A Origem do Mênstruo por Bernardo Guimarães - Versão HTML

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Universidade da Amazônia A Origem do

Mênstruo

de Bernardo Guimarães NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Av. Alcindo Cacela, 287 – Umarizal CEP: 66060-902

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A Origem do Mênstruo

de Bernardo Guimarães

De uma fábula inédita de Ovídio, achada nas escavações de Pompéia e vertida em latim vulgar por Simão de Nuntua.

Estava Vênus gentil junto da fonte fazendo o seu pentelho,

com todo o jeito, pra que não ferisse das cricas o aparelho.

Tinha que dar o cu naquela noite ao grande pai Anquises,

o qual, com ela, se não mente a fama, passou dias felizes...

Rapava bem o cu, pois resolvia na mente altas idéias:

— ia gerar naquela heróica foda o grande e pio Enéias.

Mas a navalha tinha o fio rombo, e a deusa, que gemia,

arrancava os pentelhos e, peidando, caretas mil fazia!

Nesse entretanto, a ninfa Galatéia, acaso ali passava,

e vendo a deusa assim tão agachada, julgou que ela cagava...

Essa ninfeta travessa e petulante era de gênio mau,

e por pregar um susto à mãe do Amor atira-lhe um calhau...

Vênus se assusta. A Branca mão mimosa se agita alvoroçada,

e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!) tremenda navalhada.

Da nacarada cona, em sutil fio, corre pupúrea veia,

e nobre sangue do divino cono as águas purpureia...

(É fama que quem bebe dessas águas jamais perde a tensão

e é capaz de foder noites e dias, até no cu de um cão!)

— "Ora porra" — gritou a deusa irada, e nisso o rosto volta...

E a ninfa, que conter-se não podia, uma risada solta.

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A travessa menina mal pensava que, com tal brincadeira, ia ferir a mais mimosa parte da deusa regateira...

— "Estou perdida!" - trêmula murmura a pobre Galatéia,

vendo o sangue correr do rósco cono da poderosa déia...

Mas era tarde! A Cípria, furibunda, por um momento a encara, e, após instantes, com severo acento, nesse clamor dispara:

"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa, que crime cometeste!

Que castigo há no céu, que punir possa um crime como este?!

Assim, por mais de um mês inutilizas o vaso das delícias...

E em que hei de gastar das longas noites as horas tão propícias?

Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...

Em mísero abandono,

que é que há de fazer, por tanto tempo, este faminto cono?...

Ó Adonis! Ó Júpiter potentes!

E tu, mavorte invito!

E tu, Aquiles! Acudi de pronto da minha dor ao grito!

Este vaso gentil que eu tencionava tornar bem fresco e limpo para recreio e divinal regalo dos deuses do Alto Olimpo.

Vede seu triste estado, ó! Que esta vida em sangue já se esvai-me!

Ó Deus, se desejais ter foda certa vingai-vos e vingai-me!

Ó ninfa, o teu cono sempre atormente perpétuas comichões,

e não aches quem jamais nele queira vazar os seus colhões...

Em negra podridão imundos vermes roam-te sempre a crica

e à vista dela sinta-se banzeira a mais valente pica!

De eterno esquentamento flagelada, verta fétidos jorros,

que causem tédio e nojo a todo mundo, até mesmo aos cachorros!"

Ouviu-lhe estas palavras piedosas do Olimpo o Grão-Tonante, 3

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que em pívia ao sacana do Cupido comia nesse instante...

Comovido no íntimo do peito, das lástimas que ouviu,

manda ao menino que, de pronto, acuda à puta que o pariu...

Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro de concha alabastrina,

que quatro aladas porras vão tirando na esfera cristalina

Cupido que as conhece e as rédeas bate da rápida quadriga,

co'a voz ora as alenta, ora co'a ponta das setas as fustiga.

Já desce aos bosques onde a mãe, aflita, em mísera agonia,

com seu sangue divino o verde musgo de púrpura tingia...

No carro a toma e num momento chega à olímpica morada,

onde a turba dos deuses, reunida, a espera consternada!

Já Mercúrio de emplastros se a aparelha para a venérea chaga,

feliz porque naquele curativo espera certa a paga...

Vulcano, vendo o estado da consorte, mil pragas vomitou...

Marte arranca um suspiro que as abóbadas celestes abalou...

Sorriu o furto a ciumenta Juno, lembrando o antigo pleito, e Palas, orgulhosa lá consigo, resmoneou: — "Bem-feito!"

Coube a Apolo lavar dos roxos lírios o sangue que escorria,

e de tesão terrível assaltado, conter-se mal podia!

Mas, enquanto se faz o curativo, em seus divinos braços,

Jove sustém a filha, acalentando-a com beijos e com abraços.

Depois, subindo ao trono luminoso, com carrancudo aspeto,

e erguendo a voz troante, fundamenta e lavra este DECRETO:

— "Suspende, ó filha, os lamentos justos por tão atroz delito,

que no tremendo Livro do Destino de há muito estava escrito.

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Desse ultraje feroz será vingado o teu divino cono,

e as imprecações que fulminaste agora sanciono.

Mas, inda é pouco: — a todas as mulheres estenda-se o castigo

para expiar o crime que esta infame ousou para contigo...

Para punir tão bárbaro atentado, toda humana crica,

de hoje em diante, lá de tempo em tempo, escorra sangue em bica...

E por memória eterna chore sempre o cono da mulher,

com lágrimas de sangue, o caso infando, enquanto mundo houver..."

Amém! Amém! com voz atroadora os deuses todos urram!

E os ecos das olímpicas abóbadas, Amém! Amém! Sussurram...

Fim

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