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A quarta iniciacão por R.F. Lucchetti - Versão HTML

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R. F. Lucchetti

Autor

Edição Eletrônica: L P Baçan

Dezembro de 2009

All rights reserved

Direitos exclusivos para língua portuguesa cedidos pelo autor a Lourivaldo Perez Baçan.

Copyright © 2007 L P Baçan e R. F. Lucchetti

Distribuição exclusiva através do SCRIBD

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

2

A QUARTA INICIAÇÃO

Ela era tolinha, por demais ingênua. E o seu esposo a ensinou a viver.

E a aluna não desmereceu o mestre...

Ela veio do chuveiro secando-se com uma toalha e usando outra em volta da cabeça como turbante. Terminou de enxugar-se com um ligeiro movimento de rumba. Seu corpo era bom para isso. Havia muito o que remexer. Espichei-me na cama metido no pijama e fiquei observando-a e tentando interessar-me.

Soprei um anel de fumaça para o teto.

— Você está perdendo seu tempo — disse-lhe. Vista alguma roupa.

— Você é bem descarado! — exclamou ela.

— Claro. E você é bem boa. Isso faz uma perfeita combinação — disse eu dando uma profunda tragada no cigarro. — Faremos um montão de dinheiro.

— Que? — disse ela, — Que conversa é essa? O que há com você?

— Nada. Acontece apenas que a lua-de-mel terminou praticamente, figuradamente ou como você quiser. Agora vamos trabalhar. Isso é tudo.

Muito simples.

Umas doze expressões diferentes perpassaram por seu rosto. Ela pôs as mãos nos quadris.

— Você está querendo dizer-me que já está farto de mim, Earl? Após somente um mês de casados? É isso? Diga honestamente, Earl.

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— Essa é boa. — Eu, honesto. O honesto Earl Gorman, é como me chamam. Só que nunca fiz uma coisa honesta na vida. Nem saberia como fazê-la.

Ela largou a toalha e caminhou em direção da cama. Movia-se brandamente, com um leve requebro do corpo. Era um verdadeiro espetáculo vê-la caminhar assim, seus longos e ruivos cabelos emoldurando a beleza de sua carne branca e sem mácula.

Inclinou-se sobre mim, segurando meu rosto entre suas mãos. Após aquele banho ela emanava um cheiro fresco e agradável. Duas gotas prateadas de água brilhavam no fundo sulco que a tornava tão atraente num vestido decotado. Tornava-se bastante sedutora naquela posição e sabia disso. O velho truque da serpente.

— Earl! — disse passando os dedos macios e úmidos em meu rosto. —

Você deve estar aborrecido com alguma coisa. O que é? Que foi que eu fiz?

— Endireite-se — disse eu — Antes que você fique corcunda. Você não fez nada. Trata-se apenas que estou ansioso para trabalhar e fazer algum dinheiro. Nada me interessa mais do que isso, agora. Por isso pare de bancar a romântica e ouça o que tenho a dizer.

Ela ergueu-se tão abruptamente como se alguém a tivesse sobressaltado.

Seu rostinho bonito e sensual olhava-me surpreso.

— Você quer dizer que... que estamos sem dinheiro? Você quer voltar para New York e...

— Não estou liso — interrompi-a. — Não inteiramente. Ainda tenho mil dólares. E não vou para New York. Aquela história de eu ser gerente de uma grande agência de propaganda foi tudo conversa mole. Vou trabalhar aqui mesmo em Sea City. Neste mesmo hotel. E você também.

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Ela desenrolou a toalha-turbante de sua cabeça, enfiou-a sob e espesso e faiscante cabelos ruivo que tombava sobre seus ombros e esfregou-o. Aquela bela cabeleira ainda me cativava. Só o fato de vê-la agitar assim o cabelo quase me amoleceu.

— Earl — disse ela. — Fale direito, por favor. Palavra que não sei o que houve com você esta manhã.

— Está bem, Norma. Ouça com atenção. Sabe que eu sou, realmente? —

disse, e sem esperar sua resposta, continuei. — Sou um malandro... um chantagista, para ser mais claro. Não trabalho para viver, nem nunca trabalhei.

Não do jeito que você imagina. Tenho um golpe, muito bom, bastante seguro e que sempre rende bem.

— Você? — exclamou ela, quase estupidificada pela surpresa. — Que...

que espécie de golpe Earl?

Sorri. — Não é o que você pensa. nada de tiroteios. Olhe. Quando encontrei você há alguns meses atrás, estava precisando de uma nova parceira.

A que havia trabalhado comigo durante anos tornou-se muito esperta e achou que não precisava mais de mim. Foi muito pau. Ela era muito boa neste troço.

Quando vi você, com esse arzinho inocente e o mais belo corpo que uma mulher já teve, achei que, embora costumasse trabalhar sempre com garotas traquejadas, talvez pudesse treiná-la e ensinar-lhe todas as mancadas. Então aconteceu o pior.

Ergui-me da cama e esfreguei o punho na palma da outra mão.

— Não sucedeu o que eu esperava. Fiquei embatucado. Não conseguia ensiná-la. Nunca me sentira assim antes. Fiquei meio maluco. — continuei sacudindo a cabeça com impaciência. — Você sabe o que aconteceu então.

Fiquei aéreo o tempo todo e acabei casando-me com você. Esqueci de tudo que havia planejado antes. Até agora.

5

Ela estava confusa mas não aborrecida. O que eu estava dizendo feria-a e chocava-a, mas ao mesmo tempo enchia de orgulho seu pequeno ego. Eu precisava acabar com aquilo.

— Então percebi que cretino havia sido — disse, depressa. —

Compreendi porque não pudera romper com você antes e vi que não fora por minha culpa. Porque você é simplesmente uma pamonha, eis porque, porque falta algo em você. Você é uma estátua, uma bela estátua de carne sem um toque de vida, sem uma gota de sangue dentro de si.

— Pare, Earl! — exclamou ela contraindo o rosto. — Sei que eu...

Desculpe, Earl, mas eu... Não posso deixar de ser como sou.

— Você vai deixar de ser como é. Vai começar a trabalhar comigo.

Começará esta noite. Já tenho um otário no papo. Será muito fácil apanhá-lo, não poderá falhar. E será um bom começo para você.

Ela ficou-me olhando olhos arregalados, sem compreender. Continuei.

— Esse sujeito ficou de olho em você, outro dia, no saguão. Sua pressão deve ter subido, só de olhá-la. Está hospedado aqui e fica todas as noites no bar do hotel. Seu nome é Gibney, Fred Gibney. Tenho toda a ficha dele. O

homem está pra nós. É casado, tem um casal de garotos e um grande e rendoso negócio em Dubuque. Está carregado de dinheiro. Tem perto de cinqüenta anos e está pronto para uma farra, de modo que você não terá trabalho para trazê-lo até aqui. Poderá fisgá-lo em dez minutos. Uma vez aqui em cima, você o fará ficar em situação bem comprometedora enquanto tiro fotografias dos dois. Depois, com as fotos, nós o achacaremos. Isso é tudo. Esse Gibney deverá render uns dez mil.

Ela parecia sentir-se mal. Seus belos olhos verdes e ligeiramente oblíquos davam a impressão de que ela ia desfalecer. Sua boca tremeu um pouco antes que pudesse articular palavra.

6

— Earl — disse afinal — você então quer que eu... Deseja mesmo que eu... eu e esse homem, que nunca vi antes... Quer que eu o traga até aqui e...

— Você já o apanhou — interrompi-a. — Ele já está no papo.

Ela afastou-se até uma cadeira, estendeu a mão e apanhou seu "negligê".

Vestiu-o e apertou-o contra si, indignada.

— Você não sabe o que está dizendo — exclamou. Sua voz tornou-se aguda. — Earl, eu sou sua esposa. Se por acaso pensa que vou fazer isso, eu...

Aquilo foi longe. ela esbravejou, chorou, implorou. Fui para o chuveiro.

O barulho da água ajudou a abafar sua voz. Quando sai, havia cessado de chorar e de falar. Deixara-se ficar sentada na beira da cama, o rosto entre as mãos.

— Ouça, Norma — disse eu.

— Sua pequena mentalidade de Erie, Pennsylvania, está abalada, eu sei, mas isso passa. Seja inteligente, prática. Encare a coisa de outro modo. Daqui a uns cinco anos você decidiria fazer o mesmo de qualquer modo. Pois você poderá começar desde ao mesmo tempo que ganhamos um bocado de dinheiro.

Ela ergueu o olhar para mim. Seu rosto estava todo marcado pelo choro.

— Earl — disse — não me importa o que você diga, a questão é que simplesmente eu não poderia. Não poderia. Eu...

Resolvi terminar com aquilo. Avancei para ela e coloquei minha mão em seu ombro. Meus dedos apertaram sua carne. Continuei aumentando a pressão.

A dor estampou-se em seu rosto e ela fez menção de gritar. Calei sua boca com uma bofetada. Meus dedos continuaram enterrando-se em sua carne até que ela ficou a ponto de desfalecer. Então atirei-a na cama.

— Ouça o que estou dizendo. Vou sair. Quando voltar, quero vê-la pronta para colaborar. Se você quiser, vou-lhe dar outra esfrega. Bem pior do que 7

este. E depois irei embora do hotel e largarei você aqui pra se haver com a conta de quinhentos dólares que já gastamos. Como vê, você não tem outra escolha senão colaborar comigo. Pense nisso.

Voltei-me e sai do apartamento. Passei a tarde no hipódromo e jantei fora. Eram oito horas passadas quando voltei. Dei uma olhada em Norma e vi que ela colaboraria comigo. Procurou fazer-se de rogada e fechar a cara mais ficou tão contente em me ver de volta que logo se aquietou.

Eu havia trazido uma garrafa de uísque. Enchi um copo e disse: — Pegue o seu vestido negro. É de colher para isto.

Ela não respondeu. Olhei-a, e a ouvi responder com voz sufocada:

— Earl, eu... eu posso me atrapalhar, pôr tudo a perder. Não saberei como agir.

— Você não precisará. Eu lhe ensinarei o que fazer — disse-lhe, e parei de repente porque uma nova idéia me ocorrera fazendo-me sorrir para mim mesmo.

— Norma — continuei — Você não sabe quanto isto significa para mim.

Depois disto partiremos para algum lugar e eu investirei o dinheiro num negócio. Eu pretendia que fizéssemos isto uma duas ou três vezes, correndo mais risco, assim. Mas só em pensar em você com... Com outro cara, comecei a ficar maluco. Por isso esta será a primeira e a última vez, prometo-lhe.

Eu sabia que assim ela concordaria.

Logo após trocou-se e pôs o vestido preto. Estava deslumbrante, da cabeça aos pés. Era jérsei negro. A gola era alta e as mangas, compridas e fendidas ao longo. Ajustava-se nos quadris e era folgado e brilhante sobre as pontudas saliências dos seios. Aquilo dava-lhe uma espécie de oculta sensualidade, que é a mais provocante que pode haver. Porém, como uma doida, ela se pôs a encher a cara de pintura. Imaginara, na certa, 8

subconscientemente, que ia agir como uma vagabunda e por isso achou que devia pintar-se de acordo.

Empurrei-a para o banheiro.

— Diminua essa pintura — disse-lhe.

Quando ela voltou, estava com perfeita aparência. Então, dei-lhe instruções. Descrevi Gibney de modo que ela soubesse bem que era.

— Vá até a sala do bar — disse-lhe. — Não sente demasiado perto dele.

Observe-o através do espelho do bar. Você sabe como fazê-lo. Mostre-se ligeiramente nervosa, com um certo receio, não muito habituada com essa espécie de coisas, mas, ao mesmo tempo, demonstre estar fascinada por ele, entende? Assim que ele se interessar, não se mostre muito ansiosa, mas não o afugente, também. Então, passado um pouco de tempo, entre com a conversa.

Diga-lhe algo sobre uma garrafa de uísque em seu quarto, de tomar algo antes de dormir e coisas assim. Quando você vir que ele já caiu, peça-lhe licença, pouco antes de vir para o quarto, e dê-me uma telefonada. Isso dará tempo para ir me esconder. Está bem?

Ela me olhou demoradamente, sem responder. Seus olhos contemplaram meu rosto. Então disse suavemente:

— E você é um rapaz tão simpático, de tão boa aparecia, Earl. E você...

céus, e você ainda parece nunca ter tido um pensamento mau. É duro de acreditar.

— Sim, sim — resmunguei. Na próxima vez ela acabaria cantando um hino. — Trate é de não cometer erros, está me ouvindo?

Ela assentiu.

— Depois... depois que eu vier até aqui... o que acontecerá? O que fará você, Earl?

— Nada, a principio. Estarei escondido no armário.

9

Caminhei até o armário e apanhei a câmera.

— Lembra-se de que uma vez você me perguntou que espécie de câmera era esta? Pois bem, é uma câmera especial. Usa-se um filme apropriado que tira fotografias em ambientes de pouca luminosidade. E eu estarei nervoso dentro desse maldito armário, por isso não perca tempo com muita conversa.

Sua voz estava apagada. Ela ficou limpando as unhas de uma das mãos com a outra. Eram graciosamente afiladas, não demasiado longas e revestidas de um brilho natural. Mas os pequenos estalidos que faziam incomodavam-me.

— Até... até onde você quer que eu vá, Earl?

— Deixe isso comigo — respondi-lhe prontamente. — Você vá em frente até que eu apareça. Está entendendo? Para um golpe grande como este, precisamos ter o sujeito bem fisgado. Não poderíamos fazê-lo se ele pudesse alegar como álibi que estava apenas lhe dando uma massagem completa ou coisa que o valha. Esta fotografia terá que ser de arrasar e ele precisará compreender isso.

— E se... se ele quiser reagir, Earl?

Enfiei a mão no bolso e apanhei o 32.

— Ele não reagirá. Agora chega de conversa e vamos ao que interessa.

Ela ainda fez uma última tentativa para me dissuadir da coisa, mas nem a deixei começar. Afinal saiu. Tomei alguns goles da garrafa de uísque que havia trazido. Descaramento não me falta, mas um golpe como esse não é brinquedo. Você pensa que é fácil? Experimente fazê-lo.

Passou-se uma hora. Eu já havia inspecionado a câmera mais de dez vezes. Já olhara se o 32 estava em ordem também. Caminhei até gastar o tapete. Não se pode saber quanto tempo vai levar. Tanto pode levar quinze minutos quanto duas horas. Norma já havia saído há setenta e cinco minutos 10

quando o telefone retiniu. Arrebatei-o do gancho. Sua voz era trêmula. Ela disse:

— Earl, não é possível. Eu... eu estou com medo. Ele... ele é um homem imponente, muito mais velho que eu. Por favor, Earl!

Segurei o fone com força.

— Cale a boca e venha pra cá — disse-lhe. — Se você se demorar muito nesse telefone ele poderá desconfiar. Agora suba aqui com ele. Não há nada com que se preocupar.

Pendurei o fone antes que ela pudesse responder. Joguei fora as pontas de cigarro do cinzeiro, apaguei a luz e caminhei tateando até o armário. Fechei a porta e esperei. O suor ensopou-me a camisa. Finalmente ouvi sua chave penetrar na fechadura. A luz foi acesa.

Era uma estupidez, mas naquele momento algo aconteceu comigo. Tive a impressão de que estava inchando cada vez mais como se fosse explodir. O

sangue latejava com tanta violência em meus ouvidos que eu não podia ouvir o que diziam lá fora. Escutava apenas o murmúrio de vozes e alguma risada ocasional. Aquilo continuou por muito tempo. Afinal a luz do quarto se apagou. A escuridão pareceu envolver-me em mornas e pegajosas ondas de calor e eu sentia um terrível mal estar, como se fosse morrer sufocado. Tremia tanto que os joelhos pareciam não suportar mais o meu peso.

Só quando o barulho e a excitação cresceram lá fora, depois que o quarto permaneceu algum tempo às escuras, foi que lembrei para que estava ali.

Contei até cem para ter certeza e empurrei ligeiramente a porta para que ela fosse abrindo lentamente. O quarto estava completamente escuro. Eu não podia ver nada. Assestei a câmera. Eles não poderiam ter ouvido o barulho do obturador. Eu também nem ouvia o que eles estavam fazendo. Assim que usei todo o filme fechei a porta outra vez e esperei.

11

Essa foi a pior parte. A espera pareceu uma eternidade, até que afinal a luz foi novamente acesa no quarto. Diziam qualquer coisa. Ouvi a voz de Norma:

— Não, por favor, vá-se embora!

Gibney disse algo mais e pouco depois entrou no banheiro. Voltou e começou a falar de novo, mas Norma continuou a dizer-lhe que fosse embora alterando um pouco a voz, histericamente. Ele saiu do quarto. Dei bastante tempo para ele se afastar da porta e então sai silenciosamente do armário.

Estava nervoso como o diabo. Mal podia esperar pela manhã para ter o filme revelado na casa de fotografia que me faria aquele trabalho por cinqüenta dólares.

Norma não olhava para mim. Estava de olhos fixos no teto, distendida e seu belo rosto tinha algo de engraçado, assim aturdido. Procurei alguma coisa para dizer, mas não achei. Caminhei até a cômoda e apanhei a garrafa que ainda tinha bastante uísque.

— Largue esta garrafa!

Voltei-me e via-a erguer-se da cama e caminhar em minha direção. Ela continuava não olhando para mim. Seus olhos estavam fixos na garrafa. Tirou-a de minha mão.

— Você não vai tocar nisso — disse-me. Uma parte de seu cabelo quase lhe cobria um dos olhos.

— Vou precisar dessa garrafa inteira, até a última gota. Você não vai tocar nela.

— Oh, pare com isso, Norma — disse-lhe. — Até aprece que aconteceu uma desgraça, santo Deus! Pare de fazer drama, sim?

— Tive uma porção de iniciações com você, Earl — disse ela. Sua respiração era entrecortada. — A primeira delas foi na noite de nosso 12

casamento. Você sabe como foi. Lembra-se de como ficou surpreso? Há poucos minutos atrás tive outra iniciação. Agora vai haver a terceira. Vou encher a cara pela primeira vez em minha vida e começar a me divertir também.

Dei um suspiro de impaciência. Então dei de ombros.

— Faça o que quiser. E que história é essa de se divertir?

— Você verá — disse ela.

Sentei-me numa cadeira e olhei-a pôr uma dose cavalar no copo e bebe-la. Logo após encheu novamente o copo. Voltou-se para mim, mas ainda sem me olhar. Seus olhos pareciam ignorar-me.

— E agora Earl? Quando você terá o dinheiro? Como pode saber se ele vai pagar?

Sorri e disse:

— Ele pagará. Amanhã irei vê-lo com as fotos. Dez mil para um sujeito como Gibney não é muito. Pagará o que for para evitar um escândalo em sua cidade, a perda da esposa, da família, até mesmo de seu negócio. Amanhã ele estará cheio de remorsos e arrependimento. Ficará preocupado antes mesmo que eu fale com ele. Entregará logo os pontos.

— Creio que você tem razão — disse ela.

Vi-a tomar mais duas dose e então disse:

— Por que você não pára com isso, Norma, e vai para a cama.

— Não estou com sono — respondeu. — Estou pensando. Estou pensando.

Talvez ela não estivesse cansada, mas eu estava. Tinha estado muito agitado e sentia-me exausto. Em poucos minutos despi-me e enfie-me debaixo do lençol. A última coisa que vi antes de mergulhar no sono foi Norma diante da janela segurando um copo gigante cheio de uísque até a metade. Aquilo não 13

me preocupou muito. Quando ela estivesse bastante bêbada acabaria dormindo e aquilo seria tudo, nada mais.

Acordei com um ruído de vidro se partindo. Estava deitado de lado, a cabeça ainda pesada de sono. Alguém tocou em meu ombro. Voltei-me e olhei para cima. Era Norma. Ela estava inclinada sobre mim. Seus olhos estavam entumecidos e ela oscilava, quase caindo em cima de mim. Estava bêbada como uma mosca de cervejaria. Então ela ergueu a mão direita e eu vi a causa do barulho de vidro quebrado. Sua mão segurava o gargalo quebrado e cheio de pontas da garrafa vazia de uísque.

— Seu lindo chantagista — disse ela numa voz tensão. Seu cabelo caía sobre seu rosto. E então vi descer sobre meu rosto os cacos pontudos e afiados do gargalo quebrado. Ela enfiou-o em minha face e raspou-a desde a testa até o queixo. Fez assim três vezes antes que eu pudesse detê-la. Então afastou-se da cama e riu molemente, bêbada. Ergui-me da cama e dei nela, fazendo-a bambolear contra a parede e escorregar para o chão onde ela se deixou ficar tendo que suster as risadas que ainda dava. Então disse:

— Vamos, mande-me prender. Vamos, simpático chantagista. Vamos.

Desafio você.

Não senti nada no meu rosto, então. Ele tinha ficado apenas entumecido.

Vi o sangue gotejar no chão e então voltei-me para o espelho. Só então percebi que estava olhando apenas através de um olho.

O quarto girou em minha volta, vagarosamente e então parou

— Denuncie-me à policia que eu também o denunciarei, Earl. — disse Norma, rindo sarcástica. — Você não se atreve, não é? Creio que você gostaria de saber o que aconteceu, não, Earl? Foi... engraçado. Bem engraçado. Se você não me tivesse obrigado a fazer aquilo esta noite eu teria 14

provavelmente continuado sempre a seu lado, casada e feliz. Eu... eu nunca teria sabido como... como era eu realmente se não tivesse feito aquilo. Quanto mais bêbada eu ficava, mais as coisas iam-se aclarando.

Olhei para ela. Seu olhos estavam totalmente mudados e excitados, como eu nunca virá antes. Começando já a sentir-me fraco lembrei-me de que ela havia dito sobre Gibney ter sido "outra iniciação" para ela.

— Mas não estou mais louca por você, Earl. Estive antes e fiquei quase louca só de pensar como toda a minha situação havia mudado. Mas creio que de agora em diante vou começar a aproveitar melhor a vida.

Tentei mover-me em direção a ela. Meus punhos estavam crispados. Mas toda a força parecia haver fugido de minhas pernas. Vi-a caminhar até a cômoda e apanhar a câmera.

— Vou precisar de algum dinheiro para começar novamente, Earl —

disse ela.

— É melhor eu ficar com o filme que você tirou está noite. Talvez Mr.

Gibney queira se arriscar um pouco mais ainda comigo. Você não precisará dele, de qualquer modo, no hospital, não é então, Earl?

Ela apanhou sua maleta de dentro do armário, enquanto eu caia. Calor, tontura e uma densa escuridão envolveram-me assim que a insuportável dor em meu rosto começou.

FIM

15

RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI

R F Lucchetti é considerado um fenômeno, pois é um dos maiores, senão o maior, ghost-writter de todo o mundo, roteirista de HQ e de cinema, autor de um número incontável de histórias policiais, as famosas pulp-fictions, e de um número indefinido de livros de bolso, abordando os temas mais inesperados, principalmente o esoterismo, o mistério e o terror.

É dele uma das mais fantásticas e intrigantes definições sobre o terror.

Segundo ele, imagine que você compre, numa loja de antiguidades, um raro aparelho de telefone antigo e o coloque em sua sala, como decoração. Nas horas mortas de uma noite qualquer, quando tudo está tranqüilo e você relaxa, assistindo a um filme ou ao seu programa favorito na televisão, de repente...

O telefone toca!!!

RUBENS LUCCHETTI ESTÁ NO GIBI

"Figurinha difícil, cheia dos macetes, doido por gibi, rádio e cinema.

Quando você pensa que é um, é outro. Quando pensa que é outro, é ele.

RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI só se sente bem na fantasia. Dono de muitos nomes e mil e uma histórias, é capítulo singular e fenômeno à parte na nossa literatura. Autor de novelas policiais, contos de terror, histórias em quadrinho e roteiro para cinema, para ele aventura pouca é besteira!" (Ivan Cardoso))

R F LUCCHETTI - por ele mesmo

(EDITADO DE ENTREVISTA CONCEDIDA A IVAN CARDODO PARA INTERVIEW N. 136 - ABRIL/1991)

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"Eu adorava ouvir seriados de rádio. O seriado radiofônico foi meu grande hit na infância e juventude. Muito mais do que o seriado cinematográfico, uma vez que era eu quem compunha as imagens. O rádio é uma extensão da memória e da imaginação, só mesmo comparável ao livro.

Em ambos cabe o universo. Os seriados da minha predileção eram Dick Peter, O Homem de Aço, O Homem Pássaro e O Sombra. Depois de ouvi-los, exercitava minha imaginação novelizando-os.

A primeira história devo tê-la escrito aos oito anos. Era sobre um corcunda disforme, que despertava a ternura e o amor de uma linda princesa.

Esse corcunda realmente existia, era um vizinho meu, que despertava medo mas que na verdade era uma boníssima pessoa. Daí eu tive a idéia de escrever a historia, para demonstrar que nunca devemos analisar as pessoas pela aparência externa.

Comecei a escrever ainda muito novo e não encontrei dificuldades em publicar nas revistas "pulps", geralmente com pseudônimos. Isso nunca me incomodou. Orgulhava-me de estar ao lado dos mestres do gênero: Dorothy Sayers, G. K. Chesterton, Edgar Wallace, Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Dashiell Hammeu, Sax Rohmer, Nicholas Blake, Conan Doyle, Maurice Leblanc, Raymond Chandler, Agatha Chístie.

Já apareceram contos meus em antologias em que sou citado como um autor estrangeiro. Nem se deram ao trabalho de pesquisar. Houve até uma revista portuguesa que publicou um conto meu, tirado da Policial em Revista.

Só que foi inventada uma nota, dizendo que aquele conto fora premiado num concurso em Londres. Há um caso curioso: uma história minha apareceu assinada pôr Coretta Slavaski. Imaginei tratar-se de mais um pseudônimo criado pelos editores e cheguei a repeti-lo em outro conto. Mas, certa vez, ao 17

folhear um exemplar da revista Vamos Ler, me deparei com esse nome assinando um conto! Levei trinta anos para descobrir que tal escritora existia!

Não existe literatura e subliteratura, como bem definiu Oscar Wilde. O

que existe é livro bem escrito e livro mal-escrito. Não li muitos autores, mas li muito de poucos autores. Entre eles destaco Knut Hamsun, Romain Rolland.

Sigurd Christiansen, Dostoievski, Tchekhov. Moravia, Goethe, Stefan Zweig e, naturalmente, Machado de Assis e Monteiro Lobato.

A palavra "pulp" designava revistas feitas em papel barato. As histórias publicadas por elas possuíam uma característica muito própria que tem em Raymond Chandler sua melhor definição: "São histórias nas quais as cenas se sobrepõem ao enredo".

No Brasil elas começaram a circular a partir dos anos 20. Tivemos muitas, mas as mais conhecidas foram: Detetive, Policial em Revista, X-9.

Contos Magazine, Meia Noite e Suspense.

Uma memorável galeria (de heróis dessas revistas): Aranha Negra, Detetive Fantasma, Morcego Negro, Willie Brann, Doc Savage. Ponga, Jim Mayo e o maior de todos, O Sombra.

Eu era admirador do Nico Rosso, desde que vi seus desenhos ilustrando a revista Drácula, da Editora Outubro. Ficava sonhando em poder ter uma de minhas histórias desenhadas pôr ele. Encantava-me seu estilo, seu jogo de claro-escuro, as aldeias mergulhadas nas sombras; o mais banal argumento era valorizado pelo seu trabalho. Tive a felicidade de conhecê-lo quando o Jayme Cortez lançou seu livro. "A Técnica do Desenho". Logo propus-lhe a ilustração de uma das minhas histórias. Mas a coisa não aconteceu de imediato, demorou algum tempo. Como eu residia em Ribeirão Preto, era um tanto difícil nosso relacionamento; somente em 1966, com a minha mudança para São Paulo, começou nosso trabalho de parceria.

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(Sobre quantos livros já escreveu) Sob os mais variados pseudônimos e heterônimos, 53. Com o meu próprio nome, 19; e como ghost writer nunca contei, mas creio que ultrapassem 300 títulos.

O crime perfeito jamais existiu, uma vez que é do conhecimento da consciência de seu autor. E pode haver uma testemunha mais implacável do que a consciência?

Devo ter uns dez roteiros inéditos e, filmados, dezenove.

(Sobre como conheceu Zé do Caixão) Foi através do Sérgio Lima, na época secretário da Cinemateca Brasileira em São Paulo. foi um encontro formal. O Sérgio nos levou a um salão de chá na Barão de Itapetininga. O

Mojica mostrou-se muito reservado e eu mais ainda, sou extremamente tímido com as pessoas que não conheço. Tinha o agravante de ser uma personalidade que eu admirava, eu já o achava genial, isso muito antes de saber que o Glauber Rocha pensava o mesmo. Depois desse primeiro encontro, criei coragem e numa tarde de sábado fui até a sinagoga, no Brás, onde o Mojica tinha seus estúdios. O segundo encontro foi mais amistoso e ele entregou-me um pequeno argumento para que eu roteirizasse. Três dias depois lhe entreguei o roteiro que seria um dos três episódios da "Trilogia do Terror: Pesadelo Macabro."

(Sobre quantos filmes já fizeram juntos) Incluindo o episódio "Pesadelo Macabro", doze.

Abomino esse tipo de cinema que quer mostrar o retrato psicológico da sociedade: o relatório sobre a vida. Isso para mim é documentário da realidade e, como tal, muito maçante. Recordo-me sempre do conselho que o Samuel Doldwin deu a um jovem aspirante a roteirista: "Filho, se tiver que dar alguma mensagem, utilize o telefone". Para mim, cinema é diversão, máquina de sonho.

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Tenho preferência por dois (contos de horror): "O coração Revelador" de Edgar Allan Poe e "As Pombas do Inferno" de Robert Howard.

Gosto de trabalhar com histórias enigmáticas, cheias de humor negro e investigação, partindo de pequenos detalhes. Tudo isso seria falso no Brasil. O

próprio Allan Poe, um norte-americano, ao escrever a trilogia que inaugurou o romance de detetive e mistério, "Os Crimes da Rua Morgue", "O Mistério de Marie Roget" e "A Carta Furtada", ambientou-se em Paris, e o personagem principal delas é também um francês, o detetive C. Auguste Dupin. Vários dos contos de horror de Poe se passam na Alemanha, Espanha, Grécia e Itália.

Dez? Só Dez? (Filmes que levaria para uma ilha deserta.) Que maldade, Ivan... Você se esqueceu de que hoje existe o vídeo? Poderiam ser cem... Mas como você me deu a chance de levar somente dez... Aí vão: "Paixão de Joana D’Arc", de Carl Dreyer, "Luzes da Cidade", de Charles Chaplin; "Uma Noite na Ópera", de Sam Wood; "A Ilha dos Mortos", de Val Lewton e Mark Robson; "O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchock; "Se Todos os Homens do Mundo", de Christian-Jaque; "As Grandes Manobras", de René Clair; "Escola de Sereias", de George Sidney: "De Repente num Domingo", de François Truffaut; e "O Magnífico", de Philippe de Broca. Mas, como bom brasileiro, daria um jeitinho de levar de contrabando "O Segredo da Múmia...

(De quais de seus roteiros transformados em filme gosta mais) "O

Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "O Segredo da Múmia". Com a ressalva de que ainda não vi "O Escorpião Escarlate".

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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA

• MÚSICA SECRETA (Poemas em Prosa) - Edição do Autor, Ribeirão Preto, 1952

• NOITE DIABÓLICA ( Contos Macabros) - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• OURO DOS MORTOS - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• DOBRE SINISTRO - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• CERIMÔNIA MACABRA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• FIM DE SEMANA COM A MORTE - Editoral Bruguera, Rio de janeiro, 1972

• CONFISSÕES DE UMA MORTA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• LEGIÕES DE VAMPIROS (antologia) - Editora Edrel, São Paulo, 1972

• OS AMANTES DA SRA. POWERS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1973

• À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• ESTA NOITE ENCARNAREI NO SEU CADÁVER - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• O VALE DOS MORTOS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• SETE VENTRES PARA O DEMÔNIO - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A ESCRAVA DE SATANÁS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• A MALDIÇÃO DO SANGUE DE LOBO - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• FANTASMA DO TIO WILLIAM - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A HERDEIRA REBELDE - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• EMISSÁRIO DE SATÃ - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• OS VAMPIROS ATACAM (Antologia) - Editora Saber, São Paulo, 1975

• NOS DOMÍNIOS DE DRÁCULA - Cedibra, Rio de janeiro, 1975

• SEXO DE ENCOMENDA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Difel Difusão Editorial, São Paulo, 1979

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (2a. edição) - Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1983

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Círculo do Livro, São Paulo, 1983

• CARLITOS, O MITO ATRAVÉS DA IMAGEM - Editora Colégio, Ribeirão Preto, 1987

• DRÁCULA (Recontado) - Editorial Cunha, São Paulo, 1987

21

• CRIME DA GAIOLA DOURADA (Relançamento) - Círculo do Livro, São Paulo, 1987

• VAMPIRISMO, O CINEMA EM PÂNICO ( parceria com Ivan Cardoso) -

Editora Brasil- América/Fundação do Cinema Brasileiro, Rio de Janeiro, 1990

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (3a. edição) - Editora Ática, São Paulo, 1992

• A TEIA NAS SOMBRAS - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1993

• UMA SOMBRA DO PASSADO - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• LOBISOMEM - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• (*) - Adaptados dos filmes de José Mojica Marins.

• Sob os mais variados pseudônimos, publicou 53 pocket-books pela Cedibra Editora Brasileira, Rio de Janeiro, 1973/1981, nos gêneros: aventura, fantasia, policial, romântico.

• Como ghost-writer escreveu cerca de 817 títulos até dezembro de 1996.

FILMOGRAFIA

FILMES EXPERIMENTAIS

EM COLABORAÇÃO COM BASSANO VACCARINI

• 1960 - ABSTRAÇÕES (Estudos 1, 2, 3 e 4)

• 1 Prêmio Categoria Fantasia no VIII Concurso de orientação de Cinema Amador do Foto-Cine Clube

• Bandeirante - São Paulo, abril de 1961

• 1960 - FANTASMAGORIAS (inacabado)

• 1961 - COSMOS

• 1961 - TOURBILLON

• Menção Honrosa na V Journées Internacionale du Cinéma d’Animation -

Annecy, 1963

• "Fotograma de Ouro" - Prêmio Oficial do Conselho Nacional de Cine-Clubes, ao melhor filme

• de Categoria Experimental - Todos os prêmios foram ganhos no I Festival do Filme Brasileiro de

• Curta-Metragem - Salvador, Fev/1965

• 1961 - A SOMBRA (inacabado)

22

• 1961 - VÔO CÓSMICO

• 1961 - RINOCERONTES

• 1961 - VIAGEM À LUA

• 1961 - ESTUDO 5

• 1962 - CATEDRALLE

• 1962 - ARABESCOS

• 1962 - VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE MIRÓ

• 1962 - PAINEL ABSTRATO

• 1963 - PLANIFICAÇÃO (inacabado)

FICÇÃO]

• 1968 - TRILOGIA DO TERROR (episódio PESADELO MACABRO) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1968 - ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1969 - RITUAL DOS SÁDICOS - Roteiro - Direção: José Mojica Marins (*)

• 1971 - SEXO E SANGUE NA TRILHA DO TESOURO - co-autor do argumento-roteiro Direção:

• José Mojica Marins

• 1971 - A MARCA DA FERRADURA - roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1971 - FINIS HOMINIS (O FIM DO HOMEM) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1971 - QUANDO OS DEUSES ADORMECEM - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1972 - A HERDEIRA REBELDE - Argumento e Roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1974 - EXORCISMO NEGRO - co-autor do argumento-roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1975 - A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES - Roteiro -

Direção: Marcelo Motta

• 1976 - INFERNO CARNAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1977 - MUNDO - MERCADO DO SEXO ( MANCHETE DE JORNAL) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

23

• 1977 - DELÍRIOS DE UM ANORMAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1981 - A PRAGA (inacabado) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1982 - O SEGREDO DA MÚMIA - (Prêmio "Melhor Roteiro" no X

Festival de Gramado, 1982) - Roteiro

• Direção: Ivan Cardoso

• 1984 - MEU HOMEM, MEU AMANTE - Argumento, Roteiro e Direção: Jean Garret

• 1986 - AS 7 VAMPIRAS - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1990 - O ESCORPIÃO ESCARLATE - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1992 - A SEITA DOS ESPÍRITOS MALDITOS - co-autor do argumento-roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1993 - O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE - Adaptação e Roteiro

- Direção: Wilson Rodrigues

EM PRODUÇÃO

• AMAZÔNIA MISTERIOSA, de Gastão Cruls - adaptação e roteiro em colaboração com Márcio Souza

- Direção: Ivan Cardoso.

• (*) - Liberado pela censura somente em 1983 e rebatizado com o título de O DESPERTAR DA BESTA

• (Prêmio "Melhor Roteiro" no II Rio-Cine Festival, 1986) VÍDEO

• 1986 - CHAPÉUZINHO VERMELHO - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

• 1987 - JOÃOZINHO E MARIA - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

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