A secretária perfeita por R.F. Lucchetti - Versão HTML

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R. F. Lucchetti

Autor

Edição Eletrônica: L P Baçan

Dezembro de 2009

All rights reserved

Direitos exclusivos para língua portuguesa cedidos pelo autor a Lourivaldo Perez Baçan.

Copyright © 2007 L P Baçan e R. F. Lucchetti

Distribuição exclusiva através do SCRIBD

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

2

A SECRETÁRIA PERFEITA

— Stamford; a próxima estação! — gritou o condutor, quando o trem deixou a estação de Darien.

Eram 7h49.

Susan Blair, que embarcara em Bridgeport às 7h15, verificou se dispunha de quantidade suficiente de lápis com ponta. Colocou sua bolsa sobre o assento do lado para garantir um lugar para Hugh J. Waterman, que, às 7h56, embarcaria em Stamford.

Waterman, diretor da Companhia de Investimentos Waterman, fazia a viagem diária para Nova York. Era um homem metódico e, ao mesmo tempo, um dínamo humano. Todas as manhãs fazia ditados, rápidos e resumidos, durante todo o percurso de Stamford à Rua 125, e repetia a mesma coisa todas as tardes, no trem das 19h2, que partia de Nova York.

Susan se empregara como sua secretária há alguns meses. Raramente o via em seu escritório de Nova York. Lá, ela passava a maior parte do tempo datilografando o que ele ditava no trem. Não era um trabalho exaustivo, considerando-se o bom salário que recebia.

De bloco e lápis prontos. Susan tirou um minuto para maquilar-se. O seu espelhinho refletia um rosto pequeno e alerta, olhos vivos e um nariz levemente arrebitado. Acertou a pintura dos lábios e lá estava uma grande mecha solta de cabelos louros.

Waterman era o que se podia chamar um modelo de equilíbrio, preciso e eficiente.

3

Eram 7h53, e o trem passou por Glebrook sem parar. A essa hora, em dezembro, ainda era escuro e as pessoas na plataforma mais pareciam sombras cinzentas.

Dentro do carro, as luzes ainda estavam acesas. Os passageiros que embarcaram em Bridgeport, Norwalk e Darien já tinham se acomodado confortavelmente. O inevitável jogo de bridge já fora organizado. Viajavam corretores, comerciantes e editores. Susan viu o jovem Phil Dodds, mais à frente, lendo um programa de corridas de cavalo. Dodds era um dos sócios da Cia. Waterman e Susan não o tinha na devida conta porque, embora sendo um homem casado, era visto freqüentemente almoçando com moças dos escritório.

Bem defronte, sentava-se o "antipático". Ela assim o chamava porque todas as manhãs ele escolhia um lugar defronte ao dela ou mais perto possível.

Susan estava certa de que ele não passava de um "conquistador de trem".

Era um tipo sombrio e melancólico e jamais dirigia uma palavra ou um olhar à moça. Ficava sempre alheio a tudo, até o momento em que Waterman embarcava em Stamford, quando, então, se tornava muito atencioso, não com a moça, mas com o próprio Waterman. Susan Blair era uma observadora incomum. Gostava de classificar as pessoas e, para ela, o "antipático" era um caçador de informações sobre o mercado de títulos, sempre tentando ouvir o que ditava o perito em investimento Hugh J. Waterman.

O condutor pediu a passagem do "antipático".

— Bom-dia, Conkling.

O homem conhecia todos os passageiros pelo nome ou de vista. Tomou, depois, a passagem do passageiro do banco de trás de Susan, mas sem o cumprimentar pelo nome.

4

Susan olhou por cima do ombro para ver o estranho. Era um jovem a quem nunca vira naquele trem. Usava um distintivo de desligamento do Exército na lapela e as calças eram das que usam os oficiais. Susan deduziu três coisas: que ele era de boa aparência, inteligente e se achava concentrado, não em si, mas no homem que se sentara no banco defronte — Conkling.

— Stamford! — gritou o condutor.

Susan voltou-se para a janela, com grande ansiedade, preparando-se para apreciar o espetáculo apresentado por Waterman tomando o trem. Comumente era uma cena que oferecia momentos de emoção. E naquela manhã tornou a acontecer a mesma coisa. Muitos passageiros aguardavam o trem na plataforma, menos Waterman. O seu carro não se achava entre os outros lá estacionados. O condutor já ia dar o sinal de partida... E nada de Waterman.

O GRANDE ESPETÁCULO

O trem iniciou a marcha. Foi aí que começou o espetáculo. Um carro sedan chegou correndo, à estação. A esposa de Waterman vinha ao volante, agasalhada com um casaco de peles. Susan viu quando ela se despediu de Waterman com um beijo na face e, então ele saltou do carro com sua pasta, disparando em direção do trem. Waterman tinha quarenta anos, pesava cem quilos, mas isto não o impedia de correr como a um colegial todas as manhãs, exatamente às 7h57, para alcançar o trem. Na manhã escura e fria, com a plataforma cheia de neve, o espetáculo ofereceu emoções mais fortes do que nunca.

Não obstante, num abrir e fechar de olhos, como de costume, Waterman agarrou o balaústre do último carro e pulou. Susan respirou aliviada. Temia 5

que um dia ele quebrasse o pescoço. Chegou ofegante, vermelho e apressado, porém de boa aparência.

Despiu o casaco, dobrou-o cuidadosamente e colocou sobre a prateleira da bagagem.

— Bom-dia, Susan — cumprimentou bruscamente, sentando-se a seu lado.

Dirigiu-lhe seu costumeiro sorriso, abriu a pasta e tirou um grande maço de correspondência.

— Responda a estas afirmativamente — e ia passando-lhe algumas cartas. — A estas, responda negativamente... Mande a essas pessoas as cotações que pedem... Aqui está uma carta cuja resposta merece distinção.

comece assim: "Meu caro Senador, com referencia aos títulos da Consolidates Cord..."

Durante vinte minutos, ele mais parecia uma metralhadora. O lápis de Susan voava sobre o papel.

— Aqui está a carta de McCoy & Blake, de Chicago: Responda pessoalmente para Bill McCoy, assim: "Caro Bill, compre de qualquer maneira ações da Companhia Fairfax. E não se esqueça da reunião no 18

andar. Espero que tenha conseguido muitos procuradores".

Susan estremeceu ligeiramente. O senhor Waterman devia estar enganado, pois ainda ontem havia aconselhado a um dos clientes que vendesse ações da Fairfax. Na verdade o próprio Waterman havia vendido todo o seu estoque daquelas ações. Por que teria aconselhado um amigo como McCoy a comprar tais ações?

Susan olhou intrigada para seu patrão. Mais adiante pode ver Conkling bastante inclinado, com o intuito aparente de escutar o que era ditado. Na opinião de Susan, Waterman havia notado o interesse daquele homem em 6

ouvi-lo; isso o deixara nervoso e eís aí a razão por que ele havia empregado o verbo errado.

Ou não seria isso? Susan sabia que Waterman era um homem astuto.

Jamais cometera um erro. Talvez estivesse propositadamente despistando Conkling.

Susan relanceou o olhar sobro o ombro. O jovem de paletó esporte ainda fixava Conkling. Havia um certo ar de desconfiança em seu rosto.

O trem passou por New Rochelle.

Waterman ditou mais meia dúzia de cartas. Quando chegaram à Rua 125, ele fechou a pasta e disse:

— Por hoje é só, Susan.

Foi a primeira pausa para ela. Olhou em torno. As luzes do trem, mais forte agora que ele entrava no túnel, revelaram a Susan uma leve marca de batom na face de seu patrão. Isto a deixou um tanto embaraçada pois sabia que devia avisá-lo. No entanto, estava indecisa. O senhor Waterman considerava-se perfeito em tudo e talvez se aborrecesse, caso lhe chamasse a atenção para aquilo. Não obstante, o senso do dever fez com que ela mudasse de idéia.

— Senhor Waterman, espero que o senhor não se aborreça por lhe dizer isto. Quando sua esposa o beijou, na estação, deixou uma marca de batom no seu rosto.

— Obrigado, Susan. — O financista mais parecia grato do que aborrecido. Tentou tirar a marca do rosto, porém não conseguia acertar o local.

A moça sorriu.

— Deixe que eu limpo.

Com seu lenço, Susan, de uma só vez, fez desaparecer a mancha vermelha.

7

— Grand Central! — gritou o condutor.

Eram 8h46.

Ao sair da estação, Susan notou que o rapaz de paletó esporte seguia Conkling. Waterman percebeu seu olhar enigmático e explicou:

— Chama-se Scudder. Contratei-o para vigiar aquele tipo.

Susan ficou surpresa.

— O senhor se refere ao homem que senta em frente ao nosso banco? ele é perigoso?

Waterman, apressando-se em direção a um táxi, deu um sorriso irônico.

— Espero que não, mas acontece que há três dias andaram remexendo os papeis de minha escrivaninha, na minha casa em Stamford. Pode muito bem ser o homem que senta defronte a nós e fica à escuta, todas as manhãs. Por isso, encarreguei Scudder de descobrir tudo.

ESTRANHO TELEFONEMA

Vinte minutos depois, Susan estava no escritório muito ocupada, datilografando. Bateu primeiro a carta para McCoy e levou-a ao gabinete de Waterman.

— Isto aqui não está errado? — e apontou para a palavra compre.

— Sim, está errado — respondeu-lhe Waterman com ar de surpresa, o que fez Susan concluir que o erro não foi cometido deliberadamente.

— Eu queria dizer venda. Pode corrigir.

— Outra coisa, ontem o senhor me pediu para lembrar que hoje é o seu aniversário de casamento.

— Justamente. — fechou os olhos, como se estivesse pensando em alguma coisa. Depois, disse bruscamente: — Telefone para a Joalheria Down 8

Atlee. Diga que vou ficar com o broche de esmeralda que me mostraram no outro dia. Peça que façam um embrulho de presente e mandem para cá.

— Sim, senhor.

Susan sentou-se em sua mesa e fez o telefonema. Devia ser agradável ter um marido tão generoso, pensou ela. Do mesmo modo, devia ser muito bom ter uma esposa tão devotada como a senhora Waterman. Só mesmo uma esposa amorosa, concluiu Susan, levaria seu marido até a estação todas as manhãs às 7h57 e lá o esperaria à tarde, às 17h52.

Susan terminou o seu trabalho. Gastou apenas meia hora no lanche.

Eram quatorze horas, quando Waterman pediu que lhe trouxesse uma determinada pasta.

— Mande Phil Dodds aqui.

Mas Susan não encontrou o jovem sócio. Dodds havia saído para consultar clientes e ainda não tinha voltado.

Pouco depois das dezesseis horas, Susan trouxe um maço de cartas para Waterman assinar. Esperava que ele terminasse as assinaturas, quando o rapaz de paletó esporte e distintivo do Exército entrou.

— Olá, Scudder. Está é minha secretária, senhorita Blair. Estou muito ocupado agora. Faça o seu relatório a ela.

Susan encaminhou-se para sua mesa. Scudder começou:

— O relatório resume-se no seguinte: O senhor Conkling tem um álibi perfeito para a noite em que a casa do senhor Waterman foi assaltada. Foi outra pessoa, menos Conkling. É inofensivo. Sua culpa começa e termina no trem, por ouvir o que o senhor Waterman dita.

Susan anotava o que o rapaz dizia, quando foi interrompida pela campanhia do telefone. Atendeu, e ouviu uma voz áspera: 9

— Aqui é o chefe de polícia de Stamford. Quero falar com o senhor Waterman.

Como de hábito, Susan respondeu:

— Ele está ocupado, no momento. É muito importante?

A voz do outro lado foi agressiva:

— Claro que é importante! A esposa do senhor Waterman foi assassinada.

O choque de tais palavras petrificou-a. Ainda confusa, fez a ligação e ouviu a voz de Waterman.

— Aqui fala Waterman.

Desligou o telefone e olhou para Scudder gaguejando:

— É a policia! disseram que ela foi assassinada!

— Ela quem? — indagou Scudder, ansioso.

— A senhora Waterman.

Daí a um minuto Waterman saiu do gabinete, com o rosto pálido.

— Vou para casa — a voz saía com dificuldade. Pegou o sobretudo e o chapéu e correu para o elevador.

A ESPOSA DE WATERMAN

Horrorizada com tudo aquilo. Susan ficou muda. Scudder pegou o telefone e falava asperamente:

— Alô, telefonista! Alguém cortou a ligação com Stamford.

Olhou para Susan e explicou:

— Talvez não passe de um truque para afastá-lo daqui. Ou talvez haja relação com o caso que estou investigando.

A ligação foi restabelecida e Susan ouviu-o dizer:

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— É o chefe de policia de Stamford?... Meu nome é Scudder, trabalho para o senhor Waterman... Um assaltante?... O papeis de sua escrivaninha espalhados?... Obrigado.

— Que sabem eles? — perguntou Susan ansiosa, quando Scudder repôs o fone no gancho.

— A esposa de Waterman levou-o à estação às 7h57. Umas dozes pessoas a viram voltar para casa sozinha. O carro está na garagem. Hoje é quinta-feira, dia de folga da empregada. Uma vizinha, ao visitá-la esta tarde, encontrou-a estrangulada junto à escrivaninha. Estava morta há sete ou oito horas. Deve ter surpreendido o assaltante ao voltar da estação.

— Qual o horário do próximo trem?

— 17h2 — o mesmo em que vou para casa todos os dias.

Mecanicamente, Susan começou a juntar as suas coisas. Tinha deixado sua bolsa em algum lugar. Entrou no gabinete e achou-a sobre a mesa de Waterman.

— Também vou nesse trem — disse Scudder.

Tomaram um táxi para a Estação Central, chegando lá às 16h55.

Waterman aguardava impacientemente que se abrisse o portão da plataforma.

— É melhor não incomodar — disse Susan. — Nada podemos fazer por ele. Pobre homem!

Permaneceram afastados no meio da multidão e, quando o portão se abriu, Waterman foi um dos primeiros a passar. Não o viram mais até se sentarem no trem. Waterman estava no terceiro banco adiante.

O primeiro impulso de Susan foi correr para junto dele e dirigir-lhe uma palavra de simpatia. Achou, porém, que seira um gesto inútil.

— Este foi o meu primeiro caso — disse Scudder em tom melancólico

— E sinto que fracassei.

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— Como assim? — indagou Susan sem entender.

— Por não ter apanhado o homem que assaltou a residência de Waterman há três noites. Se eu o tivesse prendido, a senhora Waterman estaria viva.

— Você é detetive há bastante tempo?

— Não. quando servi o Exército, fiz parte do Serviço Secreto. Gostava do meu trabalho. Por isso, ao dar baixa, há um mês, achei que poderia fazer o mesmo tipo de serviço na vida civil.

Susan quase não o ouvia. Seus olhos e pensamentos estavam voltados para Waterman... Estaria Conkling naquele trem? — pensou. Bem, isto não tinha importância, pois ele não poderia estar em Stamford, logo depois que o trem deixou a estação naquela manhã. Nem ele, nem ela, nem Phil Dodds, nem Scudder, nem qualquer outra pessoa que viajara naquele trem. O crime foi cometido logo após a chegada da senhora Waterman de volta da estação.

Apesar de ainda não ser 17h30, já estava bem escuro lá fora. O trem passou por Larchmont, Mamaroneck, Harrison e Rye.

Estaria o carro cheia de fumaça? — pensou Susan. Ou toda aquela atmosfera pesada seria resultado da horrível tensão nervosa que se apossou dela ao olhar para Waterman, a caminho de sua esposa morta?

Susan pediu a Scudder que abrisse a janela. Pôde ver que Waterman já abrira a janela de seu banco.

— Conhecia a senhora Waterman pessoalmente? — indagou Scudder.

— Eu a via, naturalmente, duas vezes por dia, na estação. Na semana passada, eu a vi no escritório; veio almoçar com o marido. Ela sorriu para mim...

Susan interrompeu a narrativa nesse ponto porque notou um movimento estranho de Waterman.

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Viu sua mão alcançar a janela e arremessar alguma coisa para fora.

O estranho, no gesto de Waterman, foi ter reconhecido o objeto jogado fora. Mas não podia ser! O objeto era dela e estava na bolsa, ainda há pouco!

Para certificar-se, abriu a bolsa e procurou. Não estava mais!

Susan Blair sentiu um calafrio percorrer seu corpo da cabeça aos pés.

Um pensamento invadiu sua mente, como um rato... As conclusões que tirava pareciam todas coincidir. Até o emprego de Scudder para vigiar Conkling. E

aquele sorriso gracioso da senhora Waterman, na semana passada, no escritório! Um tipo de mulher grande, robusta, quase masculina!

O trem passou pela estação de Port Chester, rumo a Stamford, onde a senhora Waterman sempre esperava seu marido às 17h52. Mas onde, está noite, ela já não o esperava com vida!

E, à medida que o trem avançava, os pensamentos de Susan eram invadidos pêlos fatos. Tudo coincidindo. O assalto à casa de Waterman há três noites, e novamente na manhã de hoje! Aquele caríssimo broche de esmeralda, o erro do ditador da manhã! E aquele objeto que deveria estar em sua bolsa mas que, ao invés disso, foi jogado fora pelo senhor Waterman.

ASSASSINO TRAÍDO

Agora estava certa de tudo. Um senso de lealdade a fez calar diante de Scudder. A noção de responsabilidade, porém, exigia que ela falasse. Scudder, além de tudo, era um detetive criterioso. Voltando-se para Susan, disse:

— O que aconteceu? Você parece estar vendo fantasma. Posso ajudar em alguma coisa?

— Sim. Você poderá me dizer se estou errada.

— Errada em quê?

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— Em pensar que o assassino da senhora Waterman é o próprio marido.

— Claro que você está errada! — respondeu Scudder. — Ela o levou à estação hoje de manhã. Eu a vi e cinqüenta outras pessoas a viram.

— Diariamente, durante anos, cinqüenta pessoas têm visto aquela mulher levar o marido à estação — concordou Susan. — Todos apreciam, ainda, a ginástica que faz o senhor Waterman para apanhar o trem. E foi o que novamente aconteceu na manhã fria e escura de hoje. Eu mesma a vi. Mas noventa e nove por cento de minha atenção se concentrava no senhor Waterman, pra ver se ele conseguia pegar o trem e apenas um por cento olhou para a sua esposa, uma mulher enrolada em agasalhos, de xale na cabeça e vista através do vidro molhado do pára-brisa.

Os olhos de Scudder brilharam.

— Vamos! Continue!

— O senhor Waterman podia muito bem ter espalhado papéis pela sua escrivaninha, três noites antes, queixando-se de um assaltante qualquer. Isto justificaria o emprego de você para vigiar Conkling e daria a impressão de que suspeitava de algum interessado em informações sobre o mercado de títulos.

Você, portanto, será mais uma testemunha a jurar que viu sua esposa levá-lo de automóvel à estação.

Susan esperou por um instante que Scudder discordasse de suas suposições. mas ele apenas disse, ansioso.

— Continue. O detetive é você, não eu.

— Então, quando ela o beijou ao despedir-se na estação, deixou no rosto dele a marca do batom. Limpei com o lenço. Mais tarde, ele se lembrou deste detalhe e tirou de minha bolsa o lenço manchado que acaba de jogar pela janela.

— Só isso? — indagou Scudder.

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— Sua esposa não usava batom. E a mulher que o trouxe à estação usava.

Scudder refletiu por um momento. Waterman poderia ter assassinado sua esposa às 7h40, antes de sair de casa e, mesmo que outra mulher o tivesse levado à estação, cinqüenta pessoas jurariam que era sua esposa.

— Prove-me que estou enganada — implorou Susan.

Scudder sacudiu a cabeça penosamente.

— A prova está nos lábios da mulher assassinada. Se não houver batom, Waterman é o assassino. Aquele beijo o trai.

Scudder levantou de seu lugar.

— Aonde vai? — perguntou Susan com voz fraca.

— Dizer a Waterman que sei quem é o assassino.

Avançou três bancos, Susan viu quando Waterman voltou-se e encarou Scudder.

Notou o medo que se estampara em seus olhos quando o ex-militar sentou a seu lado.

Nesse instante, a porta do carro se abriu e o condutor gritou com voz forte:

— Stamford, a próxima estação!

FIM

AÇÃO POLICIAL N 2 - JULHO DE 1985

Este conto esta reunido no livro "As Damas do Crime", aguardando editor.

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RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI

R F Lucchetti é considerado um fenômeno, pois é um dos maiores, senão o maior, ghost-writter de todo o mundo, roteirista de HQ e de cinema, autor de um número incontável de histórias policiais, as famosas pulp-fictions, e de um número indefinido de livros de bolso, abordando os temas mais inesperados, principalmente o esoterismo, o mistério e o terror.

É dele uma das mais fantásticas e intrigantes definições sobre o terror.

Segundo ele, imagine que você compre, numa loja de antiguidades, um raro aparelho de telefone antigo e o coloque em sua sala, como decoração. Nas horas mortas de uma noite qualquer, quando tudo está tranqüilo e você relaxa, assistindo a um filme ou ao seu programa favorito na televisão, de repente...

O telefone toca!!!

RUBENS LUCCHETTI ESTÁ NO GIBI

"Figurinha difícil, cheia dos macetes, doido por gibi, rádio e cinema.

Quando você pensa que é um, é outro. Quando pensa que é outro, é ele.

RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI só se sente bem na fantasia. Dono de muitos nomes e mil e uma histórias, é capítulo singular e fenômeno à parte na nossa literatura. Autor de novelas policiais, contos de terror, histórias em quadrinho e roteiro para cinema, para ele aventura pouca é besteira!" (Ivan Cardoso))

R F LUCCHETTI - por ele mesmo

(EDITADO DE ENTREVISTA CONCEDIDA A IVAN CARDODO PARA INTERVIEW N. 136 - ABRIL/1991)

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"Eu adorava ouvir seriados de rádio. O seriado radiofônico foi meu grande hit na infância e juventude. Muito mais do que o seriado cinematográfico, uma vez que era eu quem compunha as imagens. O rádio é uma extensão da memória e da imaginação, só mesmo comparável ao livro.

Em ambos cabe o universo. Os seriados da minha predileção eram Dick Peter, O Homem de Aço, O Homem Pássaro e O Sombra. Depois de ouvi-los, exercitava minha imaginação novelizando-os.

A primeira história devo tê-la escrito aos oito anos. Era sobre um corcunda disforme, que despertava a ternura e o amor de uma linda princesa.

Esse corcunda realmente existia, era um vizinho meu, que despertava medo mas que na verdade era uma boníssima pessoa. Daí eu tive a idéia de escrever a historia, para demonstrar que nunca devemos analisar as pessoas pela aparência externa.

Comecei a escrever ainda muito novo e não encontrei dificuldades em publicar nas revistas "pulps", geralmente com pseudônimos. Isso nunca me incomodou. Orgulhava-me de estar ao lado dos mestres do gênero: Dorothy Sayers, G. K. Chesterton, Edgar Wallace, Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Dashiell Hammeu, Sax Rohmer, Nicholas Blake, Conan Doyle, Maurice Leblanc, Raymond Chandler, Agatha Chístie.

Já apareceram contos meus em antologias em que sou citado como um autor estrangeiro. Nem se deram ao trabalho de pesquisar. Houve até uma revista portuguesa que publicou um conto meu, tirado da Policial em Revista.

Só que foi inventada uma nota, dizendo que aquele conto fora premiado num concurso em Londres. Há um caso curioso: uma história minha apareceu assinada pôr Coretta Slavaski. Imaginei tratar-se de mais um pseudônimo criado pelos editores e cheguei a repeti-lo em outro conto. Mas, certa vez, ao 17

folhear um exemplar da revista Vamos Ler, me deparei com esse nome assinando um conto! Levei trinta anos para descobrir que tal escritora existia!

Não existe literatura e subliteratura, como bem definiu Oscar Wilde. O

que existe é livro bem escrito e livro mal-escrito. Não li muitos autores, mas li muito de poucos autores. Entre eles destaco Knut Hamsun, Romain Rolland.

Sigurd Christiansen, Dostoievski, Tchekhov. Moravia, Goethe, Stefan Zweig e, naturalmente, Machado de Assis e Monteiro Lobato.

A palavra "pulp" designava revistas feitas em papel barato. As histórias publicadas por elas possuíam uma característica muito própria que tem em Raymond Chandler sua melhor definição: "São histórias nas quais as cenas se sobrepõem ao enredo".

No Brasil elas começaram a circular a partir dos anos 20. Tivemos muitas, mas as mais conhecidas foram: Detetive, Policial em Revista, X-9.

Contos Magazine, Meia Noite e Suspense.

Uma memorável galeria (de heróis dessas revistas): Aranha Negra, Detetive Fantasma, Morcego Negro, Willie Brann, Doc Savage. Ponga, Jim Mayo e o maior de todos, O Sombra.

Eu era admirador do Nico Rosso, desde que vi seus desenhos ilustrando a revista Drácula, da Editora Outubro. Ficava sonhando em poder ter uma de minhas histórias desenhadas pôr ele. Encantava-me seu estilo, seu jogo de claro-escuro, as aldeias mergulhadas nas sombras; o mais banal argumento era valorizado pelo seu trabalho. Tive a felicidade de conhecê-lo quando o Jayme Cortez lançou seu livro. "A Técnica do Desenho". Logo propus-lhe a ilustração de uma das minhas histórias. Mas a coisa não aconteceu de imediato, demorou algum tempo. Como eu residia em Ribeirão Preto, era um tanto difícil nosso relacionamento; somente em 1966, com a minha mudança para São Paulo, começou nosso trabalho de parceria.

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(Sobre quantos livros já escreveu) Sob os mais variados pseudônimos e heterônimos, 53. Com o meu próprio nome, 19; e como ghost writer nunca contei, mas creio que ultrapassem 300 títulos.

O crime perfeito jamais existiu, uma vez que é do conhecimento da consciência de seu autor. E pode haver uma testemunha mais implacável do que a consciência?

Devo ter uns dez roteiros inéditos e, filmados, dezenove.

(Sobre como conheceu Zé do Caixão) Foi através do Sérgio Lima, na época secretário da Cinemateca Brasileira em São Paulo. foi um encontro formal. O Sérgio nos levou a um salão de chá na Barão de Itapetininga. O

Mojica mostrou-se muito reservado e eu mais ainda, sou extremamente tímido com as pessoas que não conheço. Tinha o agravante de ser uma personalidade que eu admirava, eu já o achava genial, isso muito antes de saber que o Glauber Rocha pensava o mesmo. Depois desse primeiro encontro, criei coragem e numa tarde de sábado fui até a sinagoga, no Brás, onde o Mojica tinha seus estúdios. O segundo encontro foi mais amistoso e ele entregou-me um pequeno argumento para que eu roteirizasse. Três dias depois lhe entreguei o roteiro que seria um dos três episódios da "Trilogia do Terror: Pesadelo Macabro."

(Sobre quantos filmes já fizeram juntos) Incluindo o episódio "Pesadelo Macabro", doze.

Abomino esse tipo de cinema que quer mostrar o retrato psicológico da sociedade: o relatório sobre a vida. Isso para mim é documentário da realidade e, como tal, muito maçante. Recordo-me sempre do conselho que o Samuel Doldwin deu a um jovem aspirante a roteirista: "Filho, se tiver que dar alguma mensagem, utilize o telefone". Para mim, cinema é diversão, máquina de sonho.

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Tenho preferência por dois (contos de horror): "O coração Revelador" de Edgar Allan Poe e "As Pombas do Inferno" de Robert Howard.

Gosto de trabalhar com histórias enigmáticas, cheias de humor negro e investigação, partindo de pequenos detalhes. Tudo isso seria falso no Brasil. O

próprio Allan Poe, um norte-americano, ao escrever a trilogia que inaugurou o romance de detetive e mistério, "Os Crimes da Rua Morgue", "O Mistério de Marie Roget" e "A Carta Furtada", ambientou-se em Paris, e o personagem principal delas é também um francês, o detetive C. Auguste Dupin. Vários dos contos de horror de Poe se passam na Alemanha, Espanha, Grécia e Itália.

Dez? Só Dez? (Filmes que levaria para uma ilha deserta.) Que maldade, Ivan... Você se esqueceu de que hoje existe o vídeo? Poderiam ser cem... Mas como você me deu a chance de levar somente dez... Aí vão: "Paixão de Joana D’Arc", de Carl Dreyer, "Luzes da Cidade", de Charles Chaplin; "Uma Noite na Ópera", de Sam Wood; "A Ilha dos Mortos", de Val Lewton e Mark Robson; "O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchock; "Se Todos os Homens do Mundo", de Christian-Jaque; "As Grandes Manobras", de René Clair; "Escola de Sereias", de George Sidney: "De Repente num Domingo", de François Truffaut; e "O Magnífico", de Philippe de Broca. Mas, como bom brasileiro, daria um jeitinho de levar de contrabando "O Segredo da Múmia...

(De quais de seus roteiros transformados em filme gosta mais) "O

Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "O Segredo da Múmia". Com a ressalva de que ainda não vi "O Escorpião Escarlate".

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BIBLIOGRAFIA RESUMIDA

• MÚSICA SECRETA (Poemas em Prosa) - Edição do Autor, Ribeirão Preto, 1952

• NOITE DIABÓLICA ( Contos Macabros) - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• OURO DOS MORTOS - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• DOBRE SINISTRO - Editora Outubro, São Paulo, 1963

• CERIMÔNIA MACABRA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• FIM DE SEMANA COM A MORTE - Editoral Bruguera, Rio de janeiro, 1972

• CONFISSÕES DE UMA MORTA - Editorial Bruguera, Rio de Janeiro, 1972

• LEGIÕES DE VAMPIROS (antologia) - Editora Edrel, São Paulo, 1972

• OS AMANTES DA SRA. POWERS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1973

• À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• ESTA NOITE ENCARNAREI NO SEU CADÁVER - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• O VALE DOS MORTOS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• SETE VENTRES PARA O DEMÔNIO - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A ESCRAVA DE SATANÁS - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• A MALDIÇÃO DO SANGUE DE LOBO - Cedibra, Rio de Janeiro, 1974

• FANTASMA DO TIO WILLIAM - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• A HERDEIRA REBELDE - Cedibra, Rio de janeiro, 1974

• EMISSÁRIO DE SATÃ - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• OS VAMPIROS ATACAM (Antologia) - Editora Saber, São Paulo, 1975

• NOS DOMÍNIOS DE DRÁCULA - Cedibra, Rio de janeiro, 1975

• SEXO DE ENCOMENDA - Cedibra, Rio de Janeiro, 1975

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Difel Difusão Editorial, São Paulo, 1979

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (2a. edição) - Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1983

• CRIME DA GAIOLA DOURADA - Círculo do Livro, São Paulo, 1983

• CARLITOS, O MITO ATRAVÉS DA IMAGEM - Editora Colégio, Ribeirão Preto, 1987

• DRÁCULA (Recontado) - Editorial Cunha, São Paulo, 1987

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• CRIME DA GAIOLA DOURADA (Relançamento) - Círculo do Livro, São Paulo, 1987

• VAMPIRISMO, O CINEMA EM PÂNICO ( parceria com Ivan Cardoso) -

Editora Brasil- América/Fundação do Cinema Brasileiro, Rio de Janeiro, 1990

• FANTASMA DO TIO WILLIAM (3a. edição) - Editora Ática, São Paulo, 1992

• A TEIA NAS SOMBRAS - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1993

• UMA SOMBRA DO PASSADO - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• LOBISOMEM - Editora Fitipaldi, São Paulo, 1995

• (*) - Adaptados dos filmes de José Mojica Marins.

• Sob os mais variados pseudônimos, publicou 53 pocket-books pela Cedibra Editora Brasileira, Rio de Janeiro, 1973/1981, nos gêneros: aventura, fantasia, policial, romântico.

• Como ghost-writer escreveu cerca de 817 títulos até dezembro de 1996.

FILMOGRAFIA

FILMES EXPERIMENTAIS

EM COLABORAÇÃO COM BASSANO VACCARINI

• 1960 - ABSTRAÇÕES (Estudos 1, 2, 3 e 4)

• 1 Prêmio Categoria Fantasia no VIII Concurso de orientação de Cinema Amador do Foto-Cine Clube

• Bandeirante - São Paulo, abril de 1961

• 1960 - FANTASMAGORIAS (inacabado)

• 1961 - COSMOS

• 1961 - TOURBILLON

• Menção Honrosa na V Journées Internacionale du Cinéma d’Animation -

Annecy, 1963

• "Fotograma de Ouro" - Prêmio Oficial do Conselho Nacional de Cine-Clubes, ao melhor filme

• de Categoria Experimental - Todos os prêmios foram ganhos no I Festival do Filme Brasileiro de

• Curta-Metragem - Salvador, Fev/1965

• 1961 - A SOMBRA (inacabado)

22

• 1961 - VÔO CÓSMICO

• 1961 - RINOCERONTES

• 1961 - VIAGEM À LUA

• 1961 - ESTUDO 5

• 1962 - CATEDRALLE

• 1962 - ARABESCOS

• 1962 - VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE MIRÓ

• 1962 - PAINEL ABSTRATO

• 1963 - PLANIFICAÇÃO (inacabado)

FICÇÃO]

• 1968 - TRILOGIA DO TERROR (episódio PESADELO MACABRO) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1968 - ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1969 - RITUAL DOS SÁDICOS - Roteiro - Direção: José Mojica Marins (*)

• 1971 - SEXO E SANGUE NA TRILHA DO TESOURO - co-autor do argumento-roteiro Direção:

• José Mojica Marins

• 1971 - A MARCA DA FERRADURA - roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1971 - FINIS HOMINIS (O FIM DO HOMEM) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1971 - QUANDO OS DEUSES ADORMECEM - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1972 - A HERDEIRA REBELDE - Argumento e Roteiro - Direção: Nelson Teixeira Mendes

• 1974 - EXORCISMO NEGRO - co-autor do argumento-roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1975 - A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES - Roteiro -

Direção: Marcelo Motta

• 1976 - INFERNO CARNAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1977 - MUNDO - MERCADO DO SEXO ( MANCHETE DE JORNAL) -

Roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

23

• 1977 - DELÍRIOS DE UM ANORMAL - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1981 - A PRAGA (inacabado) - Roteiro - Direção: José Mojica Marins

• 1982 - O SEGREDO DA MÚMIA - (Prêmio "Melhor Roteiro" no X

Festival de Gramado, 1982) - Roteiro

• Direção: Ivan Cardoso

• 1984 - MEU HOMEM, MEU AMANTE - Argumento, Roteiro e Direção: Jean Garret

• 1986 - AS 7 VAMPIRAS - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1990 - O ESCORPIÃO ESCARLATE - Argumento e Roteiro - Direção: Ivan Cardoso

• 1992 - A SEITA DOS ESPÍRITOS MALDITOS - co-autor do argumento-roteiro - Direção:

• José Mojica Marins

• 1993 - O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE - Adaptação e Roteiro

- Direção: Wilson Rodrigues

EM PRODUÇÃO

• AMAZÔNIA MISTERIOSA, de Gastão Cruls - adaptação e roteiro em colaboração com Márcio Souza

- Direção: Ivan Cardoso.

• (*) - Liberado pela censura somente em 1983 e rebatizado com o título de O DESPERTAR DA BESTA

• (Prêmio "Melhor Roteiro" no II Rio-Cine Festival, 1986) VÍDEO

• 1986 - CHAPÉUZINHO VERMELHO - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

• 1987 - JOÃOZINHO E MARIA - Adaptação e Roteiro - Direção: Wilson Rodrigues

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