As Profecias sem Mistério por Paiva Netto - Versão HTML

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Coleção O APOCALIPSE DE JESUS PARA OS SIMPLES DE CORAÇÃO

P A I V A NE T T O

AS

PROFECIAS

SEM

MISTÉRIO

No último livro da Bíblia Sagrada,

equilíbrio e sabedoria espiritual.

E L E V A Ç Ã O

35ª Edição

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Nascido a 2 de março de 1941, no Rio de

Janeiro/R J, José de Paiva Netto, Diretor-Presidente

da Legião da Boa Vontade, é jornalista, radialista e

escritos Sua infância e juventude foram marcadas

por uma preocupação incomum com temas

filosóficos, espirituais, sociais, políticos, científicos,

econômicos e por um profundo senso de auxílio aos

necessitados. Deixou de seguir a vocação pela

medicina para dedicar-se, ainda jovem, à Legião da

Boa Vontade. Foi, durante quase um quarto de

século, um dos principais assessores de Alziro

Zarur, saudoso Fundador da LBM Era o Secretário-

Geral (cargo que equívale ao de Vice-Presidente)

quando Zarur faleceu, em 1979, assumindo a

presídência da Instituição. Sua administração levou

a Instituíção a ultrapassar as fronteiras nacionais

(foi, inclusive, a primeira do Brasil oficialmente

reconhecida pela Organízação das Nações Unidas)

e a um crescimento superior a 70,000%,

Seus artigos são publicados semanalmente

em importantes jornais brasíleiros: Correio Braziliense

(DF), Zero Hora (RS), Díário Popular (SP), Jornal do

Commercio (R J), A Tarde e Tribuna da Bahia (BA), Diário da Tarde (MG), O Popular (GO), Gazeta do Povo (PR), Diário do Nordeste (CE), Jornal do Commércio (PE),

Diário do Amazonas (AM), Diário Catarinense (SC),

Correio da Paraíba (PB), O Dia (PI), Correio Roraimense (RR), O Popular (PA), entre outros, e esporadicamente

em jornais e revistas do Exterior: Time, Business Week,

Intemational Business and Management, Sunday

Times, Business News (Estados Unidos), EI Clarín

(Argentina), Díário de Notícias, Jornal de Notícías, Jornal

da Mala (Portugal), Jeune Afrique (África) e Deutsche

Zeitung (Alemanha). O escritor norte-americano Errol

Lincoln Uys observou: "Paiva Netto, sendo um homem

prátíco, não deixa de ter alma de poeta". E segundo a

definição do professor e literato José Cretella Jr., "é

exímio estilista, sempre em dia com as novas".

As Profecias

sem Mistério

1

2

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PAIVA NETTO

As Profecias

sem Mistério

51ª Edição

3

Copyright © 1998 by José de Paiva Netto

Capa:

Dounê Resende Spínola

Ilustrações:

Sátyro Marques

A 1ª edição desta obra foi publicada em abril de 1998.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Paiva Netto, José de, 1941-

As Profecias sem Mistério / Paiva Netto. — São Paulo:

Elevação, 1998. — (Coleção O Apocalipse de Jesus para

os Simples de Coração).

1. Bíblia. N. T. Apocalipse — Crítica e interpretação

2. Profecias I. Título. II. Série.

98-1373

CDD-228.06

Índices para catálogo sistemático:

1. Apocalipse: Interpretação e crítica 228.06

ISBN 85-86623-180

Todos os direitos desta edição reservados à

Fundação José de Paiva Netto

Av. Rudge, 480 – Bom Retiro – São Paulo/SP – Brasil

CEP 01134-000 – Tel.: (11) 3225-4800 – Fax: (11) 220-5803

4

Índice

Introdução

2 5

A ainda pouco conhecida mensagem do Apocalipse ..............26

Tempo de revelar o Apocalipse

aos Simples de Coração ..........................................................................27

Popularizando a Revelação...................................................................29

Carta de Amigo ...........................................................................................31

A Vinha e o Ceticismo

3 5

Nova Jerusalém ...........................................................................................35

Apocalipse e Moderação (I)

3 9

Solidariedade tornou-se

estratégia de sobrevivência ...................................................................40

Um dia cada um aprenderá a

governar a si mesmo ................................................................................42

Apocalipse e Moderação (II/Final)

4 5

Falta Humildade à Razão? Da mesma forma jamais

deverá faltar Razão à Humildade. ......................................................45

Apocalipse e “Fim do Mundo”

4 9

Jesus quer salvar, não flagelar. ............................................................49

Quem são os Simples de Coração .....................................................49

Cícero e Profecias ......................................................................................50

5

Apocalipse — livro sociológico ......................................................... 51

Profecia não é susto, mas expressão das Leis Divinas

e suas conseqüências. ............................................................................ 51

Apocalipse e combate à hipocrisia .................................................. 52

Apocalipse — Razão e Coração

5 5

Inteligência do cérebro e do coração ....................................................... 55

O Amor é o espanto de Deus............................................................. 56

O mundo se misturará como um oceano ..................................... 57

Apocalipse e Sabedoria

5 9

Os Profetas e o Fim dos Tempos (I)

6 3

O Apocalipse não é um bicho-de-sete-cabeças ......................... 63

O Evangelho-Apocalipse deve iluminar

as constituições do mundo .................................................................. 66

Advento do Governo Mundial............................................................ 68

Profetas e Fim dos Tempos ................................................................. 71

Deus é o grande decifrador dos Mistérios.................................... 71

Regeneração nunca distante................................................................ 75

Livre-Arbítrio gera Determinismo ..................................................... 76

Sob a sombra do Altíssimo .................................................................. 78

Sempre vale a pena pregar .................................................................. 79

Jamais temer ................................................................................................ 80

Os Profetas e o Fim dos Tempos (II)

8 3

Amor e Mestra Dor .................................................................................. 83

Renovação de tudo .................................................................................. 84

Deus, Fundamento da Profecia. ........................................................ 85

Velho e Novo Testamentos sincronizados .................................... 86

Motivo da insistência .............................................................................. 86

Profecia e Salvação .................................................................................. 87

Onde tudo ocorre primeiro ................................................................. 88

6

Um Deus de Amor,

com Amor escreve a Profecia. .............................................................89

A Profecia é de Deus — Velho e Novo Testamentos

comprovam. .................................................................................................90

Título, Autor e Assunto do Livro. .....................................................90

Só a Verdade ficará de pé......................................................................91

Legionários da Boa Vontade.................................................................91

Os Profetas e o Fim dos Tempos (III/Final)

9 3

A Profecia é de Deus ...............................................................................93

O Profeta é o alto-falante ......................................................................93

Natal, Fraternidade, Ano-Novo e a mensagem

do Apocalipse.

9 9

Apocalipse que liberta ......................................................................... 100

Título, Autor e Assunto do Livro. .................................................. 100

Milênios de atraso na aceitação do átomo ................................. 102

Apocalipse e Poder de Deus

107

Roteiro do êxito na vida...................................................................... 108

Segredo da salvação espiritual e material ................................... 110

Os Mistérios do Apocalipse (I)

115

Você também é Espírito ....................................................................... 118

Só o Amor desvenda o Apocalipse ................................................ 119

Jesus nos atende se entrarmos na Sua Sintonia ....................... 120

Os Mistérios do Apocalipse (II)

125

A profecia é uma revelação antecipada do sistemático

evoluir da Humanidade....................................................................... 125

Deus conduz a História ....................................................................... 126

Coisas que em breve devem acontecer ....................................... 127

A Parábola do juiz iníquo ................................................................... 131

7

Os Mistérios do Apocalipse (III)

135

Tempos de Transformação — A Humanidade

na busca do equilíbrio ......................................................................... 135

Sem deveres, os direitos

se transformam em abusos. ............................................................... 137

Para entender o Apocalipse,

você precisa ter paciência. ................................................................. 139

O Tempo está próximo, mais que isso:

está passando........................................................................................... 142

Os Mistérios do Apocalipse (IV/Final)

145

Apocalipse Sem Medo .......................................................................... 145

Livro da Revelação é conselho

de Deus para que ajamos bem ........................................................ 146

Pelo coração mais rapidamente se chega a Deus ................... 147

Significado Novo da Mensagem às Sete Igrejas ....................... 148

Dedicatória às Sete Igrejas da Ásia ................................................. 149

Pestes

151

Ebola ............................................................................................................. 153

“O mal estará no ar” .............................................................................. 155

As Sete Bem-Aventuranças do Apocalipse

161

Perseverança e Fé................................................................................... 164

Fé.................................................................................................................... 164

Boas Obras................................................................................................. 165

Oração .......................................................................................................... 165

Vigilância .................................................................................................... 165

Obediência................................................................................................. 166

Carta à Igreja em Pérgamo ................................................................. 168

Jesus é o Pão Vivo que desceu do Céu (I)

171

Entrar no Silêncio do Espírito ........................................................... 171

8

Minuto de Silêncio................................................................................. 174

Jesus, a permanente segurança. ...................................................... 178

Jesus, o Pão que desceu do Céu.

A verdadeira Paz. .................................................................................... 179

A boa influência da LBV ..................................................................... 180

Vamos Falar com Deus ........................................................................ 180

Jesus disse: Pai-Nosso. ......................................................................... 181

Prece Ecumênica de Jesus .................................................................. 181

Diante dos tribunais .............................................................................. 182

Curados ao tocar as vestes de Jesus .............................................. 184

Para não perder o equilíbrio ............................................................. 184

Para que não nos falte o pão material ......................................... 185

Estabilidade material permanente ................................................... 186

Jesus não nos engana ........................................................................... 187

Quem pode o mais, pode o menos. ............................................. 187

É melhor não bambolear .................................................................... 188

Jesus e a Economia Mundial ............................................................. 188

Jesus é o Pão Vivo

que desceu do Céu (II/Final)

191

Sintonia com o Cristo ........................................................................... 191

Jesus — O maior economista. .......................................................... 192

Jesus e alimento imperecível ............................................................ 193

Cento e quarenta

e quatro mil selados de Israel .......................................................... 194

Visão dos glorificados........................................................................... 196

Recado moral dos milagres ................................................................ 198

Os perseverantes serão selados pelo Cristo .............................. 199

Multidão inumerável alcançará a salvação ................................. 201

Templo da Boa Vontade no Apocalipse ...................................... 203

Políticos e Sabedoria de Deus .......................................................... 204

9

Compêndios de Sabedoria ................................................................. 205

O que é “dar a outra face”

207

Apocalipse não é fruto de delírio ................................................... 208

Os Simples estão em todas as classes e crenças ..................... 210

As Raízes Espirituais

de uma Política Superior

213

Realidade da Vida em outras dimensões .................................... 214

Frutos da Árvore da Vida Eterna ..................................................... 215

A Volta de Jesus sobre as nuvens vai muito além do

significado literal ..................................................................................... 217

Armagedom — Preocupação de materialistas

e espiritualistas

219

A tarefa da LBV é matar a fome do povo e reunir

todos em prol da Paz ............................................................................ 220

Sexto Selo ................................................................................................... 222

Os mortos não morrem ....................................................................... 224

Volta de Jesus ........................................................................................... 225

Apocalipse, Lei da Compensação e Queda de Babilônia.

231

Aplicação da Lei..................................................................................... 232

Reencarnação não é punição, mas oportunidade. ................. 235

Somos todos criaturas de um mesmo Criador .......................... 236

Visão dos glorificados........................................................................... 238

A Revelação não é uma loteria profética .................................... 238

Fragilidade dos tratados humanos.................................................. 243

Apocalipse, Paternal Aviso de Deus,

e Sua Mensagem de Misericórdia

desde o Velho Testamento. ................................................................ 244

Abraão interfere com Deus

pelos homens ........................................................................................... 245

1 0

Mensagem de Esperança........................................................................... 246

As Profecias sem Mistério

Fenômeno editorial

249

Outras opiniões sobre As Profecias sem Mistério .................... 253

Pai-Nosso — Oração Ecumênica de Jesus.................................. 257

Prece de São Francisco de Assis...................................................... 261

Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha de Jesus ......... 263

Prece de Cáritas ....................................................................................... 265

Bibliografia

267

1 1

1 2

Profecia e Tempo

A grande dificuldade para tornar claro aos homens

o entendimento das profecias, e a época de serem

realizadas, é a compreensão do real valor do

tempo, segundo a sua essência intemporal, porque

para o Ser Humano o tempo flui, isto é, passa,

e para Deus o Tempo é. Não foi sem razão

que Immanuel Kant, o autor de Crítica da Razão

Pura, concluiu que o tempo é a

grande mentira dos homens.

Paiva Netto

1 3

1 4

Deus avisa antes

Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma,

sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus

servos, os Profetas.

(Amós, 3: 7)

1 5

1 6

R e v e l a ç õ e s

Abrirei a minha boca em parábolas. Publicarei

coisas escondidas desde a criação do mundo.

(Salmos, 78:2)

1 7

1 8

Disse Jesus: “Novo Mandamento vos dou: Amai-

vos uns aos outros como Eu vos amei. Nisto

reconhecerão todos que sois realmente meus

discípulos, se tiverdes Amor uns pelos outros. (...)

Não há maior Amor do que este: dar a sua própria

Vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, assim

como o Pai me amou, Eu também vos tenho

amado. Permanecei no meu Amor”.

(Evangelho do Cristo, segundo João, 13: 34 e 35;

15: 12, 13 e 9)

1 9

2 0

Respondendo Pedro e João aos sinedritas,

disseram: “Não podemos deixar de falar daquilo

que vimos e ouvimos. (...) Importa antes agradar a

Deus que aos homens”.

(Atos dos Apóstolos de Jesus, 4: 19 e 20)

2 1

2 2

Se esta obra é de homens, não triunfará. Mas se é

de Deus, não a combatais, pois estareis

combatendo o próprio Deus.

Gamaliel

(Atos dos Apóstolos de Jesus, 5: 38 e 39)

2 3

2 4

Introdução

No frescor da aurora, o cheiro do mar às margens

do Tiberíades inebriava. À visão de um límpido céu, que

apenas despertava com os primeiros raios de sol, unia-se o

espelho verdejante das águas. Naquela manhã, era uma luz

diferente a que dava brilho ao horizonte e aos discípulos de

Jesus, ânimo renovado para o trabalho e a vida. Recuperavam-

se do dramático desfecho da peregrinação de seu Mestre,

cruelmente crucificado no Gólgota. Tomé, Natanael, Tiago,

João e outros dois que o Evangelho não identifica haviam

seguido Simão Pedro com o fito de pescarem. Na praia, um

estranho dirigiu-se a eles: “Jovens, acaso tendes algum peixe?”

Como a resposta fosse negativa, o desconhecido orientou-os:

“Lançai a rede à direita do barco e achareis”. Fizeram-no, e

tal foi o resultado da pesca que nem podiam com o peso dela.

João, o discípulo amado, falou então ao ouvido de Pedro: “É

o Senhor!” Simão, que estava nu, vestiu-se e jogou-se ao mar.

Os outros discípulos conseguiram, enfim, chegar à terra com

o barco repleto. Encontraram já as brasas acesas e Jesus a lhes

dizer: “Trazei alguns peixes que apanhastes”. Simão Pedro

subiu então à embarcação e arrastou para a terra a rede,

cheia, com cento e cinqüenta e três peixes grandes, e, apesar

2 5

de serem tantos, ela não se rompeu. Os discípulos aceitaram

o convite para comer, que o Mestre ressuscitado lhes fizera,

mas não se atreviam a perguntar-Lhe a identidade, embora

já a soubessem. Foi essa a quarta vez que o Sublime Galileu

apareceu entre os Seus discípulos depois da ressurreição. As

três anteriores haviam sido a Maria Madalena, no cemitério,

aos dois que se dirigiam a Emaús e entre os discípulos,

quando Tomé duvidara da aparição do Celeste Taumaturgo.

Após a refeição, por três vezes Jesus perguntou a Simão Pedro:

“Tu me amas?” E a cada resposta afirmativa, ordenava:

“Apascenta as minhas ovelhas”. Mencionou ainda que o

chefe dos Apóstolos seria perseguido até a morte no

cumprimento de Sua Missão: “Estenderás as mãos e outro te

cingirá e te conduzirá aonde não queres ir”. E novamente

dirigiu-se a Pedro: “Segue-me”, mas o discípulo virou-se e

percebeu que João os seguia, ao que argüiu: “Senhor, e este?”

Jesus determinou que não cuidasse da sorte do discípulo

amado: “Se quero que ele permaneça até que eu venha, que

tens tu com isso?” Divulgou-se então a notícia de que João não

morreria. Mas o próprio Evangelista, em seus registros da Boa

Nova, deixa entrever significado menos literal para aquelas

palavras enigmáticas do Divino Mestre.

A ainda pouco conhecida mensagem do

Apocalipse

De fato, como explica Paiva Netto, não seria João pesso-

almente que permaneceria até o anunciado retorno do Cristo,

mas a mensagem que ele ajudaria a conduzir às gerações

2 6

futuras, pois, nonagenário, tendo já vencido as paixões

humanas, na solidão do degredo,na inóspita Ilha de Patmos,

de tal forma bem sintonizou com o Governo Espiritual da

Terra que pôde receber e codificar os símbolos do mais

importante livro de todos os tempos: o Apocalipse. A mensagem

profética oriunda de Deus foi-lhe apresentada pelo próprio

Cristo, por intermédio de um anjo, como se acha consignado

nos primeiros versículos do capítulo primeiro da Revelação.

Passados dois mil anos, o Evangelho, que João, Lucas,

Marcos e Mateus registraram na condição de “jornalistas”

do Espírito, continua infinitamente mais popular e compreen-

dido (ainda que bem pouco seguido) do que o Apocalipse.

Por quê? A melhor resposta acha-se nos ensinamentos de Salo-

mão, quando perspicazmente observa haver um tempo certo

para todas as coisas. As riquezas do Apocalipse, as de um

conhecimento profético sedutor às mentes mais atiladas, re-

servaram-se para o amadurecimento religioso, social, cien-

tífico, político, artístico, econômico, enfim, cultural dos povos,

o que aliás é antevisto em seu conteúdo, quando João diz

chorar muito porque ninguém havia sido encontrado que

obtivesse o merecimento de abrir o livro selado com sete selos,

apesar de estar escrito não somente por dentro, mas também

por fora (Apocalipse de Jesus, 5: 1).

Tempo de revelar o Apocalipse

aos Simples de Coração

Ora, o fato de o escritor Paiva Netto estar, ao longo de 42

anos, realizando uma inédita conceituação do Apocalipse

2 7

e, principalmente, a constatação de que tal trabalho eluci-

dativo tem encontrado a mais intensa repercussão na alma

popular são os sinais mais evidentes de que o tempo para a

compreensão do significado das profecias é chegado.

Não é à toa que a edição de 1997 do Who is Who (Quem

é Quem), publicação coordenada pelo Gibralter Institute, da

Carolina do Norte, EUA, apresenta o perfil biográfico de Paiva

Netto, realçando além de todas as suas realizações nos

campos da Educação e da Filantropia que “ele é também

um pensador moderno, que promove avanços éticos e

espirituais para o desenvolvimento humano”.

Em momento nenhum, Paiva Netto nos apresenta um

Apocalipse com características semelhantes às dos rótulos que

a Divina Mensagem do último Livro da Bíblia Sagrada

recebeu no passado. Não se trata de uma Revelação proemi-

nentemente eivada de catastrofismo, de sinistrose, nem

tampouco um desfile de esotéricas conclusões teológicas,

impenetráveis à inteligência do leigo. Na série O Apocalipse

de Jesus para os Simples de Coração, Paiva Netto apresenta-

nos o Apocalipse da Esperança, da Justiça, da consolidação

evolutiva da Humanidade. É o Apocalipse ético e, dessa forma

educativo, que nos faz raciocinar sobre as Leis Eternas e

Universais às quais tudo o que vive deve respeito, a fim de

que haja harmonia e felicidade individual e coletiva. É o

Apocalipse sociológico e, por isso mesmo, científico, conquan-

to nos faz enxergar o fio de causas e naturais conseqüências

por trás de todos os eventos históricos. É o Apocalipse cons-

titucional, por conseguinte político, quando reclama a aten-

ção de legisladores e executivos da ação pública para o fato

de que nada se construirá de definitivo no desenvolvimento

2 8

das nações, distanciando-se dos princípios espirituais que

fraternalmente iluminam as Escrituras Sagradas, não

somente a Bíblia, mas todos os grandes Livros Sagrados que

na verdade cumprem o mesmo papel civilizador em distintas

condições regionais, raciais e temporais. Acima de tudo, Pai-

va Netto nos introduz à compreensão de um Apocalipse irres-

tritamente ecumênico, feixe de sabedoria universalista que

não se pode acomodar entre os muros limitadores do secta-

rismo e do fanatismo.

Se soubermos entender com o autor que o último livro da

Bíblia é um luminoso e abrangente tratado de conhecimento

íntimo e social, em tempos de profundas transformações,

concluiremos também que, nesse sentido superior, o Homem

moderno deve tornar-se brilhantemente apocalíptico.

Popularizando a Revelação

Nenhum ambiente melhor que o rádio existiria para a

difusão inicial de O Apocalipse de Jesus para os Simples de

Coração, justamente pelas características libertárias, van-

guardeiras de sua proposta. Dando seqüência às explicações

gerais que já fazia pelos meios de comunicação sobre o

Apocalipse desde a juventude, foi pelas ondas hertzianas do

Sistema LBV Mundial, o Sistema Jesus, dezenas de emissoras

interligadas via satélite (analógico e digital), linkado

permanentemente à Internet (www.lbv.org), que se levantou

a voz de Paiva Netto, propalando a Boa Nova Moderna

para os Simples de Coração, ou seja, numa linguagem

acessível e dinâmica, fruto de seu carisma e inato senso

2 9

pedagógico. Não demorou para que as tão esclarecedoras

explanações alcançassem a televisão, as colunas de jornal e

a literatura.

Este volume é a reunião de alguns artigos e programas

radiofônicos publicados ao longo de mais de duas décadas.

Não existe neles uma preocupação maior em apresentar

erudição, o que por sinal não falta a Paiva Netto, considerado

pelo escritor José Cretella Júnior “um exímio estilista, sempre

em dia com as novas”. Ao contrário, o trabalho que o leitor

tem em suas mãos resulta de palestras feitas de improviso, do

coração para os corações. Poder-se-á até mesmo encontrar

citações mais próprias ao telespectador ou ao ouvinte, todavia,

talvez por isso mesmo, estão estas páginas carregadas daquele

sentimento de quem deseja libertar pela simplicidade. É o

próprio autor quem explica como surgiu o livro: “Não me

sentei à mesa e iniciei a escrevê-lo. Apenas comecei a falar

para o povo, a atender ao anseio da audiência, e ver nela,

multiplicada, toda a multidão que precisava ser esclarecida.

Por isso, procurei ser o mais simples possível, e não ter ne-

nhuma ambição de preparar uma obra literária, mas uma

obra que seja entendida pela pessoa mais simples que tenha

c o r a ç ã o ” .

E nunca é demais recordar que simplicidade de alma é

uma atitude espiritual de verdadeira humildade e reverência

perante o Criador (nada a ver com covardia), e que inde-

pende de classe social, raça, nacionalidade, sexo, idade ou

c r e n ç a .

Repare bem o leitor na página inicial de Paiva Netto: A

Vinha e o Ceticismo. Era indispensável tê-la em primeiro pla-

no da obra, porque dá logo a entender a dimensão espiritual

3 0

que o autor confere a todos os ramos do conhecimento. Acre-

ditamos que ela é o seguro paradigma para a assimilação

perfeita de tudo o que será afirmado nas palestras sub-

seqüentes sobre o Apocalipse de Jesus.

Carta de Amigo

Ao explicar que o Apocalipse é missiva de amigo que deseja

a todos poupar de sofrimentos evitáveis, o autor fomenta uma

consciência humano-ecológica tão necessária quanto ur-

gente, para “um mundo agonizante que precisamos redimir”,

no dizer do ilustre Pastor Evangélico Jonas Rezende, no seu

livro O Fim do Milênio e o Apocalipse — A Revelação de

Simão Cireneu . Afirma Rezende, cheio de uma saudável

p a i x ã o :

(…) Faz tempo que Albert Einstein e

Bertrand Russell encabeçaram um manifesto

de alerta quanto aos perigos que rondam a

Humanidade. Bem mais recentemente,

1.575 cientistas, entre eles noventa e nove

ganhadores do Prêmio Nobel, redigiram um

documento alarmante: Advertência dos

Cientistas do Mundo à Humanidade. Para

esses sábios, a Terra está ameaçada e só nos

restam poucos anos, talvez algumas décadas,

para reverter o quadro sombrio e ameaçador.

Enquanto isso, a expressão desenvolvimento

sustentável significa muito pouco.

3 1

(…) Você já percebeu que não consigo

falar sobre ecologia e o futuro da Terra sem

todo esse envolvimento emocional. Perdoe-

me se, por vezes, exagero, mas busque en-

tender que o momento que vivemos é real-

mente decisivo. Sinto como se a Huma-

nidade tivesse urgentemente que escolher:

ou o suicídio ou a sobrevivência. (…)

O Pastor Jonas Rezende dedicou um exemplar de sua obra

“Para meu mestre e amigo, Paiva Netto, com toda a admi-

ração e ternura cristãs”.

No mais, as realizações do autor falam por si, e enriquecem

seus postulados com a solidez de uma experiência vivida, a

de soerguer a alma humana quando ela mais necessita, con-

siderando-se esta verdade expressa por William Hazlitt: “Você

conhece melhor uma estrada pelo fato de ter viajado por ela

do que em virtude de todas as conjecturas e descrições que,

no mundo, dela possam fazer”.

Se não, vejamos a eloqüência deste testemunho de um

outro eminente líder evangélico, o Pastor Nehemias Marien:

Amo muito a filosofia do Movimento da

Legião da Boa Vontade. (…) Sinto-me muito

honrado de, sobre o clergyman que me

identifica como pastor, usar essa camisa da

LBV, porque me considero um Legionário de

coração (…), desse movimento humano,

cristão, genuíno, a Legião da Boa Vontade.

Você sabe que a LBV fala é de Amor e onde

3 2

existe Amor não é preciso nem de religião,

que a Religião de Deus*1, como aliás falamos

na LBV, é o Amor. (…) Considero assim que,

na vivência do Evangelho, a LBV é

locomotiva, o carro-forte, que não tem portas.

É, realmente, um sincretismo holístico, uma

visão ecumênica irrestrita.(…) E o nosso

Patriarca Alziro Zarur, a quem tive oportu-

nidade de conhecer, ouvir e aprender com

ele, tem um sucessor muito bom! É assim que

eu comparo o Irmão Paiva Netto: como Josué

no caso de Moisés. Moisés liderou o povo e

Josué foi quem o ampliou.

Em toda a tessitura do presente tomo, observe o leitor a

intenção fundamental de resgatar, nunca perder; conciliar,

jamais odiar. Se assim não fosse, o autor não teria definido

desta forma o destino da organização que dirige: “O caminho

da LBV é a Paz”.

Luciano Meira

*1 Religião de Deus — Nesta e em outras obras literárias, o leitor irá deparar com as denominações Legião da Boa Vontade e Religião de Deus. São elas duas

instituições irrestritamente ecumênicas, irmanadas para atender integralmente às carências fundamentais do Ser Humano com o seu Espírito Eterno,

transformando-o, sem paternalismos, para que ele possa assumir na sociedade o seu papel de elemento para solucionar os problemas existentes. Agem assim

para que a Criatura Humana se realize através dos poderosos ensinamentos do Espírito (Religião de Deus) e da dinâmica ação de reforma humana e social

(Legião da Boa Vontade), decorrência natural da primeira etapa. Disse Jesus:

Procurai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais (portanto, humanas e sociais) vos serão acrescentadas” (Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 6:33). Da convergência dessas ações — a Espiritual e a Humano-Social — nasce a Política de Deus, para o Homem e para o Espírito do Homem.

3 3

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A Vinha

e o Ceticismo

Nova Jerusalém

— 23 A cidade não precisa nem do sol,

nem da lua, para lhe darem claridade, pois

a Glória Divina a iluminou, sua lâmpada é o

Cristo de Deus.

— 24 As nações andarão mediante a sua

luz, e os reis da Terra lhe trarão a sua glória

e a sua honra (Apocalipse, capítulo 21).

A Ciência iluminada pelo Amor eleva o homem à conquista

da Verdade.

A Humanidade tem vivido sob a ditadura de suas próprias

criações castradoras no vasto campo da Religião, da Filosofia,

da Ciência, da Política, da Economia, da Arte, do Esporte,

com todas as suas variantes.

O resultado não tem sido o melhor. É flagrante a necessidade

de alargar a visão desses setores, para que finalmente se tornem

elementos da grande libertação humana que resta por fazer. Mas

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em que bases? Nas do Espírito, desde que não reduzido a uma

simples projeção da mente, porquanto ele é a Sublime Lumino-

sidade que dá vida ao corpo: trata-se da Grande Vinha que o

Criador oferece à criatura para livrá-la da zonzeira do ceticismo.

O Espírito é a objetividade; o corpo, a vestimenta que deve ser

bem cuidada, porque dela depende ele para evoluir.

Com razão escreveu o Profeta Isaías, 55:3 e 6:

— 3 Inclinai os vossos ouvidos, e vinde

a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque

convosco farei um concerto perpétuo (...)

— 6 Buscai o Senhor enquanto se pode

achar, invocai-O enquanto está perto.

Inclinar os ouvidos e buscar o Senhor é mais que aumentar

o Conhecimento, é sublimá-lo com a Divina Claridade do

Amor, a chave que abre, para a Alma, as amplas searas da

Nova Consciência, que faz da Solidariedade a sua perfeita

estratégia. E aqui surge o Novo Renascimento, cuja Suprema

Inspiração desce a nós diretamente do Cristo.

Não foi sem propósito o conselho do Buda, no seu leito

de morte, a seu “discípulo amado”, como João Evangelista o

foi de Jesus:

— Agora, Ananda, encontra a tua luz!

Ora, o Homem que não encontra a Luz para a sua própria

luz vive a região da sombra, à margem da realidade, que é

muito mais do que aquilo que ele tem como efetivamente

verdadeiro. Se o Ser Humano emprega apenas 10% da sua

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capacidade cerebral, o que pode pontificar como absoluto,

se nem ainda possui o completo controle da massa encefálica

que conduz o seu veículo material? Daí os acidentes de per-

curso da unidade, o Homem, e da Humanidade, o todo

social com suas perturbações atávicas que provocam sec-

tarismos e alimentam dogmas científicos paralisadores. Daí

também os óbices entre a comunicação da Humanidade de

Cima com a de baixo (dos Seres Espirituais com os terrenos),

tendo em vista o relacionamento árduo da Criatura Humana

com o seu próprio Espírito, que ela teima menoscabar.

Passado e futuro são ilusões, o que existe é o Presente Eterno!

De outra forma, o Tempo nada mais seria do que a grande

mentira do Homem, na definição de Immanuel Kant. O Es-

paço tridimensional (altura, largura e profundidade) tam-

bém é enganador sem a equação, ainda que relativa para o

Ser Humano restrito, que demonstra a fórmula Tempo per-

manente, porquanto Presente Eterno. As questões de Espaço

e Tempo ainda confundem o habitante terrestre, e não

somente ele, como a muitos que evoluem no campo espiritual

que envolve este planeta, o Céu da Terra, que não é uma

abstração. As providências iniciais para o seu deslindamento

encontram-se, para a surpresa de alguns, no Apocalipse de

Jesus, 1:10: o Dia do Senhor*1, isto é, a integração da Criatura

no Espaço-Tempo do seu Criador.

— 10 Achei-me em Espírito, no Dia do

Senhor, e ouvi por detrás de mim uma

grande voz, como de trombeta.

*1 O Dia do Senhor — Veja explicação de Paiva Netto, no primeiro livro da sua coleção O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração, páginas 20 a 25, nas livrarias.

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Para entendermos as esferas dos Seres Espirituais, é

necessário que aceitemos que elas funcionam, empregando

a Luz, que é “matéria” quintessenciada, fluida, em dimen-

sões situadas até mesmo depois daquelas que nossa atual

compreensão das coisas pode alcançar. Há esferas além das

esferas, adiante do que o Homem já vem considerando como

o hiperespaço. A fronteira é muito mais além, porque, na

verdade, não há limites para o Universo de Deus.

O mundo angustia-se sob o impacto de merencória carência

sentimental, porque tem preferido desenvolver-se, valendo-se

dos constringentes meios físicos a agir com o instrumental que

lhe oferece a Claridade Divina, uma das providências básicas a

serem tomadas para que a Ciência humana possa desvendar o

fundamento Espírito, que nela própria habita. A civilização precisa

das incomensuráveis qualidades da Ciência, mas não deve abrir

mão de Deus. Evidentemente, não se trata aqui do caricato ser

antropomórfico, histórico empecilho ao urgente fraternal abraço

que deve unir duas grandes irmãs: Ciência e Religião.

Negando, a priori, a essência do que procura, fica difícil

à Ciência o privilégio de beneficiar-se com a descoberta do

que instintivamente busca. É como a criança que, batendo o

pé nervosamente, protesta não gostar de um alimento que

nem mesmo experimentou. Haja paciência do Pai, o Celestial!

O Homem que não encontra a Luz para a sua

própria luz vive a região da sombra, à margem da

realidade, que é muito mais do que aquilo que ele

tem como efetivamente verdadeiro.

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Apocalipse

e Moderação (I)

Roma — Em 1990, dei início, pelo Sistema LBV

Mundial, o Sistema Jesus, a uma nova série de palestras,

dirigida ao povo pelo rádio, numa linguagem despojada de

quem conversa com um amigo. Chamei-a, por isso, Apocalipse

de Jesus para os Simples de Coração.

A análise do Livro das Profecias Finais exige de nós

tranqüilidade, atenção, persistência e toda a isenção possível.

É fácil dizer-se: “As crenças já provocaram tantas guerras no

mundo, há tanta gente que odeia em nome delas... vou lá

perder tempo, lendo o Apocalipse, um livro que vaticina o

extermínio da Civilização!?”

Mas quem foi que disse que o Apocalipse decreta o

término de nossa existência planetária? O mundo não vai

acabar. Pelo contrário, e é justamente no Evangelho-Apocalip-

se do Cristo que se encontra o Plano Sociológico de Deus

para uma mudança benéfica da Humanidade. Particularmen-

te, o último livro da Bíblia Sagrada prevê essa profunda

transformação social, originária do nosso comportamento,

bom ou não tão bom assim. Quanto melhor ele for, mais

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bem-sucedidos seremos na tarefa de materializar na Terra

essa Nova Ordem, muito superior a tudo quanto aspiram as

moribundas ideologias humanas. Jesus advertiu que “a cada

um será retribuído de acordo com as suas obras” (Evangelho

do Cristo, segundo Mateus, 16:27). O saudoso Fundador da

Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), ensinava:

“A Lei Divina, julgando o passado, determina o futuro de

homens, povos e nações”. Criamos, nós mesmos, o nosso

futuro. (Há gente que reclama e pouco faz.) Entretanto, cada

dia é dia de renovar nosso destino. Ora, Jesus, que é altamente

fraterno, inspirado por Deus escreveu esse livro por

intermédio de João Evangelista (Apocalipse de Jesus, 1:1)

para nos alertar, como a dizer:

Comportem-se, meninos! Porque se Vocês