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Apartamento do amor por L P Baçan - Versão HTML

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* * *

Estava parado à porta, olhando o rosto meigo de Jill. A garota sorriu com simpatia, ajeitando o negligé sobre os ombros, de modo a esconder melhor o corpo.

— Jean Paul disse que você viria... — falou ela, apoiando-se ao batente da porta.

— Sim, apenas para lhe entregar os papéis do apartamento. Ele é seu agora.

— Irônico, não? — comentou ela, voltando a cabeça para olhar o interior do apartamento.

— Como? — perguntou Roy, sem entender a observação.

— Sou dona de minha própria prisão — sorriu ela, com amargura.

— Sim, é irônico — concordou ele, recuando para o interior do elevador, após passar os papéis para ela.

— Roy — chamou ela.

Ele reteve a porta do elevador.

— Você falava sério ontem à noite?

— Sobre o quê?

— Sobre ligar para você, quando julgar que...

— Sim, Jill, quando quiser.

— Obrigada! — disse ela, olhando-o com gratidão.

A porta ia se fechando lentamente. A visão daquele rosto triste tocava Roy profundamente.

Ninguém merecia ser tão sozinha daquela forma. Ele segurou a porta do elevador, empurrando-a para os lados.

Jill ia fechando a porta, mas interrompeu a ação para olhá-lo.

— Nunca sai mesmo? — indagou ele.

— Nunca.

Roy se revoltou consigo mesmo por não poder encontrar aquela palavra exata, capaz de solucionar o problema da garota. Queria ajudá-la de alguma forma. Deveria ser delicioso ver um sorriso espontâneo e alegre brilhar naquele rosto.

Ele avançou um passo, deixando as portas do elevador se fecharem atrás de si. Jill escancarou a porta do apartamento, aguardando em suspense.

Por momentos uma emoção nova pareceu percorrer seu corpo, logo substituída por aquele ar triste e amedrontado novamente.

— Roy, isso não é prudente — disse ela.

— Eu sei que não é — falou ele, parando diante dela.

— É uma loucura.

— Sim, uma grande loucura — concordou ele, deixando que a maleta caísse junto de seus pés.

Suas mãos enlaçaram a garota pela cintura. Jill se deixou atrair sem resistência. Os lábios de Roy pousaram sobre seu pescoço. Ela roçou seu rosto contra os cabelos dele, deliciada com a caricia.

— Roy, por favor, não devemos — balbuciou ela.

— Sim, não devemos concordou ele novamente, beijando-a nas faces, nos cabelos suaves e perfumados, nos lábios mornos e entreabertos.

Ele a apertou em seus braços, forçando-a a caminhar para o interior do apartamento.

— Roy, não — pediu ela.

Ele a desejava naquele momento, com o desejo louco de satisfazer-se e satisfazê-la no mesmo sabor de perigo e loucura.

ela retribuiu ao abraço. Seus lábios beijaram as faces de Roy, seu pescoço, seu queixo.

Empolgado, Roy deu vazão àquele desejo repentino, tomando-a nos braços e caminhando na direção do sofá.

— Não, Roy, é um risco muito grande — recomendou ela, a voz alterada pelo mesmo desejo que o dominava.

Sem dar atenção a ela, Roy a depositou sobre as almofadas, ajoelhando-se ao lado daquele corpo jovem e vibrante.

Havia recusa e submissão naquele rosto, medo e ternura se misturando na mesma emoção.

— Roy, nós não... — ia dizer ela, mas os lábios ansiosos do rapaz pousaram sobre os dela, enquanto suas mãos buscavam os contornos firmes e perfeitos daquele corpo escultural.

Jill lançou seus braços ao redor do pescoço de Roy, retribuindo ao beijo com toda a sua ânsia de amar a ser amada.

Suas respirações se aceleravam, seus rostos pareciam arder, suas peles ganhavam a sensibilidade que precede o momento de amor.

Subitamente, como chuva fria sobre seus corpos, o telefone. Roy deixou seus lábios se descolarem lentamente dos lábios de Jill, sorvendo a última gota de saliva que os umedecia.

A campanha do telefone se repetiu. Jill se sentou apressadamente, recompondo os cabelos.

Estendeu o braço e apanhou o telefone.

Roy se sentou ao lado dela, afastando lentamente o negligé daqueles ombros insinuantes e espalhando ali beijos calmos e apaixonados.

— Sim? — atendeu a garota.

Roy não escutou o que disseram do outro lado da linha, mas interrompeu sua seqüência de beijos ao ouvir a garota responder:

— Não, ele acaba de sair. Se estou feliz? Claro que sim, querido — disse ela, esforçando-se para ser natural.

Roy se levantou, caminhou para a porta e fechou-a atrás de si.

CAPÍTULO 3

Nos dias que se seguiram, Roy foi obrigado a se convencer de que Jill era um caso impossível em sua vida. Apesar de a desejar, justamente por aquela dose enorme de desafio contra o poder de Jean Paul, evitou vê-la.

Jill, por seu turno, não tentou qualquer aproximação. Houve momentos em que Roy se sentia fraquejar em sua decisão de não mais revê-la, torcendo para que ela ligasse para ele.

Como isso não aconteceu, Roy deixou aquele sentimento perigoso adormecer dentro dele, procurando esquecê-lo. A imagem da garota ia se tornando mais indistinta, a cada dia que passava.

De volta a sua rotina, viu seus sonhos de superioridade serem substituídos gradativamente por uma atitude precavida.

Desafiar Jean Paul era um risco enorme demais. Após aqueles dias todos sem rever Jill, Roy já duvidava se teria ou não valido a pena fazê-lo.

No fim da semana, quando retornou do almoço, Roy percebeu um envelope com o timbre pessoal de Jean Paul, sobre sua mesa.

Abriu-o curioso, e mal pode acreditar em seus olhos. Jean Paul o convidava para uma das suas famosas festas. Roy reexaminou, incrédulo, o convite. Estava endereçado a ele mesmo, mas não havia sentido.

Já ouvira falar a respeito daquelas festas. Normalmente apenas os altos funcionários eram convidados a se misturarem com a nata da cidade.

Sentou-se em sua poltrona e ficou olhando cada uma das palavras daquele convite, enquanto pensava. Tratava-se de uma festa intima. Era fácil deduzir isso pelo endereço mencionado.

Não seria realizada na mansão do milionário, mas em algum lugar da Par Avenue. Seus olhos acordaram para aquele detalhes.

O endereço era o apartamento de Jill Lyndon. A idéia de revê-la lhe surgiu na mente antes de qualquer outra. Rever Jill poderia ser perigoso, principalmente numa festa como aquela, diante dos olhos de Jean Paul.

Conseguiriam ambos disfarçar tudo que já acontecera entre eles? Não seria, talvez uma armadilha de Jean Paul, não satisfeito com a desculpa para aquela noite.

Isso o deixou assustado. Ele e Jill poderiam se denunciar num simples olhar, numa palavra trocada, num movimento de corpo.

Aquele simples convite era o bastante para reativar tudo que ele julgara quase esquecido dentro dele. A imagem da garota tomou conta de sua mente. Aqueles olhos azuis e tristes ainda pareciam pedir um consolo, um pouco de amor.

Por que Jean Paul teria feito aquilo? Não havia lógica naquele convite. Recusar era impossível. Ninguém se atreveria a fazer isso, mesmo que tivesse a melhor das desculpas.

Jean Paul era exigente nisso, como em todas as outras coisas. Uma ausência notada era o bastante para fazê-lo se sentir ofendido.

Não, não poderia recusar. Teria de encarar a situação e se esforçar ao máximo para não trair seus sentimentos diante de Jean Paul e Jill.

A garota o fascinava, disso Roy estava certo. Se lhe fosse permitido fazer algo definitivo por ela, ele o faria, mesmo que lhe custasse a cabeça.

Ao pensar nisso, Roy sorriu e acendeu um cigarro. Era um tolo sonhador. O que poderia fazer por ela? Teria ele bastante coragem para isso?

Já desafiara Jean Paul uma vez. Bem verdade que chegou a lamentar isso depois, mas já o desafiara. Talvez a recordação daquela única oportunidade fosse o bastante para lhe dar aquela satisfação pessoal de que precisava para encarar dia após a dia sua situação.

Uma situação cômoda, até certo ponto mas frustrante. A cada dia que passava, mais difícil lhe parecia chegar com vida ao fim daquele corredor.

Parecia-lhe uma longa jornada, longa demais para os anos que tinha pela frente.

Esmagou o cigarro no cinzeiro e guardou o convite em seu paletó. Verificou o trabalho que tinha a fazer. Interrompeu-se logo em seguida.

Talvez aquele convite significasse que Roy estava a caminho naquele corredor. A idéia lhe pareceu aceitável. Jean Paul possivelmente tomara conhecimento do trabalho de Roy e o estava valorizando, dando-lhe a chance de entrar para o grupo dos altos funcionários.

Aquela festa era o primeiro passo. Talvez uma promoção estivesse a caminho. A idéia o deixou animado. precisava se preparar para aquela noite e fazer uma boa figura.

Desempenharia bem seu papel. Seria prudente e não se deixaria envolver pela emoção que o reencontro com Jill, possivelmente, lhe causaria.

* * *

Roy se convencia de que não fazia uma boa figura naquela festa. Junta à janela da sala, apenas observava os figurões que se amontoavam ao redor de Jean Paul, ouvindo mais uma vez a historia de sua riqueza.

As garotas convidadas para a festa formavam grupos afastados, esperando o momento oportuno para entrarem em ação. Jill se movia de um lado para outro, dando ordem aos garçons, cumprimentando os recém-chegados.

Apenas uma vez ela olhara Roy. Foi quando de sua chegada. O rapaz desejou manter por mais tempo seus olhos naquele corpo que o emocionava, mas a presença de Jean Paul ali na sala lhe tirava todo o ânimo.

Jill pareceu se sentir decepcionada. Um brilho de alegria e consolo que havia em seu rosto foi substituído imediatamente por um sorriso impessoal.

Roy lamentou isso, mas já era tarde para voltar atrás. A garota talvez esperasse algo mais delicado da parte dele. Isso era mais do que esperado, após tudo que houvera entre os dois.

Manteve-se afastado. Era difícil se entrosar com aquele pessoal superior, por mais que se esforçasse. Ainda não podia estar certo do verdadeiro propósito daquele convite.

Jean Paul vira a chegada de Roy, mas nada demonstrara. Nem ao menos o cumprimentara ou apresentara a uma da garotas.

Roy pensou que seu papel, ali, naquela festa, tinha um sentido diverso daquele que imaginava.

Subitamente as conversas cessaram e um silêncio constrangedor pairou na sala. Roy não entendeu, mas olhou na direção da porta, para onde se convertiam todos os olhares.

A garota que entrava não lhe era desconhecida. Tinha um corpo escultural e um modo elegante e desafiador de caminhar, espelhando orgulho e agressividade.

Havia um sorriso de ironia nos lábios dela ao passar por Jill e medi-la dos pés à cabeça. Jill estava pálida, os lábios contraídos.

A garota caminhou até onde estava Jean Paul e lhe disse qualquer coisa. Roy não pôde ouvir; mas notou que o milionário não apreciara aquilo nem um pouco.

Seu rosto se tornou rubro de cólera. Ele se pôs em pé num salto e segurou a garota pelo braço. Por momentos ficou indeciso, os olhos examinando a reação de todos os presentes.

Roy sentiu um calafrio percorrer sua espinha, quando aquele olhar se fixou nele. Jean Paul caminhou na sua direção, levantando a garota pelo braço.

— Anderson, leve essa maluca daqui! — ordenou ele.

Roy tentou se lembrar de onde vira aquele rosto, mas não o conseguiu. A garota era bonita, realmente bonita. Por momentos ela pareceu duvidar que Roy cumpriria a ordem.

O rapaz deixou seu copo de lado e tomou a garota pelo braço, empurrando-a diante de si na direção da porta. Talvez aquela fosse a sua chance. Jean Paul poderia se sentir grato pela ação pronta e decisiva do rapaz.

— Solte-me, seu bruto! — ordenou ela, quando Roy a empurrou para o elevador.

Quando a porta se fechou, ele soltou o braço da garota, que o encarou com ódio.

— Aquele velho bastardo! — vociferou ela — Quanto a você seu...

— Espere um pouco, por favor! — pediu Roy, abrindo os braços num sinal de amizade. —

Apenas cumpri ordens, a idéia não foi minha.

— Não precisava ter me empurrado daquela maneira.

— Queria que eu a pegasse no colo?

— Seu atrevido! — exclamou ela, vibrando a mão com violência.

A bofetada estalou no rosto de Roy, deixando-o atônito. Alguma coisa estava errada ali e ele não conseguia entender o que era, mas se sentia na pele de um perfeito idiota.

A garota se encolheu toda, esperando alguma reação violenta da parte de Roy. Ele apenas esfregou o rosto, olhando-a com surpresa.

Ela, então, começou a soluçar. Roy viu algumas lágrimas escorrerem pelo rosto da jovem.

Ele simplesmente não sabia o que fazer em seguida.

— Tem um lenço — indagou ela.

— Sim, claro — respondeu ele, estendendo-o para a garota.

— Obrigada!

— Não seja por isso...

Ela enxugou as lágrimas e assoou discretamente o nariz. O elevador chegou ao térreo. Ela devolveu o lenço ao rapaz, olhou-o como se estivesse envergonhada e saiu apressadamente.

Havia alguma coisa que Roy desejava entender naquilo tudo. Sem perceber o que fazia, correu no encalço da garota, alcançando-a à saída do prédio.

— Espere — pediu ele, segurando-a pelo braço, dessa vez com gentileza.

— Por favor!

— Sente-se bem?

— Sim, estou bem, apenas um pouco nervosa. Aquele velho sabe como humilhar alguém.

— Escute não quer falar sobre isso? Quero dizer, não é da minha conta, mas se isso ajudar...

— Como?

— Às vezes a gente se sente melhor desabafando...

A garota o encarou com interesse. Lágrimas flutuavam em seus olhos. Roy retirou o lenço e enxugou-as com delicadeza.

— Você não é como os outros...

— Que outros?

— Os outros homens de papai...

— Papai! Quer dizer que...

— Sim, sou Shirley John.

Roy sentiu o piso sumir sob seus pés e uma sensação de vertigem ameaçar derrubá-lo, ali mesmo. Seria, talvez a melhor solução para o embaraço que o dominou em seguida.

— Sim, você não é como os outros.

— Desculpe-me, Srta. John, eu não sabia mesmo. Eu a reconheci de alguma parte mas não pude... Por favor, desculpe-me.

— Está tudo bem, senhor...

— Anderson, Roy Anderson.

— Roy Anderson? Acho que já ouvi meu pai mencionar seu nome.

— Seu pai não me chama... Quero dizer, sou Anderson para ele — observou ele, todo atrapalhado.

Shirley sorriu embaraçada. Roy entendeu o que ela tentara fazer e sorriu com simpatia.

— Vai voltar para a festa? — indagou ela.

— ainda não sei, é a primeira vez que compareço a uma delas sinto-me deslocado totalmente.

— Por que nós não... Bem, você me deixaria desabafar?

— Claro, claro.

— Meu carro está logo ali — apontou ela.

* * *

Uma hora depois, dançavam numa boate de classe média que Roy conhecia. Nada lhe ocorrera de mais excitante. Mesmo que tentasse, dificilmente conseguiria pensar em algo melhor.

Shirley e ele beberam durante algum tempo. A garota lhe contou do motivo de sua ida ao apartamento de Jill. Algo a ver com questões de família que afinal, não eram do interesse de Roy.

Mesmo assim, ele a ouviu atentamente, enquanto lhe servia sucessivas doses de uísque.

Shirley, finalmente, desejou dançar.

— Pensei que as discotecas fossem mais o seu estilo — observou Roy, enquanto giravam lentamente pela pista em penumbra.

— Estar aqui, agora, me faz pensar a respeito — respondeu ela, levantando a cabeça para encará-lo.

Todo o uísque que tomara era o bastante para embebedar um homem. Shirley, no entanto, provara ser uma garota acostumada a todos os tipos de diversão. Possivelmente beberia toda a noite e, na manhã seguinte, estaria em melhor forma que Roy.

Roy sentiu qualquer coisa de comprometedor na afirmação da garota, fez o jogo exigido por ela.

Seus corpos passaram a se roçar suavemente, ao compasso da música que acompanhavam em passos curtos e lentos.

— Você é alguém diferente, Roy — disse ela.

— Diferente? Como assim.

— Um tipo de homem que não se encontra mais. Há algo romântico e sonhador em cada uma de suas ações. É gentil e sincero...

Ele sorriu, sentindo que as mãos dela avançavam pelo seu pescoço, roçando-lhe a nuca como numa provocação tímida, mas eficiente.

— Quer ir para a cama comigo, Roy? Penso que seja agradável fazer amor com alguém como você — disse ela.

Não havia ternura, atração profunda ao amor naquele tom de voz. Apenas uma curiosidade agradecida que o desconcertou.

Instintivamente seus braços a apertaram contra o peito. Shirley obedeceu com docilidade e certa impaciência.

Roy ainda pensava no que dizer em seguida. Nunca uma garota fora tão direta e natural naquele tipo de convite, principalmente se tratando de Shirley John.

Roy percebeu uma estranha ironia em tudo aquilo. Era como se o destino, de um modo ou de outro, o forçasse contra Jean Paul, à procura de encrenca.

— Ainda não me respondeu — observou ela, beijando-o sutilmente no pescoço.

Seus lábios mornos e úmidos punham calor e calafrios no corpo de Roy. Ele deslizou as mãos pelas costas dela, até a linha da cintura, firmando-a melhor contra si.

— Como se responde a isso? — retrucou ele.

— Não me parece um ingênuo — respondeu a jovem, pousando seus lábios sobre os dele.

Roy se sentiu estremecer, contagiado pela sensualidade daqueles lábios, retribuindo ao beijo. Seus lábios esmagaram a boca de Shirley com avidez, fazendo-a suspirar momentos depois.

— Tenho certeza de que vai ser o máximo, Roy.

— Em meu apartamento?

— Por que não?

Voltaram para a mesa, após um olhar cúmplice que selava a proposta. Roy deixou dinheiro para a despesas e saíram da boate.

Assim que entraram no carro Shirley se lançou nos braços do rapaz, entregando-se num beijo carregado de luxúria e excitação.

Roy teve a nítida e certa sensação de que se metia em encrencas sérias, mas não havia como fugir àquele apelo irresistível.