Antro Das Sombras 03 - Midnight Predator por Amelia Atwater - Versão HTML

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Dedicado para Carolyn Barns, que conhece esses

personagens tanto quanto eu, entende todas as minhas

vagas referências e estranho humor, e pode me pressionar

quando eu tinha feito tudo exceto desistir. Carolyn, te devo

uma.

Como sempre devo mencionar minha família,

especialmente minha irmã Gretchen. Obrigada por acreditar

em mim, por ouvir meus sonhos.

Meu amor para Indigo da Mesa Redonda. Carolyn,

Sydney, Irene, e Valerie, onde eu estaria sem vocês? Vocês –

e Alexandre, e TSB, e Londra, e Hawk, e Ysterath, e até a fada

do mal (de quem eu nunca gostei mesmo se ele fosse um

cara legal) – e as pessoas que fazem minha vida interessante.

Mais agradecimentos vão aos membros do Grupo Rikai

por todo seu encorajamento e apoio enquanto eu editava

Espelho Estilhaçado . Minha gratidão mais profunda vai para

Kyle Bladow, que acreditou em mim mesmo quando eu não

acreditei, e a Darrin Kuykendall, que me mostrou como por

água no meu cereal enquanto eu esperava o leite.

E por último mas não menos importante, agradeço a

minha editora, Diana. Sem suas sugestões e comentários,

este livro nunca teria se tornado o que é hoje.

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As duas árvores

Amado, olhe teu próprio coração.

Não olhe mais para o vidro amargo

Os demônios, com sua malícia sutil.

Levante antes de nós quando eles passarem,

Ou só olhe um pouquinho;

Pois lá uma imagem fatal cresce

Que a noite tempestuosa recebe,

Raízes meio escondidas sob a neve,

Ramos quebrados e folhas escurecidas.

Pois coisas ruins se tornam pobreza

Na luz fraca que os demônios seguram,

O vidro da fadiga externa,

Feita quando Deus dormiu em épocas antigas.

Lá, pelos galhos quebrados, vão

Os corvos do pensamento que não descansa;

Voando, chorando, de um lado para o outro,

Garra cruel e garganta faminta,

Ou eles ficam e cheiram o vento,

E balançam suas asas esfarrapadas; alas!

Teus olhos carinhosos ficam indelicados:

Não olhe mais para o vidro amargo.

W. B. Yeats

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Capítulo 01

SARAH VIDA TREMEU. A aura de vampiros ultrapassando

a casa na frente dela era quase esmagadora. Ela dirigiu pelo

quarteirão uma vez, e então parou o carro a alguns metros

do Volvo branco que estava seguindo. Seu Jaguar azul era

chamativo, e ela não teve tempo de trocar as placas.

Ela tinha sorte de estar planejando arrasar em uma

festa diferente, ou então ela nunca estaria pronta para essa.

Ela tinha passado pela dona do Volvo no posto de gasolina e

a seguido até lá.

Ela desligou o motor e passou os dedos em seu cabelo

loiro e longo, que estava bagunçado pelo vento por ter

dirigido no conversível. Dando um sorriso assassino para

ninguém, ela checou a aparência no retrovisor. A garota no

espelho parecia atraente, selvagem e despreocupada. O

centro da pedra não era visível no reflexo.

Enquanto ela parava, Sarah ajeitou a blusinha azul e os

jeans creme e automaticamente checou para ter certeza de

que suas facas estavam no lugar – uma na bainha em suas

costas e uma enfiada em cada bota de cano alto. Só então

ela se aproximou da casa.

Com janelas e persianas fechadas, a casa parecia

vazia de fora, mas a ilusão foi rapidamente quebrada. Antes

que ela tivesse a chance de bater, alguém abriu a porta.

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Verme, Sarah pensou, enojada, enquanto dava um

sorriso tão praticado quanto o que tinha dado no retrovisor

para o vampiro que abriu a porta.

Nossa. O sorriso dela não vacilou, mesmo apesar de a

aura vampírica na casa a atingir como uma marreta em seu

estomago. Sua pele formigou com a sensação de poder, o

sentimento tão desagradável quanto uma lixa raspando em

sua pele.

Sentimento desagradável ou não, ela começou a se

misturar, procurando sempre pela presa que estava

arriscando seu pescoço para encontrar – Nikolas.

Nikolas era um dos mais infames de sua espécie, um

vampiro que tinha caçado flagrantemente desde o século

dezenove. Sua primeira presa conhecida foi uma jovem mãe

chamada Elisabeth Vida. Elisabeth tinha sido uma bruxa,

uma caçadora de vampiros, e incidentalmente, ancestral de

Sarah. Sua família esteve caçando Nikolas desde então –

sem sucesso.

Nikolas era esperto – ele tinha que ser para ter iludido

caçadores da família mais poderosa de bruxos por tanto

tempo. Mas ele também era convencido, e isso seria sua

ruína. Cada uma de suas vítimas tinha suas marcas,

decorações cortadas nos braços com a lâmina de sua faca.

Nikolas deixava algumas vítimas viverem, mas ele fazia a

cabeça delas para fazê-las doentemente leais a ele.

Caçadores pegaram mais de um desses humanos

deformados, mas eles declaravam escolher a morte antes

que traíssem o vampiro.

Um deles, contudo, cometera um erro. Um pneu furado

no caminho da festa a deixara irritada no posto de gasolina

na rodovia 95, e ela ficou muito preocupada em cobrir as

cicatrizes nos braços. O atendente, um membro do

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complexo sistema de informantes dos caçadores, chamou

Sarah; ela tinha seguido o Volvo branco da garota até aqui.

Tomando fôlego para concentrar os sentidos, Sarah

procurou pelo cômodo com os seis sentidos. Cheiros

humanos se misturavam com a aura superpoderosa dos

vampiros. Sarah sentiu pena e um leve nojo dos vivos que

conviviam entre os vampiros como moscas unidas à carne

morta. Apesar de Sarah ter visto o garoto humano saindo

logo após ela ter entrado, a maioria dos humanos ficaria,

pela ignorância ou por lealdade perversa.

Ela não gostava de estar dentro deste grupo sem

reforço, mas a curta viagem entre o posto de gasolina e esta

casa só tinha permitido algumas ligações de celular, que só

deram ocupado ou caixa postal. Ela não poderia arriscar

uma morte séria, desfalcada como estava, mas se ela fosse

bem esta noite, ela teria uma grande chance de forjar um

convite para a próxima festa que esse grupo daria. Ela

poderia então levar as grandes armas.

O truque era evitar ser morta – ou virar refeição. Ela

estava posando de comida grátis, humana e indefesa, mas

deixar um vampiro se alimentar dela era mais longe do que

ela estava querendo ir. Além do mais, até o vampiro mais

fraco seria capaz de provar a diferença entre a safra insossa

de sangue humano e o poder de seu próprio sangue bruxo.

Já passava das dez da noite, e a nuca de Sarah

formigou com apreensão. Qualquer caçador digno de sua

lâmina geralmente sabia que não deveriam ficar na festa

depois da meia noite. Chamada de Hora do Demônio, meia

noite era quando a matança terminava.

Ainda que Sarah quisesse o convite, ela precisava ficar

e convencer aquelas criaturas de que ela era um dos idiotas

que mostravam a garganta de propósito. Qualquer caçador,

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desde o mais amador até o mais respeitado, daria um olho e

a vida por uma chance de acabar com um grupo de

vampiros forte assim.

Sarah fez amizade com a garota que havia seguido, e

dentro de quinze minutos ela tinha a encantado para

receber um dos agradáveis cartões brancos que estipulavam

a hora e o local da próxima festa que esse grupo iria dar.

Agora tudo que ela tinha que fazer era seguir as duas

regras mais simples que todo caçador aprende: não ser

pego e limpar tudo depois.

Enquanto a Hora do Demônio de aproximava, Sarah

encontrou o mais fraco dos vampiros e se certificou de que

ela estava sozinha com ele quando o relógio bateu.

— Não acho que Kaleo queria que esta sala ficasse

aberta para o público — sua companhia disse, se referindo

ao anfitrião. Sarah reconheceu o nome com revulsão. Nikolas

não era a única criatura neste grupo que os caçadores

adorariam derrotar.

Escondendo seus pensamentos, ela sorriu e pôs uma

mão no ombro do companheiro, se forçando a ignorar a

espessura desagradável de sua aura.

— Talvez eu quisesse isso só para mim — ela provocou,

encontrando os olhos negros dele.

O demônio entendeu a mensagem e se aproximou

dela. Sarah passou os dedos pelo cabelo louro-cinza dele, e

ele envolveu uma mão magra em volta do pescoço dela,

gentilmente puxando ela para a frente.

Ela inclinou a cabeça para trás, sabendo onde o olhar

dele iria viajar. Ele adorou isso, como eles sempre faziam, e

enquanto ela sentia os lábios tocando sua garganta, ela

reagiu.

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Empurrando ele contra a parede, ela usou esse

momento de confusão para puxar a faca prateada da

bainha em suas costas. Antes que ele pudesse recobrar o

juízo, ela acertou a lâmina no peito dele, e girou a faca para

se certificar de que seu coração estava completamente

destruído. O poder vampírico vivia no sangue, e qualquer

caçador bem treinado saberia girar a faca e eliminar a fonte

daquele poder. Até Sarah, com uma lâmina prateada

forjada por magia há milhares de anos, ainda era cuidadosa.

A lâmina Vida envenenaria cada vampiro que arranhasse,

mas não havia motivo para ser descuidada.

A morte foi silenciosa e rápida; ninguém do lado de

fora sequer soube que esse monstro fora derrotado. Sarah

distraidamente limpou a mão no jeans, esfregando o efeito

formigante de tocá-lo, e tocou a garganta para se assegurar

que não havia marcas de furos.

Ela empurrou o corpo para um canto, sabendo que

esta casa provavelmente seria abandonada por um tempo

depois desta festa – era uma das técnicas que os vampiros

usavam para evitar que os caçadores os rastreassem. Eles

eram raramente idiotas o suficiente para dormir na mesma

casa onde eram assassinados.

Por um momento ela pausou, refletindo sobre o corpo

sem vida, se perguntado como alguém se tornaria

voluntariamente uma criatura que se alimentava da

humanidade, um parasita monstruoso. Ele teria tomado o

sangue dela e a matado se ela não o matasse antes.

Ela balançou a cabeça. Estava morto. Como deveria

estar quando o sangue vampiro congelou seu coração anos

atrás. Isso era tudo o que importava.

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Checando por sangue em si mesma e não

encontrando nada, ela aproveitou o momento para

descansar enquanto esperava algum tempo passar.

Ela percebeu outro vampiro atrás dela, mas se forçou a

se virar lentamente, como se estivesse grogue. Ela

reconheceu o vampiro imediatamente. Kaleo tinha cabelo

loiro claro e feições esculpidas, o que o faria mais atraente se

sua aura não fosse suficiente para fazer o estomago de

Sarah revirar. Entre seus traços loiros, seus olhos pretos

pareciam infinitamente mais escuros. Kaleo era um dos mais

velhos em sua linha, e mais poderoso que qualquer criatura

que Sarah já encontrou.

Por um momento, ela pensou em pegar a lâmina.

Atacar Kaleo sozinha com tantos de sua raça provavelmente

significaria o fim de sua vida. Mas poderia valer a pena.

Porém, antes que Sarah pudesse fazer algum

movimento, Kaleo olhou para o corredor onde Sarah tinha

escondido a presa.

— Que gosto excelente — ele a parabenizou. — Ele

preferiria a dor.

Um vampiro preparado era mais difícil de lutar do que

um não suspeito. Sem hesitação, Sarah pegou a faca.

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Capítulo 02

— VOCÊ DIRIGIU PARA CASA ASSIM?

Sarah meneou a cabeça bruscamente em resposta à

pergunta da curadora.

Caryn Smoke balançou a cabeça, mas não fez

nenhum comentário.

Ela era a membro viva mais forte de sua linha, e quase

foi renegada recentemente devido às suas associações com

vampiros. Sarah não tinha gostado dela desde o julgamento,

mas Caryn era uma curadora eficaz, e Sarah só via o melhor.

Sarah foi criada para ignorar dor para que isso não a

incapacitasse em uma luta, e esta noite essas lições se

provaram inválidas. Os ossos em seu braço direito se

quebraram quando Kaleo agarrou seu pulso e a jogou em

uma parede; sua cabeça bateu forte o suficiente que se ela

fosse humana, ela estaria nocauteada. Em vez disso, ela

simplesmente puxou uma faca com a mão esquerda.

Felizmente, Kaleo e seus convidados ficaram todos mais

interessados em prazeres providenciados de boa vontade

por seus humanos bajuladores do que lutar com uma

caçadora de vampiros, e rapidamente perderam o interesse

em Sarah e a deixaram escapar.

Sarah fora sortuda. Ela sobrevivera porque os vampiros

se chatearam. Isso – e mais o fato de que ela não tinha visto

Nikolas – a deixou grata.

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Era quase cinco da manhã quando Caryn terminou de

consertar o braço. A curadora se moveu para lidar com os

inúmeros arranhões, machucados e entorses de Sarah

quando Dominique Vida voltou da caça e foi ver sua filha

ferida. Enquanto ela examinava a condição de Sarah, sua

expressão era calma, mas marcada com distinta

desaprovação.

— Você foi descuidada — Dominique disse, depois de

ouvir os detalhes da noite de Sarah. — Você foi até aquele

grupo despreparada, e você ficou depois da meia noite.

Sarah baixou o olhar, mas deixou que sua expressão

confiante cair.

Finalmente Sarah falou, sua voz firme apesar da censura

de Dominique.

— Nikolas estava lá — Dominique poderia reclamar o

quanto quisesse do descuido de Sarah, mas se Nikolas era

parte daquele grupo, então elas tinham uma pista para

encontrá-lo.

— Nikolas? — A voz de Dominique era afiada. — Você

o viu? — Sarah balançou a cabeça.

— Uma de suas presas – marcada.

— Isso não ajuda muito a não ser que você tenha visto

o vampiro em pessoa — Dominique ressaltou secamente, e

Sarah segurou o queixo para não argumentar. — E agora

não tem como rastrearmos ele. — Sarah não se preocupou

em entregar o convite que tinha recebido. Depois de ter

provocado e liberado o caçador que encontrou no meio

deles, os vampiros seriam espertos o suficiente para dar uma

festa para a qual ela tinha sido convidada por engano.

— Pronto — Caryn disse, sua voz normalmente quieta

subiu para interromper a conversa. Ela deu uma palmadinha

na tala no braço de Sarah gentilmente. — Você vai precisar

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de aproximadamente uma semana para se curar

completamente, e até lá eu recomendo que você vá com

calma. Tudo bem? — O final da frase foi dito com um olhar

afiado para Dominique.

A matriarca Vida concordou com a cabeça.

— Obrigada por sua ajuda, Caryn. Desculpe te

incomodar tão tarde.

Caryn deu de ombros, sua fadiga visível.

— Sem problemas. Eu estava no bairro, em um hospital

SingleEarth.

Dominique não reagiu à observação, e Sarah entendeu

o rosto neutro de sua mãe. SingleEarth. A organização estava

crescendo rapidamente, com humanos, bruxos, vampiros, e

metamorfose se juntando, todos trabalhando por uma causa

em comum: unir todas as criaturas na Terra. Apesar do

objetivo nobre, isso nunca vai acontecer. Vampiros eram

caçadores, maus por natureza, e a maioria era incapaz de

conter as necessidades por derramamento de sangue.

Mesmo os vampiros da SingleEarth, que sobreviveram se

alimentando de animais ou doadores voluntários, admitiram

que era doloroso viver sem matar.

— Acho que provavelmente você não vai para a

escola amanha? — Caryn perguntou enquanto saía.

Sarah olhou para a mãe, mas não viu simpatia.

— Estarei lá — não importa quão dura a noite seria para

Sarah, Dominique não permitiria que sua filha faltasse à

escola, nem por alguns dias para que ela pudesse começar

em sua nova escola na segunda-feira. Sarah começaria

brilhante e cedo na quarta-feira de manhã.

Sarah fora expulsa de sua última escola por brigar nos

terrenos da escola. Enquanto exterminava um vampiro,

alguma propriedade da escola foi quebrada, e a

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administração não foi particularmente compreensiva. Só o

raciocínio rápido da irmã de Sarah, Adianna, evitou que

descobrissem o corpo.

Depois do incidente, Dominique decidiu afastar a filha

da constante emoção da cidade e leva-la para um subúrbio

tedioso de Massachusetts chamado Acton. Caryn e família

moravam lá.

Dominique subiu as escadas para voltar a dormir, e

Caryn pegou o braço bom de Sarah.

— Devo te avisar. Há alguns vampiros na escola —

depois do olhar de Sarah, ela adicionou de forma severa. —

Eles são inofensivos, e eles têm todo o direito de estar lá. Se

você machucar algum deles...

— Se eles são inofensivos, vou ignorá-los. De qualquer

forma, não posso me dar o luxo de ser chutada de outra

escola. Tudo bem? — Sarah perguntou. Caryn concordou

com a cabeça.

O orgulho de Sarah, já reduzido a pó, esvaziou mais

ainda quando a porta abriu outra vez e sua irmã entrou em

casa.

— Ei, maninha — Adianna a cumprimentou.

Percebendo a tala, ela acrescentou — Noite difícil?

Adianna Vida, mais velha que Sarah um ano, era quase

tão perfeita quanto a mãe – inteligente e controlada. Ela se

formou no ano passado, mas estava tirando um semestre de

folga antes de começar a faculdade para treinar mais, e

para —cuidar‖ da irmã mais nova.

O cabelo loiro de Adianna estava despenteado, e

Sarah viu uma mancha de sangue na calça jeans azul como

se ela tivesse limpado uma faca. Ela obviamente estava

lutando, e tinha obviamente ganhado.

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Adianna deu um tapinha no ombro da irmã enquanto

passava em direção às escadas.

— Descanse. O mundo vai sobreviver sem você por

uma semana, mais ou menos.

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Capítulo 03

SETE E TRINTA E CINCO é um horário desagradável para

começar a escola, Sarah pensou, enquanto abria o armário.

O sinal tocou e ela suspirou. Com esperança, ser a garota

nova seria uma desculpa para o atraso dela. Isso certamente

não tinha outros privilégios. Ela pensou fugazmente nas

companhias de caça que ela deixara para trás, com quem

tinha acabado com festas e espreitava as esquinas mais

sombrias da cidade. De manhã, raramente uma espada

sobrava limpa.

Ela fez força para banir tais pensamentos. Ela estava

aqui agora, e era hora de começar esta nova vida.

Sua primeira aula era História Americana, e apesar de

ter achado facilmente, a aula já tinha começado quando

ela passou pela porta.

— Sarah Green? — O professor confirmou quando

Sarah entregou o passe cor-de-rosa dobrado da secretaria.

Sr. Smith era um homem careca com cara de cansado, cuja

calça bem passada e camisa pareciam fora de lugar na

escola. Ele fez um gesto em direção à sala. — Sente-se... tem

um lugar vazio ali do lado do Robert...

— Na verdade, tem alguém sentado lá — um dos

garotos no fundo da sala falou. Enquanto a atenção de

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Sarah se voltava para Robert, ela percebeu que ele parecia

vagamente familiar, mas não conseguia localizar o rosto dele

em sua memória. Ele tinha levantado o olhar tempo

suficiente para ver quem entrava, e estava agora

escrevendo algo em um caderno. A mesa ao lado dele

parecia vazia para Sarah; a cadeira estava vaga.

Sr. Smith pareceu surpreso, mas ele passou os olhos pela

sala outra vez.

— Tem um lugar aqui — outra pessoa falou, e Sarah

lançou o olhar para ver quem falou.

Cabelo preto, pele clara, olhos negros. Vampiro. Ela o

reconheceu na hora, mas Sr. Smith já a estava empurrando

para o lugar vazio.

— Christopher Ravena — o parasita disse, se

apresentando enquanto ela escorregava na cadeira. Ele

acenou em direção à sala. — Aquela é minha irmã, Nissa —

a garota que ele mostrou acenou levemente. Apesar do

cabelo dela ser um tom mais claro, a semelhança entre os

semblantes era marcante – inclusive a suave aura vampírica.

— Prazer em te conhecer — ela respondeu

educadamente, embora ela fizesse uma careta por dentro.

Esse ano pode ser muito longo.

A aura do vampiro do lado dela era tão fraca que a

pele dela nem estava ficando arrepiada. Ele era ou muito

jovem ou muito fraco, e ela sabia que ele não se alimentava

de presas humanas. Provavelmente do SingleEarth, inofensivo

como Caryn tinha dito. A irmã dele era quase tão fraca

quanto ele, e apesar de sua aura insinuar um pouco de

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sangue humano – provavelmente de uma das pletoras de

humanos no SingleEarth querendo mostrar as gargantas – era

obvio que ela não matava quando caçava. Nenhum deles

seria capaz de sentir a aura de Sarah, então a menos que

eles a conhecessem de vista, eles presumiriam que ela era

mais uma humana.

O Sr. Smith estava falando com ela outra vez, e ela

tornou a atenção para ele.

— Sarah, como você verá, gosto de começar a aula

com uma conversa sobre eventos atuais, para nos manter

envolvidos no presente tanto quanto na história —

levantando a voz para chamar a atenção dos estudantes,

ele perguntou: — Agora, quem tem algo a partilhar?

A quantidade de mãos levantadas – nenhuma – não

era completamente surpreendente. A maioria dos alunos

parecia que ainda estava dormindo.

— Sei que é cedo — ele disse, encorajando-os, — mas

vocês podem acordar a qualquer hora agora. Quem viu as

notícias ontem? O que aconteceu no nosso mundo?

Finalmente algumas mãos se levantaram, mas a maioria

dos alunos tinha mais o que fazer. A garota sentada na frente

de Sarah estava lendo um livro que mais parecia uma tarefa

de inglês. Perto dela, outro aluno fazia a lição de espanhol. O

professor ou era distraído, ou ele simplesmente não ligava.

De qualquer forma, a história que estava sendo repetida por

uma garota na primeira fileira não era tão fascinante.

— Você acabou de se mudar? — Christopher

perguntou, com a voz baixa para evitar a atenção do

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professor. Ele tinha um leve sotaque – não era uma pronúncia

lenta, mas era suave e sem pressa, com um toque sulista.

Sarah mexeu a cabeça, tentando manter uma

pequena porção de sua atenção na conversa tediosa da

aula, enquanto mantinha o resto nos dois vampiros.

— Minha mãe arranjou um novo emprego, dando aula

na cidade do lado — era uma mentira plausível, que ela

inventara mais cedo.

Sr. Smith voltou no tempo até a Guerra Civil, e Sarah fez

anotações furiosamente como desculpa para evitar as

tentativas de conversa de Christopher. A aula era chata, e

ela já sabia a maior parte da informação, mas se ela fizesse

uma boa impressão agora, era provável que o Sr. Smith não

dificultasse as coisas depois.

O silêncio de Christopher só durou até o sinal.

— Como você machucou o braço? — Ele perguntou

enquanto Sarah enfiava os papéis desajeitadamente na

mochila depois da aula.

— Caí de um cavalo — Sarah mentiu sem esforço. — Ela

geralmente é uma criatura doce, mas algo a assustou —

enquanto ela levantava a mochila pesada, ela se perguntou

como os humanos podiam carregar essas coisas o dia inteiro.

Seu sangue de bruxa fazia Sarah mais forte que a média dos

humanos – seu corpo de um metro e sessenta e sessenta

quilos podia levantar cento e trinta quilos – mas ela se

perguntou como os humanos faziam.

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— Você precisa de ajuda com isso? — Christopher se

ofereceu, apontando para a mochila. — Qual é sua próxima

aula?

— Química — ela respondeu. — Eu consigo.

— Não quis dizer que você não consegue —

Christopher respondeu suavemente. — Você não tem que se

importar. Minha próxima aula é biologia, então nossas salas

são uma do lado da outra.

Ela examinou a expressão dele, mas ele parecia

sincero. Pelas reações dele, ele estava honestamente

tentando bancar um adolescente humano – um

singularmente educado, mas humano, contudo.

Ela não queria fazer uma cena, então se rendeu à

mochila, e Christopher carregou sem esforço, o que não a

surpreendeu. Se ela podia levantar cento e trinta quilos,

como um vampiro ele podia levantar uma locomotiva sem

tanto esforço.

— Obrigada — ela forçou, feliz pelas palavras saírem

sinceras.

Apesar da aula de química ter sido abençoadamente

humana, a irmã de Christopher estava na aula de escultura

com Sarah na terceira aula do dia.

As habilidades de Sarah eram mínimas; ela tinha se

inscrito nessa aula principalmente para que pudesse fazer

algo que não estressasse e sem lição de casa. Ela estaria feliz

se conseguisse fazer uma bola. Nissa, por outro lado, tinha um

grande talento, o que ajudou Sarah a localizá-la de uma

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forma que a fraca aura da garota não localizou: a linhagem

de Kendra.

Kendra era a quarta aprendiz de Siete, criador de todos

os vampiros. Apesar de Sarah nunca tê-la conhecido, diziam

que a mulher era estonteante na forma e feroz no

temperamento. Ela era uma amante de todas as artes, como

eram todos os seus descendentes. Kaleo, com quem Sarah

tinha tido um encontro desconfortável na noite anterior, foi o

primeiro aprendiz de Kendra.

Todos esses pensamentos passaram pela mente de

Sarah rapidamente enquanto ela observava Nissa fazendo a

figura de um jovem na suave argila, cantando quietamente

para si mesmo enquanto trabalhava. Ele estava sentado em

um banco rústico, um violino empoleirado no ombro. O arco

era uma espiral fina de argila apoiada por um pedaço de

arame no pescoço.

Nissa olhou para cima e percebeu Sarah observando.

— Isso é muito impressionante — Sarah disse, surpresa

por achar as palavras completamente sinceras.

— Obrigada — Nissa sorriu, voltando a olhar para a

forma. — Mas eu não consigo deixar o rosto direito — ela

indicou o globo sem forma onde as feições deveriam estar,

cercada por cabelo cuidadosamente gravado.

— Melhor que o meu.

Nissa sorriu levemente.

— Considerando que você começou hoje e só está

trabalhando com a mão esquerda, não está mau.

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A vampira cuidadosamente embrulhou a figura em

plástico para que não secasse, e então se voltou para

oferecer sugestões para o projeto de Sarah, que era um cão

de argila com aparência de doente. Elas trabalharam juntas

pelos últimos dez minutos de aula, tempo em que Sarah

quase se esqueceu com quem estava falando.

— Você podia por um arame no rabo dele para não

cair assim. Que raça de cão é? — Nissa perguntou. Sarah

deu de ombros.

— Não sei mesmo. Minha mãe não gosta de cães,

então eu nunca tive um.

Na verdade, Dominique odiava cães. Ela era contra

animais e bruxos se misturando; a linhagem Vida era uma das

poucas que nunca usava familiares em sua magia.

— Podia parecer com um labrador, se você achatasse

o nariz — a garota sugeriu. Sob a ajuda experiente de Nissa a

suave argila branca se transformou em um animal quase

reconhecível.

— Qual é seu próximo período? — Nissa perguntou

enquanto ela embalava o cão no plástico.

— Almoço, acho.

— Ótimo! Você está comigo e com Christopher — a

exuberância da garota era contagiante, mas mesmo assim

Sarah hesitou com o convite contido de Nissa. Ela podia ser

sociável durante as aulas, mas havia páginas de leis nos livros

Vida detalhando quão longe poderia ir qualquer relação

com vampiros. Enquanto a cafeteria da escola não era

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mencionada pelo nome, Sarah tinha plena certeza que isso

seria considerado uma associação desnecessária.

Mesmo assim, Nissa andou com ela pelo corredor, e até

seguiu Sarah ao seu armário quando ela tentou usar isso

como uma desculpa para afugentar a vampira.

Dentro do armário, na prateleira superior, Sarah

percebeu algo que não tinha posto lá: um pedaço de papel

branco, onde um perfil havia sido desenhado a lápis. Ela

imediatamente reconheceu a figura como si mesma; o

cabelo caído nos ombros e na mesa enquanto escrevia.

Nissa simplesmente mexeu os ombros quando viu o

desenho e deu um sorriso compreensível enquanto Sarah lia

as iniciais assinadas em letras leves no canto inferior. CR. Era

de Christopher; ele provavelmente tinha desenhado

enquanto estava sentado do lado dela na aula de história,

quando Sarah tentava ignorá-lo.

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Capítulo 04

NISSA MOSTROU O CAMINHO até a mesa onde ela e o

irmão geralmente se sentavam; Christopher já estava lá.

Sarah pensou outra vez como era sortuda por nem

Christopher nem Nissa serem fortes o suficiente para ler a

aura dela.

Sortuda... é, certo. Se ela fosse sortuda, ela seria

reconhecida e evitada desde o começo. Do jeito que

estava, ia precisar encontrar um jeito de quebrar a amizade

que eles obviamente estavam tentando formar –

preferivelmente sem espalhar sua herança aos dois vampiros

que ela sabia que não sabiam de nada.

— Sarah, sente-se — disse Christopher. — Como foi a

aula de escultura?

— Muito mais interessante que a palestra de história do

Sr. Smith — Sarah respondeu vagamente. Ela hesitou do lado

da mesa, mas enquanto Nissa empurrava sua mochila para a

cadeira, Sarah relutantemente pegou um lugar para ela.

— Ei, Nissa... — um garoto humano se aproximou de

Nissa, mas hesitou quando viu Sarah. Ela reconheceu-o como

Robert, o garoto da primeira aula. O olhar que ele direcionou

a ela era tudo exceto amigável. Ele se virou para Nissa. —

Estava pensando... se você vai para o baile esse fim de

semana.

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Nissa olhou de Robert para Sarah.

— Eu vou sozinha.

— Oh, hum... — ele parou, então disse algo

rapidamente que deve ter sido — Te vejo lá — antes de

escapar para a massa de estudantes.

— O que foi isso? — Nissa perguntou assim que o garoto

foi embora. — Você matou a irmãzinha dele ou algo assim?

Robert geralmente vai longe com as coisas — ela brincou.

— Eu nunca o vi antes de hoje — Sarah respondeu

honestamente, observando seu cabelo castanho claro

sacudir pela multidão. Christopher deu de ombros.

— Não se preocupe, não está perdendo nada — ele

disse levemente. — Robert vem dando em cima de Nissa

desde que a viu pela primeira vez, e ele é realmente muito

chato.

Sarah não ignorou a interação tão levemente quanto

Christopher e Nissa, mas ela deixou que mudassem de

assunto, enquanto sua mente continuava concentrada no

incidente.

Sarah tinha a altura média humana, e uma bela forma

de um metabolismo alto e vigorosa rotina de exercícios. Seu

cabelo loiro era longo, com tamanho suficiente que caía em

suas costas em suaves ondas, e seus olhos azuis eram

estonteantes. Ainda por cima, sua aura era poderosamente

carismática, e humanos eram arrastados para ela. Apesar de

ter ouvido sobre os humanos que ficavam naturalmente

ansiosos perto de vampiros e outros predadores da

humanidade, obviamente não era o caso do Robert; e

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enquanto Sarah tinha recebido diversos números de telefone

de garotos estranhos, ela nunca tinha conhecido um que

instintivamente não gostasse dela.

A única possibilidade que ela conseguia pensar era

que Robert de alguma forma fosse ligado aos vampiros.

Sarah terá sentido uma ligação de sangue, mas talvez... o

pensamento se desviou com nojo. Havia humanos que eram

viciados em vampiros. Eles não precisavam ser ligados pelo

sangue a um monstro; eles davam o sangue voluntariamente

a qualquer um que quisesse. Contato suficiente com os

parasitas, e ele poderia ter formado o mesmo tipo de

aversão instintiva aos bruxos que a maioria dos humanos

tinha pelos vampiros.

— Sarah? — A voz de Christopher a puxou de volta

para o mundo real. Em sua cabeça ela revisava a conversa

que tinha perdido.

— Sim, claro — e então, — Espere, não. Não posso.

Eles perguntaram se ela iria ao baile que a escola ia dar

no sábado – o baile de Halloween, que, de acordo com

Nissa, era o único baile da escola que valia a pena ir até o

baile de formatura na primavera.

— Por que não? — Christopher perguntou, obviamente

decepcionado.

Nissa adicionou:

— Se você está preocupada em conseguir uma

fantasia, tenho certeza que podemos encontrar algo para

você, e eles vendem os bilhetes na porta.

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— Não, não é isso. É só que... minha família vai chegar

no fim de semana, e minha mãe nunca me deixaria sair.

— Pena — Christopher suspirou, um pouco triste. —

Familia legal, ou família do tipo ‗queria que você os

perdesse‘?

Na verdade, a —família‖ incluía muitos dos bruxos da

região – o resto da linhagem Vida, alguns parentes de Caryn

Smoke, e alguns rapazes da linhagem Marinitch. Até os

humanos Wiccans celebravam Samhain, o Ano Novo dos

Bruxos, e para a raça de Sarah, era um dos poucos feriados

que sobraram que eles podiam comemorar sem irritar o

mundo humano. Dominique Vida apresentava um círculo no

dia trinta e um de outubro todo ano, aberto para todos os

descendentes dos Macht – a mãe imortal da raça de Sarah.

— Alguns legais, alguns pouco toleráveis — Sarah

respondeu, pensando nas bruxas Smoke no segundo grupo.

As curadoras pacíficas tinham a tendência de pregar sobre

paz e união – uma ideia que teria sido tolerável, se não

incluísse os vampiros. Com sorte, a própria Caryn, junto com

muitos de seus seguidores mais ofensivos, comemorariam no

SingleEarth em vez de passar o feriado com os caçadores.

Mesmo enquanto ela pensava com desprezo na

associação de Caryn com os vampiros, aqui estava ela com

dois parasitas que poderiam ou não pertencer à

dolorosamente crescida SingleEarth.

Ela tinha que acabar com isso. Alguma associação

tolerante é necessária para preservar a segurança humana e

paciência, mas amizade e amor com tais criaturas enquanto

você caça é impossível, perigoso, repugnante, e como tal,

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proibido. Ela poderia citar as leis de Vida de trás para a

frente, e essa linha ficou presa em negrito em sua memória. Ir

além dos limites do que era necessário para mantê-la

coberta na escola poderia manchar sua reputação; outros

caçadores não confiariam em alguém que tinha ficado

amiga de monstros. Na pior das hipóteses, Dominique podia

convocá-la para julgamento, e isso seria um desastre.

— Tenho que ir — Sarah disse abruptamente.

Os dois vampiros pareceram assustados, mas não

tentaram pará-la.

— Até mais — disse Christopher amavelmente.

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Capítulo 05

SARAH DORMIU MAL aquela noite. Com o braço

quebrado, ela se sentia como um leopardo enjaulado com

muita energia e nada com o que gastar. Eram quase três da

manhã quando finalmente caiu no sono, e mesmo assim ela

estava sem descanso, aborrecida por pesadelos.

Quando chegou na escola, ela se sentiu menos como

um leopardo e mais como uma lesma. Era uma pena que

drogas humanas se neutralizassem por seu sistema na

absorção, porque ela podia ter usado uma dose séria de

cafeína.

Ela precisou de duas tentativas para acertar a

combinação do armário, e enquanto empurrava o casaco

para dentro, ela esbarrou em algo na prateleira de cima.

O vaso estilhaçou com o impacto com o chão sujo da

escola, espalhando água, vidro e três rosas brancas. O som

do vidro quebrando deu um arrepio na espinha de Sarah,

trazendo de volta todos os sonhos da noite anterior

vividamente.

Lembranças da morte do seu pai assombravam seu

sono. Apesar de ela ter tentado esquecer aquele dia, para

aperfeiçoar seu controle do modo que Dominique e Adianna

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aperfeiçoaram, ela não estava forte o suficiente, e ela nunca

esteve.

Aos sete anos de idade, ela tropeçou no corpo do pai

morto no degrau da frente de casa. Os vampiros tinham

pegado o caçador e o mantido por semanas, tirando um

pouco de sangue a cada dia. Beijos de sangue marcavam

os braços dele onde os parasitas cortaram a pele para que

pudessem lamber o sangue.

Adianna tinha lidado com a notícia calmamente, assim

como Dominique. Cada caçador sabia como sua vida era

periga, e estava preparado para a morte. Mas Sarah era tão

nova, e quando tinha cambaleado no corpo morto do pai,

quando o sangue dele tinha coberto sua mão, ela perdeu o

controle.

Ela quebrou uma janela, demolindo vidro por vidro até

Dominique arrastá-la, horrorizada não pela morte do marido,

mas pela reação da filha.

A morte se tornou uma lição. Dominique limitou os

poderes de Sarah por uma semana depois daquilo, tanto

como punição quanto para ensiná-la a como lidar com a

dor. Ela se curou tão devagar quanto um humano, de três

dedos quebrados e inúmeras lacerações no braço e na

mão. Enquanto isso, Dominique a fez treinar com os

caçadores mais velhos, lutando até sua mão tremer e cada