A noiva restaurada por Neuza Itioka - Versão HTML

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revelação do Pai, apresentando a Jesus como Cristo, o ungido e o enviado

Salvador, o Messias. E o próprio Pai que nos apresenta Jesus através do Espírito

Santo. Não é a nossa carne que discerniu ou percebeu quem é Jesus. Mas é o

Pai, que o faz através do Espírito Santo. Pois ele age na terra através da terceira

pessoa da trindade.

Se o Pai não nos revelasse Jesus Cristo, nós nunca o conheceríamos.

Não foi a carne que nos revelou quem é Jesus Cristo de Nazaré, mas o Pai.

Embora seja o Filho que nos leva ao Pai, a Igreja nunca seria o que deve ser

sem a revelação do Pai. Por isso Jesus afirmou a Pedro, ao lhe responder quem

era ele:

"Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo.

Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi

carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus." (Mt 16:16-

17)

Foi também pela centralidade de Cristo que o apóstolo Paulo nos ensinou

a orar e pedindo pelo "espírito de sabedoria e de revelação no pleno

conhecimento dele." ( Efésios 1:17)

E Jesus completa:

"Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o filho senão o Pai;

e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

"(Mt 11:27)

A Igreja nasce desta revelação. É algo totalmente sobrenatural. Quando

vemos a multidão perdida dentro da Igreja, chegamos a perguntar: "por que tanto

desencontro e tantos problemas na vida dos que se dizem seguidores de Jesus

Cristo? Tiveram eles a revelação do Pai?"

IGREJA CENTRADA NO HOMEM

Quando deixa de ser Cristocêntrica, a igreja torna-se centrada no homem,

torna-se antropocêntrica. Há igrejas que começaram bem, com a intenção de

deixar Cristo ser o centro de todas as coisas. Mas, por alguma razão,

começaram centralizar-se naqueles que dirigem, tornando-se "pastorcêntricas".

Há outros grupos para quem as chamadas "doutrinas da denominação"

são de suma importância. São igrejas que giram em torno dos princípios da

denominação e meticulosamente ditam como os membros devem vestir-se e

conduzir-se. Para elas, um dia o rádio era do diabo, e hoje a televisão é do diabo.

Isso é um exagero, embora, de fato, a mídia esteja sendo grandemente

usada por ele. Ditam como as mulheres devem vestir-se e como não devem se

vestir. É claro, por trás disso existe um zelo tremendo para se tornar bem

diferente dos ditames e condutas do mundo. Mas a contrapartida é que tais

igrejas tornam-se grupos onde a aparência é mais importante do que o conteúdo

e os usos e costumes tornam-se o ídolo e o meio de se julgar a espiritualidade e

a santidade do povo.

Esse povo é enganado, porque substitui a santidade do eu, a morte e a

crucificação da carne e do eu com a medida do comprimento da roupa, com

abertura dos paletós, com o tipo de cabelo, com o corte do cabelo, com ter ou

não ter barbas e cavanhaques, e assim por diante.

As motivações para se tornar antropocêntrico podem ser várias, inclusive o

zelo pelo Senhor e ainda pela verdade da fé cristã. Mas, no sentido rigoroso da

palavra, tais grupos deixaram de ter Cristo como Cabeça.

Outros CRISTOS

O grande problema da Igreja hoje são os inúmeros cristos que apareceram

no cenário religioso: os falsos cristos e os anticristos.

Há vários deles que se arvoram em cristos verdadeiros. Há toda uma

gama de cristos que, além de salvador, acrescentam uma outra revelação: o

livro de Joseph Smith, o de Helen White e o de Rutheford Bekerel, por exemplo.

O Pr. John Wimber disse que existe um espírito chamado Jesus. Não é

Jesus Cristo de Nazaré, o filho do Deus Altíssimo. Mas é um espírito. Uma jovem

"abriu o seu coração para recebê-lo, e desde então ficou com um problema no

coração. A sua cura foi depois de expulsar esse espírito." A história soa bizarra.

Mas o apóstolo João disse que apareceriam muitos cristos:

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se

procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

Nisto reconheceu o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus

Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não

procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual

tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo, filhinhos, vós sois

de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em

vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa

razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve." (l Jo 4:1-5)

E o Senhor Jesus disse: "...pois surgirão falsos cristos e falsos profetas,

operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos." (Mc

13:22)

De acordo com as palavras de Jesus, muitos cristos aparecerão. Um deles

é o cristo que aparece no meio dos kardecistas. Dizem que ele é o chefe do

planeta terra, e que aqueles que gostariam de chegar a esse cristo terão de

alcançar o nível crístico, através de várias reencarnações.

Existe o Jesus da Umbanda. Ele se torna tão semelhante na boca de

alguns umbandistas que, se não tomarmos cuidado e não tivermos o

discernimento necessário, podemos nos confundir. Um dia visitei a casa de um

pai-de-santo para falar-lhe de Jesus, o Salvador. Mas quando o visitado começou

falar, ele falava e elogiava tanto a Jesus, dizendo ser ele isso e aquilo, e que ele

era lindo, e muitas outras coisas mais, de modo que a irmã que me

acompanhava disse: "Neuza, se eu não soubesse que este homem é um pai-de-

santo, eu ficaria totalmente confusa. Eu acreditaria que a pessoa a quem ele está

se referindo é o nosso Jesus, o nosso Cristo, o nosso Senhor e Salvador."

Há o cristo de muitas religiões e correntes do pensamento moderno, dos

que advogam a chegada da Nova Era e que esperam pelo Maitreya. Este

aparecerá como encarnação de todos os desejos e ambições humana. Será o

Anticristo para os que nasceram no espírito, mas o salvador e solucionador de

todos os problemas econômicos e do caos político e social que o mundo vai

enfrentar.

Para a sua vinda, o povo está sendo preparado com um pensamento

baseado em tolerância e lassidão. Pois dizem que todos os caminhos levam a

Roma e todas as religiões levam a Deus.

O CRISTO DA IGREJA CATÓLICA

Dentro do nosso contexto brasileiro, onde temos de conviver com a Igreja

Católica, faz-se necessária uma palavra sobre o Cristo dessa igreja. Tenho

afirmado muitas vezes: "O Cristo da Igreja Católica não é o Jesus Cristo da

Bíblia."

E as pessoas me perguntam: "Como você pode afirmar algo assim?"

Em minha resposta, digo o seguinte: Simplesmente pelo fato de que Jesus

Cristo de Nazaré, o filho do Deus Altíssimo, aquele que tomou a forma humana e

veio até nós, e foi até o inferno, não precisa de nenhuma ajudazinha de ninguém,

nem de santos nem da virgem Maria, para que alguém seja salvo.

Na Igreja Católica, em seus rituais e em suas cerimônias, Jesus Cristo

nunca tem o lugar proeminente. Ele é sempre colocado em segundo plano. Jesus

aparece como o infante Jesus, como o menino Jesus, ou como um Jesus

sofredor. Ele nunca é retratado como o Jesus triunfante, aquele que venceu o

diabo e todos os Principados e Potestades, aquele que venceu a morte e

destruiu o poder do pecado. E a intermediária entre ele e o homem é sempre a

Maria. Mesmo no meio carismático católico, Jesus é colocado sempre em

segundo plano.

Quando o movimento carismático católico apareceu por volta de 1968, em

Pitsburg, trazendo uma real renovação, houve, de fato, muita mudança naquele

meio e Jesus foi colocado no seu devido lugar, como o único mediador para o

homem chegar a Deus. Maria havia abdicado a sua posição de mãe de Deus e

se tornado por um momento, apenas, mãe de Jesus.

Mas quando o cardeal Woytila subiu ao papado, uma das pri meiras coisas

que ele fez foi consagrar todo o movimento carismático católico a Maria. Assim,

milhares de carismáticos saíram da Igreja Romana, sentindo-se traídos por esse

homem. E, no entanto, sistematicamente, ele tem fortalecido a devoção e o culto

à Rainha dos Céus.

Então esse Cristo católico necessita de uma co-redentora. Por isso, vemos

em toda a parte: "Jesus salva os que são apontados e indicados por Maria." Ou:

"tudo por Jesus, nada sem Maria".

Mas o verdadeiro Jesus Cristo, revelado na Bíblia, a Palavra de Deus, é o

único mediador entre Deus e os homens. (1 Timóteo 2:5; Hebreus 9:15) Ele é

autenticamente auto-suficiente para salvar a humanidade.

A verdadeira Igreja de Jesus será sempre Cristocêntrica. E Jesus Cristo

sempre será apresentado com a sua supremacia

Capítulo 4 – OS PRINCIPADOS E A IGREJA

A Igreja além de ser o corpo, a noiva, o repositório das revelações do

Senhor Jesus, tem uma função pedagógica em relação aos principados e

potestades. Ela foi chamada a ensinar e declarar o poder de Deus para os

principados e potestades nas regiões celestiais.

A Igreja, pelo simples fato de ser Igreja, o povo de Deus redimido,

expressa através da sua vida cotidiana a multiforme sabedoria de Deus aos

principados e potestades, estes seres que, na linguagem do apóstolo Paulo,

pertencem à alta hierarquia dos anjos caídos.

Mas, afinal, quem são os principados, as potestades e os governadores

deste mundo tenebroso?

Para p rincipados o apóstolo Paulo usa a palavra " archè" no grego que, no

entender do estudioso Walter Wink, é um termo usado para se referir aos

poderes humanos, isto é, ao que está investtido de poder, ou àquele oficial que

assumiu um cargo, àquele que tem uma autoridade delegada para agir. Arche

está mais ligado à idéia de institucionalização e continuidade de poder através de

um ofício, de uma posição ou de uma responsabilidade. (Wink, Walter -Naming

the Powers/Philadelphia Fortress Press, 1984, p. 13.)

Da mesma forma potestade, a palavra que no grego corresponde a

" eksousià", de acordo com quase todos os estudiosos, era uma palavra que

secularmente se referia ao poder humano, mas que pode ser aplicada referindo-

se a um poder espiritual. Em seu significado, além da idéia de poder, há a idéia

de uma posição de autoridade. (Ibid.p.15) As potestades são, assim, espíritos de

alta hierarquia que estão sob a influência direta de um principado, em sua

posição de autoridade.

Já os dominadores, que no grego é a palavra "k osmokrator", de acordo

com Arnold Clinton, refere-se àquele poder reconhecido e adorado pelo povo

como sendo o senhor do universo, o governante do mundo. Para os efésios ele

era a deusa Artemis ou Diana. (ARNOLD, Clinton E. - Ephesians' Power and Magic-

Grand Rapids, Michigan, Baker BookHouse, 1989, p. 67 )

E, por fim, forças espirituais, que no grego é a palavra "pneumatikós",

refere-se genericamente a "pessoas espirituais".

Como diz Milton Andrade, não existem na linguagem humana palavras

adequadas para exprimir conceitos espirituais, de realidades que pertencem à

dimensão espiritual e não ao mundo físico, e assim o apóstolo Paulo usou estes

termos, que são relativos a poderes humanos, mas dando a eles um sentido

espiritual. (Andrade, Milton Azevedo - Vida em Abundância, Através da Libertação

e Quebra de Maldições, São Paulo, IFC Editora, 2000)

Não vejo nenhum problema em o apóstolo usar estes termos dessa forma,

indicando os poderes espirituais que podem agir neste mundo através de

poderes humanos, a quem influenciam e controlam.

Quando Paulo define o nível de guerra que acontece nas regiões

celestiais, ou seja, na dimensão espiritual, ele diz que a luta da Igreja não é

contra sangue e carne, isto é, contra seres humanos na dimensão do natural; ele

está declarando que a nossa guerra é na dimensão sobrenatural, ou espiritual.

E é neste contexto que a Igreja tem de demonstrar algo extraordinário a

esses principados e potestades.

A SABEDORIA DE DEUS

Para a mente hebréia, conviver com os gentios era algo fora do comum,

pois feria uma série de princípios até então considerados sacrossantos;

contrariava convicções seculares.

Mas, com a vinda de Jesus Cristo, a Igreja passou a ser o local de

convivência harmoniosa entre dois grupos irreconciliáveis em termos de tradição

religiosa e usos e costumes: judeus e gentios.

Através de Cristo, ambos tornaram-se participantes de um só corpo, com

um só propósito, para demonstrar o poder, a misericórdia, a criatividade, o amor

e a sabedoria de Deus, não só aos homens, na dimensão natural, mas também

na dimensão espiritual - referida por Paulo como "regiões celestes" ou "lugares

celestiais" - aos Principados e potestades. Por isso Paulo diz:

"...para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne

conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais." (Ef 3:10)

Os principados e potestades, os demônios - não importa a que hierarquia

pertençam - são obrigados a tomar conhecimento da multiforme sabedoria de

Deus através deste corpo de homens e mulheres lavados pelo sangue do

Cordeiro, regenerados espiritualmente, chamado Igreja.

Os principados e potestades são seres que, de alguma forma, pela

permissão de Deus, influenciam e governam corporações, atuam em cidades e

propiciam acontecimentos e até tentam imiscuir-se na vida da Igreja e na vida

dos cristãos; mas agora eles são obrigados a se confrontar com a estonteante e

maravilhosa sabedoria de Deus que é demonstrada através da Igreja, através da

vida do dia-a-dia dos redimidos por Jesus Cristo. Estes são aqueles que se

reúnem algumas vezes por semana para adorar a Deus em assembléia e que

permanecem em diáspora nos demais momentos de sua vida.

A Igreja é o resultado da obediência de Jesus ao Pai, pois ele deixou toda

a riqueza, todo o poder e toda a glória para atravessar a fronteira do divino e

penetrar na dimensão da humanidade, encarnando-se num ser humano,

tomando a forma de servo, tendo sido morto na cruz do Calvário, onde sofreu a

dor e a agonia da morte e da separação do Pai, de quem ele nunca havia se

separado.

Nessa missão ele foi até o inferno para pregar aos aprisionados.

Mas esse Jesus, que com a sua morte parecia que a sua história havia

terminado, de repente ressuscitou para trazer de volta tudo o que a humanidade

havia perdido. De acordo com Scott, a sua ressurreição foi a maior demonstração

da sabedoria de Deus aos Principados e potestades: (Arnold, Clinton E., op. cit.,

p. 63)

"Pois os poderes malignos queriam frustrar o trabalho de Deus e creram

que eles tinham sido muito bem sucedidos quando conspiraram contra Cristo e o

levaram a ser crucificado. Mas, sem saber, eles foram meros instrumentos nas

mãos de Deus. Foi através da morte de Cristo que Deus havia planejado cumprir

o seu propósito. Assim, foi na ressurreição que os poderes malignos, depois de

seu breve e aparente triunfo, tomaram consciência de uma sabedoria divina que

eles nunca tinham imaginado. Eles viram a Igreja surgir como resultado da morte

de Cristo, e foram forçados a perceber que tinha sido um propósito que Deus

havia mantido em segredo até então."

Os espíritos malignos foram forçados a conhecer o poder de Deus... e isso

eles têm de continuar conhecendo através da vida do povo de Deus, que se

chama Igreja. Por um lado este grupo, este ajuntamento, esta assembléia que é

a Igreja apresenta toda a debilidade das ovelhas, de um povo que tem de

depender total e exclusivamente do seu grande Pastor. Ela em si não apresenta

nenhuma virtude, nem vida, pois todo o poder e toda a autoridade que, por outro

lado, ela tem, pertencem àquele que é a sua Cabeça, Jesus Cristo. E é nela, na

Igreja, que a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida.

A Igreja em assembléia (em culto de celebração) e em diáspora

(espalhada durante a semana) é a testemunha do poder, da extraordinária

criatividade e da multiforme sabedoria de Deus, demonstrados de um modo

absolutamente coerente.

A Igreja é também a expressão do Cabeça, que é aquele que é

absolutamente capaz, inteligente, criativo, amoroso, misericordioso e coerente,

Jesus Cristo. Ele age totalmente fora dos nossos parâmetros e medidas. Ele fica

fora daquilo que normalmente um ser humano espera, acima de qualquer

avaliação humana. E, assim, até o tempo aparentemente perdido pelo pecador

antes de converter-se, o Senhor reverte a situação de tal forma que ele aproveita

o tempo perdido para tirar a lição mais profunda para a pessoa e para os que a

rodeiam. Da vida massacrada pelo pecado, ele faz um monumento da

demonstração do poder de Deus, da sua misericórdia e da sua graça.

Os GENTIOS TAMBÉM SÃO HERDEIROS

O apóstolo Paulo assusta-se diante de uma revelação até agora oculta:

"...a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e

co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho. " (Ef 3:6)

E a ele o apóstolo Paulo, que a si se refere como o menor de todos os

santos, "foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis

riquezas de Cristo".( Efésios 3:8 )

E, assim, "manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os

séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a

multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e

potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu

em Cristo Jesus, nosso Senhor. " (Efésios 3:9-11)

A Bíblia Amplificada diz: "Também para iluminar todos os homens e

esclarecer qual é o plano referente aos gentios, provendo para a salvação todos

os homens com o mistério guardado através dos séculos e ocultado até então na

mente de Deus, que criou todas as coisas através de Jesus Cristo. O propósito é

que, através da igreja, a complicada, multifacetada sabedoria de Deus, em todas

as suas infinitas variedades e inúmeros aspectos, possa agora ser conhecida

pelos governadores angélicos e autoridades, ou seja, pelos principados e

potestades nos lugares celestiais."

A Igreja é o prolongamento de Jesus. O Filho de Deus encarnou-se e

esteve em nosso meio. E tudo o que ele fez, fez orientado por Deus, ouvindo o

Espírito, sendo guiado pelo Pai, pois ele disse que nunca nada fez por si só. Ele

de si mesmo nada fazia, mas via o que o Pai estava fazendo.

E a Igreja deve ser a expressão corporativa do que é Jesus, sendo o lugar

em que acontecem as coisas mais extraordinárias, fora da normalidade. É o lugar

onde o criminoso se torna um homem de bem, sendo transformado por Deus,

indo agora aventurar-se a viver uma nova vida, dentro de uma perspectiva

totalmente diferente. É o lugar onde o drogado é restaurado e apaixona-se pela

idéia de alcançar aqueles que ainda se acham no desespero da escravidão das

drogas. E o lugar onde a família destruída e separada se reconstitui, depois de

uma cura e uma reconciliação.

A Igreja é o lugar onde os casais em constantes brigas voltam a encontrar

o sentido de viverem juntos, porque foram tocados pelo amor recriador e

renovador de Deus. É o lugar em que um empresário soberbo, arrogante, que

chegava a idolatrar a si mesmo como o mais íntegro, o mais honesto, o mais

capaz, o mais criativo, o mais inovador, quebranta-se na presença de Deus,

tomando consciência de quão louco tinha sido em todos aqueles anos, quando

viveu de modo independente, declarando não necessitar de Deus. E, como

conseqüência desse impactante encontro com o autor da vida, a arrogância

desaparece para dar lugar à humildade e à mansidão que espelham o novo

Senhor a quem ele começa a seguir.

Sim, ela é o lugar em que um pai-de-santo, que tinha vivido mais de vinte

anos servindo a inescrupulosas entidades, separando casais, ajuntando

amantes, destruindo famílias, roubando fortunas, incapacitando empresários e

executivos, enviando homens e mulheres ao poço da depressão e da

enfermidade, chega à conclusão de que ele não foi nunca tão esperto como

pensava, e que não teve nenhuma vantagem como se envaidecia pois, ao

enganar muitas pessoas com suas adivinhações e previsões mentirosas, na

realidade ele havia se transformado num grande enganado. E conclui que tinha

se deixado tornar-se uma marionete e um robô dos demônios, uma vítima de

Satanás, que o usou, que o maltratou, que o humilhou, que o massacrou e que

por fim o destruiria e lhe traria a morte eterna. Mas ele só foi capaz de tomar

consciência da sua terrível e enganosa condição de perdição porque o Espírito

Santo usou a palavra muito simples de alguém que lhe disse: "Homem, você não

serve a Deus, mas sim ao diabo; se continuar como está, você vai para o

inferno."

A conseqüência dessa descoberta é o profundo arrependimento que se

seguiu, levado pela bondade de Deus, transforma-o num fervente seguidor de

Jesus, transforma-o em alguém que, assumindo a postura de um guerreiro,

agora o que mais deseja é ajudar as pessoas a abrir os olhos para essa

realidade oculta e camuflada da magia, da adivinhação e da feitiçaria.

Os principados e potestades têm que admitir que eles o perderam para

sempre. Pois certamente queriam fazer dele um grande divulgador dos seus

enganos, mas agora são forçados a admitir que existe um nome acima de todos

os outros nomes: Jesus Cristo de Nazaré, e que este é a própria sabedoria de

Deus que foi encarnada.

NA IGREJA ATÉ UM BANDIDO PODE SER RECEBIDO

A igreja é o lugar que recebe até mesmo bandidos, como foi o caso de um

jovem que se envolveu com o crime, com o assassinato, tendo feito 44 pactos de

sangue com o próprio diabo.

Ele tinha sido líder de levantes dentro da FEBEM, num dos quais mobilizou

mais de 250 jovens para criar uma grande confusão, colocando em fuga um

grande número de jovens detentos. Mas Deus tinha marcado um encontro com

ele. Isso aconteceu um dia através da leitura de uma Bíblia jogada na própria

unidade da FEBEM, onde ele estava. Com curiosidade ele a pegou e começou a

ler a Palavra de Deus. E a Palavra foi falando com ele profundamente,

convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo de Deus, e assim ele se

transformou num grande adorador do Senhor.

Vou contar-lhe a história desse jovem:

Ele morava nas ruas e andava sem rumo, pois tinha sofrido uma profunda

rejeição da parte do pai, que o abandonou com a mãe. Até a sua família

cooperava para que ele fosse "bom" no crime. Seu coração era cheio de ódio.

Ele queria vingar-se do pai que o abandonara. Nunca havia recebido um só

abraço dele, nem uma palavra de carinho. E assim ele se aventurou no mundo

do crime. Mas, sem saber de onde, ou como, ele começou a ouvir vozes que lhe

diziam: "Vá pela rua tal, entre à esquerda na primeira travessa e, no final da rua,

você encontrará um homem com uma mala. Pode assaltar, porque ela está cheia

de dinheiro."

Ele foi familiarizando-se com aquela voz. Ela parecia interessar-se por ele.

Era, no início, divertido ouvi-la; afinal, ela lhe oferecia dinheiro... Depois a mesma

voz o orientava em como conseguir armas, drogas... que coisa boa! Ele era o

dono da situação. Mas o seu coração continuava cheio de ódio e amargura.

Não demorou muito, porém, e ele foi preso, por ter assassinado várias

pessoas. Sendo menor, foi parar na FEBEM. Ali ele se envolveu com o pessoal

"da pesada". Começou a falar mais alto e viu que os outros concordavam.

Descobriu que poderia liderá-los numa fuga, sabendo que a grande

maioria queria sair de lá. Havia um descontentamento crescente pelos maus-

tratos dos funcionários que os deixavam em ponto de bala. Entrou em contato

também com a turma que usava de magia e tinha contatos com espíritos que lhe

diziam o que fazer na hora da necessidade. Fez vários pactos com essas

entidades. Uma voz lhe dizia que ele tinha que tomar sangue para ter proteção

em tudo o que fizesse e que assim tudo estaria sob controle.

Foram os sofrimentos e as situações insuportáveis o levaram a procurar as

forças da feitiçaria e do ocultismo. Assim, com os poderes sobrenaturais de

Lúcifer, ele verificou que não era difícil levantar um motim e provocar um levante

com os seus subordinados para fazer o que quisesse. Ele chegou a liderar uma

divisão de mais de 250 adolescentes.

Mas a multiforme sabedoria de Deus fez com que esse rapaz, que havia

derramado sangue, que havia amotinado os jovens dentro das divisões da

FEBEM, se encontrasse com Jesus. Foi uma caminhada longa, porque muitos

ministérios tiveram que se dispor e trabalhar com ele em sua libertação. Mas,

depois de várias ministrações, confrontos com demônios e sessões de cura

interior e libertação, o rapaz começou a sentir dentro de si o amor de Deus e,

convencido desse amor, começou uma firme caminhada, para tornar-se um

verdadeiro discípulo.

No processo de sua libertação muitas vezes pensou em voltar para o

mundo do crime. Havia horas em que deixava de acreditar que o amor de Deus

poderia alcançá-lo, diante da sua condição de tão grande pecador, tão horrível,

tão perigoso e tão marcado, desde o ventre, para a maldade, para o ódio, para o

crime e para a violência.

Mas o amor de Deus venceu tudo isso através de pessoas que o adotaram

como alguém digno de ser amado, aceito e recebido. Muitas vidas foram

mobilizadas para ajudá-lo. Alguns ministérios foram convocados, para que ele

pudesse passar por libertação: alguns trabalharam na área do arrependimento,

confissão e quebra de vínculos, enfrentando as mais grotescas manifestações de

demônios.

No meio do processo de libertação, muitas vezes ele ouvia a voz do diabo

dizendo-lhe que saísse dali correndo, para beber sangue, seja do seu pulso ou

seja do pescoço de um ganso que antes ele mesmo rasgava para receber forças

sobrenaturais; aquela voz lhe dizia até mesmo para matar os que estavam

trabalhando na sua libertação.

Ninguém foi ferido, pois existe uma proteção sobrenatural de Deus sobre

os ministradores. Mas ele deu muito trabalho. Foram quebrados os 44 pactos

que ele fizera, sem nenhuma manifestação dos demônios, e ele foi

acompanhado pelos ministradores em sua integração de volta à sociedade.

Os Principados e potestades tinham planejado fazer desse jovem um

grande aliado seu para aterrorizar sociedade, para trazer caos e destruição. É

claro, eles vieram para roubar, matar e destruir. Mas a multifacetada, multiforme

sabedoria de Deus manifestou-se com a sua infinita criatividade, com o seu

majestoso poder, com a sua autoridade final, com o seu perfeito amor e com a

sua eterna misericórdia para salvá-lo, libertá-lo e fazer dele um discípulo de

Jesus.

Os Principados e potestades foram forçados a tomar conhecimento de

tudo isso, tendo que ficar calados e em plena concordância com o que Deus

estava fazendo, vendo mais uma vez a expressão da multifacetada e

infinitamente diversificada sabedoria de Deus.

Sim, não importa onde a pessoa tenha estado, nem que pactos e alianças

tenha feito com ídolos, com demônios e com principados. Os governadores

malignos do mundo espiritual são obrigados a tomar conhecimento da perfeição

do amor de Deus, da eternidade da sua misericórdia, da imutabilidade da sua

fidelidade que age na pessoa desesperadamente perdida e condenada, para

tornar-se possuidora dos mais altos privilégios como filho de Deus.

Os anjos caídos da alta hierarquia são obrigados a constatar que tudo que

eles roubaram, destruíram e massacraram Deus devolve, fazendo com que a

perda, a separação e a aparente maldição transformem-se num bem muito maior

e inimaginável para a pessoa que agora ama apaixonadamente o Senhor e cuja

vida está dentro dos propósitos de Deus.

A conversão e a libertação de vidas tais como a desse jovem, vidas tão

incrivelmente desesperadas, demonstram de fato aos Principados e potestades a

multiforme sabedoria de Deus.

JESUS É CABEÇA DOS PRINCIPADOS E POTESTADES

Dentro deste contexto de Igreja e dos principados, o nosso Cabeça, Jesus,

é também cabeça dos principados e potestades:

"Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e

potestade." (Cl 2:10)

Nada acontece no mundo dos poderes das trevas que Jesus Cristo não

esteja permitindo. Ele deu tempo e espaço para eles agirem e o seu final será o

lago de fogo. Todos eles têm de pedir permissão a Jesus Cristo de Nazaré para

agir e fazer as suas obras.

Por isso, a Igreja recebeu de Jesus autoridade não apenas para declarar a

sabedoria infinita e multifacetada de Deus através da sua vida simples do dia-a-

dia, como também recebeu autoridade para a exercer sobre todos os principados

e potestades. Por isso Jesus disse aos seus enviados:

"Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre

todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano." (Lc 10:19)

A Igreja tem autoridade sobre os poderes das trevas não apenas no

sentido de libertar os cativos de Satanás. O que está descrito em Isaías 61, como

ministério de Jesus Cristo, é na realidade o ministério da Igreja. Assim, é isto que

a Igreja faz em relação aos principados e potestades:

"... pregar boas-novas aos quebrantados,... curar os quebrantados de

coração,... proclamar libertação aos cativos e...pôr em liberdade os algemados;...

apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus;...

consolar todos os que choram. "(Is 61:1-2)

Sim, a Igreja é usada pelo Senhor para libertar os cativos de Satanás, abrir

as prisões aos aprisionados espirituais, curar os feridos de coração e ainda curar

as enfermidades. Tudo isso faz parte de uma luta espiritual. A Igreja exerce a

autoridade sobre os poderes das trevas, autoridade esta que lhe foi outorgada

por Jesus. De fato, Jesus disse que aqueles que cressem nele fariam as obras

que ele fez, e que fariam obras maiores do que as suas (João 14:12) .

Isso está acontecendo, literalmente. Pois a Igreja não apenas tem

expulsado demônios, mas também os tem amarrado, e tem exercido autoridade

sobre os ventos e tufões. A Igreja, na pessoa de alguns líderes de visão, tem

exercido autoridade sobre a terra e quebrado as suas maldições.

Já no século XVIII João Wesley disse: "O mundo é a minha paróquia." Pois

ele olhava para o mundo; o objetivo do seu ministério não era cuidar apenas de

uma pequena congregação.

Ele olhava para o mundo. O mundo era o alvo da sua pregação. Assim

muitos pastores hoje estão olhando para a cidade. O seu alvo é alcançar a

cidade; sonham em ver a sua cidade transformada pelo poder de Deus.

George Otis Jr. disse, numa de nossas conferências internacionais, que

Deus não nos irá cobrar pela nossa congregação, mas sim pela nossa cidade.

Assim, é assustador ver que de fato Deus honra, quando alguém, dirigido por

Deus, toma autoridade sobre uma cidade e comanda que ela mude e se

transforme. Claro que existe todo um procedimento para que isso aconteça. Mas

Jesus nos deu a autoridade de confrontar principados e potestades de alta

hierarquia que, muitas vezes, estão sobre uma região geográfica, sobre um

território, ou sobre uma cidade.

No mundo inteiro, de acordo com George Otis Jr., há mais de mil projetos

de transformação de cidades. No Brasil apenas, pelo que sabemos, são vinte,

aproximadamente. Isso é encorajador. Por isso, o que o profeta Isaías diz no

capitulo 61, no versículo 4, é algo muito pertinente. Os que se livraram do

cativeiro do diabo agora, por sua vez, vão fazer o seguinte:

"Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes

destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em

geração. "(Is 61:4)

A Igreja está declarando aos principados e potestades a multifacetada

sabedoria de Deus de maneira a deixá-los estupefatos. É como vimos em

Efésios 3:10, cuja versão amplificada vou transcrever de novo, encerrando este

capítulo:

"O propósito é que, através da igreja, a complicada, multifacetada

sabedoria de Deus, em todas as suas infinitas variedades e inúmeros aspectos,

possa agora ser conhecida pelos principados e potestades nos lugares

celestiais."

Capítulo 5 - A Mutualidade do Corpo

Paulo usa o termo "uns aos outros" inúmeras vezes nas suas epístolas,

demostrando com isso a mutualidade que há na vida da igreja. Ele nos diz mais

de uma vez que precisamos uns dos outros e que a vida saudável de uma igreja

depende dessa mutualidade, dessa reciprocidade entre seus membros.

Quer queiramos ou não, a nossa atitude correta, a nossa entrega sem

reservas à vontade do Pai, o nosso compromisso com as diretrizes do evangelho

é que vão determinar o bom funcionamento da nossa igreja local. Da mesma

forma, como temos explicado, quer queiramos ou não, a nossa atitude negativa,

os pecados e os problemas de relacionamento vão comprometer o corpo. É um

princípio bíblico, e nada irá mudá-lo. Temos de nos conformar a isso e

procurarmos ter a atitude de vida.

Vejamos um pouco dessa mutualidade expressa em alguns versículos

bíblicos, e neles meditemos:

"...para que eu e vocês sejamos mutuamente encorajados pela fé." (Rm

1:12-NVI)

"Deus ... vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo

Cristo Jesus." (Rm 15:5)

"Cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. " (I

Co 12:25)

"Sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor." (Gl 5:13)

"Levai as cargas uns dos outros. "(Gl 6:2)

"...perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos

perdoou." (Ef 4:32)

"Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo." (Ef 5:21)

"Suportai-vos uns aos outros..." (Cl 3:13)

"Aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria. "(Cl 3:16)

"Consolai-vos, pois, uns aos outros, e edificai-vos reciprocamente..." (l Ts

5:11)

"Vivei em paz uns com outros." (1 Ts 5:13)

"Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos

outros, para serdes curados." (Tg 5:16)

"Amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente. "(1 Pe 1:22)

A DINÂMICA DO PECADO CORPORATIVO

O que acontece quando o pastor está era pecado?

O que tenho notado, visitando cidades e mais cidades, ministrando de

igreja em igreja, é que a retidão é fundamental, bem como a justiça na vida do

condutor, líder e pastor da igreja.

Quando notamos a repetição de um determinado problema na

congregação como, por exemplo, dificuldades e problemas de relacionamento

entre casais, ou dificuldades na área financeira, muitas vezes o problema pode

estar ligado à liderança da igreja.

O fato é que uma igreja inteira pode ficar afetada pelo pecado do seu líder.

Lideranças frias geram ovelhas frias, lideranças soberbas geram crentes

soberbos, lideranças intelectualizadas geram igrejas racionais. E o pecado

corporativo que tem que ser encarado como tal. A esfera de sua influência é

realmente grande. Não devemos ser cúmplices do pecado de outrem.

Sabemos que o que plantamos, colhemos. Por isso Jesus já nos fazia ter

cautela quanto aos falsos mestres (Mateus 24:24), e Paulo nos exorta a não

darmos ouvidos a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, os quais vêm

por meio daqueles que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência.

(1 Timóteo 4:1-2).

Assim, gerações inteiras podem ser corrompidas por falsos líderes, ou por

líderes que estão em pecado. Os líderes deveriam ser embaixadores de Cristo

mais ainda do que os demais, e cooperadores de Deus, pregando a sã doutrina,

não andando pela própria astúcia, nem adulterando a Palavra de Deus. Lideres

em pecado podem levar uma congregação a começar no espírito e a terminar na

carne, como aconteceu com os gálatas.

Há uma responsabilidade muito especial sobre aqueles que ensinam, e

Deus irá cobrar mais daqueles a quem ele deu mais. Na igreja de Corinto estava

acontecendo algo muito ruim, fruto do ensinamento de alguns. E Paulo teve que

exortá-los para colocá-los no prumo:

"Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não

podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais...

Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente

construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica." (1 Co

3:2,10).

Paulo justifica-se dizendo que, quando ele fez o papel de líder, lançando

os fundamentos do evangelho, fez como prudente construtor. E deixa claro que

todos os que viessem depois dele deveriam manter-se dentro do mesmo padrão

de prudência, pois, caso contrário, as ovelhas poderiam não desenvolver-se

bem, e começariam os problemas. Foi o que de fato aconteceu: os crentes da

igreja continuavam bebês espirituais, preocupados com ciúmes, contendas,

carnalidades e partidarismos.

Tenho me deparado, vez após vez, com problemas desse tipo,

infelizmente. Se o líder de uma igreja começa com desonestidades, roubos,

dívidas gananciosas, ou publica livros de outros como se fossem dele, a

tendência é que seus subordinados façam o mesmo. Há uma repetição, no

rebanho, do pecado cometido pela sua liderança.

O que acontece quando uma parte da liderança está em pecado?

A liderança de muitas igrejas, infelizmente, acha-se compromissada com

mentiras, com roubos e com corrupção. E o efeito do pecado da liderança sobre

o rebanho é semelhante ao caso anterior. Dependendo do peso que a liderança

tenha diante da congregação, esse estado de coisas, esse espírito, esse

comportamento começa a ser notado pelo resto do povo que dela faz parte.

Certamente toda a congregação será afetada.

O que acontece se um membro da congregação está em pecado?

O princípio é: quando um peca, todo o corpo peca. Isso é o que a Palavra

nos mostra, como por exemplo no caso de Acã.(Josué 7) Naturalmente que o

peso do pecado da liderança, do próprio pastor, e do indivíduo isolado é diferente

um do outro. Mas, de qualquer forma, o pecado de um simples membro também

terá a sua influência, ainda que seja numa escala menor. Por isso, os líderes

terão de sempre estar na brecha pelos mais fracos, pelos mais novos na fé,

pelos recém-convertidos.

Não devemos ser causa de tropeço para ninguém. Não é o que a Palavra

diz? Não devemos ser causa de tropeço nem para os irmãos, nem para os

incrédulos; não busquemos o nosso próprio interesse mas, sim, o de outrem.

Veja como Jó fazia continuamente, orando e oferecendo sacrifícios por si e

pelos seus filhos (Jó 1:5). E Paulo nos diz, de forma bem categórica:

"Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não

buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.

Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo". (1 Co 10:33)

A unidade orgânica de uma igreja faz com que aconteça uma interação

que vai muito além do que possamos ver. Assim, quando um está ferido, todos

deveriam sofrer. Mas quando alguém está em pecado, a conseqüência daquele

pecado de alguma forma também influenciará e fará todos sofrerem.

Por que o pecado tem todo este poder? O pecado dá lugar ao diabo (Ef

4:25-30). Tanto o pecado individual quanto o corporativo da comunidade) abrem

brechas, dando direito legal aos demônios para atuar.

Numa igreja havia um grupo familiar que ia muito bem. O grupo era um

pouco atípico porque, na sua maioria, dele faziam parte gente jovem e casais

recém-casados. Havia uma ênfase toda especial na oração e intercessão. Um

agradável dinamismo permeava as reuniões e havia sempre muitos testemunhos

que tocavam e alcançavam a comunidade.

Fui convidada a visitá-los, mais de uma vez. Sempre que me chamavam,

eu já sentia de antemão a grande alegria de revê-los. Era agradável estar no

meio deles, sentir aquele entusiasmo que já me era familiar, ver a dedicação que

eles tinham às coisas de Deus e a maturidade do grupo em alcançar e discipular

os de fora.

Mas, daquela vez, quando estive com eles, qual não foi a minha decepção!

O grupo, que sempre tinha sido saudável, estava agora meio apático. Algo não

estava bem. E, numa conversa particular com uma das líderes, de repente o

Espírito levou-me a fazer a seguinte pergunta:

- O que há de errado no grupo? Sem dúvida há alguma coisa estranha

aqui... Você não sabe se alguém da liderança está em pecado?

A resposta que recebi, sem titubeios, foi a seguinte:

- Infelizmente... um casal de noivos do nosso grupo... eles estão vivendo

juntos...

Era o pecado daquele casal que se transformava num pecado com maior

peso, e corporativamente estava tirando o dinamismo e a vitalidade do grupo.

Mais tarde tive a oportunidade de falar dos privilégios de servir a Deus.

Mas fui bem clara em exortá-los e fazê-los compreender que Deus não estava

limitado àquele grupo para fazer a sua obra. Se nós não nos enquadrássemos

nas exigências do Senhor, ele teria liberdade de simplesmente passar o

chamado e a unção para outros.

Quando abordei a questão da seriedade do pecado, o casal envolvido logo

foi tocado pelo Espírito Santo e, chorando, confessou o seu erro.

E, através de um cuidado pastoral, e com orientação adequada, eles

abandonaram o pecado. Em pouco tempo o grupo voltou a ser sadio.

"Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os

que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. (Porque o pendor da

carne dá para a morte, mas o do Espírito, para vida e paz. (Por isso o pendor da

carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo

pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus." (Rm

8:5-8).

E também:

"Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De

modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós, os que para ele

morremos?... Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira

que obedeçais às suas paixões ... (Porque o salário do pecado é a morte". (Rm

6: 1-2,12, 23).

O pecado leva à morte, à separação de Deus, a extinguir o Espírito. Não

porque perdemos salvação, mas porque deixamos de ter comunhão com o Pai.

Dessa forma, se não estamos em comunhão com Deus, estamos naturalmente à

mercê do diabo, mesmo que disso não tenhamos consciência. Porque o

adversário é astuto, muito mais astuto do que o homem carnal. E a batalha em

nossa mente e em nossas emoções pode ser muito mais sutil do que pensamos,

e vemos, e entendemos. A porta fica aberta para ele entrar e agir.

Isso tudo é uma coisa muito séria, muito séria mesmo! Hoje em dia parece

que a igreja perdeu a capacidade de dar nome aos bois, isto é, de chamar o

pecado de "pecado"! Estamos de fato agindo como a igreja de Laodicéia,

confiando em nossa justiça própria, fazendo o que nos convém, deixando o

Espírito de Deus do lado de fora do Corpo.

Embora muitos dos que se dizem discípulos de Jesus não aceitem que

uma igreja possa ser influenciada por espíritos demoníacos, isso é uma verdade;

é que ela pode estar com as portas escancaradas para a atuação do inimigo.

Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, e nas palavras de Jesus, podemos

ver que isso pode de fato acontecer. Jesus disse aos judeus que eles tinham

transformado a casa do Pai em covil de ladrões. O templo, que antes era santo,

estava completamente contaminado.

Posteriormente, em Apocalipse, o próprio Senhor dirigiu-se à igreja em

Tiatira, que tolerava aquela que tinha o espírito de Jezabel, para reprová-la por

causa disso. E, também, ele reprovou a igreja de Pérgamo, por ser conivente

com alguns que sustentavam a doutrina de Balaão, o falso profeta. Nas duas

situações Jesus é claro em fazer uma associação entre essas práticas e a ação

de Satanás no meio da Igreja. Em ambos os casos a conivência está

intimamente ligada ao fato de os filhos de Israel comerem coisas sacrificadas aos

ídolos e praticarem a prostituição. O que é isso, senão o agir de Satanás no meio

da Igreja em pecado?!

Observemos mais atentamente a Palavra. Paulo diz que:

"O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns

apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de

demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a

própria consciência." (1 Tm 4:1-2).

O Apóstolo João também faz o mesmo alerta:

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se

procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus

Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não

procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual

tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo." (1 Jo 4:1 -3)

Também nessa mesma epístola João faz terríveis afirmações, dizendo que

as falsas doutrinas e os anticristos podem sair do nosso próprio meio, isto é, da

Igreja:

"Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se

tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram

para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." (1Jo 2:19)

E estes seriam sinais da última hora. Em outras palavras, sinais dos

nossos tempos! E João conclui dizendo que ele escreve isso para que estejamos

alertas contra aqueles que procurariam enganar-nos.

O pecado, a desobediência aos princípios estabelecidos por Deus, leva

não só o diabo a atuar, mas também atrai maldições decorrentes das nossas

más obras. Lembremo-nos de Deuteronômio 28:15, e versículos seguintes, com

respeito à questão dos frutos da desobediência. Lembremo-nos do caso de

Ananias e Safira, cuja mentira e maldade de coração atraiu o juízo de Deus

sobre si. Se não fossem devidamente punidos pelos apóstolos, toda aquela igreja

cristã recém-nascida arcaria com conseqüências funestas.

Por que Deus trata o pecado de forma tão severa nas páginas da Bíblia e,

hoje em dia, cremos que ele não nos tratará da mesma forma? Por causa da sua

misericórdia? Ele a tinha antes como a tem agora. Deus não muda.

Deus não é um Deus carrasco que se alegra em punir o seu povo. Ele é de

fato um Deus misericordioso, benigno, compassivo, que se alegra em poder

perdoar e transformar as vidas que estejam em rebelião. Mas Deus jamais será

conivente com o pecado. Se insistirmos em pecar, as conseqüências virão.

Estaremos tocando na sua santidade, e Deus não permitirá que isso aconteça,

pelo seu zelo.

Capítulo 6 - A Alma de uma Igreja

Toda cidade possui uma "alma", diz o Dr. Robert Linthicum. No seu livro

"Cidade de Deus, Cidade de Satanás", o autor fala da espiritualidade interna de

uma cidade. (Linthicum, Robert - Cidade de Deus, Cidade de Satanás) De

acordo com a visão bíblica, cada cidade e cada agrupamento da sociedade tem o

seu anjo "que cobre" aquele território. Esta perspectiva de "cobrir" é

particularmente importante, e foi expressa na história da criação:

"A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do

abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas." (Gn 1:2)

O sentido da palavra hebraica RACHAPH, aqui traduzida como "pairava", é

"cobria", tal como as galinhas (e também outras aves) cobrem e protegem com

suas asas o seu ninho. Assim, neste versículo, a imagem é de Deus cobrindo e

protegendo a terra que ele tinha criado, tal como uma galinha guarda e protege

os ovos que ela acabou de botar."( Ibid.,p.73)

Desse modo Linthicum interpreta os anjos das igrejas do livro de

Apocalipse não como os pastores ou os encarregados do ministério dessas

igrejas, mas como sendo os anjos que cobrem cada uma das igrejas das sete

cidades da Ásia Menor. Assim, as cartas às igrejas foram endereçadas aos seus

anjos.

Da mesma maneira que existem principados e potestades territoriais

malignos, o mesmo acontece no reino espiritual de Deus. Podemos estender

este conceito e admitir que existem anjos protetores para cada unidade da

sociedade. Podemos nos referir, portanto, ao "anjo de uma igreja", ou ao "anjo de

uma cidade ou nação". Lembra-se do contexto do jejum de Daniel? Ele ficou em

oração para entender os planos de Deus quanto o futuro do povo de Israel.

Depois de 21 dias, o anjo que veio até ele explicou:

"Desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a

humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras ... Mas o príncipe

da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros

príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive a vitória sobre os reis da Pérsia. "(Dn

10:12-13)

Assim, o anjo da Pérsia ousou resistir ao anjo enviado pelo Senhor dos

senhores, o Deus Altíssimo, até que o anjo Miguel entrou em ação para socorrer

o anjo que trazia o recado para Daniel.

Este texto mostra claramente que havia um anjo da Pérsia, no caso um

anjo maligno, evidenciando assim a existência de um principado territorial.

Um outro texto em que os estudiosos se baseiam para concluir que de fato

há anjos, ou espíritos que dominam sobre nações e territórios, é Deuteronômio