A Alchimia do chaos (A Alquimia do Caos) por roberval fernandes - Versão HTML

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Conheci Roberto desde quando éramos crianças, em Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, sendo que nossa amizade se estendeu por todo esse tempo, embora muitas vezes ficássemos anos sem nos vermos.

A ultima vez que o vi foi no início do ano de 1996, porém, por diversas vezes recebia um telefonema seu nas horas mais improváveis, oriundas dos locais mais díspares, sempre muito curtas e concisas, procurando saber como me encontrava e a seguir dizendo o que fazia e como estava.

Nosso personagem, Roberto, é filho de antiga família de espanhóis galegos, emigrados da Espanha no final da Guerra Civil, isto por parte de seu pai, e por parte de mãe, galegos vindo na época da conquista, mantidos quase puros ao longo de mais de quatro séculos, por casamentos entre pessoas do mesmo grupo, teve uma infância pobre, porém, interessante do ponto de vista social e cultural.

Conviveu com os velhos da colônia, além de pessoas de outros grupos culturais e étnicos, emigrados de outros países.

Aprendeu ao longo de sua infância uma série de valores que hoje em dia estão desaparecidos, tais como noções de honra, dignidade, lealdade e outras que são consideradas atualmente como arcaicas, atrasadas e reacionárias.

Aprendeu a ver a verdade, não pela ótica da crença simples de que deve ser aceita em razão da credibilidade de quem a passa.

Seu velho avô, uma figura um tanto estranha, não tanto por sua história de vida, mas, pelo modo como via as coisas e pelo poder que tinha sobre as outras pessoas, obrigou-o desde cedo a raciocinar sobre tudo que via, fossem notícias ou histórias lidas nos mais diversos livros, fossem de ficção, compêndios ou mesmo a Bíblia. Divertia-se fazendo-o analisar as notícias aparecidas nos jornais e revistas.

Faleceu no final de outubro do ano de 1980 com 92 anos, e era o homem mais tranqüilo e sábio, enquanto que ao mesmo tempo o mais rebelde de todos que conheci.

Para Roberto que sempre o conheceu, desde sua pequenez, lhe parecia um ser imutável.

Nunca lhe deu uma palavra amiga no sentido que nos é ensinado, porém, sempre que precisou esteve presente e apresentava uma saída para o seu problema.

O velho sempre afirmava a quem quisesse ouvir que o homem tem dois estágios, um em que necessita apreender uma carga de informações e depois teria que