A grande geada por L P Baçan - Versão HTML

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1ª Edição Eletrônica

L P Baçan

Autor

Edição Eletrônica: L P Baçan

Dezembro de 2009

All rights reserved

Copyright © 2009 do Autor

Distribuição exclusiva através do

SCRIBD

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

2

A GRANDE GEADA

Sonhou com a Grande Geada.

Estavam todos lá: o patrão, preocupado, olhando o horizonte; a Maria Preta, solidária com a preocupação dos seus homens; Muquirana, Sacarrolha, Mão-de-Pilão, Jesus, Artemísio, Marinho, Onório, Noé da Silva, Bento, Jucão, Nicolau e os filhos, Alexandre e Milton, de viola em punho, mas sem vontade de cantar, as mulheres silenciosas, as crianças captando a preocupação dos pais, menos o Zepa, com aquele brilho de satisfação nos olhos, coisa que ele não podia esquecer.

Sobre eles, o céu cinzento. O vento frio brincava cruelmente com as folhas do cafezal, anunciando a maldade maior.

Todos esperavam o milagre, certos de que ele não viria. A natureza se manifestava inflexível, com sua vontade inexorável de brincar com os destinos de todos eles, de se proclamar a senhora daquelas terras, a mandona que tudo podia e tudo fazia.

O sol sumia lentamente por trás das nuvens cinzentas, que se afastavam com ele. O céu se limpava com chegada da noite. Esfriava. O vento iria parar.

Deus do céu!

Ciscavam de um lado a outro do terreirão. Raras conversas. Os olhos se voltavam para aquela imensidão verde. Se a geada viesse, tão cedo não veriam aquilo de novo. As folhas enegreceriam, queimadas pelo frio. As plantas murchariam. Secariam. Apenas galhos nus e secos, como braços de uma multidão suplicante.

3

Ao amanhecer, um véu branco e mortal teria coberto todo o cafezal e nada havia que pudesse ser feito. Fechava-se um ciclo.

Aquelas terras já haviam dado muito de si. Os alemães chegavam, com sua soja, seu trigo e suas máquinas. Queriam terras. Queriam aquelas terras. A geada vinha por encomenda deles.

— Desta vez eu vendo tudo mesmo. Não agüento mais. Vou desistir —

confessou o patrão, com os olhos molhados.

Ninguém olhou para ele. Os olhares se fixaram no piso do terreirão.

Talvez soubessem que oravam juntos pela última vez, naquele momento.

Bateu no peito aquela vontade de brigar, de lutar, de resistir, de escrever a epopéia de suas vidas miseráveis, na batalha que mudaria os destinos deles e daquelas terras.

Armados de esperanças e rezas, queriam a inimiga ali, diante deles para equilibrar as forças. Mas ela era mais forte. Ardilosa. Invencível. Invisível. A batalha final não se escreveria com golpes no ar, lâminas frias cortando a geada ao meio, pois as cabeças da hidra se multiplicavam e estendiam suas fauces cada vez mais famintas. Seu hálito mortal enregelava a Fazenda.

Braços se estenderam na impotência. Mãos se juntaram, postas numa oração inútil no decisivo e inútil golpe.

Onde estaria Deus?

A noite os envolveu: frio e escuridão.

Morte lenta.

De um lado para outro, esperando.

Impotência e impaciência.

Esperando juntos.

Cansaço.

Frio no corpo.

4

Frio na alma.

Frio na terra.

Derrota e morte na Fazenda amortalhada.

O texto “Geada” é parte da Novela “Sassarico” e pode ser lida na íntegra no endereço abaixo.

http://www.scribd.com/doc/17250942/SASSARICO

5

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