A noiva restaurada por Neuza Itioka - Versão HTML

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Terceira Edição: Março de 2005

EDITORA Naos

Av. Fuad Lutfalla, 45 — 02968-000 / São Paulo — SP

Tel-Fax (11)3992-8016 www.editoranaos.com.br

editoranaos@editoranaos.com. br

Contracapa

Antes do arrebatamento virá a restauração. A cura da Igreja está

acontecendo, não fique de fora!

Um definitivo mover espiritual está para acontecer a qualquer momento.

Trará consigo um forte e derradeiro apelo da graça de Deus. Mas para ser um

veículo eficaz de comunicação do Evangelho do Reino até aos confins da terra, a

Igreja precisa de cura. Jesus virá para buscar uma noiva que deverá apresentar-

se a ele sem manchas, sem máculas e sem defeito algum. Não podemos

apresentar para a festa de bodas apenas uma caricatura.

A restauração da Noiva será o último ato do Espírito Santo na época da

graça. O momento exige diagnósticos realistas e um tratamento eficaz. Este livro

denuncia e diagnostica alguns dos problemas pelos quais a comunidade

eclesiástica está passando. Enganos, pecados corporativos, raízes da

enfermidade, joio, ação de satanistas e a falsa igreja são alguns dos assuntos

tratados.

A Dra. Neuza Itioka sugere procedimentos terapêuticos para uma noiva

doente.

Sua Comunidade precisa deste bálsamo, desta brisa transformadora,

desta água fresca. Vamos juntos ao encontro do Noivo. É meia noite e já vem

vindo o Noivo!

O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu

filho. Entrando porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um

homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: - Amigo, como entraste

aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Então ordenou o rei aos serventes: -

Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e

ranger de dentes."

(Mateus 22:2,11-13)

Índice

INTRODUÇÃO

4

Primeira Parte O PLANO DE DEUS PARA A IGREJA

Capítulo 1 - A IGREJA COMO NOIVA

8

Capítulo 2 - O CORPO, UM ORGANISMO VIVO

15

Capítulo 3 - A CENTRALIDADE DE CRISTO

21

Capítulo 4 - OS PRINCIPADOS E A IGREJA

30

Capítulo 5 - A MUTUALIDADE NO CORPO

41

Capítulo 6 - A ALMA DE UMA IGREJA

48

Capítulo 7- A IGREJA IDEAL

57

Segunda Parte A REALIDADE DA NOIVA

Capítulo 8 - O ENGANO DA IGREJA

64

Capítulo 9- O PECADO CORPORATIVO

75

Capítulo 10 - RAÍZES DA ENFERMIDADE

85

Capítulo 11 - O JOIO E O TRIGO 1

01

Capítulo 12 - SATANISTAS 1

14

Capítulo 13 - BABILÔNIA, A FALSA IGREJA 1

30

Terceira Parte COMO CURAR A IGREJA

Capítulo 14 - ANÁLISE DAS IGREJAS 1

44

Capítulo 15 - IGREJAS EM BUSCA DA CURA 1

48

Capítulo 16 - RESTAURADA NOS MINISTÉRIOS 1

68

Capítulo 17 - DIAGNOSTICANDO UMA IGREJA 1

82

Capítulo 18 - OBTENDO A CURA DA IGREJA 1

84

Capítulo 19 - COMO MANTER A CURA DA IGREJA

1

91

Capítulo 20 - A NOIVA, COMO ELA DEVE SER 1

94

Introdução

Durante um período de treinamento para missionários fui procurada por

uma irmã. Ela era uma das treinadoras e queria compartilhar comigo uma visão

que ela tinha tido, enquanto orava. Disse-me que nem todos aceitariam a sua

experiência, e que não a reconheceriam como verdadeira. Mas ela sabia que eu

poderia entendê-la, e por isso resolveu compartilhar comigo aquela visão,

afirmando estar certa de tê-la recebido de Deus.

Era a visão de uma noiva. "Uma noiva esquisita" — disse-me ela - "porque

tinha as roupas rasgadas. Estava também suja, caída e bêbada." E ela ouviu

uma voz dizer: "Essa noiva está bêbada de tanto tomar a água do mundo."

Com pesar, concluímos que Deus estava lhe mostrando o deplorável

estado da Igreja. A noiva era a figura da Igreja de Cristo. Estava imunda, com as

vestes rotas; ela achava-se completamente degradada. E tinha se embriagado

tanto com a bebida do mundo, estava tão comprometida com as coisas

mundanas que já não havia sinais de santidade e pureza. Ela parecia ter perdido

essas características. A Igreja tinha perdido tudo o que tinha, ao enquadrar-se

dentro dos valores do mundo.

Naquela noite nós duas choramos, porque entendemos que a Noiva de

Cristo estava naquele estado que ela viu. O Senhor Jesus chama a Igreja de sua

Noiva. Em Apocalipse, o apóstolo João diz:

"'Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, DA PARTE

DE DEUS ATAVIADA COMO NOIVA ADORNADA PARA O SEU ESPOSO. "(Ap 21:2)

Ainda no mesmo capítulo, no versículo 9:

"Entâo, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos

sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a NOIVA, A ESPOSA DO

CORDEIRO; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha

e me mostrou a santa cidade, "Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus."

Mas a noiva de Cristo está suja, com a roupa rasgada, caída e bêbada...

Infelizmente esta é a realidade da Igreja de Cristo. Se o noivo viesse hoje buscá-

la, ela não poderia ser recebida. Como poderia o nosso Senhor receber a sua

amada nessas condições? Como tomá-la pelas mãos, abraçá-la, e olhar fundo

nos seus olhos, se eles estão completamente embriagados, longe, muito longe?

Como falar palavras doces e cheias de amor se essa Noiva já perdeu a

capacidade de compreender a voz daquele que a chama pelo nome? Se o seu

coração se contaminou, e se inclinou a este mundo e por ele se perdeu de

amores?

Que situação tão trágica, tão absolutamente triste e desoladora... que

realidade espiritual deprimente...

Apesar de nem todos poderem compreender a profundidade da realidade

desta clara visão de como se encontra a Noiva, Deus está levantando uma

inquietação no meio do seu povo, mostrando que algo está muito errado. E não

estou falando de uma igreja em particular, desta ou daquela igreja, mas do Corpo

de Cristo como um todo.

A Igreja precisa de cura, precisa de libertação! É a mais premente

necessidade destes últimos tempos, porque a vinda do Noivo aproxima-se cada

vez mais. Muitos contemplam apenas com superficialidade o problema, e tratam

com simplicidade e irreverência a questão da cura da Igreja, como se fosse um

ponto que não dissesse respeito a todos nós. Não é um problema isolado, nem é

responsabilidade daquele líder ou do pastor fulano de tal, ou de uma igreja local,

ou duma denominação. É responsabilidade de iodos nós, pois todos fazemos

parte da Noiva. Há um papel que cada um de nós tem de desempenhar, a esse

respeito.

Deus vai requerer de você, e de mim também, a nossa responsabilidade

no que diz respeito à restauração da Igreja. Não fechemos os olhos. Antes

estejamos com os olhos do discernimento bem abertos e com o coração

sintonizado com Deus; não com um espírito crítico, acusando-nos uns aos

outros, mas estejamos verdadeiramente dispostos a receber orientação e unção

do Pai para esta tarefa.

Sem estar curada, como é que a Igreja poderá cumprir o seu papel de

curar os enfermos, libertar os cativos, tirar as pessoas da prisão espiritual e

anunciar as boas novas, de acordo com Isaías 61:1 -2? Como pode um enfermo

curar outro enfermo, um cego guiar outro cego?

A Igreja de Cristo como um todo, a Igreja universal, está sofrendo as

conseqüências da desintegração das congregações locais. Muitas são as igrejas

que deveriam estar bem, atuando na sociedade como luz do mundo e sal da

terra. No entanto, estão com problemas e bastante enfermas, a ponto de não

poderem transmitir vida. É o que Jesus disse, na sua Palavra, que aconteceria

com o sal que perdesse o seu poder. (Shedd, Russell - Comentário na Bíblia

Shedd)

Algumas das igrejas acabam até mesmo fechando as portas.

Talvez você ainda esteja um tanto reticente, achando que esta visão é por

demais pessimista e que não traduz de fato a realidade espiritual.

É verdade que há igrejas locais que estão crescendo. Muitas apresentam

um número de conversões tão grande que já há a necessidade de se ter dois

cultos, ou mais, nos domingos; ou então estão com o problema de procurar um

templo maior.

De fato, este é um lado da questão. Há muitas igrejas que estão dando

sinais de vida e atingindo um grande número de pessoas que se acham em

busca de uma verdade permanente. Há transformação de vidas e grandes

mudanças nas famílias. O bêbado deixou de beber; aquele que se prostituía

abandonou o seu estilo de vida para buscar a santidade, e muitas outras vitórias.

Tudo isso é encorajador. Mas, olhando para a Igreja de Cristo espalhada pelo

Brasil e pelo mundo, somos obrigados a admitir que a Noiva está doente e

precisa ser restaurada!

É preciso olhar com olhos espirituais, perceber o que está por trás das

aparências, o que existe por baixo da casca, enxergar além do que normalmente

se vê. Se nos satisfazemos apenas com a igreja que cresce, crendo que por

crescer numericamente é uma igreja saudável, fazemos um diagnóstico errado e

tendencioso. E descansamos puramente num ativismo e no crescimento

numérico. Mas nos enganamos.

A saúde espiritual de uma igreja não pode ser confundida com o que

cremos serem sinais de prosperidade: muita gente, muito dinheiro, popularidade,

milagres e maravilhas.

Neste livro pretendo abordar as várias nuanças desta questão. Sempre

que possível ilustrarei com histórias reais, para que você possa compreender

bem tudo o que estará sendo dito. Na medida do possível estarei abordando a

cura da igreja local dentro de uma visão global de libertação pessoal e familiar,

sem esquecer o contexto da libertação da cidade e da nação, segundo os

parâmetros da guerra espiritual. A nossa visão é que, assim como um indivíduo

pode necessitar de libertação e cura, da mesma forma a saúde espiritual de uma

igreja local precisa ser, em certos casos, restaurada.

Portanto, não nos conformemos com a realidade atual, pois ela nos foi

revelada por Deus para que a restauração e a transformação sejam alcançadas.

Que a leitura deste livro o capacite a compreender melhor o que tem

levado a Noiva a este patamar de tanta degradação, e também quais os

caminhos a serem percorridos para que o processo da cura integral se efetive.

Oremos, e que o nosso Senhor Jesus Cristo nos traga arrependimento,

revelação, unção e, principalmente, muito amor. Pois esta obra não se fará sem o

verdadeiro amor que vem do coração do Pai.

Capítulo 1 - A Igreja Como Noiva

Deus na sua sabedoria infinita achou por bem usar a figura da noiva para

representar o seu povo. Porque, de fato, ele entrou em aliança com o povo a

quem escolheu. E esta aliança é profunda, irreversível e eterna. Seria exagero

dizer que, quando Deus instituiu o casamento, ele já tinha a intenção de que a

união de um homem com sua mulher viria a representar a união que ele teria

com o seu povo?

No Novo Testamento, quem fala da noiva é João Batista. Quando lhe

perguntaram quem ele era, ele esclareceu que não era o Messias esperado e

disse:

"O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o

ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu

em um mim. Convém que ele cresça e que eu diminua "(Jo 3:29)

Isso foi dito, portanto, no contexto de identificar quem era quem no

ministério. Muitos criam que João poderia ser o Messias esperado. A maneira

interessante de João referir-se a Jesus, como noivo, aponta para alguém que

veio procurar e preparar a noiva, para as suas futuras bodas, as bodas do

Cordeiro.

“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram,

e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia

do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo."

( Ap 21:1-2)

Jesus também se refere ao noivo quando os discípulos de João lhe

interrogam quanto à prática do jejum:

"Vieram, depois, os discípulos de João e the perguntaram:

- Por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não

jejuam?

Respondeu-lhes Jesus:

— Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o

noivo está com eles? (Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e

nesses dias hão de jejuar. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido

velho; porque o remendo tira parte do vestido, e fica maior a rotura. Nem se põe

vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o

vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos

se conservam." (Mt 9:14-17)

Aqui o Senhor se refere a uma nova estrutura sendo exigida para uma

época nova que estava para ser inaugurada pelo Senhor. As velhas estruturas

teriam que desaparecer e ser substituídas pela nova, por causa da sua noiva. Até

o jejum deveria ser realizado dentro de um novo contexto e de um novo conceito.

Por hora, com o noivo presente, era mais celebração de alegria do que de

contrição. Mas, certamente, viria um tempo de aflição e de arrependimento.

Quando o noivo fosse retirado para ir preparar o lugar para a noiva, ela deveria

jejuar, buscando revelação, unção, sabedoria e transformação.

Vivemos o momento do intervalo entre a cidade de Jerusalém (o povo) —

com quem o Senhor se casou e entrou em aliança, a despeito da sua infidelidade

— e a nova Jerusalém — a cidade santa, perfeita, digna do Cordeiro, e que é a

noiva imaculada, sem mancha, sem rugas, sem defeito algum, mas majestosa e

esplendorosa em santidade e formosura.

O Senhor fez aliança no passado com um povo chamado Israel. E, agora,

existe um povo redimido pelo seu sangue; um povo comprado por ele, através do

seu sacrifício e do derramamento do seu sangue. Este é o povo por quem Jesus

se sacrificou, dando a sua vida. Ele sofreu por este povo, para santificá-lo.

A maneira como Jesus prometeu ao seu povo que iria para o Pai para

preparar um lugar e depois viria buscar a noiva para estar junto com ela para

sempre é exatamente o que um noivo fazia com sua noiva, nos dias de Jesus.

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito.

Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos

receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também." (Jo

14:1-3)

Era deste modo que o noivo agia. Depois de fazer aliança com a noiva,

afastava-se dela e voltava para a sua terra, para construir a casa em que ele iria

morar com ela. Depois vinha buscá-la, casava-se com ela e, juntos, começavam

a nova vida, debaixo do mesmo teto, na casa que foi construída e preparada

para eles. Esta figura não é exclusiva do Novo Testamento. Já no Antigo

Testamento Deus tinha chamado o seu povo, o povo de Jerusalém, de sua noiva.

Quando com ele estabeleceu aliança, o Senhor o fez de uma maneira muito

profunda. Na realidade, ele casou-se com ela.

Jerusalém, A NOIVA

Em Ezequiel 16, Deus fala da cidade de Jerusalém como a sua noiva,

relembrando quem era ela e de onde veio. Isso é interessante porque, em

Apocalipse 21, a Bíblia também chama o povo de Deus de uma cidade: a Nova

Jerusalém. Vejamos o que Ezequiel 16 diz sobre esta cidade. Temos que levar

em conta as circunstâncias em que a cidade se encontrava. De acordo com o Dr.

Russell Shedd, tudo o que então restava de Israel era a cidade de Jerusalém, e

ela encontrava-se despovoada. Ora, aquela Jerusalém nada mais era do que

uma cidade pagã, dos cananeus, tal como a que o rei Davi conquistara e, se

ainda tinha alguma glória, era a graça divina que lhe concedia.

"Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento

procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, hetéia. Quanto

ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem

foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em

faixas. Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas,

compadecido de ti; antes, foste lançada em pleno campo, no dia em que

nasceste, porque tiveram nojo de ti.

Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue e te disse:

Ainda que estás no teu sangue, vive; sim, ainda que estás no teu sangue, vive.

Eu te fiz multiplicar como o renovo do campo; cresceste, e te engrandeceste, e

chegaste a grande formosura; formaram-se os teus seios, e te cresceram

cabelos; no entanto, estavas nua e descoberta. Passando eu por junto de ti, vi-te,

e eis que o teu tempo era tempo de amores; estendi sobre ti as abas do meu

manto e cobri a tua nudez; dei-te juramento e entrei em aliança contigo, diz o

Senhor Deus; e passaste a ser minha.

Então, te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo.

Também te vesti de roupas bordadas, e te calcei com couro da melhor qualidade,

e te cingi de linho fino, e te cobri de seda. Também te adornei com enfeites e te

pus braceletes nas mãos e colar à roda do teu pescoço. Coloquei- te um

pendente no nariz, arrecadas nas orelhas e linda coroa na cabeça. Assim, foste

ornada de ouro e prata; o teu vestido era de linho fino, de seda e de bordados;

nutriste-te de flor de farinha, de mel e azeite; eras formosa em extremo e

chegaste a ser rainha. ( Ez 16:3-13)

Mas o que restava daquela linda cidade não era nem sombra do que ela

tinha sido. O que aconteceu com a cidade que tinha sido tão formosa que sua

fama percorria toda terra? O Senhor disse:

"Correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era

perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor Deus. Mas

confiaste na tua formosura..." '(Ez 16:14-15a)

O povo a quem o Senhor amou, embelezando e enchendo com glória,

ficou fascinado por sua beleza e majestade. Olhou para si e, apaixonando-se por

si mesmo, começou a confiar em sua beleza, dignidade, capacidade e justiça

própria. Esqueceu-se de que a sua origem era uma das mais vergonhosas,

simples e humildes. Não se lembrou de que era o que era, apenas pela

misericórdia de Deus.

Realmente a noiva esqueceu-se de que entrara em aliança com o Senhor

e que havia prometido total fidelidade ao seu redentor. Ela havia prometido amar

o seu Noivo e somente a ele. Ele seria dela e ela, dele. Por isso, o Senhor a

havia honrado em extremo.

O Senhor não se importou com a condição imunda em que ela foi

encontrada, e por ter sido desprezada e rejeitada; o Senhor a amou

incondicionalmente e com toda ternura e afeto a fez linda, refletindo a sua glória.

Portanto, a sua formosura era o reflexo da pessoa e da glória do Senhor. Ele

queria que ela fosse feita e formada para ele e por ele; e que vivesse através

dele. A glória dele seria a glória dela. A formosura dela seria apenas o reflexo da

formosura do Senhor, pois ela estaria refletindo a beleza daquele que é o mais

formoso dos filhos dos homens.

"Mas confiaste na tua formosura e te entregaste á lascívia, graças à tua

fama; e te ofereceste a todo o que passava, para seres dele. Tomaste dos teus

vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, nos quais te

prostituiste; tais coisas nunca se deram e jamais se darão. Tomaste as tuas jóias

de enfeite, que eu te dei do meu ouro e da minha prata, fizeste estátuas de

homens e te prostituíste com elas. Tomaste os teus vestidos bordados e as

cobriste; o meu óleo e o meu perfume puseste diante delas. O meu pão, que te

dei, a flor da farinha, o óleo e o mel, com que eu te sustentava, também puseste

diante delas em aroma suave; e assim se fez, diz o Senhor Deus. Demais,

tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraste, os sacrificaste a elas, para

serem consumidos. Acaso, é pequena a tua prostituição? Mataste a meus filhos

e os entregaste a elas como oferta pelo fogo. Em todas as tuas abominações e

nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando

estavas nua e descoberta, a revolver-te no teu sangue. " (Ez 16:15-22)

Então a gloriosa noiva confiou na sua beleza, na sua capacidade e na sua

própria habilidade, e caiu no pecado da soberba e orgulho. A altivez encheu o

seu coração. O espírito de sedução começou a controlá-la. Foi tomada do

espírito de narcisismo e de egolatria. Passou a contemplar a sua formosura e a

adorar a si mesma.

Quando foi tentada não teve mais forças para resistir às mentiras dos seus

assediadores e foi seduzida facilmente. Esqueceu-se da aliança para a vida e do

seu compromisso eterno. O seu coração ficou entrevado. Havia passado por uma

profunda transformação. O orgulho cegou-a. Ela pensava que era moderna,

racional, coerente com a vida que o momento exigia. Ela nem sequer percebeu

que tinha enlouquecido (Veja Romanos 1:22: "Inculcando-se por sábios,

tornaram-se loucos.").

O pior foi que os seus amantes eram os ídolos que não têm olhos, nem

ouvidos, nem boca para se comunicar. Mas a sua cegueira foi tamanha que nem

percebeu que tinha trocado a glória de Deus, o Criador, com a criatura (Veja

Romanos 1:25: "Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e

servindo a criatura em lugar do Criador.").

A sedução era tão grande que ela ouvia o ídolo falar, guiar, curar e prover

todas as suas necessidades. Como disse Koissuke Koyama, a permuta mais

dinâmica entre o ídolo e o seu adorador começou ocorrer. Quanto mais o ídolo

tornava-se eloqüente, mais ela tornava-se passiva e perdia a sua capacidade de

expressar-se ( Koyama, Koissuke - Do Monte Fugi ao Monte Sinai). Ela havia se

tornado escrava e cativa dos seus amantes.

Ela, a Noiva, começou a prostituir-se. Os seus amantes, ídolos e postes-

ídolos foram vestidos com as roupas que o Senhor lhe havia dado. O ouro e a

prata, e as jóias que o Senhor lhe dera foram tomados para confeccionar ídolos e

estátuas. O pior de tudo foi que os filhos que ela recebera do Senhor começaram

a ser sacrificados em altares dedicados ao deus Moloque, ao deus Camos, a

Astarote e aos deuses Adrameleque e Anameleque (1 Reis 11:5-6; 2 Reis 17:31).

O comportamento vergonhoso prosseguiu: a prostituição foi com a Assíria,

multiplicando esse pecado em toda a Canaã e até a Caldéia. Embora esta

história tenha sido escrita no tempo do exílio, pelo profeta Ezequiel, esta é

também a nossa história, como povo de Deus. Há muita coisa que se pode dizer

sobre a Igreja brasileira: logo no nascedouro, ela começou a prostituir-se: entrou

em aliança com a maçonaria. Isso é algo vergonhoso. A falta de conhecimento e

de discernimento nos levou a fazer um pacto com as trevas. Fomos enganados.

E que engano!

Quanta idolatria há em nosso meio! Os ídolos são inúmeros. Há pastores

idolatrados. Várias denominações têm sido alvo da idolatria de multidões! O

ministério é um dos ídolos mais disputados, neste momento. Criamos os nossos

impérios e nos curvamos diante deles.

O poder e o controle, representando Jezabel; a moeda, representando

Mamom; a sensualidade representando Diana — todos estes estão atuando na

Igreja. Nossos filhos, dados por Deus, têm sido sacrificados nos altares dos

impérios pessoais que são o rádio, a televisão, o dinheiro, a fama, a reputação, a

escola, o império...

Os filhos que foram gerados por Deus têm sido apresentados nos altares

do ganho pessoal e da prosperidade perniciosa: toma lá, dá cá; um

mercantilismo selvagem de soberba e vaidade pessoal. Quantas ovelhinhas têm

vindo chorar, dizendo que com sacrifício pagaram os carnês para a televisão e

para o programa de rádio que nunca saíram do papel...

"Depois de toda a tua maldade (Ai, ai de ti! diz o Senhor Deus);

edificaste prostíbulo de culto e fizeste elevados altares por todas as praças. A

cada canto do caminho, edificaste o teu altar, e profanaste a tua formosura, e

abriste as pernas a todo que passava, e multiplicaste as tuas prostituições.

Também te prostituiste com os filhos do Egito, teus vizinhos de grandes

membros, e multiplicaste a tua prostituição, para me provocares à ira." (Ez 16:23-

26)

A adoração do próprio império, do próprio ministério é como a edificação

de um prostíbulo cultual, porque não é Deus sendo exaltado e glorificado, mas

sim a inteligência humana, a capacidade, a criatividade do homem, o poder do

marketing. A história de Jerusalém é a nossa história, a história da igreja local e

da Igreja brasileira, que se embriagou com pequenos presentes dados por Deus

e que se ufanou e se embriagou num triunfalismo ingênuo.

Capítulo 2 - O corpo, um organismo vivo

A figura que o apóstolo Paulo usa para explicar a dinâmica da Igreja — o

povo que adora a Jesus e faz dele o seu Senhor é o Corpo Humano. O apóstolo

chama a Igreja de "o corpo de Cristo". Então a Igreja é um organismo vivo!

Mas assim como uma só célula não constitui um corpo, da mesma forma

uma pessoa isolada também não pode compor uma igreja. Muitas células fazem

um corpo. Desse modo, muitos de nós, seguidores de Jesus Cristo, constituímos

a Igreja. E ela é composta de velhos, jovens, crianças e adultos; e de ricos,

pobres, negros, brancos, indígenas, nativos, estrangeiros, diplomatas,

analfabetos, cientistas e tecnocratas. Todos têm o seu lugar para "ser Igreja". A

única condição é que a pessoa seja nascida de novo e conheça a Jesus Cristo

como Senhor e Salvador.

O corpo é um organismo vivo que interage consigo mesmo, isto é, ele

funciona perfeitamente apesar da multidão de células diferentes que o compõem.

Há células muito simples, pouco especializadas, cuja função é das mais "rudes".

Há, porém, outras células cuja função é das mais nobres!

As células, porém, necessitam umas das outras para sobreviverem, para

que o corpo possa viver. Nem as mais simples podem deixar de existir, nem as

mais complexas podem afirmar que das primeiras não necessitam. Não existe

um órgão que seja independente de outro. Todos estão intrinsecamente

interligados.

Deus ainda espera que sua Igreja funcione pelo poder do Espírito Santo

que em nós habita. Este é o padrão bíblico, que só pode ser alcançado mediante

o seu agir em nós, diante da nossa permissão de que ele atue conjuntamente

conosco.

O CABEÇA E O CORPO

Jesus é o Cabeça da Igreja.

O Pr. James Robinson, dos Estados Unidos, compartilhou uma visão

acerca da Igreja. Certamente essa sua visão veio de Deus. Ele viu um homem

deitado, com o corpo paralisado, completamente imobilizado. A cabeça queria

que o corpo reagisse, se movimentasse, mas não podia. A cabeça comandava,

mas a comunicação não chegava até as extremidades dos membros. O corpo

estava doente e a comunicação entre o comando do cérebro e os membros

estava desligada. Aquele que estava paralisado dizia: "Eu não consigo mover-

me. Dou um comando, mas o corpo não reage." E James interpretou dizendo que

assim estava o corpo de Cristo: imobilizado. Embora a cabeça comandasse, o

corpo estava impossibilitado de reagir.

O Cabeça emite ordens, mas o corpo não está respondendo ao comando,

porque não consegue ou porque está se recusando a ouvir, e seus nervos

parecem estar desligados. Assim ele está paralisado. E um corpo que tem que

ser curado. Ele precisa ser curado.

Como pode um corpo tornar-se doente assim? Em se tratando do corpo de

Cristo, é através do pecado. Mas, de que pecado? E o pecado de suas células

não permanecerem juntas e agirem independentemente umas das outras, como

se as outras não existissem.

O sentimento de egoísmo, de individualismo, de independência é algo

quase que inerente ao ser humano. Cada um de nós faz questão de ser EU.

Centralizamos todas as coisas em nós. Queremos ser o centro das atenções de

todos. Queremos ser o deus das situações. Nós nos tornamos, assim,

independentes do Cabeça e, em conseqüência, separamo-nos uns dos outros.

A verdadeira unidade entre os membros não é algo fabricado. Mas é algo

que vem mediante a ligação vital e fundamental entre os membros com a

cabeça. A unidade que existe entre os membros de um corpo é algo inerente à

própria natureza fundamental do seu ser. Sem unidade e sem interdependência

não é um corpo.

Quando Jesus ilustra a relação que tem com os membros, ele menciona a

figura da videira e os ramos.

"Eu sou a videira verdadeira; e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que,

estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que

produza mais fruto ainda." (Jo 15:1-2)

Estes versículos aparentemente não têm nada a ver com a figura do corpo.

Mas, para haver um corpo, tem de existir uma ligação íntima entre a cabeça e o

restante do corpo. E este versículo mostra a ligação vital entre a videira (Jesus) e

os ramos (nós, que pertencemos ao corpo). A seiva da videira terá de correr para

cada ramo, isto é, para cada membro. Se cada membro do corpo conectar-se

corretamente com a Videira, receberá a sua seiva natural, e a vida de Cristo se

transmitirá para todos.

UNIDADE ORGÂNICA

E, neste viver, teremos de conviver em paz, cedendo o que é nosso aos

irmãos. E nem sempre é fácil fazer isso. Mas se estivermos ligados corretamente

na cabeça, na videira, certamente a vitalidade e a vida que está no Cabeça

renovará e santificará a nossa natureza também.

Porque, se não fosse assim, estaríamos negando a natureza básica de ser

igreja, de ser um corpo, com células que se interligam com os tecidos, formando

os órgãos, os quais constituem um sistema que funciona como uma unidade

orgânica e integrada chamada corpo.

"Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há

diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas

realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação

do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque, assim

como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos,

constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só

Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer

escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito." (1 Co

12:4-7:12-13)

É interessante o paralelo que o apóstolo estabelece entre os dons do

Espírito Santo e a unidade e a diversidade que há no Corpo. Pois os dons, os

serviços e as manifestações são diferentes, mas todos procedem do mesmo

Espírito. O apóstolo Paulo está dizendo que há uma variedade rica de células, de

tecidos, de aparelhos, de órgãos e de sistemas com funções diferentes entre si e,

no entanto, nenhuma das partes tem que se preocupar em ser igual às outras.

Muito pelo contrário, cada parte está perfeitamente adequada e satisfeita com

suas próprias funções dentro do Corpo.

"Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se todos,

porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? (I Co 12:14,19)

Para completar a idéia de maneira perfeita e magistral, o apóstolo faz uma

observação perspicaz:

"Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são

necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos

muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de

especial honra. "( 1 Co 12:22-23)

Bem ao contrário dos que dizem: "Louvados sejam os fortes e destruídos

os fracos", o Corpo de Cristo é um corpo que necessita dos fracos e dos que

aparentemente são indecorosos ou indignos. Estes transformam-se em

instrumentos maravilhosos onde a paciência e a longanimidade dos que se

dizem mais dignos são testadas, e assim tornam-se os meios que são

necessários para a santificação de muitos.

E, também, é nos que se reconhecem como fracos que o poder de Deus é

aperfeiçoado. A glória de Deus é manifestada não nos que se dizem serem os

bons e os melhores, mas nos que aparentemente são indecorosos, indignos,

rejeitados e esquecidos. Pois aí está a maior demonstração do amor de Deus,

amar e aceitar os indignos e os sem merecimento.

"Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os

membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. D e maneira que, se um

membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos

se regozijam. Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse

corpo. "(1 Co 12:25-27)

E ainda, dentro desta visão, Paulo afirma uma coisa que pouco vemos em

nossos dias. Se um membro padece, todos os membros padecem com ele. Se

um membro peca, é como se fôssemos todos nós pecando juntos. Se um

membro resiste à tentação e tem a vitória, a vitória deve ser compartilhada por

todos, como se fosse de todos.

Hoje em dia o que mais vale é o velho lema: "Cada um por si, e Deus por

todos". Eis aí um ditado muito popular, mas bem pouco cristão. Temos, portanto,

de tratar não apenas do pecado individual, mas também do pecado corporativo

(do corpo).

Philip Yancey, como médico e pesquisador de enfermidades e biólogo,

descreveu de maneira interessante a função de uma célula em relação ao corpo

humano: "A célula é a unidade básica de um organismo; ela pode viver por si

própria, ou pode ajudar a formar e sustentar o organismo. Algumas células até

preferem de fato viver no corpo, compartilhando dos seus benefícios, mas

mantêm, ao mesmo tempo, completa independência; mas elas se tornam

parasitas e cancerosas.” ( Y ancey, Philip — As Maravilhas do Corpo; Sociedade

Religiosa Edições Vida Nova, 1989, p.20.)

DIVERSIDADE

Paulo explica a figura do corpo:

"Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o

pé: 'Porque não sou mão, não sou do corpo'; nem por isso deixa de ser do corpo.

Se o ouvido disser: 'Porque não sou olho, não sou do corpo'; nem por isso deixa

de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse

ouvido, onde, o olfato? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não

podem os olhos dizer à mão: 'Não precisamos de ti'; nem ainda a cabeça, aos

pés: 'Não preciso de vós'." (1 Co 12: 14-17, 20-21)

E ele conclui:

"Assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros,

sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.

Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus,

quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só

"Espírito." (I Co 12:12-13)

A diversidade que Deus planejou para o Corpo de Cristo é ilustrada de

maneira espetacular pelas diferenças que há nos membros do Corpo. Deus não

fez nada monótono. Há muita diferença entre um e outro. Há uma grande

diversidade, embora haja unidade.

Nenhum órgão é igual a outro, e nenhum aparelho ou sistema é a cópia de

outro. Deus criou cada parte diferente, com funções tão ricamente

complementares, umas das outras e, no entanto, ao mesmo tempo cada uma tão

dependente das demais que, sem essa dependência, a sobrevivência de todas

estaria comprometida.

Sim, Deus as dispôs de uma maneira muito criativa, fazendo com que uma

parte necessite da outra, tendo funções totalmente diferentes entre si. A

diversidade dos membros vem exatamente confirmar o fato de que não esteve

nos planos de Deus para eles a monotonia e a uniformidade. Deus não fabrica

coca-colas!

Todos nós temos um DNA de Jesus, uma vez que nascemos do Espírito, e

isso nos vai levar a sermos cada dia mais parecidos com o Senhor, se

cooperarmos com Deus. E, somos, como pessoa, indivíduos singulares e únicos

no universo.

A única preocupação dos membros do corpo de Cristo deve ser a de se

tornarem parecidos com Jesus. Por isso ninguém tem que copiar ninguém.

Deus nos fez diferentes uns dos outros para que possamos enriquecer. E a

virtude está na diferença e na diversidade para podermos complementar um ao

outro. E, Deus, na sua infinita sabedoria e capacidade, destacou para cada

pessoa uma função diferente, um papel diferente. O mais importante é então

descobrir o que Deus tem para cada um de nós.

Diante de Deus não existe uma "elite espiritual", não há ninguém mais

espiritual ou menos espiritual. Não há partidarismos, não há predileção nem

privilegiados. A verdade simples é que Cristo é o Cabeça e nós somos o seu

corpo. Deus conhece cada um de nós tão íntima, completa e perfeitamente que o

seu plano para cada um de nós é maravilhoso. E este plano foi feito de maneira a

haver uma harmonia entre todos os membros de Cristo, se cada um andar dentro

do padrão que o Senhor planejou.

Se todos nós formos suficientemente maduros, em completa obediência a

Deus, numa perfeita aceitação do que ele quer de nós, viveremos muito bem uns

com os outros. Se nos conformarmos à sua vontade e ao lugar que ele separou

para cada um de nós no corpo, não haverá idolatria, feitiçarias, inimizades,

porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, e outras coisas

semelhantes a estas. Muito pelo contrário, estaremos felicíssimos, pois o

pensamento de Deus para conosco é paz. O que devemos procurar é descobrir

qual é perfeita vontade de Deus para nós.

No corpo somos um. Pertencemos uns aos outros e não há como fugir.

Pertencemos aos crentes do Canadá, da Nigéria, da Austrália e das ilhas Fiji.

Somos um no Senhor, embora cada qual seja diferente dos demais, e sejamos

uma unidade perante Deus.

Assim, a vergonha do meu irmão é vergonha minha também, e o meu

pecado é pecado do meu irmão.

Capítulo 3 - A CENTRALIDADE DE CRISTO

O apóstolo Paulo, com respeito ao Senhor Jesus Cristo, diz:

"Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois,

nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as

invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.

Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele,

tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito

de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia." (Cl 1:15-18)

Como sabemos, Jesus Cristo é o Cabeça da Igreja. Ele é o responsável

pelo que acontece. Ele é a cabeça do corpo. Ele é o princípio de todas as coisas

e ele é a razão de ser da Igreja. Sem Jesus Cristo não haveria Igreja. Jesus é o

centro da Igreja. Ele gerou a Igreja na obediência, no sofrimento, no

esvaziamento do seu ser, no abandono da sua riqueza, do seu poder e de todos

os privilégios da divindade (Ver Filipenses 2:5-11).

A Igreja só tem sentido se for Cristocêntrica, se Cristo for o centro de tudo.

Se um grupo de homens e mulheres religiosos, mesmo chamando-se de igreja

cristã ou evangélica, for centrado no homem, esse grupo não é verdadeiramente

uma igreja do Senhor.

A Igreja, a noiva, que é da semente espiritual de Abraão, por todos estes

anos está sendo gerada pelo Espírito Santo, dando continuidade à obra iniciada

por Jesus Cristo, que deu a sua vida por ela.

JESUS DEU A SUA VIDA À IGREJA

A agonia de Jesus no jardim do Getsêmani foi como a dor de parto para

dar à luz a Igreja. E cerca de 50 dias depois, no dia de Pentecostes, a descida

do Espírito Santo selou o nascimento dela, dando vida à Igreja, o povo de Deus

que nasce do Espírito.

Sim, Jesus deu a sua vida à Igreja: "...Cristo amou a Igreja e a si mesmo

se entregou por ela" (Ef 5:25.). Ele entregou-se por ela, deu vida a ela.

Ele é a razão da Igreja. Como Jesus Cristo é o Alfa e o Omega, o Princípio

e o Fim, Jesus é o princípio não só de todas as coisas, mas da Igreja. Foi nele,

em Cristo, que a Igreja foi gerada, e ela foi nutrida nele e por ele, por sua

Palavra. Jesus formou a Igreja em cada passo da sua obediência. Ao obedecer

ao Pai, cumprindo todo o seu plano numa dependência linda e completa, Jesus

gerou a Igreja.

Ao abandonar a sua riqueza e a sua glória, não considerou que o ser igual

a Deus era algo a que devia apegar-se e esvaziou-se por amor à Igreja, a sua

noiva. Ele humilhou-se para aceitar toda a limitação humana, com um único

objetivo: o de redimi-la. Ele abdicou da sua glória e do esplendor da sua

majestade, tornando-se um ser humano na forma de servo; e identificou-se com

a fraqueza humana, assumindo toda dor e agonia, para fazer nascer um povo.

A sua vida foi dada na forma do sacrifício mais ignominioso e amaldiçoado,

ao ser pendurado no madeiro. A sua vida foi primeiramente apresentada no

sangue que caiu no Jardim do Getsêmani: uma agonia que ultrapassou a

capacidade humana de ser suportada. O seu suor tornou-se sangue e caiu no

solo. O seu sangue, gota por gota, foi oferecido para a Igreja no Jardim do

Getsêmani. Foi ali, onde o fruto da oliva era esmagado para se tirar o óleo, que o

Filho foi moído por nós.

O seu sangue, derramado na cruz, foi numa troca sacrificial por nós. Pois

era o sangue do seu povo - o nosso sangue e a nossa vida - o que deveria ser

oferecido a Deus, naquele lugar. Foi a permuta mais "louca" que aconteceu na

história. Foi, ao mesmo tempo, o ato de propiciação mais sublime, pois o Senhor

o fez pelo amor mais perfeito e por uma paixão profunda e inexprimível.

Foi o empreendimento mais sem sentido, pois ele o fez por um povo que

não merecia nada e que estava em franca rebelião e lhe fazia oposição. Mas

Jesus nos amou quando nós estávamos praticando sacrilégios, quando

lutávamos e trabalhávamos contra ele. E somente Jesus, pela sua obediência ao

Pai e pelo seu amor à Igreja, é que possibilitou o apóstolo Paulo dizer: "onde

abundou o pecado superabundou a graça de Deus. " ( Romanos 5:20.)

Cabeça DA IGREJA

A razão de ser da Igreja é Jesus Cristo, de começo a fim. Por isso ele é o

Cabeça da Igreja:

"Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-

o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e

autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não

apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas

debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a Igreja, que é

o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer

circunstância. "(Ef 1:20-23)

Assim, a Igreja tem que ser centrada em Cristo, centrada inteiramente na

sua pessoa. Ele é o Cabeça e nós somos o corpo. O corpo age sob comando da

cabeça. O corpo desconectado da cabeça é um corpo morto ou, se sobrevivesse,

seria um monstro. Assim, tudo que a cabeça dita o corpo faz como se fosse a

própria cabeça. Tanto na cabeça como no corpo corre o mesmo sangue e deve

existir uma harmonia entre o mover da cabeça e o do resto do corpo. O corpo é o

complemento da cabeça. Por isso o corpo deve ser a expressão da cabeça, é a

cabeça em ação.

Nós somos membros do corpo, disse o apóstolo Paulo. E, assim, nós

somos os olhos de Jesus, os ouvidos de Jesus aqui na terra para os

necessitados. Somos os braços de Jesus, os seus pés e as suas mãos. A Igreja

tem de ser o prolongamento e a continuidade da pessoa de Jesus, em sua

presença e no seu ministério.

Jesus estabeleceu um modelo de ministério quando disse aos seus

amados discípulos: "Sem mim, nada podeis fazer". ( João 15:5 )

Ele estava compartilhando com os discípulos a verdade de que ele, o

Filho, vivia com o Pai. Pois o Filho nada fazia por si. João diz e afirma

magistralmente a relação íntima do Filho com o Pai. Da forma como o Pai o

honra no ministério, o Filho faz apenas aquilo que o Pai faz. (João5:19)

Ele viveu para fazer a vontade do Pai e realizar a obra do Pai. Esta é a

receita que Jesus quer passar para a sua Igreja: depender inteiramente dele,

estar com ele, amá-lo e estar totalmente sincronizada para fazer a obra e o

ministério dele.

A PALAVRA ENCARNADA

A Igreja centrada em Cristo é a Igreja que nasceu pela Palavra pregada,

que é lavada por ela e que foi selada pelo Espírito Santo. Ela não apenas

fundamenta a sua vida no que está escrito nas Escrituras, mas também é uma

Igreja que crê no Deus vivo e presente, que se comunica com ela. Jesus é a

Palavra encarnada. E o Logos d e Deus que se fez carne e que habitou entre nós.

Ele é a Palavra que se fez Escritura, e continua sendo a Palavra que se faz viva

hoje, pelo poder do Espírito Santo.

Da forma como o Jesus ressurreto e presente cooperava com os

apóstolos, demonstrando poderosamente os seus sinais e maravilhas no meio do

povo, conforme vemos no livro de Atos, ele continua cooperando com o

remanescente fiel da Igreja e demonstrando o seu poder e a sua presença:

" E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o

Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam." (Mc 16:20)

O ministério desta Igreja Cristocêntrica tem de ser o ministério de Jesus,

ele agindo através de nós. Tudo o que se escreveu pela lei e pela revelação dos

profetas fala de Jesus, desde a primeira até a última página das Escrituras. Toda

a Escritura testifica quem é Jesus.

E a sua Igreja viverá da Palavra e do poder do Espírito Santo. As palavras

de Jesus eram — e são — espírito e vida.

"O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que

eu vos tenho dito são espírito e são vida. "(Jo 6:63)

A Palavra de Jesus não era letra, mas vida. Pois a Palavra que saía da sua

boca era o que alimentava, purificava, lavava e corrigia. Palavra de Jesus é a

palavra revelada pelo Espírito Santo.

REVELACÃO DO PAI

Como disse o Rev. Ariovaldo Ramos, (Ramos, Ariovaldo, "Igreja, que tenho

eu com isto?" São Paulo; Editora Sepal — 2000) a Igreja de Jesus nasce de uma