Aventuras num sonho- A ida do Joãozinho ao espaço por João Luís Caseiro Rodrigues - Versão HTML

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- Marte, tu és um grande guerreiro, mas também és um grande amigo, quando olhar para o céu e te vir brilhar vou recordar-me destes dias aqui contigo.

- Obrigado astronauta, Agora só te quero pedir um favor, será que me ajudas? – Pediu Marte

- Claro, em que queres que te ajude? – Perguntou

- Quando fores para Terra, gostava que pedisses a quem manda lá, não sei, ao rei da Terra, enfim, aos governantes, que parem de mandar objectos cá para cima – Pediu e continuou – Ando sempre a tropeçar em aranhas e pássaros de ferro.

- Ok. Eu peço, não custa nada. – Disse Joãozinho.

- Obrigado. Diz-lhes que podem vir cá acima, que eu lhe explico tudo, como fiz contigo meu pequeno amigo.

- Eu prometo Marte e adeus.

- Adeus, Joãozinho.

 

JÚPITER PAI DOS DEUSES

Planeta Gigante

 A caminho de Júpiter, Marte ficara para trás há alguns dias, lá fora o céu estava mais estrelado que nunca.

Joãozinho observava mais fascinado que nunca todo aquele conjunto emaranhado de estrelas, pequenas e grandes, umas mais brilhantes que outras, tal como as via de sua casa á noite sentado no alpendre com o Pai. Este, explicava-lhe que antigamente os navegadores portugueses serviam-se da posição das estrelas no céu para guiarem-se nas suas descobertas pelo mar desconhecido.

O Pai dizia-lhe.

- Esses homens que partiam em pequenas caravelas á descoberta de novos caminhos, novas terras, eram como os astronautas de hoje, viajavam para que todos nós soubéssemos mais do mundo em que vivemos. Tinham muita coragem. Não tinham?

E continuava:

- Os navegadores, olhavam para o céu e sabiam que a havia uma estrela e uma constelação que lhe dava o norte, a Estrela Polar e a Ursa Maior. Quando se afastavam muito de casa descendo o oceano, era um conjunto de estrela em forma de cruz que lhes dava a orientação desejada o Cruzeiro do Sul. As estrelas formam um imenso rasto branco, antigamente diziam que era um rasto de leite, a Via Láctea.

O serão acabava com o Pai a pedir para o Joãozinho ir para a cama, pois no outro dia havia escola. O pequenote protestava por se ter interrompido um assunto tão interessante e bonito.

- Sabes que o senhor motorista do autocarro da escola não espera, tens que estar pronto a horas e sem sono – Dizia-lhe o Pai afagando-lhe a cabeça.

- Está bem, Pai. Mas amanhã contas-me mais, está bem? – Exigindo uma promessa do Pai.

- Claro, que sim e mais no fim-de-semana vou levar-te ao planetário – Prometeu.

- Boa, és o melhor Pai… Achas que existem extraterrestres? – Perguntou

- João, cama, está na hora. – Ordenou o Pai despedindo-se – Um beijo e boa noite filhote.

Eram estas as recordações do jovem astronauta, quando começou a ver Júpiter ao longe.

“ Como era grande” – Pensou ele – “ Devia ter muita coisa para ver”

- Não, aqui não há nada para ver – Ouviu dizer-lhe. A voz era como o ribombar dos trovões em noites de tempestade.

- Credo, quem és tu? – Assustaste-me a valer, protestou. – Para estas bandas são todos mal dispostos.

- Está demasiado perto do meu planeta, és uma ameaça. – Respondeu a voz

- Eu!? Sou um miúdo, como posso ser uma ameaça? Não tens olhos para ver? – Continuou protestando.

- Tenho olhos, mas tu estás dentro desse animal de ferro, como queres que saiba se és pequeno ou grande, diz-me lá? – Perguntou. – Pensas que és um grande espertalhão, não é?

- Não! Sou apenas um astronauta, e chamo-me Joãozinho. – Apresentou-se

- Humm! Que nome tão engraçado, não conhecia, de que planeta és? – Perguntou

- Da Terra – Respondeu o Joãozinho – E tu?

- Eu?! Sou de Júpiter, não vez esta bola enorme mesmo atrás de mim.- Respondeu. – Ela tem o meu nome.

- Ah! Já ei! És o pai de Mercúrio, o mensageiro.- Disse o Joãozinho.- Ele gosta muito de ti.

- Mercúrio? Estiveste com ele? – Perguntou Júpiter. – Ele está bem? Sabes, esse rapaz é um bocado cabeça no ar, está sempre a perder as mensagens. Ele pensa que não sei, mas vêem-se queixar “Oh Júpiter, o teu filho nunca mais entrega a mensagem que enviei para a minha tia...” Coisas assim, e lá vou á procura da mensagem e entregar.

- Ele está muito bem, e entregou-me a mensagem dos meus Pais. – Informou.

- Ainda bem, assim é menos um a queixar-se. – Respondeu aliviado. - De vez em quando vou a terra, disfarçado, tenho lá um amigo que é carteiro, e ele entrega-me as mensagens destinadas a todos os outros planetas que andam á volta do sol.

- Assim fica tudo explicado. – Respondeu o Joãozinho

- Meu pequeno, agora que sei que és amigo de Mercúrio, gostava de te convidar a pousar em Júpiter, mas temos um problema … - Disse ele desapontado - O meu planeta, é como algodão doce, como aquele que os teus pais te compram nas feiras. Tudo aqui é como uma nuvem gigante que roda, e lá dentro há tempestades horríveis.

- A sério? – Perguntou o jovem, admirado.

- Sim. Por isso é que eu tenho de falar alto senão ninguém me ouve. – Esclareceu o gigante

- Mesmo os meus filhos, e eu tenho muitos, se queixam do meu vozeirão, dizem-me “Está bem, está bem, já vou, não é preciso gritares”, e eu até costumo falar baixo.

- Quantos filhos têm, Júpiter? – Perguntou o Joãozinho

- Muitos, não sei muito bem quantos. - Respondeu enquanto tentava conta-los mentalmente. - Aqui á volta de mim, são sessenta e quatro, sei por que os vejo todos os dias, os outros, Mercúrio, Vénus, Marte Minerva, Baco,…, mas alguns já não os vejo há muito tempo.

- Tens que ir visita-los – Sugeriu o nosso jovem – Para ti não deve ser difícil.

- Quando vou a terra, visito os que lá estão. – Disse Júpiter

- A sério? Tens filhos na Terra? – Perguntou entusiasmado.

- Sim! Qual a admiração! – Espantou-se ele. - Perdi-me de amores por algumas terráqueas, e bem bonitas

E continuou:

- Os meus filhos, lá em baixo na Terra, são gente muito importante – Disse orgulhoso – Um, é presidente de um grande país, outro é um desportista famoso, uma das minhas filhas é uma importante governante de um país muito desenvolvido. Ah! E quando vires uma que tenha ganho um concurso de beleza é minha filha de certeza.

- Verdade Júpiter!? És um pai muito orgulhoso. – Comentou Joãozinho

- Olá se sou, é como te digo. – Respondeu inchado de orgulho

- Também és o maior planeta, não há nenhum tão grande como tu.- Afirmou o jovem.

- É verdade sim senhor. Sou mesmo o maior, e sou eu que governo os céus, os conhecidos e os desconhecidos. – Continuou vaidoso – E tive que lutar contra o meu pai Saturno para o conseguir.

- Lutar contra o teu pai?! Não tens respeito, pelos mais velhos, isso é terrível! – Exclamava incrédulo o nosso astronauta.

Júpiter, ouvia-o sem se zangar, apesar de não compreender a fúria do rapaz.

- È uma história muito longa, um dia vou a Terra e conto-te. – Prometeu, e acrescentou. – Vais ver que não é o que tu pensas, foi para libertar os meus irmãos, Neptuno e Plutão, tu vais conhecê-los, bons rapazes.

- Está bem, eu acredito nas tuas boas intenções. – Concordou. – Mas vais ter mesmo de me contar, ouviste?

- Ok! Não se fala mais disso. Está já prometido – Respondeu o gigante. – E para tu saberes que é verdade, vou pintar uma grande mancha vermelha á volta do planeta, quando olhares para cima vais poder distinguir-me e saber que estou aqui.

- Isso é uma boa ideia, Júpiter, obrigado. – Agradeceu. – Podes dizer-me como se vai para Saturno.

- Vais visitar o meu pai? Está bem, está bem. – Apressou-se a concordar, vendo a cara de poucos amigos do seu pequeno visitante. – Segue a minha lança, ela vai guiar-te ao teu destino.

- Adeus Júpiter.

- Adeus Joãozinho – Despediu-se e murmurando baixinho. – Continuo a pensar que o nome é mesmo estranho, podiam ter-lhe chamado, Minos ou Radamante ou ainda Sarpédon. Engraçado, acho que tenho três filhos com esse nome, onde andarão?

SATURNO FILHO DOS CÉUS E DA TERRA

Planeta dos anéis

A lança enviada por Júpiter corria veloz pelo universo desviando-se das estrelas cadentes que teimavam em querer chocar com ela.

A RAIO DE LUZ, seguia-a comandada pelo nosso astronauta, a expectativa em conhecer Saturno era grande, “Afinal se Júpiter era como era, então como seria o seu pai”, pensava Joãozinho.

O que viu deixou-o de olhos brilhantes, mal conseguia respirar, o planeta já visível era o mais bonito que tinha visto. À sua volta, existiam vários anéis que giravam a grande velocidade, pareciam guardas á volta de um castelo.

Joãozinho, espreitou á procura de alguém, mas ninguém apareceu. Com a sua nave deu uma volta ao planeta, havia muitas luas com as da terra, contou-as eram sessenta e uma.

Mas numa delas, estava sentado o homem idoso, com cabelo e barbas já brancas e longas, perdido nos seus pensamentos e de ar triste.

O nosso herói aproximou a nave, devagarinho, muito devagarinho, sem fazer barulho, o motor da RAIO DE LUZ, ronronava como um gato satisfeito com as festas que o dono lhe fazia.

Aproximou-se mais, chamou baixinho o ancião, quase tocando-lhe.

- Saturno. Saturno, estás a ouvir-me?

 O deus despertou dos seus pensamentos, e olhou para o jovem.

- Humm. Deves ser o Joãozinho. – Disse, para espanto de Joãozinho

- Sim, sou. Mas como é que sabes? – Perguntou admirado

- Ora, o universo não é assim tão grande – Explicou.– Além do mais o meu neto Mercúrio passou por aqui à procura de mensagem que perdera e contou-me que andava por ai um jovem astronauta.

- Mercúrio, pois só podia ser ele – Disse Joãozinho, concluindo. – É um bom mensageiro e muito rápido.

- Rápido é, mas muito distraído, anda sempre a perder mensagens – Explicou Saturno. – Mas está melhorar muito, há muitos séculos atrás não só as perdia com as trocava, andavam uns a receber as mensagens dos outros o que originava grandes confusões.

- Será que posso aterrar ai, junto a ti? – Pediu o pequeno astronauta.

- Aqui podes. Esta pequena lua chama-se Titã e parecida com a Terra nos seus tempos primitivos, nos tempos em que havia uns animais enormes a que vocês chamavam dinossauros. – Lembras-te, perguntou Saturno.

- Não, porque isso foi há muitos milhões de anos antes de eu ter nascido, é mesmo muito tempo, os meus avós ainda não eram nascidos – Esclareceu o jovem. – Mas vi fotografias, eles eram enormes e pareciam muito ferozes.

- Mas lá devem saber muitas coisas a respeito do meu planeta – Disse Saturno, continuando. – Andam por aqui muitas máquinas de ferro, brilhantes, com umas hastes saídas muito compridas que só podem ter vindo de onde vieste. Olha são mesmo como esse teu engenho.

- Sim. Estou a ver ali um. – Olhando para fora de Titã. – São sondas, são homens e mulheres muito inteligentes que as fabricam e mandam para cá. E sabes para que servem?

- Não, muito bem. – Confessou a sua ignorância o ancião. – Para nos espiarem?

- Não! Ninguém te quer espiar, seria uma estupidez. É para se saber mais sobre Saturno, estas máquinas, as sondas, recolhem informações e fotografias do teu bonito planeta.

- Boa, será que me podem tirar uma fotografia? – Perguntou. – Posso ir vestir uma roupa de cerimónia se achas que ficaria melhor?

- Não é preciso, está bem assim. – Descansou-o Joãozinho.

- Quando era novo, era muito vaidoso e forte, isso trouxe-me alguns problemas, com Júpiter, Neptuno e Plutão, meus filhos e até com meu pai Úrano – Disse tristemente. – Mas também me preocupei com assuntos importantes como a agricultura, a justiça.

- Estavas na terra? Ao pé dos homens?

- De vez em quando, mas era cá em cima que resolvia tudo.

- E nunca mais foste a terra, fazer uma visita?

- Não nos últimos anos – Esclareceu. – O meu filho Júpiter é que lá vai de vez em quando. Eu sei porque ele é meu vizinho, e quando está tudo muito silencioso lá para os lados dele, é porque não está em casa.

- Sabes, que ainda tenho muito que viajar? – Informou o astronauta. – Já lá vai algum tempo que sai de casa e ainda quero conhecer, Úrano, Neptuno e Plutão.

- Estarás cada vez mais longe do sol, tens que ter cuidado com o frio, mas vais gostar de conhecer esses magníficos planetas. Nos tempos em que eu era mais jovem, éramos deuses ferozes, sempre em guerra uns com os outros, agora, estamos todos bem mais velhos e muito mais calmos.

- E costumam-se reunir, no Natal e nas festas de aniversário? – Perguntou curioso.

- Claro que sim. Todos os anos. – Disse Saturno. – Até os netos e bisnetos e todas as gerações seguintes.

- Devem ser umas grandes festas.

- E são mesmo! – Exclamou com os olhos brilhantes. – Há uma coisa que ainda não te contei. Os anéis á volta deste meu planeta também são de gelo e os mais pequenos e às vezes os grandes divertem-se a andar de patins, é mesmo muito divertido.

- Imagino, um dia venho visitar-te nessa época e vou conhece-los a todos e divertir-me com eles.

- És muito bem-vindo. – Convidou-o Saturno – Mandar-te-ei uma mensagem por Mercúrio a  informar-te do dia certo em que estão todos. Espero que esse rapaz não perca a mensagem, é tão bom moço, mas tão cabeça no ar, valha-me a montanha do Olimpo.

- Adeus Saturno.- Despediu-se – Fico à espera da mensagem

- Adeus Joãozinho. Conta com ela.

 

URANO FILHO DA NOITE

Planeta frio

A TERRA, tinha sido deixada para trás há muito, muito tempo, tinha andado tão entusiasmado com as descobertas que fazia, com que aprendia, e com os seus novos amigos, que já se tinha esquecido de há quanto tempo deixara a sua casa.

De vez em quando, lembrava-se daquele menino que vira sentado à mesa com o Pai e com a Mãe, na altura em que passava junto a Terra vindo de Vénus e a caminho de Marte. Quem seria? Será que já estava há tanto tempo fora? Que tinha um irmãozinho e não sabia?

O pensamento encheu-o de um calor reconfortante, “Seria bom se assim fosse”.

Tal como Saturno lhe dissera, o frio começava a ser muito forte, lá fora, o céu continuava límpido e brilhante.

Procurou por Úrano à volta do planeta, mas não o encontrara.

Saturno tinha-lhe explicado, que Úrano tinha sido um deus terrível, feroz e impiedoso.

“Ele é meu pai e avô de Júpiter”, contava, “ Eu tinha-lhe muito medo, mas no fim resolvemos todos os nossos problemas. Bom, agora até jogamos às cartas juntos.”

Perdido na contemplação, Joãozinho despertou quando começou a ouvir alguém chamar por:

- Oberon, Titânia, Umbriel, Ariel, Miranda, Puck, Pórsia, Julieta,…

- És tu Úrano?- Perguntou Joãozinho virando-se para um homem já bastante idoso.

O homem, deu uma volta sobre ele mesmo e perguntou:

- Vês mais alguém aqui?.. E tu, quem és?

- Joãozinho, é o meu nome.

- Olha é um nome diferente, dos que puseram às minhas vinte e sete luas.

- Mas são nomes da tuas luas são bem conhecidos no meu planeta.

- Eu sei, e bem me revoltei. Pedi para darem nomes como os que se usavam, Éter, Hemera ou Atlas por exemplo. – E continuou explicando. - Disseram-me que não, iriam ser nomes de personagens de livros de escritores famosos e falaram-me num tal de Shakespeare.

- Pois é bem verdade, as tuas luas têm nomes muito bonitos

- Bom não é a minha opinião. – Teimou e disse baixinho. – Ao menos não é Joãozinho, que nome tão estranho.

- Eu ouvi. - Protestou Joãozinho. – O meu nome é muito bonito, João, nome de reis e e papas. Os meus pais como gostam muito de mim, chamam-me Joãozinho, por ainda sou uma criança. Entendes-te?

- Sim, agora tenho que continuar a minha chamada. Todos os dias faço isto para ver se estão todas.

E lá continuou:

- Crésida, Rosalinda, Belinda, Desdémona,…

Quando acabou virou-se para o nosso jovem herói e perguntou:

- Ainda estás aí?

- Sim! E estou a gostar, fiquei a conhecer as tuas luas todas, são bem bonitas.

- São, não são? – Perguntou orgulhoso. – Titânia e Oberon são as maiores, algumas são realmente pequenas, mas gosto muito de todas.

- Também tens anéis, á tua volta, como Saturno?

- Sim, mas aqui tenho que te dizer a verdade – E acrescentou baixinho - Os de Saturno são mais bonitos, mas não lhe posso dizer isto, se não ele nunca mais se cala, é um vaidosão, passa a vida a exibir os anéis, já não há pachorra para tanto exibicionismo.

- Não importa, é bonito reconheceres isso, é digno de um grande deus.

- Tens toda a razão. – Disse solene e de peito inchado. – Há muitos, muitos séculos que não ouvia uma verdade tão grande, mesmo…

Joãozinho, interrompeu-o:

- Pronto, já percebi. Se inchas mais, ainda rebentas.

- Bom, meu jovem aventureiro, por seres tão simpático e honesto comigo vou levar-te a conhecer o Úrano, para lá da nuvem que o rodeia.

- Agradeço-te, estou mesmo curioso, é que daqui não se vê nada.

- Segue-me, estarei mesmo á tua frente, para me poderes ver.

Entraram dentro da nuvem espessa e fria, por mais que se esforçasse o nosso astronauta não via nada, tudo escuro.

“Será que é agora que eu vou encontrar os terríveis monstros do espaço?” Perguntou a si próprio.

Úrano, agarrava a nave pelo nariz desta e acenava. “Bom perdido não estou, Úrano, está mesmo junto a mim e parece muito divertido” Este pensamento sossegou-o.

A nuvem ficou menos densa, a claridade aumentou, uma paisagem de rochas muitos tipos e gelo apareceu.

“Nunca podia adivinhar que havia aquela paisagem tão escondida do resto do universo “ Quando chegar a Terra e contar isto vão ficar todos admirados”

Foi então que se lembrou de perguntar:

- Úrano, aqui há monstros?

- Sim, claro. Muitos, alguns com dez cabeças e cem braços, cospem fogo os seus olhos são como carvão em brasa, terríveis e medonhos.

Joãozinho, ficou muito quieto, gelado e com os olhos abertos, tal era o medo que lhe percorria o corpo.

- Vamos, embora. Eu quero ir embora. – Gritou – Mamã, tira-me daqui.

Úrano, ria sem se conter, o seu rosto estava vermelho de tanto rir.

- Estava a brincar contigo – Disse para o aflito Joãozinho. – Não há monstros, os únicos aqui somos nós os dois.

- Grande burro, por causa de ti ia morrendo de susto. – Gritou zangado com Úrano. - Achas muito bonito estares a meter medo a uma criança? Eu é que não posso sair aqui de dentro da minha nave, senão ia aí e ensinava-te as boas maneiras, seu mal-educado.

- Pronto, agora peço desculpa, mas não resisti a uma pequena partida. – Pediu ele, ainda a rir.

- De pequena não teve nada. – Resmungou o nosso herói. – Mas está bem, estás desculpado.

Começando também a rir-se.

- Adeus Úrano

- Adeus Joãozinho

A nave RAIO DE LUZ começou a afastar-se e Joãozinho ainda ouvia, Úrano chamar“… Cordélia, Ofélia, Bianca, Sycorax.”

NEPTUNO, DEUS DO MAR

Planeta azul

 

Aquela bola gigante de cor azul, aparecera-lhe já a alguns dias, lembrava-lhe a água da praia onde ia com os seus pais., tão límpida que por vezes via o seu fundo, repleto de conchas, pedras, estrelas-do-mar e pequenos peixes que em cardume pareciam passear mesmo junto á areia.

“Fantástico, quando penso que já vi as coisas mais bonitas, aparece sempre outra que me surpreende” pensou Joãozinho.

“Será água?” Interrogou-se

- Ena! Ena! Uma visita – Disse com uma voz calma Neptuno – Até que enfim que se dignam a vir visitar-me, sou sempre eu a ir lá baixo.

- Sabes quem eu sou? – Perguntou o nosso herói.

- Claro! Ao tempo que andas por ai, já toda gente sabe – Informou Neptuno. – Além do mais o tagarela do Mercúrio, é bom a perder as mensagens, mas para cochichar é terrível.

- Ainda bem, assim poupamos as apresentações.

- E tu meu caro jovem, sabes quem eu sou?

- Neptuno, com esse tridente na mão quem mais poderias ser?

- Espertinho, podia ser outro com um tridente emprestado. - Disse irritado. – Mas acertaste. Eu sou Neptuno.

- Não esperava encontrar-te, Júpiter disse-me que vivias nas profundezas dos oceanos, num belo palácio.

- Quando vou de férias a Terra, mas lá agora é inverno mesmo na altura de eu arranjar umas tempestades no mar – E continuou. – Aqui, por esta altura é tudo mais calmo.

- Porque arranjas essas tempestades? – Perguntou Joãozinho. – Isso só prejudica as pessoas, principalmente os pescadores.

- Pois, … - Neptuno tentava pensar numa razão, mas não encontrava nenhuma. – Olha, é porque os peixes são poucos e é necessários que se dê tempo para eles se reproduzirem. Pois é isso mesmo, agora sei.

- Ora, isso não é uma razão é uma desculpa e esfarrapada. – Disse Joãozinho.

- Talvez, mas para que não fiques a pensar mal de mim – Explicou-se. – Eu costumava ajudar os antigos navegadores, sabias?

- Ai é!

- Sim. Todos, por isso não é justo pensares mal de mim. Como é que achas que os navegadores descobriram tantos caminhos pelo mar?- Perguntou e esclareceu logo de seguida. – Foi com a minha preciosa ajuda.

- Pensei que eles se guiavam pelas estrelas e constelações.

- Mas, mas, meu caro senhor, os barcos estavam nos meus domínios. O mar. – Disse Neptuno, como se tivesse desembaraçado de uma armadilha – É isso mesmo. O mar. E quem manda no mar? Aqui este deus, sempre ao seu dispor.

- Por agora vou acreditar nisso que me estás a contar – Respondeu o jovem. – Mas parece que fazes coisas muito más e depois muito boas, é… é como se andasses de um lado para o outro, exactamente… é isso que penso.

- És mesmo desconfiado. – Acusou Neptuno. – Um dia vou a Terra e convido-te para visitares os meus domínios. Vou fazer melhor, as minhas estâncias de turismo estarão abertas só para ti.

- Combinado, Neptuno.- Aceitou o pequenote.

- Eu passava muito tempo nos mares da Terra, ninguém conhecia este meu planeta, não o viam como aos outros por onde já andaste. – Disse, acrescentando. – Mas um dia, um senhor muito inteligente, fez umas contas e descobriu-me! Já viste o meu azar? Eu muito sossegado e zás, papel e lápis e cá está tu. Nunca mais fiquei tranquilo e comecei a ter que vir mais vezes a este planeta azul.

- Mas, Neptuno, agora o mundo sabe que tens um planeta, não é fantástico? – Continuou o jovem. – Agora és bem mais conhecido, por seres dono dos mares e por estares no céu.

- Vistas as coisa desse modo, até pode ser verdade. – Concordou, pensativo. – De qualquer maneira é impossível, alguém viver aqui, é muito frio, gelado, por isso isto será sempre só para mim.

- És um bocado egoísta. – Criticou o Joãozinho. – Mas se isso te deixa feliz.

- Sim! Fico mais sossegado e feliz também. – Respondeu Neptuno. – Muito feliz, é isso.

- Repartir um bocado do que se tem é bonito. – Continuou o jovem a criticar.

- Repartir? Mas já reparti muito. Sabias? – Perguntou.

- Não. Mas diz-me o quanto és generoso. Ó Deus dos mares e tempestades – Provocou o pequeno astronauta.

- A Atlântida.

- A Atlântida. – Repetiu o Joãozinho

- Sim. Essa mesma. Sabes porque se chama Atlântida, grande sabichão?

- Não. Sei que existem muitas histórias sobre ela.

- Eu vou contar-te a verdade. – Começou Neptuno. – Chama-se Atlântida, em honra do meu filho Atlas que era muito forte, carregou o mundo nas costas. Apesar de gostar muito de Atlântida dei-a ao meu irmão Júpiter. Estás a ver? Sou ou não sou generoso?

- Pronto, não és mau de todo. – Reconheço, concordou o jovem. – Mas reparei que disseste, “ Chama-se Atlântida…” como se ainda existisse. Não me estás a contar tudo Neptuno.

- Sim! Estou. – Respondeu Neptuno atrapalhado. – Bom…Ainda existe, mas é um segredo que só os deuses podem saber… Desculpa mas não te posso contar onde fica.

- Mas eu estou curioso, esse mistério toda a gente na Terra quer descobrir. – Informou. – Se tu me contares eu serei o primeiro a saber e prometo que não conto a mais ninguém.

Neptuno, não se deixou convencer pelas súplicas do nosso herói.

- Não posso… Quem sabe… Talvez um dia, logo verei, mas agora não.

- Prometes que um dia me vais contar?

- Sim, um dia. Juro pelas minhas treze luas e Tritão que é a minha preferida.

- Adeus Neptuno.

- Adeus meu pequeno

PLUTÃO O DEUS FEIO

Planeta anão

 

A RAIO DE LUZ, avançava para a última etapa da viagem.

O nosso astronauta, cada vez mais longe de Terra, já se preocupava com o regresso, com os mapas do universo á sua frente, estudava o caminho que o levaria de volta  a casa.

“ A visita a Plutão, será rápida e então regressarei a casa, já tenho muitas saudades” Pensava, feliz pelo que tinha conhecido, mas de igual modo feliz pelo regresso. Os seus Pais, de quem não tinha noticias havia muito tempo estariam preocupados.

Perguntava-se de como os iria encontrar, como estariam eles, ou se ainda se lembravam dele ao fim de tanto tempo.

Plutão, foi difícil de encontrar, um planeta muito pequeno e longínquo.

Ao longe parecia que ia chocar com Neptuno, mas não, passavam um pelo outro imperturbáveis.

O silêncio era grande, só o barulho dos motores da RAIO DE LUZ se ouviam naquela zona do universo tão distante da Terra.

Joãozinho, preocupado com que sabia de Plutão. Neptuno, seu irmão tinha-lhe dito, que ele era um deus triste, nunca sorria e pouco disposto a brincadeiras.

“Mesmo nas festas, entre nós, ele quase não fala” contava Neptuno, e acrescentava “ Vais te assustar quando o vires, porque ele é mesmo muito feio, não sabemos a quem saiu”

Quando o viu Plutão ao perto, Joãozinho não conteve uma exclamação de surpresa.

- Ena! É mesmo pequeno, mais pequeno que a Lua.

- Olha viajante se vens para aqui para dizeres essa coisas o melhor é dares a volta – Refilou Plutão – Nunca te disseram que os deuses não se medem aos palmos?

- Nem os homens! – Disse João e apresou-se a desculpar. – Não te queria ofender.

- Mas se repares sou sólido, feito de rocha, bem conservado pelo gelo que aqui existe. A tudo isto podes somar quatro luas o que já me torna maiorzinho.

- Pois tens razão as luas também contam – Disse o astronauta, consolando-o – E depois é uma injustiça falarem tanto de quando ainda te conhecem tão pouco.

- Pois é, mas quando voltares para Terra, tens contar o que viste. – Pediu ansioso.

- Vou dizer o melhor acerca de ti – Prometeu Joãozinho. – Todos os homens inteligentes vão querer conhecer-te melhor.

- Já agora, pede também que parem de discutir se sou ou não um planeta – Disse aborrecido. – Sou um deus, tenho direito a um planeta mesmo que ele não seja muito grande, quer dizer médio, pequeno é que não.

- Tens razão, é isso que vou pedir a toda a gente. – Prometeu Joãozinho. – A primeira pessoa com quem vou falar, vai ser com o Sr. Nelo Braçoforte.

- Posso saber, quem é? – Perguntou Plutão

- É o meu professor, lá na escola onde ando. – Esclareceu o nosso astronauta. – É ele que nos ensina tudo, a escrever a contar e deixa-nos fazer desenhos, é mesmo muito inteligente.

- Está perfeito, é a pessoa ideal. – Disse Plutão animado. – Não te esqueças de falar de Caronte, Nix, Hidra e a S/2011, é que são as minhas melhores amigas, nunca me abandonam.

- Quem são?

- As minhas quatro luas. Já te falei delas – Respondeu Plutão.

- Pois é, já me esquecia, mas quando chegar vou lembrar-me.

- Adeus Plutão, vou de regresso á Terra, estou ansioso para ver os meus Papás.

- Adeus astronauta. Volta um dia para me contares novidades.

REGRESSO A TERRA

Destino: O meu quarto

“Tudo tinha de correr bem, não podia enganar-me em nada” murmurava Joãozinho “ Só tenho que passar por, Neptuno, Saturno, Júpiter, Marte, Lua e de seguida Terra”

A viajem, decorria rápida, algo lhe dizia que não se podia atrasar, “Tenho mesmo que chegar a horas, o Pai e a Mãe não gostavam que eu me atrase “

“ Temos que ser pontuais, filho, não podemos ter as outras pessoas á nossa espera”, diziam-lhe quando ele se distraia e se esquecia das horas.

Neptuno ao vê-lo passar, acenou-lhe com o seu tridente, Júpiter gritou-lhe adeus com o seu vozeirão, Marte ficou ainda mais vermelho, a lua… Essa sorriu-lhe.

- João, João. Acorda filho, é tarde e ainda estás na cama.

Acordou lentamente, esfregou os olhos e sorriu para a Mãe.

- Tarde? Mas acabei de chegar. Quanto tempo estive fora? – Perguntou.

- Ora meu amor, desce à terra, estiveste a sonhar outra vez com viagens para longe. – Disse a Mãe – E no espaço, adivinhei?

- Sim Mãe! – Gritou de contente. – Mas desta vez é verdade, eu viajei no espaço, tenho tanta coisa para te contar.

- Ora filho, mais logo, agora tens que te despachar – E avisou-o. – A carrinha da escola já está á nossa porta e sabes que o motorista não espera por ninguém, vá rápido, toca a despachar.

- Diz.me uma coisa Mãe, é importante. – Pediu aflito.

- Sim eu digo. O que é? – Respondeu a Mãe impaciente com a demora do seu filho.

- Quem é o menino que está sempre á mesa contigo e o Pai – Perguntou nervoso.

A mãe parou e olhou para ele intrigada, “ Que pergunta estranha aquela…” pensou e respondeu.

- Todos os dias? A todas as refeições?

- Sim Mamã. Responde?

- Tu, meu filho sempre tu, não temos outro menino em casa, por agora.

- Por agora?

- Bom, há uma novidade que eu e o Pai te queremos dar. Vais ter um irmãozinho ou uma irmãzinha.

- Eu sabia, eu sabia. Que bom Mamã.

Joãozinho saiu a correr em direcção à carrinha da escola que já o esperava. A Mãe olhava para ele sem saber o que pensar, interrogando-se “ Como é que ele podia saber?”

Quando entrou na carrinha escolar, olhou para o motorista, conhecia-o, mas de onde?

Quando ia a pedir desculpa pelo seu atraso o homem interrompeu-o.

- Não te desculpes, no outro dia ajudaste-me, lembras-te?

O Joãozinho, continuava a olhar para ele sem saber o que pensar.

- Não te lembras? – Insistiu. - Eu ajudo-te… Um carro puxado por cisnes brancos… Duma amiga tua a quem pediste para me trazer a Terra, então?

“Era mesmo, tinha-o encontrado sentado numa pedra na Lua, os amigos tinham-se esquecido dele” , recordou-se.

O homem sorriu, Joãozinho sentou-se na sua cadeira, com a cabeça a andar á roda, sorrindo “ Tinha mesmo viajado no espaço, sou um astronauta a sério”

 

Fim

 

 

 

 

 

 

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