A América Latina e os Desafios da Globalização: Ensaios em homenagem a Ruy Mauro Marini por Emir Sader e Theotonio dos Santos (coord.) - Versão HTML

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A AMÉRICA LATINA E OS

DESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃO

ENSAIOS EM HOMENAGEM A RUY MAURO MARINI

2 ■ A América Latina e os desafi os da globalização

■ 3

Reitor

Pe. Jesus Hortal Sánchez, S.J.

Vice-Reitor

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Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos

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Vice-Reitor para Assuntos Administrativos

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A AMÉRICA LATINA E OS

Vice-Reitor para Assuntos Comunitários

DESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃO

Prof. Augusto Luiz Lopes Duarte Sampaio

ENSAIOS EM HOMENAGEM A RUY MAURO MARINI

Vice-Reitor para Assuntos de Desenvolvimento

Pe. Francisco Ivern Simó, S.J.

Decanos

Profª Maria Clara Lucchetti Bingemer (CTCH)

COORDENAÇÃO

EMIR SADER E THEOTONIO DOS SANTOS

Profª Gisele Cittadino (CCS)

Prof. Reinaldo Calixto de Campos (CTC)

ORGANIZAÇÃO

Prof. Francisco de Paula Amarante Neto (CCBM)

CARLOS EDUARDO MARTINS E ADRIÁN SOTELO VALENCIA

4 ■ A América Latina e os desafios da globalização

■ 5

Editora PUC-Rio

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Paulo M. dÀvila Filho*

Conselho Editorial

Augusto Sampaio, Cesar Romero Jacob, Fernando Sá, Gisele Cittadino,

José Ricardo Bergmann, Maria Clara Lucchetti Bingemer,

Miguel Pereira e Reinaldo Calixto de Campos.

Independente da nossa relação com as reflexões de Marx ou dos

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marxistas, do grau de adesão ou recusa a esta tradição de pensamento, é

forçoso admitir a importância desta corrente filosófica e política no mundo

Boitempo Editorial

Jinkings Editores Associados Ltda.

todo. O marxismo teve maior influência prática e as mais profundas raízes

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políticas na história do mundo moderno. Sua importância teórica e prática,

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apaixonando corações e mentes que se lançaram às tarefas revolucionárias

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em seu nome, se estendeu “desde as margens do Oceano Ártico até a Pa-

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tagônia, e desde China, passando pelo Ocidente, até o Peru”; como nos diz

Coordenação editorial

Eric Hobsbawm em sua introdução à História do marxismo 1.

Ivana Jinkings

Como chamou nossa atenção meu colega de universidade Leandro

Editores

Konder em 1991 em uma brochura intitulada Intelectuais brasileiros e o

Ana Paula Castel ani

João Alexandre Peschanski

marxismo nossa intelligentzia não ficou alheia aos seus apelos: “não se pode

Assistente editorial

escrever a história do pensamento brasileiro no nosso século sem falar na

Vivian Miwa Matsushita

presença do marxismo”2. Uma presença nas artes plásticas, nas artes cêni-

Produção gráfica

cas, na literatura, na arquitetura, na historiografia, na filosofia, nas ciências

Marcel Iha

sociais, entre outros. Não se pode falar da presença do marxismo no pen-

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por

samento social e político brasileiro, ao mesmo tempo, sem considerarmos

quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer

diversos importantes autores entre os quais se encontra Ruy Mauro Marini,

sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora.

como: Astrogildo Pereira, Oswald de Andrade, Octávio Brandão, Luis Car-

ISBN: 978-85-7559-117-8

los Prestes, Caio Prado Júnior, Nélson Werneck Sodré, Roland Corbisier

e os que seguem fazendo essa história, como Luiz Jorge Werneck Vianna,

* Cientista Político, professor Dr. do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do De-

partamento de Sociologia e Política da PUC-Rio.

1 Hobsbawm, Eric. História do marxismo. 2ª ed., vol. I. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993, p.12.

2 Ed. Oficina de Livros, 1991, Belo Horizonte, p. 8.

6 ■ A América Latina e os desafios da globalização

Prefácio ■ 7

Carlos Nelson Coutinho, o próprio Leandro Konder e os coordenadores

vontade do sujeito. O descrédito generalizado faz crescer o individualismo

deste livro, entre outros.

e o conformismo com os parâmetros do capitalismo, alvo da astúcia crítica

No período entre os anos 1960 e 1980, na América Latina, é forjado um

de intelectuais e militantes revolucionários de outrora.

conjunto de intelectuais que produziram suas obras à luz de um momento,

O rumo dos acontecimentos fez esmaecer o brilho da contribuição de

no qual a utopia humana da construção de um novo mundo, o do socialis-

vários intelectuais, inclusive de Marini, nos fazendo crer que suas aspira-

mo, liberto das amarras opressoras do capitalismo, se apresentava como uma

ções jazem sepultadas. A retomada dessas questões, no entanto, me parece

tarefa não somente realizável como, muitas vezes, imediata. Nesses tempos,

de fundamental importância para trazer novo sopro de ânimo, paixão e

o destino da humanidade parecia lhes bater à porta, convidando-os a sonhar

iluminação às novas gerações que muito têm a aprender e recolher com a

e a formular suas idéias pautadas pela paixão advinda da crença na possi-

contribuição de intelectuais, representantes de uma época em que a políti-

bilidade de conquistar a vitória da difícil batalha de reconstruir o mundo.

ca, a vida pessoal e a produção intelectual se mesclavam intimamente em

Um mundo da liberdade, da participação democrática, e da autoconsciência

um todo nem sempre harmônico, mas em permanente efervescência.

dos homens ou indivíduos de seu papel como agentes na construção dessa

Não há nada mais ousado no universo do que o homem, pois o con-

tarefa. Ruy Mauro Marini pertence integralmente a esse tempo.

teúdo mais íntimo de sua historicidade é precisamente a ousadia engendra-

Dentre as contribuições de Marini para a reflexão marxista no conti-

da pela teleologia do processo de trabalho. Na melhor vertente da tradição

nente, a que mais chama a atenção é, sem dúvida, sua teoria da dependên-

marxista, ao produzir socialmente, o homem passa a produzir-se como ser

cia e seus estudos sobre a América Latina, mas sua constante preocupação

que reconhece alternativas e se apaixona por elas. Como assinalou Marx em

com o caráter democrático de um projeto socialista, democracia calcada

O capital “em cada novo projeto o arquiteto imagina um edifício melhor”.

em modelos necessariamente participativos de decisão, dá a dimensão pro-

Nesse sentido, o fenômeno humano de fato foi gesto “irresponsável” da

fundamente atual de suas reflexões. Não fosse por isso, Marini pertence a

natureza consigo mesma, uma “inconseqüência” que cabe exclusivamente

uma geração para a qual o conhecimento é legítimo porque serve aos fins

à consciência resgatar e atribuir em sentido.

emancipatórios do homem; que busca por intermédio da razão um sentido

Para realizar essa missão, a consciência não deve começar perquir-

que lhes explique o mundo à sua volta e que o faz com crença e paixão.

indo a si mesma, pois não está nela a chave para entender as tendências

Uma geração que não entregou, até o último minuto, ao sabor dos ventos,

objetivas da realidade, da materialidade prática e da práxis humana. As op-

o rumo dos acontecimentos.

ções humanas, sejam dos indivíduos ou das classes, sempre se encontram

Hoje, o que vem caracterizando o nosso tempo é a incredulidade com

constrangidas pelas condições históricas e sociais nas quais se plasmam. O

relação às narrativas legitimadoras de outrora. A despeito da justeza de

fenômeno humano, no entanto, caracteriza-se, de certa forma, como rebel-

propósitos de seus bravos artífices, as experiências socialistas, provenientes

dia permanente da criatura em relação a seu criador, a natureza. Por isso,

da revolução leninista, produziram caminhos problemáticos que levaram

como nos mostra Marx ao longo de boa parte de sua obra, em particular

ao desgaste da compreensão marxista da experiência humana na história. A

nos escritos de juventude, nos textos históricos e em O capital, o homem é

deslegitimação se apresenta tanto na versão de um relativismo sem frontei-

um ser que conhece e se reconhece à medida mesmo que se constrói.

ras quanto na adoção de valores universais a-históricos ou supra-humanos.

A matéria, tomado o conceito em sua amplitude filosófica, é anterior

Substituem-se as determinações puramente econômicas de um material-

ao pensamento; a realidade, entretanto, é um pressuposto e um resultado

ismo vulgar pela vulgata pseudo-humanista da determinação absoluta da

como concreto pensado, como produto da práxis humana, como apontou

8 ■ A América Latina e os desafios da globalização

■ 9

Marx no Método da economia política. Nesse momento, a “realidade”, o

Sumário

concreto, torna-se objeto para o homem. Sua tentação idealista é atribuir-

lhe um “em si” que possui uma anterioridade que ele, Homem, não possui,

como se existisse já no universo, adormecido, anterior ao homem. Um an-

11 Apresentação

terior que pode ser Deus, a economia, o mercado, as estruturas sociais, o

Carlos Eduardo Martins e Adrián Sotelo Valencia

espírito, entre outros.

A recusa a esta anterioridade me parece o espírito deste livro. Um livro

que trata ao mesmo tempo de acertar contas com a memória desse marxista,

Parte I ■ O homem e a obra: política e revolução

acadêmico e militante que foi Ruy Mauro Marini e da mobilização do espírito

crítico e livre que animava sua atividade teórica. Em um primeiro momento,

21 Ruy Mauro Marini: um pensador latino-americano

Theotonio dos Santos

somos levados a conhecer mais de perto a vida e a obra de Ruy Mauro Mari-

ni, em um segundo momento somos brindados por argutas análises sobre o

27 Ruy Mauro, intelectual revolucionário

contexto da luta política contemporânea em âmbito internacional.

Emir Sader

Os textos mobilizam filosofia, ciência social, economia e teoria políti-

ca, sob o olhar sempre complexo e infenso a academicismos dos intelec-

37 Meu querido Ruy

Ana Esther Ceceña

tuais animados pela sagacidade do estudioso sem preconceitos, bem equi-

pado e atento ao “movimento do mundo”. A complexidade deriva mais

da recusa em tratar os temas de forma simplista do que propriamente da

Parte II ■ Globalização e dependência

démarche explicativa, marcada pela clareza e objetividade. Mauro Marini

e seus companheiros de jornada, assim como os autores dos artigos que

53 Mudando a geopolítica do sistema-mundo: 1945-2025

compõem esta obra, operam uma perspectiva que visa empreender a críti-

Immanuel Wallerstein

ca radial das estruturas de dominação social sem sucumbir às determi-

79 Apresentando o Tio Sam – sem roupas

nações supra-humanas, procurando justamente desconstituir, desagregar,

Andre Gunder Frank

essa anterioridade única determinante, definida a priori.

O marxismo é uma filosofia profana e enquanto tal deve ser encarada

111 Neo-imperialismo, dependência e novas periferias

aos moldes dos “hereges”, sem respeitar dogmas ou verdades imutáveis.