A certificação como estratégia para a melhoria da qualidade de pisos de madeira por Ariel de Andrade - Versão HTML

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Universidade de São Paulo

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”

A certificação como estratégia para a melhoria da qualidade de

pisos de madeira

Ariel de Andrade

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor

em Ciências, Programa: Recursos Florestais. Opção

em: Tecnologia de Produtos Florestais

Piracicaba

2014

Ariel de Andrade

Engenheiro Florestal

A certificação como estratégia para a melhoria da qualidade de pisos de

madeira

versão revisada de acordo com a resolução CoPGr 6018 de 2011

Orientador:

Prof. Dr. MARCOS MILAN

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor

em Ciências, Programa: Recursos Florestais. Opção

em: Tecnologia de Produtos Florestais

Piracicaba

2014

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação

DIVISÃO DE BIBLIOTECA - DIBD/ESALQ/USP

Andrade, Ariel de

A certificação como estratégia para a melhoria da qualidade de pisos de

madeira / Ariel de Andrade.- - versão revisada de acordo com a resolução CoPGr

6018 de 2011. - - Piracicaba, 2014.

127 p: il.

Tese (Doutorado) - - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, 2014.

1. Gestão da qualidade 2. Normas técnicas 3. Selo de qualidade 4. Auditorias

5. Pisos de madeira I. Título

CDD 674.8

A553c

“Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte -O autor”

3

Para minha mãe

“TEREZINHA DE JESUS ARAÚJO DE ANDRADE”

Dedico...

4

5

AGRADECIMENTOS

 Aos Profs. Marcos Milan e Ivaldo Pontes Jankowsky, pela orientação,

compreensão e amizade;

 À Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo

e Programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais, pela oportunidade;

 Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da

ESALQ/USP e Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, pelos

conhecimentos transmitidos;

 À ANPM – Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira e empresas

associadas, pela oportunidade de trabalho e fornecimento de informações;

 À ITTO – International Tropical Timber Organization, que forneceu apoio

financeiro ao Projeto PIMADS – Piso de Madeira Sustentável onde o presente

trabalho está inserido;

 Aos amigos da ANPM, Pós-Graduação, de Piracicaba e Brasília pela amizade e

convivência;

 Às pessoas que de alguma maneira contribuíram para realização deste trabalho.

6

7

SUMÁRIO

RESUMO......................................................................................................... 9

ABSTRACT...................................................................................................... 11

LISTA DE FIGURAS........................................................................................ 13

LISTA DE TABELAS........................................................................................ 15

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................... 17

1 INTRODUÇÃO............................................................................................. 19

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA......................................................................... 21

2.1 Qualidade – aspectos gerais.................................................................... 22

2.1.1 Histórico e conceitos.............................................................................. 23

2.1.2 A qualidade e o setor de pisos de madeira............................................ 26

2.2 Programas de certificação da qualidade e sistemas de gestão................ 30

2.2.1 Exemplos de programas e sistemas relacionados à qualidade............. 35

2.2.2 Ferramentas e modelos para analisar programas de certificação......... 39

2.3 Desenvolvimento do programa de certificação da qualidade para pisos

de madeira................................................................................................. 44

2.3.1 Normas técnicas relacionadas a pisos de madeira..............................

45

2.3.2 Selos de conformidade e qualidade.....................................................

48

3 MATERIAL E MÉTODOS............................................................................. 51

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................... 59

4.1 Informações gerais.................................................................................... 59

4.2 Avaliação da evolução da qualidade em pisos de madeira...................... 61

4.2.1 Defeitos.................................................................................................. 62

4.2.2 Espessura.............................................................................................. 66

4.2.3 Largura................................................................................................... 67

4.2.4 Umidade................................................................................................. 68

4.3 Comparação entre produtos de empresas certificadas e não certificada. 71

4.3.1 Defeitos.................................................................................................. 75

4.3.2 Espessura.............................................................................................. 80

4.3.3 Largura................................................................................................... 86

4.3.4 Umidade................................................................................................. 93

4.4 Considerações gerais............................................................................... 99

5 CONCLUSÕES............................................................................................ 103

8

REFERÊNCIAS................................................................................................ 105

ANEXOS.......................................................................................................... 111

9

RESUMO

A certificação como estratégia para a melhoria da qualidade de pisos de

madeira

As empresas brasileiras fabricantes de produtos de madeira de maior valor

agregado apresentam obstáculos que dificultam o seu desenvolvimento e aumento

da competitividade. Um deles consiste na carência de estratégias e procedimentos

relacionados à qualidade. Historicamente, os produtos de madeira fabricados no

Brasil são diferentes, não apresentando padronização, e as iniciativas existentes

relacionadas à melhoria da qualidade são poucas. No caso dos pisos de madeira,

essa falta de padrões e iniciativas favorece a comercialização de produtos

inadequados que provavelmente apresentarão problemas, desestimulando o uso e

prejudicando comercialmente todo o setor. Nesse sentido, a Associação Nacional

dos Produtores de Pisos de Madeira – ANPM desenvolveu um programa de

certificação buscando a melhoria da qualidade dos produtos, entretanto, a

efetividade desse programa é desconhecida. Assim, o objetivo do presente trabalho

foi analisar os efeitos da implantação de um programa de certificação na qualidade

do produto piso de madeira. Para tanto, os procedimentos da pesquisa envolveram o

levantamento de informações das auditorias contidas no banco de dados da ANPM,

consultas a normas / especificações disponíveis, análises envolvendo a evolução de

qualidade, realização de auditorias simuladas e comparações entre empresas

certificadas e não certificadas. Itens geradores de não conformidades como

umidade, dimensões e defeitos foram analisados utilizando estatística descritiva e

ferramentas básicas diversas incluindo gráficos de distribuição, histogramas e

desvios padrões. Os resultados mostraram que a implantação do programa de

certificação impactou de forma positiva melhorando o padrão de qualidade dos pisos

de madeira e que apenas as empresas certificadas conseguiram atender os

requisitos exigidos pelas normas técnicas. Adicionalmente, as informações obtidas

nas auditorias do programa permitiram identificar os problemas no processo

produtivo, a necessidade de ações corretivas para a solução desses problemas e a

maior dificuldade de controle para o item umidade. A conclusão geral é que o

programa de certificação contribuiu para a melhoria da qualidade dos pisos de

madeira.

Palavras-chave: Gestão da qualidade; Normas técnicas; Selo de qualidade;

Auditorias; Pisos de madeira

10

11

ABSTRACT

Certification as a strategy for quality improvement of wood flooring

Brazilian manufacturers of higher value-added wood products face obstacles

that hinder their development and the increase in competitiveness. A major hindrance

is the lack of strategies and procedures related to quality. Historically, wood products

manufactured in Brazil are different, have no standardization and there are few

existing initiatives regarding quality improvement. For wood flooring, the lack of

standardization and initiatives favors the commercialization of unsuitable products

that may present problems, discouraging their use and damaging commercially the

whole sector. In this sense, the National Hardwood Flooring Association – ANPM

developed a certification program seeking to improve product quality; however, the

effectiveness of this program is unknown. This study aimed to analyze the effects of

implementing a certification program to product quality for wood flooring. The

research procedures involved the survey of information from the ANPM audit

database, consultations the standards / specifications available, analysis of quality

evolution aspects, simulated audits and comparisons between certified and non-

certified companies. Items that generate nonconformities such as moisture,

dimensions and defects using descriptive statistics and basic tools including various

distribution graphs, histograms and standard deviations were analyzed. The results

showed that the implementation of the certification program improved the standard

for wood flooring quality and only certified companies were able to meet the

requirements of the technical standards. Additionally, the information obtained from

audits identified problems in the production process, the need for corrective actions

to resolve these problems and major obstacle to control moisture. The general

conclusion is that the certification program contributed to improving wood flooring

quality.

Keywords: Quality management; Technical standards; Quality stamp; Audits; Wood

flooring

12

13

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fluxograma de etapas realizadas para a análise da qualidade...... 52

Figura 2 - Resumo dos procedimentos das auditorias..................................... 53

Figura 3 - Exemplos de procedimentos realizados durante as auditorias....... 56

Figura 4 - Resultados gerais da evolução da qualidade.................................. 61

Figura 5 - Resultados da evolução da qualidade para defeitos....................... 62

Figura 6 - Defeitos em pisos de madeira encontrados em todas as

auditorias realizadas....................................................................... 63

Figura 7 - Resultados da evolução da qualidade para espessura................... 66

Figura 8 - Resultados da evolução da qualidade para largura........................ 67

Figura 9 - Resultados da evolução da qualidade para umidade...................... 68

Figura 10 - Distribuição dos índices de conformidade para umidade.............. 69

Figura 11 - Comparação entre empresas certificadas e não certificadas........ 72

Figura 12 - Comparação entre pior empresa certificada e melhor empresa

não certificada............................................................................... 74

Figura 13 - Resultados das avaliações em empresas não certificadas........... 75

Figura 14 - Defeitos em pisos de madeira encontrados em empresas não

certificadas.................................................................................. 76

Figura 15 - Comparação de defeitos em pisos de madeira encontrados em

empresas certificadas e não certificadas...................................... 78

Figura 16 - Resultados da qualidade para espessura..................................... 80

Figura 17 - Medições de espessura em uma empresa certificada.................. 81

Figura 18 - Medições de espessura em uma empresa não certificada........... 81

Figura 19 - Classes de espessura para uma empresa certificada................... 83

Figura 20 - Classes de espessura para uma empresa não certificada............ 83

Figura 21 - Tipos de distribuição das medições de espessura........................ 84

Figura 22 - Resultados de conformidades para espessura............................. 86

Figura 23 - Resultados da qualidade para largura........................................... 87

Figura 24 - Medições de largura em uma empresa certificada........................ 88

Figura 25 - Medições de largura em uma empresa não certificada................. 88

Figura 26 - Classes de largura para uma empresa certificada........................ 89

Figura 27 - Classes de largura para uma empresa não certificada................. 90

Figura 28 - Tipos de distribuição das medições de largura............................. 91

Figura 29 - Resultados de conformidades para largura................................... 92

14

Figura 30 - Resultados da qualidade para umidade........................................ 93

Figura 31 - Medições de umidade em uma empresa certificada..................... 94

Figura 32 - Medições de umidade em uma empresa não certificada.............. 94

Figura 33 - Classes de umidade para uma empresa certificada...................... 95

Figura 34 - Classes de umidade para uma empresa não certificada............... 96

Figura 35 - Tipos de distribuição das medições de umidade........................... 97

Figura 36 - Resultados de conformidades para umidade................................ 98

15

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Auditorias realizadas por estado..................................................... 59

Tabela 2 - Classificação das empresas auditadas........................................... 60

Tabela 3 - Número de empresas e de auditorias realizadas por ano.............. 60

Tabela 4 - Tipos de defeitos em pisos de madeira encontrados em

empresas certificadas e não certificadas.................................... 78

16

17

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABIC

Associação Brasileira da Indústria do Café

ABICAB

Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim,

Balas e Derivados

ABIMCI

Associação

Brasileira

da

Indústria

da

Madeira

Processada

Mecanicamente

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

ANPM

Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira

APAWOOD The Engineered Wood Association

CEN

Comitê Europeu de Normalização

CEP

Controle Estatístico de Processo

CLA

Canadian Lumbermenś Association

CQ

Controle da Qualidade

CWQC

Company Wide Quality Control

FEP

European Federation of Parquet Industry

FMEA

Análise de Modo e Efeitos de Falha

FNQ

Fundação Nacional da Qualidade

FUNCEX

Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior

IDHEA

Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica

INMETRO

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia

ISO

International Organization for Standardization

JIS

Japanese Industrial Standards

MFMA

Maple Flooring Manufacturers Association

NOFMA

National Oak Flooring Manufacturers Association

NWFA

National Wood Flooring Association

PBQP-H

Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat

PDCA

Planejar – Fazer – Checar – Agir

PIB

Produto Interno Bruto

PMVA

Produtos de Madeira de Maior Valor Agregado

PNQ

Prêmio Nacional da Qualidade

PNQM

Programa Nacional da Qualidade da Madeira

PQ

Programa de Certificação da Qualidade

PSF

Ponto de Saturação das Fibras

18

QS

Quality System Requirements

SEBRAE

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

SBAC

Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade

SINMETRO Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial

STP

Sistema Toyota de Produção

TQC

Controle da Qualidade Total

TQM

Gestão da Qualidade Total

19

1 INTRODUÇÃO

No setor florestal brasileiro, as empresas de uma forma geral se caracterizam

por exportar principalmente matéria-prima, de baixo valor agregado, o que não é

interessante do ponto de vista econômico e social. As empresas brasileiras

fabricantes dos chamados Produtos de Madeira de Maior Valor Agregado (PMVA)

ainda são bastante incipientes em relação à agregação de valores quando

comparadas com outros setores produtivos sendo necessária a adoção de

estratégias e ações para o seu adequado desenvolvimento. A importância das

empresas de PMVA está diretamente relacionada com a maior geração de renda e

empregos e, consequentemente, com o crescimento e desenvolvimento do país.

Quanto maior o grau de elaboração de um produto, maior será o valor a ele

agregado e maiores os benefícios econômicos e sociais para o país produtor. Como

obstáculos que dificultam o desenvolvimento das empresas de PMVA pode-se citar

as crises internacionais, problemas cambiais, carência de matéria-prima legal,

elevada carga tributária, alto custo de produção, falta de incentivos governamentais

e burocracia.

Outro aspecto que provavelmente contribui para dificultar o desenvolvimento

dos PMVA é a carência de estratégias e procedimentos relacionados à qualidade

dos produtos. Historicamente, a qualidade de produtos de madeira das empresas

brasileiras é bastante variável, não apresentando padronização e as iniciativas

existentes relacionadas à qualidade são poucas. A grande maioria das empresas

não possui capacidade para manufaturar produtos com padrões de qualidade e,

logicamente, com maior valor agregado. Elas não se utilizam de equipamentos,

procedimentos e recursos humanos devidamente adequados e capacitados,

gerando produtos de qualidade inferior, inconstantes, desuniformes ou

despadronizados.

Nas circunstâncias atuais, um certo nível de profissionalização das empresas

é fundamental considerando todo o processo de manufatura e a própria gestão do

negócio, contribuindo assim para a melhoria da qualidade dos produtos, a satisfação

dos clientes, sua permanência no mercado e crescimento.

Os pisos de madeira, que são considerados PMVA, necessitam de um padrão

de qualidade mínimo para serem comercializados e utilizados. A inexistência de

padrões e procedimentos relacionados à qualidade favorece a concorrência desleal

20

que comercializa produtos muitas vezes inadequados para utilização. Esses

produtos mal elaborados, muito provavelmente apresentarão problemas,

desestimulando o uso dos pisos e prejudicando comercialmente todo o setor. Além

disso, eles também contribuem para um aumento nos desperdícios de materiais e

ocorrência de resíduos, gerando um grave passivo ambiental. No caso de pisos de

madeira, torna-se extremamente necessária a adoção de padrões de qualidade e

meios para garanti-los.

Nesse sentido, a Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira -

ANPM desenvolveu um Programa de Certificação da Qualidade (PQ) buscando a

melhoria da qualidade dos produtos das empresas associadas. O grande desafio da

implantação do PQ foi o de estabelecer normas técnicas e procedimentos que

pudessem ser executados pelas empresas e, ao mesmo tempo, atender as

diferentes necessidades e demandas dos mercados, interno e externo. A

consolidação de uma marca de qualidade junto aos consumidores pode contribuir

significativamente para a credibilidade do setor no país e perante o mercado

internacional. O principal impacto esperado com o estabelecimento do PQ é criar a

mentalidade da competição por qualidade em substituição a competição por preços.

Entretanto, torna-se necessário saber se o PQ efetivamente contribuiu para a

melhoria da qualidade dos produtos. Teoricamente, a adoção de programas

relacionados à qualidade promove a melhoria dos processos de manufatura e a

manutenção da qualidade dos produtos, gerando benefícios globais para as

empresas. Assim sendo, o objetivo do presente trabalho foi analisar os efeitos da

implantação de um programa de certificação na qualidade do produto piso de

madeira.

21

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Do ponto de vista social e econômico, o setor florestal contribui de forma

significativa para a geração de renda e empregos no Brasil. De acordo com a

Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente - ABIMCI

e Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal – FNBF (2013), a indústria de

base florestal contribuiu, em 2012, com 1,47% do Produto Interno Bruto (PIB)

nacional o que corresponde a US$ 33,1 bilhões. Também gerou 735,7 mil empregos

diretos formais o que corresponde a 1,60% do total nacional. Entretanto,

considerando a vocação florestal do país, a participação é pequena nos mercados

internacional e doméstico principalmente relacionada a Produtos de Madeira de

Maior Valor Agregado (PMVA).

No caso dos pisos de madeira, a pequena produção e participação também é

um fato. Países como a China, Indonésia, Malásia e Áustria apresentam volumes de

exportação bem superiores do que o Brasil. Em termos percentuais, o Brasil

representa menos de 5,0% da produção de pisos de madeira (sólidos e laminados).

No caso do mercado doméstico, o consumo também é pequeno. Em 2010, a

participação de todos os pisos feitos a base de madeira, não atingiu a 3,0% do total

do consumo de revestimentos, enquanto os pisos cerâmicos e porcelanatos

representaram cerca de 90,0% (ANDRADE, 2011).

Em relação aos aspectos ambientais, a baixa utilização de produtos de

madeira, incluindo os pisos, também contribui para a ocorrência de problemas, pois

incentiva o uso de materiais menos ecológicos. A madeira é um dos materiais

ambientalmente mais corretos, pois é reciclável, reutilizável, fixa carbono da

atmosfera e provém de fontes renováveis, que são as florestas. Adicionalmente, de

acordo com o Centro Gestor de Inovação Moveleiro - CGIMOVEIS (2011), a madeira

é um dos materiais que consomem menos energia para sua produção.

Os pisos de madeira sólida são produzidos principalmente a partir de

espécies tropicais oriundas da floresta amazônica que, já há algum tempo, é um

motivo para debates nacionais e internacionais. As florestas são uma excelente fonte

de recursos e trabalho para a população brasileira. A agregação de valor aos

produtos, como no caso dos pisos de madeira, é um fator que contribui

significativamente com o manejo sustentável das florestas, pois caso a floresta perca

o seu valor econômico, ela tenderá a ser convertida para outros usos. Segundo

22

Jankowsky, Luiz e Andrade (2004), os pisos de madeira podem apresentar uma

agregação de valor superior a 190,0% em relação à madeira serrada bruta.

Resumidamente, quanto maior o valor econômico dos recursos florestais, mais se

contribui para a manutenção das florestas em pé, garantindo a sua utilização de

forma sustentável.

Constata-se assim a importância social, econômica e ambiental do setor de

pisos de madeira para o Brasil e a necessidade de buscar a redução ou eliminação

de problemas que dificultam o desenvolvimento de toda a sua cadeia produtiva.

2.1 Qualidade – aspectos gerais

De acordo com Cerqueira Neto (1991), aspectos relacionados a gestão da

qualidade resultaram em grandes transformações, tendo como principais benefícios

melhoria na qualidade de produtos, redução de perdas e custos de operação,

redução dos estrangulamentos das linhas de produção, disponibilidade de dados

relevantes para as atividades de marketing da empresa e, principalmente, para

diminuição de barreiras técnicas e aumento da competitividade.

Qualidade consiste em um aspecto fundamental na decisão do consumidor