ADOLESCENTE! por Jeremias Francis Torres - Versão HTML

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image002.gif                           APRESENTAÇÃO

               

“ADOLESCENTE, EU TAMBÉM FUI UM!”

 

AUTOR: JEREMIAS F. TORRES

 

                        Surgiu a partir da ideia que o autor fazia de avaliar o comportamento de alguns adolescentes, os quais inconscientemente, realmente faziam coisas, dignas de admoestação. Mas, quem na juventude, agiu de maneira diferente? Quem fora, no passado aquele estudante modelo? Aquele exemplo de comportamento, ainda que não fosse de todo mau? Daí, a lembrança do autor de um trecho da célebre crônica do Pe. Vieira, quando da passagem de Alexandre, a conquistar as Índias, e lhe trouxeram à presença, um pirata que pela ocasião, andava por ali, furtando e mesmo roubando os pescadores. Alexandre ao “dar uma dura”, no ladrão pirata, foi surpreendido por uma atitude acintosa, em resposta a sua colocação. Bastante dura por parte do mal feitor, provando por seus argumentos, ser ele, Alexandre, tão ou pior que ele (pirata), pois, aí se diferenciava os “pequenos”, dos “grandes” usurpadores. Em suma, todos tem culpa, todos já foram endiabrados. E mesmo, julgando o comportamento dos jovens, e mesmo sabendo de antemão,  ter feito coisas dignas de castigo, continuo julgando suas atitudes, “dando” um desconto especial para aquelas não tão boas atitudes assim, que no passado, junto com meus amigos (falecidos boa parte deles ou quase todos), pratiquei.

                                                          

SUMÁRIO

                                  

                                  “ADOLESCENTE, EU TAMBÉM FUI UM!”, esse o título completo, narra de maneira rápida e sucinta, a trajetória de um adolescente como tantos outros adolescentes, que anseiam por liberdade e nessa transição (deixando a idade infância, entrando na idade adulta), os conflitos interiores se sucedem, manifestando-se exteriormente, numa forma de rebeldia, típica da idade e daquelas criaturas que anseiam algo melhor, mais a pouca experiência e por que não? A maneira estereotipada como soi entusiasticamente, observam a vida, lhe dão uma perspectiva equivocada do futuro. Daí os comportamentos rebeldes, irascíveis às vezes, intolerantes, incompreensivos, vergonhosos (nesse caso, tem vergonha de tudo ou ao contrário, não tem vergonha de nada), timidez exagerada ou a necessidade de aparecer, por parte desse s jovens, ávidos de quererem ser alguém. Consequentemente, em muitos casos (e isso não é regra, mas...) a bebida, surge como uma forma de “liberdade” de “interação social” e outros vícios também. Tudo é diversão. Somente mais tarde (esse foi meu caso), vão se perceber, os tantos “benefícios” trazem à vida, a bebida e o cigarro. Parei com os dois vícios, não sem antes sentir na pele seus efeitos nocivos e corrosivos do poder de ataque do alcatrão, da nicotina, do álcool e dela, a “Mari”, a “Marijuana. No livro, falo algumas vezes do personagem “Cidão!” Um verdadeiro figura de “gibi”, “me ajudou muito a deixar de ser ‘careta”, me ensinou a fumar e a beber, mas, eu como bom adolescente, desejei aprender, não o culpo totalmente por isso, afinal, também fora vítima de seus pais ignorantes. Depois, paguei o preço. Depois, “migrei” para outras amizades, mais voltadas para o lado musical, propriamente dito, os “roqueiros” e foi aí que despertou em mim o desejo por tocar bateria e dessa feita e dessa forma, àquelas companhias muito mais indesejáveis que APARECIDO, o Cidão, foram ficando de lado, e dessa forma, inconscientemente talvez, salvei minha própria vida, de uma desgraça, a qual inevitavelmente, seria iminente. Pois, tantos outros colegas, algum tempo depois, foram presos,  outro tanto, muito tempo depois, foram mortos ou pela polícia ou por seus pares. E eu continuei ouvindo e tocando “rock’n roll.  Mas, no fundo, o jovem, só quer mesmo liberdade. Idade confusa, sentimentos contraditórios, depressão, confusão, torna-os vítimas fáceis dos ‘incentivadores” do mal. Ou seja, tanto os falsos amigos, como o próprio vício em si, enseja, a oportunidade às avessas, é claro, do indivíduo conseguir, “grande aprendizado”. Uns sobrevivem para contar a história, outros, não tem a mesma sorte.

                  DEDICATÓRIA

                   A quem mais eu poderia dedicar essas poucas linhas senão a minha filha GIOVANA NARDELLI TORRES? Minha princesa, atualmente, com 11 anos de idade, a qual sempre tem me dado força. Apesar de morar com sua mãe, estamos sempre em contato todos os dias. Ou nos falamos por telefone ou pessoalmente, Mas, sempre estamos em contato. Minha “paixão”, expressa tudo de bom que uma criança tem de belo (todas as crianças o tem) para enriquecer e melhorar o mundo, tão carente de paz, de sensibilidade e de amor. Quando tinha três anos, e me viu adoentando (recém saído de uma internação), ao me ver, sem dizer uma palavra, porque ainda balbuciava algumas, correu para mim e deitou ao meu lado, se aconchegou em meu colo e me abraçou. Sem dizer nada, demonstrou em seu pequeno gesto, com seus pequeninos braços, sua maneira peculiar de me agradar e dizer do fundo do seu coração: “te amo pai!”

                       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

 

                         Agradeço a Deus a oportunidade de escrever, a capacidade para pensar, o desejo de aprender e a vontade de ser um dia, um HOMEM MELHOR!

 

 

 

 

 

 

 

SALVO PELA MÚSICA; ADOTADO PELO ROCK!

                                    CAPÍTULO I

                                      Não tem essas outras curtas linhas, o objetivo de enaltecer nenhum estilo musical propriamente dito, mas, simplesmente, mostrar a força do bem que há, quando se persiste em algo voltado para o bom caminho e para uma vida honesta!

                                   Diante dos meus amigos adolescentes à época, a simples troca de amizade, afinidade conseguida, devido ao gosto pelo mesmo estilo musical, simplesmente salvou uma alma, e esse, com certeza, não foi um caso isolado!

                                   Tudo bem que passado algum tempo, o gosto musical tornou-se, estudo de instrumento e posteriormente, formação de banda, sonhos de adolescente e mais adiante... decepção, mas, como o destino prega peças, cumpriu sua missão em minha existência, a persistência num objetivo musical, que a bem da verdade, dentre outras excentricidades, perdura até hoje!

                                   Mas, a verdade é uma só: sempre fui apaixonado pela música, desde muito tenra idade (antes dos cinco anos), já ouvia cantores antigos e pouco mais adiante, comecei a ouvir Elvis Presley e nunca mais fui o mesmo!

                                   Nesse campo, fui longe demais até: fui convidado a integrar bandas, tendo inclusive, um desses grupos musicais, tocado com conjuntos famosos do momento (passado é claro) e fato é que, alguns continuam até hoje!

                                   Porém, como eu dizia, se não fosse a troca das amizades a tempo, eu não teria sobrevivido!

                                   Muitos colegas, “cruzaram a fronteira” (a fronteira do crime) e nunca mais retornaram. Prisão e mortes violentas foi o “diapasão” de sua existência e por pouco, eu não “entrava nesse barco” (furado).

                                   Verdade que a vida honesta, não oferece nada de especial, porém, hoje eu entendi que é tudo assim mesmo. Não há outra recompensa para o homem honesto, a não ser o fato de ser um homem honesto!

                                   Não há bem estar particular devido ao fato de cumprir os deveres de acordo com os bons costumes e se manter praticante da ordem e da justiça dentro dos conformes e ninguém vai receber nenhum troféu ou conseguir uma promoção por isso!

                                   E mais, quem insistir em levar adiante essa discussão, vai ouvir em alto e bom som: não faz mais que a obrigação!

                                   Concordo, parcialmente, com essa última assertiva, porque devido ao “mar de corrupção” que está se tornando o Brasil, cada homem honesto de todos os seguimentos sociais, deveriam receber um troféu, premio em dinheiro e uma placa(?!)

                                   Sim, uma placa com os seguintes dizeres: “por sua honestidade e bom caráter, nesse momento, o(a)  Sr(a). recebe essa homenagem, tão merecedor se fez  nessa sociedade, já ausente daqueles que praticam o bem sem olhar a quem!”.

                                   Hoje, rememorando, consigo identificar o que necessariamente acontecia comigo!

                                   Havia uma espécie de turbilhão de pensamentos, sonhos, perspectivas, expectativas e nenhuma se fixavam, e esse, é (e era) o grande problema dessa faixa etária chamada adolescência!

                                   Falta total de fixação em um só objetivo, em um só ideal!

                                   Existe uma variação entre o desejo de dominar o mundo e o anseio de conquistar uma namorada!

                                   Tudo isso num mesmo momento, na mesma situação, deve por isso, que a cabeça dessas crianças, ficam completamente atrapalhada e passam a mostrar sua inconformação, protestando, andando em trajes esquisitos, portando-se de maneira estranha, pelo fato de não conseguirem entender nada...

                                   Há uma grande ansiedade pelo minuto seguinte, pela hora seguinte, como se fosse acontecer uma grande mudança radical em sua vidas, como se algo de bom fosse surgir no próximo segundo, um presente inesperado, uma chance milagrosa, ou talvez, o fim do mundo!

                                   Porém, não acontece absolutamente nada!

                                   Consequentemente, a bebida, os cigarros entram aí, para tentar suprir esse vazio, deixado por esse “vácuo” de sentimentos!

                                   E logicamente, ao invés de um problema, num pacote só, vem três!

                                   O tempo, no entanto, implacável, aos sobreviventes ele mostra que não existe mudanças radicais, tudo que ocorre, obedece as Leis da Natureza e é justamente aí que mora o problema do adolescente:

                                   Aguardar o tempo passar normalmente e obedecer leis e se submeter a regras! 

                                   É aí onde reside todo o problema e torna a vida dessas criaturas, uma loucura e para seus pais...

                                   Mas, se não fosse a música que aprendi a gostar desde cedo, o rock’n roll que me incentivou a montar uma banda e sonhar em ser alguém famoso, eu teria sucumbido logo cedo!

                                    

 

A PRIMEIRA NAMORADA!

                                   CAPÍTULO II

                                 Observando meu filho, hoje com dezesseis anos, no meio da loucura que é a adolescência, embora demonstre querer ser aquele rebelde mantenedor do “perfil da idade”, detecto grande diferença entre nós!

                                   A primeira grande diferença existe e destaco no setor escolha!

                                   Ele chega mesmo a falar para a mãe (já que estamos separados), veja se pode, que não quer trabalhar!

                                   Na minha época, esse tipo de posição, seria inaceitável, pois, nunca sequer me vi sem trabalhar antes mesmo dos catorze anos (hoje é proibido), mesmo porque, já aos catorze anos, eu tinha que ajudar minha mãe e precisava comprar minha roupa, escovar meus dentes, etc.

                                   A minha rebeldia, vinha de três fatores propriamente ditos: o primeiro, logicamente era ruindade por si só, a segunda era a completa escassez material e pobreza e a terceira vinha da falta de oportunidades!

                                   Mas, ao que tudo indica, meu filho, permanece em sua rebeldia, simplesmente pelo fator ruindade, deixando sua mãe revoltada e descontente com suas atitudes!

                                   Ele, somente por sua ruindade, sem nenhum vício se me equiparou que tinha vários!

                                   A minha primeira namorada, ou melhor, a minha tentativa de primeira namorada, foi uma completa frustração: fui dispensado como a um cão sem dono!

                                   Fui enxotado, achincalhado, humilhado...

                                   Depois de meses, depois de cartinhas de amor, depois de sonhar em abraçar minha amada e após recado de um colega a grande resposta as minhas sérias intenções: “sai negro!”

                                   Na época, não entendi porque ela agiu assim, afinal de contas eu nem era tão preto assim?!

                                   Realmente, eu não entendia bem o conceito de cor e aceito o fato sob protesto! Desde que ninguém me trate com a mesma ojeriza que a Maria da Penha usou para demonstrar sua repulsa por mim, mas tarde nos tornamos amigos, mas, por minha iniciativa, nunca me pediu desculpas, nunca nos tornamos namorados e nunca tocou-se no assunto!

                                   Em suma: tempo inutilmente perdido!

                                   Esse mesmo que eu perdi tentando conquistar Maria da Penha, eu podia ter me engajado em algum movimento em prol dos cegos, por exemplo, os sem nada, podia procurar algo útil para fazer em prol dos viciados, dos drogados, etc. No entanto, fiquei atrás de uma outra maluca adolescente e recebi o premio correspondente!

                                   Enquanto que meu filho, aos dezesseis, escolhe as mulheres que quer ficar! Atualmente está com duas!

                                   Ele pode, é adolescente, não pensa direito etc!

                                   Eu não queria falar sobre isso, mas, não sei porque motivo: eu não agradava as mulheres!

                                   E o racismo em minha época atuasse com intensidade ferrenha!

                                   Hoje, vê-se negro com loira e vice-versa, mulato com japonesa, e coisas desse tipo, o que passa... mas ou menos despercebido, o que em minha época, era tabu!

                                   Por fim, para encurtar a história, seu eu quis mulher se é que querem saber, tive que me contentar com as “moças da vida fácil!”

                                   Gostaria de saber quem foi que inventou esse termo!

                                   Será que é vida fácil se deitar com toda espécie de homem por causa de alguns trocados?

                                   Será que é vida fácil se deitar com sujeitos que não tomam banho, velhos, gordos, mal-dotados, bem-dotados ricos e miseráveis?!

                                   Em suma, se eu quis mulher tive que ir lá, já que as mulheres não me queriam!

                                   E quer saber?

                                   Um homem adulto, sem independência financeira, sem casa própria, sem carro, padece do mesmo problema da adolescência: antipatia das mulheres, razão pela qual, “as primas” continuam muito valorizadas no mercado!

 

 

                                  

                                  

 

PORQUE EU FUI O ADOLESCENTE QUE FUI!

                                   CAPÍTULO III

                          Sou fruto de um árduo trabalho de conscientização, devido a somatória de uma e outra decepção. Isso quer dizer que não segui propriamente dizendo a linha ascendente da adolescência, juventude, fase adulta, somente!

                                   Pelo menos nesse momento, eu tenho plena consciência do lugar que eu ocupo no tempo e no espaço!

                                   Porém, não foi o que ocorreu quando cheguei a adolescência vindo de uma infância problemática!

                                   Na minha infância, o sujeito teria que ser muito mentiroso, para não dizer que no futuro eu seria um caso grave de psiquiatria, mesmo que plenamente modificado!

                                   Rebelde por natureza!

                                   Odiava ser advertido, muito menos educado como o era, através do método, atualmente reprovado: “porrada!”

                                   Consequentemente, a simbiose perfeita.

                                   Uma criança problemática, educado por pais “amulacados” (o pai, é claro muito mais que mãe), abandonado à própria sorte, a partir dos sete anos, só poderia dar no que deu!

                                   Resumo da ópera: transformado num monstro na adolescência, dado os antecedentes gravíssimos da infância!

                                   Meus pais, é claro, me culpavam por eu ser ruim (como diziam), esqueciam, entretanto, de que eu era simplesmente o reflexo deles. A minha contribuição para o mundo que oferecia, vinha em consequência da educação que recebia!

                                   Ou será possível ou passível aceitar, um adulto exigir de uma criança de 06/07 anos, o mesmo entendimento de um adolescente de 18 anos?

                                   Pois era justamente o que “papai” e minha exigiam de mim!

                                   Logicamente, não estou a dizer (como diz os portugueses) que fui um “santo”, mas, uma criança precisa ser educada (educação: processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual da criança e do ser humano em geral, visando a sua melhor integração individual e social ) e não somente espancada!

                                   Porém, eu sei perfeitamente, que não se pode exigir do “Cacique Rauuni” (sem querer desmerecer, é claro, apenas para ilustrar), o mesmo entendimento de Leis, quanto tinha, por exemplo Rui Barbosa; a mesma sensibilidade poética quanto tinha Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, o mesmo poder de redação o quanto um Euclides da Cunha!

                                   Com efeito, particularmente meu pai, não poderia dar algo mais em matéria de educação, do que recebeu: quando pai presente; tapas e pontapés; quando ausente (como na maior parte do tempo); desprezo, indiferença, frieza e crueldade!

                                   Enfim, cheguei a adolescência completamente louco!

                                   Totalmente desnorteado, inconformado, pronto “para destruir o mundo!”

                                   Obviamente, que esse mundo a ser destruído, não existia senão no meu pensamento desequilibrado e aturdido!

                                   Foi nesse ambiente propício, que pela ansiedade, aprendi a fumar (parei, faz 29 anos), comecei a beber (parei faz outros tantos anos) e usei entorpecente!

                                   Se a vida já não fazia muito sentido por si só(segundo meu curto entendimento da época), ficou um pouco mais complicada, devido ao raciocínio entorpecido pelos “químicos alucinógenos!”

                                   Foi, inclusive, esse época que veio ter em minhas mãos, um livro daquele escritor “maluco”, que no entender um pouco mais apurado, não acrescenta absolutamente nada na cultura de ninguém, o Carlos Castagneda e um dos seus livros: “Uma Estranha Realidade!” que não passa de uma apologia ao uso de drogas condenáveis, mesmo na cultura Apache, onde se envolveu!

                                   Enfim, tudo contribuía de maneira singular, para o aperfeiçoamento (?) de minha revolta e descentralização da realidade. Não o bastante, a moradia de madeira, um barraco, de cinco por cinco aproximadamente, contribuiu para a formação do meu caráter!

                                   Tanto foi impactante, que mesmo atualmente, quase duas décadas depois, tenho pesadelos horríveis, como se houvesse habitado um campo de concentração, onde treze pessoas se amontoavam num espaço que deveria abrigar num máximo um cachorro, ou uma cabra, ou alguns porcos, não seres humanos!

                                   Isso tudo, por conta da “dedicação” do meu pai a família e seu empenho por trabalhar.

                                   Alguém lhe “assoprou” no ouvido que ele tinha sangue azul (sangue da realeza), tendo então  o   pobre diabo acreditado na história e nunca mais (e nunca mais mesmo) quis trabalhar para ninguém, dado a sua importância, para a manutenção da Terra e igualdade dos povos.

                                   Atualmente, escreve um “tratado de matemática” ou de Física, sei lá, mas pretende continuar de onde Isaac Newton parou, pretende ocupar a também lacuna de Albert Einstein, quando do lançamento de sua Teoria da Relatividade!

 

 

FILHO DO SEU JOSÉ

                                   CAPÍTULO IV

                         Ao contrário dos cantores sertanejos que viraram filmes, no final, o Francisco deles, é completamente o oposto do Meu pai José! Que também tem Francisco no nome.

                                   Em suma, bastante conhecer seu José, para saber o tamanho da encrenca!

                                   Imagine o filho  ou melhor, os filhos!

                                   Seu José é (ainda está vivo) figura de pai, que contraria num olhar mais aprofundado, todos os conceitos de criação animal e hominal. Egoísta, só pensou nele (pensou – verbo no passado – pois, hoje, nada mais pode fazer) sob todos os aspectos!

                                               Seu José nos áureos tempos seria capaz de “tomar pirulito de criança” e o pior: sem remorso!

                                               Ex.: comia-se (quando eu ainda morava num cortiço, antes do barraco) uma vez por dia, e acontecia de na hora do almoço, isso por volta das quatro da tarde, eu ainda estivesse brincando e minha mãe me chamasse, e eu me demorasse alguns minutos, ele comia minha comida e saía tranquilamente para sua diversão!

                                               Quando não, batia primeiro, perguntava depois!

                                               Se alguém fazia qualquer reclamação de minha nobre pessoa, não queria nem saber: “o pau comia!”

                                               Seu José, no momento presente, se emocionada até com a morte de um rato, mas, no passado relegou esposa grávida e quatro crianças pequenas a própria sorte e veio a São Paulo, sob o pretexto de melhorar de vida, trabalhar, quando na verdade, queria ser artista!

                                               E a verdade maior e dura: seu José nunca gostou muito do “batente”.

                                               Muitas vezes acordava, mesmo com muitos filhos pequenos (por sua escolha e de minha pobre mãe), levantava para trabalhar, se arrependia e voltava ao “quente” dos cobertores.

                                               Seu J., sempre arranjava um pretexto para culpar por sua infelicidade: ou era minha mãe ou a mãe dela ou sua própria mãe ou o governo, o frio, etc., uma das últimas que lembro, foi a tal da denúncia vazia, muito discutida no programa “Flávio Cavalcante”.

                                               Denúncia Vazia: o sujeito mora num imóvel alugado, não quer ou não pode pagar o aluguel e  o proprietário é obrigado a tolerar sua presença por tempo indeterminado, sem recorrer a Justiça e coisas do tipo. Esse era o conceito da tal denúncia vazia, a qual veio que nem uma luva para “papai”, que de fato queria morar “na faixa!”

                                               Consequência imediata? Despejo clássico!

                                               Desde o advento da tal Denúncia Vazia, o bolso de papai também ficou assim e nunca mais se preocupou com isso, até os dias atuais!

                                               É ou foi alguma vez na vida uma pessoa normal?

                                               Nunca! Jamais!

                                               Mas, nunca aceitou sua esquizofrenia (Esquizofrenia: termo que engloba várias formas clínicas de psicopatia e distúrbios mentais próximos a ela (v. distúrbio esquizotípico:*), sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.

                                               *Distúrbio esquizotípico: designação que engloba numerosos fenômenos observáveis na esquizofrenia, como comportamento excêntrico, anormalidades do pensamento e dos afetos (v. afeto 4), sem que todavia, estejam presentes as alucinações, ideias delirantes e distúrbios de comportamento que ocorrem naquela psicopatia! (Dic. Aurélio).

                                               Em suma, eu não estou falando de nenhum esquizofrênico, essas palavras fazem um resumo de sua personalidade, essas palavras, estão retratando seu José, mas, ele não aceita, nunca aceitou sua doença. Por isso vive sofrendo e infelizmente (para ele), vai morrer assim!

                                               Diabético, esquelético, sujo, feio, isso foi o que sobrou do homem que um dia foi dominado pelo orgulho e pelo egoísmo. Da maneira pela qual agia, nunca pensou no futuro. Nunca imaginou que iria ficar velho, que seus filhos cresceriam que sua mulher morreria, que tudo muda, que nada permanece!

                                               A vida inteira portou-se como um animal, no que tange a religião, nunca procurou absolutamente nada!

                                               Achava que a vida era só isso: nascer, viver, (procriar, é claro) e morrer, obviamente. Nada mais.

                                               Tornou-se nos últimos anos, adepto dessas igrejas, cujos pastores multiplicam seus bens diariamente, assim como coelhos e ratos dão crias, no intuito, de amenizar peso de consciência (será?!).

                                               Vive emocionado, contando milagres!

                                               Tenho cá minha opinião formada a respeito de Falsos Cristos e Falsos Profetas e neste momento não quero entrar em debate, porém, ainda que fizessem milagres, digo mais, ainda que o Cristo voltasse a vida, nada poderia fazer pelo pai no sentido de fazê-lo apagar tantas m., que fez com sua família!

                                               Jesus, poderia mesmo lhe dar uma nova perspectiva de futuro, mas, nada poderia fazer, para modificar seu passado. A desgraça já foi feita!

                                               E como consequência disso, menos presunçoso, procurei arranjar um psiquiatra, para tratar dos efeitos da doença, adquirida pelo convívio com ele e por carregar até a morte também, o estigma de filho do seu José.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE A VISÃO!

                                   CAPÍTULO V

                                  O que ocorreu comigo no primeiro capítulo ou melhor, no início da minha adolescência, ou seja, ter uma visão, seria muito estranho, se a história e mesmo a Bíblia não registrasse tais fenômenos!

                                   Longe de diferenciar um ser do outro como especial, mais não é do que a prova cabal de que Deus, Jesus, etc, se preocupam individualmente conosco e qualquer um, em estado de falência moral total, pode contar com esse apoio se pedir em hora extrema e clamar por ele!

                                   Eu mesmo, à época não entendi absolutamente nada, somente que tinha a certeza de ter visto o que eu vi. Era só!

                                   Mas, vendo a história de Paulo de Tarso, um “assassino oficializado”, com amplos poderes sobre vida e morte de seus prisioneiros ter tido aquela visão na Estrada de Damasco, me deixou animado...

                                   A história do Filho Pródigo citado na Bíblia, o qual retornou que nem “farrapo” para os braços do seu pai, simbolizando o fracassado que recebe outra oportunidade!

                                   E dentre outras mais, quando Jesus foi claro ao afirmar: “não são os que gozam saúde que precisam de médico!”

                                      Assim:  “estando Jesus à mesa na casa desse homem  - Mateus – vieram aí ter publicanos e  gente de má vida que se puderam a mesa com Jesus e seus discípulos – o que fez com que os Fariseus dissessem aos discípulos: como é que o vosso Mestre come com Publicanos e gente de má vida?

                                    “Tendo-os ouvido, disse-lhes Jesus: não são os que gozam saúde que precisam de médico “.(Mateus , 9, 10, a 21)

                                   Então eu não estava completamente perdido, havia uma esperança!

                                   Após anos da visão que me ative a esses detalhes!

                                   Posteriormente, quando li “Experiências de Quase Morte”, (EQM) de Robert Kastebaun  e em relato de moribundos que estiveram à beira da morte, retornaram  e falaram exatamente  do mesmo túnel quando da travessia em direção a morte, conclui haver alguma similitude!

                                   Tive acesso a outros documentários na TV Paga, de relato de inúmeras pessoas que passaram pela mesma experiência. O que me deixou muito feliz, ratificando plenamente certeza, de que não delirei: foi real!

                                   Por outro lado, não sei dos outros, mas, quanto a mim, estava completamente perdido e sem saída e ao que tudo indica, somente nessas circunstancias é que algo se manifesta em prol dos completamente desgraçados e foi nesse cenário que segui adiante!

                                   Consequentemente foi por essa época que elaborei uma das primeiras letras para música da primeira banda que fiz parte, intitulada: “por que choramos?”

Eu tinha catorze anos e comecei: “qual é o motivo de sofrer?                                                                                                   Por que devemos viver?                                                                  Quando iremos saber?

Encaro a verdade sem saber o que é!

A nossa alma sente aquele força Impertinente (a descrença)

No nosso corpo existe!

                                       Para a época e para a banda foi tudo de bom, pena que a bebida andou atrapalhando  essa carreira de músico e compositor logo cedo.

                                   Depois montei outras, fui convidado para outras, mas, minha dificuldade com a bebida era muito grande!

                                   Ou eu parava com ela ou ela parava comigo!

                                   Com efeito, parei...

                                   Parei uma, duas, três vezes e sempre, por um pretenso motivo, voltava!

                                   Posteriormente, também entendi porque isso acontecia, mas, isso é assunto para o futuro. Mas, posso adiantar que finalmente entendi o que ocorria.

                                   Não só para mim mas, para todos os adolescentes e mesmo adultos, posso adiantar, não existe bebedor social, um dia, no futuro a bebida vai causar um mal talvez irreparável, é uma questão de tempo!

                                   Ninguém sobre a face da Terra, tem o poder de persuadir o “cachaceiro”, quando ele se intitula bebedor social e quer beber. Ninguém, nem ameaças, nem nada, dada a complexidade desse “misteriosa” doença!

                                   Mas, só consegui obter uma pequena melhora, a partir do instante que quis realmente parar com o vício e trabalhar o caráter!

                                   Mas, esse fato somente se deu, depois de muita água passar embaixo da ponte, muita ressaca, muita dor de cabeça, sofrimento, angustia, depressão, inúmeros tratamentos médicos e finalmente: internação e outras “cositas mas..”

 

 

 

 

 

 

 

APONTANDO O DEDO!

                            CAPÍTULO VI

                            Pois foi assim!

                                   Quando eu observava o comportamento de alguns adolescentes e avaliava e os odiava, que os fatos remontaram a mim, também!

                                   Quando eu mais os julgava como se fossem seres desprovidos de raciocínio, que fui obrigado a aceitar a realidade: eu também fui assim.

                                   Talvez não com os mesmos maus gostos musicais!

                                   Esse novo Funk, essa chamada música eletrônica, que destrói a arte e é proporcionadora do uso desenfreado de drogas e do uso particular de uma determinada droga, etc.

                                   Enfim, como eu sei que a música que ouvia era melhor que essas?

                                   Porque ainda hoje eu as amo!

                                   Excetuando-se esse pequeno detalhe, todo o conjunto é exatamente igual!

                                   E a bem da verdade, não fiz absolutamente nada, nada mesmo para ter se salvado do crime, do vício, da miséria, só por milagre mesmo ou por algum fenômeno sobrenatural!

                                   Meu radicalismo foi sofreado quando eu comecei a relembrar minhas “aventuras” da adolescência e parte da juventude!

                                   Tive que aceitar o fato deles, em grande maioria, serem muito melhor do que eu fui, apesar da revolta!

                                   E sobre gíria, “assassina” da gramática e da comunicação, tão comum entre esses pequenos senhores, a gente (eu e a “patota”) só se falava assim!