Amante Desperto por J. R. Ward - Versão HTML

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J. R. Ward

Amante Desperto

Série Adaga Negra - Vol. 3

Disponibilização/Tradução/Pesquisa: Yuna, Gisa, Mare e Rosie

Revisão: Joelma

Revisão Final: Táai

Formatação: Gisa

PROJETO REVISORAS TRADUÇÕES

Nas sombras da noite no Caldwell, New York, inicia-se uma guerra mortífera entre vampiros

e seus assassinos. Mas, existe também uma Fraternidade secreta que não pode ser comparada a

nenhuma outra que tenha existido — seis guerreiros vampiros, protegendo sua raça. Destes,

Zsadist é o mais assustador membro da Irmandade da Adaga Negra.

Zsadist, que durante séculos foi um escravo de sangue, ainda carrega as cicatrizes de um

passado forjado à base de sofrimento e humilhação. Conhecido pela sua insaciável raiva e

sinistros atos, é um selvagem, temido igualmente entre os seres humanos e vampiros. A raiva

é sua única companheira e o terror sua única paixão... Até que ele resgata uma bela aristocrata

da Sociedade do mal Lessers.

Bela se sente enfeitiçada de imediato pelo ardente poder que emana de Zsadist. Porém, quando

o desejo de ambos começa a consumi-los a irrefreável sede de vingança que Zsadis sente pelos

torturadores de Bela o leva ao limite da loucura. Agora, Bela deve ajudar seu amante a superar

as feridas de seu atormentado passado e encontrar um futuro junto a ele...

Adaga Negra 03

CAPÍTULO I

— Maldito seja, Zsadist! Não salte…

A voz de Phury apenas se escutou por cima do som da batida do carro diante deles. E, isso

não deteve seu gêmeo que saltou do Escalade enquanto iam a cinqüenta milhas por hora.

— V, ele está lá fora! A um e oitenta de nós!

O ombro de Phury golpeou ruidosamente contra a janela quando Vishous derrapou

controladamente com o SUV. Os faróis dianteiros se balançaram e Z rolou sobre o asfalto coberto

de neve como uma bola. Uma fração de segundo mais tarde, arrastou seu traseiro e se levantou

sobre seus pés, indo à caça do sedan dentado que agora tinha um pinheiro como enfeite sobre a

capota.

Phury vigiou seu gêmeo e tirou o cinto de segurança. Os lessers que estavam perseguindo no

limite rural de Caldwell poderiam ter acabado com seu maldito passeio segundo as leis da física,

mas isso não significava que estivessem fora de serviço. Aqueles bastardos não mortos eram

duradouros.

Quando o Escalade parou, Phury abriu apressadamente a porta enquanto pegava seu bastão.

Não sabia quantos lessers havia no carro ou que tipos de munições levavam. Os inimigos da raça

dos vampiros viajavam em grupos e sempre iam armados — Santo inferno! — Três dos assassinos

de cabelos claros tinham saído e só se via o cambaleante condutor.

As pequenas probabilidades não detiveram Z. Era um maníaco suicida, que se dirigia

diretamente para o trio de não mortos com apenas uma adaga negra em sua mão.

Phury se moveu rapidamente através da estrada, escutando Vishous correr pesadamente

atrás dele. Mas não eram necessários.

Enquanto as silenciosas rajadas de ar formavam redemoinhos e o doce aroma de pinheiro se

mesclava com o escapamento de gás do destroçado carro, Z derrubou aos três lessers apenas com

a faca.

Cortou-lhes os tendões posteriores dos joelhos para que não pudessem correr, rompeu-lhes

os braços para que não pudessem se sustentar, e os arrastou pelo chão até que ficaram alinhados

como se fossem horríveis bonecas.

Levou-lhe quatro minutos e meio, incluindo despojá-los de suas identificações. Então,

Zsadist fez uma pausa para tomar fôlego. Quando olhou para baixo, ao gordurento sangue negro

derramado que manchava a branca neve, o vapor se elevava sobre seus ombros, uma aprazível

névoa jogava com o frio vento.

Phury colocou o bastão na cartucheira de seu quadril e se sentiu enjoado, como se tivesse

comido seis pacotes de bacon gordurento. Esfregando o peito, olhou a sua esquerda, a Rota 22

estava mortalmente tranquila esta noite e estar fora dos subúrbios de Caldwell era adequado. As

testemunhas humanas seriam improváveis. Os cervos não falam.

Sabia o que viria depois. Sabia que era melhor não tentar detê-lo.

Zsadist se ajoelhou sobre um dos lessers, sua cara com cicatrizes deformada pelo ódio, seu

destroçado lábio superior se torcendo para trás, suas presas largas como as de um tigre. Com o

cabelo raspado e os ocos sob suas maçãs do rosto, parecia o Grim Reaper1, e como a morte,

trabalhava cômodo com o frio. Vestia apenas um pulôver de gola alta e calças folgadas negras, ia

mais armado que vestido: a pistola negra, marca registrada da Irmandade da Adaga Negra

1 Nota da revisora: é o anjo designado para remover a alma dos seres humanos.

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Adaga Negra 03

cruzada sobre seu peito e mais duas facas, amarradas com uma correia sobre suas coxas. Também

usava um cinturão com dois SIG Sauers.

Não é que nunca usasse os nove milímetros. Quando matava, gostava de fazê-lo

pessoalmente. Na realidade, era o único momento em que se aproximava de alguém.

Z agarrou ao lesser pelas lapelas de sua jaqueta de couro e golpeou com força o tórax do

assassino sobre o chão, obtendo um estreito boca a boca.

— Onde a mulher está? — quando não obteve mais resposta que um malvado sorriso, Z

levantou sem consideração ao assassino. O estalo ecoou através das árvores, um som duro como o

de um ramo que se quebra ao meio — Onde a mulher está?

O assassino burlou-se sorrindo abertamente, então a raiva de Z elevou-se tanto que fez seu

próprio círculo ártico. O ar ao redor de seu corpo carregou-se magneticamente e tornou-se mais

frio que a noite. Os flocos de neve não caíam a seu redor, como se se desintegrassem com a força

de sua cólera.

Phury escutou um som estridente e olhou sobre seu ombro. Vishous estava acendendo uma

bomba caseira, as tatuagens em sua têmpora esquerda e o cavanhaque ao redor de sua boca

destacavam-se sobre o brilho alaranjado.

Ante o som de outra pequena explosão, V respirou profundamente e fez rodar seus

diamantinos olhos.

— Está bem, Phury?

Não, não estava. A natureza selvagem de Z sempre era matéria de um conto de horror, mas

ultimamente fez-se tão violento que era duro olhá-lo em ação. Um poço sem fundo, sem alma

depois que Bela tinha sido seqüestrada pelos lessers.

E, ainda não a tinham encontrado. Os Irmãos não tinham nem pistas, nem informação, nada.

Inclusive com o duro interrogatório de Z.

Phury estava confuso sobre o rapto. Não conhecia Bela o suficiente, mas tinha sido

encantadora, uma mulher que andava no mais alto nível dentro da aristocracia de sua raça.

Entretanto, para ele tinha sido mais que sua linhagem. Muito mais. Ela tinha ido mais à frente do

homem sob a disciplina de seu voto de celibato, removendo algo profundo. Estava tão

desesperado quanto Z por encontrá-la, mas depois de seis semanas, tinha perdido a fé de que

tivesse sobrevivido. Os lessers torturavam aos vampiros para obter informação sobre a Irmandade

e como todos os civis ela sabia pouco sobre os Irmãos. Certamente agora estava morta. Sua única

esperança é que não tivesse agüentado dias e dias infernais antes de falecer.

— O que fizeram com a mulher? — grunhiu Zsadist ao seguinte assassino. Quando tudo o

que lhe disse foi um “Foda-se”, Z pegou a Tyson e golpeou ao bastardo.

Por que Zsadist se preocupava com uma mulher civil, ninguém na Irmandade podia

entender. Conheciam-no por sua infernal… Misoginia, temiam-lhe por isso. Por que se importava

com Bela era o que todos se perguntavam. Entretanto, ninguém, nem Phury, como seu gêmeo,

podia predizer as reações do homem.

Enquanto o eco do brutal trabalho de Z era isolado pelo bosque, Phury sentiu-se quebrar

pelo interrogatório enquanto o lesser se mantinha firme e não dava nenhuma informação.

— Não sei quanto mais poderei agüentar disto. – disse em um sussurro.

Zsadist era o único a quem tinha na vida, à parte da missão de proteger à Irmandade da raça

dos lessers. Cada dia Phury se deitava sozinho e não dormia, absolutamente. A comida dava-lhe

pouco prazer. As mulheres estavam descartadas devido a seu celibato. E, cada segundo estava

preocupado pelo que Zsadist faria e quem seria ferido no processo. Sentia como se estivesse

morrendo por mil cortes, sangrando lentamente. Por intermédio de todas as cruéis intenções de

seu gêmeo.

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Adaga Negra 03

V estendeu a mão enluvada e apertou a garganta de Phury.

– Olhe-me, homem.

Phury o olhou e encolheu-se. O olho esquerdo do Irmão, que tinha as tatuagens a seu redor,

dilatado até não ver-se mais que um negro vazio.

— Vishous, não… Eu não… — merda. Não tinha por que inteirar-se de seu futuro agora

mesmo. Não sabia como dirigiria o fato de que as coisas só fossem piorar.

— A neve cai devagar esta noite. — disse V, esfregando o polegar para frente e para trás

sobre sua grosa veia jugular.

Phury piscou quando a tranqüilidade chegou, seu coração desacelerou ao ritmo do polegar

de seu Irmão.

— O que?

— A neve… Cai muito devagar.

— Sim… Sim, faz.

— E, tivemos muita neve este ano, verdade?

— Uh… Sim.

— Sim… Muita neve e vai haver mais. Esta noite. Amanhã. O mês que vem. No próximo

ano. As coisas vêm quando vêm e caem onde caem.

— Assim é. — disse Phury brandamente — Não há nada que o pare.

— Não, a menos que você seja o pedaço de terra. — o polegar se deteve — Meu Irmão, não

vejo você como um pedaço de terra. Não o deterá. Nunca.

Uma série de pequenas explosões e brilhos apareceu quando Z apunhalou ao lesser no peito

e os corpos se desintegraram. Então, só restou o apito do radiador do carro destroçado e a pesada

respiração de Z.

Como uma aparição, levantou-se do enegrecido chão, o sangue dos lessers manchava seu

rosto e seus antebraços. Sua aura era uma brilhante neblina de violência que deformava a

paisagem que tinha atrás, o bosque atrás dele estava ondulante e impreciso emoldurando seu

corpo.

— Vou ao povoado. — disse ele, limpando seu punhal na coxa – Procurar mais.

Antes que o senhor O voltasse a caçar vampiros, liberou a trava de segurança da sua nove

milímetros Smith & Wesson e olhou no interior do canhão. A arma precisava de uma limpeza e

seu Glock também. Uma droga que quisesse fazer, mas apenas um idiota permitiria que seu zelo

diminuísse. Infernos, os lessers tinham que estar bem armados. A Irmandade da Adaga Negra não

era a classe de objetivo com o qual se descuidar.

Caminhou através do quarto de tortura, fazendo um pequeno desvio ao redor da mesa de

autópsias que utilizavam para seu trabalho. A distribuição da sala não tinha nenhuma separação,

o piso estava sujo, mas como não havia janelas, o vento, em sua maior parte, mantinha-se fora.

Havia uma cama de armar onde dormia. Uma ducha. Nenhuma privada ou cozinha porque os

lessers não comiam. O lugar ainda cheirava a madeira fresca, por que o tinham construído fazia

apenas um mês e meio.

O único acessório fixo eram as estantes que se estendiam das sujas vigas descendo por toda a

parede de quarenta pés de comprimento. Os instrumentos estavam colocados, cuidadosamente

limpos, em vários níveis: facas, parafusos de segurança, tenazes, martelos. Se havia algo que

pudesse arrancar um grito de dor de uma garganta, eles o tinham.

Mas, o lugar não só era para a tortura, utilizava-se também como armazém. Manter

vampiros prisioneiros durante um tempo era um desafio, por que eles podiam fazer “Poof…

Desapareci!” diante deles, se fossem capazes de estar calmos e concentrarem-se. O aço impedia o

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Adaga Negra 03

ato de desaparecer, mas uma cela com barras não os protegeria da luz do sol e uma sala de aço no

edifício era pouco prática. Funcionava bastante bem, embora fossem uns jogos de tampas de boca-

de-lobo metálicos colocados verticalmente no chão. Ou três deles, como era o caso.

O teve a tentação de ir às unidades de armazenagem, mas sabia que se o fizesse, não

retornaria à caça e tinha cotas a cumprir. Ser o Fore-lesser, segundo na hierarquia tinha alguns

atrativos extras, como ter acesso a este lugar. Mas se tinha a intenção de proteger sua privacidade,

teria que ter um desempenho adequado.

Significava que tinha que cuidar de suas armas, mesmo que preferisse estar fazendo outras

coisas. Separou com uma cotovelada um estojo de ferramentas, pegou a caixa de limpeza da

pistola, e aproximou um tamborete à mesa de autópsias.

A única porta do lugar se abriu de repente sem nenhuma batida. O olhou sobre seu ombro,

mas quando viu quem era, obrigou-se a reduzir a expressão de chatice ao mínimo.

O Senhor X não era bem-vindo, mas ele era o responsável pela Sociedade dos Lessers e não

podia negar-se. Só por razões de auto-preservação.

De pé sob a luz da lâmpada, o Fore-lesser não era um bom oponente se quisesse permanecer

inteiro. De um metro e noventa, era como um carro: quadrado e duro. E, como todos os membros

da Sociedade que tiveram sua iniciação há muito tempo, era totalmente pálido. Sua pele branca

nunca ruborizava e não conseguia bronzear-se. Seu cabelo era branco, os olhos de cor cinza clara

como um céu nublado e igualmente sem brilho e neutros.

Com um passo informal, o Senhor X começou a olhar ao redor, não observando a disposição

dos objetos, mas procurando.

— Disseram que você conseguiu outro.

O deixou a barra de limpar a arma e analisou as armas que usava agora. Uma faca para

lançar sobre sua coxa direita. Uma Glock na zona lombar. Sentia não ter mais.

— Agarrei-o no centro da cidade faz uns quarenta e cinco minutos fora do ZeroSum. Está em

um dos buracos, perto daqui.

— Bom trabalho.

— Penso em sair outra vez. Agora mesmo.

— De verdade? — o Senhor X parou diante das estantes e pegou uma faca de caça denteada

— Sabe, ouvi algo que é bastante alarmante.

O seguiu seu apagado falatório e colocou a mão sobre sua coxa, aproximando a lâmina mais.

— Não vai perguntar o que é? — disse o Fore-lesser enquanto caminhava sobre as três

unidades de armazenagem do chão — Talvez por que já sabe o segredo.

O escamoteou a faca em sua mão enquanto o Senhor X se atrasava sobre as redes metálicas

que cobriam o alto dos tubos de rede de esgoto. Não dava nada pelos dois primeiros cativos. O

terceiro não era assunto dele.

— Nenhuma vaga, Senhor O? — a ponta da bota do Senhor X tamborilava dando batidinhas

contra um dos jogos de cordas que desapareciam debaixo de cada um dos buracos — Pensava que

tinha matado dois depois de perceber que não tinham nada que valesse a pena dizer.

— Fiz.

— Então com o civil que agarrou esta noite, deveria haver um tubo vazio. Em troca, isto está

lotado.

— Agarrei outro.

— Quando?

— Ontem à noite.

— Mentira. — o Senhor X começou a levantar a coberta da terceira unidade.

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Adaga Negra 03

O primeiro impulso de O foi levantar-se, dar dois passos longos e rápidos e perfurar a

garganta do Senhor X com a faca. Mas, não poderia fazê-lo nem de longe. O Fore-lesser tinha o

elegante truque de poder congelar aos subordinados no lugar. E, tudo o que tinha que fazer era

olhá-lo.

Então, O ficou quieto, tremendo pelo esforço de manter seu traseiro sobre o tamborete.

O Senhor X tirou uma caneta-lanterna de seu bolso, acendendo-a e a dirigiu para o buraco.

Quando um amortecido grito saiu, seus olhos se abriram de par em par.

— Jesus Cristo, realmente é uma fêmea! Por que demônios não me disseram isso.

O ficou de pé devagar, deixando a faca pendurar pela coxa, entre as dobras de sua calça de

cargo.

— É nova. — disse ele.

— Não foi isso o que ouvi.

Com passos rápidos, o Senhor X foi ao banheiro e retirou a cortina de plástico transparente.

Com uma maldição, chutou os fracos de xampu e o óleo que estavam alinhados na esquina. Então

foi ao armário das munições e tirou a geladeira portátil que estava oculta atrás deles. Virou-a e a

comida caiu de repente ao chão. Como os lesser não mastigavam nem engoliam, estava tão claro

como qualquer confissão.

A pálida face do Senhor X estava furiosa.

— Esteve mantendo uma mascote, não é verdade?

O considerou negá-lo enquanto media a distância entre eles.

— É valiosa. Uso-a nos interrogatórios.

— Como?

— Os homens da espécie não gostam de verem fêmeas feridas. É um estímulo.

Os olhos do Senhor X se estreitaram.

— Por que não me disse nada?

— Este é meu centro. Você deu-me para dirigi-lo como quisesse. — e quando encontrasse o

desgraçado mexeriqueiro, ia rasgar o bastardo em tiras — Cuido do negócio aqui e você sabe. Não

deveria importar-se como trabalho.

— Deveria ter dito isso. — bruscamente, o Senhor X lhe disse — Está pensando fazer algo

com essa faca na mão, filho?

Sim, papai, na realidade penso em fazer.

— Sou o responsável aqui ou não?

Quando o Senhor X trocou o peso sobre seus pés, O se preparou para o choque.

Mas, o telefone celular tocou. O primeiro toque soou estrondoso no tenso ambiente, como

um grito. O segundo soou menos que uma intrusão. E o terceiro não o deixou BDF2.

Enquanto sua mente desbaratava-se, O se deu conta de que não estava pensando claramente.

Ele era um tipo grande e um lutador malditamente bom, mas não era competidor para os truques

do Sr. X. E se O fosse ferido ou morresse, quem cuidaria de sua esposa?

—Atenda. — ordenou-lhe o Senhor X — E, ponha no viva-voz.

As informações eram de outro dos Primes. Três lessers tinham sido eliminados próximos a

uma estrada a duas milhas de distância. Seu carro tinha sido encontrado embaixo do tronco de

uma árvore e as manchas das queimaduras de suas desintegrações tinham chamuscado a neve.

Filhos da puta. A Irmandade da Adaga Negra. Outra vez.

Quando O finalizou a chamada, o Senhor X disse:

2 Nota da revisora: sigla de Big Dumb Face, que significa grande cara de idiota.

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Adaga Negra 03

— Olhe, quer lutar contra mim ou ir trabalhar? Um caminho o levará a uma morte segura

agora mesmo. É sua escolha.

— Sou o responsável por este lugar?

— Enquanto obtiver o que necessito.

— Trouxe muitos civis aqui.

— Mas isso não é o que muitos dizem.

O se aproximou e deslizou sobre a rede do terceiro buraco, assegurando-se de que o Senhor

X o visse sempre. Então, colocou sua bota de combate sobre a coberta e encontrou seu olhar com o

do Fore-lesser.

— Não posso ajudar se a Irmandade guarda o segredo de sua própria espécie.

— Talvez só deva concentra-se com um pouco mais de vontade.

Não diga que se foda, pensou O. Foda esta prova e sua fêmea será alimento para os cães.

Enquanto O tentava controlar seu temperamento, o Senhor X sorriu.

— Seu controle seria admirável se esta não fosse a única resposta apropriada. Agora, sobre o

que aconteceu esta noite. Os Irmãos irão ao encontro daqueles assassinos aos que destruíram. Vá

quanto antes à casa de H e pegue-o. Atribuirei alguém ao lugar de A e eu mesmo cobrirei D.

O Senhor X fez uma pausa na porta.

— Sobre essa fêmea. Se a usa como instrumento, está bem. Mas, se a mantém por qualquer

outra razão, teremos um problema. Pegue leve ou alimentarei Ômega com você, pedaço por

pedaço.

O não estremeceu. Tinha sobrevivido às torturas de Ômega uma vez e calculou que poderia

voltar a fazê-lo outra vez. Por sua fêmea passaria pelo que fosse.

— Então, o que me diz? — exigiu o Fore-lesser.

— Sim, mestre.

Enquanto O esperava que o Senhor X partisse em seu carro, seu coração parecia explodir

como uma granada. Queria tirar a mulher e senti-la contra ele, mas então nunca iria. Para tentar

tranqüilizar-se, rapidamente limpou seu S&W e se armou. Isto na verdade não o ajudou, mas ao

menos suas mãos tinham deixado de tremer por um tempo enquanto o fazia.

Caminhado para a porta recolheu as chaves de seu caminhão e conectou o detector de

movimento do terceiro buraco. O apoio tecnológico era um verdadeiro salva-vidas. Se o laser

infravermelho se danificasse, a arma triangular do sistema dispararia e qualquer curioso

apanhado estaria com um sério caso de filtrações.

O vacilou antes de sair. Deus, queria abraçá-la. Pensar em perder sua mulher, inclusive

hipoteticamente, deixava-o louco. Aquela fêmea vampira… Era sua razão para viver agora. Não a

Sociedade. Nem o assassinato.

— Estou indo, esposa, seja boazinha. — O esperou — Voltarei logo e a lavarei. —quando não

houve nenhuma resposta, disse — Esposa?

O engoliu saliva compulsivamente. Embora se dissesse que devia ser um homem, não podia

obrigar-se a sair sem ouvir sua voz.

— Não me deixe ir embora sem um adeus.

Silêncio.

A dor penetrou em seu coração, fazendo com que o amor que sentia subisse

vertiginosamente. Suspirou, o delicioso peso do desespero se apoderou de seu peito. Tinha

pensado que sabia o que era o amor antes de ser transformado em lesser. Tinha pensado que

Jennifer, a mulher com quem havia transado e pela qual tinha lutado tantos anos, tinha sido

especial. Mas, tinha sido um idiota ingênuo. Agora sabia o que era realmente a paixão. Sua mulher

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Adaga Negra 03

cativa era a dor que o queimava e quem o fazia parecer um homem outra vez. Ela era a alma que

substituía a que tinha entregado a Ômega. Por ela vivia, embora fosse um não morto.

— Retornarei assim que puder, esposa.

Bela encurvou-se dentro do buraco quando ouviu que se fechava a porta. O fato de que o

lesser partisse intranqüilo porque não respondera, agradava-a. Agora a loucura era completa

verdade?

Era engraçado que esta loucura fosse a morte que a esperava. No momento em que

despertou no tubo há muitas semanas, presumiu que sua morte ia ser convencional, do tipo de

corpo destroçado. Mas, não, a sua era a morte em si mesma. Enquanto seu corpo subsistia com

uma saúde relativa, seu interior não viveria muito.

A psicose estava apanhando-a, e como uma enfermidade do corpo, tivera suas etapas. No

princípio se sentia muito petrificada para pensar em algo que não fosse a tortura que sentiria. Mas,

então os dias passaram e nada aconteceu. Sim, o lesser lhe batia e seus olhos sobre seu corpo a

repugnavam, mas não fazia com ela o que fazia aos outros de sua raça. Tampouco a estuprara.

Em resposta, seus pensamentos gradualmente mudaram, seu espírito reanimou-se enquanto

manteve a esperança de que a resgatariam. Esse período de fênix fora o mais longo. Uma semana

inteira, talvez, embora fosse difícil medir a passagem dos dias.

Mas, então tinha começado o irreversível deslizamento e o que o provocara foi o próprio

lesser. Havia demorado um tempo para compreender, mas tinha um estranho poder sobre seu

captor e depois que passou algum tempo, tinha começado a usá-lo. Ao princípio o provocou para

provar os limites. Mais tarde começou a atormentá-lo sem outra razão mais que o ódio e o desejo

de feri-lo.

Por alguma razão o lesser que a capturou… a amava. Com todo seu coração. Às vezes

gritava com ela e realmente a aterrorizava quando ele tinha algum de seus caprichos, mas quanto

mais dura era com ele, melhor a tratava. Quando ela punha os olhos nele, este entrava em uma

crise de ansiedade. Quando ele trazia presentes e os rechaçava, chorava. Com crescente ardor,

preocupava-se com ela, mendigava sua atenção, acomodava-se contra ela e quando o rechaçava,

ele ficava triste.

Jogar com suas emoções era seu mundo, odiava-o e a crueldade que a alimentava, a estava

matando. Uma vez fora um ser vivo, uma filha, uma irmã… Uma alguém… Agora se endurecia,

como concreto em meio ao seu pesadelo. Embalsamada.

Querida Virgem do Fade, sabia que ele nunca a deixaria partir. Estava segura que se ela se

matasse abertamente, ele tomaria seu futuro. Tudo o que tinha agora era apenas o espantoso,

infinito presente. Com ele.

O pânico, uma emoção que não tinha tido durante um tempo, elevou-se em seu peito.

Desesperada por voltar para o intumescimento, concentrou-se no quanto estava frio o chão.

O lesser a tinha mantido vestida com a sua própria roupa, que tinha tirado de suas gavetas e

armários e estava abrigada por um comprido Johns de lã, quentes meias três-quartos e botas.

Contudo, o frio era implacável, movendo-se entre as roupas, entrando nos seus ossos,

convertendo seus tutanos em gelo.

Seus pensamentos transladaram-se para sua granja, onde tinha vivido durante um período

tão curto de tempo. Recordou o alegre fogo que tinha feito no lugar em sua sala de estar e a

felicidade que tinha sentido ao estar sozinha… Eram más visões, más lembranças. Faziam-na

recordar sua antiga vida, sua mãe… Seu irmão.

Deus, Rehvenge. Rehv a havia deixado louca com seu comportamento dominante, mas tinha

tido razão. Se ela tivesse ficado com sua família, nunca teria conhecido Mary, a humana que vivia

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Adaga Negra 03

ao lado. E, nunca teria cruzado o prado entre sua casa aquela noite para assegurar-se de que

estava bem. E, nunca teria tido que correr atrás do lesser… Nunca teria terminado morta e

respirando.

Perguntou-se quanto tempo seu irmão a teria procurado. Já teria se rendido? Provavelmente.

Nem sequer Rehv poderia continuar durante tanto tempo sem esperança.

Apostava que a tinha procurado, mas por uma parte se alegrava de que não a tivesse

encontrado. Embora fosse um homem extremamente agressivo, era civilizado e se sentiria

responsável se o ferissem caso ele viesse resgatá-la. Aqueles lessers eram fortes. Cruéis e

poderosos. Não, para que a salvassem seria necessário alguém igualmente monstruoso como

aquele que a retinha.

Uma imagem de Zsadist lhe veio à mente, clara como uma fotografia. Viu seus escuros olhos

selvagens. A cicatriz que atravessava seu rosto e deformava o lábio superior. O escravo de sangue

com tatuagens na garganta e nos pulsos. Recordou os sinais dos açoites sobre suas costas. E, os

piercings que penduravam de seus mamilos. E, os músculos, também o corpo magro.

Pensou em sua cruel vontade, inflexibilidade e todo o ódio totalmente volátil. Era aterrador,

um horror da espécie. Arruinado, não, quebrado, nas palavras de seu gêmeo. Mas, isso era o que o

faria um bom salvador. O único rival para o lesser que a tinha levado. O tipo de brutalidade de

Zsadist era provavelmente a única coisa que poderia tirá-la daí, embora tivesse melhor critério

que pensar que alguma vez tentaria encontrá-la. Ela era somente uma civil com a qual se

encontrou um par de vezes.

E, a segunda vez, lhe tinha feito jurar que nunca voltaria a se aproximar.

O medo a rodeava e tentou refrear a emoção dizendo-se que Rehvenge ainda a procurava. E,

apelaria à Irmandade se encontrasse alguma pista de onde estava. Então, talvez Zsadist viesse

procurar por ela, por que seria necessário, como parte de seu trabalho.

— Olá? Olá? Há alguém aí? — a instável voz masculina soava como amortecida, um tom

metálico.

Era o cativo mais novo, pensou. Eles no princípio sempre tentavam reagir.

Bela se esclareceu a garganta.

— Estou… Aqui.

Houve uma pausa.

— Oh, meu Deus… É a mulher que levaram? É Bela?

Escutar seu nome foi um choque. Infernos, o lesser a chamava de esposa a tanto tempo, que

quase tinha esquecido que tinha sido algo mais.

— Sim… Sim, sou eu.

— Ainda está viva.

Bem, seu coração ainda pulsava, de todos os modos.

— Conheço você?

— Eu... Eu fui ao seu enterro. Com meus pais, Ralstam e Jilling.

Bela começou a tremer. Sua mãe e seu irmão… A tinham posto para descansar. Sua mãe era

profundamente religiosa, grande crente das Velhas Tradições. Uma vez que se convenceu que sua

filha estava morta, teria insistido na cerimônia apropriada para que Bela pudesse entrar no Fade.

Oh… Deus. Pensar que eles desistiram e saber que desistiram eram duas coisas diferentes.

Ninguém viria buscá-la. Nunca.

Escutou algo estranho. E, compreendeu que soluçava.

— Fugirei. — disse o homem com força — Levarei você comigo.

Bela permitiu que seus joelhos dobrassem e deslizou para baixo pela parede acanalada do

tubo até que ficou deitada no fundo. Agora estava realmente morta, verdade? Morta e bem morta.

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Que horrivelmente adequado que ela estivesse presa na terra.

CAPÍTULO II

As shitkickers de Zsadist o levaram através de um beco fora da Rua Trade, suas passadas

soavam com força sobre os atoleiros de neve em parte congelados e esmagados pelos rastros dos

pneus. Estava totalmente escuro, porque não havia janelas nos edifícios de tijolo de um e outro

lado e as nuvens se fecharam sobre a lua. Inclusive caminhando assim, sua visão noturna era

perfeita, penetrando em toda parte. Como sua raiva.

Sangue negro. Precisava de mais sangre negro. Necessitava-o sobre suas mãos, golpeando

em seu rosto e salpicando sua roupa. Precisava de oceanos dele correndo pelo chão e gotejando na

terra. Em honra à memória de Bela, sangraria aos assassinos, cada morte seria uma oferenda.

Sabia que não tinha sobrevivido, sabia em seu coração que devia ter sido assassinada de um

modo espantoso. Então, por que sempre perguntava a esses bastardos onde estava? Inferno, não

sabia. Só era a primeira coisa que saía de sua boca, sem importar quantas vezes se dissesse que

estava morta.

Ele ia seguir fazendo essa maldita pergunta. Queria saber onde, como e com o que, eles o

tinham feito. A informação só o devoraria, mas precisava saber. Tinha que saber. E um deles

falaria em algum momento.

Z se deteve. Cheirou o ar. Rezou para que o suave aroma de talco para bebê fosse até seu

nariz. Maldito fosse, não podia suportar isto… Não saber nada por mais tempo.

Mas, então riu com um repugnante ruído. Sim, o inferno não poderia enfrentá-lo. Graças a

seus cem anos de cuidadosa educação com a Mistress, não existia nenhum nível de merda ao qual

não sobrevivesse. Dor física, angústia mental, abatendo-se nas profundidades da humilhação e a

degradação, desespero, impotência: este aqui, agüenta.

Assim, sobreviveria a isto.

Levantou a vista ao céu e quando sua cabeça se inclinou para trás, balançou. Com um rápido

movimento de mão se estabilizou, logo suspirou e esperou para ver se a sensação de enjôo

passava. Não teve sorte.

Hora de alimentar-se. Outra vez.

Maldição, esperava poder sair sem dificuldade mais uma noite ou duas. O mais seguro era

que tinha arrastado seu corpo por pura força de vontade as duas últimas semanas, mas isso não

era nada insólito. E, esta noite não queria tratar com a sede de sangue.

Vamos, vamos… Concentre-se, idiota.

Obrigou-se a continuar, espreitando pelos becos do centro, serpenteando o perigoso labirinto

urbano de Caldwell, os clubes de New York e os cenários de drogas.

Às três da manhã, estava tão faminto de sangue que se sentia como uma pedra e foi a única

razão pela qual se apresentou. Não podia agüentar mais a dissociação, o intumescimento em seu

corpo. Recordava-lhe muito a letargia do ópio ao qual lhe tinham obrigado a tomar quando era

um escravo de sangue.

Caminhando tão rapidamente como podia, dirigiu-se ao ZeroSum, a guarida atual da

Irmandade no centro da cidade. Os seguranças lhe permitiram evitar a fila de espera, o acesso fácil

era um dos benefícios das pessoas que deixava cair dinheiro efetivamente, como faziam os Irmãos.

Infernos, o hábito da fumaça vermelha de Phury valia só um par de notas ao mês e V e Butch

gostavam apenas da chamada que lhes chegava da prateleira superior das bebidas. Estavam

regularmente nas compras de Z.

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Adaga Negra 03

O clube estava quente e escuro por dentro, uma espécie de úmida caverna tropical com

música techno no ar. As pessoas lotavam a pista de dança, dando voltas, bebendo água, suando

enquanto se moviam com os lasers coloridos ritmicamente.

Tudo ao redor, corpos contra as paredes, em pares ou trios, retorcendo-se, tocando-se.

Z se dirigiu a área VIP e a multidão abria espaço para ele, separando-se como um pano de

veludo rasgado. Apesar do alto consumo de ecstasy e cocaína superaquecer seus corpos, ainda

tinham suficiente instinto de sobrevivência ao ver sua aparência mortal que esperava passar.

Na parte de trás, um segurança com um interfone permitiu sua entrada na melhor zona do

clube. Aqui, na relativa tranqüilidade, vinte mesas com assentos de tamborete estavam espaçadas,

com piso de mármore negro iluminado do teto. O lugar da Irmandade estava perto da saída de

incêndios e não se surpreendeu de ver Vishous e Butch ali com copos curtos em frente deles. O

copo de Martini de Phury estava totalmente sozinho.

Os dois camaradas não pareceram alegrar-se ao vê-lo. Não… Pareciam resignados com sua

chegada, como se tivessem esperado tirar uma carga e ele acabasse de lhes lançar um motor em

bloco.

— Onde está ele? — perguntou Z, apontando para o Martini de seu gêmeo com a cabeça.

— Fazendo fumaça vermelha na parte de trás. — disse Butch — Ficou sem O-ZŚ3.

Z se sentou à esquerda e inclinou-se para trás, retirando-se da brilhante luz que caía sobre a

mesa. Quando deu uma olhada a seu redor, reconheceu os rostos insignificantes dos

desconhecidos. A área VIP tinha os rudes clientes habituais, mas nenhum dos grandes

esbanjadores interagia com o fechado grupo. De fato, o clube inteiro estava impregnado por

sensações de “não me pergunte, não me fale”, o que era um dos motivos pelos quais os Irmãos

iam ali. Inclusive embora o ZeroSum fosse propriedade de um vampiro, tinham que procurar

passar despercebidos pelo que eram.

Com o passar do século, a Irmandade da Adaga Negra se tornou reservada sobre suas

identidades dentro da raça. Havia rumores, certamente, e os civis sabiam alguns de seus nomes,

mas tudo era guardado no QT4. Tudo tinha começado quando a raça se fragmentou tragicamente

fazia um século aproximadamente, a confiança se converteu em um assunto dentro da espécie.

Mas, agora, também havia outra razão. Os lessers torturavam aos civis procurando informação

sobre a Irmandade, por isso era imperativo continuarem escondidos.

Como resultado, os poucos vampiros que trabalhavam no clube não estavam seguros de que

os grandes homens que se vestiam de couro, bebiam e deixavam cair dinheiro fossem membros da

Adaga Negra. E, felizmente, se não fosse assim com clientela social, a forma de olhar dos Irmãos

evitava perguntas.

Zsadist se moveu em seu lugar, impaciente. Odiava o clube, realmente o odiava. Odiava

tantos corpos tão perto dele. Odiava o ruído. Os aromas.

Em um barulhento grupo, três mulheres humanas se aproximaram da mesa dos Irmãos. As

três trabalhavam essa noite, entretanto o que serviam não cabia em um copo. Eram as típicas putas

de classe alta: apliques no cabelo, peitos falsos, rostos moldados por cirurgiões plásticos, roupa

cara. Havia algumas se deslocando fazendo algazarra pelo clube, particularmente na seção VIP. O

Reverendo, proprietário e dirigente do ZeroSum, acreditava na diversificação do produto como

uma estratégia de negócio, oferecendo seus corpos assim como o álcool e as drogas. O vampiro

também emprestava dinheiro e tinha uma equipe de corredores de apostas e só Deus sabe quais

outros serviços que prestava em seu escritório de trás, sobre tudo para sua clientela humana.

3 Nota da revisora: refere-se à dose diária de droga, neste caso erva.

4 Nota da revisora: jargão dos anos 50 que significava literalmente silêncio, calado e foi associada com a palavra fofoca, fofocas.

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Adaga Negra 03

Enquanto as três prostitutas riam e falavam, ofereceram-se para negociar. Mas nenhuma

delas era o que Z procurava e V e Butch não as escolheriam tampouco. Dois minutos mais tarde,

as mulheres se aproximaram da mesa seguinte.

Z estava malditamente faminto, mas era inegociável quando se tratava da alimentação.

— Hei, queridinhos! — disse outra mulher — Algum de vocês procura um pouco de

companhia?

Ele a olhou. Esta mulher humana tinha um rosto duro que combinava com seu duro corpo. A

roupa de couro negro. Os olhos frágeis. O cabelo curto.

Droga, era perfeita.

Z pôs sua mão na base da luz sobre a mesa, levantou dois dedos, logo golpeou com os

nódulos duas vezes sobre o mármore. Quando Butch e V começaram a mexer-se no assento, sua

tensão o incomodou.

A mulher riu.

— Bom, bom.

Zsadist se inclinou para frente e se levantou em toda sua estatura, seu rosto ficou iluminado

pelo projetor. A expressão da prostituta ficou solidamente congelada quando deu um passo para

trás.

Nesse momento Phury saiu da porta da esquerda, seu espetacular cabelo refletia as luzes que

piscavam inconstantes. Diretamente atrás dele havia um vampiro macho durão com um mohawk5:

o Reverendo.

Quando os dois pararam junto à mesa, o dono do clube riu forte. Seus olhos cor ametista

perceberam a vacilação da prostituta.

— Boa noite, cavalheiros. Vai a algum lugar, Lisa?

O alarde de Lisa retornou com vingança.

— A qualquer um onde ele queira, chefe.

— Resposta correta.

Suficiente para um yakkies6, pensou Z.

— Fora. Agora.

Empurrou a porta contra incêndio e a seguiu ao beco posterior ao clube. O vento de

dezembro soprava pela jaqueta ampla que tinha posto para cobrir seus braços, mas não se

preocupava com o frio e menos pela Lisa. Embora as rajadas geladas jogassem seu cabelo e ela

estivesse quase nua, confrontou-o sem medo, levantando o queixo.

Agora que se comprometeu, estava pronta para ele. Uma verdadeira profissional.

— Fazemos aqui. — disse ele, dando um passo para as sombras. Pegou duas notas de cem

dólares de seu bolso e deu a ela. Seus dedos dobraram-se antes que o dinheiro desaparecesse em

sua saia de couro.

— Como quer? — perguntou, aproximando-se furtivamente dele, tratando de chegar a seus

ombros.

Fê-la girar e a colocou com a cara contra a parede de tijolo.

— Eu toco. Você não.

Seu corpo esticou e o medo causou coceira em seu nariz, como um ácido. Mas, sua voz foi

dura.

— Olhe, idiota. Volto com machucados e ele perseguirá você como a um animal.

— Não se preocupe, vai sair disto perfeitamente bem.

5 Nota da revisora: cabelo raspado dos lados, deixando uma faixa central, chamado moicano.

6 Nota da revisora: entrega de prêmios ao estilo do Oscar.

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Adaga Negra 03

Mas ainda a assustava. E, ele estava felizmente intumescido pela emoção.

Geralmente o medo da mulher era a única coisa que podia animar a ele, a única maneira que

deixava duro o que tinha dentro de suas calças. Ultimamente, entretanto o gatilho não funcionava,

o que estava bom. Aborrecia a resposta daquela coisa detrás de seu zíper e visto que a maioria das

mulheres se acorvadavam diante dele, isso conseguia excitá-lo muitíssimo mais do que queria.

Nada teria sido melhor. Droga, era provavelmente o único homem sobre o planeta que queria ser

impotente.

— Incline a cabeça para o lado. — disse ele — A orelha contra seu ombro.

Devagar, ela obedeceu, expondo o pescoço. Esta era a razão pela qual a tinha escolhido. O

cabelo curto significava que não teria que tocar nada para limpar o caminho. Odiava ter a

necessidade de pôr suas mãos sobre elas em todas as partes.

Quando olhou fixamente sua garganta, sua sede aumentou e suas presas se alargaram. Deus,

estava tão seco para esgotá-la.

— O que vai fazer? — o interrompeu — Morder-me?

— Sim.

Mordeu-a rapidamente e a sustentou enquanto ela o golpeava. Para fazê-lo mais fácil, ele a

acalmou mentalmente, relaxando-a, lhe dando algo que sem dúvida lhe era muito familiar.

Enquanto ela se tranqüilizava, ele bebeu tanto como pôde sem engasgar-se, provando a cocaína e

o álcool em seu sangue assim como aos antibióticos que tomava.

Quando terminou, lambeu os sinais da espetada para iniciar o processo de cura e para que

não sangrasse. Então, lhe colocou rapidamente um colar para ocultar a dentada, limpou suas

lembranças e a enviou de volta ao clube.

A sós, de novo, apoiou-se contra os tijolos. O sangue humano era tão fraco, apenas conseguia

o que necessitava, mas não podia fazê-lo com as mulheres de sua própria espécie. Não outra vez.

Nunca.

Elevou a vista para o céu. As nuvens que as rajadas de vento haviam trazido antes, foram-se

e entre os edifícios se podia ver um pedacinho do céu claro, salpicado de estrelas. As constelações

lhe diziam que só tinha duas horas para permanecer fora.

Quando teve a força necessária, fechou os olhos e se materializou no único lugar em que

queria estar.

Agradecia a Deus que ainda tivesse suficiente tempo para ir ali. Estar ali.

CAPÍTULO III

John Matthew gemeu e girou até ficar de costas na cama.

A mulher seguiu seu exemplo, seus peitos nus pressionaram sobre o seu amplo peito

descoberto. Com um sorriso erótico, ela alcançou abaixo entre as pernas dele e encontrou sua

pesada ereção. Ele jogou a cabeça para trás e gemeu enquanto ela apertava sua ereção, para cima e

para baixo. Quando ele agarrou seus joelhos, ela começou a montá-lo lentamente.

Oh, sim…

Com uma mão tocava a si mesma, com a outra o atormentava, passando a palma de sua mão

sobre os peitos e subindo até seu pescoço, agarrando o comprido, cabelo loiro enquanto ela tinha

um orgasmo. Sua mão se moveu para seu rosto, e logo seu braço estava sobre sua cabeça, um arco

cheio de graça de carne e ossos. Ela se arqueou para trás e seus peitos se sobressaíram, os duros

mamilos dilatados, rosados. Sua pele era tão pálida que parecia neve fresca.

— Guerreiro. — disse ela, rangendo os dentes — Pode agüentar isto?

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Adaga Negra 03

Agüentar? Maldição, podia. E, então quando estava deixando claro quem agüentava o que,

ele agarrou suas coxas e empurrou seus quadris até que ela gritou.

Quando se retirou, lhe sorriu, montando-o mais e mais rápido. Ela era hábil e apertada, e sua

ereção estava no céu.

— Guerreiro, pode agüentar isto? — sua voz era mais profunda agora pelo esforço.

— Inferno, sim. — grunhiu. Homem, a segunda vez que ela gozasse, ia lhe virar e empurrar

dentro dela uma vez mais.

— Pode agüentar isto? — ela o bombeou ainda mais duro, ordenhando-o. Com seu braço

ainda sobre sua cabeça, ela o montava como a um touro, corcoveando sobre ele.

Isto era um grande sexo… Imponente, incrível, grandioso…

Suas palavras começaram a curvar-se, deformar-se... Caindo sob a investigação de uma

fêmea. Pode agüentar isto? John sentiu um calafrio. Algo estava mau.

— Pode agüentar isto? Pode agüentar isto? — de repente a voz de um homem saía de sua

garganta, a voz de um homem que se burlava dele — Pode agüentar isto?

John lutou para empurrá-la, mas ela estava presa a ele como se tivesse braçadeiras, e a transa

não parava.

—Acredita que pode agüentar isto? Acredita que pode agüentar isto? Acredita que pode

agüentar isto? — a voz masculina gritava agora, rugindo da cara da fêmea.

A faca veio para John de cima da cabeça dela… Só que ela era um homem agora, um homem

com a pele branca, o cabelo pálido e olhos da cor da névoa. Enquanto a lâmina reluzia como prata,

John conseguiu bloqueá-la, mas seu braço não era musculoso como antes. Estava magro,

enfraquecido.

— Pode agüentar isto, guerreiro?

Com uma navalhada cheia de graça, a adaga atingiu diretamente o meio de seu peito. Uma

dor ardente se acendeu onde lhe tinha penetrado, um violento ardor derramando-se através de

seu corpo, ricocheteando pelo interior de sua pele até que esteve vivendo em agonia. Ofegou e se

afogou em seu próprio sangue, afogado e amordaçado até que nada entrou em seus pulmões.

Segurando-se, lutou contra a morte que trás dele…

— John! John! Acorde!

Seus olhos se abriram de repente. Seu primeiro pensamento foi que sua cara doía, embora

não tivesse nem idéia do por que, já que tinha sido apunhalado no peito. Então, se deu conta de

que sua boca estava aberta tensamente, acomodando o que teria sido um grito se ele tivesse

nascido com cordas vocais. Tal como estava, tudo o que ia fazer era soltar uma corrente estável de

ar.

Então sentiu as mãos… Mãos que imobilizavam seus braços. O terror voltou, e no que foi

para ele uma quebra de onda incrível, jogou seu pequeno corpo para fora da cama. Aterrissou de

cara, sua bochecha patinando sobre o tapete.

— John! Sou eu, Wellsie.

A realidade voltou com o som do nome, tirando-o do histerismo como uma palmada.

Oh, Deus… Estava bem. Ele estava bem. Estava vivo.

Jogou-se nos braços de Wellsie e enterrou seu rosto em seu comprido cabelo vermelho.

— Está bem. — ela o empurrou para seu colo e acariciou suas costas — Está em casa. Está a

salvo.

Casa. Segurança. Sim, depois de seis semanas estava em casa… A primeira que ele tinha tido

depois de crescer no orfanato de Nossa Senhora e em barracões até que completou dezesseis anos.

Wellsie e Tohrment eram o lar.

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Adaga Negra 03

E, não estava somente a salvo, tinha-o compreendido. Infernos, tinha aprendido a verdade

sobre si mesmo. Até que Tohrment tinha vindo e o tinha encontrado ele não sabia por que sempre

tinha sido diferente das outras pessoas ou por que ele era tão fracote e débil. Mas, os vampiros

masculinos eram assim antes que passassem pela transição. Inclusive Tohr, que era um membro

da Irmandade da Adaga Negra, quando jovem era pequeno.

Wellsie inclinou a cabeça de John para cima.

— Pode me contar que era?

Ele sacudiu a cabeça e a enterrou mais profundamente nela, apertando-a tão forte que estava

surpreso de que ela pudesse respirar.

Zsadist se materializou diante da granja de Bela e amaldiçoou. Alguém tinha estado no lugar

outra vez. Havia marcas frescas de pneus na neve, distribuídas no caminho de entrada e rastros à

porta. Ah, droga… Ali havia muitos rastros, tanto na frente e como atrás, como se um carro tivesse

estacionado ali e parecia que as coisas estivessem sendo levadas.

Isto o fez sentir-se inquieto, como se pequenas coisas dela estivessem desaparecendo.

Inferno santo. Se sua família desmontasse a casa, ele não saberia onde iria estar com ela.

Com um olhar duro, olhou fixamente ao pórtico dianteiro e às janelas largas da sala de estar.

Talvez ele devesse recolher algo dela para ele. Isto seria fazer uma canalhice, porque então, não

seria melhor que um ladrão.

Outra vez, perguntou-se sobre a família dela. Sabia que eram aristocratas de classe social

alta, mas isso era tudo, e não queria conhecê-los para averiguar mais. Inclusive em seu melhor dia,

ele era horrível com as pessoas, mas a situação com Bela o fazia perigoso, não somente

repugnante. Não, Tohrment era o adequado para lidar com os laços de sangue, e Z era sempre

cuidadoso para não encontrar-se com eles.

Foi para a parte de trás da casa, entrou pela cozinha, e desligou o alarme de segurança.

Como fazia toda noite, verificou primeiro os peixes. Farelos de comida estavam pulverizados em

cima da água, prova de que alguém tinha cuidado deles. Ficava de saco cheio por alguém lhe ter

roubado a oportunidade.

A verdade era, que pensava nessa casa como seu espaço agora. Tinha limpado a casa depois

que a tinham seqüestrado. Tinha regado às plantas e tinha cuidado dos peixes. Tinha andado

pelos andares e pela escada e tinha olhado fixamente pelas janelas e se sentou sobre cada cadeira,

sofá e cama. Infernos, já tinha decidido comprar a maldita coisa quando sua família a vendesse.

Embora nunca tivesse tido uma casa antes ou muitos bens pessoais, estas paredes e este teto e a

droga de dentro… Ele possuiria tudo. Um santuário dela.

Z fez uma viagem rápida pela casa, catalogando as coisas que tinham sido tiradas. Não era

muito. Uma pintura e um prato de prata da sala de estar, e um espelho do vestíbulo de entrada.

Tinha curiosidade de saber por que aqueles objetos em particular tinham sido escolhidos e

devolvidos aonde pertenciam.

Enquanto entrava na cozinha outra vez, imaginou o quarto depois que ela tinha sido

seqüestrada, todo o sangue, os pedaços de vidros, as cadeiras e a porcelana quebradas. Seus olhos

baixaram até uma listra negra de borracha sobre o chão de pinheiro. Podia adivinhar como tinha

sido feita. Bela lutando contra o lesser, sendo arrastada, a sola de seu sapato chiando enquanto

deixava um rastro.

A cólera avançou lentamente através de seu peito até que esteve ofegando pelo feio e

familiar sentimento. Exceto Cristo… Tudo isso não tinha sentido: ele procurando-a, obcecando-se

como um merda e andando ao redor de sua casa. Eles não tinham sido amigos. Infernos, nem

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Adaga Negra 03

sequer tinham sido conhecidos. E, ele não tinha sido agradável com ela nas duas ocasiões em que

se encontraram.

Homem, lamentava isso. Durante aqueles poucos momentos em que esteve com ela, desejava

que tivesse sido… Bom, não levantar-se rapidamente depois que tivesse averiguado que estava

excitada por causa dele, teria sido um começo realmente bom. Exceto, pelo fato de que não tivesse

nenhum modo de engolir a resposta. Nenhuma fêmea exceto aquela bruxa doente da Mistress

tinha estado molhada por ele, assim estava seguro como o inferno que ele não associava a

escorregadia carne feminina com nada bom.

Enquanto recordava de Bela estando contra seu corpo, ainda se perguntava por que ela