A Uma Atriz por Antônio Frederico de Castro Alves - Versão HTML

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A Uma Atriz

Castro Alves

Branco cisne que vagavas

Das harmonias no mar,

Pomba errante de outros climas.

Vieste aos cerros pousar.

Inda bem. Sob os palmares Na voz do condor, dos mares, Das serranias, dos céus...

Sente o homem — que é poeta.

Sente o vate — que é profeta Sente o profeta — que é Deus.

Há alguma cousa de grande Deste mundo na amplidão,

Como que a face do Eterno Palpita na criação...

E o homem que olha o deserto, Diz consigo: 'Deus 'stá perto Que a grandeza é o Criador".

E, sob as paternas vistas, Larga rédeas às conquistas Pede as asas ao condor.

Inda bem. A glória é isto...

É ser tudo... é ser qual Deus...

Agitar as selvas d'alma

Ao sopro dos lábios teus...

Dizer ao peito — suspira!

Dizer à mente — delira!

A glória inda é mais:

É ver Homens, que tremem — se tremes!

Homens, que gemem — se gemes!

Que morrem-se vais morrer!

A glória é ter com o tridente Refreada a multidão,

— Oceano de pensamentos

Que tu agitas cota mão!

— Montanha feita de idéias, Que sustenta as epopéias

Que é do gênio pedestal!

— Harpa imensa feita de almas, Que rompe em hinos e palmas, Ao teu toque divinal.

Mas esqueceste... Não basta

"Chegar, olhar e vencer"

Do gênio a maior grandeza O ser divino é sofrer.

Diz!... Quando ouves a torrente Do entusiasmo na enchente Vir espumar-te lauréis;

Nest'hora grande não sentes Longe os silvos das serpentes, Que tentam morder-te os pés?

Inda é a glória — rainha

Que jamais caminha só.

Aí! Quem sobe ao Capitólio Vai precedido de pó.

Porém tu zombas da inveja...

Se à noite o raio lampeja Tu fazes dele um clarão!

Pela tormenta embalada

Ao som da orquestra arroubada Vais-te perder n'amplidão.

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