Agora os meus olhos te vêem por Pastor Luiz Tamburro e Eliane Tamburro - Versão HTML

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AGORA OS

MEUS OLHOS

TE VÊEM.

Pastor Luiz Tamburro e Eliane Tamburro

1

Introdução:

Ao ter meus olhos abertos e iluminados e passar a ler e

estudar a PALAVRA DE DEUS deparei-me com a história de

homens e mulheres que, escolhidos por DEUS, passaram por

momentos em suas vidas, à princípio inimagináveis e que, com

toda certeza, não se teria nos dias de hoje paralelos que

suportassem, assim como eles, tamanhas provações...

Li sobre Moisés que teve que superar suas limitações

físicas, humanas ( timidez e dicção ? ) e “ encarar ” o

homem mais poderoso da época: Faraó... li sobre Noé que teve

que conviver com humilhações e chacotas por estar cumprindo

as determinações de DEUS de construir a enorme Arca... li

sobre Paulo que passou parte de sua vida e Ministério nas

prisões, apanhando e sendo também humilhado... estudei sobre

as aflições e a saga de Jó, homem fiel à DEUS e que jamais o

culpou pelas provações.

Quantos mais poderia eu enumerar que passaram por momentos

difíceis na tarefa de servir fielmente à DEUS !

Mas pensava eu desta forma, que hoje não haveriam

paralelos para tantas lutas passadas por uma pessoa que...

quando dei por mim, eu e minha esposa e filhos estávamos

passando por algo parecido e que se encaixava perfeitamente

nas histórias bíblicas que havia conhecido e que me espantaram

de início.

Veio-me a idéia então, depois de tudo passado, escrever

a nossa história de Testemunho e o caminho árduo que temos

percorrido, para que sirva de consolo, alento e também de

ânimo para todos os que têm sofrido ou passado por tribulações

e provações nesta difícil missão de levar o Evangelho à toda

criatura.

Você irmão ou irmã que está neste momento abrindo

nosso livro possa se alimentar da VITÓRIA que DEUS nos têm

dado através de tudo o quanto passamos e vivemos e que possa

guardar com você um versículo que para nós foi a chave para

suportarmos tais provações;

2

“ Ora Aquele que é poderoso para fazer tudo

muito mais abundantemente além daquilo que

pedimos ou pensamos, segundo o poder que em

nós opera.”

Ef 3.20

3

Agradecimentos:

À JESUS CRISTO que nos amou, separou, nos elegeu

e predestinou e nos manteve de pé para suportar e

mostrou-nos que não há, em todo o universo outro

Deus em que possamos confiar e sermos salvos.

Ofereço aos meus filhos:

Allison ( in memorium)

Andrews e

Amom Luiz

E à minha amada companheira e esposa: Eliane, que

durante toda a nossa provação, se colocou diante de

Deus com fidelidade e até mesmo com “ intimidade

“, pois, por inúmeras vezes, o Senhor falou com ela de

forma quase direta e mostrou-lhe de várias maneiras a

sua vontade e assim pôde me “ sustentar “

espiritualmente e muitíssimas vezes, me “ suportar “

nos meus momentos de fraqueza...

Vejo a minha esposa como uma mulher corajosa e

comparo-a, nas devidas proporções, a Esther, que

dispôs de sua própria vida pelo seu povo e Eliane

dispôs de sua própria vida, despojou-se de suas

necessidades e vontades, pela minha vida e de nossos

filhos... Com ela também me vejo na obrigação de

dividir a autoria deste livro por ser parte integrante e

atuante no mesmo... “ Obrigado, filha... “

Pastor Luiz Tamburro

4

“ Não lanceis fora, pois a vossa confiança, que

tem uma grande recompensa. “

Hb 10.35

Sexta-feira, 27 de Setembro de 1986, nascia Andrews,

nosso segundo filho, cercado de expectativas e muito carinho e

tido como uma esperança de paz para um casal que vivia

brigando e discutindo por coisas banais e insignificantes.

Parecia que a paz havia sido definitivamente selada... só não

contávamos que ela, a paz, haveria de vir através de tamanha

dor e sofrimento, sofrimento, aliás, era uma de nossas “ marcas

“, já que havíamos passado por três anos de luta com nosso

filho mais velho, Allison, que nascera com Bronquite e

consumia todas as nossas forças, bens e salários com

especialistas e remédios caros ( chegou a ter parada cardíaca

devido a força da Bronquite ), já que em três anos perdemos 8

pessoas da família, entre elas minha mãe, a mãe dela, ambas

com câncer e uma tia que se suicidou jogando fogo no próprio

corpo embebido com álcool, sem contar com o assassinato de

um tio PM pelas costas.

No dia 2 de Janeiro de 1987, ainda em plena festa,

estávamos comemorando com a família de minha esposa, com

sempre fazíamos, quando minha esposa nos interrompe

dizendo que deveríamos correr com o menino pois o mesmo

parecia estar muito mal, tal notícia nos pegou de surpresa

porque a criança parecia estar bem até aquela manhã e de

repente sentia-se mal...

Ao socorrermos nosso filho levando-o a clínica

conveniada, lá foi constatada o quadro de Bronquiolite e

Pneumonia dupla o qual levou o médico, Dr. Neidinaldo, a

sugerir que procurássemos urgentemente um grande hospital

que nos oferecesse CTI e tivesse mais recursos para socorrê-lo.

Iniciou-se a luta de todo brasileiro de procurar hospital que

atenda urgências e, como todo brasileiro, não encontramos um

hospital que nos acolhesse. O Dr. Neidinaldo passou a procurar

por telefone os hospitais que tivessem vaga e encontrou o

5

Hospital Infantil – SEMIU – de Vicente de Carvalho - RJ, do

antigo INPS, que abriu espaço para receber nosso filho. Ao

chegarmos no hospital, fomos atendidos pela Dra. Carmem, que

examinou Andrews, pediu chapas, prontamente tiradas e

exames de sangue etc e comunicou-nos as condições da criança

nas seguintes palavras:

Dra. Carmem: _ Se vocês têm fé em alguma coisa, é melhor

irem para casa e rezar porque não posso garantir que ele

sobreviva até amanhã à tarde, o quadro da criança é muito

grave, não temos muitas condições e só o que podemos fazer é

mantê-lo com os aparelhos ...

Imaginem nosso desespero ao receber notícia tão

avassaladora e terrível, ainda mais para duas pessoas

decepcionadas com religião como nós, pois, minha esposa era

recém saída do espiritismo (acompanhou a saída da mãe ),

havia “ feito cabeça ” aos 13 anos e preparada para ocupar o

lugar da mãe, “ mãe-de-santo ”, dona de terreiro e, naquela

ocasião já no Evangelho através da Assembléia de Deus e eu,

ex-católico praticante, ex-líder de adolescentes católicos,

decepcionado com a igreja e os Padres e recém saído do

ocultismo ( Rosa Cruz ) onde passei dos 5 aos 19 anos.

Positivamente não tínhamos estrutura física e muito menos

espiritual para suportar a notícia e o fato que se apresentou a

nós... desejamos a nossa morte...

Fomos para casa desolados e revoltados com tudo a nossa

volta, não conseguíamos nem ver esperanças, só sofríamos e

chorávamos apreensivos com o dia seguinte que, segundo a

médica seria o dia “ D “ do Andrews que só tinha 3 meses de

vida. Mas o dia passou e Andrews continuava vivo, decerto que

seu quadro havia piorado, mas continuava vivo e deu-nos

esperança e começamos a buscar em Deus a cura e as

respostas, mas de formas erradas, espiritismo, consultas e rezas

aos “ santos “ de devoção ( no meu caso, Sebastião ) e nada de

mais acontecia e o tempo foi passando, Andrews continuava

vivo, resistindo, contra todas as suposições dos médicos que

não entendiam como isso acontecia, pois ele já estava

6

praticamente morto, suas pupilas haviam desaparecido, não

esboçava um som sequer, vivia com braços e pernas amarrados

devido a convulsões e para que não arrancasse os agulhas dos

soros e medicamentos espalhados, literalmente pelo seu

corpinho, aliáis, sua cabecinha estava toda roxa, porque

praticamente todas as veias visíveis foram usadas para injeção

de soros e medicamentos, seu cérebro estava inoperante e,

como se não bastasse absorveu uma infecção hospitalar, só lhe

faltava o coração parar...

Tínhamos o direito de vê-lo por 30 minutos todos os dias e seu

quadro não mudava, continuávamos apelando ao sobrenatural,

minha esposa se encontrava em desespero, já havia destruído

um estofado por se encontrar dia e noite prostrada chorando...

por diversas vezes tive que ser medicado, pois meus nervos

estavam em frangalhos e não conseguia nem mesmo trabalhar,

não fui demitido devido aos meus chefes na Ótica Brasil, Sra.

Neid Leone, e Sr. Damião gostarem muito de mim e confiarem

no meu trabalho, até que um dia minha esposa resolveu ouvir

aos apêlos de sua mãe para procurar socorro na Igreja

Assembléia de Deus, naquele tempo a Assembléia de Deus era

conhecida pelo rigor de seus “ Usos e Costumes “ e como isso

assustava minha esposa, ela resolveu ir a Primeira Igreja Batista

de Jardim América.

“ Quem crer em mim, como dizem as Escrituras,

ainda que esteja morto viverá. “

Jo 7.38

Quinta-feira, 5 de março de 1987, já se haviam

completados 2 meses de internação e todos os dias víamos

nosso filho e sua saúde era instável, os médicos, apesar do

espanto de ele ainda persistir, não nos davam a mínima

esperança, ainda pelo contrário, diziam-nos claramente que o

dia seguinte poderia ser o fatal. Neste dia minha esposa entrou

na Igreja Batista pela primeira vez... estava acontecendo um

Culto que chamavam de Culto de Cura e Libertação, ministrado

7

pelo Evangelista Cabral, a Igreja estava lotada de pessoas

desconhecidas, muitas estavam em pé, não só no salão do

Templo como também nas duas galerias, minha esposa não

conhecia nenhuma daquelas pessoas e pelo que estava vendo

todas esperavam de Deus alguma coisa ou resposta...

O Culto transcorria normalmente com Hinos, orações e, em

determinado momento, o Irmão Cabral começou a entregar

algumas revelações a muitas pessoas que ali se encontravam. Lá

pelo fim do Culto, o irmão entregou uma revelação muito

especial:

Irmão Cabral: _ “ Deus está revelando que aqui se encontra uma

jovem senhora cujo filho está internado à dois meses e os

médicos não lhe dão nenhuma esperança de vida e ainda mais,

Deus diz que os médicos estão surpresos de que ele ainda esteja

vivo porque ELE, o próprio Deus, o tem sustentado. Deus quer

abençoar esta vida, Deus quer curar esta criança e quer que esta

mãe venha aqui na frente receber a bênção.”

Embora tivesse certeza de que era dela que o irmão

falava, minha esposa não foi à frente, talvez por vergonha ou

por incredulidade. O irmão insistia em que a senhora se

identificasse, as pessoas se entreolhavam tentando descobrir

quem era e minha esposa não se movia... até que...

Irmão Cabral: _ “ Irmãos, Deus realmente quer abençoar esta

criança e, apesar da mãe não vir à frente, talvez por vergonha,

Ele ( Deus) mostrou-me quem é a mãe desta criança e mandou-

me buscá-la. “

O irmão cruzou o meio da Igreja e foi até o final e de

trás de muitas pessoas pegou no braço de Eliane e lhe

perguntou: _ “ É você, não é ? “ Muito espantada Eliane

respondeu que era e toda a Igreja glorificou a Deus enquanto o

Evangelista a conduzia até a frente do altar. Ao se

posicionarem, o irmão trava o seguinte diálogo com minha

esposa:

8

_ É verdade tudo o que Deus revelou sobre seu filho ?

Eliane: _ É verdade.

Irmão Cabral: _ Quanto tempo tem que seu filho está internado

?

Eliane: _ Dois meses certos.

Irmão Cabral: _ Qual é a situação dele ?

Eliane: _ Os médicos disseram que está morto... só falta parar o

coração ( chorando)...

Irmão Cabral: _ Deus diz que vai curar seu filho de hoje à 28

dias, crê nisto ?

Eliane: _ Como o senhor pode dizer isso se os próprios médicos

disseram que meu filho está praticamente morto ?

Dito isto, Eliane vira as costas rindo nervosamente e,

desdenhando do irmão, deixa a Igreja e vai para casa, ela não

creu que Deus havia falado através do Evangelista pois no

espiritismo “ outros “ também haviam falado e prometido e

nada acontecera...

Naquele dia ela visitou Andrews, como fazia todos os

dias, pois eu não podia fazê-lo devido ao trabalho, pelo menos

não diariamente, e constatou mais uma vez que seu estado

continuava inalterado. Ao chegar em casa Eliane me relatou o

acontecido na Igreja Batista, de como “ Deus “ falara através do

irmão e de sua atitude de incredulidade quanto aos fatos

descritos. Eu sempre fui bastante religioso devido ter estudado

em Colégio de Freiras, frequentado a Igreja Católica e praticado

tal fé, além disso, pode-se dizer que “ nasci “ num centro

espírita, pois meus pais eram praticantes até meus cinco anos

quando resolveram se envolver com a Rosacruz deixando o

espiritismo, também no ocultismo busquei a Deus, e,

certamente hoje sei que todos estes caminhos estavam errados,

mas provam que nunca deixei de buscar à Deus e onde

dissessem que Ele estava o procurava, por este motivo, ao ouvir

o que Eliane me passou disse-lhe que cria que Deus daria

solução e que não custava crer, pois, se fosse realmente de Deus

nosso filho seria curado dentro daquele prazo. Dito isto corri

para a folhinha e marquei a data: 02 de Abril ( 1987 ).

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Os dias foram passando e a rotina não mudava:

trabalho, eu nas clínicas sendo medicado, minha esposa

chorando esparramada no estofado, meu filho mais velho,

Allison, triste e saudoso do irmão, visitas diárias e... nenhuma

reação ou melhora de Andrews.

Um belo dia recebi na empresa o seguinte telefonema

de minha esposa:

Eliane: _ Luiz, venha correndo para casa, precisamos ir urgente

para o hospital ?

Eu: _ Porque ? O que aconteceu com meu filho ? ( Pensei o

pior )

Eliane: _ Não sei, mas disseram para levar roupas para ele e que

ele estava de alta !

Eu: _ De alta ? Como ?

Eliane: _ Vem logo prá casa quero pegar meu filho !!!

Corri para casa, peguei Eliane, aluguei um táxi e

voamos para o hospital.

Eliane: _ Doutora como está meu filho ?

Doutora: _ Seu filho está ótimo, pode levá-lo prá casa .

Eu: _ Mas o que aconteceu, ontem eu o vi e ele estava do

mesmo jeito de sempre ...

Doutora: _ Não sabemos explicar, isto está espantando até

mesmo a nós, pois ontem seu estado era realmente o mesmo e

hoje pela manhã ouvimos um choro diferente na UTI e quando

corremos para ver seu filho estava aos berros, suas pupilas

voltaram ao normal e ele mamou pela primeira vez depois de

sua internação.

Eliane: _ Foi feito algum exame ?

Doutora: _ Fizemos todos os exames necessários e nada foi

constatado... não entendemos...

Sem mais nenhuma pergunta pegamos nosso filho e

fomos para casa naquela manhã com uma imensa alegria. Ao

chegarmos em casa todos os vizinhos acolheram-nos

juntamente com a família querendo saber o que e como

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acontecera aquilo e como todos falavam em milagre lembrei-me

de olhar a folhinha e... lá estava a data grifada: 02 de abril, era

verdade, em 28 dias Deus tirou meu filho curado da UTI, Deus

o ressuscitou !!! Fiz saber a Eliane e ela imediatamente deu um

banho na criança e correu para a Igreja, pois até nisto Deus

havia pensado, era dia daquele mesmo culto e ali Eliane, pediu

perdão ao Irmão Cabral e à Deus, apresentou Andrews ao

Senhor e sob gritos de Glórias e Aleluias de toda a igreja

entregou-se ao Senhor.

Ao voltar para casa parecia que outra Eliane estava

entrando e ao dizer-me que havia se entregue à Jesus,

imediatamente recolhi todos os meus ídolos ( um monte de

Sebastiãos e outros ), destruí-os e joguei no rio. Eliane

espantada perguntou-me:

Eliane: _ Por que você fez isso ? Fui eu quem “ aceitei ” a

Jesus e não você !

Eu: _ Pedi a todos os “ santos “ e eles nada fizeram pelo meu

filho, Jesus prometeu-nos Andrews em casa, curado, em 28

dias... como posso duvidar de quem devolveu meu filho a nós ?

No dia seguinte comprei uma Bíblia e comecei a

estudá-la, pois já a conhecia devido a ter estudado religião na

escola de freiras, mas não conhecia o Deus da Bíblia... , ainda

assim não aceitei a Jesus naquele instante. Eliane passou a

frequentar a Igreja e fazer parte de um grupo abençoado

chamado UNIJOC – União dos Jovens Casados, que se reuniam

semanalmente em cada lar e passaram a orar por minha “

conversão “. Em suas orações neste grupo o pedido de minha

esposa não era somente pela minha conversão, mas também

para que ao converter-me Deus me fizesse um Ministro de sua

Palavra mesmo sabendo que eu ERA GAGO.

“ Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e a tua

casa... “

At 16.31

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O ano de 1987 transcorreu-nos sem maiores problemas,

Allison, nosso filho mais velho era uma bênção e integrou-se

muito bem na Igreja, Andrews passou a Ter uma “ saúde de

ferro “ e era uma criança alegre e brincalhona, Eliane a cada dia

que passava mudava, nossas brigas ( uma pior que a outra )

desapareceram quase que por completo, agora eu a via

compreensiva e muito mais amiga, e eu de vez em quando ia

assistir a um Culto ou outro, participava de algumas reuniões da

UNIJOC, mas ainda não me decidira por Jesus, mas continuava

estudando a Bíblia sozinho e nas minhas dúvidas contava com

os irmãos que já conhecia para explicar-me.

Passou este ano e correu o ano de 1988. Em Setembro de

88 a UNIJOC completaria 4 anos de existência e os irmãos

haviam preparado muitas músicas para o grupo coral Alfa e

Ômega, que inclusive contava com integrantes do Altos

Louvores, e necessitaram fazer um painel para colocar no altar

e, sabedores de minha profissão, desenhista, pediram minha

ajuda. Desenvolvi o painel: uma mão entrelaçada com duas

alianças e segurando a Rosa de Saron, todo pintado e

purpurinado e media 2 metros por 3 metros de altura. Eu já me

via satisfeito com o trabalho que tão gentilmente me solicitaram

quando me pediram outro favor... o de instalar o painel no

altar... confesso que tremi dos pés à cabeça, pois a esta altura,

devido ao conhecimento ( embora superficial ) da Palavra eu já

sabia que no altar residia a Santidade e o Santíssimo e quem era

eu, ímpio, para subir ao altar e como um levita trabalhar para

Deus ? Lógico que me retraí e neguei-me alegando não ser

Cristão e, portanto, não estava apto a desenvolver este trabalho.

Os irmãos não se conformaram e não aceitaram minha negativa

e foram pedir ao Pastor Adriano Pêgo Gonçalves, Presidente da

Igreja, permissão para que eu trabalhasse e ele concedeu a

permissão. Sem poder negar instalei o painel, vi os ensaios e

contribuí com algumas idéias para o programa, o que

prontamente aprovaram e aceitaram.

Fim do dia, hora do Culto, Igreja cheia ( tinha 700

membros ) e lá estava eu, escondido nos últimos bancos

ouvindo os louvores, assistindo minha esposa cantar e ao

término daquela apresentação maravilhosa, ouvi a Palavra de

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Deus que tocou tão forte em meu peito que quando me vi era o

único a estar na frente na “ hora do apelo “, me entregando a

Jesus, aos prantos, não só eu chorava, Eliane e todo o grupo

também. Assim Jesus finalmente me " fisgara " e seria para

sempre. Era 16 de Setembro, um Sábado e minha vida

começaria a mudar ainda mais.

“ Abra a sua bôca e eu encherei... “

Passei a participar mais ativamente da Igreja, frequentava

os Cultos, fazia parte integrante da UNIJOC, cantava no Grupo

Alfa e Ômega, recebi o cargo de cuidar do Altar ( decorá-lo ),

sempre junto com minha esposa que era muito abençoada.

Nosso casamento parece que realmente começou com a nossa “

conversão “ , agora sim, finalmente, éramos uma família.

Dia a dia a vontade de conhecer e estudar mais a Palavra de

Deus aumentava em meu peito, já me sentia insatisfeito

somente com os Cultos ou pura e simplesmente a leitura da

Bíblia, mas, sem experiência, seguia minha vida de “ banco . “

Certo dia Eliane começou a sentir fortes dores no ouvido,

dores que a faziam gritar e que não passava com nada, Eliane

sempre foi aversa a médicos e remédios e optou pela oração

para que aquela dor desaparecesse e, imaginem só, pela minha

oração... Já relatei aos irmãos meu problema de dicção que era

tão grande que ao tentar falar eu “ cuspia “ em quem estivesse

em minha frente, nas reuniões da UNIJOC, no momento de

oração, fazíamos a corrente de mãos dadas para cada um fazer a

sua oração e, geralmente, quando chegava a minha vez alguém

se cansava de me esperar e orava na minha frente, pois eu não

conseguia, decerto não ficava chateado por isso mas confesso

que ao chegar em casa chorava nos pés do Senhor pedindo a

cura para este mal. Bem, falávamos do crédito que Eliane

naquele momento estava dando a minha oração entrecortada por

sílabas vacilantes, sim, é verdade. A noite estava avançando e a

dor de Eliane não passava, pensei até que Deus não tinha

atendido a minha oração por não Ter entendido uma única

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palavra sequer que tenha saído de meus lábios , mas não era

isso, Deus tinha os seus planos para aquela situação.

Já por volta das 23 horas, cansada de sentir dor e de lutar

em oração, Eliane pede-me para ir à casa de uma irmã chamada

Débora, muitíssimo usada por Deus, e a chamasse para que me

ajudasse em oração e assim mesmo eu fiz. Prontamente Débora

atendeu ao apêlo e me acompanhou. Ao chegarmos em casa

reiniciamos a oração e, após um curto espaço de tempo as dores

desapareceram completamente. Eu fique maravilhado e me vi

na obrigação de orar agradecendo à Deus aquele milagre, só que

a oração não saía devido a gagueira e ao desesperar-me comecei

a chorar... Então Deus começou a usar a irmã:

Deus: _ Por que tu choras meu Servo ? Pede-me cura todos os

dias e eu tenho te ouvido. Agora fica atento as minhas palavras:

Eis que, à muito te curei, e não te espantes pois logo estarás

pregando em meu nome às multidões, abre a tua bôca e Eu e a

encherei.

Mesmo sem entender a parte em que Deus falara de estar

pregando em seu nome, entendi perfeitamente que Ele já me

havia curado e que eu deveria me apossar desta cura e, pela

primeira vez, consegui orar agradecendo a Deus a cura de

minha esposa e a minha.

A fome pela Palavra aumentou ainda mais. Em 18 de

Dezembro de 1988 desci às águas diante de toda a Igreja e de

minha família ( conforme a doutrina da denominação Batista a

qual eu era membro ), naquele instante parece que meus

olhos se abriram de uma forma diferente, parece que meus

ouvidos estavam mais aguçados que nunca... aí sim entendi que

naquele dia Deus havia me chamado ao Ministério da Palavra,

mas, embora crendo na minha cura, ainda não tinha me

apossado totalmente da mesma, e eu pensava: _ Pode um Pastor

ser gago ? Por que Deus me escolhera se tinham tantos outros

irmãos com mais capacidade e que tinham excelente eloquencia

?

14

Comecei a buscar um Seminário para estudar e Deus

começou a mostrar-me por que Ele é Deus, porque quando Ele

quer, não existem barreiras. E assim foi.

Fevereiro de 1989, lá estava eu, meio sem entender o

porquê, na secretaria do Seminário da Igreja Batista Peniel da

Tijuca, referência da Convenção, tentando me inscrever:

Secretária:_ Quanto tempo você tem de batismo ?

Eu: _ 2 meses.

Secretária: 2 meses ? Desculpe irmão, mas não posso lhe

inscrever, pois o regulamento do Seminário só aceita a inscrição

de irmãos que tenham no mínimo 2 anos de batismo.

Eu:_ Mas se o Pastor de minha Igreja e minha Igreja autorizou,

que diferença faz ?

Secretária: _ Perdoa-me, mas não posso passar por cima das

regras, sinto muito...

Agradeci, triste e fiz menção de levantar-me, quando...

Secretária: _ Olha, irmão, sei que é contra as regras, mas sinto

que Deus lhe quer no Seminário, então vou fazer minha parte,

como não posso tomar esta decisão vou mandá-lo para o Deão e

Ele vai entrevistá-lo e decidir sobre sua inscrição.

A secretária marcou o dia da entrevista e eu saí radiante,

agora era só esperar o dia... Os dias seguintes foram longos e,

esperançoso, lembrava-me a todo momento da conversa que

tive com o Pastor Adriano ( Presidente da Igreja ) sobre a

possibilidade de fazer o seminário, por telefone ele me disse

que faria muito gosto pois me conhecia e sabia da sinceridade

da minha vontade, mas que não dependeria somente dele e sim

da Igreja que em sessão deveria ou não acatar tal decisão,

lembro-me bem o dia da sessão e a discussão de alguns irmãos

quanto a liberar-me para a inscrição já que eu era um “ neófito

“. Pastor Adriano defendeu-me com um advogado defende seu

cliente, e a Igreja liberou-me a carta para a inscrição.

Faltando uma semana para a entrevista, adoeci com

Pneumonia e a febre não cedia facilmente, eu estava nervoso,

pois a entrevista fora marcado para o último dia e após aquele

dia não haveria outra data e eu perderia o prazo.

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Chegou o grande dia e mesmo febril e fraco fui para a

entrevista. Ao avistar-me com o Deão fugiram-me as palavras (

que já me eram tão difíceis ) mas ainda assim consegui ter um

“ diálogo “ com o Pastor:

Deão:_ Nossa conversa foi boa, mas vejo em sua ficha que o

irmão tem pouco mais de 2 meses de batismo e desta forma fica

impossível eu lhe conceder a inscrição...

Eu fiquei frustadamente mudo.

Deão: _ Mas... eu não sei... Sinto de Deus que o irmão deve

fazer este seminário... Vou aprová-lo mesmo contra as regras.

Vejo que Deus tem alguma obra grande em sua vida.

Eu não cabia em mim de tanta alegria ! Que obra

maravilhosa Deus tinha para minha vida a ponto de jogar por

terra todas os obstáculos que se apresentavam contra, sem

contar com a paciência e a longanimidade que estava me dando

por ter que enfrentar tantas oposições em minha própria Igreja,

de Diáconos até seminaristas. Mas os obstáculos não pararam

por aí...

Após ter passado na entrevista, comecei a juntar os

documentos para a matrícula, dentre estes eu necessitava do

Diploma de 2º grau para que pudesse fazer o Bacharel, o

problema era que eu não havia terminado o curso , pois na

época meu pai tinha ficado desempregado e um supervisor do

colégio havia me feito passar vergonha na frente da minha

turma cobrando-me públicamente, com isso simplesmente

abandonei o 3º ano no meio do ano e nunca mais retornei...

havia 10 anos...

Mas eu precisava do atestado de escolaridade e requisitei-o

e, qual não foi a minha surpresa quando o recebi e li: “ ... tendo

o aluno sido aprovado e concluído o curso de Administração ao

fim de 1977. “ Não acreditei no que li. Como havia sido

aprovado se sequer prestei as provas finais ? Se sequer assisti o

último semestre ? Voltei para perguntar a secretária, pois

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poderia ser um erro e eu queria começar tudo direito e com

honestidade.

Eu: _ Moça, me explica uma coisa. Como posso ter passado de

ano e concluído o 2º grau se nem estive presente no segundo

semestre ?

Secretária: _ Realmente é estranho, mas vamos ver seu

histórico... Aqui diz que você foi aprovado pela média dos

últimos 3 anos e seu Diploma já está inclusive assinado e à

disposição.

Mais um milagre Deus fizera acontecer. Minhas notas dos

três anos de estudo foram somadas e tirada a média deu nota 9,7

e me concederam o diploma de conclusão devido a esta

performance, só Deus é capaz disso. E assim me inscrevi no

seminário e... continuava gago e muito tímido...

“ Sou pesado de língua... “

Ex 4.10

Primeiro dia de aula no Seminário, turma grande: 63 alunos.

Primeira aula: Introdução ao Velho Testamento, Professor

Sérgio Guedes. A primeira aula encheu-me os olhos, bebi

ávidamente tudo o que ouvi, aprendi em 40 minutos o que

nunca tinha ouvido em 6 meses, que maravilha... mas a aula

terminou, era hora da oração para o intervalo, todos ficaram de

pé, o professor disse que escolheria um aluno para orar, eu

estava a salvo, pois me escondera atrás do Martinho Lutero,

um jovem de 1,80 m e um físico de armário duplex, era quase

impossível eu ser o escolhido, quase...

Professor: _ Aquele irmão barbudinho, lá atrás na última fila,

pode orar.

Eu: _ E..e...eu ?

Professor: _ É o irmão mesmo, pode orar .

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Acho que levei uns 5 minutos só para esboçar a primeira

palavra e costumo dizer que orei o Salmo 119 com todos os

seus capítulos e versículos entrecortadamente... morria de

vergonha, quando terminei abri os olhos bem devagar, olhei

para um lado e para o outro e ninguém estava rindo ou me

recriminando, ufa !!! Passei no primeiro teste !

Que ano maravilhoso passei, suguei tudo o que podia dos

professores e das aulas, com o tempo tornei-me um dos líderes

da turma por ser um dos mais velhos, tinha 28 anos e a média

da turma era de 22 anos, os mais jovens me procuravam para

aconselhamento e eu cresci muito com isso, além disso minhas

notas mostravam que Deus realmente me abençoava. As lutas ?

Continuavam até mesmo dentro da Igreja, mas aos poucos os

opositores iam sucumbindo diante das evidências da chamada

de Deus em minha vida...

Comecei a galgar cargos importantes na Igreja e entre estes o

de Superintendente da Escola Dominical foi o mais tremendo de

todos. A Escola Bíblica tinha uma frequência de menos de 40%

da Igreja e a meta que me foi imposta pelo Pastor Adriano foi a

de alcançar um índice de pelo menos 70% de assistência, índice

que foi superado com a dinamização da Escola Bíblica com a

divisão em dois tempos de aula entre as revistas convencionais

e Estudos Dirigidos de Teologia, Heresiologia, Cristologia etc.

Tudo o que eu aprendia no Seminário, filtrava e repassava a

Igreja de forma simplificada para que o mais modesto irmão

pudesse aprender e Deus continuava me abençoando. Minha

esposa, também se mostrava a cada dia mais uma obreira

respeitada com trabalhos na área social, de eventos e na própria

Escola Bíblica, estávamos nos destacando graças ao Senhor que

nos capacitava dia a dia.

“ Bem aventurado o varão que suporta a

provação porque ao final receberá a corôa da

vida... “

Tg 1.12

18

1989. Novo ano, novas esperanças, novas espectativas e...

novas provações. O ano iniciou-se com prenúncio de derrame

de bênçãos em nossas vidas, passou-se o mês de janeiro, o mês

de fevereiro iniciou-se e iniciou-se outra frente de batalha, desta

vez dura, muito dura...

A Sociedade de Homens marcou um Culto em minha casa na

penúltima quarta feira do mês e o convidado a trazer a Palavra

foi o Evangelista Cabral, culto abençoadíssimo onde Deus falou

tremendamente aos nossos corações à respeito de se suportar as

provações, ao final o irmão Cabral chamou a mim, minha

esposa e meus filhos à frente para orar e com os olhos cheios de

lágrimas disse-nos que tívéssemos força, confiássemos no

Senhor, porque Deus havia lhe mostrado que passaríamos por

uma enorme e dolorosa provação e que se não nos

segurássemos em Deus poderíamos até mesmo voltar de vez

para o mundo. Deus dera a visão dos acontecimentos futuros ao

irmão Cabral mas não lhe permitiu nos revelar, nunca

poderíamos imaginar o que estaríamos para passar e

começamos a orar.

Na Quarta feira seguinte, estava trabalhando, quando recebi

de minha esposa, que também estava trabalhando, um

telefonema avisando que deveria correr para casa, pois meu

filho mais velho, Allison, sofrera um grave acidente. Corri e ao

chegar na clínica só deu tempo de entrar na ambulância que

faria a “ Tournê ” à procura de um hospital. Dentro da

ambulância soube que meu filho havia caído de uma árvore no

meu quintal e estava sob suspeita de traumatismo craniano. Ali

conheci a outra Eliane, uma mulher forte, de fé inabalável e

total dependência de Deus que sustentou toda a situação de pé,

sem derramar uma lágrima.

Chegamos ao Hospital Souza Aguiar no centro do Rio de

Janeiro, meu filho foi cercado de toda a atenção possível,

acompanhamos todos os exames e foi realmente constatado um

traumatismo craniano grave e que criara um edema que devido

não ter tido sangramento externo seria de difícil solução, foi ele

então colocado no CTI e nos mandaram para casa... eram

aproximadamente 18 hs.

19

Ao chegar em casa entramos imediatamente em oração e

assim passamos praticamente toda a noite, durante esta

maratona de oração, pedíamos a Deus para nos devolver nosso

filho curado, queríamos tê-lo de qualquer maneira... mas Deus

tinha outros planos... apelávamos à Deus por nosso filho

quando o Espírito Santo deu-nos a visão de nosso filho numa

cadeira de rodas, totalmente estático, com feições próximas a de

um mongolóide e de minha esposa, meu filho mais novo,

Andrews , por trás da cadeira com aspecto de sofrimento, rugas

e com a tristeza estampada em nossos rostos, aí senti o que

Deus queria de nós...

Eu: _ Filha, Deus me deu uma visão de nosso filho numa

cadeira de rodas, tetraplégico e mongolóide e de nós três

acabados e sofridos por trás... não quero meu filho assim vamos

mudar nossa oração.

Eliane: _ Senhor, tu conheces nosso coração, nosso desejo, mas

fazes o que tens de fazer, faz a tua vontade, pois sabemos que se

a tua vontade for devolver-nos nosso filho o Senhor o devolverá

curado e não como nos mostrastes, se a tua vontade for levá-lo

para ti então faça e nos conforte ...

Assim passamos o restante da madrugada orando e, ao

chegar a manhã, algumas irmãs vieram à nossa casa para dar-

nos forças , nos confortar e orar. Às oito horas da manhã resolvi

ligar para o hospital, confesso que um pouco receoso, pois qual

o pai ou a mãe na nossa situação deseja ouvir o “ pior ? “.

Liguei... e... a resposta foi a de que nosso filho falecera às cinco

horas da madrugada e que deveríamos reconhecê-lo no

necrotério do hospital e providenciar o enterro, ao desligar

comuniquei a minha esposa e família, imediatamente Eliane se

levantou e disse para irmos para o quarto orar...

Eliane: _ Senhor, fizeste a tua vontade e temos certeza de que

fizeste o que era melhor para nosso filho e para nós, muito

obrigado, pois não queres o nosso sofrimento, temos certeza de

que Allison já está contigo e muito feliz. Mais uma vez te

agradecemos, Senhor...

20

Uma irmã chamou-a de louca por estar agradecendo a

Deus por ter levado nosso filho, que deveríamos pedir a cura e

não agradecer a morte. Imediatamente repeti para ela as

palavras de Jó à sua esposa: “ Mulher, falas como louca, não

recebemos o bem de Deus ? Porque não aceitarmos também o

que nos parece mal ? “

Explicamos o que Deus nos havia mostrado e ela ajudou-

nos a agradecer e a pedir a Deus conforto e forças para suportar

a ausência...

Como fazer agora ? O país estava enfrentando grave crise,

eu não tinha recursos financeiros para arcar com o funeral, mas

Deus tinha e tem , e Ele moveu... minha Igreja ofereceu para

pagar a metade, meu atual patrão, Kardecista quase convertido,

pagou a outra metade e um ex-patrão meu e de Eliane deu-nos o

mesmo valor do enterro para que viajássemos por alguns dias (

e ele já tinha pedido a liberação para meu patrão, pois eram

amigos ) e descansássemos.

Até no enterro Deus operou tremendamente, pois passamos a

noite, eu, Eliane e duas irmãs cantando hinos do Cantor Cristão

enquanto em outras capelas pessoas choravam seus mortos,

estas pessoas vinham constantemente onde estávamos e ficavam

observando nosso filho, ouvindo os hinos e orações além da

Palavra de Deus... naquela noite, atraídas pelos hinos, três

crianças de rua entraram na capela e ao virem meu filho

choraram e ali ouviram de Jesus, entregaram suas vidas à Ele e

dormiram ao lado ataúde. Eliane mostrou-se tremendamente

forte, não chorou, mas cantou e a todo momento agradecia a

Deus por nosso filho estar com Ele e por nos estar dando forças

para louvá-lo. A manhã chegou e a hora do enterro também,

enquanto íamos para o gaveteiro, uma jovem, à sete anos

desviada dos caminhos do Senhor dizia a mãe que nunca tinha

visto duas pessoas com tanta força como naqueles dias e que

naquele mesmo dia estaria voltando para Jesus, pois desejava

Ter a mesma fé e coragem que estávamos tendo. Após o enterro

fomos para casa amparados e confortados pelos irmãos e no dia

seguinte, Domingo, na Igreja ouvimos o testemunho de outra

irmã que dizia estar retornando para o Senhor pelo nosso

testemunho. Glória à Deus ! Glória à Deus ! Glória à Deus !

21

Nos dias que se seguiram fomos para a casa de uma tia de

Eliane no Espírito Santo para descansarmos ( sugestivo, não ?

) e para também confortá-la, pois uma semana antes tinha

perdido seu marido.

“ Este é o Cálice da Nova Aliança que é feito entre Mim e

vós ...

I Co 11.25

Nosso coração estava triste e saudoso, mas nosso espírito

estava em Deus e Ele nos confortava e consolava. A tia de

Eliane era membro de uma Assembléia de Deus e daquelas

pessoas que acreditavam cegamente em qualquer “profecia “ ou

“ visão “ que lhe entregavam e insistiu muito para que Eliane a

acompanhasse até uma irmã que “ tinha visões e que Deus

usava com muito poder “, para não contrariá-la minha esposa a

acompanhou e eu fui para a praia com meu filho Andrews. Ao

voltar da casa da “ profetisa “, Eliane e sua tia estavam por

demais chorosas e com muito custo consegui arrancar delas o

que tinha acontecido e elas me contaram que a irmã tinha tido

uma visão de Eliane segurando duas alianças e que ela tinha

interpretado a visão da seguinte forma:

Irmã: _ Deus está me mostrando que além deter perdido seu

filho Ele vai levar também o seu marido e a irmã vai ficar

viúva.

Foi o bastante para ferir o coração de Eliane... como poderia

Deus fazer tal coisa ? Como poderia Deus legar a Eliane

tamanho sofrimento ? Eu não aceitei tal interpretação, pois

conheço um Deus de amor e misericordioso para com os seus

filhos e, além do mais, estávamos passando pela moenda

obedientemente e tinha certeza de que aquele momento era

22

momento de refrigério e não de mais lutas. Recorri a Palavra de

Deus para mostrar a elas que aliança significava “concerto “,

“contrato “, “acordo “ e que eu via que, a visão poderia ter sido

até de Deus mas que eu via nela que Deus estava selando com

Eliane um acordo, uma aliança de fidelidade e paz e que se Ele

tivesse de levar-me, de maneira alguma mostraria a Eliane

daquela forma ou naquele momento.

Passamos aqueles vinte dias na praia, lendo a Palavra de

Deus debaixo da barraca e notamos, logo no princípio de nossa

estada ali, que alguns jovens ao passar por nós comentavam

alguma coisa e percebíamos que muitos tinham vontade de

retornar e perguntar-nos algo, o que seria ?

Não demoramos à descobrir... com uns tres dias dois jovens

pediram licença para sentarem-se conosco:

Jovens: _ Vocês são de onde ?

Nós: _ Somos do Rio de Janeiro. Por que ?

Jovens: _ Nós temos observado vocês... vocês são cristãos ?

Nós: _ Somos membros da Igreja Batista.

Ali começou, pode-se dizer, uma pregação missionária,

pois aqueles jovens disseram-nos que éramos as primeiras

pessoas que haviam conhecido que, sem preconceitos, liam a

Bíblia na praia, sem camisa, de calção ou de maiô, contaram-

nos que setenta por cento da cidade de Marataízes era de

evangélicos e dentre estes outros setenta por cento eram jovens

desviados por terem sido excluídos das Igrejas pelo fato de não

“resistirem “ as praias. Estávamos no carnaval e soubemos por

eles que uma menina havia, naqueles dias, sido excluída de sua

Igreja por que na mesma rua que ela estava passando para ir a

padaria estava também passando um bloco carnavalesco e ela

fora obrigada a passar por entre os integrantes que haviam

tomado toda a largura da rua e tal jovem era dedicada à Deus e

muito espiritual segundo eles, um absurdo sem justificativa

bíblica !

Todos os dias mais jovens se sentavam conosco na praia para

ouvir a Palavra de Deus e até nos pediram para não irmos

embora e, para que iniciássemos um trabalho naquela cidade,

23

nos ofereceram casa e local para a futura congregação. Mas era

hora de ir embora e tínhamos que encarar nossa nova formação

familiar de uma vez por todas.

Retornamos para o Rio de Janeiro e voltamos à nossa vida

cotidiana, eu estava prestes à retornar também ao Seminário

Peniel onde cursaria o segundo ano. Tudo transcorria

aparentemente normal, tentávamos levar a vida, mas, em

determinados momentos, irrompíamos num choro incontido, a

saudade apertava e nos deprimia... nada porém abalava nossa fé

em Jesus Cristo, e, por falar em fé, o Pastor Adriano logo nos

primeiros dias de nosso retorno convidou-me para pregar num

Domingo, seria a minha primeira pregação pública, como fazer

? , só havia pregado no Seminário, nos intervalos na capela,

entre alunos e professores, mas na Igreja... não sabia do que

falar e o Espírito Santo começou a falar comigo durante toda a

semana sobre fé, nos ônibus, no trabalho, na rua... via-me nas

passagens da Bíblia como participante do fato. O dia chegou, a

Igreja cheia, terno novo ( dado por meu sogro, incomodado com

a gravata, suando frio e... 15 minutos de pregação, apelo e duas

almas se renderam a Jesus chorando. Ho, Glória !!!

“ Nunca vi o justo desamparado nem sua descendência

mendigar o pão... “

Sl 37.25

Nem bem iniciaram-se as aulas no Seminário, o Sr. Edson,

meu patrão na gráfica onde trabalhava como desenhista,

chamou-me à sua sala e com os olhos cheios de lágrimas deu-

me a notícia de minha demissão, o motivo era de que a gráfica

passava por uma grande crise e seria necessário cortar algumas

“ despesas “ e seu irmão, espírita que nunca me olhou com bons

olhos por ser avangélico e por Sr. Edson gostar tanto de mim,

determinou como majoritário a minha demissão. Lógico que

levei um choque inicialmente, à menos de um mês atrás havia

perdido meu filho e agora perdia meu emprego... por isso o

Espírito Santo falara-me tanto de fé, estava me preparando para

o que havia de vir...

24

Quando retornei de Marataízes, aluguei minha casa para a

filha de uma irmã da igreja, pois desejava tirar Eliane e

Andrews, que assistira o acidente fatal de Allison, do local do

acidente e com o dinheiro deste aluguel, interava um pouco

mais e pagava o aluguel de um apartamento, agora sem

emprego seria mais difícil, mas com em um mês tirar minha

inquilina e devolver o imóvel onde estava ? Mais uma vez teria

que contar com Deus e sabia que não me faltaria !!!

Desempregado, Eu e Eliane fizemos as contas, teríamos

que cortar algumas coisas e a primeira despesa a ser cortada “

cortou “ meu coração, o seminário e para isso precisava

comunicar ao Pastor Adriano. Fui até ele:

Eu: - Pastor, perdi meu emprêgo, estou pagando aluguel e não

terei condições de pagar o seminário, por isso vim comunicar ao

senhor que trancarei a matrícula.

Pastor: _ Irmão Luiz, se esta igreja não pagar seu seminário, eu

pago do meu bolso.

A igreja não só pagou meu seminário como pagou as

passagens e o lanche diário, isso pelos dois anos restantes. Foi

bom, mas durante aqueles meses, todos os dias ao chegar do

seminário, por volta de meia-noite à uma hora da madrugada,

encontrava Eliane sentada no sofá em estado de choque e

Andrews sentado ao seu lado me esperando. Eu a pegava no

colo ( como pesava ! ), a colocava na cama com Andrews e

orava até que dormissem. Por volta de uma e meia, duas horas

estava jantando para, antes de dormir, estudar ou fazer os

trabalhos do seminário... mas resistimos, todos nós ...

Andrews se sentia muito sozinho, pois estava acostumado

ao irmão e começou a nos cobrar “ outro irmãozinho “, nada

que não pudéssemos tentar se minha esposa não sofresse de

uma enfermidade no sangue ( Toxoplasmose ) que a

impossibilitava de engravidar e, se acontecesse, com menos de

tres meses abortava expontâneamente... mas, devido a

insistência de Andrews, resolvemos orar. Realmente minha

esposa engravidou, mas com tres meses houve o aborto devido

25

a um “ toque “ feito de forma incorreta e, segunda a doutora,

seria uma menina.

Andrews continuava insistindo em Ter outro irmãozinho,

nós continuávamos orando e esta última gravidez perdida nos

fez sentir que somente um novo milagre faria com que nosso

desejo fosse atendido e os dias e meses iam passando.

Depois de alguns meses Eliane queixou-se de um mal-estar

e, por ser cardíaca, resolvemos ir ao médico. Após os exames o

médico, um tanto quanto surpreso nos deu a notícia: _ A

senhora está grávida. A notícia trouxe-nos um misto de alegria e

apreensão, o médico solicitou os exames de praxe que logo

foram feitos, aí sim constatamos o grande milagre do Senhor,

Eliane estava grávida de cinco meses ( passara do período

abortivo ), não sentira nada durante estes cinco meses e nem

barriga aparecia !!! Jesus ouviu nossas oração e a petição de

Andrews, embora a gravidez fosse de alto risco, agora só

restava esperar...

Minha casa que estava alugada para uma irmã da igreja que

lá instalou sua filha, tudo transcorria bem, a irmã pagava em dia

e com meus biscates dava para pagar o outro aluguel, só que,

faltando tres meses para o término do meu contrato, resolvemos

pedir de volta o imóvel para que pudéssemos retornar e levar

uma vida um pouco menos apertada. Conversamos com a irmã

e demos os mesmos tres meses para que encontrasse outro

imóvel, o que ela concordou ( pelo menos nos pareceu assim ),

os dias e meses foram se passando e nada da irmã deixar a casa.

A situação chegou a um ponto extremo, eu já não podia

pagar o aluguel com a mesma facilidade, a irmã me dizia que

não estava achando outro imóvel e os dias corriam rapidamente,

e eu precisava de uma solução. Pensei ter achado a solução:

como faltavam poucos dias para o fim do prazo resolvemos nos

mudar provisóriamente para um quarto pequeno na casa de meu

sogro, mas... onde guardar nossos móveis ? Fui conversar com a

filha da irmã, que não era cristã, e pedi licença para colocar

meus móveis no quintal, embaixo de um telheiro que eu havia

feito para trabalhar ( e de onde meu filho caiu ), o que ela

prontamente consentiu.

26

Arrumei a mudança. Um irmão da igreja com sua Kombi

nos ajudou e mesmo com a moça ausente ( embora com o

consentimento de sua parte ), colocamos os móveis embaixo do

telheiro de forma que não atrapalhasse em nada. Era uma

Quarta feira e na Quinta à noite fomos para o culto da igreja. O

culto estava uma bênção e nós, como de costume, estávamos

sentados no último banco, quando o Pastor auxiliar me chamou

ao Gabinete Pastoral. Ao entrar solicitou-me que sentasse e foi

de pronto me perguntando por que “ eu tinha tomado a atitude

de invadir a casa que alugara para a irmã e tirar os móveis dela

para fora “. Eu levei um grande susto com a acusação sem

precedentes e pedi para explicar e lhe fiz saber que aqueles

móveis eram meus e não da irmã e que não invadira a casa,

somente colocara os meus móveis no quintal com o

consentimento da minha inquilina. O Pastor não entendeu nada

mas pediu-me para resolver a situação o mais rápido possível.

Imediatamente voltei ao templo, peguei minha esposa e

fomos para casa procurar a inquilina que nos recebeu com

ironias e inclusive negou descaradamente que eu tinha falado

com ela, só que eu tinha testemunhas...

Para fugir do mal, no dia seguinte retirei meus móveis e

coloquei parte na varanda da casa de meu sogro, parte na

garagem de uma irmã que era vizinha e outra parte dividiu o

espaço do quartinho onde nós estavamos e os móveis de uma

sobrinha que iria casar em breve. Julgamos que tal fato

apressaria a saída da inquilina, nos enganamos...

Depois de alguns dias descobrimos que a irmã ( a mãe ) havia,

aos prantos, me acusado, em pleno culto de oração, quinta de

manhã, de Ter invadido a casa de sua filha e colocado os

móveis dela para fora, de ter arrancado cordas do varal e até

mesmo jogado roupas lavadas no chão ( não havia nada no varal

) e, como se não bastasse fez uma comissão de seis irmãs para “

verem e testemunharem “ o que eu supostamente havia feito.

Tais irmãs foram com ela e viram os meus móveis achando que

eram os da filha da irmã ( acreditaram na palavra dela ) e como

tinham muita influência passei por mau-caráter.

27

Bem que havia percebido as feições de algumas irmãs para

mim, verdadeiras caras feias me foram legadas e eu inocente de

nada suspeitava. Mas não parou por aí... a irmã, a cada dia que

passava me acusava de alguma coisa que não havia feito e à

cada acusação eu era chamado ao gabinete pelo Pastor

Presidente que, ao terminar de me chamar a atenção e de me

falar das acusações da irmã ( não sem antes mencionar o

quanto a irmã era correta com seus dízimos ), perguntava se eu

tinha alguma coisa para dizer ou se gostaria de me defender, ao

que eu respondia todas as vezes, depois de ouvir tudo calado: _

O Senhor é o meu juiz, não vou me defender, pois tenho quem

me defenda, na hora certa Jesus fará justiça. O Pastor não

entendia porque não respondia a nenhuma das acusações, mas

nós todos os dias dobrávamos nossos joelhos, Eliane, grávida,

Andrews, com 5 anos e eu, e pedíamos a Deus uma solução

honrosa para tal situação...

Por conta de toda esta confusão, a inquilina continuava na

casa, agora já por “ pinima “ e, enquanto isso, Eliane já nos

últimos dias de gravidez dormia entre duas camas de solteiro

encostadas com o Andrews e eu dormia espremido entre estas

camas e um móvel, não podia nem mesmo me virar...

Bem próximo de Eliane ter a criança, quatro meses depois

da confusão, o marido da irmã ( não cristão ), que até agora não

havia se pronunciado, me procurou e fez um acordo de me

entregar a casa em uma semana, aguardei esperançoso. Uma

semana depois a mudança da moça saía e o pai dela veio

entregar-me a chave:

Senhor X ( para preservar o senhor ): _ Senhor Luiz, aqui está a

sua chave e o valor deste mês.

Eu: _ Eu lhe agradeço por ter cumprido a sua palavra, mas, não

gostaria de receber nem as chaves e nem o dinheiro agora e sim

no Domingo, na frente do meu Pastor para que ele saiba de sua

boca que está tudo encerrado.

Na mesma hora ele concordou e no Domingo de manhã lá

estava o Senhor X na igreja me procurando. Fomos ao Pastor

auxiliar, pois o Pastor Presidente estava de férias:

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Eu: _ Pastor, este é o Senhor X, pai de minha inquilina e esposo

da irmã G. Ele veio entregar a chave de minha casa e pedi para

que o fizesse perante o senhor.

Senhor X: _ Pastor, além de entregar a chave eu gostaria de

pedir perdão ao Sr. Luiz por tudo e por todas as mentiras que

minha esposa e minha filha lançaram sobre ele e sua esposa.

Gostaria que o senhor soubesse que nada do que falaram é

verdade e que este rapaz realmente é um homem de Deus, pois

aguentou tudo calado e jamais repondeu ou tratou mal a elas,

elas inventaram tudo. A esposa do irmão é a mais prejudicada

nisto tudo, pois está grávida e peço desculpa a ela também.

Neste momento o Pastor chorou, eu também e até o senhor

X se encheu de lágrimas. Deus estava fazendo justiça !!!

Imediatamente fomos para a casa orar e ao entrarmos a

encontramos em peticão de miséria. Não sei se de propósito ou

não, minha casa estava cheia de buracos enormes nas paredes,

tinha crostas de Henneé no vaso sanitário e até na lâmpada do

banheiro, a pia da cozinha precisaria ser trocada e o piso era só

sujeira... ainda assim oramos e agradecemos a Deus pela

bênção. Dali a alguns dias minha esposa daria a luz e meu filho

já estaria na casa dele.

Melhorei como pude a casa e mudamos, dias depois Eliane

foi para o Hospital da Praça XV com os sinais do nascimento,

Eliane subiu sozinha, pois lá não se pode acompanhar e fiquei

embaixo aguardando as notícias. Vinte minutos depois o

Recepcionista manda que eu suba para falar com o médico,

fiquei assustado, que seria agora ?

Por ser cardíaca e ter Toxoplasmose, eu já sabia que a gravidez

era de risco, mas as implicações eram muitas e, por isso, o

médico pediu-me para assinar um “ Termo de Responsabilidade

“, pois deveria “ ligar “ as trompas de Eliane para que no futuro

não enfrentasse outra gravidez de risco, assinei e desci.

Recebi a notícia de que ela entraria na sala de cirurgia e que

eu aguardasse em casa e ligasse mais tarde, assim o fiz. Mais

tarde liguei e recebi a resposta do nascimento de meu filho, que

estava bem e que poderia vê-lo, já Eliane... Eliane havia tido “

complicações “ na hora do parto, estava em observação e seu

estado inspirava cuidados, corri para o hospital.

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Consegui ver meu filho. Lindo, robusto e muito saudável. A

enfermeira me confidenciou que o parto fôra muito difícil pois

Eliane havia tido um ataque cardíaco durante a cirugia e “

espumou “ de dentro para fora, disse-me ainda que embora o

parto em si tenha durado apenas vinte minutos, Eliane tinha

ficado quase oito horas na mesa com os médicos tentando

salvar a sua vida. Procurei o chefe da enfermaria, expliquei a

situação e, contra o regulamento, me autorizou a vê-la por dez

minutinhos.

Entrei no quarto, pois por causa de seu estado não a puseram

numa enfermaria e a encontrei já acordada, meio tonta, mas

ciente de tudo. Abracei-a, beijei-a e a parabenizei por sua

bravura e força, disse-lhe o quanto nosso filho era lindo, passei

com ela os “ dez minutinhos “, orei e fui para casa. Sua

recuperação foi tão boa que no dia seguinte à tarde já estava de

alta. Foi uma festa sua chegada em casa. No mesmo dia

discutimos o nome e chegamos a conclusão de que se chamaria

Aymon, nome de Tut-Aymon ou Tutancâmom, faraó

egípicio, mas como não consultamos a Deus sobre isso, o

Tabelião não aceitou registrá-lo com este nome a menos que eu

provasse com alguma coisa onde estivesse escrito tal nome...

eu tinha uma revista ( na época a “ Geográfica “ ) e não

consegui achá-la. Resolvemos orar e pedir a Deus um nome e

Ele nos deu: Amom ( Bem próximo de Aymon ), e assim

chamou-se o menino Amom Luiz ( costumo brincar que Luiz é

uma pequena homenagem ao pai... ).

Não preciso dizer que Andrews ficou radiante com o novo

irmãozinho e, ciumento, não deixava que qualquer um o tocasse

e não saía de perto de Amom.

“ Se creres verás a glória de Deus. ”

Jo 11.40

Já se haviam passado dois anos depois de minha demissão,

eu continuava desempregado e Amom já tinha completado um

ano de idade, apesar de tudo, as coisas estavam normais, dentro

do possível. Mas uma coisa viria acontecer para “ quebrar “ a

calmaria. Eliane, devido as muitas lutas, esteve um pouco “

30

dispersa “ da igreja e eu também confesso que estava um pouco

cansado das lutas, do desemprego e tudo o mais, Amom

adoeceu, parecia muito cansado e tinha febre, levamo-o ao

médico, Dr. Neidnaldo, o mesmo que nos atendia a anos, e ele

nos deu o prognóstico: “ Crup “ , ou seja, inflamação da

traquéia o que poderia levar a morte se chegasse até a entrada

dos pulmões, e o pior... não existia ainda no Brasil uma vacina e

a única forma de se matar o vírus seria com um vôo à dez mil

pés de altura, este vôo era dado semanalmente por militares do

Campo dos Afonsos, só que estavam suspensos devido ao

racionamento de combustível: Amom estava condenado à

morte...

Dr. Neidnaldo era super-competente e confiávamos

plenamente nossa saúde a ele, querendo ajudar e salvar o

menino, perguntou-nos se confiávamos nele e diante de nossa

afirmativa pediu-nos permissão para tratar do menino com um “

coquetel “ de medicamentos para tentar matar o vírus,

concedemos e entregamos a vida do Amom nas mãos de Deus e

do Dr. Neidnaldo. O menino passava os dias totalmente tonto e

não nos parecia melhorar, mas confiávamos na cura e

orávamos, voltamos a Ter a mesma fé ardorosa do princípio e

quinze dias após, Amom voltava a se alimentar normalmente e

a mostrar os sinais da cura. Jesus agira novamente e livrara

nosso filho da morte. Aleluia !!!

Ficamos cada vez mais firmes na igreja mas nossa situação

financeira estava muito difícil e só não passamos fome devido

a ajuda da irmã Damaris e seu esposo Toninho que diariamente

supría-nos com alimentação e isso durante um ano ! Deus os

abençoe !!! E também de outros irmãos que constantemente

colocavam dinheiro em meu bolso, do meu sogro que todo o

mês nos dava um salário e das irmãs que me davam bolsas de

alimentos.

Pastor Adriano fez um apêlo na Igreja de que precisava de

seis irmãos que estivessem desempregados e que desejassem

trabalhar como servente na obra da igreja, sem pestanejar

levantei a minha mão e aceitei o trabalho. As irmãs de oração,

agora de bem comigo, se levantaram em grupo para pedir ao

Pastor que não deixasse que eu trabalhasse como servente

31

devido a minha posição de seminarista e canditato ao Pastorado,

pedi a palavra e as fiz ver que necessitava trabalhar pois tinha

contas à pagar e família para sustentar, que não aparecia

emprego e nem biscates e minha situação era precaríssima (

como todos sabiam ). À contra-gosto aceitaram minhas

argumentações e no dia seguinte chegava a igreja às sete horas

da manhã o “ mais novo peão do pedaço “.

Uma semana de trabalho e a outra semana de febre e dores

no corpo, mas retornei e fiquei firme e forte. Com dois meses

de trabalho, fui procurado por um jovem chamado Manoel,

conhecido meu, de outra igreja, pedindo-me que conseguisse

para ele uma vaga na obra pois precisava trabalhar devido a ele

e seus, se não me engano, nove irmãos e mãe estavam passando

por aperto financeiro e tinha dias de não ter o que comer. Tentei

conseguir a vaga, mas não tinha, o que fazer ? Conhecia aquela

família e sabia de sua necessidade... dei minha vaga para ele,

apesar da minha necessidade. Dois dias depois o Mestre-de-

obras manda me chamar para retomar minha vaga. Pois o rapaz

não tinha suportado tamanho esforço, retornei e como prêmio a

minha disposição de dar a minha vaga para outro mesmo

necessitando, o Pastor mandou me pagar os dois dias que estive

fora. Deus é fiel !!! Gostaria de ressaltar a garra de Eliane, pois

neste período de trabalho na obra ela passou a fazer comida e a

receber em nossa casa os trabalhadores da obra e com isso

ajudava tremendamente em nosso orçamento.

Sabe... todas as coisas que passamos nos deram uma grande

experiência de vida, aprendemos a viver no “ aperto “ e a

confiar nossas necessidades à Jesus.

Quando pensávamos que agora estaríamos tranquilos,

aprouve à Deus provar-nos de novo. Algum tempo depois,

quando já não mais trabalhava na obra e me encontrava de

férias, Amom, agora com 2 anos, passou toda a noite com febre

muito alta e convulsões, Eliane tentou de todas as formas

debelar a febre e, sem conseguir, acordou-me. Sem carro em

casa ou mesmo parentes ou vizinhos que nos socorressem,

resolvemos orar e entregar o menino à Deus e ao amanhecer o

levaríamos ao médico.

32

Durante a madrugada de oração, o Senhor falou-me

claramente que o menino estava com Meningite, assustei-me,

disse ao Senhor, em espirito, que não aceitava, que não

suportávamos mais tragédias e que eu não aguentaria e nem

minha esposa, mas Deus é soberano e é Ele quem determina a

vida e a morte... continuei orando desta forma até o amanhecer

e, assim que clareou o levamos ao médico. Na clínica atendeu-

nos uma médica que ao examiná-lo minuciosamente disse-nos:

Médica: _ Mãe, vocês devem levá-lo imediatamente para o

Hospital São Sebastião, seu filho está com Meningite

Hemorrágica e já está muito adiantada...

Instantâneamente caí sentado, branco e passando mal e

precisei ser medicado com urgência. Eliane, a fortaleza, ligava

para o pastor e pedia ajuda para levar-nos ao hospital.

Em poucos minutos o genro do Pastor chegava e corria

conosco para o hospital indicado e lá chegando fomos

prontamente atendidos e Amom examinado. O médico

assustou-se com o estado visual de Amom, pois a hemorragia já

havia tomado conta de todo o seu corpo, imediatamente

retiraram um líquido de sua coluna para exame e foi constatado

o último grau da doença, o médico nos chamou:

Médico: _ O estado de seu filho é gravíssimo. A doença evoluiu

rapidamente e já está no último grau.

Não sou de enganar ninguém, vou colocá-lo no CTI, mas o

menino

tem,

no

máximo

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