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A arte de agradar por Alison Tyler - Versão HTML

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Alison Tyler

A historiadora de arte Lissa, e o Dr. Colin se conheceram na feira do livro de Frankfurt, onde estavam ambos promovendo seus últimos livros. Na feira, e depois através da Europa, os dois amantes embarcaram numa exploração de suas fantasias sexuais, jogando intensos jogos de bondage, spanking e vestimento. Lissa ama humilhação, e Colin é o homem perfeito para provê-la com o prazer que ela deseja. Sem o conhecimento de Lissa, seu encontro não foi acidental, mas planejado adiante por um misterioso patrono das artes eróticas.

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Revisoras Avisam...

B em pra quem gosta do tema sadomasoquismo esse é o livro, tem de tudo sexo em publico em grupo, mulher com mulher é bem hot a historia de um marido desesperado pra ter sua mulher de volta fala pro amigo realizar as fantasias da esposa. Assim ele acha que ela volta pra ele O (amigo) faz de tudo com a mulher. Bom è interessante no minimo instrutivo leiam vocês vão ler coisas impressionantes

Vania

O livro é mais que hot é hotãooooooo se é que vocês me entendem.. Moças têm ménage, tem mordaça e diversos brinquedos, um Dom tdb e um ex marido que faz de tudo para que sua mulher se realize sexualmente, então abram suas mentes e descubram a arte de agradar.. as desavisadas cuidado rsrs

Lu Machado

M eninas leiam como ventilador ligado, ar condicionado e uma água bem gelada o livro é fogo,Pensem em um homem que para sentir prazer tem que te amarrar e te castiga por cada coisinha, e pensem em uma mulher que ama apanhar e ser possuída em qualquer lugar, ah também tem trio, mulher com mulher , e toda sacanagem que vocês imaginarem .. Mas lembrem esse livro é Sadomasoquista então quem não gosta de mordaça, correntes e chicote não leia kkkkk bjs Lu Avanço

Quem Fez..

Disp. /Tradução: Karyne Nobre

Revisão Inicial: Vania

Revisão Final: Lu Avanço

Revisão Final: Lu Machado

Formatação: Dyllan Lira

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ÍNDICE

Prólogo

PRIMEIRO LIVRO:

Adultérios da arte

SEGUNDO LIVRO:

O cúmplice

TERCEIRO LIVRO:

Mas é arte?

QUARTO LIVRO:

Engano

QUINTO LIVRO:

Ciúmes

SEXTO LIVRO:

Obras de arte

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PRÓLOGO

— São açoites — disse Colin brandamente à mulher que estava arremessada sobre seu colo

— Supõe-se que os açoite têm que doer.

Lissa sabia que Colin estava sorrindo. Não podia ver a expressão de seu rosto, não na posição em que estava, com a cabeça penduranda para o chão e a larga cabeleira loira lhe cobrindo o rosto.

Mesmo assim, sentia como seus olhos a observavam, podia imaginar um sutil sorriso brincando em sua boca. O sorriso do Colin trocava seu rosto, suavizava os ângulos de seu rosto de beleza austera.

— O que te disse esta manhã? — perguntou ele com o mesmo tom de tranqüilidade na voz.

Lissa não respondeu. Apesar de que seus soluços eram já mais espaçados, ainda não tinham desaparecido por completo. Saboreou o sal das lágrimas que penetravam entre seus lábios abertos.

Por uma vez, Colin lhe permitiu livrar-se de responder e respondeu pacientemente a sua própria pergunta.

— Disse-te que se o fazia de novo, o resultado seriam uns açoites. — deteve-se e ela estremeceu. A forma em que dizia aquela palavra fazia que algo em seu interior se retorcesse. Açoite, com um ç sibilante ao princípio. Quando era ela quem dizia «açoite» ou «açoitar», sua voz se arrastava em sentido ascendente, como se estivesse fazendo uma pergunta. Mas não havia interrogação alguma no uso que ele fazia da palavra. Seu objetivo era provocar no estômago de Lissa uma sensação de debilidade insuportável. — E quando eu açoito — continuou — sempre há lágrimas.

Como se quisesse provar, Colin golpeou com sua poderosa mão, as nuas nádegas de Lissa cinco vezes, um golpe atrás de outro em rápida sucessão. A dor se propagou através de seu traseiro como uma corrente. Lutou inutilmente sobre seu regaço, golpeando o ar com os pés, o cabelo lhe cobrindo o rosto e escondendo suas ruborizadas bochechas. Era como se Lissa acreditasse que seus frenéticos movimentos fossem aliviar a dor de sua pele em chamas, ou a ajudá-la a escapar. Não ocorreu nenhuma das duas coisas. Colin a tinha imobilizada, sujeitando-a firmemente com um braço ao redor da cintura e seus delicados pulsos apanhados em uma só mão. Esperou até que ela deixou de retorcer-se, e só voltou a falar quando Lissa se acalmou.

— Começaremos pelo princípio, parece-te, amor? — perguntou Colin. Sua voz seguia sendo suave, quase tranqüilizadora. Nunca gritava. Jamais amaldiçoava ou jurava. De fato, mostrava-se mais calmo à medida que seus encontros iam sendo mais intensos. Lissa era incapaz de reconhecer seu descontento só pelo tom de sua voz — Começaremos do um.

Lissa não podia acreditar.

— Colin, não. Do um, não.

—Desculpa?

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Estremeceu-se, apesar de que ainda não tinha começado a açoitá-la de novo, e permaneceu em silêncio. Como tinha podido lhe dizer que não?

—Disse algo? — perguntou Colin. Pelo tom de sua voz, parecia que aquilo lhe divertia.

— Sinto-o — respondeu Lissa rapidamente — não queria dizer isso.

— O mau comportamento tem um preço — lhe recordou Colin. Era uma de suas máximas

favoritas — Tudo o tem, verdade, Lissa?

Sim, era certo, e ela estava pagando-o com sua própria dor. Podia sentir o calor que irradiava de seu corpo. Tratou de imaginar que aspecto teriam suas nádegas nesse instante, a forma em que as marcas de sua mão ressaltariam na palidez de sua pele em um relevo marcado, de cor púrpura, como flores exuberantes e obscenas. Retorceu-se para tratar de olhar por cima do ombro, mas foi incapaz de ver as marcas que Colin acabava de deixar em seu traseiro. Entretanto, sim pôde formar uma imagem mental com relativa facilidade. Não em vão, em numerosas ocasiões se postou frente a um espelho depois de uma de suas sessões, admirando os resultados.

— Como um tecido — lhe havia dito Colin uma semana antes, depois de segui-la até o lavabo e olhar-se no espelho, de pé junto a ela. Lissa imaginou que talvez pensava arreganhá-la por admirar seu reflexo durante tanto tempo, mas não foi assim. Em seu lugar, parecia como se Colin aprovasse o interesse em seu trabalho, orgulhavasse dele, como um artista ante sua obra — Sua pele é meu tecido — lhe havia dito — Eu lhe pinto, converto-te em uma obra de arte.

Os dois juntos, um ao lado do outro, tinham observado como as cores foram perdendo

intensidade, do ameixa escuro passavam à framboesa, até chegar a um rosa pétala. Logo Colin a tinha obrigado a retroceder até o espelho e lhe tinha feito amor, deixando que a frieza do vidro penetrasse no calor de sua carne. Tinha sido tenro ao princípio, mas, ao gozar, seu lado animal tinha emergido à superfície, apertando sua boca contra a da Lissa, mordendo seu lábio superior, machucando seu corpo com a intensidade de seu beijo.

— Conta para mim — lhe dizia Colin agora, enquanto a devolvia ao presente, preparava-a com suas palavras. Seu corpo ficou tenso, mas ele nunca reagia quando ela estava preparada para isso. E desta vez não foi distinto. Assim que Lissa começou a relaxar, ele a golpeou. O forte peso da palma de sua mão aterrissou sobre a nádega direita. Deixou repousar a mão sobre a marca, fazendo que sentisse a pressão. Lissa exalou a palavra «um» com uma baforada de ar de seus pulmões. Como podia ser só um, quando já tinha suportado tanto?

Tal pensamento lhe fez recordar uma imagem que Colin lhe tinha mostrado. Era de um livro de arte erótica. O fundo estava iluminado por espirais de vermelhos, azuis e dourados, como em um quadro de Klimt. Em primeiro plano, uma moça jazia sobre seu estômago em um sofá de tato aveludado, olhando por cima do ombro. O espectador podia ver a parte traseira de suas largas pernas, o traseiro e as costas, os ombros esbeltos, o queixo, desenhada com traços duros, inclinada para baixo. O cabelo cobria parcialmente o rosto da mulher, mas sua boca era perfeitamente visível.

Os lábios estavam um pouco separados, generosos e escuros, como cerejas. Nas coxas e as nádegas da modelo havia marcas que, a primeira vista, a Lissa tinham parecido os delicados rastros das asas de uma mariposa. Em uma inspeção mais detalhada, deu-se conta de que as formas eram marcas de mãos, de um rosa pálido em alguns lugares, de um cru carmesim em outros. Apesar de que o cabelo da mulher caía como uma cascata sobre seu rosto, podia-se adivinhar o azul brilhante de seus olhos através das mechas de cabelo loiro platino.

Lissa tinha observado a imagem durante muito tempo, tratando de decifrar a mensagem

oculta naquele rosto desenhado. Seu olhar não era fruto só da dor, e tampouco mostrava unicamente culpabilidade ou vergonha, apesar de que as três emoções pareciam presentes. Havia um brilho no rosto da mulher, como se acabasse de experimentar o orgasmo mais intenso de toda sua vida. Isto, decidiu Lissa, misturado com a dor óbvio, fruto dos açoites que acabava de receber, era o que

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provocava na modelo essa expressão radiante, quase transcendente. Não recordava o nome do quadro, nem do artista, mas quando Colin se deteve naquela página, ela se havia sentido estimulada pela imagem, e sua lembrança era ainda mais intensa agora, enquanto seu amante levantava a mão no ar para deixá-la cair sobre sua pele incendiada pela segunda vez consecutiva.

— Dois — disse ela com voz rouca, seu corpo tenso como um cabo elétrico. Esta vez se comportaria bem, disse-se, chegaria aos vinte, não falharia.

Sentiu-se segura de sua decisão, até que de repente os dedos do Colin se afundaram entre suas coxas para comprovar a doce umidade que ali aguardava. Deslizaram-se entre os lábios de seu sexo e começaram a desenhar um simples círculo ao redor do clitóris. Uma rotação, dois, três, dando voltas em um ritmo perfeito, justo como gostava. O prazer foi imediato, chegou muito dentro dela e rebateu a dor e a humilhação de ser retida sobre o regaço de um homem como se fosse uma menina travessa. Todas estas emoções fluíram juntas enquanto ele a tocava, percorreram seu corpo como se fossem as poderosas ondas do mar. As pontas dos dedos de Colin estavam ligeiramente endurecidas, e essa aspereza contra as zonas mais sensíveis de seu corpo fez romper ondas ainda mais intensas, mais úmidas, contra seu sexo, e a alagaram de prazer.

— OH, Deus. — As palavras escaparam de sua boca antes de que pudesse as reter. — OH, por favor. . —Por favor, o que? — perguntou ele com voz serena.

Não existia forma possível de expressar com palavras o que Lissa queria. Nem sequer ela mesma sabia. Algo, o que fosse. Tudo.

— Por favor, o que? — repetiu Colin, detendo o movimento de seus dedos na metade de uma rotação.

Agora Lissa sim sabia o que dizer.

— Não — sussurrou, sua voz de algum modo mais melódica pela súplica. — Por favor, não pare. Ele continuou com o movimento de seus dedos e o corpo de Lissa se esticou, confundido.

Deixaria que gozasse? De ser assim, seria uma violação de suas próprias normas. Colin raramente lhe permitia chegar ao orgasmo, não até que tivesse acabado com a parte do castigo de cada sessão.

Lissa se deu conta, quase sem fôlego, de que estava a ponto de alcançar o clímax e, justo nesse mesmo instante, ele retirou a mão de entre suas pernas e lhe deu um novo açoite, muito forte, mantendo-a no limite, como sempre, sem saber o que esperar depois.

— Minha menina má — lhe disse Colin brandamente, quase como se estivesse orgulhoso de que se comportasse mal — Por que te comporta sempre como uma menina má, Lissa?

Não tinha a resposta àquela pergunta. Mas à medida que a dor se estendia por seu corpo, queimando-a por dentro, recordou de novo aquele retrato erótico e entendeu de repente por que Colin lhe tinha mostrado aquela imagem. Era sua forma de dizer o que lhe esperava, em um futuro muito próximo. Naquele momento, naquela mesma noite, Colin estava recriando a imagem do quadro com ela no papel da modelo.

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PRIMEIRO LIVRO - ADULTÉRIOS DA ARTE

Roupas que flutuam soltas, cabelo também livre,

tal doce descuido me conquista mais

que todas as falsidades da arte:

chegam aos olhos, mas não ao coração.

Ben JONSON

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Capítulo Um

O homem nu pendurava de barriga para baixo desde o segundo andar do museu. Seu corpo não se movia pelo efeito do vento, e tampouco parecia que a suave garoa lhe afetasse. Detrás dele, em um rincão do mesmo andar, uma escultura de mármore observava o pátio do alto com olhar pétreo, como se seguisse com os olhos os movimentos da mulher loira e magra que havia mais abaixo. Apesar de que o pátio do museu estava repleto de turistas, Lissa era facilmente distinguível entre a multidão, de pé sob uma cornija para resguardar-se da chuva. Tinha posto seu casaco favorito, até os tornozelos e fabricado em tecido de uma cor vermelha intensa, com uma fileira de botões negros e brilhantes percorrendo todo o frontal. Aquele não era, certamente, o traje mais apropriado para o tempo que fazia, mas Lissa não tinha planejado estar ao ar livre mais tempo do estritamente necessário. Suas botas de pele, montadas sobre saltos de dez centímetros, convertiam-na em uma mulher de quase um metro e oitenta e faziam que sua cabeça e seus ombros ficassem por cima dos jovens estudantes que se amontoavam no átrio como patinhos, seguindo ao professor em duas filas perfeitamente ordenadas. Observou-os com atenção, percebendo sua energia, seu entusiasmo, a forma em que se apressavam atrás de seu professor. Sua visão lhe fez sorrir e esquecer por um momento a razão pela qual estava ali.

— Estas estátuas foram criadas por um artista local — disse o professor a seus alunos.—

Pode alguém me dizer o que representa a obra?

Lissa escutou algumas das curiosas respostas e transladou seu olhar de novo à estátua suspensa cabeça abaixo. Sentia-se seduzida por suas formas, mas inclusive estas não foram suficiente para manter sua atenção.

Onde estava Colin?

Lentamente começou a caminhar ao redor do perímetro do pátio, passando junto a outras figuras humanas parecidas com a que pendurava suspensa no ar, sem ser muito consciente de suas escuras formas e sim daqueles que as observavam. Devia reunir-se com o Colin no museu, mas aquela exposição tinha atraído a mais turistas do que oesperado. «Deve estar escondido em algum lugar», disse-se. Certamente nesse mesmo instante a estava observando enquanto ela escaneava a multidão de guarda-chuva e casacos de cor negra e canela em busca daqueles que sabia que pertenciam ao Colin. Era incapaz de lhe localizar, apesar de que seu cabelo, de uma cor vermelha brilhante, estava acostumado a atrair sua atenção como se fosse um farol. Não significava que não estivesse ali, mas sim estava bem escondido. Gostava de jogar gato e rato, e lhe dava muito bem, enquanto que ela sempre acabava confusa e aturdida, perdida em busca de pistas.

Enquanto lhe buscava entre a multidão, entre aqueles homens que enfrentavam às

inclemências do tempo providos sob capas e capas de roupa especialmente desenhada para a chuva, Lissa se deu conta de que conhecia melhor a roupa de casaco do Colin que a que levava debaixo dela.

E isto era como conseqüência de que sua relação se desenvolvia em Londres. Setivessem se conhecido na Califórnia, onde vivia Lissa, teria memorizado todas suas calças curtas e suas

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camisetas, seus trajes de banho ou aquelas camisas texanas ou caqui que tanto êxito pareciam ter, inclusive para ircomer em algum restaurante de moda.

Ali estava. Lissa lhe espiou enquanto ele permanecia na esquina de um dos edifícios, escondido entre as sombras justo como tinha suspeitado que faria. Harmonizava à perfeição com as figuras de ferro fundido, com tal inocência que parecia como se o mesmo artista lhe tivesse colocado ali. «estive aqui todo o tempo — parecia dizer com aquela postura — te observando enquanto não me via.» Lissa avançou para ele, mas Colin negou com a cabeça, só uma vez, e ela se deteve imediatamente, exposta agora sob a inclemência dos elementos. A chuva, quase uma ligeira bruma, decorou sua juba loiracom diminutas gotas brilhantes e cristalinas.

Lissa tinha se detido junto a uma das figuras em descida, assim tratou de atuar como se tivesse se aproximado daquele ponto para admirar a obra, um estranho conjunto de formas de ferro, idêntico ao que pendurava da salientejanela sobre sua cabeça.

O que esperava que fizesse agora?, perguntou-se Lissa. Sabia que devia obedecer à silenciosa ordem do Colin e esperar a seguinte. Mas se não permitia que se aproximasse dele, como podia saber o que desejava dela? Os olhos cinzas de Lissa se moviam de um lado para outro, dos estudantes, agora em semicírculo ao redor das esculturas no pátio principal, ao Colin, que não deixava de olhá-la.

Sentia que estava a ponto de romper a chorar em qualquer momento, embora sabia por experiência própria que fazê-lo não lhe seria de ajuda, não lhe atrairia até seu lado e possivelmentequão único conseguiria com isso seria que Colin partisse. O que queria dela?

Lissa podia ver, através das janelas do edifício, aos trabalhadores nos escritórios do museu.

Não se sentiam intimidados por todas aquelas obras a seu redor. Certamente tinham se acostumado.

Lissa o entendia, embora sempre se surpreendia da rapidez com a que alguém se volta imune à arte.

A exposição atual lhe parecia inquietante, como se tratasse dos restos metálicos de um campo de batalha, cheio de figuras disformes, algumas retorcidas em posição fetal.

Ela mesma tinha estado em uma posição similar não fazia muito, na habitação do Colin, encolhida com os joelhos contra as bochechas. Seu pálido corpo tinha tremido sob o olhar do Colin, que a observava da mesma maneira em que o fazia agora mesmo, vigiando-a mas sem deixar entrever em nenhum momento quais eram seus pensamentos. Olhadas vazias de toda emoção.

Entretanto, Colin era perfeitamente capaz de mostrar suas emoções, das exercer sobre ela. Quando isto ocorria, Lissa sempre se surpreendia da profundidade desses sentimentos, da forma em que ele conseguia expressar-se quando assim o desejava. Apesar de que sabia como esconder suas emoções até quase comportar-se como um robô, também sabia expressar dor, desejo e ira.

Estaria agora furioso?

Talvez lhe tivesse feito zangar ao dirigir-se para ele tão decididamente, com a cabeça erguida e os saltos de agulha ressonando sobre o atalho de pedra. Sua atitude tinha sido a de alguém segura de si mesmo, quase desafiante. Essas não eram qualidades que Colin apreciasse em sua relação com ela, e Lissa, apesar de todas as lições que tinha recebido prostrada a seus pés, submissa e obediente, tinha sido incapaz de reprimir esse aspecto de seu caráter. Ou talvez Colin sim apreciasse essa parte de sua personalidade porque lhe permitiria olhá-la fixamente com gesto reprovatorio, chamá-la sua pequena rebelde, sua menina insolente, e castigá-la por isso. Se Lissa não se comportasse mau, ele não teria razões para castigá-la.

Mas seria capaz de fazê-lo ali, em público? Seu corpo se estremeceu involuntariamente ante a idéia. Não seria a primeira vez que Colin a educava em um lugar público, mas nunca antes o tinha feito em um tão concorrido. De fato, sempre escolhia a convocação em função de sua tranqüilidade.

Mesmo assim, Lissa tinha aprendido a não lhe subestimar, por isso em seguida a assaltou a dúvida: o que pensava fazer com ela agora?

Em lugar de procurar Colin com o olhar, Lissa fixou sua atenção na figura que tinha mais

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perto, no chão, com a cabeça inclinada para trás e as pernas contra o peito. Se perguntou o que era que o artista pretendia expressar com aquela exposição e, enquanto tratava de decifrar seu significado, notou imediatamente como seu nervosismo desaparecia, mesmo que não fosse capaz de adivinhar as intenções do artista de forma imediata. Acaso o autor queria dizer que o mundo é como um campo de batalha? Ou talvez tratava de falar das misérias da guerra? Eram aquelas explicações muito simples ou não o suficiente?

Depois de tantos anos estudando história da arte, diseccionar muitas das obras mais

importantes da história era para a Lissa algo natural. Com a arte moderna, entretanto, tudo era mais difícil. Uma obra prima se podia estudar através de um livro, ou de uma pessoa, ou das visões de todos aqueles cujas valorações podiam ser destiladas com o fim de conseguir uma interpretação única e pessoal. Com as criações mais recentes Lissa se sentia como se avançasse a provas. Ocorria-lhe o mesmo quando tentava adivinhar os sentimentos do Colin, como se tratasse de arrancar dos objetos sua verdade. Uma simples pincelada sobre o tecido podia conter muitos significados ou nenhum absolutamente.

Marcus era incapaz de entendê-lo. Sentia que nada que pudesse criar com suas próprias mãos merecia ser considerada arte. «Olhe, isto sim que é um quadro — estava acostumado a dizer enquanto assinalava um retrato do Rembrandt ou de Vermeer, lhe mostrando com arrogância as luzes e as sombras, mesmo que ela conhecesse aquelas obras muito melhor que ele — Mas isso. —

continuava, referindo-se a outra obra de estilo vanguardista — isso não é mais que lixo.» Então lhe dava as costas e se negava a escutá-la enquanto lhe explicava a importância dos artistas modernos.

Ou por que qualquer tipo de arte vale a pena só com que chegue a uma só pessoa. Ou por que gente como Rauschenberg ou Warhol ou Mapplethorpe tinham sido capazes de expor em salas fechadas até então à arte moderna. Tinham sido exploradores no mundo da arte. Riscaram mapas e aprenderam novos idiomas.

Lissa sacudiu a cabeça para afugentar de sua mente as lembranças de suas contínuas

discussões com o Marcus.

Aquelas brigas formavam parte do passado, quase dez anos atrás, desde que se conheceram na universidade. Agora devia concentrar-se unicamente no Colin. Se não deixava que se aproximasse dele, certamente era porque tinha outros planos em mente. Colin sempre tinha planos. Lissa olhou a seu redor, tratando de pensar como ele o faria, algo que nunca lhe resultava fácil. Sempre tinha sido incapaz de controlar suas emoções. Quando queria algo, lutava até consegui-lo. E quando sentia algo, era incapaz de esconder seus sentimentos. Marcus freqüentemente se burlava dela porque não podia jogar pôquer. Não importava se suas cartas eram boas ou más, porque seu rosto nunca mentia.

Olhou em direção ao Colin. Já não estava de pé junto a aquela esquina. A teria deixado sozinha? Desesperada, deu uma volta sobre si mesma, lhe buscando com o olhar, e quase golpeando a um dos estudantes que havia a seu redor. Onde teria se metido? Sabia que estava se pondo nervosa sem motivo. Talvez tivesse se resguardado sob uma marquise para proteger-se da chuva. Ou pode que se moveu a outro ponto do pátio do museu. Girou sobre si mesma de novo, rapidamente, e então ouviu sua risada detrás dela. Colin sempre adivinhava seus movimentos, era capaz de saber o que pensava fazer inclusive antes de que ela mesma soubesse.

Era assim como ele tinha sabido que teriam uma aventura, e assim o disse o dia em que se conheceram, na Feira do Livro de Frankfurt . Colin se aproximou da barraca em que ela promocionava seu último livro de arte e, depois de situar-se furtivamente a suas costas, pressionou seus lábios contra a orelha dela.

— Esta noite estará em minha cama.

Ela se voltou para lhe olhar, para lhe golpear por sua ousadia, mas ao ver a expressão de seu rosto pensou melhor. Certamente a tinha confundido com outra pessoa. E, para sua surpresa, Lissa

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não se sentiu ofendida por suas palavras. A aparência daquele homem, com o cabelo da cor do fogo tão bem penteado e uns pequenos óculos de tartaruga marinha sobre o nariz, recordava-lhe mais a um professor que a um porco luxurioso. Vestia traje negro. A camisa e a gravata também eram negras, e o alfinete com o que sujeitava esta última era parecido a um que tinha seu marido, de que estava separada. Por alguma estranha razão, esta pequena conexão com um objeto que lhe resultava familiar fez que se sentisse mais cômoda em sua presença.

Durante os poucos segundos nos que Lissa lhe observou atentamente, tratando de formar uma opinião acertada dele, Colin permaneceu em silêncio. Por sua aparência, resultava evidente que procurava a outra pessoa, que a tinha confundido com uma amante. Sabia tudo a respeito das aventuras que se produziam durante uma feira de livros. Muita gente conectava durante os sete dias que durava o evento, encontravam um refúgio seguro longe das responsabilidades daquele imenso mercado do livro. Aquele homem podia ser perfeitamente uma daquelas pessoas. Além disso, havia outras mulheres trabalhando em sua barraca, jovens e atrativas. Talvez a tinha confundido com Enjoe. Ambas eram loiras e magras.

— Sinto-o — lhe disse, em lugar de « Desculpe?».

— É obvio que o sente — respondeu ele. — Essa é sua forma de ser.

Aquele encontro a fez sentir-se confusa e, horas mais tarde, quando se encontrou em sua cama, no hotel mais luxuoso da cidade, com uma garrafa de champanha caro, duas taças sobre a mesa e o chão coberto de pétalas de rosa, recordou o que lhe havia dito.

— Por que? — perguntou-lhe, sem estar segura de querer saber a resposta — Por que disse que essa era minha forma de ser?

Tinha os pulsos atados por cima da cabeça com a gravata de seda negra e o corpo apenas coberto com um lençol branco. Colin estava sentado na beira da cama e observava seu corpo miniatado, admirando suas curvas, com a cabeça ligeiramente inclinada. Lissa reconhecia o olhar em seus olhos, tinha-o visto freqüentemente em museus e galerias. Aquela era uma expressão internacional. Olhava-a com a fascinação com a que se admira uma obra de arte.

— Porque o é. E não pode evitá-lo. Qualquer reconheceria sua vontade de submissão.

Desculpou-se por algo que nem sequer tinha feito, disse que o sentia quando não tinha feito nada errado. Fui eu o que se comportou de uma forma grosseira contigo, que se aproximou por detrás, que te falou descaradamente, com insolência. Deveria me haver esbofeteado.

— E pensei em fazê-lo.

Aquele comentário lhe fez sorrir. E estando naquela situação, com os pulsos atados com força e sem possibilidade de escapar, Colin se inclinou sobre ela e a golpeou na bochecha direita com tanta força que Lissa caiu sobre os travesseiros. Suspirou. Outra surpresa. Entretanto, em seus olhos não havia lágrimas. Tinha gostado, porque se sentiu molhada de novo, preparada para lhe receber entre suas pernas, apesar de que acabavam de fazeramor pela segunda vez. Nada daquilo parecia ter sentido.

Como tampouco tinha tido sentido quando a tinha rodeado com seus braços no pátio do

museu, sujeitando-a com força durante um instante antes de lhe dar uma nova ordem. Pressionou os lábios contra sua orelha e lhe disse com voz doce que fosse ao restaurante que havia na esquina, que pedisse duas taças de vinho, uma para cada um, e que lhe esperasse ali. Em outro tempo, em outro lugar, a pessoa que estava acostumada a ser teria perguntado por que. Mas aquilo era parte do passado. As lições tinham sido dolorosas e ela tinha aprendido.

Colin observou a Lissa enquanto abandonava o pátio do museu, escutou o som de seus saltos, daquelas botas que ele mesmo lhe tinha comprado, contra o chão sujo e escorregadio. Não era perfeita, ainda não. Mas o seria. Lissa tinha mais potencial que qualquer das outras. Quando se deu meia volta para lhe olhar, ele tinha o sobrecenho franzido.

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Deus, como a conhecia. Todos e cada um de seus movimentos.

Capítulo Dois

Lissa pediu o vinho, mas não bebeu. Quando Colin se reunisse com ela, ambos levantariam suas taças juntos. Enquanto isso tratou de apartar as preocupações de sua mente observando a decoração do restaurante. Das paredes penduravam lâminas do pintor americano Maxfield Parrish, com sua coleção de mulheres exóticas tendidas ao bordo de escarpados, junto a fontes e baixo céus da cor do ouro. Lissa se sentiu melhor, mais tranqüila, rodeada por todas aquelas imagens cheias de colorido. A arte do Parrish tinha como objetivo acalmar ao espectador, e inclusive depois de tantos anos, suas pinturas conseguiam precisamente esse efeito sobre ela.

Logo deixou de observar os quadros para fixar-se nos casais que tinha a seu redor.

Freqüentemente se perguntava se haveria mais gente com relações parecidas com a sua com o Colin.

Fixou sua atenção em uma garota morena e muito bonita que levava um pulôver de pescoço alto de cor carmesim. Acaso seria como Lissa? Estaria nervosa, preparada para receber a seu amante em um encontro secreto? E se era assim, o fazia seu amante as coisas que Colinfazia a ela? Açoitava-a?

Atava-a? Atormentava-a com os métodos mais decadentes imagináveis?

«O mais provável é que não», disse-se Lissa olhando a seu redor. O mais provável é que o resto dos clientes fossem empregados das lojas da zona que passavam uns minutos de descanso com um sanduíche vegetariano ou de frango e uma boa revista. Lissa observou sua própria imagem no espelho que havia sobre a barra do bar. Ninguém aparentava o nervosismo e a falta de segurança que ela sentia. A chuva tinha despenteado sua juba e criado pequenos cachos. Suas bochechas tinham avermelhado, como se já tivesse apurado a taça de Merlot.

Apesar de que o ambiente na cafeteria era agradável, Lissa apenas se sentia mais cômoda que no museu. Colin estava zangado com ela e, sabendo-o, não conseguia relaxar por completo. Quanto tempo pensava fazê-la esperar? A idéia de encontrar-se no museu tinha sido dela. Lhe tinha ocorrido depois de ler um artigo sobre a exposição. Pensou que só encontrariam a uns poucos atrasados e não a horda escolar que alagavam o pátio do museu. Pela crítica que tinha lido, aquela exposição parecia pouco apropriada para meninos. Nunca teria imaginado que um professor a escolheria para uma excursão uma quarta-feira pela tarde.

Contudo, Colin gostava dos lugares públicos e tocava a Lissa escolher um. Gostavam

especialmente dos lugares onde alguém pudesse descobri-los. Adorava empurrá-la contra o frio muro de pedra de algum edifício com trezentos anos de antigüidade, beijá-la na boca até lhe deixar os lábios inchados, com as mãos sob sua blusa, lhe beliscando os mamilos, cravando as unhas em seu ventre liso. Tinham-no feito sob pontes, com o ruído ensurdecedor de carros sobre suas cabeças, ou a meia-noite em um escuro beco perto do apartamento. Mas como era um médico de reconhecido prestígio, Colin devia controlar seus impulsos e não mostrar-se em público como o exibicionista que Lissa sabia que era. Normalmente era ele o que escolhia as convocações para seus jogos, já que conhecia a cidade muito melhor que ela e era capaz de encontrar becos e parques desertos com facilidade. Ela não estava acostumada ter a mesma sorte.

— Toca-te — lhe dizia com um meio sorriso de suficiência nos lábios — Encontra um lugar e me diga quando nos vemos ali.

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Com aquela simples petição, Lissa era presa de um estado de nervosismo contínuo. Folheava guias de viagens em busca do lugar ideal, perguntava a alguns de seus conhecidos em Londres, sempre tratando de dissimular para que ninguém descobrisse suas verdadeiras intenções. Não podia expressar abertamente «Preciso encontrar um lugar um pouco afastado para que meu namorado me foda». Colin, evidentemente, era consciente da dificuldade de seus encargos e parecia desfrutar com o nervosismo de Lissa quase tanto como desfrutava com o ato em si quando finalmente ela encontrava um lugar adequado.

O lugar escolhido para hoje não tinha resultado uma boa eleição e por isso Lissa se sentiu ainda mais insegura ao verColin entrando no restaurante. A próxima vez se esforçaria mais. Tinha várias possibilidades em mente: o terraço do edifício no que viviam, os banhos de seu restaurante favorito.. Hoje tinha tentado ser original e olhe o que tinha conseguido.

Observou ao Colin enquanto deixava o guarda-chuva no parapinos de porcelana branca e azul que havia junto à porta e logo se dirigia lentamente para a mesa. Seu rosto mostrava uma daquelas expressões indecifráveis. Lissa não sabia se estava aborrecido com ela, embora lhe conhecia o suficiente para pensar que assim era. Sentiu que a percorria por dentro aquela umidade tão familiar e apertou as coxas fortemente baixo a ajustada saia negra, como tratando de evitar um acidente. Às vezes, antes de um de seus encontros, e com o que aquela palavra podia chegar a significar, sentia aquela sensação entre as pernas. Esta vez, com seus frios olhos verdes sobre ela, pôde visualizá-lo, o atoleiro formando-se debaixo de sua cadeira, sobre o brilhante chão de madeira, e a forma em que Colin riria ao sabê-la envergonhada. Ele desfrutava com seu desconforto e assim o fez saber uma vez. «Parece tão segura — lhe havia dito — guiando às pessoas pelas salas de um museu, lhes explicando os pensamentos mais íntimos do artista. Mas é tão fácil te fazer perder o equilíbrio... Um simples sopro e se derruba.»

Seus olhos, em calma como a superfície de um lago, piscaram por um instante, enquanto se sentava, como se lhe enviassem uma mensagem. Lissa tratou de decifrá-lo sem êxito. Estava zangado? Ou talvez não? Antes de lhe dirigir a palavra levantou sua taça e tomou um sorvo de vinho.

Depois, para surpresa e alívio de Lissa, sorriu; um sorriso que se contagiou primeiro a seus olhos e logo a seus lábios, e lhe imitou, pensando inocentemente que tudo ia bem.

Colin escolheu esse momento para inclinar-se sobre a mesa e sussurrar, como quem

transmite uma mensagem secreta:

— Foste uma menina muito má, Lissa. Parece que você gosta dos castigos. Deve desfrutar com eles.

O sorriso da Lissa desapareceu imediatamente. A cor rosada que até esse momento tingia suas bochechas se converteu de repente em um vermelho intenso. Em um gesto de puro nervosismo, levou uma mão tremente ao pescoço, sobre o vazio que se formava entre as clavículas, e sentiu o batimentoagitado de seu coração.

— Recorda o que acontece com as meninas más? — perguntou Colin. Sem lhe dar tempo a

responder, continuou — Seguro que o recorda, Lissa. Não aconteceu tanto tempo da última vez que te tive sobre meu regaço, verdade?

Ela assentiu instintivamente para logo negar com a cabeça. Qual era a resposta correta? Sim?

Não? Não estava segura. Nunca o estava. Quão único tinha sabor de ciência certa era que Colin desfrutava atormentando-a, que jogava com ela, burlava-se e sempre se saía com a sua.

Continuou mofando-se dela com um fio de voz, quase como se queria tranqüilizá-la. Não em vão estava acostumado a tratar com seus pacientes, e era algo que lhe dava muito bem.

— O que acontece com as meninas más, Lissa? — perguntou. E, ainda com maior doçura,

assegurando-se de que ninguém mais lhe ouvisse, acrescentou. — O que acontece com minha pequena menina má?

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Lissa suspirou. Não queria responder a sua pergunta. Dizer aquelas palavras em voz alta sempre fazia que parecessem mais reais que quando unicamente revoavam em sua cabeça.

— Me diga — insistiu, e sua voz descendeu outro nível mais, trocando de tom, deixando claro que esperava uma resposta. Imediatamente.

— As meninas más são castigadas — respondeu ela, rezando em silêncio, desejando que suas palavras fossem suficiente. Mas não o eram. Do mesmo modo que sua natureza a levava a submeter-se a sua vontade, a do Colin sempre queria mais dela, empurrava-a até a borda do precipício, mantinha-a em um precário equilíbrio.

— Como? — perguntou ele.

Ela agachou a cabeça e desejou que estivessem em seu apartamento, que ele não se sentisse tão cativado pela idéia de jogar em lugares públicos. Sim, punha-lhe quente a idéia de que a olhassem, de estar exposta, mas o ato em si lhe resultava muito difícil. encontrou-se de novo com o reflexo de seu rosto, esta vez cabeça baixa em uma colher de prata, e pôde distinguir o reflexo púrpura de suas bochechas. Sua pele era tão fina que quando se ruborizava as marcas lhe percorriam o rosto até a linha do decote.

— Açoitará-me — respondeu ela, falando ainda em voz baixa.

— Me fale mais disso — exigiu Colin, desfrutando abertamente da situação. Tomou outro sorvo de vinho e se recostou ligeiramente sobre o respaldo da cadeira, de modo que ela soubesse por aquele gesto que esperava ouvi-la falar em um tom mais razoável. Lissa já tinha passado por aquilo antes, mas mesmo assim nunca lhe resultava fácil.

— Levará-me de volta ao apartamento — continuou, o que tão somente era uma esperança, porque em ocasiões a tinha açoitado em público, mas além de ameaçá-la fazendo-o, estava acostumado a desfrutar daqueles prazeres unicamente de noite. — Me dirá que tire a calcinha e logo me dará uns açoites.

— Com o que?

As lágrimas se acumulavam nos olhos da Lissa.

— Sinto-o — se desculpou, incapaz de controlar-se.

— Não o sinta — respondeu ele. — Sabe que não me importa que chore.

Inclinou-se de novo sobre a mesa para apanhar uma lágrima antes de que rodasse pela

bochecha da Lissa. Recordava lhe haver ouvido dizer que as lágrimas realçavam sua beleza, antes de aparecer e quando já eram reais e se deslizavam por seu rosto. Tinha-lhe explicado que gostava daquela expressão em seus olhos anterior ao choro, mas que preferia as lágrimas fruto da dor que lhe infligia. Aquelas, segundo Colin, eram as mais sinceras porque as tinha ganho.

— O que utilizarei para te açoitar? — continuou ele, retomando o fio da conversação.

Lissa suspirou de novo, profundamente, e o ar tremeu em seus lábios.

Resultava-lhe quase impossível falar abertamente de suas necessidades e de seus desejos.

Sim, tinha escrito suas fantasias sexuais em um diário, mas era incapaz de deixar-se levar mais à frente. Jamais tinha considerado sequer a possibilidade dedizer ao Marcus o que queria que lhe fizesse. Só a idéia lhe resultava humilhante.

Por culpa de seu acanhamento, Lissa logo que havia sentido um orgasmo antes de sua relação com o Colin, ao menos não da forma em que as atrizes pareciam os ter na grande tela, gemendo, suspirando, com as bochechas rosadas. O único que lhe tinha proporcionado um prazer similar era a arte, e por isso, como historiadora que era, passava horas percorrendo museus e galerias, sempre desejando descobrir uma nova obra prima.

E Colin a tratava como se ela fosse a obra prima.

Era estranha a forma em que ele sempre parecia adivinhar seus desejos, algo que quisesse.

Encarregava-se de tudo, consciente como era de que seus desejos sempre superavam os seus medos.

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Lissa queria revelar seus segredos, ser má, ser decadente. E com o Colin era capaz de entregar-se por completo, como ele queria que fizesse naquele preciso momento.

— Com o que? — perguntou ele.

— Com uma pá1 — respondeu ela em voz baixa, brincando incontrolável com os dedos sobre a saia, com o queixo quase tocando o peito.

— Com sua pá especial — replicou ele, e em sua voz se adivinhava um sorriso, mais sinistro ainda que o que lhe tinha devotado a sua chegada ao restaurante.

Lissa retorceu a aliança de platina que levava no dedo anelar sem deixar de observá-la, como se despertasse nela uma fascinação especial, incapaz de lhe olhar aos olhos.