A elaboração de um dicionário terminológico da economia: aspectos da sinonímia nos discursos... por Mariangela de Araujo - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas

Programa de Filologia e Língua Portuguesa

A ELABORAÇÃO DE UM DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO

DA ECONOMIA: ASPECTOS DA SINONÍMIA NOS

DISCURSOS ESPECIALIZADOS

MARIÂNGELA DE ARAÚJO

Tese apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Filologia e Língua Portuguesa,

do Departamento de Letras Clássicas e

Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas da Universidade de São

Paulo, para a obtenção do título de Doutor em

Letras.

Orientadora: Profa. Dra. Ieda Maria Alves

SÃO PAULO

2006

Ao meu pequeno Sávio, que, com sua alegria e

seu encantador e inspirador sorriso, foi meu

maior incentivador.

2

AGRADECIMENTOS

A Deus, pela vida, pelas oportunidades e, sobretudo, pelas pessoas que têm

colocado em meu caminho, sem as quais nada teria sentido;

Aos meus pais, Marcelino e Maria Luiza, pelo incentivo, pelo amor que me dedicam

e pelo auxílio durante os momentos difíceis, pois sem isso eu não poderia chegar até aqui;

Às minhas irmãs, Marcia e Marília, pelo apoio e pela colaboração não só durante a

elaboração deste trabalho, mas durante toda a vida;

Ao meu marido, Paulo, pelo incentivo, pela colaboração e pelo companheirismo que

me dedicou, sem o que a conclusão deste trabalho teria sido inviável;

Ao meu filho, Sávio, que, mesmo tão pequenino, soube compreender meus

momentos de dedicação ao trabalho e colaborar com sua tranqüila presença;

À Prof.a Ieda, por todas as orientações, pela confiança que sempre demonstrou em

meu trabalho, pela paciência e pela amizade que construímos durante todos esses anos de

trabalho;

A todos os atuais e antigos membros do Projeto “Observatório de Neologismos

Científicos e Técnicos do Português Contemporâneo do Brasil – TermNeo”, pelos

preciosos debates científicos, por tudo que fizeram em favor desta Tese e pela amizade que

me dedicam;

Ao Prof. Adriano Biava, pela assistência, pelo tempo dedicado a nos explicar os

conceitos econômicos e pelas contribuições a este trabalho;

Às Prof.as Maria Aparecida Barbosa e Maria Tereza Camargo Biderman, pelas

contribuições em minha formação e em minhas pesquisas;

À Universidade de São Paulo, pela formação que me ofereceu e pela possibilidade

de lecionar e de continuar desenvolvendo minhas pesquisas;

À FAPESP, pelo financiamento deste projeto;

E a todos os amigos e familiares que, de diferentes maneiras, contribuíram nas

diversas etapas deste trabalho.

3

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar a sinonímia presente nos

textos especializados que versam sobre a Economia, mais especificamente nas subáreas de

Finanças Públicas e Microeconomia, para, a partir desses dados, propor uma rediscussão do

fenômeno no âmbito da Terminologia, que, por muito tempo, viu na sinonímia um

empecilho para a exatidão na comunicação especializada e, por isso, buscou o ideal da

biunivocidade entre termo e conceito – a um conceito deveria ser atribuído um único termo

e vice-versa.

Para se fazer o levantamento dos termos sinônimos, utilizou-se um corpus

constituído por manuais, livros, artigos de periódicos e teses, usados como bibliografia

básica nos cursos de graduação em Economia, da Universidade de São Paulo, da

Universidade de Campinas e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tal corpus

está também sendo utilizado na elaboração de um dicionário terminológico da Economia,

voltado para os estudantes dessa área do saber.

Para as reflexões teóricas, tomou-se como base tanto estudos sobre o fenômeno no

âmbito da Semântica e da Lexicologia (Ullmann, Baldinger, Lyons, Niklas-Salminen, entre

outros) quanto no âmbito da Terminologia (Wüster, Kocourek, Cabré, Alves, Auger,

Boulanger, Temmerman, Aymerich, Contente, entre outros).

Com base na análise dos dados e nas reflexões teóricas apresentadas, pôde-se, além

de fazer uma descrição e análise das diferentes formas assumidas pelos termos sinônimos

na Economia, chegar a uma abordagem da sinonímia diferente da tradicionalmente

encontrada nos estudos terminológicos sobre o tema. Pôde-se demonstrar que os termos

sinônimos mostram-se muitas vezes funcionais no discurso especializado analisado,

contrariando a tese de que seriam empecilhos para uma comunicação eficiente e, por isso,

deveriam ser eliminados desse tipo de discurso.

Palavras-chave: Economia; Semântica; sinonímia; termo; Terminologia.

4

ABSTRACT

This research aims at describing and analyzing the synonymy present in technical

texts that deal with Economics, specifically the sub-areas of Public Finances and

Microeconomics, in order to propose a re-discussion of the phenomenon in the scope of

Terminology, which, for a long time, has considered synonymy as an impediment to the

exactitude of specialized communication and, because of this, has sought the ideal of

biunivocity between term and concept – a concept corresponds to just one term and vice-

versa.

In order to conduct the investigation of the synonymous terms, it was used a

corpus constituted by manuals, books, periodical articles and thesis, utilized as basic

bibliography in university courses on Economics at Universidade de São Paulo,

Universidade de Campinas and Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. This corpus

is also being used in the development of a terminological dictionary of Economics, directed

to students of this area of knowledge.

The theoretical reflections have been based upon studies of the phenomenon both

in the scope of Semantics and Lexicology (Ullmann, Baldinger, Lyons, Niklas-Salminen,

amongst others) and in the scope of Terminology (Wüster, Kocourek, Cabré, Alves, Auger,

Boulanger, Temmerman, Aymerich, Contente and so on).

Based on the analysis of the data and on the theoretical reflections, it was possible

not only to develop a description and an analysis of the different forms assumed by the

synonymous terms in Economics, but also to reach a new approach to synonymy different

from the one that is traditionally found in the terminological studies about the topic. It was

possible to demonstrate that the synonymous terms have been shown to be very functional

in the specialized discourse in question, refuting, in his way, the thesis that synonyms are

impediment to an efficient communication and, therefore, should be eliminated from this

sort of discourse.

Key words: Economics; Semantics; synonymy; term; Terminology.

5

SUMÁRIO

I.

INTRODUÇÃO.................................................................................................. 8

1. Por que uma Tese sobre a sinonímia?.............................................................9

2. Uma metodologia para o estudo da sinonímia nos textos especializados.....11

3. A constituição da Tese..................................................................................15

II.

A SINONÍMIA NOS ESTUDOS LINGÜÍSTICOS.......................................17

1. Como e sob que pontos de vista se pode definir a sinonímia........................18

2. A sinonímia no âmbito dos estudos semânticos............................................20

3. A sinonímia no âmbito dos estudos lexicológicos........................................28

III.

A SINONÍMIA NOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS..............................32

1. O conceito de sinonímia em Terminologia...................................................33

2. A sinonímia na Teoria Geral da Terminologia.............................................36

3. A sinonímia nos estudos terminológicos recentes: a Socioterminologia, a

Teoria Comunicativa da Terminologia e a Teoria Sociocognitiva da

Terminologia.................................................................................................41

4. Estudos terminológicos recentes sobre a sinonímia......................................45

5. Sinonímia ou variação: as diferentes aplicações desses conceitos no estudo

terminológico................................................................................................56

IV.

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS TERMOS SINÔNIMOS.................64

1. A presença da sinonímia nos textos sobre a Economia.................................65

2. Aspectos formais dos termos sinônimos em Economia................................70

3. Aspectos semânticos dos termos sinônimos em Economia..........................82

4. Uma proposta de tipologia para os termos sinônimos em Economia.........105

V.

A SINONÍMIA NOS DISCURSOS ESPECIALIZADOS...........................108

1. Sinonímia absoluta ou quase-sinonímia......................................................109

6

2. Causas e funções da sinonímia nos discursos especializados.....................113

3. O dilema: entre a sinonímia e a normalização terminológica.....................124

VI.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................128

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................132

7

Capítulo I:

Introdução

8

I.

INTRODUÇÃO

1. Por que uma tese sobre a sinonímia?

A sinonímia é um tema bastante explorado desde a antigüidade e, nos estudos

lingüísticos, a Semântica, a Lexicologia e a Lexicografia têm-lhe dado um grande destaque.

Também é uma constante o seu aparecimento em manuais que tratam da Terminologia.

Assim, talvez cause estranheza a escolha da sinonímia como tema de uma Tese de

Doutorado, uma vez que este já é um assunto tão abordado.

Entretanto, quando se observa o tratamento da sinonímia em Terminologia, apesar

de o fenômeno ser sempre citado, percebe-se que esta foi por muito tempo estudada

exatamente porque o objetivo do trabalho do terminólogo era eliminá-la, num processo de

uniformização e padronização, pois o fenômeno era encarado como um problema, um

empecilho para a exatidão nos discursos especializados.

Atualmente, porém, os discursos especializados, antes tomados como artificiais, no

que diz respeito à sua constituição e à formação de seus termos, são tratados como parte

dos discursos da língua comum, sendo, portanto, reconhecidos como passíveis de todos os

fenômenos aos quais esta está sujeita. Assim sendo, a sinonímia tem sido considerada um

fenômeno natural também nos discursos especializados. Apesar disso, há ainda muitos

terminólogos e especialistas das diferentes áreas do conhecimento cujo pensamento

preserva a idéia de que a melhor solução seria eliminá-la, diminuí-la ou, ao menos,

controlá-la.

Essa situação, por si só, já justificaria uma retomada do tema no que concerne ao

estudo terminológico. Todavia, esse não é o único motivo para essa escolha.

Ao se realizar um trabalho terminológico aplicado, pode-se observar que, apesar de

todo o discurso dos especialistas das diferentes áreas de especialidade, que mostra o desejo

de maior uniformidade e padronização, a presença da sinonímia é expressiva e tal fato pode

ser comprovado pelo número de trabalhos que abordam o tema nos congressos de

Terminologia e também pelo número de trabalhos, teses, manuais e artigos, nas áreas de

Medicina, Botânica, Zoologia, por exemplo, que descrevem a sinonímia ou buscam a

padronização de termos.

9

Com a Economia não é diferente. No trabalho de coleta de termos para a confecção

do Dicionário Terminológico da Economia 1, percebe-se uma presença bastante expressiva

de termos sinônimos. Como exemplo dessa constatação, pode-se citar o termo bem

substituto, que apresenta outros quatro sinônimos ( bem concorrente, bem substitutivo, bem

sucedâneo e substituto), como se pode observar abaixo:

De acordo com a classificação da elasticidade-cruzada, os bens X e Y são substitutos ou

complementares se a elasticidade-cruzada dos preços é positiva ou negativa. Como

exemplos triviais, considere o seguinte: um acréscimo no preço da carne de porco, com o

preço da carne de boi permanecendo constante tenderá a aumentar a quantidade

demandada de carne de boi; η xu é positiva e as carnes de boi e de porco são ditos <bens

substitutos>. (Ferguson, 1994, p. 78)

Como sugerem os exemplos, <bens concorrentes> são aqueles que guardam uma relação

de substituição. Ou se consome um ou outro. O consumo de um pode substituir o

consumo do outro. (Pinho e Vasconcelos, 1998, p. 112)

[...] tem-se o caso dos <bens substitutivos> ou < sucedâneos> , onde, quando sobe o preço

do bem x, aumenta a quantidade procurada do bem y. Exemplo clássico é a relação entre

a manteiga e a margarina. Subindo o preço da manteiga, aumenta o consumo de

margarina. (Pinho e Vasconcelos, 1998, p. 127)

Considerem-se dois bens x e y em meio a muitos bens possíveis, x, y, z etc. Se x e y são

<substitutos>, quando o preço de y cai, a curva da demanda de x desloca-se para a

esquerda. Se o preço de y aumenta, a curva de demanda desloca-se para a direita.

Manteiga e margarina seriam um exemplo. Em outras palavras, a relação é positiva: um

aumento no preço de y leva a um aumento na demanda de x e vice-versa. (Miller, 1981, p.

92)

Assim, como se pode notar, esse é um exemplo da vasta presença da sinonímia nos

textos especializados que versam sobre a Economia. Também é interessante mencionar que

três dos sinônimos são retirados de uma única obra, o que comprova, se não a aceitação

destes pelos especialistas, ao menos a consciência de que eles existem.

Tendo isso em vista, parece bastante pertinente a realização de uma pesquisa mais

aprofundada a respeito do fenômeno em Terminologia. Afinal, se, de maneira geral, os

especialistas rejeitam a sinonímia, por que, em suas obras, eles a reproduzem e, em alguns

casos, até criam termos sinônimos para conceitos já denominados? Com essa pergunta, já

1 Esse Dicionário, que tem como público-alvo os estudantes do curso de graduação em Economia, está sendo

elaborado no âmbito do Projeto “Observatório de Neologismos Científicos e Técnicos do Português

Contemporâneo do Brasil” (TermNeo), coordenado pela Prof.a Dr.a Ieda Maria Alves. O projeto de elaboração

desse Dicionário originou-se de uma carência, exposta pelos especialistas, de uma obra desse tipo, em

português do Brasil, voltado a esse público-alvo, que muito necessita de um material de referência para

consulta e esclarecimento sobre os conceitos econômicos.

10

se coloca aqui uma primeira hipótese: a de que há uma razão de ser para a sinonímia nos

discursos especializados e essa é uma das investigações que esta pesquisa procurou

desenvolver. Assim, entre os objetivos deste trabalho estão uma retomada das reflexões até

hoje realizadas sobre a sinonímia, uma apresentação da sinonímia existente nos textos

especializados que versam sobre a Economia, uma descrição das formas sob as quais a

sinonímia se apresenta nesses textos e, por fim, uma reflexão a respeito das motivações

para a existência da sinonímia nos discursos especializados.

2. Uma metodologia para o estudo da sinonímia nos textos especializados

Para chegar aos objetivos descritos acima, foi necessária uma metodologia

adequada, que possibilitasse o levantamento dos dados e a posterior reflexão.

Assim sendo, o primeiro passo trilhado foi a escolha do corpus de estudo. Como o

interesse da pesquisa é o discurso especializado na área de Economia – tendo também em

vista que o trabalho realizado com a Economia tem como finalidade a elaboração do

Dicionário Terminológico da Economia, voltado para alunos de graduação nessa área de

especialidade –, foram consultados especialistas que auxiliaram na indicação de

bibliografia. No caso das subáreas aqui tratadas, contou-se, em especial, com a colaboração

do Prof. Dr. Adriano Biava, docente da FEA – Faculdade de Economia, Administração e

Contabilidade da Universidade de São Paulo. Desse modo, foram consultadas as

bibliografias básicas dos cursos de graduação em Economia da Universidade de São Paulo,

da Universidade de Campinas e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É

necessário também destacar que a bibliografia utilizada na elaboração do Dicionário é

muito vasta, por isso, para a elaboração desta tese, houve uma delimitação nas subáreas da

Economia estudadas. Assim, constituíram o corpus apenas obras relacionadas às subáreas

de Finanças Públicas e Microeconomia. A seguir são apresentadas as obras que constituem

o corpus:

11

DALTON, H. Finanças Públicas. São Paulo: FGV, 1964.

ECKSTEIN, O. Economia financeiraintrodução à política fiscal. 2.a ed. Tradução de L.

Miral. São Paulo: Zahar, 1971.

ERIS, C.C.C. et al. Finanças Públicas. São Paulo: FIPE, Livraria Pioneira Editora, 1983.

FERGUSON, C.E. Microeconomia. 18.a ed. Tradução de A. G. Barbassa e A. P. Brandão.

Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994.

FILLELLINI, A. Economia do Setor Público. São Paulo: Atlas, 1989.

FONTENELE, A.M.C . Progresso e método na história das teorias da organização

industrial. São Paulo: Tese de Doutoramento, 1995.

GARÓFALO, G.L. e CARVALHO, L.C.P. Teoria microeconômica. 2ª ed. São Paulo:

Atlas, 1994.

HICKS, U.K.W. Finanças Públicas. Rio de Janeiro: Zahar, 1961.

KALECKI, M. Teoria da dinâmica econômica: ensaio sobre as mudanças cíclicas e o

longo prazo da economia capitalista. São Paulo: Abril, 1983. (Os economistas).

KALECKI, M. Crescimento e ciclo das economias capitalistas. São Paulo: Hucitec, 1977.

LETTENHOVE, K. Finanças Públicas. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 1984.

LONGO, C.A. Finanças Públicas – uma introdução. São Paulo: IPE-USP, 1984.

MEYER, A. (org.) Finanças Públicas. Brasília: IPEA/FUNDAP, 1997.

MILLER, R.L. Microeconomia: teoria, questões e aplicações. Tradução de S. Gebanke.

São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1981.

MUSGRAVE, R.A. Teoria das Finanças Públicas – um estudo de economia

governamental. Tradução de A. B. Simões. São Paulo: Atlas, 1974, V.1 e V.2.

PINDYCK, R.S. e RUBINFELD, D.L. Microeconomia. São Paulo: Makron Books, 1994.

PINHO, D.B. e VASCONCELLOS, M.A.S. (orgs.) Manual de Economia. 3a. ed. São

Paulo: Saraiva, 1998.

POSSAS, M.L. Estruturas de mercado em oligopólio. 2.a ed. São Paulo: Hucitec, 1990.

REZENDE DA SILVA, F.A. Finanças Públicas. São Paulo: Atlas, 1978.

RIANI, F. Economia do Setor Público. São Paulo: Atlas, 1986.

RICARDO, D. Princípios de economia política e tributação. São Paulo: Abril Cultural,

1982. (Os economistas).

12

SALVATORE, D. Microeconomia. Tradução de C. M. Ramalho. 3.a ed. São Paulo:

Makron Books, 1996.

SCHUMPETER, J. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Zahar, 1984.

STEINDL, J. Pequeno e grande capital: problemas econômicos do tamanho das empresas.

São Paulo: Hucitec / Ed. Unicamp, 1990.

STEINDL, J. Maturidade e estagnação no capitalismo americano. São Paulo: Abril, 1983.

SYLOS-LABINI, P. Oligopólio e progresso técnico. Tradução de V. C. Salles. Rio de

Janeiro: Forense-Universitária; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980.

SWEEZY, P.M. Teoria do desenvolvimento capitalista. Princípios de economia política

marxista. 5.a ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.

VARIAN, H.R. Microeconomia. Rio de Janeiro: Campus, 1994.

Depois de realizada a delimitação do corpus, passou-se ao processo de leitura das

obras, à coleta dos termos e à identificação dos termos que entre si apresentavam uma

relação sinonímica. É necessário destacar que, em algumas obras, a coleta de termos foi

realizada de modo informatizado, com a utilização do software Folio Views, pois as obras

foram digitalizadas, por meio de escaneamento. Entretanto, esse procedimento não foi

aplicado em todas as obras, pois, principalmente no início dos trabalhos, o processo de

escaneamento demandava muito tempo, uma vez que as correções necessárias nos textos

digitalizados eram muito numerosas. Assim, como se perderia muito tempo nesse processo,

foi tomada a decisão de se realizar a leitura e a coleta nos moldes tradicionais.

Após a coleta e a identificação dos termos que apresentavam uma relação

sinonímica, estes foram transcritos em fichas terminológicas, constituídas com a intenção

de demonstrar a relação sinonímica estabelecida entre os termos. Essas fichas contaram

com os seguintes campos: termo (que se repete ao menos duas vezes, uma vez que o

conceito deve apresentar ao menos duas denominações diferentes), referências gramaticais,

observações lingüísticas, contexto (estes três últimos campos repetem-se de acordo com o

número de denominações diferentes existentes para cada conceito), definição, relação

sinonímica, nota (quando necessário) e data de registro. A seguir, apresenta-se uma ficha

terminológica preenchida.

13

Termo 1: concorrência monopolística

Referências gramaticais: sf

Observações lingüísticas: formação sintagmática (s + adj)

Termo 2: concorrência monopolista

Referências gramaticais: sf

Observações lingüísticas: formação sintagmática (s + adj)

Termo 3: concorrência imperfeita

Referências gramaticais: sf

Observações lingüísticas: formação sintagmática (s + adj)

Contexto (termo 1): CHAMBERLIN baseou sua teoria da <“concorrência monopolística”> num fato

sólido empírico: há muito poucos monopolistas, porque há poucos bens para os quais não existem

substitutos próximos; semelhantemente há muito poucos bens inteiramente homogêneos entre os

produtores. Em lugar disso, há uma série de bens, alguns dos quais possuem poucos bens substitutos e

alguns outros, muitos substitutos, porém não perfeitos. (Ferguson, 1994, p. 351-2)

Contexto (termo 2): Embora apresente, como a concorrência perfeita, uma estrutura de mercado em

que existe um número elevado de empresas, a <concorrência monopolista> (também chamada concorrência

imperfeita) caracteriza-se pelo fato de que as empresas produzem produtos diferenciados, embora

substitutos próximos. Por exemplo, diferentes marcas de cigarro, de sabonete, refrigerante etc. Trata-se,

assim, de uma estrutura mais próxima da realidade que a concorrência perfeita, onde se supõe um

produto homogêneo, produzido por todas as empresas. (Pinho e Vasconcelos, 1998, p. 188)

Contexto (termo 3): O efeito combinado das economias de escala, da <concorrência imperfeita> e do

oligopólio são percebidos na relação entre o custo total e as vendas (excluindo-se aqui do custo os juros pagos

sobre o capital emprestado). Com um aumento no tamanho, as economias de escala tendem a reduzir

os custos e relação às vendas, e o poder de oligopólio tende a aumentar os preços e, portanto, o valor

das vendas, em relação aos custos. Por sua vez, a imperfeição do mercado tende a reduzir os preços, e a

aumentar os custos das empresas maiores em relação aos das menores. (Steindl, 1990, p. 45)

14

Definição: Estrutura de mercado em que há vários vendedores de bens semelhantes que apresentam,

porém, algum tipo de diferenciação.

Relação sinonímica entre: 1) prefixos -ista + -ico / prefixo -ista; em determinantes adjetivais; 2)

formações sintagmáticas em que há determinantes adjetivais diferentes

Nota: O terceiro termo, concorrência imperfeita, é polissêmico; só é sinônimo de concorrência monopolística

em uma de suas acepções.

Data de registro: 12/07/2002

É interessante destacar que, no corpus estudado foram encontrados duzentos e

dezesseis conceitos que apresentam ao menos duas denominações. Há vários conceitos que

apresentam duas denominações diversas e há outros, mais raros, que chegam a apresentar

até oito denominações diferentes. Nesta pesquisa, foram analisados, ao todo, quinhentos e

setenta termos que apresentam relações sinonímicas.

Ao término da transcrição dos termos nas fichas terminológicas, passou-se então à

análise formal e semântica dos termos sinônimos, tendo em vista as diferenças existentes

entre as formas e os significados dos aspectos que se apresentam como diferentes na

formação de um termo e de outro. Destaca-se isso porque, às vezes, a única diferença entre

uma denominação e outra é o uso de diferentes preposições ou o uso ou não de um artigo;

ao passo que, em outras situações, as denominações são totalmente diferentes.

3. A Constituição da Tese

Tendo em vista tudo o que foi exposto acima, a tese ora proposta tem como

finalidade: i) retomar o conceito de sinonímia, observando como o assunto foi tratado até o

momento, sobretudo no que concerne aos estudos terminológicos; ii) refletir a respeito do

tratamento dado a esse fenômeno; iii) demonstrar como a sinonímia se mostra nos textos

especializados que versam sobre a Economia; iv) apresentar uma análise formal e

15

semântica a respeito desses sinônimos; e, por fim, v) apresentar uma reflexão a respeito do

papel da sinonímia nos discursos especializados e as razões para a sua existência.

Assim, a presente tese apresenta, em sua constituição, este primeiro capítulo

introdutório, em que se apresentou a pesquisa e suas razões de ser, um segundo capítulo,

em que será demonstrado de que forma a sinonímia vem sendo abordada até o momento

nos estudos lingüísticos, um terceiro capítulo, em que se mostrará como os estudos

terminológicos têm enfrentado o fenômeno da sinonímia, um quarto capítulo, em que se

apresentará a sinonímia nos textos especializados de Economia e uma análise formal e

semântica dos termos sinonímicos, um quinto capítulo, em que será apresentada uma

reflexão a respeito das causas e das razões de ser para a existência da sinonímia nos

discursos especializados, um sexto e último capítulo em que serão apresentadas as

considerações finais e, ao final, as referências bibliográficas das obras consultadas e

citadas.

16

Capítulo II:

A Sinonímia nos Estudos Lingüísticos

17

II. A SINONÍMIA NOS ESTUDOS LINGÜÍSTICOS

1. Como e sob que pontos de vista se pode definir a sinonímia?

Para iniciar as discussões a respeito da sinonímia, faz-se necessário primeiramente

definir o fenômeno. Antes de se chegar a esse ponto, porém, é preciso destacar que a

sinonímia é um fenômeno lingüístico relatado por vários estudiosos há muito tempo. Já na

Grécia antiga, o fenômeno era mencionado pelos filósofos, como Aristóteles, por exemplo.

Mais contemporaneamente, o fenômeno acabou sendo tratado de maneira bastante

aprofundada pela Lingüística. Entretanto, os filósofos continuam sentindo-se atraídos pelo

tema e dedicando seus estudos a ele. Como exemplo dessa dedicação pode-se citar Rudolf

Carnap, filósofo com muitos trabalhos sobre a sinonímia.

Este trabalho, porém, tem como objetivo estudar a sinonímia a partir de um ponto

de vista lingüístico e não filosófico, por isso partir-se-á, para o estudo do fenômeno, de

pesquisas lingüísticas a respeito do tema. Assim, observar-se-á que os trabalhos neste

capítulo estão inseridos no âmbito, primeiramente, da Semântica, subárea da Lingüística

que trata das relações de significado, e, posteriormente, da Lexicologia, também subárea da

Lingüística que trata do léxico e está atenta às relações de significado existentes entre as

palavras que fazem parte do acervo lexical de uma língua.

Antes de passar, contudo, aos estudos semânticos e lexicológicos sobre o fenômeno,

é interessante saber o que, de modo mais geral, se entende por sinonímia. Uma das vias

para se conseguir tal informação é verificar como ela é definida nos dicionários de língua.

Assim, atualmente, se se faz uma busca no verbete sinonímia do Novo Aurélio

Século XXI, um dos dicionários mais populares da língua portuguesa, encontra-se a seguinte

informação:

sinonímia. [Do gr. synonymía , pelo lat. tard. synonymia ; fr. synonymie .] S. f. E. Ling.

1. Qualidade ou caráter de sinônimo. 2. Relação entre palavras sinônimas. 3. Fato

lingüístico que se caracteriza pela existência de palavras sinônimas. 4. Uso de

sinônimos. [Antôn., nas acepç. 1 e 4: antonímia .] 2

2 Ferreira, A. B. de H. Novo Aurélio Século XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p. 1862.

18

Como a definição não só faz referência, mas define o termo com base no conceito

de sinônimo, é interessante também consultar esse segundo verbete. Nele, por sua vez,

pode-se encontrar o seguinte:

sinônimo. [Do gr. synónymon , pelo lat. tard. synonymon .] Adj. 1. E. Ling. Diz-se da palavra ou locução que tem a mesma ou quase a mesma significação que outra. S. m.

2. E. Ling. Palavra ou expressão sinônima de outra [...] 3. Bot. Nome aplicado a uma espécie vegetal posteriormente ao nome válido, que é o primeiro, se este foi dado de

acordo com as regras aceitas. 3

Diante dessas definições, observa-se que, ao menos para o dicionarista, o conceito

de sinonímia está estreitamente ligado aos estudos lingüísticos e que o fenômeno revela o

fato de existirem palavras ou expressões que têm a mesma significação ou significações

muito próximas. Também aqui já é interessante destacar que, no verbete sinônimo, se faz

referência a uma área de especialidade, a Botânica, que lida de forma especial com essas

palavras ou expressões que dão nome a uma mesma espécie vegetal, mostrando já um

modo de normalização de sua terminologia, um dado interessante para este trabalho.

De modo geral, pode-se dizer, como se poderia esperar, que os verbetes do

dicionário registram a idéia geral que os falantes têm, quando se fala na existência de

sinônimos, quando estes são procurados em dicionários específicos de sinônimos, ou ainda,

quando, por meio deles, se busca definir uma palavra desconhecida a um outro falante.

Entretanto, apesar de o dicionário registrar essa idéia geral, é necessário descrever