A Proclamação de Bahá´u´ll´áh por Shoghi Effendi - Versão HTML

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A Proclamação de BAHÁÚĹLÁH

AOS REIS E LÍDERES DO MUNDO

“O tempo preordenado para os povos e raças da terra é agora chegado.”

“Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; não obstante,

consideram-nos provocadores de luta e sedição, dignos de cativeiro e exílio... Que todas

as nações se unam em uma mesma fé, e todos os homens se tornem irmãos; que os

laços de unidade e afeição entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a

diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas – que mal há nisso?... E

assim há de ser: essas lutas infrutíferas, essas guerras arruinadoras, hão de passar e a

“Paz Máxima” há de vir... Vemos, entretanto, vossos reis e governantes gastarem os

tesouros mais livremente com os meios da destruição da humanidade, do que com aquilo

que lhe pudesse proporcionar felicidade... Essas lutas, carnificinas e discórdias devem

cessar, e todos os homens ser como uma família... Que o homem não se vanglorie pelo

amor à pátria e sim pelo amor à sua espécie...”

INTRODUÇÃO

HÁ CEM ANOS passados, Bahá´úĺláh, Fundador da Fé Bahá´í, proclamou, em

linguagem clara e inconfundível, aos reis e governantes do mundo, aos seus líderes

religiosos e à humanidade em geral, que a era, longamente esperada, de paz mundial e

fraternidade, havia, finalmente, se iniciado e que Ele Próprio era o Portador da nova

mensagem e do poder de Deus que iriam transformar o sistema, então prevalecente, de

antagonismo e inimizade entre os homens e criar o espírito e a forma de pré-destinada

ordem mundial.

Naquele tempo o esplendor e a ostentação dos monarcas refletiam o vasto

poder que exerciam, autocraticamente quase sempre, sobre a maior parte da terra. Bahá

úĺláh, um exilado de sua pátria, a Pérsia, devido a Seu ensinamento religioso,

encontra-se prisioneiro do tirânico e todo-poderoso Sultão do Império Otomano. Em tais

circunstâncias dirigiu Suas palavras aos mandatários do mundo. Suas Epístolas a alguns

reis e ao Papa, embora entregues, foram desprezadas ou rejeitadas, ficando

desatendidos seus sábios conselhos e sérias admoestações, sendo que em um caso o

portador de Sua mensagem foi cruelmente torturado e morto.

Baháúĺláh, observando aquele mundo antigo e vendo que estava “à mercê

de governantes tão embriagados pelo orgulho que não podiam discernir claramente seu

próprio benefício”, declarou que "... a luta que divide e aflige a raça humana cresce dia a

dia. Os sinais das próximas convulsões e do caos podem já ser discernidos, uma vez que

a ordem atual mostra-se ser lamentavelmente defeituosa”.Embora pintando em tons

sombrios o "castigo divino" que adviria à maior parte daqueles governantes, trazendo

ruína aos povos do mundo, Ele, no entanto, não deixou dúvida quanto ao resultado final.

"Logo", declarou, "a ordem atual passará e uma nova será estabelecida em seu lugar”.

Desde a ascensão de Bahá'u'lláh em 1892, na Terra Santa, a transformação da

velha ordem tem se tornado a experiência diária da humanidade e não se nota

diminuição nesse processo. A essência da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh é a unidade da

raça humana. "Ó vós filhos dos homens", escreve, "o propósito fundamental que anima a

Fé de Deus e Sua Religião é a salvaguarda dos interesses e a promoção da unidade da

raça humana...". E Ele adverte, "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança,

serão inatingíveis até que sua unidade seja firmemente estabelecida". A realização dessa

unidade é a missão declarada de Bahá'u'lláh e o propósito de toda atividade Bahá'í. Seu

escopo e estrutura estão indicados na seguinte passagem dos escritos de Shoghi Effendi,

bisneto de Bahá'u'lláh e Guardião da Fé Bahá'í:

"A unidade do gênero humano - assim como Bahá'u'lláh a concebeu -

compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações,

raças, credos e classes estejam estreitas e permanentemente unidas, e na qual a

autonomia dos estados que a compõem, a liberdade e a iniciativa pessoal dos membros

individuais destes, sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Tal comunidade

mundial deve abranger, segundo o nosso conceito, uma legislatura mundial, cujos

membros, os representantes de todo o gênero humano, virão a controlar todos os

recurso das respectivas nações componentes e criar as leis que forem necessárias para

regular a vida, satisfazer as necessidades e ajustar as relações de todas as raças e povos

entre si. Um executivo mundial, apoiado por uma Força internacional, efetuará as

decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas e protegerá a unidade

orgânica de toda a comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá adjudicar toda e

qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema

universal, sendo irrevogável a sua decisão. Um sistema de intercomunicação mundial

será adotado, abrangendo todo o planeta, e, livre de qualquer embaraço ou restrição

nacional, funcionará com admirável rapidez e perfeita regularidade. Uma metrópole

mundial será o centro da civilização mundial, o foco de convergência das forças

unificadoras da vida, donde irradiar-se-ão as suas influências vigorizantes. Um idioma

mundial será criado, ou escolhido dentre as línguas existentes, e será ensinado em todas

as escolas de todas as nações federadas, como auxiliar a língua nativa. Uma escrita

mundial, uma literatura mundial, um sistema uniforme e universal de moeda, de pesos e

medidas simplificarão e facilitarão o intercâmbio e entendimento entre as nações e raças

da humanidade. Nesta sociedade mundial, a ciência e a religião, as duas forças mais

potentes da vida humana, serão reconciliadas, assim cooperando e desenvolvendo-se

harmoniosamente. Não mais será a imprensa, sob tal sistema, perniciosamente

dominada por interesses, quer particulares, quer públicos, embora de plena expressão às

várias opiniões e convicções do gênero humano; libertar-se-á da influência de governos e

povos querelantes. Os recursos econômicos do mundo serão organizados, suas fontes de

matérias-primas serão exploradas e completamente utilizadas, seus mercados serão

coordenados e desenvolvidos, e a distribuição de seus produtos será regulada de um

modo eqüitativo.

"As rivalidades entre as nações, os ódios e as intrigas, cessarão, e os

preconceitos e animosidades de raça serão substituídos por amizade, entendimento

mútuo e cooperação. Não mais existirão os motivos da contenda religiosa, abolir-se-ão as

barreiras e restrições econômicas, e a distinção excessiva entre as classes desaparecerá.

A pobreza extrema, por um lado, e, por outro, a vergonhosa acumulação de bens,

igualmente, acabarão. A quantidade enorme de energia que se desperdiça com a guerra,

quer econômica ou política, será dedicada a fins como estes: a extensão do alcance das

invenções humanas e do desenvolvimento técnico, o aumento da capacidade produtiva

da humanidade, o extermínio das moléstias, a ampliação das pesquisas científicas, a

adoção de mais altos padrões de saúde física, o aperfeiçoamento do cérebro humano, a

exploração dos recursos do planeta que ainda não foram utilizados ou descobertos, o

prolongamento da vida do homem, e a promoção de qualquer outro meio de estimular a

vida intelectual, moral e espiritual da humanidade inteira.

"A meta para a qual a força unificadora da vida impele a humanidade é um

sistema federal mundial, que regerá toda a terra, exercendo uma autoridade

inquestionável, harmonizando e incorporando os ideais de Leste e Oeste, liberto do

flagelo da guerra e suas tristes conseqüências, esforçando-se por aproveitar todas as

fontes de energias existentes na superfície do planeta - um sistema em que a força

subordina-se à justiça, e cuja vida é sustentada por seu reconhecimento universal de um

só Deus e sua lealdade a uma Revelação comum...".

A Mensagem de Bahá'u'lláh é uma mensagem de esperança, de amor, de

reconstrução prática. Sofremos hoje os amargos resultados da rejeição, pelos nossos

antepassados, ao Seu divino chamado. Hoje, porém, existem novos governantes, novos

povos, que porventura queiram ouvir e evitar ou mitigar a severidade da catástrofe

iminente. É com esta esperança e crendo ser isto seu sagrado dever, que a Casa

Universal de Justiça, o corpo governante internacional da Fé Bahá'í, proclama

novamente, através da publicação destas passagens selecionadas, a essência daquele

poderoso chamado de um século atrás. Na mesma esperança e fé os Bahá'ís, em todo o

mundo, envidarão o máximo de seus esforços, durante este período centenário, para

levar à atenção de seus semelhantes o fato redentor desta nova efusão de guia divina e

amor. Acreditamos que eles não trabalharão em vão.

Haifa, 1967.

ADVERTÊNCIAS AOS REIS E GOVERNANTES DO MUNDO

COLETIVAMENTE

Ó REIS DA TERRA! Já veio Aquele que é o Senhor soberano de todos. O Reino

é de Deus, o onipotente Protetor, O que subsiste por Si Próprio. A ninguém adoreis senão

a Deus e, com corações radiantes, erguei a face ao Senhor, - Senhor de todos os nomes.

Esta é uma Revelação com a qual nenhuma de vossas possessões jamais será

comparável - pudésseis apenas saber isso.

Vemos quanto vos regozijais naquilo que tendes amontoado de outrem,

enquanto vos excluís dos mundos que somente Minha Epístola Guardada pode avaliar. Os

tesouros que acumulastes vos têm desviado muito de vosso objetivo final. Isso mal vos

convém, se apenas pudésseis compreender. Limpai vossos corações de toda corrupção

terrena e apressai-vos a entrar no Reino de vosso Senhor, Criador da terra e do céu, que

fez tremer o mundo e gemerem todos seus povos, menos aquele que renunciaram todas

as coisas e aderiram àquilo ordenado pela Epístola Oculta. . .

Ó reis da terra! A Maior Lei foi revelada neste Lugar, nesta cena de

transcendente esplendor. Tudo oculto veio à luz, segundo a Vontade do Ordenador

Supremo, Aquele que anunciou a Hora Final, através de Quem a Lua se rachou e todo

decreto irrevogável foi exposto.

Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é Rei dos Reis apareceu,

adornado de Sua glória, a mais maravilhosa, e vos convoca a Ele Mesmo, o Amparo no

Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Acautelai-vos para que o orgulho não vos detenha

de reconhecer a Fonte da Revelação, nem as coisas deste mundo vos excluam, como se o

fosse por um véu, Daquele que é Criador do céu. Levantai-vos e servir Àquele que é o

Desejo de todas as nações, que vos criou por uma palavra Sua e ordenou que fôsseis,

para todo o sempre, os emblemas de Sua soberania.

Pela retidão divina! Não é Nosso desejo apoderarmo-nos de vossos reinos. É

Nossa Missão capturarmos e possuirmos os corações dos homens.

Nestes é que Bahá fita os olhos. Disso dá testemunho o Reino dos Nomes -

pudésseis apenas compreendê-lo. Quem ouve seu Senhor, há de renunciar ao mundo e a

tudo o que nele se acha; quanto maior, pois, deve ser o desprendimento daquele que

ocupa tão augusta posição! Abandonai vossos palácios e apressai-vos para que sejais

admitidos a seu Reino. Em verdade, isto vos será proveitoso tanto neste mundo como no

vindouro. O Senhor do reino nas alturas dá testemunho disso - se apenas o soubésseis.

Quão grande ventura espera o rei que se levantar a fim de promover Minha

Causa em Meu Reino, desprendendo-se de tudo menos de Mim! Tal rei é contado entre os

companheiros do Arco Rubro, Arco este que Deus preparou para o povo de Bahá.Todos

lhe devem glorificar o nome, reverenciar a posição e prestar auxílio em abrir as cidades

com as chaves de Meu Nome, onipotente Protetor de todos os que habitam os reinos

visíveis e invisíveis. Tal rei é a própria vista da humanidade, o luminoso ornamento na

fronte da criação, manancial de bênçãos para o mundo inteiro. Oferecei, ó povo de Bahá,

vossa substância, ainda mais, vossa própria vida, em seu auxílio.

Nada pedimos de vós. Por amor a Deus, em verdade, vos exortamos, e

seremos pacientes assim como temos sido pacientes naquilo que Nos sucedeu em vossas

mãos, ó assembléia de reis.

Ó REI DA TERRA! Daí ouvidos à Voz de Deus, chamando desta Árvore sublime,

cheia de frutos, que brotou da Colina Carmesim, sobre a Planície santa, entoando as

palavras: - “Não há outro Deus senão Ele, o Grande, o Todo-Poderoso, o Onisciente...”

Temei a Deus, ó assembléia dos reis e não vos deixeis ser privados desta mais sublime

graça. Rejeitai, pois, as coisas que possuis, e segurai-vos ao Amparo de Deus, o Excelso,

o Grande. Volvei vossos corações para a Face de Deus e abandonai aquilo que vossos

desejos vos tem mandado seguir, e não sejais dos que perecem. Relata-lhes, ó servo, a

história de Álí (o Báb) quando Ele lhes veio com a verdade, trazendo Seu Livro glorioso

e ponderado, segurando nas mãos um testemunho e uma prova concedida por Deus, e

emblemas santos, benditos, por Ele enviados. Vós, porém, ó reis, deixastes de atender à

lembrança de Deus em Seus dias e de ser guiados pelas luzes surgidas, brilhantes, por

cima do horizonte do Céu esplendoroso. Não examinastes Sua Causa, mas se assim

tivésseis feito, isso teria sido melhor para vós do que tudo aquilo sobre que o sol brilha,

pudésseis apenas perceber isto. Vós vos mantivestes indiferentes até que os sacerdotes

da Pérsia – aqueles cruéis – pronunciaram sentença contra Ele e injustamente O

trucidaram. Seu espírito ascendeu a Deus, e os olhos dos moradores do Paraíso e dos

anjos próximos Dele prantearam por causa dessa crueldade. Guardai-vos de descuidar

doravante, assim como tendes descuidado até agora. Voltai-vos, pois, para Deus, vosso

Criador, e não sejais dos desatentos... Meu semblante saiu de trás dos véus e irradiou

seu esplendor sobre tudo o que está no céu e na terra; e, no entanto, não Lhe volvestes

a face, embora para Ele fosseis criados, ó assembléia de reis! Segui, pois, o que vos falo,

e escutai-o com vossos corações, e não sejais dos que se desviaram. Porque vossa glória

não consiste em vossa soberania, mas, antes, em vossa proximidade de Deus e em vossa

obediência a Seu mandamento que baixou do céu em Suas Santas Epístolas preservadas.

Se um de vós tivesse domínio sobre toda a terra, sobre tudo o que se acha

dentro dela e sobre ela, seus mares, seus países, suas montanhas e suas planícies, mas,

no entanto, não fosse lembrado por Deus, tudo isso proveito algum lhe traria – se apenas

pudésseis saber isso... Levantai-vos, pois, e fazei firmes vossos pés e, em compensação

por aquilo que vos escapou, dirigir-vos à Sua Santa Corte, à beira de Seu grandioso

oceano, a fim de que as pérolas do conhecimento e da sabedoria guardadas por Deus na

concha de Seu coração radiante, se vos possam revelar... Guardai-vos de impedir que os

sopros de Deus emanem sobre vossos corações – sopros através dos quais se animam os

corações dos que para Ele se volveram...

Guardai-vos de tratar de um modo injusto a quem vos fizer apelo ou buscar

amparo à vossa sombra. Segui o caminho do temor a Deus, e sede dos que têm uma

vida piedosa. Não dependais de vosso poder, nem de vossos exércitos e tesouros. Ponde

toda a vossa confiança em Deus, que vos criou, e buscai Sua ajuda em todos os vossos

assuntos. Somente Dele vem o socorro. Ele ajuda a quem Lhe aprouver, com as hostes

dos céus e da terra.

Sabei que os pobres são a incumbência de Deus em vosso meio. Cuidai de não

trairdes Sua incumbência, não os tratando com injustiça ou seguindo os caminhos dos

traiçoeiros. Havereis, certamente, de responder por Sua incumbência, no dia em que for

ajustada a Balança da Justiça, no dia em que cada um receberá o que merece, e se

pesarão os atos de todos os homens, sejam ricos ou pobres.

Se não atenderdes aos conselhos que Nós vos revelamos nesta Epístola, em

linguagem incomparável e inequívoca, o castigo divino haverá de vos atacar de todos os

lados, e a sentença de Sua justiça será pronunciada contra vós. Naquele dia, não tereis o

poder de Lhe resistir e reconhecereis vossa própria impotência. Tende compaixão de vós

próprios e daqueles debaixo de vosso domínio e julgai entre eles segundo as normas

prescritas por Deus em Sua sacratíssima e excelsa Epístola – Epístola na qual Ele

designou para cada coisa sua medida fixa, e deu com clareza uma explicação de todas as

coisas, e a qual, em si, é uma advertência aos que Nele crêem.

Examinai Nossa Causa, informando-vos das coisas que Nos aconteceram e

decidindo com justiça entre Nós e Nossos inimigos, e sede dos que tratam seu próximo

com equidade. Se não detiverdes a mão do opressor, se deixardes de salvaguardar os

direitos dos oprimidos, que razão, pois, tereis de vos ufanar entre os homens? De que

tendes o direito de vos jactar? Será de vosso alimento e vossa bebida que vos orgulhais,

das riquezas que acumulais em vossos tesouros, ou da variedade e do valor dos

ornamentos com que vos adornais? Fosse a glória verdadeira consistir na posse de coisas

tão perecedoras, então a terra onde andais se deveria vangloriar sobre vós, pois é ela

que vos supre e concede essas coisas, segundo o decreto do Todo-Poderoso. Nas

entranhas da terra está contido tudo o que vós possuis, de acordo com o mandamento

de Deus. Dela, como sinal de Sua misericórdia, extraís vossas riquezas. Vede, pois, vosso

estado, a coisa de que vos gloriais! Oxalá pudésseis perceber isto! Não, por Aquele que

segura na mão o domínio da criação inteira! Em parte alguma reside vossa glória

verdadeira e durável, senão em vossa firme adesão aos preceitos de Deus, vossa

obediência cordial às Suas leis, vossa resolução de não permitir que elas permaneçam

sem efeito, e de seguir fielmente o caminho certo...

Passaram-se vinte anos, ó reis, durante os quais provamos cada dia a agonia

de uma nova tribulação. Nenhum de Nossos antecessores suportou o que Nós temos

suportado. Oxalá pudésseis perceber isso! Os que contra Nós se levantaram, Nos têm

trucidado, derramando Nosso sangue, espoliando-Nos dos bens e violando Nossa honra.

Vós, no entanto, embora cientes da maior parte de Nossas aflições, não detivestes a mão

do agressor. E não é claramente vosso dever reprimir a tirania do opressor e tratar com

equidade vossos súditos, a fim de demonstrar plenamente a toda a humanidade vosso

alto sentido de justiça?

Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do povo, para que

possais reger com justiça, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os

malfeitores. Se descuidardes do dever que Deus vos prescreveu em Seu Livro, vossos

nomes serão incluídos nos daqueles que, a Seu ver, são injustos. Lastimável, de fato,

será vosso erro. Quereis aderir àquilo tramado pelas vossas próprias imaginações,

repelindo os mandamentos de Deus, o Excelso, o Inatingível, o Predominante, o Todo-

Poderoso? Renunciando o que vós possuís, segurai-vos àquilo que Deus vos mandou

observar. Sua graça é o que deveis buscar, pois quem a busca trilha Sua Vereda reta...

Adverte e informa o povo, ó Servo, daquilo que Nós fizemos descer a Ti...

Aproxima-se o dia em que Deus terá exaltado Sua Causa e magnificado Seu testemunho

aos olhos de todos os que se acham nos céus e na terra. Sob todas as condições, põe

Tua inteira confiança em Teu Senhor e fixa Nele Teu olhar, afastando-Te daqueles que

repudiam Sua Verdade. Que Deus, Teu Senhor, Te seja suficiente para socorro e ajuda.

Comprometemo-nos a garantir Teu triunfo na terra e exaltar Nossa Causa acima de todos

os homens, embora nenhum rei seja encontrado que queira voltar sua face para Ti.

Ó REI DA TERRA! Nós vos vemos aumentardes todo ano, vossas despesas, o

peso das quais pondes sobre vossos súditos. Isso, em verdade, é inteira e

vergonhosamente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado e não ponhais

encargos excessivos sobre vossos povos. Não os roubeis a fim de erguerdes palácios para

vós próprios; não, antes, escolhei para eles o que escolheis para vós mesmos. Assim

desdobramos ante vossos olhos o que vos é proveitoso – se apenas o percebêsseis.

Vossos povos são vossos tesouros. Acautelai-vos para que vosso governo não viole os

mandamentos de Deus, e não entregueis vossos tutelados às mãos de ladrões. Pelos

vossos povos é que governais, por meio deles subsistis, pela sua ajuda ganhais vossas

vitórias. No entanto, com que desdém olhais para eles! Que estranho, muito estranho!

Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de

que possais, em algum grau, melhorar vossa própria condição e a daqueles que de vós

dependem.

Ó governantes da terra! Sede reconciliados entre vós, para que não mais

necessiteis de armamentos, salvo na medida precisa a fim de proteger vossos territórios

e domínios. Guardai-vos de desprezar o conselho do Onisciente, do Fiel.

Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará

entre vós, e vosso povo encontrará sossego – se sois dos que compreendem. Se alguém

dentre vós lançar mão de armas contra outro, levantai-vos contra ele, pois isso nada

mais é que justiça manifesta.

DEUS UNO E VERDADEIRO – exaltada seja Sua glória – sempre considerou e

há de considerar os corações dos homens como Sua própria e exclusiva possessão. Tudo

mais – quer seja pertinente à terra ou ao mar, seja riqueza ou glória, - Ele o legou aos

reis e governantes da terra. Desde o princípio que não teve princípio, desdobrou-se em

pleno esplendor em face de Seu Manifestante, a bandeira que proclama as palavras: “Ele

faz qualquer coisa que queira”. O que a humanidade necessita, neste Dia, é obediência

àqueles que possuem a autoridade, e adesão fiel à corda da sabedoria. Os instrumentos

essenciais à proteção imediata, à segurança e tranqüilidade do gênero humano foram

confiadas às mãos dos governantes da sociedade humana e se acham em seu poder. É

este o desejo de Deus e Seu decreto... Alimentamos a esperança de que um dos reis da

terra, por amor a Deus, se levantará para o triunfo deste povo ultrajado e opresso. A tal

rei caberão glória e elogios eternos... A este povo Deus prescreveu o dever de apoiar a

quem lhe desse apoio, de servir seus interesses e demonstrar lealdade inabalável. Quem

me segue deve, sob todas as circunstâncias, se empenhar em promover o bem-estar de

quem quer que se levante para o triunfo de Minha Causa, dando-lhe em todos os tempos,

provas de sua devoção e fidelidade. Feliz o homem que ouça e observe Meu conselho e ai

de quem deixe de cumprir Meu desejo.

NAPOLEÃO III

Ó REI DE PARIS! Dize ao padre que não mais toque os sinos. Por Deus, o

Verdadeiro! Apareceu o Sino Mais Poderoso na forma Daquele que é o Maior Nome, e os

dedos da vontade de teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo, o fazem soar no céu da

imortalidade, em Seu Nome, o Todo-Glorioso. Assim os poderosos versículos de teu

Senhor se fizeram descer outra vez para ti, a fim de que te levantasses para

comemorar a Deus, Criador da terra e do céu, nestes dias era que todas as raças da

terra se têm lastimado, e as fundações das cidades tremido, e a poeira da irreligião

envolve todos os homens, salvo aqueles aos quais teu Senhor, o Onisciente, a Suma

Sabedoria, quis eximir.

Dize: Ele, o Incondicionado, já veio, nas nuvens da luz, para despertar todas

as coisas criadas com as brisas de Seu Nome, o Mais Misericordioso, unificar o mundo e

reunir todos os homens em torno desta Mesa que Ele fez descer dos céus. Cuida-te em

não negares os favores de Deus que têm sido derramados sobre ti. Melhor é isto para ti

do que tudo o que possues; pois o que é teu, perecerá, enquanto o que é de Deus,

permanecerá. Ele, em verdade, ordena o que deseja. Verdadeiramente, as brisas do

perdão têm soprado da direção de teu Senhor, o Deus de Misericórdia; aquele que para

seu lado se voltar, será limpo de seus pecados e de todas as dores e doenças. Feliz o

homem que para elas se volta e ai do que se tem desviado.

Volvesses tu teu íntimo ouvido para todas as coisas criadas, ouviria: “O Ancião

dos Dias já veio em Sua Grande Glória”. Todas as coisas celebram o louvor de seu

Senhor. Alguns têm conhecido a Deus e se lembrado Dele; outros O lembram, mas não O

conhecem. Assim, revelamos Nosso decreto em uma Epístola evidente.

Dá ouvidos, ó rei, à Voz que chama do Fogo ardendo nesta Árvore verdejante,

sobre este Sinai que se ergueu acima do sagrado Lugar níveo, além da Cidade Eterna:

“Verdadeiramente, não há outro Deus senão Eu, o Infalível Perdão, o Mais

Misericordioso!” Nós, em verdade, enviamos Aquele a Quem ajudamos com o Espírito

Santo (Jesus Cristo), a fim de vos anunciar esta Luz que brilhou do horizonte da vontade

de vosso Senhor, o Excelso, o Todo-Glorioso, e cujos sinais foram revelados no Ocidente,

para que vós volvêsseis a face para Ele (Baháúĺláh) neste Dia que Deus exaltou acima

de todos os outros dias, e em que o Todo-Misericordioso irradiou o esplendor de Sua

fulgente glória sobre todos os que estão no céu e todos os que estão na terra.

Levanta-te para servir a Deus e promover Sua Causa. Ele, em verdade,

ajudar-te-á com as hostes dos visíveis e dos invisíveis, e te fará rei de tudo aquilo sobre

o que o sol se levanta. Teu Senhor, em verdade, é o Onipotente, o Todo-Poderoso.

As brisas do Mais Misericordioso têm soprado sobre todas as coisas criadas;

feliz o homem que descobriu sua fragrância e para elas se voltou com o coração firme.

Adorna tuas têmporas com o ornamento de Meu Nome e tua língua com a lembrança de

Mim, e teu coração com amor a Mim, o Todo-Poderoso, o Altíssimo. Nada desejamos para

ti senão o que te é melhor que todas as tuas possessões e todos os tesouros da terra.

Teu Senhor, em verdade, é o Conhecedor, O ciente de tudo. Levanta-te, em Meu Nome,

entre Meus servos, e dize: “Ó vós, povos da terra! Voltai-vos para Aquele que se voltou

para vós. Ele, verdadeiramente, é a Face de Deus entre vós, e Seu Testemunho e Sua

Guia para vós. Ele veio a vós com sinais que ninguém pode produzir”. A voz da Sarça

Ardente se levanta no mais íntimo recanto do mundo e o Espírito Santo conclama a todas

as nações: “Vede, o Desejado de todos já veio com evidente domínio!”

Ó Rei! As estrelas do céu do conhecimento têm caído, aqueles que procuram

estabelecer a verdade de Minha Causa através das coisas que possuem, e aqueles que

fazem menção de Deus, em Meu Nome. E, contudo, quando Eu, em Minha Glória me

manifestei a eles, afastaram-se. Em verdade, são dos perdidos. Isto verdadeiramente, foi

o que o Espírito de Deus (Jesus Cristo) anunciou, quando vos veio com a Verdade –

Aquele com quem os doutores judeus disputaram, até que, finalmente, perpetraram o

que fez lamentar o Espírito Santo e caírem as lágrimas daqueles que têm próximo acesso

a Deus...

Ó Rei! Ouvimos as palavras que pronunciaste em resposta ao Tzar da Rússia, a

respeito da decisão tomada sobre a guerra (Guerra da Criméa). Teu Senhor, em verdade,

sabe, está informado de tudo. Disseste: “Eu estava adormecido em meu leito, quando o

grito dos oprimidos, afogando-se no Mar Negro, me acordou”. Foi o que te ouvimos dizer

e, em verdade, teu Senhor é testemunha daquilo que digo. Testificamos que não

despertaste por causa de seu grito, mas, sim, estimulado pelas tuas próprias paixões,

pois Nós te provamos e te julgamos falho. Compreende o significado de Minhas palavras

e sê dos que discernem. Não é Nosso desejo dirigir a ti palavras de condenação, pois

consideramos a dignidade que conferimos a ti nesta vida mortal. Na verdade, escolhemos

a cortesia e fizemos dela o verdadeiro sinal daqueles que se encontram próximo Dele. A

cortesia é, em verdade, uma vestimenta que convém a todos os homens, sejam jovens

ou velhos. Bem estará aquele que adornar seu templo humano com ela, e lastimável o

que estiver privado desta grande dádiva. Tivesses tu sido sincero em tuas palavras, não

terias lançado atrás de ti o Livro de Deus quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-

Poderoso, o Onisciente. Nós te temos provado por seu intermédio e te achado diferente

do que professaste. Levanta-te e faze retribuição por aquilo que te escapou. Dentro em

breve o mundo e tudo o que tu possues perecerão e o reino restará a Deus, teu Senhor e

o Senhor de teus pais de antanho. Não te convém proceder segundo os ditames de teus

desejos. Teme os suspiros deste Injuriado e protege-O contra os dardos daqueles que

agem com injustiça. Por causa daquilo que fizeste, prevalecerá confusão em teu reino, e

teu império passará de tuas mãos em punição pelos teus feitos, e saberás, pois, que

erraste, claramente. Comoções haverão de apoderar-se de todo o povo nesse país, a

menos que te levantes para ajudar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus

(Jesus Cristo) neste Caminho Reto. Será que tua pompa te haja tornado orgulhoso? Por

Minha Vida! Não durará; não, muito breve há de passar, a menos que te segures

firmemente a esta Corda forte. Vemos humilhação se aproximar de ti rapidamente,

enquanto tu és dos desatentos. Quando ouvires Sua Voz chamando do trono de glória,

deverás deixar de lado tudo o que possues e exclamar: “Aqui estou, ó Senhor de tudo o

que existe no céu e de tudo o que existe na terra!”

Ó Rei! Estávamos no Iraque quando a hora da partida chegou. Por

determinação do Rei do Islam (Sultão da Turquia) dirigimos Nossos passos nesta

direção. Ao chegarmos, aconteceu-Nos, nas mãos dos maliciosos, aquilo que os livros do

mundo jamais poderão descrever adequadamente, o que fez os habitantes do Paraíso e

aqueles que vivem dentro dos recintos da santidade lamentarem; e não obstante, o povo

continua encerrado em grosso véu!...

Mais penosa se tornou Nossa situação, dia a dia, ou melhor, hora a hora, até

que Nos tiraram de Nossa Prisão e nos fizeram entrar, com flagrante injustiça, na Maior

Prisão.

Sabes que, em verdade, és responsável perante Deus por teus súditos. Cuida

deles, pois, como cuidas de ti mesmo. Atenta para não permitires que lobos se tornem

os pastores do rebanho, nem que o orgulho e a soberba te impeçam de cuidar dos

pobres e desolados. Levanta-te, em Meu Nome, acima do horizonte da renúncia e volta

tua face para o Reino, a mando de teu Senhor, o Senhor de força e poder.

Adorna o corpo de teu reino com as vestes de Meu Nome e levanta-te, então,

para ensinar Minha Causa. Melhor é isto para ti do que tudo o que possues. Deus, por

isso, exaltará teu nome entre todos os reis. Potente é Ele sobre todas as coisas. Caminha

tu entre os homens em nome de Deus e pelo poder de sua Onipotência, a fim de que

possas demonstrar Seus sinais aos povos da terra...

Considera o mundo como o corpo de um homem que padece de diferentes

males e cuja cura depende da harmonia de todos os seus elementos componentes.

Aproxima-te daquilo que te prescrevemos e não palmilhes os caminhos daqueles que

criam dissensão. Medita sobre o mundo e o estado de seus povos. Aquele por amor a

Quem o mundo foi chamado à existência, está prisioneiro na mais desolada das cidades

(Akká), devido àquilo que as mãos dos maliciosos fizeram. Do horizonte de Sua cidade-

prisão, Ele conclama a humanidade para o Alvorecer de Deus, o Excelso, o Grande. Tu te

exultas com os tesouros que possues, sabendo que perecerão? Enalteces-te por reinares

sobre um pedaço de terra, quando o mundo todo, na apreciação do povo de Bahá, vale

tanto quanto a pupila dos olhos de uma formiga morta? Abandona isso para os que têm

suas afeições nessas riquezas e volta-te para Aquele que é o Desejo do mundo. Para

onde foram os orgulhosos e seus palácios? Examina seus túmulos, para que possas

aprender por este exemplo, pois dele fizemos uma lição para todos os observadores.

Pudessem as brisas da Revelação te atingir, fugirias do mundo e voltar-te-ias para o

Reino, e gastarias tudo o que possues para poderes aproximar-te desta Sublime Visão.

TZAR ALEXANDRE II

Ó TZAR DA RÚSSIA! Inclina teu ouvido à voz de Deus, o Rei, o Santo, e volve-

te para o Paraíso, lugar onde habita Aquele que, dentre a Assembléia no alto, possui os

mais excelentes títulos e que, no reino da criação, é chamado pelo Nome de Deus, o

Fulgente, o Todo Glorioso. Acautela-te para que teu desejo não te impeça de te volver

para a face de teu Senhor, o Compassivo, o Mais Misericordioso. Nós, em verdade,

ouvimos aquilo que suplicaste a teu Senhor enquanto comungavas secretamente com

Ele. Por isso os sopros de Minha misericórdia emanavam e o mar de Minha mercê

encapelava-se, e Nós respondemos a ti em verdade. Teu Senhor, verdadeiramente, é

Quem tudo sabe, o Sapientíssimo. Enquanto Eu estava acorrentado e algemado na

prisão, um de teus ministros prestou-Me seu auxílio. Por isso Deus te ordenou uma

posição que o conhecimento de pessoa alguma pode compreender, salvo Seu

conhecimento. Guarda-te de desbaratar essa posição sublime... Acautela-te para que tua

soberania não te impeça Daquele que é o Soberano Supremo. Em verdade, Ele veio com

Seu Reino, e todos os átomos clamam em altas vozes: “Eis! o Senhor vindo em Sua

grande majestade!” Aquele que é o Pai já veio, e o Filho (Jesus), no vale santo, exclama:

“Eis-me, eis-me, ó Senhor meu Deus!” enquanto Sinai rodeia a Casa e a Sarça Ardente

clama altamente: “Veio o Todo-Generoso, montado sobre as nuvens! Bem-aventurado

quem Dele se aproximar, e ai dos que estão afastados”.

Levanta-te entre os homens em nome desta Causa predominante e convoca,

pois, as nações a Deus, o Excelso, o Grande. Não sejas dos que invocaram a Deus por

um de Seus Nomes mas que, ao aparecer Aquele que é Objeto de todos os nomes, O

negaram e Dele se afastaram, e finalmente pronunciaram sentença contra Ele, com

injustiça manifesta. Considera e recorda os dias em que apareceu o Espírito de Deus

(Jesus), e Herodes O condenou. Deus, entretanto, Lhe concedeu o amparo das hostes

invisíveis, protegeu-O com a verdade O mandou para outra terra, segundo Sua

promessa. Ele, em verdade, ordena o que Lhe apraz. Teu senhor preserva,

verdadeiramente, a quem Ele deseja, quer se ache no meio dos mares, quer na garganta

da serpente ou debaixo da espada do opressor...

Outra vez digo: Dá ouvidos à Minha Voz que clama de Minha prisão, a fim de

te informares das coisas que sucederam à Minha Beleza nas mãos daqueles que são as

manifestações de Minha glória, e a fim de perceberes como foi grande Minha paciência,

não obstante Meu poder, e imensa Minha tolerância, apesar de Meu predomínio. Por

Minha Vida! Pudesses tu apenas saber das coisas emitidas por Minha Pena, e descobrir os

tesouros de Minha Causa e as pérolas de Meus mistérios que jazem ocultas nos mares

dos Meus nomes e nos cálices das Minhas Palavras, tu, em teu amor por Meu nome e em

tua ânsia por Meu Reino glorioso e sublime, quererias oferecer tua vida em Meu caminho.

Sabe tu que, embora Meu corpo esteja debaixo das espadas dos inimigos e Meus

membros assediados de aflições incalculáveis, no entanto, Meu espírito está cheio de

uma alegria com a qual todos os prazeres da terra jamais poderão ser comparados.

Dirige teu coração Àquele que é Alvo da adoração do mundo, e dize: - Ó povos

da terra! Negastes Aquele em Cuja senda foi martirizado o Portador da verdade, quando

trazia o anúncio de vosso Senhor, o Excelso, o Grande? Dize: Este é um anúncio que

regozijou os corações dos Profetas e Mensageiros. É Aquele de Quem o coração do

mundo se lembra, o Prometido dos Livros de Deus, o Poderoso, o Onisciente. As mãos

dos Mensageiros, em seu desejo de Me encontrar, ergueram-se para Deus, o Poderoso,

o Glorificado... Alguns se lamentaram em sua separação de Mim, outros sofreram

durezas em Meu caminho e ainda outros sacrificaram a vida por amor à Minha Beleza –

pudésseis apenas saber isso. Dize: Eu, em verdade, não visei a exaltar a Mim Mesmo,

mas antes ao próprio Deus – fosseis vós julgar com equidade. Nada pode ser visto em

Mim a não ser Deus e Sua Causa – pudésseis apenas perceber isto. Sou Aquele a Quem a

língua de Isaias exaltou, sou Aquele Cujo nome tanto a Tora como o Evangelho se

adornaram... Bem-aventurado o rei cuja soberania não o impediu de seu Soberano e que

de coração se volveu para Deus. Ele, em verdade, é incluído no número dos que

atingiram o que Deus, o Poderoso, o Onisciente, ordenou. Tal rei será em breve contado

entre os monarcas dos domínios do Reino. Teu Senhor, em verdade, é potente sobre

todas as coisas. Ele dá o que deseja a quem Ele queira; e a quem Ele queira, nega o que

Ele deseja. Ele, em verdade, é o Todo-Poderoso, o Onipotente.

RAINHA VITÓRIA

Ó RAINHA EM LONDRES! Inclina teu ouvido para a voz de teu Senhor, o

Senhor de toda a humanidade, que clama do Loto Divino: Verdadeiramente, nenhum

Deus há senão Eu, o Todo-Poderoso, o Onisciente! Rejeita tudo o que está na terra, e,

cinge a cabeça de teu reino com o diadema da lembrança de teu Senhor, o Todo-

Glorioso. Ele, em verdade, veio ao mundo em Sua mais plena glória, cumprindo tudo o

que foi mencionado no Evangelho. A terra da Síria foi honrada pelas pegadas de seu

Senhor, Senhor de todos os homens, e norte e sul, ambos se inebriam com o vinho de

Sua Presença. Bem-aventurado o homem que inalou a fragrância do Mais Misericordioso

e se voltou para a Aurora de Sua Beleza, neste Amanhecer resplandecente. A Mesquita

de Aqsá vibra com os sopros de seu Senhor, o Todo-Glorioso, enquanto Bathá (Meca)

tremula ante a voz de Deus, o Excelso, o Altíssimo. E com isso, cada uma de suas pedras

rende louvores ao Senhor por intermédio deste Grande Nome.

Renuncia teu desejo e dirige teu coração a teu Senhor, o Ancião dos Dias.

Fazemos menção de ti por amor a Deus e desejamos que teu nome seja exaltado pela

tua comemoração de Deus, Criador da terra e do céu. Ele, em verdade, dá testemunho

daquilo que digo. Fomos informados de que tu proibiste o tráfico de escravos, tanto de

homens como de mulheres. Isso, em verdade, é o que Deus ordenou nesta Revelação

maravilhosa. Deus, em verdade, te destinou uma recompensa por isso. A quem fizer o

bem, Ele, em verdade, remunerará devidamente – fosses tu seguir o que te foi enviado

por Aquele que é o Onisciente, O de tudo informado. Quanto àquele que se desviar e se

inchar de orgulho após lhe haverem vindo os sinais claros, provenientes do Revelador dos

sinais, Deus reduzirá sua obra a nada. Ele, em verdade, tem poder sobre todas as coisas.

As ações do homem são aceitáveis depois de haver ele reconhecido (o Manifestante).

Quem se desviar do Verdadeiro é, de fato, a mais velada entre Suas criaturas. Assim foi

decretado por Aquele que é o Onipotente, o Mais Poderoso.

Soubemos também que tu havias entregue as rédeas do conselho aos

representantes do povo. Em verdade, fizeste bem, pois assim os alicerces do edifício de

tuas atividades serão fortalecidos, e os corações de todos os que se acham abrigados à

tua sombra, sejam de alta ou de baixa categoria, serão tranqüilizados. Compete-lhes,

entretanto, ser dignos de confiança entre Seus servos e considerar-se a si próprios como

os representantes de todos os que habitam na terra. É o que lhes aconselha, nesta

Epístola, Aquele que rege, o Onisciente... Bem-aventurado aquele que entra na

assembléia por amor a Deus e julga entre os homens com pura justiça. Ele, em verdade,

é dos ditosos...

Dirige-te a Deus e dize: Ó meu Senhor Soberano! Eu sou apenas um vassalo

Teu, e Tu, em verdade, és o Rei dos Reis. Levantei minhas mãos suplicantes ao céu de

Tua graça e Tuas dádivas. Faze descer, pois, sobre mim, das nuvens de Tua

generosidade, o que me possa livrar de tudo menos de Ti e me faça aproximar de Ti.

Suplico-Te, ó meu Senhor – por Teu nome, que fizeste o rei dos nomes e a manifestação

de Ti próprio para todos os que estão no céu e na terra – rompe os véus que se

interpuseram entre mim e meu reconhecimento da Aurora de Teus sinais e do

Amanhecer de Tua Revelação. És, em verdade, o Todo-Poderoso, o Onipotente, o

Generosíssimo. Não me prives, ó meu Senhor, das fragrâncias das Vestes de Tua

Misericórdia em Teus dias, e inscreve para mim o que inscreveste para Tuas servas que

acreditaram em Ti e em Teus sinais, e Te reconheceram, e dirigiram os corações ao

horizonte de Tua Causa. Verdadeiramente, Tu és o Senhor dos mundos e, entre aqueles

que mostram misericórdia, o Mais Misericordioso. Ajuda-me, pois, ó meu Deus, a

comemorar-Te entre Tuas servas e promover Tua Causa em Tuas plagas. Aceita, então, o

que me escapou ao irradiar-se a luz de Teu semblante, Tu, em verdade, tens poder sobre

todas as coisas. Glória a Ti, ó Tu em cuja mão está o reino dos céus e da terra.

KAISER GUILHERME I

Ó REI DE BERLIM! Dá ouvidos à Voz que chama deste Templo manifesto: - Em

verdade, não há outro Deus senão Eu, o Eterno, o Incomparável, o Ancião dos Dias.

Acautela-te para que o orgulho não te impeça de reconhecer a Aurora da Revelação

Divina, nem os desejos terrenos te excluam, como se o fosse por um véu, do Senhor do

Trono no alto e da terra em baixo. Assim te aconselha a Pena do Altíssimo. Ele, em

verdade, é o Mais Misericordioso, o Todo-Generoso. Lembra-te daquele cujo poder

transcendeu teu poder (Napoleão III), e cuja posição era superior à tua posição! Onde

está ele? Aonde foram as coisas por ele possuídas? Sê advertido, e não sejas dos que

estão profundamente adormecidos. Ele foi quem lançou atrás de si a Epístola de Deus

quando Nós o informamos daquilo que as hostes da tirania Nos fizeram sofrer. Por isso a

desgraça o atacou de todos os lados e, com grande perda, ele se baixou ao pó. Pondera,

ó Rei, sobre ele e sobre os outros que, como tu, venceram cidades e dominaram os

homens. O Todo-Misericordioso fê-los descerem de seus palácios às suas sepulturas. Sê

advertido, sê dos que refletem...

Ó margens do Reno! Nós vos vimos cobertos de sangue, porque as espadas da

retribuição foram desembainhadas contra vós; e tereis ainda outro turno. E ouvimos os

lamentos de Berlim, se bem que hoje esteja em glória conspícua.

IMPERADOR FRANCISCO JOSÉ

Ó IMPERADOR DA ÁUSTRIA! Aquele que é o Amanhecer da Luz de Deus residia

na prisão de Akká na ocasião em que tu saíste para visitar a Mesquita de Aqsá

(Jerusalém). Passaste sem indagar por Aquele Cuja Presença exalta toda casa, e para

Quem o mais majestoso portão se descerra. Nós, em verdade, fizemos dessa cidade

(Jerusalém) um lugar para o qual o mundo devesse volver, a fim de Me comemorar, e tu,

no entanto, rejeitaste Aquele que é o Objeto dessa comemoração, quando Ele apareceu

com o Reino de Deus, teu Senhor e o Senhor dos mundos. Temos estado contigo em

todos os tempos e te achado preso ao Ramo sem atenderes à Raiz. Teu Senhor, em

verdade, é testemunha do que digo. Lamentamos ver como te volvias ao redor de Nosso

Nome, enquanto continuavas inconsciente de Nós, embora estivéssemos ante tua face.

Abre teus olhos, a fim de poderes contemplar esta Visão gloriosa e reconhecer Aquele a

Quem invocas durante o dia e à noite, e fitar a Luz que brilha acima deste Horizonte

luminoso.

SULTÃO ÁBDUĹ-AZIZ

OUVE, Ó REI, as palavras Daquele que diz a verdade, que não te pede como

remuneração as coisas que Deus se dignou te conceder, Aquele que trilha, sem errar, a

Senda reta. Ele é Quem te chama para Deus, teu Senhor, e te mostra o caminho certo, o

que conduz à verdadeira felicidade, para que talvez sejas dos que estarão bem.

Cuida, ó Rei, de não reunires em torno de ti tais ministros que seguem os

desejos de uma inclinação corrupta, desdenham os deveres que foram entregues em

suas mãos e claramente traem sua incumbência. Sê bondoso para os outros como Deus

tem sido bondoso para ti, e não abandones os interesses do povo à mercê de tais

ministros. Não ponhas de lado o temor de Deus; e sê daqueles que agem corretamente.

Reúne em torno de ti aqueles ministros nos quais possas sentir a fragrância da fé e da

justiça; aconselha-te com eles e escolhe aquilo que julgares melhor; sê daqueles que

agem generosamente.

Sabe tu: seguramente, aqueles que descrêem em Deus não são fidedignos

nem verazes. Isto, realmente, é a verdade, infalivelmente a verdade. Aquele que age

traiçoeiramente para com Deus, agirá, também, traiçoeiramente para com seu rei. Nada

pode deter tal homem do mal, nada pode impedi-lo de trair seu vizinho, nada pode

induzi-lo a agir corretamente.

Cuida de não deixares as rédeas dos assuntos de teu Estado ficarem nas mãos

dos outros, e não deposites tua confiança em ministros indignos, e não sejas dos

desatentos. Evita aqueles cujos corações estão afastados de ti, não confies neles, não

lhes dês responsabilidade em teus assuntos e nos assuntos daqueles que professam tua

fé. Acautela-te para que o lobo não se torne o pastor do rebanho de Deus, e não

entregues a sorte de Seus amados nas mãos dos maliciosos. Não esperes que aqueles

que violam os mandamentos de Deus sejam dignos de confiança ou sinceros na fé que

professam. Evita-os e mantém guarda sobre ti mesmo, para que suas artimanhas e

malícias não te prejudiquem. Evita-os e fixa teu olhar em Deus, teu Senhor, o Todo-

Glorioso, a Suprema Bondade. Aquele que se entregar totalmente a Deus, seguramente,

Deus estará com ele; e aquele que puser em Deus sua inteira confiança, Deus, em

verdade, haverá de protegê-lo de tudo o que lhe possa causar dano, e da iniqüidade de

todo maléfico.

Fosses tu inclinar o ouvido para Minhas palavras e observar Meu conselho,

Deus elevar-te-ia a tão eminente posição que jamais os desígnios de homem algum na

terra te poderiam tocar ou ofender. Observa, ó rei, do mais íntimo do coração e de todo o

teu ser, os preceitos de Deus, e não andes nos caminhos do opressor. Segura tu, e

mantém firmemente ns mãos de teu poder, as rédeas do governo de teu povo, e

examina pessoalmente tudo a ele relacionado. Que nada te escape, pois nisso reside o

maior bem.

Agradece a Deus por te haver escolhido do mundo inteiro e te feito rei sobre

aqueles que professam tua fé. Incumbe-te apreciar os maravilhosos favores que Deus te

concedeu, e magnificar continuamente Seu Nome. Podes melhor louvá-Lo se amas Seus

amados e proteges Seus servos do mal dos traiçoeiros, a fim de que ninguém mais os

oprima. Deves, ainda mais, levantar-te para executar a lei de Deus entre eles, a fim de

seres um dos que se acham firmemente estabelecidos em Sua Lei.

Se fizesses rios de justiça espalharem suas águas entre teus súditos, Deus

seguramente te ajudaria com as hostes dos invisíveis e dos visíveis, e te fortaleceria em

tuas atividades. Não há Deus senão Ele. Toda a criação e seu império Lhe pertencem. A

Ele voltam as obras dos fiéis.

Não confies em teus tesouros. Põe tua inteira confiança na graça de Deus, teu

Senhor. Seja Ele teu apoio em tudo o que fizeres, e sê um dos que se submeteram à Sua

vontade. Faze Dele teu amparo e enriquece-te com Seus tesouros, pois com Ele estão os

tesouros dos céus e da terra. Ele os concede a quem Ele queira, e a quem Ele queira, os

nega. Não há outro Deus senão Ele, Possuidor de tudo, Alvo de todo louvor. Todos são

apenas indigentes à porta de Sua misericórdia; todos se encontram destituídos de poder

ante a revelação de Sua soberania, e suplicam Seus favores.

Não excedas os limites da moderação e trata com justiça àqueles que te

servem. Dá-lhes de acordo com suas necessidades e não a tal ponto que possam

acumular para si riquezas, adornar-se, embelezar suas casas, adquirir as coisas que

nenhum benefício lhes trazem, e se contar entre os extravagantes. Trata-os com infalível

justiça, de modo que nenhum deles sofra privações, nem goze de excessivo luxo. Isso é

apenas justiça manifesta.

Não permitas que os abjetos governem e dominem aqueles que são nobres e

dignos de honra, nem deixes os magnânimos à mercê dos indignos e desprezíveis, pois

foi o que vimos ao chegarmos na Cidade (Constantinopla), e disso damos testemunho.

Encontramos entre seus habitantes alguns que possuíam grandes fortunas e viviam em

meio a excessiva riqueza, enquanto outros estavam em extrema necessidade e pobreza

abjecta. Isso mal convém à tua soberania e é indigno de tua condição.

Aceita Meus conselhos e esforça-te para governar os homens com equidade, a

fim de que Deus exalte teu nome e faça espalhar a fama de tua justiça em todo o

mundo.

Acautela-te, para não engrandeceres teus ministros às expensas de teus

súditos. Teme os suspiros dos pobres e dos justos, os quais, ao romper do dia, lamentam

sua sina; e sê para eles um soberano benigno. Eles, verdadeiramente, são teus tesouros

na terra. Cumpre a ti, portanto, salvaguardar teus tesouros dos assaltos daqueles que te

desejam roubar. Investiga seus afazeres e assegura-te, todos os anos, ou melhor, todos

os meses, de suas condições, e não sejas dos que descuidam de seu dever.

Põe diante de teus olhos a infalível Balança de Deus e, como se estivesses em

Sua Presença, pesa nesta Balança tuas ações cada dia, a cada momento de tua vida.

Julga-te a ti mesmo antes de seres chamado para o juízo, no dia em que nenhum

homem terá as forças para se manter em pé por temor a Deus, o Dia em que os corações

dos desatentos haverão de tremer.

Compete a todo rei ser tão bondoso como o sol, que ajuda o crescimento de

todos os seres e dá a todos o que lhes é devido, cujos benefícios não lhe são inerentes,

mas ordenados por Aquele que é o Mais Poderoso, o Onipotente. O rei deve ser tão

generoso, tão liberal em sua misericórdia, como as nuvens do céu, cujas efusões de

bondade são derramadas sobre todas as terras por injunção Daquele que é o Ordenador

Supremo, o Onisciente.

Cuida de não entregares teus assuntos de estado inteiramente nas mãos dos

outros. Ninguém melhor que tu mesmo pode desincumbir-se de tuas funções. Assim te

esclarecemos Nossas palavras de sabedoria e concedemos o que te faça passar da

opressão para a justiça e aproximar-te do resplandecente oceano de Seus favores. Tal é

o caminho que os reis antes de ti palmilharam, os que agiram com equidade para com

seus súditos e se conduziram com invariável justiça.

Tu és a sombra de Deus na terra. Esforça-te, pois, para te comportares de

uma maneira digna de tão eminente, tão augusta posição. Se tu te desviares de seguir as

coisas que fizemos descer sobre ti e te ensinamos, estarás, seguramente, diminuindo

essa grande e inestimável honra. Volta, pois, e adere completamente a Deus, e limpa teu

coração do mundo e de todas as suas vaidades, e não permitas que o amor a um

estranho nele entre e resida. Antes de purificares teu coração de todo traço de tal amor,

não poderá o brilho da luz de Deus irradiar sobre ele seu esplendor, pois a ninguém Deus

deu mais de um coração. Isso, em verdade, foi decretado e inscrito em Seu Livro antigo.

E assim como o coração humano, segundo foi moldado por Deus, é um só e indivisível,

também deve acautelar-te para que suas afeições, igualmente, sejam uma só e

indivisíveis. Apega-te, pois, com todo o afeto de teu coração, a Seu amor, e retira-o do

amor a qualquer um além Dele, a fim de que Ele te possa ajudar a imergir-te no oceano

de Sua unidade e te tornar um verdadeiro sustentáculo de Sua unicidade. Deus é minha

testemunha. Meu único propósito ao te revelar estas palavras é santificar-te das coisas

transitórias da terra e te ajudar a entrar no reino da glória eterna, para que tu possas,

pela permissão de Deus, ser contado entre aqueles que lá vivem e governam...

Sejam atentos teus ouvidos, ó rei, às palavras que Nós te dirigimos. Faze que

opressor desista de sua tirania, e afasta os que perpetram injustiças dentre aqueles que

professam tua fé. Pela retidão de Deus! As tribulações que suportamos são tais que a

pena que as relata não pode deixar de se acabrunhar de angústia. Nenhum dos que

realmente crêem na unidade de Deus, e a sustentam, pode tolerar o peso de sua

narração. Tão grandes têm sido Nossos sofrimentos que até os olhos de Nossos inimigos

choraram por Nós, e além deles, os de toda pessoa de discernimento. E a todas essas

provações fomos sujeitos apesar de Nossa ação em Nos aproximarmos de ti e exortarmos

o povo a entrar em tua sombra, a fim de que tu fosses uma cidadela para aqueles que

crêem na unidade de Deus e a sustentam.

Ó Rei, Eu já alguma vez de desobedeci? Em alguma ocasião transgredi

qualquer uma de tuas leis? Pode qualquer um de teus ministros que te representam no

Iraque aduzir uma prova de Minha deslealdade a ti? Não, por Aquele que é o Senhor dos

mundos! Nem por um momento Nós nos rebelamos contra ti ou contra qualquer um de

teus ministros. Nunca – queira Deus – nos revoltaremos contra ti, nem que sejamos

expostos a tribulações ainda mais severas do que qualquer uma sofrida por Nós no

passado. Durante o dia e nas horas da noite, no crepúsculo e ao amanhecer, oramos a

Deus por ti, para que Ele por Sua graça te ajude a ser-Lhe obediente e observar Seus

mandamentos, e te proteja contra as hostes dos maus. Faze, pois, como te aprouver, e

trata-Nos de um modo que convenha à tua posição e seja digno de tua soberania. Não te

esqueças da lei de Deus em tudo o que desejares realizar, nem agora nem nos dias

vindouros. Dize: Louvores a Deus, Senhor de todos os mundos!

NÁSIRI´D-DÍN SHÁH

Ó REI! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito,

quando eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o

conhecimento de tudo o que já existia. Isso não provém de Mim, mas de Um que é Todo-

Poderoso e Onisciente. E Ele ordenou que Eu levantasse Minha voz entre a terra e o céu,

e por isso me sucedeu o que fez correrem as lágrimas de todo homem de compreensão.

A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei em suas escolas.

Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que

falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade de teu

Senhor, o Todo-Poderoso. Alvo de todo louvor. Poderá aquietar-se quando soprarem os

ventos tempestuosos? Não, por Aquele que é o Senhor de todos os Nomes e Atributos!

Movem-na a seu belprazer. O efêmero afigura-se com nada perante Aquele que é o

Sempiterno. Seu chamado predominante atingiu-Me e Me fez expressar Seu louvor entre

todos os povos. Em verdade, era Eu feito um morto, quando Seu imperativo foi

enunciado. A mão da Vontade de teu Senhor, o Compassivo, o Misericordioso,

transformou-Me. Poderá alguém pronunciar espontaneamente o que faça todos os

homens, grandes e humildes, contra ele protestarem? Não, por Aquele que ensinou à

Pena os mistérios eternos, salvo quem fosse fortalecido pela graça do Onipotente, do

Todo-Poderoso. A Pena do Altíssimo a Mim se dirige, dizendo: Não receies. Relata à Sua

Majestade o Xá o que te sucedeu. Seu coração, em verdade, está entre os dedos de teu

Senhor, o Deus de Misericórdia, de modo que talvez o sol da justiça e generosidade

possa brilhar acima do horizonte de seu coração. Assim foi fixado o decreto irrevogável

por Aquele que é o Onisciente.

Contempla este Jovem, ó rei, com os olhos da justiça: julga tu, pois com

verdade, daquilo que lhe sucedeu. Verdadeiramente, Deus te fez Sua sombra entre os

homens e o sinal do Seu poder para todos os que habitam na terra. Julga tu entre Nós e

aqueles que Nos injuriaram sem prova e sem um Livro esclarecedor. Os que te rodeiam

amam-te por seus próprios interesses, enquanto este Jovem te ama por ti mesmo,

nenhum desejo nutrindo a não ser o de te fazer aproximar do assento da graça e te

dirigir à direita da justiça. Teu Senhor dá testemunho daquilo que declaro.

Ó rei! Fosses tu inclinar o ouvido para a nota penetrante da Pena da Glória e o

arrulho do Pombo da Eternidade que, nos ramos do Loto além do qual se não pode

passar, expressa seus louvores a Deus, Origem de todos os nomes e Criador da terra e

do céu – atingirias a condição em que nada contemplarias no mundo dos seres senão a

resplandecência do Adorado, vindo a considerar tua soberania como a mais desprezível

de tuas possessões, e a abandoná-la a quem a quisesse, volvendo tua face para o

Horizonte que fulge com a luz de Seu Semblante. Jamais quererias tu suportar o peso de

domínio, salvo com o fim de servir teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo. Então a

Assembléia no alto abençoar-te-ia. Oh, como é excelente esta mais sublime posição,

pudesses tu a ela ascender através do poder de uma soberania reconhecida como

oriunda do Nome de Deus!...

Ó rei da época! Os olhos destes refugiados volvem-se para a clemência do

Mais Clemente e nela se fixam. Sem dúvida alguma, estas tribulações serão seguidas

pelas emanações de uma misericórdia suprema, e estas adversidades horrendas por uma

prosperidade transbordante. Quereríamos esperar, porém, que Sua Majestade o Xá

examine, ele mesmo, estes assuntos e dê esperança aos corações. O que submetemos à

tua Majestade é, realmente, para teu maior bem. E Deus, em verdade, é testemunha

suficiente para Mim...

Oxalá Me permitisses, ó Xá, enviar-te aquilo que pudesse alegrar os olhos e

tranqüilizar as almas e fazer toda pessoa justa acreditar que com Ele está o

conhecimento do Livro... Se não fosse o repúdio dos insensatos e a conivência dos