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Amor em noite de gala por L P Baçan - Versão HTML

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Direitos exclusivos para língua portuguesa:

Copyright © 2007 L P Baçan

Pérola — PR — Brasil

Edição do Autor. Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

CAPÍTULO 1

Marianne Torkington chegava a Los Angeles anonimamente e ela estava ciente disso.

Dentro dela, porém, vibrava a esperança, quase certeza, de que, ao deixar a cidade, seria reconhecida por todos como a nova Miss Califórnia.

Pela janela aberta do ônibus, sentia a aproximação daquele cheiro de mar, impregnando o ar e a deixando excitada. Pouco a pouco se podia ver a imensidão de edifícios, como dedos imensos tentando atingir as nuvens.

Poeticamente ela reclinou a cabeça em seu assento e sonhou com a glória. Um braço se estendeu diante de seu rosto, fechando rapidamente a janela.

— Marianne, está maluca! — observou a Sra. Yarrow havia acompanhado todas as Miss San Bernardino naquela viagem em busca do reconhecimento, nos últimos quinze anos.

Era uma espécie de orientadora, treinadora, conselheira e guarda-costas. Sabia mais sobre concursos de beleza que qualquer outra pessoa da cidade.

Diziam, inclusive, que chegara a finalista do concurso Miss Califórnia e que perdera o cetro por uma injustiça dos juizes. Mas a Sra. Yarrow nunca falava sobre isso. Cada nova garota que ela acompanhava era tratada com todo cuidado.

— Desculpe-me, Sra. Yarrow, não quis acordá-la — falou Marianne.

— Não se trata disso, garota. Esse vento pode lhe causar um resfriado. Já se imaginou desfilando e espirrando na passarela?

Marianne voltou a cabeça para olhar a velha senhora. Ela estava com toda a razão. Seria um verdadeiro desastre.

— Perdoe-me, querida. Esqueça — disse a Sra. Yarrow, abraçando a garota com uma ternura quase materna — Confio em você. Marianne. Não é como as outras garotas. Tem tudo para vencer este concurso.

— Farei o melhor que puder.

— Não, querida. Isso não basta. É preciso fazer tudo, entendeu? Tudo!

— Com a senhora me orientando, garanto que o conseguirei.

Na chegada ao hotel, tudo estava profissionalmente preparado para recebê-las. Marianne esperava, porém, contar com a presença de reportes, fotógrafos, gente da imprensa cobrindo-a de perguntas.

Nada disso aconteceu, porém. Ela foi levada ao quarto que dividiria com a Sra. Yarrow.

Quando se viram a sós, finalmente, Marianne olhou para sua acompanhante com certa decepção nos olhos.

— O que há de errado, filha? — indagou a mulher.

— Bem, foi tudo tão rápido, eu pensei que...

— Entendi — respondeu a Sra. Yarrow, abrindo-se num largo sorriso. — Tenha paciência, querida. Logo as coisas começarão a acontecer ao seu redor, não se preocupe.

— As outras garotas também ficarão neste hotel?

— Sim, todas elas.

Marianne se aproximou da janela. Percebeu a piscina, superlota. Havia diversas garotas em trajes de banhos sendo fotografadas por um batalhão de repórteres.

— Agora eu sei porque eles não estavam lá embaixo, quando chegamos — disse Marianne, correndo para abrir uma de suas malas.

— Do que está falando? — indagou a Sra. Yarrow, indo até a janela.

— Os fotógrafos estão lá na piscina, com as outras concorrentes. Não vou ficar para trás —

disse ela, encontrando o que procurava.

— O que vai fazer? — perguntou a acompanhante.

— Vou até lá.

— Não, você precisa descansar...

— Não enquanto elas estiverem lá embaixo, com chances de aparecerem em todos os jornais.

Sem que a Sra. Yarrow pudesse impedir, Marianne se trancou no banheiro, de onde saiu com um minúsculo biquíni. Apanhou uma saída de banho transparente que deixara sobre a cama, vestindo-a.

— Vai sair com isso? — indagou a velha senhora.

— E por que não? Acha que chamarei a atenção vestida assim?

— Garanto que vai chamar a atenção despida assim!

— Sra. Yarrow — disse Marianne, com carinho. — Sei que sabe muito sobre concursos, mas talvez ainda esteja pensando com alguns anos de atraso. Seus conselhos são importantes, mas deixe-me ajudá-la também.

— Eu sabia que você não era como as outras, querida — respondeu a mulher, com uma de orgulho. — Você tem no sangue o desejo de ser Miss. Está certo, sei que não poderei dominá-

la, mas tome cuidado, tome todo cuidado.

— Vem comigo?

— Não, tenho que entrar em contato com a Comissão organizadora do concurso. Há uma porção de coisas que preciso fazer. Desça lá e faça o seu papel.

Marianne deixou o quarto e foi esperar pelo elevador. Quando a porta se abriu, ela se sentiu um tanto constrangida, diante de alguns homens que a olharam com espanto e admiração.

Foi apenas uma questão de segundos. Aqueles rostos a lisonjearam, deixando-a ciente de que podia impressionar. Ergueu a cabeça agressivamente e entrou.

Os homens se comprimiram para deixarem-na passar.

— Bom dia, senhora! — cumprimentou ela, com naturalidade.

Alguns responderam, outros apenas gaguejaram. O ascensorista, um rapaz jovem e muito simpático, olhou-a quase com descaramento.

— Foi apenas uma questão de segundos. Aqueles rostos a lisonjearam, deixando-a ciente de que podia impressionar. Ergueu a cabeça agressivamente e entrou.

Os homens se cumprimiram para deixarem-na passar.

— Bom dia, senhora! — cumprimentou ela, com naturalidade.

Alguns responderam, outros apenas gaguejaram. O ascensorista, um rapaz jovem e muito simpático, olhou-a quase com descaramento.

— É uma delas? — indagou ele, sorrindo.

— Quer saber se sou uma Miss?

— Sim, isso mesmo.

— Sim, sou a Miss San Bernardino.

— Parabéns a San Bernardino. É a melhor que vi até agora.

Foi uma espécie de elogio que agradou Marianne. Ela sorriu simpaticamente, agradecendo com um leve aceno de cabeça.

Momentos depois, no térreo, ela deixou o elevador e caminhou até o balcão de informações.

— Como faço para chegar até a piscina? — indagou.

— Por ali, senhorita — informou um senhor alto e grisalho.

Marianne agradeceu e rumou naquela direção. Momentaneamente, tudo parou no hall de entrada do hotel. Todos os olhos se concentraram naquele belo par de pernas, por sob o tecido transparente, naquela naturalidade de andar.

O homem que havia dado a informação a Marianne, porém, não olhava na direção dela.

Seus olhos fuzilavam, fixos no ascensorista do elevador.

Ele contornou o balcão e caminhou até o elevador.

— Derek, o que faz aí? — indagou ele, em voz baixa.

O rapaz olhou por cima dos ombros do homem, até que Marianne transpusesse o portal que dava acesso à piscina. Depois ele olhou para o homem e sorriu:

— Ora, papai. Estou me divertindo.

— Tire isso imediatamente. Preciso de ajuda, temos que fazer um trabalho perfeito.

— Sei disso, mas agora estou em minha hora de folga.

— E por que está aí, no elevador?

— Por que é o melhor modo de conhecer todas as garotas.

— Você não cria juízo mesmo — disse Arthur Shaw, o proprietário do hotel, passando as mãos pelos cabelos e voltando à portaria.

Um dos "boys" do hotel se aproximou do jovem que estava no elevador.

— Parece que o velho não apreciou sua idéia, Derek.

— Não se preocupe, Eddie. Ele sempre fica nervoso quando recebemos as mocinhas do concurso. Mas não vamos falar nisso agora. Você viu essa que chegou há pouco?

— Sim, uma verdadeira bomba!

— Sensacional, realmente. Acho que vou trocar minha posição de ascensorista pela de salva-vidas da piscina.

— Então já fez sua escolha?

— Sim. Além disso, está muito monótono trabalhar no elevador, agora que todas elas estão na piscina. Se elas soubessem que o elevador é controlado por computador e que um ascensorista é dispensável... — riu Derek, entrando no elevador e apertando o botão do último andar, onde ficava seu apartamento particular.

***

Quando Marianne chegou à piscina, reinava uma balbúria total. Os repórteres e fotógrafos rodeavam as garotas, fazendo perguntas, pedindo poses especiais.

— Vejam aquilo, pessoal! — gritou alguém, de repente.

Houve um instante de silêncio, quando todos os rostos se voltaram para a entrada da piscina. Marianne caminhou lentamente, demonstrando toda sua elasticidade feminina.

Num gesto lento e ensaiado, soltou a saída da banho de sobre seus ombros.

— Pare! — gritou um repórter se adiantando, mas sendo ultrapassado por um fotografo.

Foi o inicio de tudo. Repentinamente Marianne se viu cercada por todos eles. Choveram perguntas e pedidos. Ela mal tinha tempo de responder um deles e outra já lhe perguntava algo em seguida.

Os fotógrafos queriam que ela sorrisse, que movesse os braços, que se sentasse, que agitasse os cabelos. No outro lado da piscina, um grupo invejoso, formado pelas outras concorrentes, observava tudo sem esconder o ódio.

— Quem é ela? — indagou uma das garotas.

— Uma Miss Qualquer-Coisa — respondeu outra, com despeito.

— Deve se sentir feliz com a sensação que provocou — observou outra.

— Talvez devêssemos dar uma lição nessa garota — sugeriu a Miss San Diego.

— O que tem em mente? — indagou Miss San Francisco, que até então era uma das mais cotadas ao titulo.

— Deixe comigo — disse a Miss San Diego, fazendo um sinal para um rapaz que estava dentro da piscina.

Com braçadas rápidas ele chegou até a borda.

— O que foi desta vez, Judy?

— Cale a boca, irmãozinho, e escute. Quero que faça o seguinte...

— Está bem, você manda — disse ele, saindo da piscina e caminhando até o grupo onde estava Marianne.

Um fotografo pediu uma pose à beira da piscina. Marianne o atendeu. O rapaz ainda gotejante se aproximou dela, como se fosse dizer alguma coisa.

Num movimento que pareceu acidental, ele derrubou a garota na água. Os fotógrafos não perderam a chance. Suas câmaras trabalharam com rapidez.

Nenhum deles, porém, percebia que Marianne não sabia nadar. Repentinamente, um vulto se atirou à água, retirando a jovem.

— Pare, eu estou bem — gritou ela, meio engasgada, enquanto o rapaz tentava lhe aplicar uma respiração artificial boca a boca.

— Tem certeza? — indagou Derek Shaw, preocupado realmente.

— Sim, acho que sim — falou ela, percebendo que os fotógrafos não perdiam um instantes.

— Meu Deus! Eu estou horrível — exclamou ela, cobrindo o rosto.

— O que houve agora?

— Meus cabelos...

— Vamos, levante-se — pediu Derek, segurando-a pelos braços. — Agora sorria.

— Como?

— Sorria — repetiu ele.

Marianne obedeceu. Derek a olhou com interesse, depois se voltou para os repórteres e fotógrafos.

— Já viram antes beleza tão natural, perfeição tão exuberante?

— Sr. Shaw, conhece a garota? — indagou um repórter.

— Sim, claro. Eu e Miss...

— San Bernardino — ajudou ela.

— Eu e Miss San Bernardino somos velhos amigos.

— Quais são as chances dela, — perguntou outro repórter.

— A pergunta ficará melhor se você me perguntasse quais são as chances das outras.

— Eu reformulo a pergunta então — disse o repórter. — Quais são as chances das outras.

— Elas não têm a menor chance — finalizou Derek, passando o braço ao redor dos ombros da garota e levando-a para fora dali.

Os fotógrafos rapidamente registraram a cena. Derek a conduziu para o interior do hotel.

— Para onde está me lavando? — indagou ela, já no elevador.

— Você precisa se secar...

— Nesse andar — respondeu ela, apertando o botão correspondente ao seu andar.

Derek apenas sorriu decepcionando e brincalhão. Marianne o olhou com cuidado. Era um belo rapaz. Tinha um físico bem cuidado e muito simpático. Além disso, tinha algo de conhecido.

— Onde o vi antes? — indagou ela.

— Não sei, talvez aqui dentro mesmo — respondeu ele, sorrindo.

— Estava com aquele grupo de homens, não?

— Sim, estava.

O elevador parou diante do andar em que ficavam os aposentos da garota. Quando ela deixou o elevador, Derek a seguiu.

— Onde pensa que vai? — quis saber ela.

— Pensei que quisesse me agradecer pelo que fiz. Salvei sua vida.

— Fico-lhe grata por isso, Sr...

— Derek Shaw.

— Sim, muito obrigada — emendou ela, caminhando até diante da porta de seu quarto.

— Posso voltar a vê-la?

— Não sei, tenho compromissos.

— O hotel vai oferecer um jantar de boas-vindas a todas as concorrentes. Posso acompanhá-la?

A Sra. Yarrow estava ao telefone. Ao ver Marianne, finalizou o que estava tratando para encará-la.

— O que houve com você?

— É uma longa historia, Sra. Yarrow.

— Pode apanhar um resfriado. Vá tomar um banho quente. Precisamos cuidar desse cabelo. Já marquei hora para você. Não temos um minuto a perder. Depois você me conta tudo que aconteceu.

Marianne percebeu que as malas já haviam sido desfeitas. Foi até o armário e apanhou seu roupão de banho. Vestiu-o sobre o corpo molhado.

Sentiu que havia algo dentro de um dos bolsos. Não precisou forçar a memória para saber de que se tratava. Seus dedos apertaram com força aquela rolha de champanhe.

Lembrou-se, então, de James York, seu namorado. Aquela simples rolha tinha um significado especial para a garota e a fazia se lembrar daquela noite de despedida.

Marianne caminhou até o banheiro, onde se despiu e ligou a ducha. A água morna caiu sobre seu corpo, escorrendo com suavidade.

Pareceu-lhe sentir que no momento seguinte a ducha seria desligada e os dedos possessivos de James passeariam pelos eu corpo, como na noite passada.

James chegara de surpresa e a pegara no banho. Há muito ele tinha a chave do apartamento dela.

— Rápido! — gritou a Sra. Yarrow, despertando-a.

CAPÍTULO 2

Enquanto se enxugava, Marianne ouviu o telefone tilintar. A Sra. Yarrow atendeu prontamente. Momentos depois ela vinha ter com a garota.

— Não precisa pressa agora, você só terá de ir ao cabeleireiro daqui a três horas. Aproveite para repousar.

— Não vejo nada mais agradável agora, Sra. Yarrow — disse Marianne, terminando de se enxugar e vestindo o roupão.

— Vou precisar sair, tenho muito a fazer aqui — disse a velha senhora.

— Está bem, não se preocupe comigo. Vou me deitar e dormir um pouco. O banho quente me fez sentir o cansaço da viagem.

— Sim, faça isso mesmo.

Marianne enrolou uma toalha no alto da cabeça, depois se estendeu em sua cama. Haver se lembrado de James a deixara saudosa. Era algo que não conseguia explicar a si mesma.

Vivia numa constante contradição contudo dentro de si. James a dominava de um modo inapelável. Por mais que tentasse, julgava que jamais conseguiria fugir dele.

Seus pensamentos logo voltaram à noite anterior. Havia terminado todos os preparativos e tomava uma ducha quente. Pensava em dormir cedo, já que o ônibus partiria na madrugada seguinte.

Não esperava rever James, não naquela noite, após a cena que ele havia feito.

Simplesmente exigira de Marianne uma definição.

— Vai ter de escolher, Marianne: eu ou esse maldito concurso — disse ele, naquela tarde, quando a trouxera para casa.

— Podemos chegar a isso, James, desde que você também faça uma escolha: eu ou sua esposa.

— Você prometeu que...

— Você também prometeu, já esqueceu?

James nada dissera, voltando ao seu carro e partindo apressadamente. Marianne chegara a pensar que ali chegava o fim daquele relacionamento.

Enganara-se. James voltara naquela noite, desligando a ducha, soltando-lhe os cabelos, secando-lhe o corpo com seus lábios ardentes e vorazes.

Ela se enganara mais uma vez. Não podia fugir a ele, apesar de tudo.

Depois ele dissera:

— Esta bem, Marianne. Você pode ir.

— Eu sabia que você concordaria comigo, finalmente — respondeu ela.

Marianne o conhecia bem. James sempre ficava mais calmo e tolerante depois de a possuir.

— Estou preparando um negocio. Talvez eu vá depois de amanhã a Los Angeles, a serviço.

Poderemos nos encontrar, se não estiver muito atarefada com o concurso.

— Depois de amanhã é terça-feira ainda. O concurso só será no sábado.

— Você já pensou no que fará se for a escolhida? — indagara ele, acendendo um cigarro.

— Sim e não. De qualquer maneira, será sempre uma surpresa.

— Não teme que isso venha a nos separar definitivamente?

— Nada vai nos separar, James, eu lhe prometo — afirmara ela, jogando seu corpo nu e quente sobre o dele e beijando-o com volúpia.

Os dedos possessivos de James percorreram o corpo de Marianne, fazendo-a vibrar. Os lábios vorazes do homem novamente a cobriram de beijos.

***

Quando a Sra. Yarrow chegou, algum tempo depois, Marianne já havia se vestido.

Escolhera um modelo bem ousado, capaz de atrair as atenções e provocar inveja.

Ao deixar o hotel, Marianne foi novamente alvo dos repórteres e fotógrafos.

Srta. Torkington, qual o seu relacionamento com Derek Shaw? — indagou um deles.

— Derek o quê?

— Derek Shaw, o famoso milionário e playboy.

— Bem, nós mal nos...

— Ela está com pressa — interrompeu a Sra. Yarrow, empurrando Marianne na direção de um carro.

— Suba aí, este carro estará a nossa disposição durante todo o tempo — informou a mulher.

Momentos depois, quando rumavam para o cabeleireiro, a acompanhante indagou:

— Você sabe quem é Derek Shaw? Conhece-o?

— Bem, se é o mesmo rapaz que me tirou da piscina hoje, sim.

— Menina, você é mais esperta do que eu possa imaginar. Derek Shaw é o proprietário do hotel onde estamos, além de muitos outros. Seu nome é sinônimo de manchete. Garanto que você vai se sair melhor do que eu imaginava.

— Espere um pouco... Quer dizer que devo me aproximar realmente desse Derek Shaw?

— Claro que sim.

— Mas ele é um maníaco sexual, tenho certeza disso. Mal nos conhecemos e ele já...

— Domine-o, controle-o, use-o e será a mais comentada das concorrentes. Isso pesa muito. Estou orgulhosa de você, Marianne. Vamos jogar pesado desta vez.

Marianne olhou para a Sra. Yarrow e fez uma careta de espanto. Procurou se lembrar do rosto de Derek Shaw e o conseguiu com facilidade.

Era um homem atraente e simpático até, não fosse tão apressadinho em suas deduções.

Poderia ser uma companhia agradável.

De-repente, porém, a garota se lembrou de James e seu ciúme. Ele ficaria realmente furioso ao saber de Marianne e um estranho.

Sentiu-se assustada, a principio. Depois chegou à conclusão de que seria um bom modo de pressionar James a uma decisão.

Marianne já estava ficando enojada das constantes desculpas do amante, em fugir a um compromisso mais sério. Algo como aquilo poderia apressar tudo.

Gostava de James, sentia-se bem como o desejo que despertava nele, adorava aquele modo possessivo de ser amada e preservada dos outros homens.

Talvez a idéia da Sra. Yarrow não fosse tão má assim. Marianne estaria fazendo seu jogo, conseguindo uma publicidade segura e gratuita para si.

Era o que precisava, isso contava muito, podia influenciar os juizes num momento de decisão. Assim, mataria dois coelhos de uma só cajadada.

Daria uma lição preciosa em James e conseguiria alguns pontos em popularidade.

No cabeleireiro, enquanto aguardava ser atendida, Marianne não pode deixar de prestar atenção à conversa de duas garotas de costas para ela.

Uma era a Miss San Francisco; a outra a Miss San Diego.

— Só quero ver o que os jornais vão falar dela depois daquilo que preparamos — disse uma delas.

— Devíamos ter ficado para ver o final.

— Não. Poderíamos acabar nos envolvendo. Ela vai ter a fama de desajeitada que merece.

— Seu irmão fez um belo trabalho, derrubando-a na piscina. Afinal, descobriu de onde ela é?

— É a Miss San Bernardino.

— Grande coisa! Depois do que os jornais vão falar dela, ela não terá nenhuma chance.

— Pronto, queridinha! Só vamos enxaguar os cabelos de vocês e mandá-las para o secador. Depois daremos um toque divino nesses cabelos maravilhosos — disse o chefe dos cabeleireiros, passando por elas.

Marianne teve uma idéia marota e vingativa. Levantou-se e, disfarçadamente, apanhou um vidro de fixador de cabelo. Sem que as duas percebessem, a garota derrubou metade no vidro dos recipientes onde seriam enxaguados os cabelos das outras.

— O que fez? — indagou a Sra. Yarrow.

— A senhora as ouviu, não?

— Mas se tudo terminou do modo como você disse, elas apenas lhe fizeram um favor, aproximando-a de Derek Shaw.

— Pode ser, mas não consegui resistir.

Algum tempo depois, quando as outras duas estavam no secador. Marianne olhou para a porta do estabelecimento. Havia um batalhão de repórteres e fotógrafos ali.

— Sua vez, queridinha — disse o chefe dos cabeleireiros, aproximando-se dela.

— Não permite a entrada deles? — indagou Marianne, apontando para a porta.

— Detesto-os. São grosseiros e vulgares.

— Pense na publicidade para o seu salão.

— Acho que não me conhece, meu bem. Já tenho publicidade até de sobra.

— Está bem, estou pronta. Pode me aguardar apenas um minutinho?

— Depressinha, não tenho tempo a perder.

Marianne correu à porta. Imediatamente foi cercada pelos fotógrafos.

— Por favor, se um de você me emprestar a câmara, prometo fotos sensacionais — disse ela.

— O que pretende, Miss San Bernardino? — indagou um fotografo.

— Não tenho tempo para explicar, preciso de uma câmara.

— Está bem, leve a minha, mas depois quero uma exclusiva — pediu ele.

— Terá mais do que isso, meu bem — concordou ela, apanhando a câmara.

O rapaz lhe deu rapidamente explicações sobre o funcionamento. Marianne entrou apressadamente. Naquele mesmo instante, ouviu-se um gritinho abafado de espanto.

O chefe dos cabeleireiros acabava de desmaiar. Miss San Francisco e Miss San Diego saíam do secador, sem nada entender.

Marianne não perdeu tempo, pondo a câmara em funcionamento. Houve um corre-corre, risos e muito espanto. Os cabelos das duas lembravam os de bruxas de histórias infantis. O

fixador os havia deixado num estado lastimável.

— O que está havendo, afinal de contas? — indagou a Miss Francisco, aproximando-se do espelho.

Um grito histórico escapou de sua garganta, seguido pelo de Miss San Diego. As duas se olharam horrorizadas, humilhadas agora pelas gargalhadas das outras concorrentes ali presentes.

Marianne não perdeu um só detalhe. Repentinamente, Miss San Francisco a notou, assim como a câmara fotográfica.

— Você! — berrou ela, histérica. — Foi você!

Marianne terminou o filme da máquina, no exato momento em que Miss San Diego apanhava um secador a partia contra ela.

A garota rapidamente fugiu pela porta. Miss San Francisco, armada de um enorme vidro de loção, saiu no seu encalço. Os fotógrafos registraram cada lance da agitada perseguição pela rua.

Marianne chegou a supor que seria alcançada, quando uma motocicleta parou junto dela.

— Suba aqui! — ordenou o fotografo que havia emprestado a câmara.

Marianne se acomodou na garupa da moto, do melhor modo que suas roupas permitiam. O

rapaz se afastou rapidamente dali.

A garota não pode deixar ir, ao ver o vulto descabelado de Miss San Francisco, esbravejando no meio da rua, enquanto os fotógrafos não perdiam um só detalhe.

— Pode parar numa cabine telefônica? — pediu ela ao rapaz.

— Sim, claro — respondeu ele, fazendo o que ela pedia.

Momentos depois Marianne ligava para o cabeleireiro, indagando pela Sra. Yarrow. Podia perceber claramente a confusão que reinava no local.

— Marianne, onde você está? — indagou a acompanhante, finalmente.

— Estou bem. Eu a encontro no hotel.

— Você viu o que fez?

— Elas fizeram por merecer, não me arrependo. Agora preciso desligar. Conversaremos no hotel.

Assim que desligou, Marianne se voltou para o fotografo, entregando-lhe a câmara.

— Está tudo aqui — disse ela.

— Você foi sensacional.

— Pode me dar uma carona até meu hotel?

— Sim, mas você me prometeu uma explicação. Depois do que houve hoje à tarde, seu nome vai ser muito comentado, garota. Uma foto sua valerá ouro.

— Isso é bom para você?

— isso é ótimo para mim. As coisas não têm dado certo ultimamente. Este trabalho significas tudo para mim.

— Pode ter certeza que sim.

— Está bem, você tem uma hora para me fotografar.

Não precisou repetir aquilo. Momentos depois era levada até o cais, onde diversas fotografias foram feitas. Não satisfeito com isso, o rapaz a levou até um dos barcos.

Marianne gostou daquilo. Era divertido e bom para sua vaidade ser tratada daquele modo.

O fotografo elogiava a todo instante sua naturalidade, seu sorriso, seus cabelos.

— Qual é os eu nome? — indagou ela, quando terminaram as fotografias no barco.

— Roy Parker. Você é Marianne Torkington, não?

— Sim. Terminamos?

— Ainda tenho quinze minutos de seu tempo — disse ele, após consultar o relógio.

— Ainda não está satisfeito?

— Com você, ninguém fica satisfeito — disse ele, com um acento de malícia.

Marianne entendeu a insinuação e sorriu. Se aquilo partisse de Derek Shaw, provavelmente ela ficaria aborrecida. Vinda de Roy, no entanto, parecia natural.

— Que mais posso fazer por você?

— Não vai se ofender se eu disser?

— Diga.

— Bem, acho que o pessoal apreciaria uma fotos mais intimas e...

— Acho que está precipitando as coisas, Roy — falou ela, com seriedade.

— Está bem, não se fala mais nisso. Muitas garotas se ofendem, mas eu sou um profissional e encaro tudo com naturalidade. Não vejo nada de anormal em alguém exibir a perfeição que Deus lhe deu.

— Entenda, pode ser que eu... Um dia... Não consigo me ver fazendo isso.

— Não é nada de imoral. Apenas algumas poses artísticas, nada mais. Garanto que não se envergonhará do meu trabalho.

Marianne se viu tentada a concordar, mas acabou por desistir daquilo. Roy não a forçou.

Apenas exigiu mais algumas fotos junto da motocicleta e depois a levou para o hotel.

Durante o percurso, Marianne se sentiu estranhamente liberta, enquanto colava seu corpo ao dele. A motocicleta dava uma sensação de amplidão e, ao mesmo tempo, excitava.

Seus braços, rodeando a cintura de Roy, absorvendo o calor daquele corpo, a fizeram pensar no assunto. Percebeu que podia se interessar por outra pessoa, esquecendo James.

Isso a assustou, em parte. Era difícil pensar em quebrar algo, mas desde que se propusera a aceitar a companhia de Derek Shaw, muita coisa mudará nela.

Marianne percebeu isso e se sentiu assustada com o que podia fazer. Entendeu que tinha sua vida em suas próprias mãos e que estava liberta da influência possessiva de James, ali em Los Angeles.

Lembrou-se, porém, de que ele estaria ali no dia seguinte. Isso a deixou numa espécie de frustração que não pode entender totalmente.

Tomou uma decisão repentina. Faria tudo que pudesse para aproveitar seus instantes de liberdade e decidir.

CAPÍTULO 3

No momento, aquela lhe pareceu realmente uma decisão repentina e um tanto arriscada.

Pensou em todas as vezes em que desejara se separar de James.

Sempre havia algo que a empurrava de volta, principalmente a solidão. Apesar de toda a sua beleza, Marianne se sentia insegura para se lançar numa nova aventura, temendo se arrepender mais tarde.

Mas houve momentos em que jurara nunca mais voltar a ver James. Esses momentos voltavam agora para reforçar aquela sua argumentação a si própria.

Talvez devesse mesmo tentar viver aquela liberdade. Não estaria só. James chegaria no dia seguinte e, caso algo falhasse sempre haveria o consolo de voltar para ele.

Além do mais, o calor daquele corpo estranho descobriu uma nova sensualidade em si mesma e uma curiosidade enorme de provar o que a vida lhe oferecia.

Nada sabia sobre Roy, além de que era fotografo e estava numa fase de azar em sua carreira. Fora disso, era simpático e até atraente. Aquela barba espessa e negra dava-lhe um ar intelectual, mas o brilho intenso de seus olhos contrastava com tudo aquilo, revelando alguém brincalhão e cheio de vida.

Chegaram ao hotel. Pelo menos, tudo estava calmo. Não se notava nenhuma movimentação especial, um sinal de que o escândalo no salão ainda não chegara ali.

— Pronto, boneca, sã e salva — disse Roy.

Marianne saltou do pequeno veiculo e encarou o rapaz. Sentiu que seu corpo tremia e que não conseguiria dizer nada. Precisava, no entanto, fazer aquilo. Era uma tentativa a que não podia renunciar.

Seria muito revelador o que pudesse acontecer. Marianne se descobriu mulher com inspirações futuras, com desejos próprios.

O que James lhe poderia oferecer, além de seu próprio egoísmo e de seu desejo? Já deixará claro que nunca deixaria a esposa. Não queria discussão sobre isso e a proibira de tocar no assunto.

— Parece com pressa... — observou ela, a voz trêmula.

— E estou realmente. O material que tenho aqui faz de mim o fotografo mais privilegiado de toda a cidade. Mal posso esperar para entregar isso ao laboratório.

— Não revela seus próprios filmes?

— Fazia isso, mas tive de vender todo meu equipamento. Já lhe falei sobre minha maré de azar...

— Está bem, Roy. Fico muito grata se conseguir pôr essas fotos nas primeiras páginas amanhã. Vai ser muito bom para mim.

Roy a olhou por instantes, como se pretendesse dizer alguma coisa. Na verdade sua intenção era convidar a garota para um encontro mais tarde.

Riu de si mesmo. Marianne era uma Miss, bela, escultural. Os homens deveriam cair a seus pés como borboletas ao redor de uma lâmpada. Sentiu que não teria a menor chance.

Marianne sustentou o olhar, esperando com isso incentivá-lo a sugerir algo. Roy apenas sorriu. A garota sentiu que ele não tomaria a iniciativa.

— Gostaria de ver as fotos depois de prontas — lembrou-se ela de dizer.

— Não estará ocupada? Quero dizer, você é uma Miss, deve ter muitos compromissos e...

— Terei muito prazer em atendê-lo a qualquer hora.

— Realmente?

— Sim.

— Ligarei para você assim que as fotos ficarem prontas.

— Esperarei.

Roy sorriu mais uma vez, depois se afastou rapidamente. Marianne caminhou lentamente para a entrada do hotel. Havia ali alguns fotógrafos e repórteres. Ela se descartou com delicadeza, rumando para o elevador.

Quando a porta se abriu, Derek Shaw sorriu para ela.

— Olá, estive à sua procura — disse ele, tomando-a pelo braço e fazendo-a entrar.

A porta do elevador se fechou. Derek Shaw estendeu o braço, prendendo Marianne contra a parede. Olhou-a nos olhos.

— Puxa! Você é linda mesmo — exclamou ele.

— Você esteve a minha procura apenas para dizer isso?

— Não, claro que não. Mas Não pude resistir. Precisava dizer isso.

— Já o disse. Por que me procurou?

— Bem, estou lhe oferecendo um curso de natação completamente grátis.

— Para que preciso de um curso de natação?

— Posso lhe dar um milhão de razões, mas basta só uma: manter-se viva na hora em que for preciso.

Marianne sorriu, concordando com a cabeça. Tinha de reconhecer que Derek era realmente persistente e convincente. Precisava dele, mas não podia atirar-se nos braços dele às cegas.

Seu instinto feminino a fazia se valorizar, sugerir, provocar. Isso manteria a atenção dele sobre ela. Marianne o controlaria.

Desejava experimentar aquela sensação. Até então, sempre fora dominada. James sempre acabava impondo sua vontade. Ali, não.

O interesse de Derek dava um trunfo à garota. Não que ela julgasse que nunca se interessaria por ele. Reconhecia até que poderia ser agradável.

Mas, acima de tudo, o que contava em sua decisão era saber que a companhia de Derek a ajudava naquele concurso.

— Está certo, verei se me sobrará tempo para isso, Derek — disse ela, decidindo-se.

— Não, isso não basta. Quero uma certeza.

— Precisa entender, tenho meus compromissos.

— Que tal logo mais, à noite?

— O jantar..

— Após o jantar eu a levo para conhecer Los Angeles. Depois, quando voltarmos, eu a ensino. Está bem?

Ele a deixou à porta de seus aposentos, afastando-se satisfeito. Marianne entrou. A Sra.

Yarrow ainda não voltara. Marianne passou diante de um espelho. Seus cabelos estavam horríveis. O vento os deixara em desalinho.

Precisava fazer alguma coisa por sua aparência. Não haveria mais tempo para procurar um cabeleireiro. Teria de fazê-lo sozinha.

Lembrou-se, então do que Derek dissera, quando a salvara na piscina. A naturalidade poderia ser uma boa arma. Não pensou duas vezes.

Correu para molhar os cabelos e depois se sentou diante do espelho com um secador.

Quando se preparava para cuidar de seus cabelos, a Sra. Yarrow chegou.

A velha senhora a olhou, sem saber se deveria se zangar ou elogiar o desempenho da pupila.

— Ajude-me aqui, Sra. Yarrow! — ordenou Monique.

— O que pretende fazer? Olhe esses cabelos, você está horrível!

— Eles estão molhados. Ajude-me a secá-los.

— O que quer que eu faça. Você deveria estar exuberante no jantar desta noite.

— Estarei, não se preocupe. Quero meus cabelos bem naturais e soltos.

A mulher apanhou o secador e a escova e tratou de fazer o que a garota pedia. Pelo espelho Marianne a observava. Os lábios da Sra. Yarrow se abriram num sorriso.

Marianne sorriu também. Ambas se lembravam dos acontecimentos no salão.

— Como acabou tudo por lá? — indagou a garota.

— Foi um sucesso. O salão quase foi abaixo, querida — disse ela, dando os detalhes.

— Isso ensinará as duas a não se meterem comigo novamente.

— Está bem, mas prometa-me que vai se comportar logo mais à noite, durante o jantar.

Toda a Comissão organizadora estará presente, além da imprensa, alguns artistas e gente famosa ligada à beleza.

— Farei tudo que estiver ao meu alcance para não desagradá-la, Sra. Yarrow.

***

O jantar foi um sucesso. Marianne se viu num sonho, sendo a atração. Todos os olhares e todas as atenções se voltaram para ela.

Sua beleza natural, sem artifícios ou exageros e, principalmente, seus cabelos louros e longos, caídos com naturalidade formavam um conjunto inesquecível.

Derek Shaw, junto dela, foi importante para canalizar todas as atenções. Deslumbrada, Marianne se deixou levar por aquela sensação de embriaguez.

Nem os olhares invejosos das outras concorrentes a abalaram. Sentiu-se livre e admirada, adorando cada segundo daquilo.

Ao fim do jantar, Derek a convidou para ver a cidade. Marianne não estava em condições de negar. Queria continuar aquela festa interior, particular, viver realmente.

Enquanto aguardava Derek na saída do hotel, percebeu a aproximação da Miss San Francisco.

— Muito bem, queridinha — falou a outra. — Reconheço que estamos quites, mas não pense que tudo acaba aqui. Muita coisa ainda pode acontecer.

— Como o que, por exemplo? — indagou Marianne, desafiadora e segura de si.

— Um salto de sapato que se quebra, uma costura que se solta, alguma coisa extra no seu creme de rosto. Nunca se sabe, meu bem — finalizou a outra, afastando-se.

Marianne foi em seu encalço.

— Deixe-me dizer-lhe uma coisa, mocinha — rugiu Marianne. — De onde eu venho não se engole desaforos. Você vai ver o meu seguro. Se algum daqueles acidentes acontecer comigo, juro como a faço se arrepender amargamente.

— Você está sozinha agora, mocinha — disse a Miss San Francisco, livrando-se de Marianne com um repelão.

Marianne a observou se afastar, sentindo-se assustada. A inveja da outra podia ser algo muito perigoso. A chegada de Derek, no entanto, tirou aquilo de seus pensamentos.

— Venha — disse ele, abrindo a porta.

Marianne agradeceu com um sorriso e se acomodou. Derek tomou seu lugar ao volante.

Antes de partir, olhou para a garota e sorriu.

— Você é a rainha hoje. Farei o que me ordenar.

— Quero ver tudo que for possível ver numa só noite.

— Seu pedido é uma ordem — sorriu ele mais uma vez, pondo o veiculo em movimento.

Marianne nunca se divertira tanto. Derek sabia como agradar alguém. Praticamente a levou a todos os lugares da moda.

Em toda parte, sempre havia repórteres e fotógrafos, cercando-os como um enxame de abelhas curiosos. Marianne sabia que cada fotografia, cada palavra que dizia, tudo contava em seu favor.

Finalmente, Derek a levou a uma praia tranqüila. Havia alguns carros por ali, mas não se percebia ninguém.

— Aqui terminamos nossa noite, Marianne.

— Oh, Derek. Foi tudo maravilhoso.

— Ainda quer aprender a nadar?

— Aqui?

— E por que não?

— Não tenho roupas apropriadas e...

— Ninguém perceberá ou comentará se suas roupas são ou não apropriadas. O que me diz?

Marianne percebeu onde aquilo a poderia conduzir. Derek fora muito agradável e atencioso durante o tempo todo. Mas, por mais que se esforçasse, não podia ver nele nada além de um instrumento para a sua popularidade.

Não desejava aquele homem, ele não a excitava, não provocava nada dentro dela. Não podia entender como, em breves minutos, Roy a havia influenciado tanto.

Derek havia feito muito mais por ela. Ela estava grata a ele, mas sentia que não poderia dar a ele o que ele pretendia.

Mas se sentiu tentada a iniciar alguma coisa. Aquela sensação adorável de liberdade não lhe tirara o raciocínio. Sabia que o local era romântico e tudo poderia acontecer.

Cedendo, possivelmente faria com que Derek perdesse o interesse por ela. Afinal, ela era bastante experiente para saber o tipo de coisa que ele desejava dela.

Desse modo, seria aquilo e fim. Nada restaria para o dia seguinte. Por outro lado, se Marianne cedesse dentro de seus limites, estabelecendo até onde poderia permitir que ele avançasse, teria nele alguém interessado e cego pelo desejo.

Conservaria, desse modo, um precioso aliado. Derek não era homem de desistir facilmente.

Seu interesse por ela seria aumentado e, desse modo, ela poderia usá-lo, deixando-o supor que a usava.

— E então, o que me diz? — repetiu ele.

— Está bem, aceito.

Despiram-se rapidamente. Marianne conservou seu sutiã e sua calcinha. O tecido transparente recebia a cumplicidade da escuridão que o brilho das estrelas tentava varar.

Derek hesitou por instantes, terminando por conservar sua sunga. Esperava que Marianne se decidisse. Mesmo assim, seus contornos sugeriam delicias, seu andar revelava uma fêmea completa.

— A água está fria — observou ela, parada onde as ondas morriam.

— Um pouco de movimento e isso acaba — disse ele, passando seu braço pela cintura dela e fazendo-a caminhar.

Pouco a pouco as ondas foram molhando seu corpo. Derek a levou para um ponto não muito profundo.

— Muito bem, o que faço? — indagou ela.

— Bem, solte o corpo e o deixe flutuar.

— Vou afundar.

— Eu a segurarei — disse ele, com certa emoção.

Marianne pouco a pouco estendeu o corpo. As mãos dele a apoiavam na cintura.

— Movimente os pés — ordenou ele.

Marianne obedeceu. As mãos dele escorregaram lentamente para lados opostos. Uma delas deslizou suavemente pelo ventre da garota, atingindo a maciez acetinada de suas coxas.

Viu-se excitada, mas lembrou-se de James. Não conseguia pensar em Derek junto dela.

Não se via sendo amada por ele. Tentou entender aquilo, mas não podia. Simplesmente não podia.

— Muito bem — murmurou ele.

Sua voz era rouca e excitada. Marianne percebeu o quanto ele a desejava e sorriu com satisfação. Repentinamente, aquelas mãos a soltaram, para em seguida abraçarem seu corpo com frenesi.

Ambos mergulharam. Os lábios dele buscaram os dela com uma voracidade que a assustou. O beijo, porém, foi estranhamente delicioso. Marianne se entregou a ele sem entender por que o fazia.

Puseram-se em pé. Derek a segurou pelos ombros. Depois, suas mãos escorregaram ao longo dos braços dela num movimento carinhosos que se repetiu, como se Derek desejasse retirar daquela pele toda a umidade.

Marianne achou que poderia encerrar tudo por ali, cortando o avanço de Derek num momento decisivo. Depois julgou que aquilo não bastaria para dar a ele uma amostra do que ela poderia lhe oferecer.

Seus braços enlaçaram o pescoço de Derek. Marianne não via emoção alguma naquilo, Derek falhava em fasciná-la.

Mesmo assim, ela o beijou com provocação. Os braços dele a apertaram com força. Derek suspirou excitado, sugando aqueles lábios que se ofereciam aos seus.

CAPÍTULO 4

Marianne se lembrou das recomendações da Sra. Yarrow. O dia seguinte seria cheio.

Haveria ensaios, coquetéis, entrevistas coletivas.

Além disso tudo, James chegaria. Marianne pensou nele com uma espécie de ódio que não pode entender. Saboreou, então, um instante de vingança, ali, nos braços de Derek.

O milionário a tomou nos braços e caminhou na direção do carro. Uma das mãos dele pressionava os seios da garota, mas ela não se incomodou, embora desejasse que aquilo a perturbasse e provocasse.

Derek a depositou na areia, ao lado do carro. Depois se ajoelhou ao lado dela. Suas mão tatearam o corpo da garota suavemente.

Seus dedos suaves em nada lembravam os dedos possessivos de James. Talvez aquele simples detalhe mudasse tudo naquele momento.

— Você é maravilhosa! — arquejou ele, as mãos deslizando pelo corpo dela.

— Você também é maravilhoso — disse ela, sem nenhuma emoção.

Uma das mãos dele se introduziu pelo sutiã, libertando os seios da garota. A outra deslizou em caricias atrevidas pelo ventre e coxas de Marianne.

A jovem sentiu a respiração ofegante de Derek pesar contra seus seios. Os lábios ardentes do homem beijaram com provocação a pele ao redor dos seios.

Depois, lenta e calculadamente, foram galgando a maciez das rígidas elevações, buscando os bicos eriçados. Uma caricia um pouco mais forte e Marianne sentiu seu corpo vibrar.

Era como se Derek estivesse acordando algo adormecido dentro dela. Ao perceber aquela reação de seu corpo, Marianne temeu pelo que aconteceria em seguida.

Sentiu-se excitada, mas sabia que não poderia ceder, pois Derek a consideraria uma conquista fácil e, consequentemente desinteressante.

Excitá-lo friamente e se preservar no momento exato seria o golpe de mestre que o manteria interessado nela, pelo menos o tempo necessário até o final do concurso.

O corpo dele já pesava sobre o dela. Os lábios passeavam pelo pescoço e ombros de Marianne com impaciência. Ela lutou para dominar o desejo que se acendia dentro dela, incontrolável e louco.

Tudo era parte de um jogo, onde ela precisava ditar as regras. Fora usada durante muito tempo por James. Pela primeira vez sentia que poderia controlar sua vida e suas emoções, jogando com as situações de modo a favorecê-la.

Derek era carinhosos. Talvez fazer amor com ele fosse divino, mas Marianne se manteve lúcida o tempo todo, deixando que ele julgasse tê-la sob seu domínio.

Ele a teve nua diante dele. A palidez dos astros se refletia sobre o corpo claro e tentador da garota, deixando Derek num estado insuportável de excitação.

Nada havia de mais maravilhoso que aquela visão. O corpo jovem e saudável de uma jovem como Marianne despertava apetites incontroláveis.

— Derek! — falou ela.

— Sim? — arquejou ele em resposta, espalhando beijos no ventre macio da garota.

— Precisamos ir.

— É cedo, muito cedo — respondeu ele, as mãos trabalhando coordenadas e carinhosas.

— Vou ter um dia cheio amanhã.

Seu tom de voz, a maneira fria como falava, a ausência de reação em seu corpo, tudo isso fez com que Derek caísse na realidade.

Excitado como estava, não percebera que seus carinhos não encontravam eco naquele corpo.

— O que está havendo? — indagou ele, levantando o corpo para olhá-la.

Marianne aproveitou-se daquele momento para se pôr em pé, após haver apanhado suas peças íntimas. Derek não entendeu aquilo.

Num momento como aqueles, aquela seria a última reação que poderia esperar de uma garota. Julgou-se, então, um tolo. Estivera todo o tempo concentrado em seus próprios desejos que se esquecera de Marianne.

Foi a explicação lógica para seu fracasso. Era um homem experiente, senhor de si, egoísta até certo ponto. Às vezes dava certo extravasar e encontrar a mesma disposição de sua parceira.

Havia, porém, momentos em que isso precisava ser descoberto e revelado com calma.

Derek concluiu que fora isso justamente que lhe faltara.

Quis outra chance para recomeçar tudo, usando outra estratégia que julgava eficiente.

Abraçou Marianne pela cintura.

A garota sentiu um arrepio percorrer seu corpo, quando a respiração dele incendiou seu ventre, deslizando lentamente até seu ponto mais sensível.

— Preciso ir realmente — disse ela, fechando os olhos e lutando com todas as suas forças para não se deixar vencer por aquela caricia extrema.

Derek reconheceu a derrota, mas não desistiu da luta. Soltou-a, suspirando longamente.

Teria de reconquistá-la novamente, criar uma nova oportunidade.

Isso não o desanimava. Era, aliás, o que dava um prazer especial àquele jogo.

— Ok, princesa, sinto muito — disse ele, pondo-se em pé.

— Sou eu quem deve se desculpar — falou ela, tentando aparentar-se frustrada e culpada.

— Por favor, meu bem. Está tudo certo e foi muito bom — discordou ele, abraçando-a e beijando-a junto à orelha.

Marianne sentiu novamente aquele arrepio percorrer seu corpo. Seu ventre parecia em fogo. Apesar de tudo, estava excitada, excitada ao extremo.

Vestiram-se em silencio. Marianne olhava Derek, às vezes, tentando descobrir o que havia mudado nele. Talvez o momento, talvez o próprio desejo de dirigir e controlar sua vida a houvesse feito se prevenir contra ele.

Mas ali, juntos, seus corpos se tocando e se roçando, eram apenas homem e mulher. Os desejos mais íntimos afloravam inapelavelmente. Os instintos não obedeciam; apenas reagiam a estímulos.

Derek não a fascinava, não a atraia, mas podia excitá-la e fazê-la sentir desejo. Foi uma descoberta válida para a garota.

Não era apenas James o homem capaz de acendê-la por dentro. Um outro, qualquer outro, poderia fazê-la também. Ela gostou de saber disso.

Seu plano surtiu resultados fabulosos e isso ela pode constatar durante o caminho de volta.

Derek se mostrou mais atencioso e carinhoso ainda, disposto a reconquistá-la.

Nada mais no mundo a faria se sentir tão mulher e tão livre, pela primeira vez em sua vida.

Conservava aquele que poderia lhe ser útil durante os dias seguintes.

No momento certo poderia descartar-se dele ou premiá-lo com o que ele mais desejava.

Esse poder de decisão sobre os desejos de um homem dava a ela um novo estimulo, uma nova razão de ser.

Mas não podia se sentir tranqüila com aquele furacão desperto dentro dela. As caricias de Derek ainda a faziam se estremecer.

O toque daquelas mãos parecia gravado a fogo em sua pele, tornando-a sensível e ansiosa. Percebeu-se, então, terrivelmente frustrada.

Era um preço alto a pagar, mas necessário. Reprimir seus próprios desejos era a prova máxima de seu autocontrole. Sabia que aquela seria uma longa noite.

De volta ao hotel, Derek a acompanhou até a porta de seu quarto.

— Não quer mesmo conhecer meu apartamento? — indagou ele.

— Impossível. Ainda preciso dar um jeito em meus cabelos antes de dormir. Veja como estão.

— São lindos — disse ele, acariciando-os ainda úmidos.

— Ensaios, entrevistas, modistas... Vai ser uma verdadeira maratona.

— Quando nos veremos?

— Assim que me sobrar um tempo, está bem?

— Estarei por aí — falou ele, inclinando-se para beijá-la suavemente.

— Finalmente! — exclamou a Sra. Yarrow, assim que ela entrou. — Já se olhou num espelho? O que andou fazendo?

— Relações Públicas, Sra. Yarrow. Não foi isso que sugeriu?

— Acho que levou muito a sério minha recomendação. Pelo que noto...

— As aparências estão totalmente equivocadas. Se supõe que aconteceu alguma coisa, esqueça. Fiz meu papel e devo lhe dizer que o fiz muito bem . Derek Shaw está sob meu controle.

A velha senhora a olhou com olhos desconfiados, mas acabou por se convencer diante das palavras da candidata a Miss Califórnia.

Marianne se mostrava segura de si e aquilo era importante. Mais uma vez a Sra. Yarrow entendeu que estava diante de um tipo especial de garota.

Aquele temperamento e aquela disposição faziam de Marianne a mais séria candidata naquele concurso, além de uma beleza sem par e de uma plástica irreparável.

— Telefonaram diversas vezes, indagando sobre você — falou a acompanhante, indo apanhar o bloco de notas ao lado do telefone.

— Quem?

— Um tal de Roy Parker. Acho que é fotógrafo.

— Sim, foi o fotografo dessa tarde. O que ele disse?

— Deixou apenas um número de telefone.

— Deixe-me ver — falou Marianne, apanhando o bloco de notas.

Depois foi ao telefone e discou. Era da redação de Los Angeles Tribune, o jornal mais importante da cidade e do Estado.

Momentos depois Roy atendia.

— Gostaria de ver essas fotos.

— Agora?

— Sim, por que não?

— Espere-me diante do hotel, passo ai para apanhá-la, está bem?

— Ótimo, estarei esperando — concordou ela, desligando.

A Sra. Yarrow mal pode acreditar no que ouvia.

— Está maluca! São quase duas da madrugada e...

— A que horas começamos pela manhã?

— As dez, mas...

— Não vou me demorar. Preciso apenas dar um jeito neste cabelo e mudar de roupas.

Relações públicas, Sra. Yarrow. Graças a esse repórter, vou sair em destaque numa página inteira de Los Angeles Tribune. Quer publicidade maior que essa?

— Mas é loucura! Você precisa descansar um pouco. Amanhã...

— Amanhã, cansada ou descansada, serei a sensação desse concurso. Não era isso que desejava?

Marianne tomou uma ducha rápida. Havia areia em sua pele ainda. Secou-se rapidamente e vestiu uma calça comprida colante e uma blusa bem leve.

Examinou seus cabelos ao espelho. Não teria tempo para cuidar deles, por isso apenas os escovou da melhor maneira possível. A água do mar os deixara num estado lastimável.

A Sra. Yarrow se sentou e nada disse, resignada. Marianne terminou de se aprontar, beijou rapidamente a face da velha senhora e saiu.

Momentos depois, Roy chegava, desta vez de carro.

— E a motocicleta? — indagou ela, assim que entrou.

— Deixei-a na redação do jornal. Um amigo em emprestou o carro.

— Onde estão as fotos?

— Calma, logo as verá. Estão em seu apartamento.

Não havia malícia nem um convite velado no tom de voz de Roy. Mesmo assim, Marianne se pôs numa espécie de defensiva.

Depois concluiu que aquela era uma atitude desnecessária. Roy não era Derek. Com ele não precisaria de nenhuma estratégia especial.

Mas pensou melhor. Seria mais lógico se as fotos estivessem em poder de Roy, já que o rapaz vinha da redação do jornal.

Era um plano ingênuo da parte dele. Marianne sorriu, olhando-o. Era simpático e agradável.

Além disso, Derek a excitara e aquele estado de tensão se tornava insuportável.

Idéias marotas e assaltaram. Se Roy pretendia alguma coisa dela, por que não aceitar?