A gata do homem morto por R.F. Lucchetti - Versão HTML

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R. F. Lucchetti

Autor

Edição Eletrônica: L P Baçan

Dezembro de 2009

All rights reserved

Direitos exclusivos para língua portuguesa cedidos pelo autor a Lourivaldo Perez Baçan.

Copyright © 2007 L P Baçan e R. F. Lucchetti

Distribuição exclusiva através do SCRIBD

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

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A GATA DO HOMEM MORTO

O veredicto do Juiz foi "morte pôr acidente" e ninguém teve dúvidas. Exceto, aparentemente, aquela gata. Esta, tornou-se mais estimada dos personagens desta estranha história...

Acontecem coisas... — Estela costumava comentar ao reler seus apontamentos. Sua escrivaninha estava entre a minha e a de Ed, e nós engolíamos qualquer coisa que ela dissesse. Realmente, nós a tínhamos ensinado a ser repórter.

— Eu lhes digo, rapazes, que metade dos fatos que vocês encontram em seu trabalho, não poderiam usar em ficção. Eles são muito pouco prováveis.

Era uma bela convicção para uma jornalista e nós a aplaudimos pôr isso.

Não nos ocorreu — pelo menos a mim — que nós mesmos poderíamos estar envolvidos em tais fatos. Entretanto, antes de se dar isto, certas coisas tinham de acontecer.

Primeiro, Estela casou-se com Ed e deixou o Evening Record. Então Ed, que era o revisor principal do jornal pediu um ano de licença para que ele e Estela pudessem "explorar o mundo". Eu devia tomar o seu lugar durante aquele ano. Até aí, nada havia de sensacional.

Mas, na manhã seguinte depois de Ed ter deixado o jornal, seu corpo, foi encontrado boiando entre as lanchas e embarcações de transportes de frutas na enseada, sob a Ponte da Third Street.

Todos os que trabalham no jornal ficaram surpresos e consternados. Ed já fora repórter do pôrto, e depois de se tornar um homem de gabinete, tinha sido sempre atraído ao seu antigo campo, as tavernas cheias de fumaça, os 3

armazéns da alfândega, muito movimentados durante o dia, e à noite uma escuridão impressionante, um mundo deserto de vagabundos errantes, desvios de estradas de ferro e vagões parados. Ed foi visto pela última vez num bar não muito distante da ponte; ele tinha saído do bar aproximadamente a uma hora da madrugada.

Vários colegas do Record tinham estado lá em sua companhia, mas alguns se haviam retirado mais cedo. Eu tinha ido embora uns quinze minutos antes de Ed; minha casa, um apartamento mobiliado, estava situado numa direção diferente da sua. Eu fui o último de seus amigos a vê-lo com vida.

Ed, como era do conhecimentos de todos nós, tinha o hábito de andar pela ponte à noite e descer os três degraus de aço da rua para tomar o caminho estreito do pedestre. Depois do seu casamento, ele costumava explicar que isso auxiliava a dissolver o efeito do álcool e que ele e que ele preferia chegar em casa num estado bastante lúcido. Mas, também gostava de ficar de pé e olhar para a enseada. Ele sempre sentira uma atração pela água escura, que refletia aqui e acolá uma luz amarela, e também os formatos negros das embarcações com seus tombadilhos fracamente iluminados.

Tarde naquela noite, o único transito da ponte foi o ônibus da Third Street, que passava de quinze em quinze minutos, e um carro de vez em quanto. Ed tomava o ônibus no outro lado da ponte, ou um táxi numa rua mais movimentada em St. Francis Wood. Desta vez ele não chegou ao outro lado da ponte.

Cilada foi a primeira coisa que todos pensaram. Mas, Ed não tinha inimigos, tanto quanto se soubesse. Nada faltava em seus bolsos e não havia sinais em seu corpo. Seu cérebro, a autópsia revelou, estava saturado de álcool. A morte fora causada pôr afogamento. As grades ao longo do passeio não eram muito altas, e era fácil imaginar que um homem mais ou menos 4

bêbado, talvez se sentindo enjoado, se debruçasse demais e perdesse o equilíbrio. Ed não sabia nadar. O veredicto do Juiz foi morte acidental, e ninguém duvidou.

A única coisa que pude fazer foi me esforçar para que o jornal contasse a história decentemente e com reserva, além de contribuir na lista dos empregados para enviar "flores para Ed". Eu enviei uma coroa separadamente em meu nome pois Ed tinha sido meu melhor amigo. Não sei pôr quem, eu não me preocupei muito com Estela. Sabia que ela tinha casado com Ed pôr causa de seu dinheiro.

Fiquei chocado quando a vi no enterro. Seu vestido preto e maquilagem discreta podiam ser a causa de sua palidez, mas havia alguma coisa que contribuía para isso. Alguma coisa bem profunda. De pé no passeio, depois do enterro, também recebendo as condolências das pessoas presentes, fiquei pensando na sua estranha aparência.

Eu fico a imaginar quantas horas seriam necessárias para um psicanalista descobrir exatamente o que sinto a respeito de Estela. Mas não desejo falar sobre isso agora. Há uns cinco anos passados, ela apareceu no escritório do jornal, moça alta, um tanto atlética, que ainda conseguia ser atraente. Tinha se formado recentemente e acalentava idéias românticas sobre o que seria uma jornalista. Logo, começou a falara sobre suas "intuições" e seus "furos" do que ela realmente sabia tirar o máximo proveito. Era boa observadora e tinha um sentimento dramático que muitas vezes se transformava no melodramático.

Resolutamente ela se dedicou aos casos de assassinatos mais horripilantes.

Ed e eu quase a monopolizávamos. Logo que foi possível, colocamos sua escrivaninha entre as nossas. Nós lhe transmitíamos os nosso palpites daquilo que sabíamos, assegurando-nos assim de que ela não precisasse pedir conselhos ou saísse com outras pessoas. Ela tinha um físico que atraía 5

qualquer homem, e, assim, nossa amizade não podia permanecer num elevado nível platônico. Depois de termos saído juntos várias vezes, Ed e eu começamos a marcar encontros com ela separadamente. Mas, isso também não deu resultado. Eu não sei qual de nós começou a falar em casamento, mas sei que ela deu a mesma resposta a ambos, porque discutias o assunto no escritório, sentada em sua escrivaninha entre nós. Naturalmente ela não mencionava nomes.

— Se eu me casar, — ela dizia sonhadoramente, recostada em sua cadeira olhando para o teto. — Terá de ser um casamento sensacional. Minha vida deverá ser mais interessante do que é agora, nada menos. Porque deixar um emprego tão excitante como esse para lidar com tarefas caseiras? Se eu me casar, vou querer conhecer o mundo, dos albergues noturnos de Paris até os antros de ópio de Hong Kong. Certamente, não desejo ser apenas uma dona de casa.

Creio que ela falava desse modo para nós, para que soubéssemos que ela não tinha predileção pôr nenhum dos dois. Ela nunca se comprometia quando estávamos sós... Mas era muito amável comigo. Realmente o era. E como eu era mais alto e mais bonito que Ed, estava certo que no íntimo ela me preferia.

Porém, aquele tio de Ed faleceu. Se eu tivesse de viver um século nunca me esqueceria do dia em que Ed nos contou. Ele parecia estar atordoado, pois herdara aproximadamente uns duzentos e cinqüenta mil dólares. Livres de impostos.

A reação de Estela foi perfeitamente simples. Não se podia culpá-la.

depois da conversa e quando finalmente Ed ficou só, sentado à sua escrivaninha, ela inclinou-se para ele e perguntou:

— E agora você me quer?

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Eles se casaram e compraram a casa. Porém antes de partirem para aquela viagem à volta do mundo, Ed caiu da Third Street Bridge.

Se Ed e Estela esperavam que eu preenchesse a parte de amigo da família eu os desapontei. A principio Ed me convidava para visitá-los e eu fui uma vez, mas não voltei, pois era demais para mim.

Mas, com o desaparecimento de Ed, a coisa mudou. Não havia nenhuma razão pela qual eu não pudesse ver Estela, principalmente porque ela não precisava mais procurar um homem rico para casar. Naturalmente eu esperaria o tempo necessário, as convenções sociais, antes de pedi-la em casamento.

Entretanto, era natural que eu fosse visitá-la. Ela foi passar fora algum tempo logo depois do funeral. Foi para a casa da família, creio eu. Durante sua ausência, eu fui definitivamente designado para substituir Ed no jornal.

Quando soube que Estela havia regressado, telefonei-lhe imediatamente.

— Ah, sim, Bob, — ela disse. — Certamente. Venha me ver. Terei muito prazer em vê-lo. — Mas havia um certo desânimo em seu modo de falar que me desconcertou. Será que ela achava necessário se portar como uma viúva sentida?

Também achei que sua aparência era um tanto distraída. Não havia dúvida. Embora ela já não estivesse de luto pesado, tinha a expressão de alguém que passou pôr um grande golpe. Ela me fez entrar na sala-de-estar, que me deu a impressão de interior do Harper’s Bazaar, e nós nos sentamos nas cadeiras estofadas.

— Que bom que você veio, Bob, — disse ela. — Eu receava que você não viesse. Você tem estado bastante afastado. Mas realmente necessito de todos os meus amigos. E você era um dos melhores.

Eu estava tentado me acostumar à falta de expressão em sua voz, e fiquei sem saber o que dizer. Ela fez um gesto com a mão que segurava o cigarro.

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— Está bem, Bob, você não precisa responder. Sei porque não veio.

Agora, quer servir as bebidas?...

Eu lhe preparei uma bebida como sabia que gostava, e para mim um pouco de uísque. As garrafas, o batedor de bebidas e o gelo estavam à mão numa mesa baixa, como fazem no palco.

Então sentei-me novamente. E o gato entrou na sala.

Ele não era muito grande, um gato ordinário, com listas pretas e brancas.

Ele andou vagarosamente através da sala, foi até onde eu estava, e sentou-se à minha frente olhando fixamente para mim.

— Você tem um gato — disse para começo de conversa.

— Eu não posso verdadeiramente dizer que tenho um gato — disse Estela. — Essa é Mona, pertencia a Ed. Ele apanhou-a, — ela fez um pausa e continuou. — Daquela ponte na Third Street.

Meu copo quase caiu da mão.

Estela continuou naquela voz monótona e distante.

— Uma noite ele a trouxe para casa dentro de seu paletó. Ela era muito pequenina, suja e estava faminta, e ele começou a cuidar dela. Eu quase tive ciúmes do modo como ele cuidava dela. Mas a gata gostava muito dele. Creio que ainda o procura. À noite.

O animal continuava sentado a olhar para mim, sem se mexer e pestanejar e Estela não parecia achar nada estranho no seu comportamento.

— Nunca lidei com gatos, — Estela estava dizendo. — Mona é o primeiro. Eu nunca pensei que um gato pudesse adorar uma pessoa como está gata adorava Ed. Além disso, às vezes creio que ela tem uma segunda visão.

Quase lhe perguntei pôr que ela dizia isso, porém realmente nada queria ouvir a respeito do gato de Ed ou sua intuição. Então o fone tocou e Estela foi atender, e fiz uma investida contra o animal.

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— Passa! — disse eu baixinho.

A gata desviou os olhos do meu rosto o tempo suficiente de seguir o movimento de minha mão, que passou a uma polegada de onde ela estava, mas mesmo assim, nem sequer piscou.

A "intuição" da gata, eu disse para mim mesmo, sem dúvida era apenas um pouco da inclinação de Estela para o dramático. Ela estava sempre pensando nessas coisas. Mas a gata permanecia sentada, a olhar para mim, aparentemente desafiando o meu direito de estar ali; e isso nada tinha a ver com Estela. Geralmente gosto de gatos, mas agora eu sentia estar transpirando.

A visita definitivamente não estava seguindo o curso que eu desejava. E

cometi o erro de tomar um terceiro drinque. Embora isto pudesse me acalmar pôr um instante, não me auxiliaria a manter calma a minha mente.

Estela também não ajudou. Eu tinha resolvido a ignorar o gato, quando ela entrou e voltou ao assunto que interrompera. De algum modo tive a impressão de que ela estava satisfeita em ter um assunto seguro para a conversa.

— Como eu estava dizendo, — disse ela, ao se afundar em sua cadeira.

— Mona tem sido realmente uma experiência para mim. Antigamente eu nunca pensaria em levar um gato a sério.

Eu estava então no auge do efeito do álcool, e disse com um sorriso:

— Diabo, o que você quer dizer, em torná-la a sério?

— Justamente isso, — ela disse, sacudindo a cinza do cigarro. Eu pouco me importava com o que ela estava dizendo, e no entanto fazia bem ouvi-la falar sobre alguma idéia tola, como fazia outrora.

— Mona nunca faz alguma coisa sem motivo. Você pode não percebê-lo imediatamente, mas o motivo está sempre presente, e se você esperar o tempo suficiente e com cuidado, logo o descobrirá.

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Iria Estela inventar um motivo para aquele animal que estava sentado ali a olhar fixamente para mim? ela era bem capaz disso. Então, repentinamente eu compreendi que para uma coisa tão estranha devia haver alguma razão. Se havia, eu não queria saber o que era. E naquele instante tive vontade de sair daquela casa. Além disso, Estela estava dizendo:

— Estou convencida de que ela vê o íntimo das pessoas...

Eu me levantei.

— Querida, vamos dar uma volta de carro, — disse eu. Ela pareceu surpresa.

— Uma volta? Pôr que, se você chegou agora?

— Eu sei, está uma bela noite. Você tem ficado tanto tempo em casa ultimamente. Nós poderíamos parar em algum lugar e tomar uns drinques.

Far-lhe-á bem, sair um pouco.

— Oh, não, Bob, — disse ela. — Agora não. Eu pensei que você tivesse vindo me ver.

— Perfeitamente, eu vim. Eu queria saber como você estava passando.

Mas, se não quer sair, preciso ir andando.

Eu já estava me dirigindo para a porta, evitando cuidadosamente olhara para aquela gata miserável. Queria ir embora depressa, porque não sabia o que diria se me envolvesse em mais explicações. E pareceu-me, que quando eu saí, Estela olhou-me com uma expressão de espanto.

Assim que entrei no meu carro, e me pus a caminho, comecei a me amaldiçoar, e não sabia o que me acontecera, mas agora era tarde demais para voltar atrás. Bebi um bocado aquela noite. Na manhã seguinte, pareceu-me que estivera imaginando muita coisa, e não podia achar uma explicação para nada do que acontecera e muito menos para minha reação ao estranho 10

comportamento de um estúpido animal. eu não podia me alarmar tão facilmente. Pôr isso, resolvi telefonar para Estela.

— Sinto ter saído tão cedo ontem à noite, — disse eu. — Mas você tem de sair comigo uma noite dessas. Pode marcar o dia.

— Eu não posso sair, Bob. Realmente não posso. É impossível, o que diriam de mim, se eu fosse vista a passear com você... Tão pouco tempo depois...

Fiquei surpreso ao ouvir que ela não podia terminar a frase. Será que ela realmente gostava de Ed? Esse pensamento começou a se apoderar de mim e me atormentar. Não era do temperamento de Estela preocupar-se com os comentários alheios. Estaria ela apenas representando um papel.

Finalmente, eu fui visitá-la de novo. Eu não queria, mas não podia encontrar um motivo plausível para deixar de ir vê-la.

Ao entrar, fiquei satisfeito ao ver que a gata não estava na sala. Estela fez um gesto para eu me sentar na cadeira que ocupara na minha última visita.

Mas, uns cinco minutos depois de estarmos conversando a respeito do pessoal do Record, ouvimos um miado pôr detrás da porta.

— Mona — disse Estela levantando-se.

— Aquela gata precisa entrar nessa sala? — As palavras saíram antes que eu desse pôr siso, pois pretendia não demonstrar minha aversão pelo animal.

Pretendia acariciá-la. Estela parou e olhou para mim, com os olhos arregalados.

— Que é isso, Bob? eu pensava que você gostasse de gatos.

Eu não podia dizer: Eu não gosto deste. Estela deixou o animal entrar, e senti um arrepio me passar pelo corpo, quando vi que ela fazia exatamente a mesma coisa que fizera anteriormente: andou vagarosamente pelo tapete e veio sentar-se à minha frente, olhando-me fixamente.

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Eu sabia que o que devia fazer era dizer alguma coisa sem importância como: "Pôr que ela está olhando para mim? " ou "que ela quer de mim? ". Mas não me foi possível falar, eu sei que devia ter continuado a conversa calmamente a respeito do escritório. Em vez disso comecei a implorar a Estela.

— O que você deve fazer é sair, você vai ficar mórbida se ficar tanto tempo em casa. Você está abatida. Além disso, nunca se preocupou muito com comentários.

Estela recostou-se em sua cadeira, os olhos fixos nas paredes à sua frente.

— Não é tanto pelos comentários — ela ainda falava daquele modo quieto e controlado, tão diferente do modo de falar que eu conhecera. — Eu creio que você não compreende, Bob. — e ela fixou seu olhar em mim — Eu gostava muito do Ed.

— Sinto muito — murmurei.

— Eu sei, você não pensava que eu realmente gostasse dele. Você achava que era pelo dinheiro. Mas eu não teria casado com ele só pelo dinheiro.

Realmente foi ele o único homem que amei e com quem realmente me casaria.

Sinto muito, Bob, mas é verdade. E não se conhece bem uma pessoa antes de se viver com ela. Ed era melhor do que eu sonhara. O dinheiro não o modificou e nós poderíamos ter sido muito felizes até o fim de nossas... — ela não pode terminar a frase.

Aquilo era demais para um homem suportar de uma pancada, realmente demais. eu não podia olhar para ela. Não sabia o que eme fazia tremer; se eram ciúmes ou outra coisa. E Estela ainda não tinha acabado de me atormentar.

Ficamos sentados em silêncio pôr alguns instantes; então senti que seu olhar se fixava em mim.

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— Você não gostava de Ed, não Bob? — ela disse meigamente.

Tive um estremecimento de surpresa e protesto. Isto era outra coisa. Eu senti o perigo que me cercava como se eu pudesse tocá-lo e comecei a gritar:

— Que faz pensar?...

Parei apavorado pelo modo estranho que ela estava olhando para mim, era um olhar de atenta investigação combinado com pavor e mágoa. Então ela desviou o olhar, dirigindo-o para a gata imóvel que ainda me contemplava.

— Você sabe pôr que ela está olhando assim para você? — sussurrou.

Involuntariamente me atirei para trás em minha cadeira.

— Como posso saber? — consegui dizer.

— Você realmente não sabe? — Estela insistiu.

— Que diabo, aonde você quer chegar? Querida, você está louca. — As palavras que eu desejava dizer estavam suspensas no ar à minha frente, mas eu não podia pronunciá-las. Sabia o que ela estava insinuando e que não estava louca.

— A morte de Ed não foi um acidente, não é, Bob?

Levantei-me e me dirigi para a porta. Chegando ali virei-me mais uma vez. Pôr que motivo eu não sei. Talvez fosse para me certificar de que realmente isso acontecera. Estela olhava para mim. O felino pulou na cadeira e começou a cheirá-la. Voltei-me para a porta e sai da casa, entrei no carro e parti.

Bebi muito aquela noite. Antes de ficar inconsciente eu repetia para mim mesmo que Estela nada sabia e que não tinha prova alguma. E que importância pode haver, sobre o que os gatos sabem, se eles não podem falar.

Na manhã seguinte não pude ir ao escritório e à tarde a policia veio me prender. Soube mais tarde que Estela lhe havia telefonado e contado o que suspeitava, mas lhe tinha pedido (ela conhecia bem todos os policiais daquela 13

delegacia) que fizessem uma boa investigação antes de me prenderem. Isto eles fizeram. Tinham passado toda a manhã pelas vizinhanças do bar, interrogando várias pessoas a meu respeito. Eles encontraram um homem que me vira sair da taverna quinze minutos antes de Ed, como eu falara, e fora confirmado pelo dono do bar. Mas, eu dissera que tinha ido em direção a Market Street e tomando o ônibus para casa, porém o homem jurou que eu tinha tomado outra direção, a direção da ponte.

Fiquei incapacitado de pensar claramente ou fazer uma tentativa para negar tudo. Parecia-me que eu estava nas garras dos fatos, contra as quais não me era possível escapar. Naquela tarde assinei uma confissão completa.

Assassinato de primeiro grau. Eu admiti que havia planejado tudo e até fazia ver que não tinha cometido nenhum erro, e que meus planos tinham sido perfeitamente executados.

Muito antes de estar pôr detrás das grades destes cubículos com um nome manchado para sempre, em estado perfeitamente sóbrio, eu li toda a história que fora publicada nos jornais.

Desta vez Record não fez reticências. Eles publicaram tudo que sabiam e Estela lhe forneceu sua parte da história. Quando eu vi seu rosto pálido e sério no jornal, que parecia estar me olhando da fotografia, fiquei condenado sem julgamento e não teria de enfrentrá-la ou a qualquer outra pessoas.

Ela nada suspeitara, disse ela, até que eu fiquei tão transtornado quando o gato de Ed começou a me fitar tão fixamente. Então, seguindo uma de suas intuições ela me fez voltar a sua casa, para que eu enfrentasse a gata novamente. A coisa toda começou com a gata.

E o gato era uma fraude.

É como isso que eu não me conformo. Todos os jornais publicaram a fotografia da gata na primeira página com as manchetes apropriadas: 14

"Nemesis", "Detido o Assassino" e assim pôr diante. O Record se excedeu nesse campo. Ele publicou uma fotografia grande de dois olhos fixos, em alguma coisa, sob o titulo: "Os olhos da Consciência".

Mas, o que a fotografia e o texto podiam dizer seria a mesma coisa: a gata tinha o hábito de olhar como olhou para mim a qualquer pessoa que se sentasse pôr acaso naquela cadeira.

FIM

Contos e mistérios n 19

Dezembro de 1956

Sylvie Pasche - pseudônimo de R. F. Lucchetti

Está é a segunda versão do meu primeiro conto publicado no jornal de bairro. "O Lapiano", em 31 de outubro de 1942.

Saiu com o titulo de "A Única Testemunha."

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RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI

R F Lucchetti é considerado um fenômeno, pois é um dos maiores, senão o maior, ghost-writter de todo o mundo, roteirista de HQ e de cinema, autor de um número incontável de histórias policiais, as famosas pulp-fictions, e de um número indefinido de livros de bolso, abordando os temas mais inesperados, principalmente o esoterismo, o mistério e o terror.

É dele uma das mais fantásticas e intrigantes definições sobre o terror.

Segundo ele, imagine que você compre, numa loja de antiguidades, um raro aparelho de telefone antigo e o coloque em sua sala, como decoração. Nas horas mortas de uma noite qualquer, quando tudo está tranqüilo e você relaxa, assistindo a um filme ou ao seu programa favorito na televisão, de repente...

O telefone toca!!!

RUBENS LUCCHETTI ESTÁ NO GIBI

"Figurinha difícil, cheia dos macetes, doido por gibi, rádio e cinema.

Quando você pensa que é um, é outro. Quando pensa que é outro, é ele.

RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI só se sente bem na fantasia. Dono de muitos nomes e mil e uma histórias, é capítulo singular e fenômeno à parte na nossa literatura. Autor de novelas policiais, contos de terror, histórias em quadrinho e roteiro para cinema, para ele aventura pouca é besteira!" (Ivan Cardoso))

R F LUCCHETTI - por ele mesmo

(EDITADO DE ENTREVISTA CONCEDIDA A IVAN CARDODO PARA INTERVIEW N. 136 - ABRIL/1991)

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"Eu adorava ouvir seriados de rádio. O seriado radiofônico foi meu grande hit na infância e juventude. Muito mais do que o seriado cinematográfico, uma vez que era eu quem compunha as imagens. O rádio é uma extensão da memória e da imaginação, só mesmo comparável ao livro.

Em ambos cabe o universo. Os seriados da minha predileção eram Dick Peter, O Homem de Aço, O Homem Pássaro e O Sombra. Depois de ouvi-los, exercitava minha imaginação novelizando-os.

A primeira história devo tê-la escrito aos oito anos. Era sobre um corcunda disforme, que despertava a ternura e o amor de uma linda princesa.

Esse corcunda realmente existia, era um vizinho meu, que despertava medo mas que na verdade era uma boníssima pessoa. Daí eu tive a idéia de escrever a historia, para demonstrar que nunca devemos analisar as pessoas pela aparência externa.

Comecei a escrever ainda muito novo e não encontrei dificuldades em publicar nas revistas "pulps", geralmente com pseudônimos. Isso nunca me incomodou. Orgulhava-me de estar ao lado dos mestres do gênero: Dorothy Sayers, G. K. Chesterton, Edgar Wallace, Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Dashiell Hammeu, Sax Rohmer, Nicholas Blake, Conan Doyle, Maurice Leblanc, Raymond Chandler, Agatha Chístie.

Já apareceram contos meus em antologias em que sou citado como um autor estrangeiro. Nem se deram ao trabalho de pesquisar. Houve até uma revista portuguesa que publicou um conto meu, tirado da Policial em Revista.

Só que foi inventada uma nota, dizendo que aquele conto fora premiado num concurso em Londres. Há um caso curioso: uma história minha apareceu assinada pôr Coretta Slavaski. Imaginei tratar-se de mais um pseudônimo criado pelos editores e cheguei a repeti-lo em outro conto. Mas, certa vez, ao 17

folhear um exemplar da revista Vamos Ler, me deparei com esse nome assinando um conto! Levei trinta anos para descobrir que tal escritora existia!

Não existe literatura e subliteratura, como bem definiu Oscar Wilde. O

que existe é livro bem escrito e livro mal-escrito. Não li muitos autores, mas li muito de poucos autores. Entre eles destaco Knut Hamsun, Romain Rolland.

Sigurd Christiansen, Dostoievski, Tchekhov. Moravia, Goethe, Stefan Zweig e, naturalmente, Machado de Assis e Monteiro Lobato.

A palavra "pulp" designava revistas feitas em papel barato. As histórias publicadas por elas possuíam uma característica muito própria que tem em Raymond Chandler sua melhor definição: "São histórias nas quais as cenas se sobrepõem ao enredo".

No Brasil elas começaram a circular a partir dos anos 20. Tivemos muitas, mas as mais conhecidas foram: Detetive, Policial em Revista, X-9.

Contos Magazine, Meia Noite e Suspense.

Uma memorável galeria (de heróis dessas revistas): Aranha Negra, Detetive Fantasma, Morcego Negro, Willie Brann, Doc Savage. Ponga, Jim Mayo e o maior de todos, O Sombra.

Eu era admirador do Nico Rosso, desde que vi seus desenhos ilustrando a revista Drácula, da Editora Outubro. Ficava sonhando em poder ter uma de minhas histórias desenhadas pôr ele. Encantava-me seu estilo, seu jogo de claro-escuro, as aldeias mergulhadas nas sombras; o mais banal argumento era valorizado pelo seu trabalho. Tive a felicidade de conhecê-lo quando o Jayme Cortez lançou seu livro. "A Técnica do Desenho". Logo propus-lhe a ilustração de uma das minhas histórias. Mas a coisa não aconteceu de imediato, demorou algum tempo. Como eu residia em Ribeirão Preto, era um tanto difícil nosso relacionamento; somente em 1966, com a minha mudança para São Paulo, começou nosso trabalho de parceria.

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(Sobre quantos livros já escreveu) Sob os mais variados pseudônimos e heterônimos, 53. Com o meu próprio nome, 19; e como ghost writer nunca contei, mas creio que ultrapassem 300 títulos.

O crime perfeito jamais existiu, uma vez que é do conhecimento da consciência de seu autor. E pode haver uma testemunha mais implacável do que a consciência?

Devo ter uns dez roteiros inéditos e, filmados, dezenove.

(Sobre como conheceu Zé do Caixão) Foi através do Sérgio Lima, na época secretário da Cinemateca Brasileira em São Paulo. foi um encontro formal. O Sérgio nos levou a um salão de chá na Barão de Itapetininga. O

Mojica mostrou-se muito reservado e eu mais ainda, sou extremamente tímido com as pessoas que não conheço. Tinha o agravante de ser uma personalidade que eu admirava, eu já o achava genial, isso muito antes de saber que o Glauber Rocha pensava o mesmo. Depois desse primeiro encontro, criei coragem e numa tarde de sábado fui até a sinagoga, no Brás, onde o Mojica tinha seus estúdios. O segundo encontro foi mais amistoso e ele entregou-me um pequeno argumento para que eu roteirizasse. Três dias depois lhe entreguei o roteiro que seria um dos três episódios da "Trilogia do Terror: Pesadelo Macabro."

(Sobre quantos filmes já fizeram juntos) Incluindo o episódio "Pesadelo Macabro", doze.

Abomino esse tipo de cinema que quer mostrar o retrato psicológico da sociedade: o relatório sobre a vida. Isso para mim é documentário da realidade e, como tal, muito maçante. Recordo-me sempre do conselho que o Samuel Doldwin deu a um jovem aspirante a roteirista: "Filho, se tiver que dar alguma mensagem, utilize o telefone". Para mim, cinema é diversão, máquina de sonho.

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Tenho preferência por dois (contos de horror): "O coração Revelador" de Edgar Allan Poe e "As Pombas do Inferno" de Robert Howard.

Gosto de trabalhar com histórias enigmáticas, cheias de humor negro e investigação, partindo de pequenos detalhes. Tudo isso seria falso no Brasil. O

próprio Allan Poe, um norte-americano, ao escrever a trilogia que inaugurou o romance de detetive e mistério, "Os Crimes da Rua Morgue", "O Mistério de Marie Roget" e "A Carta Furtada", ambientou-se em Paris, e o personagem principal delas é também um francês, o detetive C. Auguste Dupin. Vários dos contos de horror de Poe se passam na Alemanha, Espanha, Grécia e Itália.

Dez? Só Dez? (Filmes que levaria para uma ilha deserta.) Que maldade, Ivan... Você se esqueceu de que hoje existe o vídeo? Poderiam ser cem... Mas como você me deu a chance de levar somente dez... Aí vão: "Paixão de Joana D’Arc", de Carl Dreyer, "Luzes da Cidade", de Charles Chaplin; "Uma Noite na Ópera", de Sam Wood; "A Ilha dos Mortos", de Val Lewton e Mark Robson; "O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchock; "Se Todos os Homens do Mundo", de Christian-Jaque; "As Grandes Manobras", de René Clair; "Escola de Sereias", de George Sidney: "De Repente num Domingo", de François Truffaut; e "O Magnífico", de Philippe de Broca. Mas, como bom brasileiro, daria um jeitinho de levar de contrabando "O Segredo da Múmia...

(De quais de seus roteiros transformados em filme gosta mais) "O

Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "O Segredo da Múmia". Com a ressalva de que ainda não vi "O Escorpião Escarlate".

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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA

• MÚSICA SECRETA (Poemas em Prosa) - Edição do Autor, Ribeirão Preto, 1952

• NOITE DIABÓLICA ( Contos Macabros) - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• OURO DOS MORTOS - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• DOBRE SINISTRO - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• CERIMÔNIA MACABRA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• FIM DE SEMANA COM A MORTE - Editoral Bruguera, Rio de janeiro, 1972

• CONFISSÕES DE UMA MORTA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• LEGIÕES DE VAMPIROS (antologia) - Editora Edrel, São Paulo, 1972

• OS AMANTES DA SRA. POWERS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1973

• À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• ESTA NOITE ENCARNAREI NO SEU CADÁVER - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• O VALE DOS MORTOS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• SETE VENTRES PARA O DEMÔNIO - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A ESCRAVA DE SATANÁS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• A MALDIÇÃO DO SANGUE DE LOBO - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• FANTASMA DO TIO WILLIAM - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A HERDEIRA REBELDE - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• EMISSÁRIO DE SATÃ - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• OS VAMPIROS ATACAM (Antologia) - Editora Saber, São Paulo, 1975

• NOS DOMÍNIOS DE DRÁCULA - Cedibra, Rio de janeiro, 1975

• SEXO DE ENCOMENDA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Difel Difusão Editorial, São Paulo, 1979

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (2a. edição) - Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1983

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Círculo do Livro, São Paulo, 1983

• CARLITOS, O MITO ATRAVÉS DA IMAGEM - Editora Colégio, Ribeirão Preto, 1987

• DRÁCULA (Recontado) - Editorial Cunha, São Paulo, 1987

21

• CRIME DA GAIOLA DOURADA (Relançamento) - Círculo do Livro, São Paulo, 1987

• VAMPIRISMO, O CINEMA EM PÂNICO ( parceria com Ivan Cardoso) -

Editora Brasil- América/Fundação do Cinema Brasileiro, Rio de Janeiro, 1990

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (3a. edição) - Editora Ática, São Paulo, 1992

• A TEIA NAS SOMBRAS - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1993

• UMA SOMBRA DO PASSADO - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• LOBISOMEM - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• (*) - Adaptados dos filmes de José Mojica Marins.

• Sob os mais variados pseudônimos, publicou 53 pocket-books pela Cedibra Editora Brasileira, Rio de Janeiro, 1973/1981, nos gêneros: aventura, fantasia, policial, romântico.

• Como ghost-writer escreveu cerca de 817 títulos até dezembro de 1996.

FILMOGRAFIA

FILMES EXPERIMENTAIS

EM COLABORAÇÃO COM BASSANO VACCARINI

• 1960 - ABSTRAÇÕES (Estudos 1, 2, 3 e 4)

• 1 Prêmio Categoria Fantasia no VIII Concurso de orientação de Cinema Amador do Foto-Cine Clube

• Bandeirante - São Paulo, abril de 1961

• 1960 - FANTASMAGORIAS (inacabado)

• 1961 - COSMOS

• 1961 - TOURBILLON

• Menção Honrosa na V Journées Internacionale du Cinéma d’Animation -

Annecy, 1963

• "Fotograma de Ouro" - Prêmio Oficial do Conselho Nacional de Cine-Clubes, ao melhor filme

• de Categoria Experimental - Todos os prêmios foram ganhos no I Festival do Filme Brasileiro de

• Curta-Metragem - Salvador, Fev/1965

• 1961 - A SOMBRA (inacabado)

22

• 1961 - VÔO CÓSMICO

• 1961 - RINOCERONTES

• 1961 - VIAGEM À LUA

• 1961 - ESTUDO 5

• 1962 - CATEDRALLE

• 1962 - ARABESCOS

• 1962 - VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE MIRÓ

• 1962 - PAINEL ABSTRATO

• 1963 - PLANIFICAÇÃO (inacabado)

FICÇÃO]

• 1968 - TRILOGIA DO TERROR (episódio PESADELO MACABRO) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1968 - ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1969 - RITUAL DOS SÁDICOS - Roteiro - Direção: José Mojica Marins (*)

• 1971 - SEXO E SANGUE NA TRILHA DO TESOURO - co-autor do argumento-roteiro Direção:

• José Mojica Marins

• 1971 - A MARCA DA FERRADURA - roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1971 - FINIS HOMINIS (O FIM DO HOMEM) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1971 - QUANDO OS DEUSES ADORMECEM - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1972 - A HERDEIRA REBELDE - Argumento e Roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1974 - EXORCISMO NEGRO - co-autor do argumento-roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1975 - A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES - Roteiro -

Direção: Marcelo Motta

• 1976 - INFERNO CARNAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1977 - MUNDO - MERCADO DO SEXO ( MANCHETE DE JORNAL) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

23

• 1977 - DELÍRIOS DE UM ANORMAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1981 - A PRAGA (inacabado) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1982 - O SEGREDO DA MÚMIA - (Prêmio "Melhor Roteiro" no X

Festival de Gramado, 1982) - Roteiro

• Direção: Ivan Cardoso

• 1984 - MEU HOMEM, MEU AMANTE - Argumento, Roteiro e Direção: Jean Garret

• 1986 - AS 7 VAMPIRAS - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1990 - O ESCORPIÃO ESCARLATE - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1992 - A SEITA DOS ESPÍRITOS MALDITOS - co-autor do argumento-roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1993 - O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE - Adaptação e Roteiro

- Direção: Wilson Rodrigues

EM PRODUÇÃO

• AMAZÔNIA MISTERIOSA, de Gastão Cruls - adaptação e roteiro em colaboração com Márcio Souza

- Direção: Ivan Cardoso.

• (*) - Liberado pela censura somente em 1983 e rebatizado com o título de O DESPERTAR DA BESTA

• (Prêmio "Melhor Roteiro" no II Rio-Cine Festival, 1986) VÍDEO

• 1986 - CHAPÉUZINHO VERMELHO - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

• 1987 - JOÃOZINHO E MARIA - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

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