotado a você como o pastor para

com suas ovelhas.

Deus deseja estar tão perto de você como estava de Cristo;

tão perto que literalmente possa falar por meio de você, e tudo que

você tem a fazer é traduzir; tão perto que sintonizá-lo é como

colocar fones de ouvido; tão perto que quando os outros percebem

a tormenta e se atemorizam, você ouve sua voz e sorri.

Assim é como o rei Davi descreveu a mais íntima das relações:

SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.

Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe

entendes o meu pensamento.

Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os

meus caminhos.

11 Ibid.

Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que

logo, ó SENHOR, tudo conheces.

Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre

mim a tua mão.

Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a

posso atingir. (Salmo 139:1-6, ACF).

Davi não foi o único escritor bíblico que testemunhou da

possibilidade de uma noção constante da presença de Deus.

Considere o repicar destas declarações da caneta de Paulo que nos

estimulam a nunca sair do lado de nosso Deus.

"Orai sem cessar" (1 Tessalonicenses 5:17, ACF).

"Perseverai na oração" (Romanos 12:12, ACF).

"Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no

Espírito" (Efésios 6:18, ACF).

"Perseverai em oração" (Colossenses 4:2, ACF).

"As vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de

Deus pela oração e súplica" (Filipenses 4:6, ACF).

Você acha opressora e complicada a comunhão constante?

Está pensando: A vida já é bastante difícil. Para que agregar tudo

isso? Se pensa assim, lembre-se que é Deus quem tira as cargas,

não que as impõe. Deus quer que a oração incessante alivie nossa

carga, não que a aumente.

Quanto mais estudamos a Bíblia, mais percebemos que a

comunhão ininterrupta com Deus é o propósito e não a exceção.

Ao alcance de todo crente está a interminável presença de Deus.

A PRÁTICA DA PRESENÇA

Então, como vivo na presença de Deus? Como percebo sua

mão invisível sobre meu ombro e sua voz inaudível em meu ouvido?

Assim como a ovelha se familiariza com a voz do pastor. Como

podemos você e eu familiarizar-nos com a voz de Deus? A seguir

algumas idéias:

• Entregue a Deus seus pensamentos ao acordar. Antes de

enfrentar o dia, procure o rosto do Pai. Antes de pular da cama,

coloque-se em sua presença. Tenho um amigo que contraiu o

hábito de ajoelhar-se ao descer do leito, e começar seu dia em

oração. Pessoalmente, não faço isso. Com minha cabeça ainda

sobre o travesseiro e meus olhos ainda fechados, eu ofereço a Deus

os primeiros segundos do dia. A oração não é nem longa nem

formal. Dependendo de quanto eu consegui dormir, talvez nem

sequer seja inteligível. Freqüentemente não é mais que "Obrigado

pelo descanso da noite. Hoje pertenço a Ti".

C. S. Lewis escreveu: "No momento em que se levanta a cada

manhã... [todos] seus desejos e esperanças para esse dia se

aproximam em tropel como animais selvagens. A primeira tarefa de