As Minas de Salomão por Rider Haggard - Versão HTML

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As Minas de Salomão

de Rider Haggard

(tradução de Eça de Queirós)

INTRODUÇÃO

Agora que este livro está impresso, e em vésperas de correr o mundo largo, começa a

pesar fortemente sobre mim a desconfiança de que, para ele ser aceitável, muito lhe falta

corno estilo e como história.

Enquanto à história, realmente, não pretendi nem tentei meter nestas páginas tudo o

que fizemos e tudo o que vimos na nossa viagem à terra dos Cacuanas. Há, todavia,

nesse estranho povo, coisas que mereciam exame detalhado e lento: a sua fauna, a sua

flora, os seus costumes, o seu dialecto (tão aparentado com a língua dos Zulus), o

magnifico sistema da sua organização militar, a sua arte subtil em trabalhar os metais...

Que interessante estudo se faria, além disso, com as lendas que ouvi e coleccionei acerca

das armaduras de malha que nos salvaram na batalha de Lu! Que curiosa, também, a

tradição que entre eles se tem perpetuado sobre os «Silenciosos», os dois colossos que

jazem à entrada das cavernas de Salomão! No entanto pareceu-me (e assim pensaram o

barão Curtis e o capitão John) que seria mais eficaz contar a história a direito, e

secamente, deixando todas estas particularidades sobre a região e sobre os homens para

serem tratadas mais tarde, num tomo especial, com minudência e largueza.

Resta-me, pois, implorar a benevolência para a minha tosca maneira de escrever.

Estou mais habituado a manejar a carabina do que a pena – e sempre me foi alheia a

fina arte dos arrebiques e floreios literários. Talvez os livros necessitem esses floreios e

ornatos: não sei nem possuo autoridade para o decidir; mas, na minha bárbara ideia, as

coisas simples são as mais impressionadoras – e mais facilmente se deve acreditar e

estimar o livro que venha escrito com séria e honesta singeleza. «Lança aguda não

precisa brilho», diz um provérbio dos Cacuanas; e, movido por este conselho da

sabedoria negra, arrisco-me a apresentar a minha história, nua, lisa, nas suas linhas

verdadeiras, sem lhe pendurar por cima, para a tornar mais vistosa, os dourados galões

da eloquência.

ALÃO QUARTELMAR