Aventuras num sonho- A ida do Joãozinho ao espaço por João Luís Caseiro Rodrigues - Versão HTML

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AVENTURAS NUM SONHO - A IDA DO JOÃOZINHO AO ESPAÇO

CAPITULO I – OS PLANOS PARA A AVENTURA

Um dia …

 

“Um dia”, pensou o Joãozinho enquanto coçava o nariz com a mão cheia de tinta, “Um dia vou viajar

no espaço…”.

Olhou para o desenho que tinha á sua frente sobre a mesa de trabalho, “ O desenho da nave está quase pronto, falta apenas escolher as cores com que a iria pintar, e o nome… Sim! O nome. Esse era um pormenor muito importante, senão como é que os seus amigos se iriam lembrar das aventuras que iria viver no espaço, as lutas com monstros enormes de dentes afiados, das conquistas de outros planetas com ele a comandar na sua nave toda uma série de guerreiros do espaço…”

- JOÃO! – Chamou a mãe. – O jantar está na mesa, estamos á tua espera.

O sobressaltado Joãozinho correu para a sala, murmurando desculpas e ressentido por o terem tirado dos seus pensamentos.

- O que estavas a fazer meu rapazinho? – Olhando-o sobre os aros dos óculos.

- Ora Pai, tu sabes, eu sou um engenheiro do espaço, tenho que acabar de desenhar a minha nave, está a ficar espectacular, queres vê-la? – Perguntou entusiasmado. – Depois de jantarmos?

- Sim, filho, depois. – Concordou o pai resignado às fantasias daquele pequenote de oito anos – Agora quero que comas, um engenheiro do tão bom como tu tem que estar bem alimentado.

- Certo, Pai. Gostaria que fosse ao espaço comigo, ir-te-ia mostrar coisas fabulosas que tenho lido nos livros que tu e a mamã me ofereceram.

O pai e a mãe do Joãozinho entreolharam-se, na dúvida se teriam oferecido os livros mais indicados. Imaginação, ele já tinha muita, com livros a ajudar, então sobrariam ideias naquela cabecinha ruiva.

- Sim – Adiantou a mãe, como que adivinhando o pensamento do marido – Foram sempre livros aconselhados pelos professores, que mal podem ter histórias de naves com tripulações sempre dispostas a defender os mais fracos?

- Tens razão, nenhum mal pode haver, e também ele nunca irá construir a nave, que idiotice passar-me essa ideia pela cabeça – Concluiu o pai.

- Mãe? Pai? Já acabei, comi tudo, posso sair da mesa?

- Sim, filho – Responderam os dois ao mesmo tempo

- Vai acabar os trabalhos da escola para te poderes deitar – Disse a mãe

- Ok! – Exclamou o Joãozinho

- Já te disse, que não gosto que respondas com um ok – Zangou-se a mãe – É, sim mamã, a maneira de responder correcta.

- Sim mamã, desculpa – Disse o Joãozinho a correr para o seu quarto.

Depois de concluir os trabalhos de casa, decidiu dedicar-se aos planos da sua nave.

A cor, meditou ele, será azul como o céu, vou fazer umas riscas prateadas da cor das estrelas, “Quando olharem para ela, cá da terra, as pessoas irão pensar que é uma estrela cadente” entusiasmado, com o pensamento.

O nome!? Que nome ele poderia escolher? Interrogou-se, abrindo a boca com sono “Bom, amanhã pensarei num. Não precisa ser esta noite” deitou-se, e logo de seguida adormeceu profundamente, mergulhando num mundo de aventuras fantásticas.

 

Finalmente, está tudo preparado…

 

Finalmente, está tudo pronto, é só começar a contagem de 10 para 0 zero, ligar e partir – Gritou o Joãozinho, saltando de alegria – A “RAIO DE LUZ” não podia estar melhor, brilhante, era mesmo como o nome dela.

Agora tenho que me despedir de toda a gente, pois vou estar algum tempo fora – Mas quando concluiu o este pensamento, surgiu-lhe um outro – Bolas, e depois quem vai aconchegar a roupa e dar-me um beijinho de boa noite?

Decidiu que tinha de ter coragem para prosseguir com o seu sonho de aventura.

- Pai e Mãe, venho despedir-me de vocês, a minha viajem de aventura pelo universo vai começar, já não posso adiar – Disse o Joãozinho de forma solene.

- Bem, meu filho, eu compreendo essa tua vontade de aventura e não posso opor-me, desejo-te muitas felicidades – Despediu-se a mãe não acreditando naquela ideia maluca do seu filhote.

- Eu – Começou o pai – Desejo-te o mesmo que a tua mãe, mais tarde estou certo que nos irás mostrar fotografias dos sítios que exploraste e contar como tudo correu.

- Então, o comandante Joãozinho, pede permissão para se retirar e iniciar a sua viagem – Declarou ele empertigado.

- Está autorizado. Que a sua missão seja um sucesso. – Responderam o pai e a mãe ao mesmo tempo.

- Joãozinho – Chamou a mãe – Não seria melhor levares umas bolachinhas com recheio de morango e uns pacotes de leite com chocolate? Afinal, não sabemos quanto tempo vais estar fora e podes ter fome.

- Isso, Mãe! – Exclamou o Joãozinho, abraçando a mãe – Tens sempre boas ideias mamã.

- Vou preparar-te a lancheira – Disse a mãe caminhando para a cozinha.

 

CAPITULO II – DE AVENTURA EM AVENTURA

A caminho…

 

Dez; nove; oito; sete; seis, cinco; quatro; três; dois; um; zero… A RAIO DE LUZ estremeceu, envolvida em fumo e barulho de muitos motores a trabalhar.

O comandante Joãozinho, muito concentrado, iniciou a descolagem do seu majestoso engenho, estava orgulhoso, afinal o que podia correr mal? Durante dias treinou aquele momento.

Olhou para fora e viu os seus pais a fazer-lhe adeus, acenou para eles e partiu a grande velocidade, tão grande que nuns escassos segundos se viu envolvido pelas estrelas de mil tamanhos e brilhos.

- Uau! – Exclamou, admirado – Isto é bem mais bonito do que imaginava.

Durante esse dia o Joãozinho foi-se afastando cada vez mais da terra, esta já só era um pequeno ponto azul lá ao fundo, até desaparecer.

Tudo o que tinha lido, e que o pai lhe tinha ensinado sobre estrelas e planetas estava lá, bem à sua frente, Mercúrio, Vénus, e do outro lado da terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, Neptuno, e Plutão, iguaizinhos.

Decidiu visitar um a um, pois pareciam-lhe todos bonitos e interessantes, estava tão contente por ter decidido entrar naquela aventura.

Primeiro iria a Mercúrio, mais próximo do sol, aquela bola gigante e amarela, que fazia que os dias na praia fossem mais divertidos, com correrias e gelados á mistura, mergulhos no mar até o cansaço vencer e adormecer no colo da mãe.

O pai ensinara-lhe que o sol apesar de muito grande, bem maior que a terra, era pequenino quando comparado com outras estrelas e estava muito longe da terra, ninguém podia lá ir ou sequer aproximar-se.

Contava-lhe, que um menino chamado Ícaro, para fugir a um labirinto onde estava preso com o pai, usou umas asas artificias feitas de cera de mel de abelhas e penas de gaivota. O pai de Ícaro que as tinha construído, avisou o filho para não se aproximar do sol, para as asas não derreterem, mas também para não voar junto ao mar para que não ficassem muito pesadas.

Ícaro, não seguiu o conselho do pai, Dédalo, e voou, muito, muito alto aproximando-se do sol, este, derreteu-lhe as asas e ícaro caiu no mar.

Mas o nosso pequeno herói era um menino obediente e prometeu que não se aproximaria do muito de sol, só o suficiente para conhecer Mercúrio.

“Bom.” - Pensou ele - “Agora vou dormir, e amanhã bem cedo aterro em Mercúrio e logo vejo que surpresas me esperam”

Custou a adormecer, dava voltas e mais voltas na cama, estava mesmo excitado, a curiosidade sobre o que iria acontecer despertavam-no. Então lembrou-se quando a mãe ou o pai iam aconchega-lo, a ideia correu doce pela sua cabeça, acalmando-o e adormecendo-o.

Nessa noite, sonhou com a escola, os amigos, o professor que chamava a atenção quando eles faziam traquinices, mas também lhes sorria e elogiava quando se portavam bem.

A escola era um universo, não como aquele, mas bonito, muito bonito. Caminharia ano após ano a aprender, como se fosse de planeta em planeta, aquecido pelo carinho dos pais como o sol aquecia toda a Terra.

 Humm, é mesmo bom. – Murmurou sonhando.

A noite, tranquila, passou ligeira. Aquela nave era mesmo extraordinária, tudo lhe fazia lembrar a sua casa o seu quarto. Os sons, os cheiros, tudo…

 

MERCÚRIO, O MENSAGEIRO DOS DEUSES

O Planeta Veloz

O Joãozinho, acordou bem cedo, entusiasmado e muito bem-disposto, correu para a janela e espreitou lá para fora.

Uhau! Que planeta tão estranho, parece que foi roído pelos ratos – Admirou-se ele – Ena! De um lado está completamente escuro e do outro completamente claro.

- Ei! Tu ai. – Ouviu chama-lo. – Olha cá para baixo.

O Joãozinho, espreitou para o planeta,

- Sim, estou a ver-te. És tu que me chamas? Como é o teu nome? – Perguntou

- Mercúrio. Não sabias?! – Estranhou o rapaz sentado numa das muitas crateras que existiam á superfície.

- Como o planeta?- Perguntou

- Sim! Claro, querias que me chamasse Manuel? Não faria sentido, não achas?

- O meu nome – Começou a explicar o rapaz de cabelo negro e encaracolado – É por eu ser um mensageiro, e ser muito rápido.

- Percebo, faz todo o sentido. – Concordou o nosso herói.- E quantos anos tens?

 - Muitos, muitos mesmo. Sabes que aqui fazemos anos de oitenta e oito em oitenta e oito dias? É tudo muito rápido, e diferente, aqui em três anos só temos dois dias. É engraçado não é? E mais, há alturas que num dia o sol nasce duas vezes.

- Ena! Se na terra fosse assim, eu era muito mais velho, já tinha trinta e dois anos. Oh meu Deus! – Espantou-se ele. – Seria da idade de minha mãe, isto é tudo muito estranho. Vou ai abaixo para falar mais contigo.

- Não podes. Aqui não há ar, e assim não podes respirar. – Explicou Mercúrio

- Então e tu? – Quis saber o Joãozinho. – Tu estás a respirar, não estás? E pareces-me muito bem.

- Pois, tens razão, mas eu sou filho de um deus.- Disse orgulhoso

- Sim!? E de que deus? – Interrogou o nosso pequenote.

- Júpiter, sou o seu mensageiro, ele confia muito em mim – Esclareceu

- Boa, hei-de ir visitar o teu pai. – Disse, para a seguir acrescentar – Mas porque é que estás ai sentado e não estás ao pé dele.

- È que tenho um problema, perdi a mensagem que ele me mandou entregar, agora não posso voltar. – A voz de Mercúrio estava triste ao dizer isto. Brincava com o seu capacete alado, distraído nos seus pensamentos.

- Eu, ajudo-te, a encontra-la. – Prontificou-se o Joãozinho – Tu deves tê-la perdido na parte escura do planeta. Eu, aqui da minha nave, posso iluminar o caminho enquanto tu a procuras. Não achas que é uma boa ideia?

- És mesmo simpático, astronauta. Então ajuda-me, para eu poder entregar a mensagem do meu pai, senão ele vai ficar furioso comigo. – Pediu Mercúrio.

A RAIO DE LUZ, iluminou-se, o Joãozinho espreitava pela vigia da nave, Mercúrio começou a andar em direcção ao lado sem sol do planeta, escuro e frio.

A luz vinda de cima acompanhava os passos de Mercúrio, este olhava atento para o chão.

Os dias, grandes, passavam depressa. Mercúrio, cada vez mais triste e preocupado por ainda não ter encontrado a mensagem.

- É uma mensagem importante, mesmo muito, de pessoas muito importantes. – Lamentou-se ele.

- E não sabes o que lá estava escrito? – Perguntou Joãozinho.

- Não, só sei que é importante, porque é o meu pai que a envia, e ele só faz coisas importantes.- Disse Mercúrio. – Estou mesmo triste, o que vai ser mim.

- Então, porque não falas com ele? Vais ver que ele entende. - Tentou sossegá-lo

- És louco, astronauta! – Exclamou. – Ele ficaria furioso, tu onde vives, não costuma ver raios no céu? ... Ele é quem os atira lá para baixo.

- Ena! Ele deve ser mesmo forte e não deve ser para brincadeiras. Então, só nos resta continuar a procurar, com mais atenção. – Disse o nosso herói.

- Pois. Não estou a ver outra solução – Disse resignado Mercúrio.

- Posso-te fazer uma pergunta, Mercúrio? – Pediu o Joãozinho ao fim de alguns minutos.

- Sim, as que quiseres. – Autorizou Mercúrio

- Bem, é assim… Tu costumas perder as mensagens que te dão?... Muitas vezes?

- NÃO! Quem tu pensas que eu sou? Esta foi a primeira vez! – Exclamou zangado

- Ok, peço-te desculpa, não queria ofender-te. –  Desculpou-se Joãozinho.

E os dois continuaram à procura, dia após dia, muito atentos, por todos os cantos do planeta, subindo e descendo as crateras.

Joãozinho, reparava que aquele planeta não era como a terra, era vazio, sem cor, surgiu-lhe uma pontinha de saudade, do jardim multicor á frente de sua casa, as árvores de fruto que o pai plantou, do o barulho ao amanhecer, dos galos a cantar, as pessoas a saírem de casa para o trabalho, carros a apitar, o carrinha da escola.

Em Mercúrio, as cores não existiam, do branco, passando pelo cinzento ao preto, e o silêncio era total, nem um barulho, nem mesmo o dos passos do jovem deus.

- Astronauta! – Gritou Mercúrio – Encontrei-a, está aqui caída. Não sei como pude ser tão distraído.

- Boa! Mas depressa Mercúrio, estou morto de curiosidade, para quem é? – Perguntou

- Deixa-me ver. Olha! É para ti, astronauta. Da tua mãe… - Disse admirado

- Da minha mãe? Boa! E o que diz? Depressa. – Quis saber, cheio de saudades.

JOÃOZINHO

EU E O PAI ESPERAMOS QUE ESTEJAS A VIVER UMA VIAGEM DE LINDAS AVENTURAS. TODOS OS DIAS OLHAMOS PARA O CÉU E TENTAMOS ADVINHAR ONDE POSSAS ESTAR.

SABES QUE HOJE VIMOS MERCÚRIO? MESMO JUNTO Á LINHA DO HORIZONTE, AQUELA LINHA ONDE A TERRA E O CÉU SE JUNTAM. ACHO QUE TIVEMOS MUITA SORTE, POIS SÓ É POSSIVEL VÊ-LO ALGUMAS VEZES, POR ANO.

BEIJINHOS, VOLTA DEPRESSA

MÃE E PAI

m

 

 

 

 

                                                                                                    

 

 

 

 

 

 

- Adeus, Mercúrio. – Despediu-se – Ainda bem que encontramos a mensagem, tu tinhas razão, era mesmo importante.

- Adeus astronauta. Não te esqueças de visitar a minha irmã Vénus e quando vires o meu pai diz-lhe que gosto muito dele.- Dizendo isto despareceu no rasto de uma estrela.

E o nosso pequeno amigo, virou a RAIO DE LUZ e rumou a Vénus.

Sozinho, pensou “ Naqueles dias, aprendeu que aquele planeta, quente e claro de um lado, frio e escuro do outro, com anos muito pequenos, e dias muito grandes, estava muito longe da casa dele,

era mesmo o mais distante, viajava depressa à volta do sol, tão depressa como aquele rapaz mensageiro de capacete e botas com asas, com o mesmo nome, e não havia ar para ele poder respirar, nem árvores, nem flores e animais, e tudo lá era silencioso”

A RAIO DE LUZ, rodou á volta do planeta Mercúrio, pela última vez. Joãozinho olhou pela vigia da nave, e despediu-se.

“Está na hora de ir, de continuar a minha viagem, agora até Vénus. Como seria? Estou curioso” ,Pensou ele.

E tu? Estás curioso como o nosso pequeno aventureiro?

Imaginas com será Vénus? Haverá lá pessoas?

Vamos viajar, na RAIO DE LUZ, estamos seguros, pois temos o Joãozinho a comandar, encostem-se nas cadeiras, respirem bem fundo e ai vamos nós.

 

VÉNUS, A DEUSA DO AMOR E DA BELEZA

Estrela da Manhã ou Estrela da Tarde?

A viajem corria sem sobressaltos, o nosso pequeno comandante mantinha-se atento, a ansiedade quase o dominava, o seu olhar percorria o espaço á procura dessas criaturas terríveis de que tanto ouvira falar.

O sol estava mais longe, um objecto muito cintilante destacava-se no céu azul e estrelado.

“Que ponto tão brilhante, será um sol pequenino?” – Interrogou-se

- Hum, cá temos um viajante temerário e muito novo – Comentou um bela senhora sentada num carro puxado por cisnes.

O Joãozinho olhou para ela, contudo não se surpreendeu, só podia ser Vénus a irmã do seu amigo Mercúrio.

- Olá Vénus, afinal és mesmo bonita! – Exclamou com admiração.

- Como sabes o meu nome?... Não me lembro de alguma vez te ter visto. – Disse Vénus surpreendida por ter sido reconhecida.

- O teu irmão Mercúrio falou-me de ti, e disse-me, quando encontrares um planeta brilhante e uma senhora bonita, então é Vénus – Explicou-se

- Ah bom! E como está ele? Sempre a correr ou a voar muito rápido? – Perguntou

- Sim. Ele é um mensageiro, tem que andar a correr para poder entregar tudo a tempo- Disse o Joãozinho

- Pois, mas de vez em quando lá perde uma mensagem, é uma dor de cabeça para o meu pa.i – Disse Vénus, acrescentando – E tu meu caro jovem. O que fazes aqui? Passeias?

- Exploro o universo. – Disse o Joãozinho inchado de orgulho.

- Ora cá temos um rapazinho corajoso. – Brincou Vénus – Podia convidar-te para descer comigo ao planeta Vénus, mas aquele ar é irrespirável, e depois aquelas nuvens á sua volta são tão densas que escondem a sua superfície.

- Mas posso pousar a minha nave, se tu fores á minha frente e guiar-me no meio das nuvens. - Sugeriu o nosso corajoso comandante.

- Para além de bravo és muito inteligente, serás filho de algum deus? – Mostrou-se curiosa.

- Não. Os meus papás são pessoas que vivem no planeta Terra. Conheces Terra, Não conheces? – Não esperando pela resposta continuou – Mas eu adoro-os, são os meus heróis, sempre perto de mim para me protegerem.

- Eu também gosto muito do meu pai – Disse olhando em direcção ao planeta Júpiter.

O Joãozinho, lá foi seguindo Vénus no seu carro, os cisnes voavam rápido e parecia que sabiam o caminho a seguir sem precisar das instruções.

Quando poisou a nave na superfície lisa de Vénus, o pequenote quedou-se deslumbrado, agora entendia porque diziam que aquele era o planeta irmão da Terra.

Grandes zonas secasse poeirentas pareciam oceanos, Vénus notou no ar do nosso jovem a admiração com que ele olhava para a paisagem.

- Noutros tempos, muito antigos, ainda não tinham nascido os teus mais remotos antepassados, aqui havia um oceano de águas límpidas onde se banhavam outros deuses e deusas.

- Fantástico. – Disse verdadeiramente admirado o Joãozinho – Devia ser muito bonito.

- Nem sempre. - Negou entristecida – Como os homens, os deuses nem sempre se entenderam, e houve algumas guerras feias e injustas.

- Tens razão, os homens não se querem entender… - Interrompeu o Joãozinho

- Deixa que te conte tudo. – Pediu Vénus – Neptuno o deus dos oceanos era muito rabugento e chegou a brigar com meu pai, Júpiter. Um dia, o meu pai zangou-se tanto que enviou raios para aqui, e pediu às nuvens que se fechassem para que mais ninguém pudesse ver este planeta. Neptuno ficou tão furioso que decidiu tirar os mares para que mais deus nenhum pudesse neles se banhar. Dessa luta resultou o que vês, um planeta escondido em nuvens e seco.

- É muito triste. E tu sempre viveste aqui? – Perguntou

- Quase sempre, às vezes vou visitar outros deuses, mas é aqui que eu gosto de estar. – Acrescentando de seguida – Já lá vão muitos séculos, habituei-me a estar aqui a observar-vos na Terra, e que grandes marotices lá se fazem.

- Pois, de onde eu vim não é melhor do que me contaste – Disse suspirando – Hoje, na Terra, ninguém quer ser amigo de ninguém, mesmo na minha escola, é terrível, só se fala em senhores que querem mandar no mundo, como se eu, e os meus pais e todas as outras pessoas não existíssem.

- Isso é mau, mas vamos esquecer esses problemas, vamos conhecer melhor este meu planeta. Que dizes? – Sugeriu Vénus

Os dias foram passando, Joãozinho foi seguindo a sua amiga que lhe ia mostrando todos os recantos daquele misterioso lugar.

O nosso astronauta, estava feliz com o que aprendia, mal podia esperar pelo dia em que iria contar aos seus pais e amigos tudo o que lhe era ensinado.

Quando finalmente voltaram ao ponto de partida, Vénus pediu:

- Quando um dia voltares a casa, quero que não me esqueças.

- Nunca poder-te-ia esquecer, já sou teu amigo.

Vénus sorriu, perante o ar solene do nosso viajante.

- De manhã logo ao nascer de sol eu apareço para olhar para ti, meu pequenito. – Prometeu a deusa.- E depois vou dar-te as boas noites quando o amigo sol viajar para o outro lado do mundo e começar a escurecer.

- Fazes isso? Por mim? – Gritou o Joãozinho

- Sim, estou a prometer-te. – Confirmou Vénus – E para saberes que é a sério, de manhã chama-me bem alto pelo nome de Estrela da Manhã, e á tarde por Estrela da Tarde e eu brilharei com mais força, só para ti.

- Obrigado, assim o farei. – Garantiu o jovem

- Ainda bem que gostas. – Notificou ela – Fazes lembra-me Cúpido, o meu filhote mais querido e maroto, com as suas flechas faz com que vocês na terra se apaixonem, assim como os teus papás. Sabias que a culpa é dele? É por isso que nasceste.

Joãozinho, olhava para a sua amiga com a admiração estampada no rosto,.

- Pela tua cara aposto que isto é uma novidade para ti.

- Sim, mas uma boa novidade, não sabia que o teu filho tinha pregado essa partida aos meus papás – Disse divertido. – Quero ver a cara deles quando eu lhes contar, aposto que não sabem como é que eu apareci. - E riu-se da ideia que lhe tinha surgido.

No dia seguinte, com a Estrela da Manhã a brilhar, a RAIO DE LUZ partiu. Vénus estava mais brilhante que nunca, tal como prometera ao nosso pequeno navegador. Joãozinho, sentiu nesse brilho, o calor do sorriso dos seus pais, e paz e segurança que só eles conseguiam dar, quando chorava com medo do escuro.

- Adeus Vénus.

- Adeus Joãozinho.

AO LARGO DA TERRA

Lua Mentirosa

Há algum tempo que tinha deixado Vénus, iria passar ao pé de casa, mesmo muito perto.

A Lua, aquela bola que mudava de tamanho, era a que tinha sempre acompanhado o Joãozinho nas suas viagens ao longo da imaginação.

Uma vez perguntou á mãe:

- Porque é que dizem que a lua é mentirosa?

A Mãe, explicou:

- A Lua tem quatro fases, Lua Nova, Quarto Crescente, Lua cheia, Quarto Minguante. Diz-se que é mentirosa, porque quando está em forma de C, de crescer, de facto está a diminuir, e quando está em forma de D, de diminuir, é porque está a crescer.

- E culpa é dela? Mamã.

- Claro que não! Isto é apenas uma brincadeira das pessoas. – Esclareceu, a Mãe – A Lua é bonita e ilumina-nos à noite, já viste como são bonitas as noites de luar. Inspira as pessoas a serem boas. Olha, meu querido, os poetas que são homens de paz, adoram a Lua.

Estava tão absorvido com os seus pensamentos, que quase chocou com a lua.

- Ei! Tu ai! Tem cuidado. Não vês o que estás a fazer? – Reclamou alguém – Quase que me atropelavas.

Joãozinho abriu a boca de espanto, do lado de fora, sentado numa pedra, estava outro astronauta e com um ar de poucos amigos.

- Desculpa! Não te vi. – Justificou-se. – Estava distraído.

- Pois tens que andar com mais cuidado, isto não é tudo teu. – Disse o outro ainda zangado.

- Está bem. Ainda bem que não aconteceu nada. – Continuou a desculpar-se o Joãozinho.

- Está bem! Está bem! Estás desculpado. – Disse o desconhecido – Agora diz-me. Vais para Terra?

- Não. – Respondeu. – A seguir vou para Marte.

- Bolas! Preciso de uma boleia. – Disse o desconhecido desiludido – Esqueceram-se mim aqui, agora não consigo voltar para casa.

- Como é que se esqueceram de ti? – Perguntou admirado com a situação do pobre desconhecido.

- Ora como! Estavam com pressa, e foram a correr para casa por causa de um jogo de futebol. – Lamentou-se, ainda zangado

 O Joãozinho, não conseguia parar de rir.

- Ah, ah, ah, ah, ah …Por causa de um jogo… de futebol. – Riu-se tanto que quase se engasgou. – Que situação mais cómica.

- Pois, para mim não, estou aqui vai para uma semana, e nada. Podes parar com isso?- Protestou. – Não é bonito divertires-te à minha custa.

- Tens razão. Havemos de descobrir uma solução para tu ires para casa. – Prometeu o nosso herói.

- Achas que sim? Boa! Assim já fico mais contente. Diz-me o que fazes por aqui? – Perguntou o desconhecido.

- Ando a explorar o universo. Quero visitar todos os planetas. – Esclareceu.

- Mas a lua não é um planeta, é um satélite da Terra. – Disse o desconhecido.

- Eu sei, mas como passei tão perto decidi visita-la, e em boa hora. – Disse o Joãozinho.

- Sim, é verdade, em boa hora, assim não tenho de esperar pela próxima visita. – Admitiu o desconhecido

E contiunuou:

- Nem tu nem eu somos os primeiros a visita-la. Desde há muito anos que o homem aqui vem. Sabes desde quando? – Perguntou

- Sim, desde 1969, eu não era nascido. Vieram num foguetão chamado Apollo 11, a viagem durou quatro dias. Foi um grande dia quando o primeiro astronauta pisou a lua. – Explicou o nosso herói.

- Foi tudo muito bonito, eu assisti na televisão dos meus pais. – Disse o desconhecido, para logo a seguir acrescentar. – E agora, estou aqui porque se esqueceram de mim. Não é triste?

- Bom o melhor é começarmos a pensar numa solução para ti. – Propôs o Joãozinho.

- Está bem, o que sugeres? – Perguntou ansioso o desconhecido.

- Espera ai, eu tenho uma amiga que tem um carro puxado por dois cisnes, ela pode levar-te para Terra em poucos minutos. – Pensou em voz alta, o nosso aventureiro

- Então chama-a já. Tenho pressa, daqui a nada começa o meu programa favorito na televisão.

- Ok, mas temos que esperar pelo pôr-do-sol, é quando ela aparece, ai eu faço-lhe sinal e ela vem cá ter connosco. - Informou o Joãozinho contente por se ter lembrado da sua mais recente amiga.

Quando o sol começou a desaparecer, o céu ganhou um tom laranja e quente, ao longe um ponto brilhava a saúda-lo, Joãozinho levantou os braços e acenou.

Mais tarde, ficou a ver o desconhecido a desaparecer á boleia com Vénus.

Lembrou-se que não sabia o nome deste novo amigo, mas qualquer coisa lhe dizia que ainda havia de se encontrar com ele.

A lua era um miradouro. Joãozinho, manteve-se ali quieto, a olhar para terra. Lá na sua cidade, na sua casa, viu a Mãe e o Pai a jantar e com eles estava uma criança da mesma idade que ele. Quem seria?

“Espero que os meus papás não se tenham esquecido de mim” pensou ele antes de adormecer.

 

MARTE DEUS DA GUERRA

Planeta Vermelho

Havia semanas que viajava sem parar, o espaço à sua frente continuava cheio de estrelas brilhantes, os planetas agigantavam-se à medida que se aproximava e os outros ficavam mais pequenos com o seu afastamento.

Mercúrio, Vénus, Lua, eram visitas já longínquas apesar de vivas na sua memória.

Marte, assustava-o, não tinha certeza da razão, o professor na escola tinha falado em Marte, um deus guerreiro e mau, ao contrário de sua irmã que era pela paz.

E depois aquele vermelho, parecia uma bola de fogo a arder incessantemente, foi com toda a desconfiança que se aproximou do planeta, e vindo do nada ouviu:

- Sai daqui, não foste convidado, não és nada bem-vindo. – Disse Marte, o dono daquela voz, e estava furioso.

- Eu sabia, tinha toda a razão em pensar que eras um grande bruto, e que devia ter seguido para Júpiter. – Protestou Joãozinho.

- Seguir para Júpiter? Foi isso que disseste?... Pois eu sou muito melhor. – Disse Marte ainda zangado – Pois agora vais ter que parar, e vou-te mostrar que sou é o melhor planeta do universo.

- Com esse acolhimento só vais conseguir que fujam de ti, não és nada simpático. – Disse o jovem, agora já sem medo.

- Sou um guerreiro, e terrível, não posso ser simpático. Isso é para os fracos. – Afirmou ele gritando.

- O que tu és, é um mal-educado! Na Terra há muitos como tu, sempre a guerrear e fazer mal às pessoas indefesas que só querem viver em paz. – Reprendeu Joãozinho, com um tom de voz de poucos amigos.

- Bom, já percebi, tu não és um guerreiro, nem todos podem sê-lo. – Disse Marte.

- Pois não, sou um explorador e quero é aprender e não andar ai ao murro por tudo e por nada, entendeste? – Perguntou, zangado.

- Sim, sim, não vale a pena guerrearmos. Hoje não me apetece. Agora podes dizer o queres de Marte? – Perguntou o deus guerreiro.

- Quero conhecer-te. – Respondeu

- Está bem, em sinal de paz, estou ao teu dispor. – Disse Marte, admirado com a coragem do jovem.

- Quero saber se é verdade que Marte já foi como a Terra, com rios e mares e tinha pessoas a viver aqui? E eles são verdes? – Indagou o Joãozinho.

- Nem verdes, nem amarelos, nunca vi cá ninguém – Esclareceu Marte – Além do mais, seriam devidamente expulsos dos meus domínios.

- Pois já me esquecia que tu és um guerreiro e por isso tens que resolver tudo com a tua espada, não é? – Acusou o nosso astronauta.

- Puxa! Estou a ver que está de mau humor, zangado comigo, pequeno explorador – Retorquiu Marte – Mas quero-te dizer que te admiro, pois há muitos séculos que não encontrava alguém como tu, à tua maneira, também és um guerreiro.

- Achas, Marte?! Sou mesmo? – Gritou de alegria e orgulho o Joãozinho

- Ora, estás a ver! Todos nós gostamos de ter algo de guerreiro – Continuou Marte – Mas vou responder às tuas perguntas. Quero que fiques a conhecer melhor este planeta.

 Olhou para o jovem e começou:

– O meu planeta é muito parecido com a Terra…Sim, o sítio onde vives. E porquê? A duração do nosso dia é quase igual ao vosso, e também temos quatro estações. Estou a ver pela tua cara que estás surpreendido, quase que não acreditas no que te estou a dizer. Não é?

- Não Marte. Eu acredito. Os grandes guerreiros não mentem – explicou-se – Mas é como dizes, estou muito surpreendido, é fantástico o que estou a aprender contigo.

- Obrigado, meu valente, és um bom aluno, muito atento. – E prosseguiu. – Os anos, ai sim ganhamos à Terra, por cada dois anos que passam lá, aqui passa somente um.

O Joãozinho, desatou a rir, ria tanto que se desequilibrou e caiu.

- Olha, que te magoas, meu grande tonto – Ralhou Marte – De que te ris?

- Em Mercúrio, tinha trinta e dois anos, por que é um planeta muito rápido, e aqui quatro anos, não é engraçado? - Disse o Joãozinho continuando a rir.

- Sim de facto é engraçado e estranho.- Franzindo a testa. - Mas continuando. Já houve habitantes em Marte, mas acontece que tive uns tempos fora, sabes? Tive que ir à conquista de uma cidade chamada Tróia, e quando cheguei tinham todos ido embora. Será que não andam lá por Terra? Às vezes ouço-vos a falar em discos voadores.

- Sim, eles costumam ir lá. – Informou o Joãozinho – Mas o meu Pai diz que eles não existem, e eu acredito em tudo o que ele me diz.

- Isso é de um bom guerreiro. – Afirmou solene Marte – Devemos ouvir o que o nosso Pai diz.

- Mas olha. – Continuou Marte – Este planeta não está sozinho, tem dois irmãos mais pequenos que rodam á volta dele. Queres saber como se chamam?

- Claro que quero! Não sabia que Marte tinha dois irmãozinhos – Disse surpreendido

- Chamam-se, Fobos o mais pequenino e Deimos o maior, damo-nos muito bem. – Informou Marte com orgulho.

- Deve ser muito divertido ter irmãos. – Havia uma pontinha de tristeza na voz de Joãozinho – Eu ainda não tenho, quem sabe se um dia …

- Vais ter com certeza. – Sossegou-o Marte. – E muitos, vais ver.

- Diz-me Marte, sempre conquistaste aquela cidade? Tróia… – Perguntou o jovem.

Marte, engasgou-se e olhou para o céu “Que triste ideia a sua em ter falado em Tróia, podia ter ficado caladinho…”

O Joãozinho, insistiu na pergunta.

- Então? Não respondes?

- Bom… Aquilo não correu nada bem para mim, prefiro não falar muito nesse assunto. – Lamentou-se, mas ao ver a cara do pequeno continuou – Ganharam-me… E não vou falar mais nisso.

- Está bem, se ficas assim tão triste, então esquece, que eu não quero saber mais nada – Acabando ali a conversa sobre aquele assunto.

Já tinha decorrido algum tempo desde que aterrara em Marte, desta vez tinha mesmo descido ao planeta protegido com o seu fato de astronauta, estava radiante, aquela vestimenta funcionava na perfeição.

Durante os dias seguintes percorreu com o deus guerreiro o planeta vermelho e brilhante como o fogo, visitaram locais incríveis, rios, um lago e mar gelados, vulcões enormes, abismos muito profundos, tão profundos que não se via o seu fim.

Foram dias de descobertas e experiencias fantásticas, o nosso explorador, andava de surpresa em surpresa, fascinado com tanta aventura e com tudo o que Marte lhe ensinava.

Quando acabaram a viagem de exploração, Joãozinho despediu-se de Marte.