A produção e a percepção do turismo em Parintins, Amazonas por João D'Anuzio Menezes de Azevedo Filho - Versão HTML

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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Universidade do Estado do Amazonas

Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana

(Doutorado Interinstitucional - USP/UEA)

FFLCH

A PRODUÇÃO E A PERCEPÇÃO DO TURISMO EM PARINTINS,

AMAZONAS

VERSÃO CORRIGIDA

São Paulo

2013

JOÃO D’ANUZIO MENEZES DE AZEVEDO FILHO

A PRODUÇÃO E A PERCEPÇÃO DO TURISMO EM PARINTINS,

AMAZONAS

VERSÃO CORRIGIDA

De Acordo:

Dr. Marcello Martinelli

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação

em Geografia Humana, da Universidade de São

Paulo para a obtenção do título de Doutor em

Ciências.

Área de Concentração: Geografia Humana

Orientador: Dr. Marcello Martinelli

São Paulo

2013

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Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio

convencional ou eletrônico, para fins de estudo ou pesquisa, desde que citada a fonte.

Catalogação na Publicação

Serviço de Biblioteca e Documentação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

AZEVEDO FILHO, JOÃO D'ANUZIO MENEZES DE

A993p A PRODUÇÃO E A PERCEPÇÃO DO TURISMO EM PARINTINS,

AMAZONAS / JOÃO D'ANUZIO MENEZES DE AZEVEDO FILHO;

orientador MARCELLO MARTINELLI. - São Paulo, 2013.

210 f.

Tese (Doutorado)- Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências

Humanas da Universidade de São Paulo.

Departamento de Geografia. Área de concentração:

Geografia Humana.

1. Amazônia. 2. Comunidades. 3. Turismo. 4.

Folclore. 5. Espaço. I. MARTINELLI, MARCELLO ,

orient. II. Título.

Apoio institucional:

JOÃO D’ANUZIO MENEZES DE AZEVEDO FILHO

A PRODUÇÃO E A PERCEPÇÃO DO TURISMO EM PARINTINS, AMAZONAS

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia

Humana, da Universidade de São Paulo para a obtenção do título de

Doutor em Ciências.

Aprovada em: 06 / 08 / 2013

Banca Examinadora

1º Membro: Dr. Marcello Martinelli (Orientador)

Instituição: FFLCH - USP Assinatura: ______________________________

2º Membro: Wagner Costa Ribeiro

Instituição: FFLCH – USP Assinatura: ______________________________

3º Membro: Luiz Gonzaga Godoi Trigo

Instituição: EACH – USP Assinatura: ______________________________

4º Membro: Dra. Rita de Cássa Ariza da Cruz

Instituição: FFLCH – USP Assinatura: ______________________________

5º Membro: Carlossandro Carvalho de Albuquerque

Instituição: UEA (externo) Assinatura: ______________________________

Dedico este trabalho a minha família: pais, irmãos, esposa,

filhos e principalmente ao meu irmão Erivaldo (1968-

2008), que se foi cedo para ficar mais perto de nós, e a

minha avó Sebastiana (1916-2009) que viveu o tempo

necessário para acompanhar as mudanças desse mundo e

nos conceder seu exemplo de mulher guerreira.

Agradecimentos

A Deus, pelo dom da vida que nos possibilita decidir pelos caminhos a serem

trilhados.

Aos meus pais João e Iracy. Ele, homem trabalhador, ligado a terra e à labuta dura da

vida; ela, companheira, mãe, educadora dos filhos, orientadora para a vida. Obrigado pelas

oportunidades oferecidas com muito sacrifício, num tempo de muitas dificuldades. Extensivo

a todos os meus irmãos que sempre acreditaram em mim e direcionaram suas preces para o

meu sucesso: Manuel, Edevaldo, Iranilza, Erivaldo ( in memoriam), Iraneide, Iranilce, Edney e

Denise.

À minha família, pelo apoio, colaboração, renúncias, saudades e compreensão nos

momentos decisivos. Filhos: Nicholas e Giovanna, e Rosinda, companheira de todos os

momentos, que encontrou tempo em sua atribulada jornada de mãe trabalhadora para fazer a

revisão ortográfica deste trabalho.

Ao D’Anuzio, filho mais velho, que estimulou e sempre que possível deu apoio em

Manaus.

Aos colegas de trabalho que, nas situações em que minha ausência das atividades

acadêmicas se fez necessária, não se recusaram a contribuir com mais horas de trabalho nas

turmas por nós compartilhadas. A vocês: Alem, Bosco, Camilo, Charlene, Carmen,

Reginaldo, Estevan e Tatiana, meu carinho e agradecimento.

Aos amigos de todas as horas, aqueles que sempre têm uma palavra para confortar,

uma experiência a compartilhar, os mais diversos apoios a nos conceder, meus

agradecimentos: Sidiney, Carlossandro, Ieda, Girão, Willer.

A todos os colegas e funcionários do Centro de Estudos Superiores de Parintins, da

Universidade do Estado do Amazonas e ao Diretor David Xavier, pelo apoio e esforço na

solução dos trâmites administrativos sempre que solicitado.

Aos colegas do Minter e Dinter, com os quais vivi esse tempo de sacrifício e doação,

tempo em que encontramos uns nos outros apoio e companheirismo para os momentos de

apreensão, dor e também de muitas alegrias: Camilo, Isaque, Cristiane, Marcos, Simone,

Selma, Nazaré, Hudson e Nonata.

Aos trabalhadores ribeirinhos da região: pescadores, agricultores e artesãos que

dividem suas atividades tradicionais com a do turismo e que contribuíram, com sua

experiência, para a realização deste trabalho, em especial D. Raquel, Afonso, João, Raimundo

e tantos outros.

Aos agentes de turismo, empresários, coordenadores do turismo no município,

secretários ligados ao turismo no município de Parintins pela colaboração: à Carla Garcia e

Eduardo Gomes, da Coordenação de Turismo; Luana e Ângela, empresárias do turismo.

À administração superior da Universidade do Estado do Amazonas que propiciou o

convênio de Doutorado Interinstitucional com a Universidade de São Paulo e que me

possibilitou concluí-lo.

Aos professores da USP que colaboraram nesse projeto e nos abriram as portas da

Cidade Universitária e de São Paulo, para vivenciá-las e assim vislumbrar novos horizontes

para a pesquisa em Geografia, especialmente ao Hélvio, Rita de Cássia, Rosangela, Rosa

Ester, Sandra e Wagner.

Ao meu orientador, professor Marcello Martinelli, pelas palavras de estímulo e

compreensão e por tudo o que pude aprender com sua longa história na Geografia e na

Cartografia.

À Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado do Amazonas (FAPEAM), pela bolsa de

doutorado do Programa RH-Interiozação, que contribui para que pessoas como eu, vindas das

cidades do interior do Amazonas, possam fazer cursos de pós-graduação em qualquer parte do

Brasil.

Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho,

meus sinceros agradecimentos.

“Muere lentamente quien no viaja,

Quien no lee,

Quien no oye música,

Quien no encuentra gracia en si

mismo...”

Pablo Neruda

AZEVEDO FILHO, João D’Anuzio Menezes de. A produção e a percepção do turismo em

Parintins, Amazonas. 2013, 210 f. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2013.

RESUMO

O turismo é uma atividade extremamente complexa na sua interpretação e forma prática de se

realizar. O que dirá dessa atividade em uma região que, devido a sua grandeza e diversidade

em todos os sentidos, apresenta um conjunto de fatores a serem analisados e discutidos de

forma a possibilitar sua interpretação e conclusões realistas e que levem em consideração essa

diversidades e maneira de ser no mundo atual. Este trabalho tem o objetivo de compreender a

realidade do turismo na Amazônia, levando em consideração essas características e tem como

campo de estudo o município de Parintins, que não é um lugar qualquer na Amazônia, pois

não passou despercebida pelos viajantes que adentraram a região desde tempos coloniais. Sua

localização e sua beleza foram notadas e serviram para que aqui ali se instalasse um pequeno

núcleo para atender aos interesses da metrópole portuguesa e da igreja. Constituiu-se como

cidade e como município e se transformou num importante polo econômico na região do

Baixo Amazonas. A força de sua gente, formada sempre por gente da terra e por aqueles que

de alguma forma a adotaram como materna, forjou um novo ritual de tradições e

miscigenação de culturas dando origem aos Bois-bumbás Garantido e Caprichoso que pela

sua beleza e identidade deram origem ao Festival Folclórico de Parintins, o maior do interior

do estado do Amazonas e que transformou a cidade no principal centro de turismo no mês de

junho. Apesar disso, o turismo em Parintins ainda carece de reflexão e de um planejamento

que realmente introduza novas formas de se fazer turismo, inclusive ultrapassando o período

do festival, pois o turismo não pode se restringir aos dias que antecedem e se realiza o evento,

ultimo fim de semana de junho, sexta, sábado e domingo. É preciso refletir sobre as práticas

de turismo existentes em outros eventos importantes como a Festa religiosa de Nossa Senhora

do Carmo, o Carnailha - carnaval de rua, o festival de Pastorinhas, mas principalmente,

também, considerar o fluxo de turistas que desembarcam em Parintins vindos de todas as

partes do mundo em transatlânticos. Esses turistas frequentam a região localizada entre a foz

do rio Amazonas e Manaus, de outubro a maio de cada ano, trazendo desejos e imagens que

precisam ser bem estimulados e que os farão voltar outras vezes. Isso gera divisas para o país

e para a região. Conclui-se que o turismo em Parintins deve ter um planejamento que leve em

consideração as diversão regiões turística locais, pois existe potencial turístico em vários

pontos do território como a região da Valéria, onde as belezas naturais e a vida tradicional do

trabalhadores-ribeirinhos atraem turistas de cruzeiros que circulam pelo rio Amazonas. Um

Plano de Turismo para o município deve contemplar a realização do grande Festival

Folclórico, com a disputa entre os bois Garantido e Caprichoso, mas também outras opções de

lazer e turismo em torno do evento principal.

Palavras chaves: Amazônia – Comunidade – Turismo – Folclore - Espaço

AZEVEDO FILHO, João D’Anuzio Menezes de. Production and the Perception of

Tourism in Parintins, Amazonas State. 2013, 210 f. Tese (Doutorado). Faculdade de

Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2013.

ABSTRACT

Tourism is an activity that is extremely complex in its interpretation and difficult to produce

in its practical form. This activity, in a region that owing to its greatness and diversity in

every sense, portrays a group of factors that must be analised and discussed in such a way that

makes its interpretation possible as well as arriving at realistic conclusions and that takes this

diversity and existence in the real world into consideration. This study has as its objective the

comprehension of the reality of tourism in the Amazon, taking into consideration these

characteristics and, as a field of study, the municipality of Parintins. Parintins isn’t just any

place in the Amazon because it did not go unnoticed by the travellers that have entered the

region since colonial times. Its location and its beauty were noted and it served as a place

where a small center was installed to attend the Portuguese crown and the church. It became a

town and municipality and then transformed itself into an important economic center in the

lower Amazon region. The strength of its people, always formed by local people and by those

who in some way adopted the place as their own, forged a new ritual of traditions and mixture

of cultures, thus creating the Caprichoso and Garantido bumbá guilds that, through their

beauty and identity, were the beginning of the Parintins Folklore Festival, the biggest in the

interior of the Amazon State and one which transformed the city into the principal center for

tourism in the month of June. Despite this, tourism in Parintins still needs reflexion and

planning that really introduces new forms of tourism, including going beyond the period of

the festival because tourism cannot be limited just to the days in which the festival is held –

the Friday, Saturday and Sunday of the last weekend in June. It is necessary to think about the

practices of existing tourism in other important events such as the religious festival of Our

Lady of Carmel, Carnailha (street carnival), and the festival of the Pastorinhas, but also

principally, consider the flow of tourists that disembark in Parintins coming from all over the

world in transatlantic cruise ships. These tourists visit the region between the mouth of the

Amazon river and Manaus from October to May every year, bringing desires and images that

need to be stimulated and which will make them come back again. This generates wealth for

the country and for the region. We can conclude that tourism in Parintins must have planning

that takes into consideration the diverse local touristic regions because there is tourist

potential and in various areas of the territory such as the Valéria region where the natural

beauty and the traditional life of the riverside dwellers attract the cruise ship tourists that

travel the Amazon river. A plan for tourism for the municipality must contemplate the

Folklore Festival, with its dispute between Garantido and Caprichoso, but also other leisure

options and tourism close the principal event.

Keywords: Amazon – Community – Tourism – Folklore – Space

AZEVEDO FILHO, João D’Anuzio Menezes de. A produção e a percepção do turismo em

Parintins, Amazonas. 2013, 210 f. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2013.

RESUMEN

El turismo es una actividad extremadamente compleja en su interpretación y forma práctica de

realizarse. Lo que dice de esa actividad en una región, que debido a que su grandeza y

diversidad en todos los sentidos, presenta un conjunto de factores a ser analizados y

discutidos de forma a posibilitar su interpretación y conclusiones realistas y que lleven en

consideración esa diversidades y manera de ser en el mundo actual. Este trabajo tiene el

objetivo de comprender la realidad del turismo en la Amazônia, llevando en consideración sus

características y tiene como campo de estudio el municipio de Parintins. Parintins no es un

lugar cualquiera en Amazônia, pues no pasó despercebida por los viajantes que se adentraron

en la región desde tiempos coloniales. Su localización y belleza fueron notadas y sirvió para

que aquí se instalase un pequeño núcleo para atender los intereses de la metrópoli portuguesa

y de la iglesia. Se constituyó como ciudad y como municipio y se transformó en un

importante polo económico en la región del Bajo Amazonas. La fuerza de su gente, formada

siempre por gente de la tierra y por aquellos que de alguna forma la adoptaron como materna,

forjó un nuevo ritual de tradiciones y mestizaje de culturas dando origen a los Bois-bumbás

Garantido y Caprichoso que por su belleza e identidad dieron origen al Festival Folklórico de

Parintins, el mayor del interior del estado de Amazonas y que transformó la ciudad en el

principal centro de turismo en el mes de junio. Sin embargo el turismo en Parintins aún carece

de ponderación y de una planificación que realmente introduzca nuevas formas de hacer

turismo, incluso finalizado el período del festival, pues el turismo no se puede restringir a los

días que anteceden y de realización del evento, último fin de semana de junio, el viernes, el

sábado y domingo. Es necesario reflejar sobre las prácticas de turismo existentes en otros

eventos importantes como la Fiesta religiosa de Nuestra Señora del Carmen, el Carnailha, el

carnaval de calle, el festival de Pastorinha, pero principalmente, también, considerar el flujo

de turistas que desembarcan en Parintins llegando de todas las partes del mundo en

transatlánticos. Esos turistas frecuentan la región entre la hoz del río Amazonas y Manaus de

octubre a mayo de cada año, trayendo deseos e imágenes que necesitan ser bien estimulados y

que les harán volver otras veces. Eso genera divisas para el país y para la región. Se concluye

que el turismo en Parintins debe tener una planificación que tenga en consideración las

diversas regiones turística locales, pues existe potencial turístico y varios puntos del territorio

como la región de Valéria, donde las bellezas naturales y la vida tradicional de los

trabajadores ribereños atraen turistas de cruceros que cruzan el río Amazonas. Un Plan de

Turismo para el municipio debe contemplar la realización del gran Festival Folklórico, con la

rivalidad entre los Bois Garantido y Caprichoso, pero también otras opciones de ocio y

turismo en torno al evento principal.

Palabras claves: Amazônia – Comunidad – Turismo – Folklore - Espacio

LISTA DE MAPAS

Mapa 1

Localização da cidade de Parintins - Amazonas

27

Mapa 2

Localização da ilha Tupinambarana-Amazonas

28

Mapa 3

Planta: crescimento do espaço urbano de Parintins 1853 – 2012

82

Mapa 4

Planta: Parintins por bairros - 2012

84

Mapa 5

Tipos de rios da Amazônia no município de Parintins, Amazonas

137

Mapa 6

Compartimentação geomorfológica do município de Parintins, 2013

144

Mapa 7

Aspectos físicos de Parintins

148

Mapa 8

Assentamentos Rurais em Parintins

153

Mapa 9

Clima de Parintins (isoietas anuais médias), 2013

155

Mapa 10 Localização de Unidades de Conservação e Terra Indígena em Parintins

158

Mapa 11 Distribuição da população em Parintins-AM, 2010

160

Mapa 12 Divisão Regional de Parintins segundo o Plano Diretor, 2006

163

Mapa 13 Ambiente e Turismo em Parintins-AM

170

Mapa 14 Mapa da Região da Valéria e Paraná de Parintins

173

Mapa 15 Mapa da Região da Valéria – “Boca da Valéria”

175

Mapa 16 Mapa mental da Região da Valéria

185

LISTA DE TABELAS

Tabela 1

Ranking dos países receptivos quanto à desembarque de turistas e

48

receitas – 2010-2011

Tabela 2

População de Parintins e taxa de crescimento entre 1960 e 2010

89

Tabela 3

Preços dos pacotes de ingressos para o Festival Folclórico de Parintins

104

(2011-2013)

Tabela 4

Navios de Cruzeiros e Passageiros no Amazonas – 2003-2011

116

Tabela 5

Comunidades da região da Valéria e Paraná de Parintins: estimativa

172

de população e porcentagem, 2012

LISTA DE FIGURAS

Figura 1

Desembarques e receitas internacionais do turismo 1990-2011

46

Figura 2

Chegadas e receitas do turismo internacional do mundo (1990-2012)

47

Figura 3

Mapa datado de 1556, creditado a Giovanni Battista Ramusio

70

Figura 4

Porto de Parintins, maio/2013

86

Figura 5

Aeroporto Júlio Belém, Parintins, Amazonas, maio/2013

86

Figura 6

Festas de Boi pelas ruas de Parintins

90

Figura 7

Festa de Nossa Senhora do Carmo, Parintins, julho/2012

93

Figura 8

Carnailha, carnaval de Parintins, Amazonas, 2013

94

Figura 9

Triciclo em dia de visitação de turistas de cruzeiros

95

Figura 10

Roteiros de dois cruzeiros com destino à Manaus

97

Figura 11

Bumbódromo: suas cadeiras e arquibancadas para cada Boi

105

Figura 12

Turistas em Parintins segundo a origem declarada: Junho 2012

107

Figura 13

Turismo em Parintins segundo meio de transporte

108

Figura 14

Embarcação regional de transporte de passageiros e cargas

109

Figura 15 Percentual de turistas em Parintins segundo origem declarada: Junho

110

2012

Figura 16

Festival de Parintins: pesquisa de satisfação, junho de 2012

111

Figura 17

Festival de Parintins: pesquisa de satisfação (cont), junho de 2012

113

Figura 18

Bases conceituais da Cartografia

130

Figura 19

Perfil esquemático das formações da planície amazônica

141

Figura 20

Ambientes fluviais da Amazônia

142

Figura 21

Cota d’água do Rio Amazonas em Parintins, ano de 2011

148

Figura 22

Parintins: distinção entre o período da enchente e da vazante dos rios...

150

Figura 23

Variação sazonal da temperatura e precipitação na cidade de Parintins

154

Figura 24

Rede urbana da Amazônia

161

Figura 25

Transatlântico em frente da serra de Parintins na “Boca da Valéria”

176

Figura 26

Santa Rita de Cássia da Valéria: estrada, comunidade, escola ...

180

Figura 27

Artefatos cerâmicos de Santa Rita da Valéria

181

Figura 28

Comunidade de São Paulo: receptivo da vazante e na cheia

182

Figura 29

Comunidades evangélicas Bete Semes e Betel

184

LISTA DE QUADROS

Quadro 1

Festas tradicionais dos Bois de Parintins precedentes ao Festival

91

(2011-2012)

Quadro 2

Calendário de Eventos da SICTUR e orçamento em 2010,

120

Parintins

Quadro 3

Projetos de Reforma Agrária – INCRA – Parintins – AM

152

Quadro 4

Características socioambientais das sub-regiões de Parintins, 2013

162

Quadro 5

Parintins: população, área e densidade demográfica por Sub-

164

regiões (2010)

Quadro 6

Quadro síntese dos agrupamentos dos lugares – Parintins

166

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AHIMOC

Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental

AM

Estado do Amazonas

ANA

Agência Nacional das Águas

APA

Área de Proteção Ambiental

APP

Área de Proteção Permanente

CAT

Centro de Atendimento do Turista

CESP

Centro de Estudos Superiores de Parintins

CPRM

Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais

DETRAN

Departamento Estadual de Trânsito

DINTER

Doutorado interinstitucional

DNIT

Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes

EMBRATUR

Empresa Brasileira de Turismo

FAPEAM

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

FES

Formação Econômica e Social

GGI

Gabinete de Gestão Integrada

IBAMA

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Desenvolvimento

Sustentável

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INCRA

Instituto Nacional de colonização e Reforma Agrária

LIBLOC

Liga dos Blocos Carnavalescos de Parintins

MAG

Movimento Amigos do Garantido

MDA

Ministério do Desenvolvimento Agrário

MINTER

Mestrado interinstitucional

MTur

Ministério do Turismo

OMT

Organização Mundial do Turismo

ONG

Organização Não Governamental

ONU

Organização das Nações Unidas

PA

Projeto de Assentamento

PAE

Projeto de Assentamento Agroextrativista

PNMT

Programa Nacional de Municipalização do Turismo

PNT

Plano Nacional de Turismo

PROECOTUR

Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia

SDS

Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento

Sustentável

SICTUR

Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo de Parintins

SIG

Sistema de Informação Geográfica

SIPAM

Sistema de Proteção da Amazônia

SNUC

Sistema Nacional de Unidades de Conservação

UEA

Universidade do Estado do Amazonas

UNWTO

Unidet Nations World Tourism Organization

USP

Universidade de São Paulo

ZFM

Zona Franca de Manaus

GLOSSÁRIO DE TERMOS DO FESTIVAL DE PARINTINS

Alegoria

Cenografias espetaculares que recriam as lendas, fábulas e ritos

indígenas, concebidas sob o efeito tecnológico da engenharia

da arte parintinense.

Amo do Boi

No Auto do Boi este personagem é o dono da fazenda. Tem por

função proteger o boi e tirar versos, abordando temas variados,

com ênfase no folclore e na Amazônia.

Apresentador

É a pessoa que conduz a festa. Tem como funções principais

narrar e animar o espetáculo. É quem apresenta os outros itens.

Batucada

É o conjunto de tocadores do boi Garantido, responsável pelo

som e ritmo peculiares que acompanham as toadas.

Boi

Refere-se ao Boi-Bumbá Garantido ou ao Boi-Bumbá

Caprichoso.

Boi de rua

Festa tradicional dos Bois de Parintins caracterizada pelo

desfile do Boi pelas ruas localizadas no lado da cidade

destinado a cada um, respectivamente.

Bumbódromo

Centro de Convenções, palco da exibição do Festival

Folclórico de Parintins. Em sua arena ocorre o confronto dos

bois Garantido e Caprichoso.

Contrário

É a forma como, na época do Festival, os brincantes e

populares referem-se ao boi adversário. O “outro” boi é o

contrário. Durante a apresentação do Boi no Bumbódromo,

toda referência ao boi adversário é feita com essa expressão.

Cunhã-Poranga

É a índia mais bela da tribo (e do Boi). Sua dança é um rito que

fascina e encanta a aldeia. Personagem inserida no contexto da

Lenda Amazônica ou Ritual Indígena por sua ligação com o

universo mítico indígena.

Curral

Local destinado exclusivamente aos ensaios dos Bois-Bumbás,

sendo composto por palco para a apresentação da banda oficial

do boi, espaço para a dança em frente ao palco, bar com mesas

e cadeiras e camarotes para acomodação dos membros da

Diretoria. A Festa de cada Boi é realizada no seu curral.

Ensaio

Constitui-se de espaços musicais, destinados exclusivamente

aos brincantes dos bois-bumbás, onde as letras das novas

toadas são aprendidas, os passos são treinados as coreografias

para cada toada são criadas pelos grupos de brincantes.

Galera

É como é chamada a torcida de cada Boi-Bumbá. É formada

pelos admiradores do boi que, durante o espetáculo, vibram e

cantam com a alma nas arquibancadas do Bumbódromo.

Itens do Boi

São as figuras folclóricas do boi-bumbá como a Sinhazinha da

fazenda, Cunhã-poranga, Porta estandarte, Pajé, entre outras.

Levantador

É o cantor das toadas, que envolvem e fazem vibrar brincantes

e espectadores do Festival.

Mãe Catirina

Personagem do Auto do Boi, é a mulher do vaqueiro que,

estando grávida, manifesta ao marido o desejo de comer a

língua do boi de seu patrão, levando o marido, Pai Francisco, a

matar o boi mais querido da fazenda.

Marujada

É o conjunto de tocadores do boi Caprichoso, responsável pelo

som e ritmo peculiares que acompanham as toadas.

Pai Francisco

Personagem folclórico do Auto do Boi, Pai Francisco é o

vaqueiro que para satisfazer o desejo da esposa grávida, mata

um boi da fazenda de seu patrão.

Pajé

É o principal item do Ritual Indígena. É o feiticeiro, o

curandeiro da tribo, que por sua intercessão junto aos espíritos

do sobrenatural e o uso de inalações, beberagens e chocalhos,

domina os espíritos maus que assombram os índios da aldeia.

Porta Estandarte

É a índia guerreira que defende o pavilhão do Boi-Bumbá. O

estandarte é o símbolo maior que sintetiza todo o amor pelo

Boi.

Ritual

Teatralização e desenhos coreográficos que proporcionam uma

viagem cênica ao mundo sobrenatural onde habitam os mitos

indígenas e para os quais são realizados os ritos em defesa da

cultura ancestral e do estabelecimento do bem sobre o mal para

guardar o bem-estar das tribos.

Sinhazinha da

Personagem que, junto com o Amo, simboliza a participação

Fazenda

do branco no Auto do Boi. É a doce, singela e encantadora

menina, filha do dono da fazenda que tem o boi como seu

animal de estimação.

Toada

É a base do espetáculo, pois é a partir dela que se constrói a

dramaturgia e a partitura musical com a qual todos os

elementos do grande espetáculo se desenvolvem. É a

musicalidade que encanta com seus passos “dois pra lá dois pra

cá”.

Tribo

Personagens que encenam o rico mundo étnico brasileiro. Por

meio da teatralização dos ritos, momentos xamânicos e cenas

do cotidiano indígena, retratam a cultura e a diversidade desses

povos.

Praça dos Bois

É a praça que fica atrás do Bumbódromo, construída em 2004.

De um lado o Azul, do Caprichoso e do outro, o Vermelho do

Garantido, com bares e lanchonetes, quadras de esporte etc.

SUMÁRIO

CAPITULO I ......................................................................................................................................................... 31

1 O TURISMO NA AMAZÔNIA: PARA ENTENDER O TURISMO LOCAL ................................................. 31

1.1 Turismo, espaço e totalidade ......................................................................................................... 31

1.1.1 Turismo e produção do espaço ............................................................................................... 36

1.1.2 Turismo e Paisagem ............................................................................................................... 38

1.1.3 Imagem e imaginário .............................................................................................................. 40

1.1.4 Lugar, território e região ........................................................................................................ 42

1.1.5 O turismo mundial: crises e viagens ....................................................................................... 44

1.1.6 Turismo no Brasil: emergência e planejamento ..................................................................... 49

1.1.7 Turismo para a Amazônia: turismo de natureza e ecoturismo............................................... 53

1.1.8 Peculiaridades do Turismo no Amazonas ............................................................................. 56

1.2 Espaço, turismo e o método .......................................................................................................... 58

1.2.1 O método hipotético-dedutivo ................................................................................................ 59

1.2.2 O método fenomenológico-hermenêutico .............................................................................. 60

1.2.3 O método dialético ................................................................................................................. 63

1.2.4 Método miltoniano do espaço ................................................................................................ 64

CAPITULO II ....................................................................................................................................................... 69

2 A CONSTRUÇÃO DA AMAZÔNIA: A FORMAÇÃO DE UMA REGIÃO EM VIAGENS E TURISMO ... 69

2.1 A ocupação e primeiras viagens pelo rio Amazonas ..................................................................... 69

2.2 Viagens e viajantes por Parintins .................................................................................................. 75

2.3 Parintins: história e ocupação ........................................................................................................ 77

2.3.1 Parintins de vila à “capital da cultura e do folclore amazonense” .......................................... 81

CAPITULO III ...................................................................................................................................................... 88

3 PARINTINS – BOI-BUMBÁ E OUTRAS PRÁTICAS TURÍSTICAS LOCAIS ............................................. 88

3.1 Parintins cidade do turismo ........................................................................................................... 88

3.1.1 O Festival dos Bois-Bumbás Garantido e Caprichoso ........................................................... 89

3.1.2 Nem só de Boi vive Parintins: religiosidade, carnaval e cruzeiros ......................................... 92

3.2 A imagem e o imaginário no turismo de Parintins em Manaus ..................................................... 97

3.3 Turismo em Parintins, seus atrativos e suas características ......................................................... 100

3.3.1 “Festa de Boi” antes do Festival ........................................................................................... 103

3.4 Sobre os turistas no Festival de Parintins .................................................................................... 107

3.5 Parintins, Bois-Bumbás e os cruzeiros ........................................................................................ 114

3.6 Cruzeiros pelo Rio Amazonas ..................................................................................................... 116

3.6.1 Como se dá a preparação para a chegada dos navios de cruzeiros ....................................... 116

3.6.2 Cruzeiros na Boca da Valéria ............................................................................................... 118

3.7 Turismo em Parintins para além do Festival Folclórico .............................................................. 119

3.7.1 O turismo além do Festival dos Bois .................................................................................... 119

4 A CARTOGRAFIA DO MEIO AMBIENTE E DO TURISMO EM PARINTINS ......................................... 122

4.1 A Cartografia e seu uso no turismo e no meio ambiente ............................................................. 122

4.2 A Cartografia Temática ............................................................................................................... 125

4.3 Rumo a uma Cartografia do Meio Ambiente e do Turismo ........................................................ 132

4.3.1 Mapa da bacia hidrográfica em Parintins ............................................................................. 134

4.3.2 Mapa da Geomorfologia ....................................................................................................... 140

4.3.3 Mapa dos aspectos físicos de Parintins: a vegetação ............................................................ 145

4.3.4 Assentamento rural ............................................................................................................... 151

4.3.5 Mapa Climático .................................................................................................................... 154

4.3.6 Áreas Protegidas: Unidades de conservação e Terras Indígenas em Parintins ..................... 156

4.3.7 Áreas Urbanizadas e distribuição da população ................................................................... 159

4.4 O Mapa do Meio Ambiente e Turismo ....................................................................................... 162

CAPÍTULO V ..................................................................................................................................................... 171

5 O TURISMO NA REGIÃO DA VALÉRIA: CAMINHOS PARA UM TURISMO DE BASE

COMUNITÁRIA................................................................................................................................................. 171

5.1 As Comunidades da Região da Valeria ....................................................................................... 172

5.1.1 Comunidade de várzea do Paraná de Parintins ..................................................................... 173

5.1.2 A “Boca da Valéria” um novo espaço turístico .................................................................... 174

5.1.3 Comunidade de Santa Rita de Cássia ................................................................................... 177

5.1.4 Comunidade de São Paulo da Valéria .................................................................................. 181

CONCLUSÃO..................................................................................................................................................... 187

Bibliografia .......................................................................................................................................................... 192

ANEXOS ............................................................................................................................................................. 202

21

INTRODUÇÃO

O turismo tem chamado a atenção de governos e sociedade pela sua capacidade de

atrair recursos para os lugares onde ele acontece. É uma atividade que envolve ao mesmo

tempo uma prática econômica e uma relação entre pessoas e lugares. Como atividade

econômica, sem dúvida, é possível pensar em melhorias das condições de renda e trabalho,

ainda que os resultados positivos dessa atividade sejam apropriados por uma minoria de

empresários, enquanto os resultados negativos são distribuídos entre toda a população. Essa é

uma forma de avaliar os danos causados pelo turismo nos centros urbanos e nas áreas rurais,

mesmo sabendo que há sempre um esforço do Estado e da sociedade civil organizada para

tornar essa atividade mais sustentável.

Nesse sentido, caminhamos para uma interpretação do turismo como um instante da

vida de pessoas que aproveitam seu momento de não trabalho para conhecer outros lugares,

outras pessoas, outras culturas. Um curto período em busca de lazer e de convivências. O

turista não é um explorador ou um consumidor compulsivo. Não se trata de discutir apenas

qual a capacidade de consumo de cada turista como faz a maioria dos estudos de demanda

turística. Trata-se de perceber o turismo não apenas na sua complexidade e nas várias

perspectivas motivacionais do turista, mas também nos laços afetivos deste com o meio

(espaço) e suas atitudes em relação aos lugares.

Portanto, o turismo não pode ser interpretado de uma única maneira, por uma única

perspectiva epistemológica de ciência e seu método, uma vez que se trata de uma atividade

extremamente dinâmica e que envolve pessoas diferentes, com desejos e motivações

diferentes. Nunca é o mesmo turista que visita um lugar e, mesmo que fosse, não são os

mesmos desejos e gostos de antes. É preciso pensar nisso. Urry (1996) coloca exatamente que

não existe apenas um olhar de uma pessoa enquanto turista. O olhar varia no tempo e no

espaço, em cada momento da nossa história. Esses múltiplos olhares, em todas as épocas,

significam que não existe apenas uma experiência universal verdadeira para todos os que se

dizem turistas. O autor quer dizer que esse olhar do turista tem a ver com suas experiências

enquanto não turista, na sua vivência diária de experiências e consciência social.

Por outro lado, há a população do local de recepção. O que se tem de estudo sobre as

populações visitadas e seus anseios quanto ao turista visitante? Knafou (2001) é quem afirma

que, na perspectiva do visitado, o turista incomoda, pois é um estranho, móvel e escorregadio.

22

Mesmo num tempo de muita mobilidade, as pessoas nem sempre aceitam bem o que se move,

o que é difícil de controlar e, também, fugidio. O autor coloca esse momento como uma

“forma moderna de conflito de territorialidade”, considerando que, de um lado têm-se os

turistas (nômades) e do outro, os moradores (sedentários). Mas, lembra que nessa relação, em

outro momento, um deles será nômade (turista) e o outro sedentário (morador visitado).

O turismo proporciona essa liberdade que muitas vezes incomoda, como diz Knafou.

E é nesse ir e vir que se confrontam interesses divergentes. Um, na sua condição sedentária de

morador, com seus hábitos, costumes e modo de viver e o outro na condição de visitante,

diferente, distante, mas também com desejos de conhecer e se apropriar, mesmo que

momentaneamente, dos lugares e espaços que frequenta. Isso pode resultar em diversos

conflitos, mas é essa mobilidade de pessoas e grupos entre diferentes lugares que possibilita a

construção de novos espaços, bem como mudanças em outros já consolidados. E isso a

Geografia, como ciência, tem a obrigação de entender e de intermediar.

Buscar, pois, entender o turismo, isolando-o de sua inter-relação com o espaço e sua

complexidade pode levar ao fracasso, afirma Cruz (2007). O turismo tem que ser estudado

dentro do amplo contexto que envolve a compreensão de sua interação com vários agentes

que se encontram em todas as partes do planeta. Em um mundo globalizado, o turismo parece

viabilizar a integração entre os diversos espaços e afirmar a ideologia de um mundo sem

fronteiras, tão defendida pelos neoliberais. É nesse sentido que devemos entender o turismo

em suas múltiplas relações. É nesse sentido, também, que se faz necessário um planejamento

consistente da atividade turística, politicamente correto e socialmente justo, que leve em

consideração não só os interesses dos agentes de mercado do turismo, mas também os do

visitante e do visitado.

Atualmente, o estudo do fenômeno turístico tem aumentado bastante, principalmente

entre os economistas, antropólogos, sociólogos, turismólogos e geógrafos. A Geografia dirige

seu foco para diversos momentos desse processo, seja no lugar de origem, no deslocamento e,

principalmente, no lugar de destino. Pode-se afirmar que existe uma relação estreita entre

geografia e turismo, pois, este só pode ser explicado a partir do estudo do espaço geográfico,

considerando que o turista “viaja” para conhecer “lugares”. Os estudos em Geografia do

Turismo dizem respeito à análise dos espaços geográficos transformados em espaços para o

turismo, tentando compreendê-lo no tempo e no espaço. É bom lembrar Cruz (2007), quando

coloca que o principal objeto de consumo do turismo é o espaço, que é transformado em

mercadoria e inserido no circuito de troca.

23

Se o turismo se faz pelo consumo do espaço pelo turista e é uma atividade produtiva