A Dimensão dos Encantados por Isaías Nascimento de Oliveira - Versão HTML

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Isaías Oliveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Dimensão dos Encantados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Manaus

1ª Edição - 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 2011 – Todos os direitos reservados a:

Isaías Oliveira

 

Editor: Isaías Oliveira

Revisão: Sérgio Pereira

Capa: “Encontro das Águas”

Arte em foto de Sérgio Oliveira

 

 

ISBN: 978-85-7893-000-0

 

 

 

1ª Edição

Outubro 2011

 

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A Deborah, Isadora e Irene,

universos de encantamento

do meu ser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Isaías, pai,

 personagem, contador

e inspirador da história.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Encanto e destruição na floresta

 

 

“Não existe um único centro e o tempo perdeu sua coerência. Leste e Oeste, passado e futuro se misturam dentro de nós. Diferentes tempos e espaços se combinam aqui, agora, tudo de uma vez só”.

 

 

Este entendimento alcançado pelo poeta mexicano Octavio Paz é uma verdade que se esconde sob o manto verde da floresta amazônica, a verdade sobre mundos e civilizações diferentes convivendo num mesmo espaço, porém em diferentes tempos e dimensões da matéria e da energia, seres de planos existenciais diversos coexistindo num mesmo recanto da mata ou curso de rio, a maioria sem jamais cruzarem seus caminhos. Outros, entretanto, dotados de energia e percepção especiais são capazes de encontrar e atravessar os portais nas fronteiras desses mundos, estabelecendo um sistema de comunicação empírico, mas extremamente avançado, que se constitui no inexplicável mundo de encantamentos da Amazônia.

Para os “iniciados”, a Terra, assim como todos os demais planetas, é constituída de dez globos plasmados entre si, todos eles habitados por seres humanos manifestados fisicamente em planos que vão da terceira à quarta dimensão. Para os mestres do curandeirismo amazônico o mundo, como o conhecemos, é apenas parte de uma visão geral do conjunto de mundos que formam o universo do planeta Terra, com suas múltiplas dimensões plasmadas e interativamente ligadas por delicados e infinitos cordões energéticos por onde transitam as também infinitas formas de vida que as habitam.

Na Amazônia se localiza, certamente, um dos últimos redutos de vida iterativa do planeta Terra, onde antigas civilizações indígenas, descendentes da civilização atlântica que habitou o grande mar próximo ao atual Mediterrâneo e à Amazônia, evoluíram para a convivência integrada, material e espiritualmente, com as forças da natureza que são, na essência, as forças do universo manifestada no planeta, alcançando, embora de forma empírica, um grau muito superior de conhecimento, com seus médiuns, pajés e sacacas, se tornando conhecedores da ciência das passagens dimensionais que abrem caminhos para universos paralelos como o mundo dos encantados ou o mundo dos espíritos.

Infelizmente para a nossa civilização, os homens e mulheres que possuem esse poder são donos de uma cultura rudimentar, às vezes apenas elementar, a maioria analfabeta, todos, porém, desconhecedores do conteúdo científico acumulado pela raça humana, sendo, portanto, frutos selvagens da simbiose amazônica, paridos, amamentados e criados na selva e por ela educados na forma da integração e interação empírica com os seus elementos, uma cultura construída mais pela necessidade de sobrevivência (e aí está, talvez, a forma mais amazônica de domesticação humana), do que propriamente por um conjunto de fatores evolutivos predispostos na forma de acumulação de conhecimentos catalogados.

Não fosse isso, e esse elemento tão importante no conjunto humano-social da Amazônia poderia contribuir enormemente para desvendar segredos e mitos que fascinam e atormentam o homem moderno na sua busca incessante pelos conhecimentos guardados nas profundezas do grande universo da mente.

Essa ciência da mata foi praticamente destruída com a chegada do homem branco europeu e sua civilização fundamentada na doutrina cristã e na evolução tecnológica, as quais impuseram, ao longo de cinco séculos de aculturamento calcado na exploração extrativista, humana e material, as mais perversas mudanças físicas, conceituais e espirituais às civilizações amazônicas, destruindo, mesmo, na maioria delas, todos os valores e princípios básicos, como a convivência harmoniosa com a natureza e a utilização interativa de suas forças mestras na organização social e cultural das tribos, promovendo, primeiro, a desagregação social, depois, a perda da identidade cultural e, por conseqüência, a desestruturação espiritual dos indivíduos, elementos fundamentais no conceito de formação social do primitivo morador da Amazônia.

A imensa perda causada por esse processo só pode ser comparada à destruição conhecimento dito pagão pela Igreja Católica nos subterrâneos inconfessáveis da Inquisição generalizada que assolou a Idade Média, verdadeira onda de selvageria onde por força de conceitos teológicos e interesses seculares da Igreja promoveu-se a destruição de obras científicas e culturais e de seus abnegados autores, queimaram-se nas fogueiras os magos e bruxos europeus que detinham a ciência espiritual de antigas tribos e que, à semelhança dos pajés amazônicos, eram os elos entre os universos humanos e espirituais, por meio do conhecimento desenvolvido pelas primeiras raças-mães da Lemúria e Atlântida, e se constituíam os elementos de ligação entre as cadeias multidimensionais da existência nos planos terrestres.

A civilização moderna é responsável pela destruição de parte substancial da grande cultura amazônica enquanto promove o pseudo desenvolvimento da região, um desenvolvimento que tem mais a ver com a miséria humana dos milhares de índios que ainda resistem e sobrevivem às pressões do homem branco, ou dos ribeirinhos que aceitam pacificamente, com o determinismo típico de sua raça, o cruel apartheid social, político e econômico estabelecido nos rincões dos rios amazônicos pela elite dominante sustentada na política do caciquismo oligárquico e pelo desumano sistema extrativista que ainda persiste como padrão da economia interiorana.

Esse complicado relacionamento entre a riqueza elitizada e a miséria socializada atinge direta e drasticamente os 25 milhões de amazônidas distribuídos nos 557 milhões de hectares de florestas e rios, perto de 70% deles vivendo em estado de absoluta miséria econômica, social e cultural, dentro do que pode ser chamado, hoje, o maior universo de riquezas naturais do planeta Terra.

A grande cultura amazônica se esvai pelo ralo da história moderna, da mesma forma que as riquezas como a madeira, as plantas medicinais e suas essências, e minérios como os diamantes e o ouro escoam para os cofres dos poderosos, deixando apenas um rastro de pobreza e destruição nos caminhos da floresta.

Afora as pequenas povoações e umas poucas pequenas cidades, a Amazônia é, na essência, um universo de solidão, agora exaurido de sua própria alma cultural original, extirpada à força da convivência integrada com os seus habitantes originais e a sua natureza, que a mantiveram viva e exuberante por milhares de anos antes da chegada dos “civilizados”.

Uma alma que, não raro, perambula perdida pelos caminhos da selva ou se esconde na marginalidade das favelas e guetos das cidades amazônicas, ou, como restolho de grandes tribos do passado, se oculta nas sombras dos becos das periferias na forma de indivíduos que se disfarçam de peruanos ou colombianos, e até japoneses, o jeito mais simplório de esconder a vergonha da descaracterização e da miséria em que vivem.

Na forma de estereótipos de seres humanos, encantados ou não, estão todos intrinsecamente ligados ao destino indivisível desse mundo (ou mundos) fadado a se perder definitivamente nos caminhos do avanço insensato do progresso. Um progresso que chega inexorável destruindo a ciência e a cultura dos que construíram, ao longo de séculos de aprendizado e sofrimento, esse universo de indescritíveis encantos, literalmente, encantado.

 

Manaus, março de 1997.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sumário

 

 

 

 

 

1. O mundo em três ambientes                                       13

2. Nos caminhos da perdição                                          23

3. Fuga para a civilização                                               35

4. Aprendiz de caçador                                                  44

5. Nos labirintos da cidade                                              52

6. Visagens da mata                                                      61

7. Confraria de brutos                                                    69

8. Encantos do rio e da mata                                          79

9. Vida de embarcadiço                                                             89

10. Viagem à dimensão dos encantados                          95

11. A essencialidade da morte                                      107

12. O pontal da cobra-grande                                       114

13. Paragens sem lei                                                    125

14. Um grito para a liberdade                                       135

15. O homem chamado cristão                                     145

16. De volta para a civilização                                      159

17. A noite do pesadelo                                                162

 

Epílogo: O curandeiro do Canumã                                 168