VIP Membership

Artimanhas do amor por L P Baçan - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.
index-1_1.jpg

index-1_2.jpg

Direitos exclusivos para língua portuguesa:

Copyright © 2007 L P Baçan

Pérola — PR — Brasil

Edição do Autor. Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

Capítulo 1

A festa chegava ao fim na mansão iluminada.

Os convidados que naquela noite haviam se espalhado pelos salões enormes e ao redor da piscina formavam pequenas filas à saída, despedindo-se do anfitrião.

Todos eram unânimes em elogiar a recepção. Nenhum tinha dúvidas de que Jonas Howard era o anfitrião do momento, na cidade. Enquanto se derramavam em elogios, no jardim que circundava a piscina, dois homens seguiam obedientemente Leslie Howard, a sedutora e herdeira de todos aqueles milhões.

Kirck Stonesford era mais alto que Harvey Morganstick, mas ambos se vestiam com igual elegância e sobriedade. À frente deles, caminhando como se estivesse sozinha, Leslie representava para aqueles homens a certeza de um futuro brilhante e tranqüilo.

Um deles seria o felizardo na escolha dela, muito embora vivessem aquele pequeno drama íntimo havia algun tempo. Leslie parecia não se decidir por nenhum deles, embora gostasse dos dois.

Kirck era um playboy internacional falido. Haver caído nas graças de Leslie Howard significava refazer todas as finanças e todo o patrimônio da família, dilapidado pouco a pouco para sustentar sua boa vida. Gostava, ao seu modo, de Leslie. Procurava ser gentil sempre, educado, cavalheiro ao extremo, mas a pressão dos credores pouco a pouco o tornava mais impaciente.

Já havia obtido um empréstimo de Leslie. Não fora muito difícil a convencer a garota a lhe emprestar alguns milhares de dólares. Teria de pagá-los, mas não era isso que o preocupava.

Estava mais interessado, naquele momento, em conseguir um empréstimo e, se possível, a definição da garota por ele.

Harvey era um próspero executivo numa firma de componentes eletrônicos que servia ao Governo. Pelo menos na aparência, diferia fundamentalmente de Kirck. Tinha um sólido emprego e ganhava muito bem. Contava com o apoio do velho Horward, que o queria para presidente de uma de suas empresas.

Isso dava a Harvey uma tranqüilidade que era negada a Kirck. Por outro lado, Harvey, também tinha seus problemas. Havia aquela garota que adorava jóias e aquele maldito cassino, onde se endividara até o pescoço.

Sua situação, portanto, em relação as finanças, não diferia muito de Kirck. Ambos estavam de olho nos milhões de Leslie e, também , na própria garota.

Leslie caminhava, olhando a sombra dos dois homens que a seguiam. Tudo aquilo era muito excitante e até divertido. O interesse dos dois por ela a punha ligeiramente confusa. Gostava dos dois. Ambos sabiam como tratá-la e como agradá-la.

Kirck era mais divertido, mais vivido. Harvey, no entanto, inspirava-lhe segurança. Tentara imaginar como seria a vida com um e com outro. Ambas fascinavam a garota.

Parou junto à borda da piscina. Voltou-se e encarou os dois.

— Que tal decidirmos isso num duelo? — propôs ela.

— Com pistolas ou com espadas? — retrucou Kirck.

— Que tal desintegradores de raio laser? — opinou Harvey.

Leslie sorriu e olhou as luzes se refletirem sobre a superfície transparente da piscina. Não queria decidir nada. Queria viver com aqueles dois homens se possível.

— Quem vai se atirar a piscina por mim? — indagou.

— Isso é ridículo — disse Harvey.

— Se fosse comigo, eu me atiraria — respondeu Kirck.

— É, vocês não são muito entusiasmado, — disse ela, caminhando um pouco mais, até uma pequena fonte, não longe dali.

Sentou-se na pequena amurada. Kirck e Harvey se aproximaram. Os dois homens pareciam amigos, mas Leslie duvidava disso. Naquele mesmo momento, estava certo de que um ficaria muito feliz se o outro caísse morto.

Tudo isso a envaidecia muito. Era um jogo delicioso de ser praticado. Para uma garota que sempre fora mimada, que sempre tivera satisfeito cada menor capricho seu, Leslie vivia momentos de puro prazer.

— Está ficando tarde. Estou cansada! — disse ela.

Os dois homens se entreolharam. Não seria naquela noite que Leslie faria sua decisão e isso os aborrecia muito. Havia coisas que não podia esperar. Forçar uma decisão da parte dela seria tolice, no entanto.

— Eu a vejo na praia amanhã? — indagou Kirck.

— Almoça comigo? — convidou Harvey.

— Sim...Vou à praia de manhã com Kirck. Depois telefono para você, Harvey, e almoçaremos juntos, está bem assim.

Os dois homens sorriram, concordando. Harvey fez menção de se retirar, mas parou ao perceber que Kirck pretendia ficar um pouco mais. Kirck percebeu a intenção do outro e se aborreceu. Precisava falar a sós com Leslie, era importante. Naquela manhã, haviam lhe tomado o carro sua preciosa Bugatti, por falta de pagamentos nas prestações do financiamento.

— Eu precisava falar um instante com você, Leslie — disse ele, olhando a seguir na direção de Harvey. — Em particular, se possível.

— É claro querido — concordou ela.

A expressão no rosto de Harvey foi de puro desagrado, mas ele forçou um sorriso, despediu-se e deixou-os a sós. Assim que ele se afastou, Kirck se sentou junto de Leslie e enlaçou-a.

— Seus lábios buscaram os dela, sugando-os com provocação. A garota abandonou-se nos braços dele. Nesse ponto, Kirck levava uma enorme vantagem sobre Harvey. Quando a tomava nos braços, fazia Leslie se sentir mulher realmente, despertando fantasias, desejos avassaladores, sensações desconcertantes.

Ele a beijou, então no pescoço, no ombro nu, enquanto suas mãos deslizavam sobre o vestido de dois mil e quinhentos dólares, procurando os contornos mais fascinantes daquele corpo.

Quando ele a soltou, as faces de Leslie estavam coradas, sua respiração era descompassada e seus olhos brilhavam. Ela suspirou fundo.

— A noite toda eu desejei fazer isso — disse ele, num tom de voz apaixonado.

Leslie nada disse. Tomou as mãos dele e apertou-as contra seu rosto. Aquela sensação que lhe vinha de dentro era terrivelmente forte, quase irressistível.

— Sobre o que você queria falar comigo? — indagou ela.

— Ah, sim...bobagem. Acha que seria possível mandar seu motorista me deixar em casa?

— E sua Bugatti?

— Um problema com ela...Tive de mandá-la para a oficina. Imagine que tive para comprar um outro carro, uma ferrrari que vi numa loja, mas houve um problema nas remessas de meus rendimentos deste mês por parte do banco suiço onde tinha minha conta...

Ora, que transtorno, Kirck.

— Sim, terrível mesmo! — exclamou ele, com uma expressão de desalento que penalizou a garota.

— Se eu puder ajudar em alguma coisa...

— Ora, por que aborrecer você, com questões tão triviais?

— Se pensa assim...

— Por outro lado...Não, seria embaraçante. Já lhe devo dez mil...

— Está me pedindo um empréstimo?

— Por poucos dias...Creio que meu dinheiro deverá chegar na próxima semana apenas e...Detesto andar a pé — sorriu ele, retirando sua cigarreira de ouro.

Ofereceu um cigarro a garota. Acende-o, a seguir.

— Um belo isqueiro...É novo? — indagou ela.

— Comprei o hoje. Gostou dele?

— Sim, muito bonito.

— É seu, então — disse ele com displincência.

— Ora, Kirck...

— Por favor, querida. Um simples presente, fique com ele — insistiu i rapaz, depositando o isqueiro nas mãos dela.

— Você é mesmo fantástico, Kirck...De quanto precisa?

— Seria muito...vinte mil?

— Se me acompanhar até o estúdio, eu lhe darei o cheque.

* * *

Kirck havia acabado de sair. Leslie acompanhara até a porta e ele a brindara com outro daqueles beijos que despertavam nela todo seu instinto de mulher.

Leslie não vinha de uma educação rígida. Seu pai, viúvo logo após o nascimento de Leslie, sempre se mostrava liberal, mimando-a ao extremo. Era a sua única filha e agora, mulher, ostentava os mesmos traços da mulher que ele amara.

Assim, para ele, Leslie, a pessoa mais importante do mundo. Leslie sempre procurara, portanto fazer os gostos do pai, atendê-lo, estar sempre com ele, sempre que possível.

Pouco tempo tivera para namorados. Poucas vezes experimentara algo mais forte que uma carícia mais ardente. Kirck e Harvey agora, faziam-na se sentir outra, com desejos fortes e irressistíveis, como se ela sentisse a necessidade de explodir em toda a sua sensualidade, dando vazão completa a tudo que a fascinava e perturbava.

Não fora longe com nenhum deles, mas estava certa de que tudo fora apenas uma questão de oportunidade. Assim que uma delas surgissem, não hesitaria em experimentar tudo aquilo que vinha ansiando.

— Ah, você está aí— disse o velho, aproximando-se da filha.

Abraçou-a carinhosamente e beijou-a na face. Depois caminhou com ela até o elegante e sofisticado bar. Serviu dois copos.

-Parece cansado, papai — observou ela, enquanto iam se sentar.

— Realmente, filha — confirmou ele, num suspiro.

Leslie debruçou-se no ombro do pai. Ele acaricio-lhe os cabelos.

— Como vão as coisas entre você e aqueles dois rapazes?

— Indecisas — sorriu ela.

— Aprecio muito o Harvey. É inteligente e conhece os segredos de como dirigir uma firma...Seria um aliado importante para mim...Sinto-me cansado. Gostaria de me retirar dos negócios, descansar, gozar a vida...

— Ora, velho, não me diga que a idade está lhe pesando! Ou são aquelas garotinhas cada vez mais insaciáveis?

Jonas Howard sorriu cumplicimente.

— Não, falo sério mesmo. Sinto-me cansado realmente. Por que você não se decide por um deles? Eu gostaria que fosse o Harvey, mas aprovarei se for o Kirck.

— Quer mesmo que eu faça isso?

— Se você quiser...

— Pensarei a respeito, está bem?

* * *

Enquanto dirigia a limousine, Albert Gunn observava, pelo retrovisor, a aparência satisfeita e arrogante de Kirck Stonesford.

Não gostava daquele tipo nem do outro que vivia rodeando sua patroa. Aliás, não gostava de ninguém que se aproximava de Leslie.

Amava aquela garota, era um amor impossível, um paixão sem nexo e sem futuro, mas nada a arrancava dentro de si. Amava Leslie desde que começara a trabalhar ali, havia alguns anos. Ela nunca notaria isso. Para Albert isso não tinha a menor importância. Podia vê-la, saía a passeio com ela, gozava até de certa intimidade. Podia chamá-la pelo nome, podia segurar a mão dela quando descia de carro, podia ajudá-la com os pacotes.

Eram coisas simples, mas significativas para ele. Em seu quarto, numa cabana da imensa propriedade, possuía um álbum. adorava fotografar e Leslie era sua modelo preferido. Tinha excelentes fotos da garota, fotos que qualquer um daqueles paspalhos compraria por um bom dinheiro.

Não era a intenção do rapaz, no entanto. Tinha as fotos porque amava Leslie e era sua maneira de demonstrar aquele amor sufocado.

Olhou pelo retrovisor. Kirck abanava-se com um pequeno pedaço de papel. Era um cheque.

Albert não precisou demorar muito para entender o que houvera.

Aqueles dois tipos não o enganavam. Estavam ao redor de Leslie, não porque a amassem, mas pelo dinheiro. Leslie era cega, não podia perceber isso. Albert se sentia revoltado, mas o que poderia fazer?

— Pensando bem, Al, não quero ir para casa. Leve-me ao Danúbio.

— Meu nome é Albert, senhor, e as instruções da Srta Howard foram para levá-lo para casa, apenas isso.

— Ela o colocou a minha disposição, Al. Se você é um sujeito esperto, não vai querer me contradizer, não é?

— Claro que não senhor — respondeu o rapaz, secamente.

— Sim, porque posso vir a ser o seu patrão. É calro que não me esqueceria de alguma indelicadeza ou indiscrição, não é verdade?

— Sim, senhor.

— Você fala demais, Al. Cala-se e leve-me ao Danúbio — ordenou Kirck.

Albert obedeceu. Aquela revolta interior era um fogo a devorá-lo. Conhecia muito bem aquele tipo, assim como o outro o tal Harvey.

Kirck freqüentava o Danúbio, um cabaré de alta classe, de luxo e caríssimo. Fazia aquilo com o próprio dinheiro de Leslie e a garota não sabia daquilo.

Da mesma forma, conhecia Harvey, suas prendas fabulosas num cassino clandestino.

Aqueles dois homens estavam arruinados financeiramente, e a única saída para eles era Leslie.

Às vezes tinha vontade de contar a ela, de abrir-lhes os olhos, mas punha-se em seu lugar.

Estaria apenas arranjando encrencas para si mesmo, muito embora julgasse tudo aquilo uma tremenda injustiça.

Poderia equiparar-se a qualquer um daqueles homens. Financeiramente talvez estivesse em melhores condições que qualquer um deles. Mas o que isso importava? Aquele dois homens tinham status, algo que ele, Albert, um simples motorista particular, jamais teria.

* * *

Harvey introduziu a chave na fechadura e girou a maçaneta em seguida. A porta se abriu.

As luzes do apartamento de Marion estavam apagadas. Ela deveria estar dormindo.

Silenciosamente ele atravessou a sala e rumou para o quarto de dormir. Abriu a porta. a cortina transparente deixava entrar a luminosidade pálida da madrugada. Ele caminhou até a cama. O corpo de Marion espalhava-se graciosamente sobre os lençóis. Ele imaginou o calor daquela pele e o desejo acendeu-se dentro dele. Despiu-se lentamente, procurando não fazer ruídos. A garota suspirou e girou sobre a cama, as costas nuas voltadas para ele.

Harvey deitou-se lentamente, enlaçou-a por trás, as mãos comprimindo aqueles seios rijos e provocantes, os quadris roçando-se excitados às nádegas excitantes.

— Harvey... — murmurou ela, sonolenta, tentando girar o corpo.

Ele a apertou firme em seus braços, roçando-a vigorosamente, com excitação, as mãos acariciando os seios e ventre da mulher.

— Olá, querida! — murmurou ele, a voz alterada pela excitação.

— Onde esteve até agora?

— Tratando de nosso futuro, querida.

— Com aquela chata de novo? — disse Marion, desvencilhando-se dele e se levantando.

Cambaleou sonolenta até o banheiro, de onde retornou pouco depois. Apanhou um cigarro sobre a mesa da cabeceira e deitou-se. Harvey debruçou-se sobre ela, disposto a continuar o jogo excitante.

— Tenha modos, Harvey...Espere-me acordar direito — resmungou ela, empurrando-o para o lado.

Ele não se deu por vencido, indo acariciar os pés da jovem mulher. Beijou-lhe os dedos, enquanto suas mãos avançavam pela perna, ultrapassando seu joelho e indo acariciar as coxas torneadas.

Capítulo 2

— Eu não gosto do que está fazendo, Harvey. Tenho um pouco de princípio, sabia? —

indagou Marion, visivelmente aborrecida e irritada, empurrando-o com um dos pés.

Harvey rolou divertido sobre o leito, depois foi se deitar ao lado dela. Tomou o cigarro de entre os dedos e tragou demoradamente.

— Não entendo você! Francamente não entendo você! — exclamou ele. — Leslie Howard é nosso passaporte para o fortuna e ainda recebo críticas...

— Sim, isso mesmo — confirmou ela, a expressão ainda empanada pelo sono.

Harvey olhou-a demoradamente. Marion possuía aquele tipo de beleza agressiva, marcante, que toca um homem ao primeiro olhar, que o prende por um fascínio que sugere perigos e prazeres ao mesmo tempo.

Ela puxara a ponta do lençol sobre os seios. Seus quadris estavam cobertos, mas suas coxas se exibiam em toda a exuberância de uma plástica invejável. Aquela mulher era toda fascínio e sexo, uma espécie de vício que o desagradava e rediminha ao mesmo tempo.

— Amanhã vai haver um leilão de jóias...começou ele, devolvendo o cigarro para a companheira e se levantando, o corpo nu e atlético agora alvo do olhar dela.

Havia tocado o ponto fraco de Marion, seu gosto por jóias, seu desejo de sempre ter mais.

Harvey sabia muito bem o quanto aquele corpo merecia ser coberto de jóias. Cada uma delas ficava bem em sua pele. Não havia peça que não parecesse feita para cobrir o corpo de Marion.

— Mas não poderemos ir — disse ele — quando retornou da sala, com um copo de uísque na mão.

— Por que não? — indagou ela, tentando parecer distraída, mas isso não enganava Harvey.

Podia ver nos brilhos dos olhos dela.

— Estou liso, apenas isso — disse ele, deitando-se novamente ao lado dela.

Marion ficou imóvel por instantes, depois se voltou para ele. Olho-o com paixão, mordiscando o lábio inferior, deixando-o escorregar entre os dentes, avermelhado-o ainda mais, tornando mais apetitoso.

— Não pode dar um jeitinho?

— De forma alguma. Devo muito naquele maldito cassino. Estou desesperadamente precisando de dinheiro, Marion. Bastante dinheiro, dinheiro para nós.

— Pobre querido? — exclamou ela, os lábios avançando para roçar os ombros dele, depois seu pescoço.

Mordiscou-lhe o queixo, depois as orelhas. Sua respiração alterada fez arrepiar o corpo de Harvey, que a sentia toda sua novamente.

Deixou o copo de uísque de lado e olhou-a nos olhos. Marion era a sua loucura. Enlaçou-a com força e colou seus lábios ao dela, sugando-os apaixonadamente.

Ela retribui o abraço e o beijo com sua maneira felina e arrebatadora de amar. Seus corpos mergulharam, então, num estado de febrilidade e paixão. O gostoso alheamento da amor envloveu-os e apenas a vontade de manifestarem livremente o desejo permaneceu.

Harvey sentia seu corpo abalar-se, preso de indescritível frenesi. Seus lábios espalharam beijos pelo rosto de Marion, depois pelo seu corpo, com febrilidade crescente.

Ela suspirava e roçava a ele, retribuindo beijos e carícias, vibrando intensamente aquela caminhada executada pelos lábios dele sobre seu corpo.

Harvey beijou-a nos ombros, no pescoço, depois deslizou seus lábios sobre a pele sedosa e macia, até o vale perfumado dos seios. Marion suspirou mais alto. As mão dele escorregaram pelas coxas dela até as nádegas roliças e firmes. Seus lábios cubriram um dos seios, beijando-o, acariciando-o, sugando-o.

Estremecimentos tomaram conta do corpo. As mãos deles circularam os quadris da garota, estenderam-se pelas coxas sedutoras, retornaram, buscando maior intimidade.

Seus lábios deixaram os seios da garota e escorregaram pelo ventre macio e achatado.

Beijos rápidos e hábeis provocaram convulsões no corpo dela. A respiração apressada do rapaz avançou pelo triângulo sedoso. Suspiros e gemidos, palavras entrecortadas, murmúrios escaparam do lábios dela.

Por instantes Harvey levantou a cabeça para fitá-la, vencida pela paixão, uma expressão felina no rosto crispado pelo desejo, num fascínio maior nas formas perfeitas do corpo em estremecimentos.

Ele coordenou então, seus lábios e mãos, esmerando-se em carícias apaixonadas que a fizeram a contorcer arquear o corpo, tentando abraçá-lo, arranhá-lo, mordê-lo. Sensações delirantes devassavam seu corpo.

Harvey avançou, então, seus lábios, buscando-o em toda a sua intimidade, devassando-a com sua língua, incendiando-a com beijos hábeis. A loucura e o delírio se estamparam, então, nas faces em fogo a garota.

* * *

Albert havia deixado Kirck Stonesford no Danúbio e retornara para a mansão dos Howard.

Levara o carro para a garagem, limpara-o, depois saíra para o jardim, caminhando na direção de sua cabana.

Quando chegou, não entrou de imediato. Havia um pequeno muro de pedras separando os canteiros do pátio gramado da cabana. Ele sentou-se ali. Seus olhos se levantaram, então, na direção de sua casa, procurando uma das janelas.

Estava iluminada ainda. A cortina fora afastada. Ele podia ver os detalhes do lustre e do papel de parede. Leslie ainda estava acordada. Ao pensar nela, toda a frustração e a raiva que a companhia de Kirck lhe causara foram afastada.

Sentiu pena da garota, pena daquele mundo falso que a envolvia, daquela falsa, de sua cegueira em não enxergar em Kirck e Harvey dois escroques de marca maior.

Subitamente contra a parede, uma sombra se delineou. Um vulto feminino se despia, erguendo os braços preguiçosamente para tirar o vestido.

A silhueta contra a parede, revelou contornos definidos que Alberto já conhecia. O cigarro caiu de sua mão. Ele se levantou lentamente, olhos fixos naquela janela.

Imagens surgiram em sua mente. Fotografias, muitas fotografias do corpo de Lesei, na piscina, na praia, cuidando do jardim, andando de bicicleta. Fotografias reveladoras, excitantes, mas nenhuma se equipara àquela imagem contra a parede.

O coração do rapaz saltava do peito em um temor significativo dominou seu corpo. A sombra deslizou para longe da moldura da janela. Albert não consegui, no entanto, desviar seus olhos.

Para sua surpresa, Leslie surgiu à janela momentos depois. Vestia uma camisola que, contra a luz, deixava ver os contornos do seu corpo. Ela se debruçou no peitoril e ficou ali, como que pensativa.

Albert se sentou novamente, incapaz de desviar seus olhos daquela deliciosa visão. Todos os seus sentidos estavam concentrados em Leslie numa espécie de adoração à distância.

A brisa agitava levemente os cabelos dela. Talvez estivesse insone, talvez desejasse conversar. Pensamentos loucos passaram pela mente de Albert, desejos absurdos que o convidaram a ir ao encontro dela.

Leslie endireitou o corpo. Sua silhueta contra luz fez Albert estremecer. Ela se afastou. A luz foi apagada. Albert suspirou e suas mãos trêmulas procuraram outro cigarro.

Deitada em sua cama. Leslie fitava um pedaço de céu através da janela. Pensava no que lhe dissera o pai. Ele tinha razão. Era chegado o momento da definicão. Não poderia continuar por mais tempo naquele delicioso jogo de adiantamentos e escolha. Harvey era muito interessante, agradava seu pai, mas Kirck era tão interessante...

Não seria algo fácil. Leslie ainda achava que a melhor escolha seria os dois num só, mas isso era impossível. Ambos eram tão gentis, tão atenciosos...Harvey poderia continuar o trabalho do velho Jonas, Kirck tinha preferências e habilidades divesrsas. Seria um ótimo amante, uma excelente companhia, sempre divertida e imprevisível.

Com Harvey, a vida seria algo sério e talvez monótono, mas seguro e estável. Com Kirck, tudo seria uma constante festa. Viagens, diversões, tudo que agradava a uma mulher.

Havia um grande patrimônio em jogo, no entanto. Como herdeira, Leslie precisava pensar nele, apesar de, como mulher, querer importar-se apenas com as coisas que a ela diziam respeito.

Tentou imaginar a vida com cada um deles, então, tentou descobrir coisas menores, minúcias do cotidiano e descobriu, então, que não conhecia realmente seus dois admiradores.

Tinha apenas a noção deles ao seu redor, não os conhecia realmente no di-a-dia, nas coisas rotineiras, nos detalhes pequenos que faziam o cotidiano de cada um. Isso era importante, muito importante. Passaria a fazer parte deles, vindo cada minuto da vida deles.

Assim, era preciso ir mais longe antes da escolha. Uma porção de estratégias, então, passou por sua mente, mas nenhuma a fascinou mais que a idéia de passar alguns dias com cada um deles.

Talvez um final de semana com cada um pudesse dar a ela uma amostra de como seriam no di-a-dia. A idéia era excitante. Poderia ir com Harvey as montanhas. Poderia visitar uma das ilhas de seu pai com Kirck.

Após essas experiências teria elementos para chegar a uma escolha que agradasse. Era claro que o desejo de seu pai contava, mas não devia prevalecer, no entanto.

Pensaria cuidadosamente na idéia. Era algo que poderia ser feito, que deveria ser feito. Não havia outra maneira de conhecer realmente seu futuro marido.

Na manhã seguinte, quando acordou, Leslie lembrou-se de seu compromisso com kirck.

Vestiu-se para a praia e, após seu dejejum , aguardou pela chegada dele. Como Kirck demorava, ligou para o apartamento dele sem obter resposta.

Imaginou que ele estivesse a caminho, por isso foi para o jardim esperá-lo. Caminhava entre os canteiros, quando o carro grande e lustruoso subiu pela alameda com Albert no volante.

— Estava a minha espera, senhorita? — indagou Albert, parando junto a ela.

— Não, espero por Kirck. E papai, você o viu cedo?

— Acabo de deixá-lo no escritório...

— Então pode guardar o carro, não precisarei dele esta manhã.

— Como quiser, senhorita — respondeu Albert, os olhos brilhantes observando-a por instantes antes de se afastar.

Leslie aguardou por mais algum tempo, Kirck estava atrasado.

O sol já ia alto, intrigada ela foi a procura de Albert. Foi encontrá-lo na garagem tirando o pó dos carros.

— Albert, Kirck lhe disse alguma coisa ontem?

— A respeito de quê?

— Do que faria esta manhã?

— Não , não me disse nada...

— Estranho...Kirck nunca se atrasa...talvez lhe tenha acontecido alguma coisa...Ele estava bem quando o deixou no apartamento?

Albert não a olhou, por instantes pensou, se deveria continuar mentindo como das outras vezes. Não suportava mais ter de defender aqueles dois diante de Leslie. Queria abrir-lhe os olhos, falar-lhe a respeito do Danúbio, daquele cassino, daquela garota.

Ao invés disso, no entanto, levantou Os olhos para ela.

— Ele estava bem quando eu o deixei ontem à noite — afirmou.

— Acho que vou no apartamento dele, então — decidiu ela. — Deixe o carro esporte pronto.

Albert a viu afastar-se, tentando imaginar a cena. Kirck fora ao Danúbio e, na certa levara uma daquelas elegantes garotas para o seu apartamento. Se Leslie fosse até lá, seria realmente embaraçoso, talvez a solução, mas isso era ser otimista demais.

Kirck era um sujeito esperto, sairia daquelas, como sairia de outras situações, sempre valorizado diante de Leslie.

Enquanto pensava nisso, numa reluzente Ferrari, subiu pela alameda, roncando alto. Era Kirck. A buzina soou estridente. Leslie saiu à janela.

— Vamos experimentar meu carro novo — gritou-lhe Kirck, acenando.

Leslie desceu quase em seguida, já vestida. Uma calça comprida e justa acentuava os contornos sensuais de seus quadris. Uma blusa folgada, sobre o tronco dava-lhe um ar esportivo e particularmente delicioso. Os cabelos estavam presos ao lado da cabeça, fazendo-a mais linda. Da porta da garagem, Albert observou-a aproximar-se da ferrari de Kirck.

— Eu estava ficando preocupada — disse ela.

— Desculpe-me o atraso, mais houve um problema na revendedora — mentiu ele.

Acabara de alugar o carro, mas Leslie não descobrira este detalhe. Seria fácil inventar uma desculpa qualquer quando tivesse de devolvê-lo.

— Que tal um passeio?

— Vou adorar — respondeu ela, saltando para o interior do veículo, que arrancou veloz.

O vento batendo no rosto, o mar girando lentamente ao longe, a paisagem passando rápida, tudo isso despertava uma espécie de euforia dentro de Leslie. Era assim que se sentira em relação a Kirck. Tudo era uma constante euforia despreocupada.

— O carro, finalmente, parou no alto de uma encosta, de onde se tinha uma total vista do mar e das pequenas ilhotas que pontilhavam aquela parte da costa.

Leslie se lembrou do que pensara na noite anterior. Poderia escolher uma daquelas ilhas e passar um final de semana lá com Kirck. Bastaria apanhar o barco, enchêlo de provisões e ir ancorá-lo numa enseada tranqüila.

— Em que está pesando? — indagou ele, olhando-a demoradamente.

— Em como é tudo é divertido em sua companhia, Kirck — respondeu ela, olhando-o sorridente.

Kirck percebeu o quanto aquele momento era importante. Seu braço passou pelo ombro de Leslie, que se deixou atrair lentamente.

Ele a olhou-a de perto, fascinado, interessado. Acariciou levemente as faces da garota, depois, segurou-a gentilmente pelo queixo, enquanto se debruçava para beijá-la.

Seus lábios se colocaram num beijo calmo, a princípio crescendo em febrilidade a seguir.

Aquelas sensações fortes que invadiam o corpo de Leslie faziam desejar provar mais fundo.

Ela apertou-se contra Kirck , desejando ir mais longe do que jamais fora.

Ele percebeu a disposição dela e empolgou-se. Suas mãos deslizaram sutilmente pelo corpo dela, resvalando em seus seios, provando os contornos de seus quadris, descobrindo as formas rijas e sedutoras de suas coxas.

Leslie ofegou, as mãos enterrando-se nos cabelos dele, os lábios esmagando os dele, sugando-os, mordiscando-os numa explosão de paixão.

Kirck sentiu um sabor de vitória naquele beijo. Suas mãos subiram pelos quadris da garota, introduzindo-se por sua blusa, tocando a maciez deliciosa e morna daquela pele acentuada e tentadora.

Leslie arrepiou-se e um calor intenso ardeu em seu ventre, enquanto as mãos fortes e carinhosas de Kirck subiam pelo seu corpo, até tocarem seus seios.

Apertou-se ainda mais a ele, deixou-se beijar no pescoço e nos ombros, ofegante, eletrizada, enquanto aquelas mãos descobriam sensações novas nos seios dela, enrijecendo os bicos jovens e tentadores.

Capítulo 3

Harvey, em seu escritório, esperava impaciente a passagem do tempo, além de um telefonema de Leslie confirmando o almoço. Ainda estava preocupado com a permanência de Kirck, na noite anterior, com a garota. Conhecia Kirck, sabia exatamente o que ele era.

Toda aquela aparência arrogante de playboy disfarçava apenas um homem arruinado, sem outra fortuna além do nome e do prestígio anterior, já um tanto, desgastasdos também.

Deixar Leslie nas mãos dele, era o mesmo que atirar a garota às feras. Embora seus propósitos não diferissem muito do seu rival, sentia-se melhor que o outro. Tinha a preferência do velho Howard e poderia ostentar uma certa honestidade em seus atos.

Possuía um sólido emprego, um bom apartamento, um excelente carro. O apartamento estava hipotecado ao máximo, o carro poderia ser perdido a qualquer momento, mas ainda conservava o emprego e o status que dele vinha.

Reconhecia-se um homem com uma certa classe, alguém que lutara muito, que adquirira uma vida sem problemas. Isso tudo se resumia numa mulher como Marion, em emoções fortes e caras como as que obtinha no cassino, uma montanha de dinheiro fornecendo-lhe toda tranqüilidade.

Gostava de Leslie, era uma boa garota, um tanto mimada e indecisa, mas sensual. Quando se casassem, cuidaria para que sua vida dupla se adequasse corretamente à nova situação.

Não queria perder Marion, isso seria insuportável; não podia perder Leslie: era sua garantia de um futuro maravilhoso.

O telefone tocou sobre a sua mesa e, com um sorriso nos lábios, pensou em Leslie com interesse, enquanto atendia.

— Harvey Morganstick? — indagou uma voz masculina do outro lado.

Harvey reconheceu-a imediatamente uma expressão de desagrado e irritação estampou-se no seu rosto.

— Já não pedi para não ligar para cá, Bruce.

— Sei que considera seu trabalho algo importante, Harvey, eu também considero o meu da mesma forma. Sou um cobrador, pagam para mim receber... Não é engraçado? — riu o outro.

— Não vejo graça alguma. Seu senso de humor é ridículo, Bruce.

— No seu modo de ver. Preciso falar com você... Conversa séria...

— Sei de que se trata... Você vai receber...

— Não é esse o caso agora, Harvey. Quero garantias, prazos, coisas sólidas para apresentar ao patrão. Eu o espero às treze horas no Lancaster...

— Espere um pouco, já tenho u compromisso e...

— Cancele-o, para o seu próprio bem — disse Bruce secamente, desligando.

Harvey esfregou as mãos no rosto num gesto de puro desespero. A impaciência dentro dele se tornou irritação, raiva, frustração. Leslie não podia continuar naquela brincadeira. Precisava decidir logo.

Apanhou o telefone e discou para a casa dela, onde lhe informaram que Leslie saíra com Kirck havia algum tempo. Harvey deixou um recado cancelando o almoço. Depois pensou num modo de forçar a decisão da parte da garota.

* * *

Kirck estava gratamente perplexo, olhando Leslie se mover com desenvoltura no apartamento dele. Ainda não sabia como conseguira trazê-la ali. Leslie se mostrava receptiva e amorosa ao extremo naquela manhã. Tudo isso tinha um sabor de decisão para ele. toda aquela espectativa está chegando ao fim para ele. Seus problemas estariam solucionados. Sua vida agora seria maravilhosa.

— Tem um belo apartamento — observou ela, caminhando para ele.

— Você o torna mais bonito ainda — sorriu ele, os cabelos ligeiramente despenteados, alguns botões soltos esportivamente na camisa, aquele ar aliviado tornando seu rosto mais fascinante para Leslie.

Ela parou junto dele, revivendo aquelas emoções que haviam tomado de assalto no carro.

Ainda não sabia ao certo o que pretendia descobrir. De repente percebera que desejava aquilo, que desejava uma emoção mais forte, mais íntima com cada um daqueles homens.

Talvez fosse a única maneira de chegar a uma decisão.

— Amo você — disse Kirck, terrivelmente convincente.

— Prove-me — pediu ela, soltando-se nos braços dele.

Kirck abraçou-a com emoção, beijando-a nos cabelos, na testa, sobre os olhos, nas faces coradas, no canto dos lábios. O perfume da garota envolveu-o, bulindo com seus sentidos. Ele a apertou firme nos braços e seus lábios esmagaram os dela.

Kirck mal podia acreditar ainda no que acontecia. Leslie estava ali, rompendo finalmente, aquele círculo-vicioso de indecisão e capricho, fazendo sua opção, entregando-se a ele deliciosa e ardente.

Apertou-a nos braços, enquanto a acomodava no amplo sofá. Aquele corpo quente e tentador guardava todas as sua soluções. Precisava agora prendê-la definitivamente, seduzi-la totalmente.

Seus lábios beijaram os dela com avidez e sua mãos deslizaram pelos contornos marcante e sedutores dos quadris, avançaram pelas coxas esculturais, comprimindo aquelas carnes rijas e inquietas.

Beijou-a no pescoço, nos ombros, antes de avançar pelo decote da blusa e roçar com sua língua o vale perfumado dos seios perfeitos e tentadores.

Suas mãos subiram avidamente pelo corpo dela , penetrando pela blusa, empurrando-a para cima, despindo os seios da garota. Por instantes ele contemplou aquelas formas perfeitas, arrendondadas deliciosas. Suas mãos pousaram sobre as tentadoras elevações. Leslie fechou os olhos e arqueou o corpo, suspirando delicada.

Kirck beijou-a novamente. Sua língua penetrou entre os lábios dela, oferecendo-lhe sensações fortes e íntimas. Leslie se via tonta diante daquela seqüência crescente de emoções que punha seu corpo febril e excitado.

Ela procurou, então, corresponder e sentir todo aquele corpo másculo e impaciente que se esfregava ao seu. Suas mãos deslizaram pelas coxas de Kirck, enterraram-se nos cabelos dele, desnudaram seu corpo de músculos fortes e delineados.

Contagiado Kirck, procurou o fecho da calça comprida de Leslie, soltando-o e empurrando-a para baixo. Com movimentos graciosos e sensuais ela o ajudou na tarefa.

Os sentidos do playboy se confundiram ao fitar demoradamente as formas irreparáveis dos quadris e das coxas de Leslie, o triângulo sedoso que se insinuava por sob a calcinha transparente, o vale definitivo do prazer sugerido e apontado.

Suas mãos deslizaram avidamente pelas coxas rijas e torneadas, subiram até o ventre achatado e em convulsões, desceram novamente enroscadas ao elástico da peça íntima.

Leslie arfou apaixonadamente, o corpo nu entregue as carícias hábeis , os olhos brilhantes, os lábios úmidos e palpitantes numa sensual expressão de desejo e sedução.

Kirck despiu-se rapidamente e esfregou o seu corpo ao dela, oferecendo a Leslie novas sensações que a fizeram sentir-se extremamente mulher, desejada e possuída.

Kirck abraçou-a freneticamente , roçando suas peles. Seus lábios se buscaram tocados pela mesma volúpia. Carícias cresceram em impaciência.

— Oh, Kirck! — murmurou ela, vencida pelas sensações fortes que aqueciam seu ventre, pondo-a em convulsão.

— Leslie! — rouquejou ele, fascinado, massageando-lhe os seios, beijando-oa, sugando-os, mordiscando-os.

Arrepios de puro prazer percorriam o corpo da garota, eletrizando-a e fazendo-a brilhar intensamente. Seus pensamentos se confundiam, seu corpo ganhava uma inquietação crescente e deliciosamente insuportável, o ar parecia faltar em seus pulmões.

Procurou retribuir todas aquelas carícias, acariciando o corpo de Kirck com suas mãos femininas e suaves que se contagiavam na paixão e apertavam as carnes dele, procurando senti-lo ao máximo.

Kirck sabia como aquele momento era importante, decisivo para suas pretensões. Assim, dedicou toda a sua paixão de carícia, a cada beijo. Seus lábios e suas mãos caminharam apaixonadamente pelos seios tentadores de Leslie, pelo seu ventre, por seu quadril, em suas coxas.

Era preciso atingir o máximo, era preciso subjugar Leslie totalmente, incentivando-a , brindando-a com carícias ousadas, abalando-a, convulsionando-a, convencendo-a.

Kirck se mostrava o homem perfeito. Havia apanhado uma garrafa de champanha e trazido para junto da cama. Preparara alguns canapés e deixara-os ao lado de Leslie. Ainda aturdida pelas emoções fortes que vivera, a garota parecia ver nele o homem perfeito, o amante ideal, a decisão mais acertada.

fiel à sua decisão, no entanto, pensou em Harvey, tentando imaginar como seria tudo aquilo na companhia dele.

— Em que es pensando? — indagou ele, deslizando o dedo indicador pelas linhas suaves e belas de Leslie.

— Que horas são?

— Que importa isso?

— Fiquei de telefonar ao Harvey...

— Esqueça o Harvey — pediu Kirck , inclinando-se sobre ela e beijando-a ardentemente.

Uma de suas mãos pousou sobre os seios dela, acarriciando-os apaixonadamente. As sensações que invadiram o corpo da jovem transtornavam seus sentidos e ameaçavam desfazer todos os seus pensamentos, convidando-a a ficar ali indefinidamente, entregue à paixão e aos cuidados de Kirck.

Seus lábios se despregaram lentamente. Kirck a olhou ternamente, já convencido de que vencera, de que superara todos os seus problemas, conquistando-a.

— Não seria leal — disse ela, no entanto, forçando uma expressão decepcionada no rosto dele.

Procurou sorrir e girou o corpo para apanhar o telefone e depositá-lo ao lado de Leslie. Ela sorriu em resposta e segurou o fone. A idéia inicial de ir mais longe, de viver com cada um daqueles homens mais que simples momentos, voltou a sua mente.

Antes de discar, encarou Kirck.

— Papai comprou uma porção de ilhas na costa para um grande empreendimento imobiliário que pretende realizar...

— Sim, li sobre isso nos jornais — respondeu ele, lembrando-se das altas importâncias que haviam girado naquela transação.

Era muito dinheiro, mas significava apenas uma parte da grande fortunas dos Howard, uma fortuna que viria solucionar todos os problemas de Kirck, devolvendo-o a suas propriedades, a suas posses.

Não haveria mais humilhações diante de credores impacientes, não teria mais de alugar carros, não precisaria fazer míseros empréstimos. Teria todo o dinheiro que desejasse.

— Por que está me dizendo isso?

— Gostaria de conhecer aquelas ilhas... Poderíamos apanhar o barco, talvez passar um final de semana numa delas... Não seria excitante?

— Fala sério realmente?

Ela sorriu e avançou os lábios para beijá-lo. Kirck enlaçou-a, convencido de que nada mais poderia afastá-la dele. Leslie era sua definitivamente. A prova estava ali, naquela arrebatada condição.

— Amanhã, sugeriu ele.

— Por que não? — retrucou ela, discando para o escritório de Harvey.

Ele atendeu logo em seguida.

— Harvey, estou com Kirck. Acho que não podemos almoçar juntos hoje e...

— Eu telefonei para sua casa...

Kirck julgou que era o momento adequado para gozar sua vitória sobre o rival. Apanhou o fone das mãos de Leslie.

— Alô, Harvey! Espero que não se aborreça de ficar só no final de semana. Eu e Leslie temos programa...

— De que está falando?

— Ora, não creio que isso vá interessá-lo agora, Harvey, nem nunca mais. Espero que seja o bastante esperto para entender — finalizou Kirck, desligando.

Leslie olho-o com reprovação.

— Por que fez isso?

— Porque agora você é minha, apenas isso — sorriu ele, enlaçando-a com força e a beijando-a com ardor antes que pudesse dizer qualquer coisa.

* * *

Harvey depositou o fone no gancho e tentou afastar aquele temor instintivo que o fizera estremecer quando Kirck falara com ele. O tom convencido e vitorioso do rival ecoava em seus ouvidos. A insinuação fora clara, a dedução era lógica.

Ainda assim, recusou-se a aceitar aquilo. Kirck não poderia tê-lo vencido. Não era justo aquilo acontecer. O que teria de enfrentar era simplesmente inacreditável. Leslie era a sua salvação de toda a sua vida, de tudo o que ele imaginara para o seu futuro.

Sem ela, estaria perdido, arruinado, desgraçado. Precisava do dinheiro dela para livrar-se daquela terrível enrascada em que se metera. Precisava do dinheiro dela para viver com tranqüilidade aquelas emoções fortes e irrecusáveis que obtinha jogando.

O telefone tocou. Atendeu quase maquinalmente.

— Telefonei apenas para lembrá-lo, Harvey, Às treze horas no Lancaster — disse Bruce, levemente ameaçador.

— Estarei lá — disse Harvey com irritação, desligando.

Ficou ali, sentado, as mãos cobrindo o rosto, os pensamentos desfeitos na maior confusão.

Não era justo que lhe acontecesse aquilo. Não podia perder para Kirck, aquele playboy arruinado...

Conhecia Kirck muito bem, sabia de sua vida e de suas finanças. Idéias giraram em sua mente. Talvez não estivesse ainda derrotado. Talvez ainda pudesse demonstrar a Leslie que tipo de homem era Kirck.

Isso importaria num certo risco. Kirck poderia reagir da mesma forma, desmascarando Harvey. Precisava pensar muito bem no que faria. Era preciso limpar a casa primeiro.

Consultou o relógio. Faltava um pouco para as treze. Deixou o escritório, apanhou seu carro e rumou ao encontro de Bruce, no Lancaster.

Enquanto dirigia, traçava um plano de ação. Primeiro teria de solucionar aquela dívida no cassino. Por algum tempo não poderia voltar lá. Depois precisava fazer Marion viajar por algum tempo. Sem essas duas complicações, poderia dedicar-se inteiramente a um plano para desmascarar Kirck e fazer Leslie se decidir por ele, Harvey.

Convencer Marion a viajar não seria difícil. Ainda poderia levantar algum dinheiro com as jóias dela para que isso fosse possível. O problema era convencer Bruce a dar-lhe algum tempo. A dívida no cassino era enorme, insolúvel em suas atuais condições.

A idéia talvez fosse convencer Bruce por algum tempo. Com todo o dinheiro que poderia levantar com as jóias de Marion, talvez isso fosse possível. Tinha de tentar. Sua vida s seu futuro estavam em jogo.

Assim que chegou ao famoso restaurante, procurou por Bruce. O cobrador estava à sua espera, sinais de impaciência no rosto fechado e ameaçador.

— Preciso de mais algum tempo, Bruce — disse Harvey.

— Preciso de garantias, Harvey.

— Que tipos de garantia que você quer?

— Totais! Algo como obter a assinatura de Jonas Howard neste papel — disse Bruce, depositando uma nota promissória onde constava o total da dívida de Harvey.

Jonas Howard desceu do helicóptero a pouca distância de um enorme barracão na pista de automobilismo de Grand Hill. Dois de seus mais próximos diretores seguiram-no, semicurvados até se verem fora do círculo das hélices.

Endireitaram-se e seguiram na direção do barracão, pintado recentemente com as cores das empresas Howard . A enorme porta estava aberta e um grupo de homens os aguardava.

Assim que entrou, Jonas Howard foi saudados por todos. Seus olhos, porém, estavam presos na cobertura de lona, onde se via definido o contorno de um carro de Fórmula-1.

— E então, rapazes, o que me dizem? — indagou ancioso.

— Vamos entrar definitivamente no páreo, Sr Howard, declarou o mecânico chefe.

— Estou ancioso para ver esta beleza — falou o milionário.

— O privilégio é seu — apontaram.

Howard se aproximou do carro e descobriu -o. As cores e os emblemas de sua empresa rebrilhavam na carroceria aerodinâmica. Ele passou ao redor do carro, olhando-o atentamente.

— E o desempenho? — indagou, os olhos brilhantes de excitação.

-Excelente!

— Já iniciaram a construção do segundo carro?

— Sim, e os planos para o terceiro também estão em fase final.

— Vamos, quero vê-lo funcionando — ordenou Howard.

— Com todo prazer, senhor — falou um dos pilotos, vestindo seu capacete e entrando no carro, que foi empurrado em direção da pista.

Os homens o seguiram até a margem da pista. Howard demonstrava uma satisfação quase infantil. O motor roncou alto, aquecendo-se.

— Vamos até a torre de cronometragem, poderá observar melhor, Sr Howard — convidou o mecânico chefe.

— Não, quero vê-lo daqui mesmo — disse Howard, fazendo um sinal para o piloto.

O ruído do motor se tornou mais alto. Os pneus guincharam no asfalto, marcando-o. Uma ligeira nuvem de fumaça desprendeu-se da borracha em atrito. O carro partiu velozmente.

— Excelente! — exclamou o millionário. — Poderemos contratar um bom piloto para a equipe..

— Estou certo que qualquer ás da Fórnula-1 se sentiria orgulhoso pilotando o nosso carro, Sr Howard.

Howard ficou ali observando as passagens do carro, seu desempenho nas curvas , a alta velocidade alcançada nas retas. Assistiu à cronometragem e sorriu satisfeito ao ver o veículo retornar ao local de partida sem ter apresentado qualquer tipo de problema.

Cumprimentou o piloto, depois olhou com interesse para o interior do carro. Uma idéia maluca, quase infantil, passou por sua mente.

Conhecia tudo sobre aquele carro. Vinha supervisionando tudo desde o início. Que outro teria tanto o direito de fazer o que ele queria?

— Mark, empreste-me seu capacete — pediu ao piloto.

— O que pretende fazer, Sr Howard? — indagou o mecânico, intrigado.

— Quero experimentar essa máquina — sorriu Howard, apanhando o capacete e vestindo-o.

— Pode ser perigoso, senhor...

— Não sou nenhum idiota, Steve. Conheço essa belezinha, não pretendo brincar com ela.

Quero apenas conhecê-la de perto realmente. Acho que tenho esse direito, não? Apenas uma volta na pista...

— Está bem, senhor, mas cuide-se.

O piloto forneceu algumas indicações a Howard, que o dispensou com um gesto de mão.

— Eu conheço tudo sobre o carro — disse, abaixando a viseira do capacete e pondo o motor em funcionamento.

Acelerou lentamente, afastando-se dos homens e ganhando a pista. O acelerador era super-sensível. Howard sentia isso ao pressioná-lo. Toda a potência dos doze cilindros reagia ao mais leve toque.

Ele se sentiu eufórico, remoçado. poderoso. Executou com certa perfeição a primeira série de curvas. Teve diante de si a longa reta que antecedia uma nova série de curvas.

Pressionou um pouco mais o acelerador. O carro avançou sem hesitação, roncando musicalmente. A euforia aumentou em Howard. A reta parecia tão extensa, tão demorada. Seu pé foi pressionando mais e mais o acelerador.

A velocidade provocava uma excitação perigosa. Howard queria correr mais, muito mais, enquanto a reta não terminasse. Seu pé pressionou ao máximo o acelerador e ele perdeu toda a noção de distância e velocidade. Viu apenas aquela aproximar-se velozmente.

Pensou em parar, tentou parar, mas sua manobra foi desastrosa. O carro rodopiou pela pista e indo bater contra a grade de proteção, que o jogou de volta à pista para uma nova série de giros e depois outro choque violento contra a grade.

Howard ficou tombado sobre o volante, a viseira do capacete quebrada, um filete de sangue botando de um enorme hematoma em sua testa.

* * *

Naquela tarde, terrivelmente enciumado, Harvey observava a maneira como Kirck queria proteger e amparar Leslie. A garota estava desolada. O desespero tomava conta dela e ao saber do acidente do pai.

A todo custo queria ir até o hospital. Kirck achou muito mais prudente que ela ficasse, assistido por um médico aguardando notícias.

Harvey correra para lá assim que soubera de tudo. Aquele imprevisto o punha numa terrível situação. Com o acidente do velho Howard não teria condições de oferecer a Bruce as garantias que precisava para ganhar tempo a respeito daquela dívida.

Leslie acabou por adormecer, sob efeito de pesados sedativos. Kirck deixou-a no quarto e foi para a ampla sala, onde Harvey fumava nervosamente. À chegada do rival, Harvey levantou a cabeça.

— Como está ela?

— Adormeceu, pobrezinha — disse Kirck, indo se servir de um uísque.

Harvey ficou observando-o. Kirck parecia modificado. Caminhava pela casa com familiaridade, demonstrando que exasperava.

— Aceita um? — indagou Kirck.

— Não obrigado! respondeu Harvey, ainda observando-o.

Kirck caminhou pela sala, olhando pelas valiosas pinturas nas paredes, observando com olhos calculistas as tapeçarias e as cortinas.

— Estamos muito gratos que tenha vindo, Harvey — disse ele, finalmente, indo sentar-se diante do rival.

— Estamos?

— Sim, eu e Leslie. A pobrezinha vai precisar do apoio de todos os amigos que tem.

Quanto a mim, prometo que farei o que estiver ao meu alcance para minorar seus sofrimentos.

— Estou certo que fará — disse Harvey, com desagrado, percebendo que precisava agora daquele uísque.

Levantou-se e foi se servir. Seus nervos estavam agora à flor da pele. O modo como Kirck agia demonstrava muita segurança realmente, como se já houvesse ganho a guerra pelo coração de Leslie.

Isso era, no entanto, algo que Harvey não podia aceitar. Leslie era a sua salvação. Se algo acontecesse ao velho, então, seria tremendamente cômodo entrar na posse imediata na fortuna dele.

Se conquistasse Leslie, teria seguramente o cargo de presidente das empresas. Não abriria mão disso. Tinha capacidade e conhecimentos para isso. O próprio Jonas Howard reconhecera isso. Deixar que um boa vida como Kirck dilapidasse aquela fortuna toda com seus atos impensados era loucura.

Voltou e se sentou diante do outro, olhando-o. Sentiu ódio dentro de si, um ódio que crescia violentamente diante do sorriso convencido e vitorioso de Kirck.

— Quais foram as últimas notícias sobre o velho?

— Está em coma. Recebeu uma pancada violenta na cabeça. Os médicos estão fazendo todo o possível, disso eu estou certo.

— Se algo acontecer a ele, Leslie vai precisar de muita ajuda.

— Eu sou toda a ajuda de que ela precisa — afirmou Kirck, sorrindo zombeteiramente.

Harvey sentiu todos os músculos de seu corpo crisparem-se e um calor intenso arder em sua pele. Kirck se sentia realmente vitorioso. Algo deveria ter acontecido para que ele agisse daquela forma. Teria Leslie tomado uma decisão?

Lembrou-se do telefonema na hora do almoço. Leslie falara sobre um fim de semana.

— Isso vai atrapalhar todos os planos de vocês dois, não? — comentou.

— Obviamente, mas eu não me importo. Estou certo de que, quando tudo isso passar, eu e Leslie poderemos recuperar o tempo perdido.

Harvey tomou um gole de uísque e procurou se controlar. Depois olhou fixamente o rival.

— Não me diga que ela se decidiu por você!

— O que acha? — retrucou Kirck, com displicência e enfado.

Harvey desejou atirar-se sobre ele e esganá-lo ali mesmo. Levantou-se e foi até a janela, olhar o jardim imenso. Viu a Ferrari de Kirck. Inconscientemente lembrou-se de um acidente que presenciaria com uma Ferrari. Praticamente nada restara da carroceria brilhante.

***

Albert estava no jardim, realmente aflito com que havia acontecido. Com Jonas Howard às portas da morte, aqueles dois abutres caíram sobre Leslie, dispostos a arrancar-lhe até o último vintém.

Ambos iriam degladiar-se pela garota. Uma fortuna imensa justificava toda e qualquer atitude. De algum modo, isso poderia contra eles. De tal modo poderiam atirar-se em projetos ambiciosos, que se esqueceriam de toda e qualquer precaução. Albert anciava desmascarar cada um deles, revelando aos olhos de Leslie o tipo de homens com que se encolhera.

O som de passos atrás dele chamou-lhe a atenção. Virou-se e viu Alice Dolly, uma das camareiras, aproximando-se calmamente. Havia um sorriso maroto em seu rosto, encobrindo a apreensão que deveria estar sentindo pelo patrão.

— Parece que foi sério, não? — comentou ela.

— Sim, muito sério.

— Os dois estão com ela?

— Sim — respondeu ele, sem muito interesse.

Alice deu alguns passos, depois se abaixou para apanhar uma flor. Albert olhou-a. Pelo decote do vestido os seios de Alice ofereciam uma graciosa e tentadora visão.

Alice endireitou o corpo lentamente e seu olhar encontroou o dele. Levou o talo da flor aos lábios e mascou-o com provocação.

— Isso deve aborrecer muito você, não? — disse ela, sondando a reação dele

— De que está falando?

— Desses dois sempre ao redor dela... Albert olhou-a entre intrigado e furioso. Alice sorriu, entendendo aquela reação.

— Sabe que o pessoal todo comenta? — indagou.

— E o que eles comentam?

— Que você está apaixonado por ela...

Os olhos de Albert fuzilaram a garota. Por momentos ele manteve aquele olhar. Depois entendeu que nada mais fazia que se trair.

— Bobagens! — descartou, procurando nervosamente um cigarro.

— Você nunca se interessou por alguma de nós...

— Outra bobagem — disse ele, visivelmente embaraçado.

— Verdade? — desafiou ela.

— Verdade — afirmou ele, encarando-a decidido.

Havia provocação e desafios nos olhos dela. Albert deslizou o olhar pelo corpo de Alice, então, ensaiando um carícia, analisando aquelas formas roliças compridas no uniforme.

Levantou os olhos na direção do quarto de Leslie, depois voltou a olhar Alice, que parecia esperar alguma atitude por parte dele.

— Por que não vem a minha casa está noite? Estou certo de que lhe provarei que falo sério

— desafiou ele.

— Talvez, sorriu ela, afastando-se lenta e provocante.

* * *

Anoitecia. As sombras do quarto de Leslie sugeriram fantasmas. Ela não entendeu por que lhe aplicavam outro sedativo. Girou o rosto e viu Kirck e Harvey perto dela. Estendeu lentamente um dos braços. Kirck se apressou em segurar-lhe a mão.

— O médico do outro lado da cama fez um sinal para Kirck.

— Como está meu pai? — indagou ela, a voz ligeiramente pastosa...

— Está bem, vai se recuperar — disse Kirck, mas não foi um bom ator.

Leslie olhou Harvey, que tentou esboçar um sorriso, mas as notícias recebidas tinham sido terríveis. Havia uma súplica no olhar de Leslie.

— Não quero que escondam nada. por favor! — suplicou ela, os olhos pesando, o sono a dominando-a .

Kirck se levantou e encarou Harvey.

— Temos de contar a ela, não podemos esconder-lhe isso. Ela tem o direito de saber.

— Saberá no momento oportuno. Já passou por um choque tremendo hoje, vamos por etapas...

— Está bem, mas ela terá que saber — disse Harvey, deixando o quarto visivelmente contrariado.

A maneira com Kirck vinha impondo-se o punha o furioso. O outro já se apossara de Leslie, já decidia por ela, já mandava na casa.

Isso era o pior que poderia acontecer. Sua situação estava piorando a cada minuto. Bruce não permitiria uma outra prorrogação no vencimento daquela promissória. Além do mais, queria uma garantia sólida. Precisava se livrar daquela dívida. Precisava satisfazer Marion com sua sede de jóias. Queria viver com toda a tranqüilidade que apenas uma fortuna do tamanho da fortuna Howard poderia proporcionar-lhe.

Caminhou de um lado para o outro da sala. Kirck ainda estava no quarto de Leslie e isso o aborrecia, mas nada podia fazer contra isso, pelo menos por enquanto.

Parou diante da janela. As luzes lá fora iluminava a Ferrari de Kirck. Não fosse por ele, a situação seria muito cômoda realmente.

O velho Howard não se recuperara do coma e, possivelmente jamais se recuperaria. Sua vida estava sendo mantida artificialmente agora.

Harvey repassou sua situação. Estava péssima realmente. Muita coisa precisava acontecer para que pudesse se sentir seguro quanto ao seu futuro.

Primeiro havia o Kirck, ele precisava desaparecer, deixando livre o caminho. Leslie teria de dar o sim. Jonas Howard teria de morrer.

Seria preciso muita sorte para vencer todos esses obstáculos, reconheceu ele, era algo que lhe vinha faltando ultimamente.

O desespero interior acentuo-se diante daquela impotência aparente de não poder fazer nada para alcançar o que mais desejava no momento.

Pensamentos escusos passaram por sua mente. Idéias absurdas e convincentes fizeram-no arrepiar-se. Tudo teria de ser tão extremo... Mais do que sorte, dependia de planejamento, muito planejamento.

Seria, no entanto, possível realmente? Pensou no assunto.

Capítulo 5

Harvey havia ficado um longo tempo naquela sala, entregue aos mais absurdos e maquiavélicos pensamentos. Kirck continuara lá no quarto, protegendo-a, como um cão pastor, defendo-a contra Harvey.

Irritava-o essa atitude do outro. Irritava-o ao extremo. Kirck se assenhorava da situação com habilidade, compreendendo o que tinha a ganhar. Leslie lhe dera corda, o que era mais doloroso para Harvey.