A mulher de seu irmão por Cheryl St. John - Versão HTML

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A mulher de seu irmão Cheryl St. John

2º Meu doce amor

Argumento: Aquele era um homem de palavra…

Ferido em corpo e alma, Noah Cutter não se acreditava merecedor de

desfrutar da companhia de ninguém. Foi então quando a seu irmão aconteceu

fatura sua forma de vida e Noah se deu conta de que a honra lhe obrigava a

fazer-se carrego da esposa de seu irmão… Ali de pé, com o pescoço do

casaco levantado e o rifle na mão, Noah era o homem mais lhe intimidem que

Katherine tinha visto em sua vida. E, embora as falsas promessas de outro

homem já lhe tinham quebrado o coração, não pôde evitar confiar naquele

desconhecido. De fato, instintivamente soube que devia aproveitar a

oportunidade que Noah lhe brindava, por ela mesma… e por seu futuro filho.

Prólogo

Copper Creek, Avermelhado Abril de 1890

Ao Noah Cutter deu um tombo o estômagao ao ver que se aproximava um

cavaleiro. Imediatamente, deixou a ferramenta com a que estava arrumando

a cerca de arame, agarrou o chapéu que tinha deixado sobre um poste e o

pôs.

A única pessoa que se apresentava no Rock Ridge sem avisar era seu irmão

mas, embora fazia meses que não o via, tinha muito claro que o homem que

se aproximava não era Levi.

O cavaleiro fez reduzir o passo ao cavalo e Noah alargou um braço com a

palma da mão em alto.

—Fique aí.

— Tenho um telegrama para você! —gritou o jovem cavaleiro.

—Deixe-o na cerca e parta.

—O xerife me há dito que é importante que o leia quanto antes porque, ao

melhor, quer me dar uma resposta.

—Muito bem. Então, deixe-o sobre a cerca e retire-se.

O jovem baixou a contra gosto de suas arreios, tirou o telegrama do bolso,

procurou uma parte de arame com o que cravá-lo no poste de madeira pois

fazia vento e esperou nervoso.

Noah o observava em silêncio.

O menino tomou as rédeas de seu animal e se afastou até uma distância

considerável. Noah se aproximou lentamente, agarrou o telegrama, dirigido

ao xerife McHargue, e o leu.

Cadáver de um homem de quase trinta anos, cabelo claro e olhos azuis.

Morto a tiros. Relógio de bolso com inscrição «Com todo meu amor,

Adrienne». Os donos do Salão dizem que é do Copper Creek. O que

fazemos?

McHargue tinha acrescentado uma nota final.

Acredito que deveria ir ver o cadáver. Se quiser, falo eu com o Estel e.

Noah se ficou olhando o telegrama fixamente até que lhe nublou a vista e

sentiu um nó na boca do estômago.

O relógio de bolso não lhe dizia nada. Seu irmão tinha vários e,

provavelmente, alguns deles seriam presentes de mulheres pois Levi tinha

uma em cada porto.

Entretanto, o fato de que o tivessem matado a tiros não ia da cabeça. A

descrição do cadáver encaixava com a de seu irmão, mas provavelmente

também com a de centenas de homens das Montanhas Rochosas.

O fato de que o cadáver tivesse o cabelo loiro e os olhos azuis não queria

dizer que o morto fora seu irmão.

Por outra parte, podia ser seu irmão perfeitamente. Noah levava muito

tempo temendo que ao Levi acontecesse algo assim pois seu irmão era um

homem temerário que sempre andava metido em correrias de saias.

Embora Noah não se levava bem com sua madrasta, não queria que fora o

xerife o que desse ao Estel e semelhante noticia. Talvez o cadáver não fora

o de seu filho, mas, se o era, a mãe do Levi merecia mais consideração.

Noah levantou o olhar.

—lhe diga ao xerife que eu falarei com a senhora Cutter —comentou—. E

que amanhã mesmo a primeira agora irei ao Masonvil e.

—Assim o farei —respondeu o jovem, despedindo-se com a mão.

Continuando, montou em seu cavalo, olhou ao Noah com curiosidade e se

afastou.

Enquanto observava como se perdia no horizonte, Noah rezou para que o

cadáver não fora seu irmão, pois perder ao Levi seria tão doloroso como

perder um braço, como que lhe arrancassem um membro de seu corpo.

«Por favor, que não seja Levi. Por favor, que não seja Levi».

Um

Estavam batendo na porta de maneira insistente.

Kate Aliem Cutter se levantou do cama de armar e cruzou, lentamente, o

salão alisando-a saia. Fazia uma hora que tinha saído de trabalhar na

lavanderia e estava descansando. Sua mãe não tinha que voltar do trabalho

até dentro de meia hora.

Kate abriu a porta com cautela.

Na soleira se encontrou com um homem grande e forte, cujos ombros

bloqueavam o sol do entardecer e cujo rosto misterioso não podia ver com

claridade. Embora não fazia muito frio, o homem levava um casaco com o

pescoço subido e um rifle que parecia um apêndice natural de sua mão.

Ao vê-la, não fez nenhum gesto que indicasse que se fora a tirar o chapéu

negro que lhe caía sobre os olhos.

Kate não o conhecia de nada e sua presença não lhe deu boa sensação. Um

calafrio de apreensão lhe percorreu a coluna vertebral. Estava sozinha em

casa e aquele homem de cabelo algo comprido e barba fechada resultava

ameaçador.

—Sim? Que deseja? —perguntou-lhe com voz trêmula.

—É você Katherine Cutter? —respondeu o desconhecido.

Tinha ido diretamente ao grão, sem preliminares, sem apresentar-se com

educação. Aquele homem tinha ido ali procurando algo muito concreto e suas

maneiras confundiam ao Kate.

—Sim —respondeu—. Quem é você?

—Noah —respondeu o desconhecido como se seu mero nome de pilha

devesse lhe dizer algo.

—Noah? —repetiu Kate.

—Noah Cutter.

Kate piscou confundida.

—Seu cunhado —lhe esclareceu o desconhecido.

Kate sentiu que o coração lhe dava um tombo. Seu cunhado? Fazia cinco

meses que não via seu marido e, embora Levi lhe tinha falado de sua família,

Kate não conhecia nenhum de seus membros. por que quereria aquele homem

vê-la agora, de repente? Kate se levou a mão ao coração instintivamente.

—É você o irmão do Levi?

Noah assentiu.

—Quer passar? —perguntou-lhe Kate educadamente.

— Sim, temos que falar.

—Então, passe —insistiu Kate dando um passo atrás.

Noah entrou e a esperou junto à mesa que havia no vestíbulo. Kate se

colocou bem o xale que levava sobre os ombros, guiou-o até o salão e, uma

vez ali, subiu a persiana pois a tinha baixado para torná-la sesta e a estadia

estava quase em penumbra. Ao fazê-lo, os últimos raios de sol da jornada

banharam o chão de madeira.

—Quer uma taça de café?

—Não, não tenho tempo. Só quero falar —respondeu Noah dirigindo-se à

janela.

Uma vez ali, girou-se para o Kate.

—Do que quer que falemos? —perguntou-lhe ela.

—Quanto tempo faz que não vá ao Levi?

Kate sentiu que a humilhação se apoderava dela e que se ruborizava de pés a

cabeça. Não queria admitir que seu marido se foi sem lhe dizer nada,

abandonando-a a sua sorte.

—Está procurando trabalho.

—Desde quando?

Ao Kate a punha nervosa não poder ver a cara do Noah porque, ao estar a

contraluz, ficava em sombra e ainda a punha mais nervosa que lhe tivesse

feito aquela pergunta.

—Uns meses.

—Tenho más notícias.

Kate sentiu que o coração lhe acelerava e que as Palmas das mãos lhe

cobriam de suor.

—Escuto-lhe.

—Levi foi assassinado a semana passada.

Kate teve que fazer um grande esforço para que aquela informação não lhe

destroçasse o coração. Levi assassinado? Morto?

—Está seguro?

—Sim.

—Não poderia tratar-se de outra pessoa?

Kate rezava todos os dias para que seu marido voltasse para casa e a tirasse

da espantosa situação que se viu obrigada a sofrer desde que tinha

desaparecido. Agora isso jamais aconteceria!

—Não poderia tratar-se de alguém que lhe parecesse fisicamente ou que

utilizasse seu nome?

—Não, venho do Masonville de reconhecer seu cadáver —respondeu Noah

com a voz tomada pela emoção—. É Levi.

Kate sentiu como o sangue lhe amontoava nas têmporas. Recordou ao Levi,

recordou a aquele homem de cabelo claro e olhos cheios de vida e lhe

pareceu impossível imaginar-lhe morto, frio e inerte.

Levi morto?

Kate sentiu umas imensas vontades de chorar e, de repente, deixou de ver o

desconhecido que havia em seu salão.

Aquela mulher se estava pondo alarmantemente pálida, assim Noah se

aproximou dela e teve o tempo justo de agarrá-la enquanto caía ao chão.

Continuando, tombou-a em um cama de armar, tomou água de uma bacia

próxima, molhou uma toallita e lhe refrescou as bochechas e a frente.

Fazia muitos anos, da infância, que Noah não se aproximava tanto a uma

mulher e as sensações lhe fizeram tão turbadoras que, combinadas com seu

doce aroma feminino, obtiveram que lhe tremesse a mão.

A viúva de seu irmão tinha o cabelo loiro como o mel e uma pele suave e clara

como a nata. Noah entendia que ao Levi tivesse gostado. A seu irmão sempre

tinham gostado das senhoritas… e às senhoritas sempre tinha gostado de

seu irmão.

Entretanto, havia-lhe flanco acreditar que se casou com uma delas e, de

fato, não o tinha acreditado até que tinha ido ao registro e tinha visto a

licença de matrimônio com seus próprios olhos.

O lugar no que vivia Kate era uma estadia lúgubre e pequena e o vestido que

levava parecia ter sido confeccionado para uma pessoa bastante mais grosa

que ela. Era óbvio que seu irmão não tinha completo com as

responsabilidades de um marido pois não havia provido a sua mulher com um

bom lar nem com roupa apropriada.

Claro que aquilo não lhe surpreendeu porque Levi nunca se responsabilizou

de nada.

Noah se fixou em que havia outro cama de armar no outro lado da habitação

e se perguntou quem dormiria nele.

Havia uma estufa de madeira que mantinha quente a habitação, assim Noah

pensou em tirar o casaco, mas não o fez porque não queria que Kate voltasse

a desvanecer-se quando recuperasse a consciencia.

Noah voltou a molhar o trapo e voltou a lhe umedecer o rosto e o pescoço.

Continuando, com a intenção de lhe umedecer também as bonecas, agarrou-a

pela mão. Ao fazê-lo, fixou-se em que a mão estava apoiada sobre sua tripa,

uma tripa ligeiramente avultada.

Aquela mulher estava grávida.

Noah ficou olhando aquela tripa, pensando em seu irmão, perguntando-se se

o bebê seria dele.

Noah ficou a toalha sobre os olhos e a apertou. A ver se assim lhe

esclareciam idéias. Um suspiro o tirou de sua confusão e, ao tirá-la toalha

dos olhos, viu que Kate estava abrindo as pálpebras, assim que se sentou em

uma cadeira junto à janela.

—Sinto muito. É a primeira vez que me acontece algo assim —se desculpou

Kate sentando-se.

—O filho que vai ter é do Levi?

Kate o olhou furiosa.

—Levi é minha… era meu marido. É obvio que é seu filho —respondeu—. O

que aconteceu? Quero saber como morreu.

—De um tiro.

—De um tiro? Quem o Mato? —perguntou Kate, com os lábios trementes.

—Um homem.

—Está no cárcere?

—Primeiro tem que haver um julgamento.

—O que me está tentando ocultar? Advirto-lhe que o averiguarei de todas

maneiras.

—Eu acredito que seria melhor que deixasse as coisas correr…

—Por favor, diga-me isso tudo. Do contrário, terei que ir falar com o xerife.

me economize esse sofrimento.

—O homem se chama Robinson.

—E por que o matou?

—Porque o pilhou com sua mulher.

A expressão do rosto daquela mulher não foi de surpresa, mas sim de dor e

de humilhação embora não tinha nenhum motivo para sentir-se humilhada.

—Como se inteirou você de que seu irmão estava casado comigo?

antes de que Noah lhe desse tempo de responder se abriu a porta.

Noah se girou e viu entrar em uma mulher incrivelmente magra e de ombros

cansados, que chegava com um casaco maltratado. Ao vê-lo ali, olhou-o com

desprezo.

—E este o que faz aqui? —perguntou ao Kate.

—Mamãe, apresento-te ao irmão do Levi, Noah Cutter —respondeu ela.

A mãe do Kate pendurou o abriu no perchero que tinha parecido na porta e

Noah se fixou em que levava um vestido velho.

—E onde está seu irmão? Não lhe tornamos a ver o cabelo desde que deixou

grávida ao Kate.

—Mamãe, por favor.

—Para que nos vamos andar pelos ramos? Eu tivesse preferido que minha

filha não se encaprichara de um homem bonito e se casasse com ele, mas

como não aceita conselhos de ninguém… Ela sempre se acreditou que sabia o

que fazia, sempre teve delírios de grandeza, sempre se acreditou melhor

que as demais, sempre sonhando tendo uma casa grande. Não sera porque eu

não lhe haja dito, uma e outra vez que a vida te dá o que te merece, que tem

que jogar com as cartas que tem e que os contos não revistam ter um final

feliz.

Kate se ruborizou e, obviamente, mordeu-se a língua para não responder.

—Meu irmão morreu —anunciou Noah abruptamente.

A mãe do Kate o olhou perplexa.

—O que lhe passou?

—Mataram-no.

—Suponho que estaria metido em alguma confusão, não? —disse a mulher

sacudindo a cabeça—. Bom, filha, está melhor sem ele. Esse homem não ia

ser um bom pai, jamais te tivesse feito feliz. Agora o que tem que fazer é

te concentrar no trabalho, te ocupar de seu filho e lhe dar de comer

durante, mais ou menos, quinze anos… até que te rompa o coração.

Kate fechou os olhos ante as duras palavras de sua mãe e Noah sentiu que

começava a ter calor e não acreditava que fora pelo casaco.

—Mamãe, Levi era o irmão do senhor Cutter, assim deveríamos lhe mostrar

nossas condolências.

—A ele? E o que me diz de ti? Você é sua viúva, não? —respondeu sua mãe—.

O que vai fazer agora ela? —acrescentou olhando ao Noah—. Uma mulher só

e com um filho não tem nada que fazer nesta vida. Possivelmente dentro de

um ano estará exercendo a prostituição. Recorde minhas palavras.

—Mamãe! —protestou Kate.

—vim para me levar isso comigo —respondeu Noah de uma vez.

Tanto Kate como sua mãe se giraram para ele.

—Como há dito? —perguntou-lhe Kate.

— vem-se você comigo —respondeu Noah.

—Mas se não o conheço de nada, nem sequer sei onde vive —objetou.

—Vivo em um rancho chamado Rock Ridge que está no Copper Creek. Tenho

casa e gado e a intenção de me fazer carrego de você. Que mais precisa

saber?

Que mais precisava saber? Kate sentia que a cabeça lhe dava voltas ante a

preocupação que tinha porque sua circunstância era se desesperada, porque

tinha medo do futuro e porque estava consternada ante a notícia de que seu

marido tinha morrido.

Kate tentou concentrar-se no que aquele homem lhe estava dizendo. Levava

trabalhando na lavanderia desde que tinha onze anos. Agora tinha vinte e

cinco, assim levava mais da metade da vida naquele trabalho. Não queria que

seu filho se criasse naquele ambiente urbano tão espantoso e tampouco

queria ter que levá-lo nas costas todo o dia enquanto trabalhava como

tinham feito com ela.

Ao Kate não gostava absolutamente do trabalho que tinha e a companhia de

sua mãe lhe resultava do mais cansativo. Tinha que sair dali. Talvez, nunca

tivesse uma oportunidade melhor.

—Poderia trabalhar para você —respondeu—. Sei lavar, cozinhar e limpar.

Posso aprender a fazer algo… jardinagem, ganho.

Sua mãe ficou olhando-a.

—Aprendo rápido —insistiu Kate—. Nunca me ponho doente. O desmaio de

antes… é a primeira vez que me passa na vida. Prometo-lhe que jamais terá

que gastar-se dinheiro em minha saúde.

—Mas o que está dizendo, filha? —interveio sua mãe—. Te está vendendo a

este desconhecido? Este o único que quer é mão de obra gratuita.

—Para que saiba, senhora, tenho muitos empregados em meu rancho e todos

cobram adequadamente —a corrigiu Noah em tom cortante.

A mulher o olhou zangada.

—Então, para que a necessita?

—Eu acredito que é ela a que me necessita —respondeu Noah, girando-se

para o Kate—. Vem?

Kate se girou, agarrou uma bolsa e colocou dentro seus escassas pertences.

Nem sequer se parou a ver se se tinha esquecido de algo nem a pensar nem a

reconsiderar sua decisão. Continuando, ficou o casaco e as botas e se dirigiu

para a porta.

—Adeus, mamãe. Já te escreverei.

Noah Cutter a seguiu, agarrou-a por cotovelo e a guiou até um cavalo que

tinha pacote fora da casa.

—Tenho uma carreta nos esperando nas cavalariças —lhe explicou—. Para

levar o ataúde.

Kate se atou os laços azuis de seu chapéu por debaixo do queixo.

—Muito bem.

—Até ali, teremos que ir a cavalo.

—Nenhum problema.

Noah pôs um pé no estribo e subiu com facilidade à cadeira. Continuando,

alargou o braço para ajudar a subir ao Kate.

—Katy, não te cria que vais poder voltar quando houver tornado a colocar a

pata! —gritou sua mãe a suas costas.

Kate aceitou a mão do Noah Cutter, apoiou a bota sobre o estribo e subiu ao

cavalo.

—Agarre-se a meu cinturão —indicou seu cunhado.

Kate assim o fez. Ao princípio, tocou o couro do cinturão, mas, logo,

encontrou o tecido de flanela de sua camisa e aquilo lhe desejou muito

íntimo e reconfortante de uma vez.

Noah pôs o cavalo em marcha e Kate se agarrou com força.

—Katy!

Kate não olhou atrás. Tinha sido uma imbecil por apaixonar-se pelo Levi

Cutter, de sua beleza e de seu senso de humor; comportou-se como uma

ingênua e ele a tinha abandonado, dando ao traste com seus sonhos de ter

uma vida melhor e com suas esperanças de ir-se daquele lugar.

Kate se perguntou sinceramente se, ao fazê-lo, realmente lhe tinha

quebrado o coração ou se, simplesmente, tinha sido seu orgulho o que se

havia sentido ferido. Tentando ser sincera consigo mesma, deu-se conta de

que o que a incomodava no peito se parecia mais à vergonha que à dor.

Talvez tinha sido uma loucura ir-se com um homem ao que não conhecia de

nada, ao melhor se equivocou, mas aquilo podia ser o melhor que lhe tivesse

acontecido na vida. Ao melhor seu filho e ela ainda tinham uma possibilidade

de ser felizes.

Teria sido uma loucura não aproveitar a ocasião.

Dois

O gigante barbudo se manteve em silencio durante todo o trajeto até as

cavalariças. Tampouco falou enquanto preparava a carreta, atava o cavalo à

parte traseira e indicava ao Kate que subisse.

Levava o chapéu negro jogado sobre o rosto, assim ao Kate era impossível

ver como era fisicamente.

Kate ficou um momento olhando o ataúde de pinheiro, que continha os restos

de seu marido e, continuando, subiu à carreta com a intenção de olhar para o

futuro. Não tinha tido tempo de assimilar tudo o que lhe estava acontecendo

e se sentia algo confusa, mas estava segura de que a realidade a apanharia

cedo ou tarde.

Ao cabo de um momento, Noah Cutter subiu a seu lado, tomou as rédeas

entre as mãos e pôs aos cavalos em marcha.

—Quanto tem que aqui ao Copper Creek? —perguntou-lhe Kate.

—Aproximadamente um dia e meio para o oeste.

—vamos viajar de noite?

— Sim, acamparemos ao ar livre para que os cavalos possam descansar.

Kate assentiu e se preparou para a viagem e para a nova experiência. Todo

aquilo lhe produzia uma sensação parecida com a de ter centenas de

mariposas lhe revoando no estômago.

—vivi toda minha vida no Boulder —comentou.

Noah não respondeu, assim Kate olhou por última vez aquela população que

tanto detestava, pensou em toda a roupa dos mineiros e dos habitantes de

bons costumes que tinha lavado e engomado e se despediu sem nenhuma

pena daquele lugar.

Embora tivesse que ocupar-se da roupa daquele homem e de toda sua família

durante o resto de sua vida, seria muito menos trabalho que ter que

manter-se ela sozinha.

—me fale de seu rancho.

—Tem vários milhares de acres, boa água e pastos abundantes.

—E a casa?

—Construiu-a meu pai. Tem dois novelo e um alpendre dianteiro. Os

empregados comem em um edifício separado.

—Tem família?

—A única família que tinha era Levi.

Aquele homem não estava casado nem tinha filhos?

—E eu onde vou viver?

—Na parte de acima há quatro dormitórios. Um deles o meu, você pode ficar

com qualquer dos outros…

—O que hei dito antes de trabalhar para pagar minha manutenção e meu

alojamento o hei dito a sério.

Noah a olhou como se estivesse pensando para que podia lhe servir. Kate o

olhou e ele se apressou a apartar o olhar.

—Levi cresceu nesse rancho?

Noah assentiu.

—Não me contou quase nada de sua família. Não sabia de onde era. Seu pai

sabe que… sabe o que aconteceu ao Levi?

—Nosso pai morreu faz anos.

—E sua mãe?

—Minha mãe, também. avisei à mãe do Levi. Estará nos esperando quando

chegarmos.

—Levi e você eram filhos de mães diferentes?

Noah voltou a assentir.

Kate se dedicou a observar a paisagem porque era quase impossível obter

informação daquele homem taciturno. Os picos das montanhas estavam

nevados, mas as coniferas, que habitavam as regiões baixas, decoravam a

paisagem com suas variadas tonalidades verdes.

—Ainda fica muita neve —comentou Kate.

—Sim —respondeu Noah.

Ao cabo de um momento, cruzaram um riacho que ia parar a um precioso

lago.

—OH, isto é maravilhoso. A água é de cor turquesa —se maravilhou Kate.

Noah ficou olhando-a e assentiu.

—Deve estar pensando que sou uma paleta, mas, tal e como lhe hei dito

antes, vivi toda minha vida no Boulder, nunca saí dali. Levi me ia levar depois de… bom, me ia levar a ver um montão de sítios. Você viajou muito?

—Não muito.

—Conhece outros estados?

Noah assentiu.

—Quais? Viu o mar?

—estive no Texas, em Nebraska e em Kansas.

—eu adoraria ver o mar. Tenho lido costure sobre o mar e o vi em quadros.

Uma vez houve uma exposição de uma pintora de Maine e todas as garotas

da lavanderia fomos vê-la. Eram uns quadros preciosos, em cores azuis,

verdes, morados e rosas. Deve ser maravilhoso pintar assim, verdade?

Noah se encolheu de ombros, como se jamais lhe tivesse passado

semelhante pensamento pela cabeça.

Estava anoitecendo e Kate começava a ter frio, assim que se amassou em

seu casaco e permaneceu em silêncio.

Ao cabo de um momento, Noah parou a carreta junto a um campo de algodão.

—vamos passar aqui a noite? —perguntou Kate.

Noah grunhiu algo e baixou. Continuando, ajudou-a a baixar.

—Uy, que dor de costas —se queixou Kate ao pôr os pés no chão—. Onde

poderia…?

Noah lhe indicou uns arbustos que havia junto ao rio.

—Obrigado. Agora volto.

Enquanto observava como se afastava coxeando levemente, Noah se

perguntou como era possível que uma pessoa pudesse falar tanto como

aquela mulher. Kate logo que tinha parado de falar desde que tinham saído

do Boulder.

Não era que ao Noah importasse, sempre e quando não esperasse que

participasse da conversação.

Noah desatou aos três cavalos e os levou para o rio. Quando terminaram de

beber, levou-os a pradaria para que comessem. Continuando, tirou uma

cafeteira e comida de um dos sacos que transportava.

—Já estou aqui —anunciou Kate ao voltar—. O ajudo a fazer algo?

—Necessito água —respondeu Noah, assinalando a cafeteira.

—Agora mesmo volto —respondeu Kate, indo para o rio de novo.

Enquanto isso, Noah acendeu um fogo.

—Tem loja? —perguntou-lhe Kate ao voltar.

—Não.

—Então, vamos dormir ao ar livre? Que aventura! Lembro-me uma vez em

que minha mãe e eu não tínhamos onde dormir e estivemos várias semanas

nos cobrindo sob uma carreta rota que havia detrás de umas quadras. Não

chovia, mas fazia muito frio de noite. Lembrança que se viam muito bem as

estrelas. Seguro que aqui as vemos ainda melhor.

Enquanto a escutava, Noah cortou dois pedaços de porco em salmoura e os

fritou na frigideira. Continuando, abriu uma lata de feijões. Quando a

comida esteve quente, dividiu-a em duas partes iguais e a serve em dois

pratos de lata.

Continuando, deu- um ao Kate junto com uma colher.

—Obrigado —respondeu Kate, sentando-se no chão junto ao fogo.

Ambos jantaram em silêncio.

—vou lavar os pratos —anunciou Kate quando tiveram terminado.

Noah lhe entregou o seu, Kate ficou em pé e se afastou. Noah colocou duas

esteiras, um a cada lado da fogueira, revisou seu revólver e se tombou.

—O que faço com os pratos? —perguntou-lhe Kate ao voltar.

—Deixe-os sobre um lenho junto ao fogo. Secarão-se sozinhos.

Kate assim o fez. Noah a observou enquanto se movia com cuidado, tirava-se

os sapatos e se tombava sobre sua esteira. Noah se girou e fechou os olhos.

Ao dia seguinte ia ter que ver o Estelle e queria estar descansado.

—Viu todas essas estrelas? —exclamou Kate—. Me sinto muito pequeñita

aqui tombada. Lhe ocorreu pensar que em alguma terra longínqua, talvez na

Espanha ou no Egito, haverá pessoas como nós olhando as estrelas neste

mesmo momento?

—Nessas terras era agora certamente será de dia.

—Bom, mas em algum lugar tem que ser também de noite —insistiu Kate sem

dar-se por vencida ante a falta de imaginação do Noah—. Se sabe o nome

das constelações?

—De algumas.

—Qual é essa daí?

—Essa daí é a Estrela do Norte, aquela daí é a Vas Maior e aquela dali é a

Vas Menor.

—Incrível —suspirou Kate—. Se dá conta de que os exploradores de todos

os tempos se guiaram através dos oceanos graças às estrelas? dá-se conta

de que todos os seres humanos que habitaram este planeta viram as mesmas

estrelas?

—Algumas delas pode que já não existam.

—Pode.

Aquela mulher não se cansava alguma vez de falar?

—Obrigado por ter vindo a me contar que Levi tinha morrido —disse Kate de

repente—. Obrigado também por pensar que ia necessitar sua ajuda. Não

quero que meu filho cresça como eu. Quero que tenha uma vida melhor. Levi

nos ia levar a viver a outro sítio, a algum lugar onde nosso filho pudesse ir à escola e crescer com amigos e vizinhos.

Noah suspeitava que Kate não teria tornado a ver seu irmão, embora não o

tivessem matado.

—Se não tivesse vindo, não teria tido mais remedeio que ficar naquele lugar,

assim… obrigado.

—Ande, durma. Amanhã temos que madrugar.

Vários minutos depois, Noah voltou a escutar a voz do Kate.

—Há animais selvagens por aqui?

—Talvez.

—Estamos a salvo?

—Não acredito que se aproximem. O fogo e nosso aroma os manterá a

distância.

—Ah.

Silêncio.

Por fim.

Noah passou má noite e não descansou bem pois se passou horas pensando

no cadáver de seu irmão que jazia na carreta e na mulher que dormia ao

outro lado da fogueira e perguntando-se o que ia fazer com ela e com o

bebê.

Levava um par de horas dormindo, quando despertou de repente e consultou

o relógio. Depois de recolher suas coisas e dar de beber aos cavalos,

reavivou o fogo e preparou o café da manhã.

Kate despertou e se levou imediatamente a mão à região lombar de suas

costas. Ao Noah não o fazia nenhuma graça obrigar a dormir à intempérie,

uma noite, e a viajar na carreta durante duas jornadas, mas aquele mesmo

dia chegariam a sua casa e estariam a salvo.

Ao Noah pareceu que Kate estava extrañamente calada aquela manhã.

—encontra-se bem? —perguntou-lhe, enquanto entregava um prato de papa

e uma taça de café.

Kate assentiu.

—Obrigado.

—Sei que o assento da carreta não é o mais cômodo do mundo, assim pensei

que poderia lhe pôr umas mantas na parte atrás e poderia ir você tombada.

Kate considerou a opção e Noah supôs que estaria imaginando-se tombada

ao lado do ataúde de seu marido, assim não sentiu saudades que declinasse

sua proposta.

À medida que foi transcorrendo a manhã, o silêncio do Kate se foi

dissipando e para o meio-dia estava falando tão contente, como no dia

anterior, desfrutando com as formas das nuvens, com a vegetação, com a

neve que havia no alto das montanhas e com a agradável temperatura.

Noah tinha que fazer um grande esforço para não perder-se na corrente de

palavras que brotavam de sua boca sem cessar. Ao Kate não parecia lhe

importar que estranha vez respondesse. Em qualquer caso, a maior parte de

suas perguntas eram retóricas, assim, para quando chegaram ao Rock Ridge,

Noah tinha decidido que não seria difícil viver sob o mesmo teto que aquela

mulher.

A única experiência com mujeres,que tinha tido em sua vida adulta, tinha

sido com sua madrasta e com as esposas dos rancheiros de ao redor,

mulheres que nunca lhe tinham inspirado querer casar-se.

Em qualquer caso, embora tivesse querido fazê-lo, nenhuma mulher teria

querido casar-se com ele.

—Essas vacas daí são delas? —perguntou-lhe Kate, ao passar frente a um

rebanho que estava pastando.

Noah assentiu.

—Morro de vontades por ver meu novo lar —exclamou Kate emocionada.

Noah tentou imaginar o Rocking C através dos olhos de alguém que não o

tivesse visto jamais. Para ele, sempre tinha sido seu lar.

Quando chegaram ao alto de uma colina, ficou ante eles o vale no que estava

o rancho, uma terra cheia de árvores e de água, de campos de algodão e de

álamos.

—OH —foi tudo o que Kate comentou.

Noah se perguntou o que estaria pensando, mas, como de costume, não teve

que esperar muito para que Kate o dissesse.

—Isto é precioso. É o lugar mais bonito que vi em minha vida. Que casa tão

grande! Quantas pessoas vivem nela?

—Com você, dois.

—E os empregados?

—Há outro edifício.

—E na casa não o ajuda ninguém?

—Marjorie Benson, a esposa de um dos capatazes, vem um par de vezes por

semana a limpar e a lavar. Têm uma cabana um pouco mais à frente.

—E quem cozinha?

—Fergie, que vive com os empregados.

—Assim, vive você sozinho em uma casa tão grande?

Noah assentiu.

—E sua madrasta? Onde vive a mãe do Levi?

—Em uma casa muito bonita no centro do povo.

—Mais bonita que esta?

quanto mais se aproximavam, mais emocionada e maravilhada estava Kate.

—A casa é preciosa, é certo, mas o interior se poderia melhorar —comentou

Noah—. Poderia encarregar-se você disso.

Noah parou a carreta frente à casa. Dois homens se aproximaram para

ajudá-lo com os cavalos e outros dois ficaram olhando com curiosidade das

quadras.

Noah se desceu da carreta e ajudou a baixar ao Kate.

—Apresento-lhes ao Kate, a mulher do Levi —anunciou com brutalidade.

Imediatamente, os homens se tiraram os chapéus e saudaram com a cabeça

educadamente.

—Senhora.

Incômoda, Kate se limitou a assentir.

—Tirem o ataúde da carreta, deixem no comilão e tragam algo para abrir a

tampa —os insistiu Noah, agarrando a bolsa com as pertences do Kate e

guiando-a ao interior da casa.

Kate o observava tudo com interesse. As estadias lhe desejaram muito

enormes e cheias de móveis de madeira maciça. precaveu-se de que havia

uma chaminé de pedra, mas Noah lhe fez um sinal para subir ao piso de

acima, assim que o seguiu.

—Este é meu dormitório —lhe informou ante a primeira porta da esquerda.

Continuando, levou-a até a última porta da direita e lhe indicou que

acontecesse. Kate entrou no dormitório, que tinha o chão de madeira, gentil

e brilhante, como se ninguém o tivesse pisado jamais. Também havia na

estadia uma estufa de lenha, um tapete de lã e uma enorme cama. Sobre a

cama havia uma colcha de flores a jogo com as cortinas e, em frente, uma

mesa e um armário.

—Marjorie se encarrega do ter tudo limpo —lhe disse Noah.

—É o sítio mais bonito no que vivi jamais —comentou Kate com sinceridade

—. estive em casas como esta quando fui a deixar a roupa limpa, mas nunca

tinha sonhado vivendo em uma delas.

Obviamente, Noah Cutter era um homem muito rico pois tinha terra, ganho

e uma casa incrível. E Levi era seu único parente.

—Descanse —lhe disse Noah—. Vou por água.

E, dito aquilo, foi.

Kate olhou a seu redor, viu seu reflexo no espelho da mesa e se tirou o

chapéu, deixando o cabelo solto.

Uns minutos depois, apareceu Noah de novo. Levava na mão um cubo de água

fresca, que derramou na bacia que havia junto ao espelho. Sem dizer nada,

girou-se e se foi, fechando a porta atrás dele.

Kate se aproximou da janela e o viu dirigir-se às quadras.

Que homem tão estranho.

Que situação tão estranha.

Depois de tirá-la roupa com a que tinha dormido, lavou-se com a água limpa e

uma barra de sabão de aroma maravilhoso que encontrou junto à bacia.

Continuando, ficou roupa limpa, colocou as toalhas para que se secassem,

provou o colchão da cama e, ao encontrá-lo cômodo, tombou-se a descansar

seu maltratado corpo.

Noah tirou dois pratos do forno que havia no edifício no que comiam os

empregados e os levou a cozinha de sua casa. Aquele seu costume de levá-la

comida a casa e de comer sozinho era algo que nunca tinha questionado

ninguém.

Ao chegar, comprovou que a casa estava em silêncio, assim deixou a comida

na cozinha e subiu as escadas para a habitação do Kate.

Ao chegar ao fundo do corredor, chamou a sua porta.

Teve que chamar de novo.

—Sim?

—A comer.

—OH, já vou. Agora mesmo baixo.

Noah se tirou um fósforo do bolso e acendeu um abajur de azeite que havia

na parede, para que Kate pudesse encontrar o caminho.

Fiel a sua palavra, Kate apareceu na cozinha quase imediatamente. Noah se

fixou em que levava um vestido com duas filas de encaixe, uma na prega e

outra na cintura. Era um vestido como os que levavam as mulheres às

excursões do verão.

Noah lhe assinalou uma cadeira e Kate se sentou, notando-se em que logo

que havia luz na estadia.

Noah colocou um prato ante ela.

—Obrigado —lhe disse Kate, tomando o garfo com uma mão.

Noah se sentou ao outro lado da mesa.

—Acendo o abajur? —perguntou-lhe Kate.

—Não.

—Muito bem —respondeu Kate provando o guisado—. Me fiquei dormida.

—Suponho que estaria cansada.

Kate assentiu.

—Suponho que manhã terei tempo de sair para conhecer os empregados.

—A maior parte deles estarão baixando às vacas das colinas.

—Para que?

—Para as marcar.

—Entendo. Então, poderei me ocupar da roupa. É o que melhor me dá fazer.

Não me importa me encarregar dessa tarefa.

—Disso se encarrega Marjorie. Assim, ganha um dinheiro extra, assim não

acredito que lhe faça muita graça que o tire.

—OH, é obvio que não. Então, poderia me ocupar de cozinhar. Não me dá

muito bem, mas posso aprender.

—Disso se encarrega Fergie.

—Ah.

—Café?

—Sim, obrigado.

Noah ficou em pé, serve duas taças de café e deixou uma frente a ela.

—Deveria ser eu quem lhe servisse —sorriu confundida.

Ao olhar ao Noah, Noah se girou e se afastou para o extremo da mesa no

que se sentou ao início da comida.

—Gosta de sua habitação?

—É maravilhosa, obrigado. Suponho que não era a do Levi… o digo porque

está decorada com flores.

—Não.

—Em qualquer caso, é preciosa. Obrigado por me haver subida água quente.

—Se quer dar um banho, diga-me isso Não me custa nada lhe encher a

banheira.

—O certo é que manhã pela manhã me viria muito bem me lavar o cabelo.

Noah assentiu.

—Se necessitar algo, diz-me isso… roupa ou… o que seja —disse Noah, que

não tinha nem idéia do que uma mulher podia precisar—. Há lojas no Cedar

Creek.

—Tenho dois vestidos muito bonitos —respondeu Kate—. Eu era a mais

miúda da lavanderia e, como a proprietária não os quis, deu-me isso. Parece-

me que eram de uma garota bastante mais jovem, sabe?, mas não me queixo

porque são de muito boa qualidade.

—Já…

—E o que faz você aqui pelas noites?

—Reviso o que faz falta para o dia seguinte, ocupo-me do gado e das contas

e vou à cama.

—Já.

—Há livros no salão. Se quiser algum, você sirva-se mesma.

Kate assentiu e pensou no cadáver de seu marido. Tinha ouvido como Noah

dizia aos empregados que o levassem a comilão.

—vai organizar um funeral?

—Amanhã será o velório. Virá Estelle, a mãe do Levi. Enterraremo-lo na

quinta-feira pela manhã.

—Não deveria haver alguém com o corpo?

—você vá se quiser.

—Suponho que lhe parecerá estranho não me haver visto chorar.

—Não.

—Chorei tão quando Levi se foi que suponho que não ficam lágrimas. Isso foi

faz cinco meses. Talvez é que ainda não reagi e não assimilei que se morreu.

«Ao melhor o que não assimilou é que meu irmão estava com a mulher de

outro homem», pensou Noah.

Quando lhe havia dito aquilo, Kate apenas se sentiu saudades. Possivelmente

fora mais forte do que parecia.

—vou lavar os pratos —anunciou Kate ficando em pé.

—Não, deixe-os junto à porta. Fergie se encarregará deles.

Kate assim o fez.

Noah ficou também em pé.

—Tenho coisas que fazer. boa noite.

—boa noite.

Continuando, Noah se foi a seu escritório e fechou a porta atrás dele. Kate

acendeu um abajur de azeite e se dirigiu ao comilão. Uma vez ali, ficou junto