A Alchimia do chaos (A Alquimia do Caos) por roberval fernandes - Versão HTML

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adquirir o conhecimento, e para isso teria que desprezar quase tudo aquilo que veio a acumular nos anos de estudo.

Dizia sempre que a forma de entender o mundo nos era condicionada e era isso que tínhamos que desprezar, procurando uma nova ótica para tudo aquilo que havíamos acumulado.

Segundo ele, toda a informação era como um vaso, com sua parte externa em todos os seus pontos, a parte interna também em todos os seus pontos e a seguir o fundo interno e externo, portanto a verdade tinha muitos pontos em que se apoiar, dependendo do ponto base da visão.

Toda vez que lhe chegava uma notícia qualquer, principalmente se estava em todos os jornais e ao final na televisão, fazia com Roberto exercícios para que conseguisse deduções diversas do que estava sendo batido nas chamadas dos meios de comunicação. Assisti a esses exercícios em muitas oportunidades e quase sempre se chegava a resultados muito estranhos e inesperados.

Fazia com que procurasse a quem interessava que a notícia fosse entendida da forma como estava sendo posta. Quase nunca punha em dúvida o fato em si, mas a forma como estava sendo entendida.

O velho brincava sempre afirmando que perdera o paraíso muito jovem, quando aprendeu a ver o que havia por trás de todas as informações que lhe chegavam, e que o paraíso era guardado para os que nada sabem e aceitam tudo como lhes é colocado, aparecendo na Bíblia como os pobres de espírito (pauperes spiritu) hoje traduzido como pobres em espírito.

Procurava passagens da Bíblia, da história ou notícias que haviam  chocado  o mundo e induzia Roberto a analisá-las, mostrando uma ótica nova para o fato.

Ele definia a essa forma de análise como se fosse a alquimia do caos, que segundo afirmava, toda a civilização se apoiava não em verdades puras, porém, em mentiras com aparência de verdades.

Mais vale uma mentira contada um milhão de vezes, pois esta passa a ter o caráter de verdade, do que uma verdade contada uma vez e que não tenha sido assimilada.

Brincava sempre afirmando que existia um anjo de bondade que regia as mentiras, fazendo com que os seres humanos comuns aceitassem as coisas mais absurdas como verdadeiras para não terem problemas de consciência e não precisarem pensar muito e um demônio maldoso e cruel que fazia com que algumas poucas pessoas pudessem ver o que havia atrás do que era jogado como verdade, induzindo-as a encontrar o que realmente havia ocorrido, trazendo-lhes inquietação e desgostos por não conseguir passar o fato real para seus semelhantes.