VIP Membership

Casamento Blindado por Renato e Cristiane Cardoso - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

index-1_1.jpg

index-2_1.jpg

Folha de Rosto

Créditos

Casamento Blindado

Copyright Renato Cardoso e Cristiane Cardoso

Publisher Omar de Souza

Editor responsável Renata Sturm

Produção editorial Thalita Aragão Ramalho

Capa Metropolis

Copidesque Fernanda Martins

Revisão Vanessa Lampert

Magda Carlos

Daniel Borges

Diagramação e projeto gráfico Scintilla Lima

Conversão para ebook Singular Digital | Mariana Mello e Souza

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

C266c

Cardoso, Renato, 1945-

Casamento blindado: o seu casamento à prova de divorcio/Renato Cardoso e Cristiane Cardoso. -

Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2012.

ISBN 978-85-7860-339-7

1. Casamento - Aspectos religiosos - Cristianismo. 2. Vida cristã. I. Cardoso, Cristiane. II. Título.

12-2975. CDD: 248.4

CDU: 27-584

Thomas Nelson Brasil é uma marca licenciada à Vida Melhor Editora S.A.

Todos os direitos reservados à Vida Melhor Editora S.A.

Rua Nova Jerusalém, 345 – Bonsucesso

Rio de Janeiro – RJ – CEP 21402-325

Tel.: (21) 3882-8200 – Fax: (21) 3882-8212 / 3882-8313

www.thomasnelson.com.br

Dedicatória

A todos os casais que valorizam seu casamento o

suficiente para blindá-lo. E aos solteiros inteligentes,

que sabem que a prevenção é melhor que a cura.

index-5_1.jpg

Agradecimentos

Antes de tudo, ao inventor do casamento, Deus. Para os menos entendidos, criar

homem e mulher tão diferentes um do outro e pô-los para viver juntos pode parecer

uma piada de mau gosto. Mas Ele sabe o que faz, sempre. Somos gratos a Ele também

por ter-nos presenteado com a vida um do outro. Renato não seria Renato sem

Cristiane, que não seria Cristiane sem Renato. É difícil explicar.

Aos problemas que passamos em nosso casamento, que foram duros, mas bons

professores.

Ao Bispo Macedo e Dª Ester, talvez o casal mais sólido e feliz que conhecemos, e que

mais nos influenciou. Obrigado pelos ensinamentos, muitos dos quais permeiam este

livro.

A David e Evelyn Higginbotham, que nos ajudaram a desenvolver este trabalho no

Texas, sempre com ótimo insight.

A Vanessa Lampert, que pesquisou, revisou, leu e releu este livro mais vezes que

qualquer pessoa deveria ser permitida.

E a toda a nossa equipe e alunos do Casamento Blindado e da The Love School.

Vocês têm grande parte nesta obra. Alegrem-se conosco!

Renato e Cristiane Cardoso

index-6_1.jpg

Prefácio

“Defense! Defense!”

É provável que sua expectativa, ao começar a ler este prefácio, seja a de encontrar um

texto com várias referências ao basquete, esporte que me proporcionou muitas

conquistas, lutas, alegrias, conflitos e recompensas. Bem, para ser franco, quero falar

sobre outra área de minha vida que também me proporcionou muitas conquistas, lutas,

alegrias, conflitos e recompensas, porém muito mais profundas e marcantes: meu

casamento. E, para ser mais franco ainda: se não fosse pela solidez de minha união com

Cristina, é possível que eu tivesse bem menos para falar até no que se refere à minha

carreira como atleta.

Cristina e eu nos casamos há mais de trinta anos, e nos conhecemos há quase quatro

décadas. Sei que a frase é meio lugar-comum, mas não posso evitar e tenho certeza de

que você vai concordar: é uma vida inteira juntos. E imagine quanta coisa acontece no

percurso de uma vida. Dias de sol, agradáveis, clima gostoso, mas também dias de

chuva e até de tempestade. Só mesmo um relacionamento muito bem fundamentado

para resistir quando bate aquela ventania que destelha tudo.

Se fosse há quarenta anos, quando eu era muito mais ingênuo (só faltava acreditar em

coelhinho da Páscoa), podia dizer que basta o amor para resolver todos os problemas

em um casamento. É claro que ele é um elemento fundamental para qualquer união,

nenhum casal consegue ficar junto e feliz se o amor não existir, mas posso garantir a

você que há muitas outras coisas envolvidas no casamento.

Só isso para explicar como uma pessoa como minha esposa, Cristina, consegue abrir

mão de um diploma universitário, faltando apenas três meses para se formar, e se mudar

comigo para a Europa, onde fui jogar seis meses depois de nosso casamento. Foi ela,

aliás, quem segurou a barra naquelas primeiras semanas, quando o time em que eu

jogava começou mal o campeonato. Não importava quanto eu tivesse de treinar ou me

concentrar mais, Cristina nunca deixava a bola cair lá em casa. Sem ela, eu talvez

desistisse. Com ela, voltei de lá vitorioso, anos depois.

No basquete ( bom, acabei falando do basquete), um time que se preza só consegue

um bom resultado quando todos se preocupam com todos. Quem faz a cesta volta

também para marcar, para proteger o restante da equipe. Nos Estados Unidos, as

torcidas gritam: “Defense! Defense!” E descobri que funciona de um jeito muito

parecido no casamento. Quem ama avança, progride, conquista, mas também se

preocupa em proteger não só o cônjuge, mas a própria união. Já deixei de dar carona

para muitas fãs por respeito à Cristina. Não era só uma questão de preservá-la de um

constrangimento. Era também uma questão de preservar nossa união, nosso amor,

nosso relacionamento.

É por isso que fiquei muito feliz com o convite para prefaciar o livro de Renato e

Cristiane Cardoso. Já li alguns livros sobre casamento, ouvi falar de outros, mas é a

primeira vez que encontro um que vai ao cerne da questão: quem ama de verdade blinda

o casamento. E blindar é isso mesmo, colocar todas as defesas em funcionamento para

evitar que qualquer coisa comprometa a relação. Isso inclui não só os ataques externos,

mas também os internos, como as picuinhas por bobagens, as crises (e não tem jeito,

elas sempre aparecem), a falta de humildade para saber a hora certa de ceder por amor

(assim como bater o pé por amor), a incapacidade de se adaptar às virtudes e aos

defeitos do outro, as chantagens e os joguinhos emocionais... Uma lista imensa.

Renato e Cristiane aprenderam isso depois de anos de aconselhamento com muitos

casais, mas a melhor formação que tiveram foi a própria escola da vida. Foi assim que

descobriram o poder da blindagem, que se torna muito mais forte e sólida quando se

baseia em princípios e valores cristãos. E agora eles compartilham essas experiências e

orientações neste livro. É uma oportunidade espetacular tanto para quem acha que seu

casamento está vulnerável, e precisa de um escudo, quanto para aqueles que já

blindaram sua união e sabem como é importante reforçar a proteção. Leia e blinde seu

casamento também.

Oscar Schmidt

Maior jogador de basquete brasileiro de

todos os tempos, é casado com Cristina

e pai de Felipe e Stephanie.

index-9_1.jpg

Introdução

Ninguém se casa por ódio. Até hoje não encontrei alguém que tenha pedido outra

pessoa em casamento dizendo: “Eu te odeio! Quer casar comigo?” As pessoas se casam

por amor. Porém, o índice de divórcios continua aumentando a cada ano. Em alguns

países, como os EUA, metade dos casamentos acaba em divórcio. O Brasil está quase

lá. O ano de 2010 teve a mais alta taxa de divórcios já registrada: A cada três

casamentos, um foi desfeito. Vamos de mal a pior. Isso mostra que o “amor” que une as

pessoas não tem sido suficiente para manter o casamento. Imaginar que aquele amor

que vocês têm um pelo outro poderá não ser suficiente na hora da crise é assustador,

não é mesmo?

O problema não tem sido a falta de amor, mas sim a falta de ferramentas para resolver

os problemas inerentes ao viver a dois. As pessoas ingressam no casamento com

praticamente zero de habilidade em resolver problemas de convivência. Por alguma

razão, isso não tem sido ensinado em lugar algum — não com a clareza e praticidade

necessárias. Antigamente, esse ensino vinha dos pais. Quando os casamentos eram mais

sólidos e exemplares, os filhos tinham nos pais um modelo natural de como se

comportar em um relacionamento. Atualmente, os pais muitas vezes são um exemplo do

que não fazer...

Temos outro grande problema: a ignorância sobre o que é o amor. Já ouvi muitas

vezes de maridos e esposas frustrados: “O amor acabou. Não sinto mais o que sentia

por ele(a)”. Outros dizem que o casamento foi um erro, que casaram com a pessoa

errada, se precipitaram, ou se viram forçados a casar pelas circunstâncias, como no caso

de gravidez indesejada. Porém, na verdade, há muito mais gente infeliz no casamento

porque faz o que é errado do que por ter casado com a pessoa errada. As pessoas fazem

tantas coisas erradas no relacionamento e acumulam tantos problemas, sem nunca

resolvê-los, que o amor fica sufocado, esmagado e sem forças — isso quando não morre

antes de nascer. Os sentimentos bons acabam dando lugar ao rancor, à indiferença e

mesmo ao ódio.

Mas é possível resgatar o amor e até mesmo aprender a amar alguém que você nunca

amou. Note o que eu disse: é possível aprender a amar. O primeiro passo é saber que a

única maneira de se amar uma pessoa é conhecer mais a respeito dela.

Muitos pensam, erroneamente, que amor é um sentimento. Amor produz sentimentos

bons, sim, mas não é um sentimento em si. Se você vê uma pessoa pela primeira vez e

sente algo bom por ela, mas depois não aprende a amá-la por quem ela é, aquele “amor

à primeira vista” não permanecerá. Amar não é sentir. Amar é conhecer a outra pessoa,

admirar o que você conhece dela e olhar seus defeitos positivamente. Se nos dedicarmos,

podemos aprender a amar praticamente qualquer pessoa ou coisa.

Considere o caso de Dian Fossey, por exemplo. Na sepultura dela lê-se o epitáfio: “No

one loved gorillas more” (Ninguém amou mais aos gorilas). Dian foi uma zoologista

americana, famosa e respeitada por seus estudos sobre os gorilas da África Central. Por

muitos anos, até ser morta por caçadores ilegais, Dian viveu entre os gorilas nas

montanhas de Ruanda. Morava em uma cabana de madeira, em condições primitivas, e

dedicou mais de 18 anos de vida aos animais, a quem amava mais que tudo na vida.

Como foi que Dian começou a amar os gorilas?

Aos 31 anos, quando fez um safári na África, Dian teve o primeiro encontro com os

gorilas e os estudos de conservacionistas que trabalhavam pela preservação dos

primatas. Ali começou a descobrir mais sobre a espécie, seu comportamento, como se

comunicam, seus hábitos, sua dieta, a ameaça de extinção e muito mais. Dian é

creditada por desbancar a imagem que os gorilas tinham desde que o filme King Kong os

pintou como animais agressivos e selvagens. Seus estudos mostraram que, na realidade,

são “animais pacíficos, gentis, muito sociais, e com fortes laços familiares” – colocando-

os assim bem à frente de muitos homens... Meu argumento é que ela aprendeu a amar os

gorilas. Qualquer pessoa que ama algo ou alguém começou a amar pelo conhecimento

obtido sobre o alvo do seu amor. Há os que amam os animais, outros, as estrelas e

astros, outros, soldadinhos de chumbo, outros, arquitetura... Mas todos começaram a

amar a partir do estudo, do aprendizado, do conhecimento daquilo ou daqueles que

amam. Ninguém ama o que não conhece.

Infelizmente, muitos casais nunca aprenderam a se amar. Uniram-se devido a um

sentimento, uma paixão ou outra circunstância, mas não aprenderam a estudar,

explorar um ao outro e descobrir o que faz o outro feliz. Quando você não conhece bem

a outra pessoa é impossível amá-la. Você não sabe o que a agrada ou irrita, quais são

seus sonhos e suas lutas, nem o que ela pensa. Por esse motivo, provavelmente cometerá

muitos erros no relacionamento, o que provocará inúmeros problemas. Estes problemas

os afastarão, ainda que vocês sejam casados e tenham se apaixonado um dia.

Se você tem se perguntado:

• Será que ainda amo meu marido/esposa?

• Será que casei com a pessoa errada?

• Por que meu parceiro é frio comigo?

• Por que nos amamos, mas não conseguimos ficar juntos?

• Como posso ter certeza de que meu casamento vai durar?

• Como conviver com uma pessoa tão difícil?

• Por que nossos problemas vão e voltam piores?

• Casamento é só tristeza ou um dia vou ter alegria?

Anime-se! Você vai começar a aprender o amor inteligente e como ser feliz com seu

cônjuge ainda que ele (ou ela) seja um King Kong...

index-12_1.jpg

Os autores

Cristiane e eu nos casamos em 1991 e temos um filho adotivo. Eu vim de um lar

desfeito pela traição e pelo divórcio. Meus pais foram a razão de uma reviravolta que

aconteceu em minha vida quando eu tinha treze anos. Nessa época, uma série de

acontecimentos causou a separação deles, que foi muito traumática para mim. Senti

como se o mundo tivesse caído sobre a minha cabeça.

Considerava meu pai o meu herói, mas, quando tomei conhecimento de que ele havia

traído a minha mãe, entrei em desespero. Passei a questionar o porquê de tudo aquilo.

Queria a morte. Levado por esse sofrimento, conheci a fé e me converti ao Senhor Jesus.

Mais tarde, essa fé também alcançou meus pais e eles, depois de muitos anos de

sofrimento, tiveram suas vidas restauradas. Não aprendi a fé religiosa, mas uma que me

serve para resolver problemas. Por essa razão, decidi dedicar minha vida a compartilhar

o que aprendi, para ajudar pessoas a vencer suas dificuldades. Eu não podia guardar

comigo aquilo que literalmente salvou a minha vida e a dos meus pais.

Mais tarde, casei-me com a Cristiane. Sendo ela filha de pastor, compartilhava comigo

os mesmos objetivos. Tínhamos tudo para ter um casamento sem conflitos, mas não foi

tão fácil assim. Enfrentamos muitos problemas, dos quais falaremos adiante no decorrer

do livro.

Fortalecer casamentos, educar casais e solteiros e lutar para que menos casamentos

acabem em divórcio se tornou uma missão em minha vida. Hoje sei que a dor que senti

na minha adolescência com a separação dos meus pais, e mais tarde no meu casamento,

poderia ter sido evitada. Se meus pais tivessem tido acesso à informação que você vai ter

nesse livro, não teriam passado por tudo aquilo. Se Cristiane e eu soubéssemos antes de

casar o que você vai ler aqui, não teríamos feito um ao outro sofrer.

Infelizmente, as pessoas sofrem por falta de conhecimento. Hoje em dia existem

escolas para todo tipo de formação, mas não para casamento. Mesmo no meio cristão,

há muita teoria sobre o que é amor, namoro e casamento, mas na prática as pessoas de

maneira geral não sabem como agir. Os conhecimentos úteis e a educação matrimonial

são raros. Por isso, eis a dupla razão de nos dedicarmos a transmitir esses

conhecimentos aos casais: (1) para que noivos e recém-casados evitem cometer os erros

que podem comprometer o relacionamento e (2) para que os que já estão em um

casamento conturbado saibam como resolver os problemas e viver felizes.

Cristiane e eu falamos a partir das experiências pessoais em nosso casamento, e

também de anos de aconselhamento de casais. Como parte de nosso trabalho em quatro

continentes, já aconselhamos milhares de casais, desde adolescentes até sexagenários

(parece que depois dos setenta os casais se dão conta de que a vida é muito curta para

ficar brigando...) E devido à demanda, nosso trabalho com casais tem se acentuado

muito nos últimos anos.

No final de 2007, fomos trabalhar no Texas, nos Estados Unidos. Foi ali que nasceu o

curso “Casamento Blindado”, que agora resulta neste livro. Ali, nos sentimos impelidos

a compartilhar nossas experiências devido a este fato alarmante: de cada dez

casamentos, quase seis acabam em divórcio.

Os casais americanos que nos procuravam já tinham passado por vários

relacionamentos e continuavam com problemas. Muitos já estavam no terceiro, quarto,

até quinto casamento, e claramente não estavam aprendendo nada com a troca de

parceiros. Nós nos vimos na obrigação de ajudá-los, de passar para eles o que

aprendemos. Com os resultados, percebemos que, apesar de sabermos que nossas

experiências e ensinamentos não são a descoberta da pólvora, eles têm sido um poder

transformador na vida de muitos casais.

Creio que isso se deve à combinação única dos fatores que reunimos: (1) experiência

pessoal, (2) experiência com milhares de casais em quatro continentes, e (3) o uso da

inteligência espiritual. Deixe-me explicar brevemente este terceiro fator.

O casamento foi ideia de Deus. Foi Ele quem decidiu que o homem e a mulher seriam

“uma só carne”. Além disso, a Bíblia diz que “Deus é amor 1” , portanto, se queremos o

melhor funcionamento da vida a dois, é inteligente voltarmos às origens, onde tudo

começou, e à Fonte do amor. Por isso os ensinamentos que passamos são

fundamentados na inteligência de Deus, naquilo que Ele determinou que funciona. Não

quer dizer que este livro tenha por objetivo lhe converter, caso você não seja um cristão.

Não vamos tampouco ficar falando da Bíblia a todo o tempo, ainda que algumas vezes

inevitavelmente façamos referência a ela. Mas quero abertamente aqui dizer: sem a base

index-14_1.jpg

dos princípios determinados por Deus para um bom casamento, seus esforços em

construir um serão em vão. Temos visto que os casais que têm abraçado esse fato são os

mais felizes e bem-sucedidos em seus esforços de restaurar e manter seus casamentos.

Um fator adicional do grande sucesso de nossos ensinamentos é que nós focamos

nossa ajuda em dois pontos principais: resolver os problemas e prevenir que aconteçam

de novo. A maioria dos problemas matrimoniais é recorrente, portanto, não basta você

saber resolver o problema de hoje, é preciso cortar o mal pela raiz para que ele não surja

de novo lá na frente.

Estamos convictos, absolutamente certos de que se você ler esse livro com uma mente

aberta e estiver disposto a pelo menos tentar aplicar as ferramentas que vamos lhe

ensinar, terá um casamento sólido e muito feliz. Lembre-se: da prática vêm

os resultados.

Importante: Alguns capítulos terminam com uma sugestão de tarefa, para você

aplicar o que aprendeu. Não subestime o poder de executar estes exercícios. Cremos que

se você vai ler esse livro, é para ver resultados, e estes só vêm quando você coloca à

prova o que aprendeu. É tão sério que lhe convidamos a tornar seu esforço público.

Se você está em uma rede social, compartilhe seu comprometimento com cada tarefa

para que outros lhe motivem na sua jornada. Que tal começar agora? Poste em nossa

página facebook.com/CasamentoBlindado para que possamos acompanhar seu

progresso(temos também vídeos lá para lhe ajudar nas tarefas... confira!). No Twitter,

não se esqueça de endereçar a @CasamentoBlind e de adicionar a hashtag

#casamentoblindado!

1 João 4:8

index-16_1.jpg

Parte I | Entendendo o Casamento

PARTE I

Entendendo o Casamento

index-17_1.jpg

Capítulo 1 | Por que blindar seu casamento

Deputados mexicanos, preocupados com o aumento de divórcios no país, propuseram

uma nova lei: o casamento renovável. Eles acreditam ter criado a solução ideal para

evitar graves crises conjugais, traições e todos os desgastes do divórcio. A cada dois

anos, o casal pode avaliar a relação e decidir se quer continuar junto e renovar o

casamento ou se quer desistir e seguir cada um para o seu lado. Além da assinatura de

um contrato temporário, a proposta prevê ainda que os noivos se protejam contra um

hipotético cenário de divórcio. Para isso, decidem, antes de casar, quem ficará com a

guarda dos filhos e quanto cada um pagará de pensão alimentícia em caso de separação.

A proposta, que tramita no Congresso, tem amplo apoio dos mexicanos, que querem

acabar com os altos custos das separações e das pensões alimentícias. Afinal, as

estatísticas na Cidade do México são pouco animadoras no que diz respeito ao

casamento: cinco em cada dez uniões terminam em divórcio.

Se a lei passar, uma conversa como esta entre alunos na escola não será ficção:

— E aí, onde você vai passar as férias? — pergunta um garoto ao colega.

— Bom, depende. Se meu pai renovar o contrato com a minha mãe no final do ano,

vamos para a Disneylândia. Se não, vou ter que ver qual dos dois vai querer ficar

comigo, e pelas notas que estou tirando, provavelmente vão me mandar para a casa da

minha avó...

Não quero ser um portador de más notícias, mas aqui está um fato: o casamento

como instituição está falindo sob pesados ataques de várias forças na sociedade. O que

estão propondo no México é apenas um sintoma do que os governantes estão tentando

fazer para lidar com o alto número de divórcios. E não é somente lá. Não conheço nem

um só caso de algum país, alguma cultura ou sociedade no mundo em que o casamento

esteja sendo fortalecido, nem mesmo nas culturas tradicionais e altamente religiosas.

Nos Estados Unidos, o grande ditador da cultura para o restante do mundo, a maioria

dos bebês nascidos de mulheres de até trinta anos de idade já nascem fora do

casamento. Renomados sociólogos americanos também já argumentam que a figura do

pai não é necessária em uma família.

Dá para perceber para onde estamos caminhando?

Mesmo onde os índices de divórcio publicados são mais baixos, eles apenas escondem

a realidade: menos pessoas estão se casando, pois optam pela “união estável” e, por esse

motivo, quando se separam não é registrado como divórcio; e muitos dos que se

mantêm na relação — por falta de opção ou fortes pressões religiosas — seguem

infelizes.

Quando vejo essa realidade, fico pensando como as coisas estarão daqui a cinco, dez,

ou vinte anos. Será que a extinção do casamento terá sido consumada? Será que as

pessoas ainda acreditarão que casamento por toda a vida é possível? Serão os conceitos

de fidelidade conjugal e lealdade a uma só pessoa coisas apenas de museu e filmes

históricos?

Aqui vai um alerta aos que ainda não despertaram: As forças da sociedade conspiram

contra o casamento e a família — e seus ataques estão cada vez mais fortes.

A METAMORFOSE DO CASAMENTO

A mídia em geral (filmes, novelas, internet, livros etc.), a cultura, a política, as leis, as

celebridades, o ensino nas escolas e universidades — enfim, todos os maiores poderes de

influência na sociedade — estão se tornando (ou já são) predominantemente

anticasamento.

O que isso significa na prática?

• O número de casamentos diminuirá consideravelmente;

• A “união livre” ou “estável”, marcada por um conceito de que o compromisso

duradouro e absoluto não é possível, será mais e mais comum;

• Infidelidade e traições aumentarão (sim, ainda mais) e se tornarão mais

perdoáveis;

• Encontros casuais com terceiros apenas para fins de sexo serão mais aceitos;

• Homens e mulheres se tornarão ainda mais predadores;

• O homem passará a ser dispensável para mulheres que se verão mais

independentes;

• Mulheres oscilarão entre a descrença total no amor (e nos homens) e a busca pela

felicidade, à custa de sua própria desvalorização.

Note: tudo o que foi citado anteriormente JÁ ESTÁ acontecendo em nossa sociedade.

É a metamorfose do casamento, e o tempo apenas continuará acelerando esse processo.

Talvez você não possa fazer nada para reverter essa situação no mundo. Mas no seu

mundo, no seu casamento, você pode e deve. Não é uma questão de se o seu

relacionamento poderá ser atacado, mas sim de quando. A pergunta é: você saberá como

protegê-lo dos ataques quando eles vierem — se é que já não estão acontecendo?

CASAMENTO NA ERA DO FACEBOOK

Novos desafios, como, por exemplo, a internet, as redes sociais, as tecnologias de

comunicação como SMS e MSN, a proliferação da pornografia, a cultura

anticasamento, a facilitação do divórcio e o avanço da mulher na sociedade são apenas

alguns fenômenos recentes que afetam os casais no século 21. E muitos não estão

preparados para lidar com esses novos desafios. Os casais de hoje estão enfrentando

uma nova realidade, um mundo que seus pais não conheceram — aliás, nenhuma

geração antes desta conheceu.

Pergunte à sua avó quais os sinais que ela procuraria para detectar se o marido estava

tendo um caso, e provavelmente ela vai dizer que ficaria atenta a manchas de batom na

roupa dele, cheiro de perfume de mulher, e coisas do tipo. Hoje em dia, trair o parceiro

está muito mais fácil.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, já é um dos maiores destruidores de lares na

Grã-Bretanha. Segundo estudo divulgado pelo site especializado em divórcios Divorce-

Online, o Facebook é citado como motivo de uma em cada três separações no país.

Cerca de 1.700 dos 5 mil casos mencionaram que mensagens inadequadas para pessoas

do sexo oposto e comentários de ex-namoradas(os) no Facebook foram causas de

problemas no casamento.

Em 2011, a Associação Americana dos Advogados Matrimoniais (American Academy

of Matrimonial Lawyers) divulgou que o Facebook é citado em um de cada cinco

divórcios.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, foi lançada recentemente no Brasil

uma rede social exclusiva para pessoas casadas que “vivem em um casamento sem sexo

e querem encontrar outras pessoas na mesma situação”. Homens e mulheres

comprometidos são o alvo do site, que facilita uma “maneira discreta de ter um caso”.

Em menos de seis meses, o site já tinha mais de trezentos mil usuários no país, fazendo

do Brasil o segundo em número de usuários, atrás somente dos Estados Unidos, onde o

site já existe há alguns anos. O site oferece conta de e-mail privada e cobrança por

cartão de crédito que não aparece com nome suspeito no extrato — tudo para facilitar

os encontros casuais para sexo, sem deixar vestígios para o parceiro traído. O slogan do

site é: “O verdadeiro segredo para um casamento duradouro é a infidelidade.”

Chocante? Isso não é nada.

Você sabe qual é o negócio que mais cresce no mundo, com um faturamento maior do

que os de empresas como Google, Apple, Amazon, Netflix, eBay, Microsoft e Yahoo —

juntas? Chama-se pornografia. Em 2006, as rendas desta indústria foram de 97 bilhões

de dólares. Mais filmes pornográficos são feitos no mundo do que de qualquer outro

gênero, de longe. São em média 37 filmes por dia, ou mais de 13.500 por ano. O Brasil

é o segundo maior produtor desses filmes, atrás dos EUA. Um estudo reportou que sete

em cada dez homens de dezoito a 34 anos visitam sites pornográficos na internet. As

mulheres também, outrora mais constrangidas com esse tipo de atividade, têm buscado

cada vez mais a pornografia, muitas para tentar agradar o parceiro.

“Ah, mas graças a Deus somos cristãos e isso não nos afeta.” Não se precipite.

Uma pesquisa entre cristãos nos EUA revelou que 50% dos homens e 20% das

mulheres na igreja eram viciados em pornografia. Outra pesquisa somente entre pastores

revelou que 54% deles tinham visto pornografia nos últimos doze meses e 30% nos

últimos trinta dias.

Quem está imune?

HOMEM VS. MULHER – A BATALHA FINAL

Os homens, pela primeira vez na história da espécie, estão se sentindo deslocados e

perdidos dentro do casamento. Com o avanço da mulher em quase todas as áreas da

sociedade, ela se tornou sua concorrente em vez de ter o tradicional papel de

auxiliadora. O homem, que era o exclusivo caçador, provedor e protetor da família,

agora vê o seu papel dividido, e muitas vezes suplantado pela mulher. Ela se tornou

caçadora também.

A maioria das mulheres em um relacionamento atualmente trabalha e contribui no

orçamento familiar. Em muitos casos, a mulher até ganha mais do que o marido, e esta

tendência deve aumentar, considerando que em muitas faculdades do país já há mais

mulheres estudantes do que homens.

O que isso tem causado no casamento? Eis algumas consequências: a mulher tem se

tornado mais independente do homem, menos tolerante com as peculiaridades

masculinas, tem tomado decisões sem participá-lo e “batido de frente” com ele; o

homem, na tentativa de agradar a mulher, tem se tornado mais sensível, retraído na sua

posição no casamento, se sentido desrespeitado pela mulher, e às vezes descartável. Ou

seja, a mulher tem se tornado mais como o homem, e o homem mais como a mulher.

Bagunça e confusão total de papéis.

E não é só no campo de trabalho que a mulher avança e compete mais com o homem.

Um estudo da Universidade de São Paulo revelou um dado preocupante para os

homens casados. A traição feminina está crescendo assustadoramente, e quanto mais

jovens, mais elas traem. Das 8.200 mulheres entrevistadas em dez capitais do país,

apenas 22% das mulheres acima de setenta anos confessaram ter tido alguma relação

extraconjugal. O índice sobe para 35% para as mulheres entre 41 e 50 anos e atinge o

pico de 49,5% entre as de 18 a 25 anos. Ou seja, metade das jovens casadas trai o

marido. A saída da mulher de simples dona de casa para um papel mais ativo na

sociedade, na faculdade, no trabalho etc., a tem colocado em situação propícia à traição.

Some-se a tudo isso o fluxo constante de mensagens diretas e subliminares em nossas

mídias atacando as bases do casamento. Novelas, filmes, revistas, blogs, notícias, moda,

música, grupos e festas “culturais”... todos os canhões apontados e atirando sem trégua:

Para que casar? Um pedaço de papel não vai fazer diferença... Pega, mas não se apega...

Se não der certo, divorcie-se e case-se com outro... Homem e mulher é tudo igual... Não

existe amor, amor é fantasia. Casamento é uma prisão... Como pode aguentar a mesma

pessoa vinte, trinta, cinquenta anos? Nah, casamento é coisa do passado...

A cada dia, um novo argumento derrogatório e anticasamento é criado.

Se você preza o seu relacionamento e não quer se tornar mais uma estatística, blindar

seu casamento é fundamental para sua sobrevivência. É hora de defender e proteger o

seu maior investimento, antes que seja tarde demais. Vamos à luta.

index-22_1.jpg

index-22_2.jpg

Tarefa

Quais os perigos que ameaçam o seu casamento atualmente? Identifique essas ameaças para ter

em mente quais as áreas de seu casamento precisará fortalecer com maior urgência.

Espere! Antes de escrever sua tarefa aqui, pense se talvez vai querer emprestar ou dar este livro

para alguém depois de lê-lo. Acho que não vai querer que outros saibam de suas reflexões e lutas

no seu casamento... Então, uma sugestão é anotar suas tarefas em outro lugar, como uma agenda,

diário, ou mesmo no seu computador. Faça o que achar melhor, só achei que gostaria de considerar

isso.

index-23_1.jpg

Capítulo 2 | É mais embaixo

Se eu fosse uma mosca na parede da sua sala ou de seu quarto quando você e seu

cônjuge estivessem discutindo algum problema, o que eu veria? Talvez uma frieza no

falar, grosserias, um tom de raiva nas palavras, irritação, um interrompendo o outro,

acusações, críticas e coisas assim. Em um dia vocês discordam sobre a disciplina dos

filhos, em outro dia sobre o porquê de o marido aceitar uma ex-namorada no Facebook

dele, em outro sobre a interferência da sogra no casamento. A questão é que o

verdadeiro problema não é aquilo que você vê. O problema é mais embaixo.

O marido tem um vício, por exemplo. A esposa o vê praticando aquele vício e pensa

que aquilo é o problema. Ela se irrita, o critica, tenta conversar e pedir para ele mudar,

mas nada muda. Por quê? Porque o vício não é o problema. Há uma raiz, algo mais

profundo que causa aquele vício. Ela não sabe o que é, possivelmente nem ele. Mas os

dois discutem em círculos sobre aquilo que veem.

Os problemas visíveis são apenas como folhas, galhos e troncos de uma árvore. Já as

verdadeiras causas são menos aparentes, difíceis de detectar e entender. Porém, a única

razão dos problemas visíveis existirem é a raiz que os alimenta. Se não houvesse raiz, a

árvore não existiria.

Quando você descobrir a raiz dos problemas no relacionamento, entenderá por que seu

parceiro e você mesmo fazem o que fazem. A luta contra as folhas e os galhos dos

problemas diminuirá — e muito —, bem como será amenizado o ambiente desagradável

que costuma se formar entre vocês. A eliminação de apenas uma raiz ruim resultará em

muitos problemas solucionados de uma só vez — e de forma permanente! Tal é o poder

da mudança de foco. Saber focar a atenção e a energia no verdadeiro problema pode

transformar seu casamento, pois tudo, inclusive nosso comportamento, depende de

como olhamos, para onde olhamos, e como interpretamos o que olhamos.

Stephen Covey menciona um acontecimento em sua vida que lhe ensinou a

importância disso.

Ele conta que um dia estava no metrô, sentado, e calmamente lia o jornal. O vagão

não estava cheio, tudo estava calmo, e havia alguns assentos vazios. Na parada em uma

das estações, entrou um pai com dois filhos muito travessos e se sentou ao lado dele. Os

garotos não paravam. Pulavam, corriam para lá e para cá, falavam alto, e

imediatamente tiraram a paz de todos no vagão. O pai, sentado e com os olhos

fechados, parecia não ligar para o que estava acontecendo. Covey então não resistiu à

indiferença do pai e, irritado, virou-se para ele e perguntou por que ele não fazia alguma

coisa para controlar os filhos. O pai, parecendo notar a situação pela primeira vez,

respondeu: “É verdade, desculpe-me. Saímos agora do hospital onde a mãe deles acabou

de falecer. Eu não sei o que fazer e parece que eles também não...” Covey se desculpou

e passou a consolar o homem. Imediatamente, toda a sua irritação contra o pai e as

crianças desapareceu e deu lugar à empatia.

Mas o que transformou o comportamento do antes irritado Covey? Foi a maneira que

ele passou a olhar a situação. Antes da informação dada pelo pai, Covey apenas olhava

a cena pelas lentes de seus valores e princípios. “Como pode um pai permitir que os

filhos sejam tão mal-educados? Se fossem meus filhos...” Mas depois da informação, sua

maneira de ver mudou tudo. Note que não houve alteração nas pessoas: as crianças não

pararam de se comportar mal, nem o pai fez nada para controlá-las. Apenas a ótica da

situação mudou e, com ela, o comportamento de Covey.

Assim também é no casamento. Julgamos o outro, exigimos que ele mude, pois o

vemos pelas lentes de nossas próprias experiências, valores e conceitos. Mas todo esse

conflito acontece porque não entendemos nem atentamos para o que realmente está por

trás de cada situação. Por isso, uma das primeiras atitudes que você deve tomar para

transformar a realidade do seu casamento é mudar a sua ótica — para onde você olha,

como olha, e como interpreta o que vê. O desafio é saber para onde olhar, pois nem

sempre a raiz é tão fácil de identificar assim. Deixe-me ajudá-lo, usando outra analogia.

UMA SÓ CARNE, DOIS CONJUNTOS DE PROBLEMAS

Quando duas pessoas se casam, ambos trazem para o relacionamento os seus

problemas e questões pessoais. O que você não vê no convite de casamento perolado são

coisas como:

“João – viciado em pornografia, sofreu muito com bullying quando criança,

extremamente inseguro – vai se casar com Maria – que foi abusada na infância, uma

bomba-relógio ambulante, disposta a qualquer coisa para sair da casa dos pais.”

O histórico dos noivos não vem escrito no convite de casamento — aliás, em lugar

nenhum. Mas ninguém casa sem trazer a sua bagagem para dentro do relacionamento.

Por exemplo, no caso deste casal, João e Maria, dá para ter uma ideia do provável

futuro da união?

No dia do casamento você só conhece de 10% a 20% da pessoa com quem está se

casando — na melhor das hipóteses — e a maior parte do que você conhece é apenas o

lado bom. Isso porque a maioria de nós sabe esconder muito bem os próprios defeitos

quando está namorando. Digo “esconder” não porque queremos intencionalmente

enganar a outra pessoa, mas por ser um processo natural da conquista. Faz parte do

cortejo colocar toda a força em dar uma boa impressão de si mesmo ao outro. Você

sempre coloca a melhor roupa, mede as palavras, se afasta para soltar gases, sai para

jantar em um bom restaurante... De fato, a cena típica do restaurante ilustra bem esse

ponto.

Ele escolhe o restaurante que você gosta, vocês sentam à mesa e pedem a comida.

Entre olhares de admiração um pelo outro, sobram elogios para o cabelo e a roupa, e os

dois aproveitam aquele momento ao máximo. No final, ele paga a conta sem reclamar, é

claro, e vocês saem felizes.

Depois de casado, a cena muda um pouquinho. O jantar já é na mesa da cozinha, sem

muitos enfeites. Ele comenta algo sobre o arroz não estar do jeito que ele gosta. E você,

pela primeira vez, percebe que ele faz um barulho irritante com a boca enquanto

mastiga... sem contar outros barulhos acompanhados de odores não tão agradáveis. Ao

terminar, você nota que ele nem ao menos leva o prato à pia, que dirá lavá-lo... É aí que

você se pergunta: “Como é que eu fui casar com esta coisa?”

Bem-vindos ao casamento! Agora é que vocês começam a se conhecer de verdade. E

com o conhecimento desse “novo lado” do casal, vêm os problemas.

Por essa razão, insisto aos que ainda estão noivos que sejam bem transparentes e

abertos com respeito a personalidades e passados durante o namoro, a fim de diminuir

as surpresas lá na frente. Não fiquem encantados com a outra pessoa como se ela só

tivesse o lado bom. Namoro é um período para descobrir tudo sobre a pessoa com

quem você irá se casar. Coisas como o passado do pretendente, a família, a criação que

teve, o relacionamento que tinha com os pais etc.

Casamento não é o lugar nem o tempo para surpresas sobre a outra pessoa. Não é

depois de seis meses de casado que a esposa quer descobrir, pela ex-namorada do

marido, que ele tem um filho. Não é na lua de mel que a mulher deve explicar ao marido

que, devido a um abuso que sofreu na infância, tem dificuldade de se entregar a ele

sexualmente. Quanto mais vocês souberem a respeito um do outro, menos chance

haverá de surpresas desagradáveis.

Uma vez aconselhamos um rapaz que nos procurou determinado a deixar a esposa

apenas semanas depois de casado. A razão que ele deu foi que descobriu na lua de mel

que ela não era virgem, como o havia induzido a crer. Ele se sentia traído por ela ter

omitido esse fato e também tinha dificuldade de superar a dor emocional de pensar que

ela havia tido relações sexuais com outros homens. O que para muitos pode parecer

uma besteira, para ele foi razão suficiente para considerar a separação. Foi com muito

custo que conseguimos convencê-lo a perdoá-la e vencer as emoções negativas. Eles

permaneceram casados, mas seus primeiros anos de casamento foram marcados por

sérios problemas.

Não é que o passado negativo de alguém seja motivo para você não se casar com ele

ou ela. Quem não tem esqueletos no armário, que atire a primeira pedra... Mas é

imprescindível que você esteja ciente de como o passado de vocês pode afetar o presente

e o futuro.

Considere, por exemplo, o quanto um marido cuja esposa sofreu abuso sexual quando

criança terá de ser paciente e compreensivo com ela. Para saber como, e se poderá lidar

com isso, ele tem de estar ciente de todo o quadro.

Quando duas pessoas se casam, os passados de ambas também se juntam. E são eles,

esses passados, que determinam o comportamento de cada um dentro do

relacionamento. Por esse motivo, você não pode olhar somente para a pessoa com quem

você está hoje, ainda que vocês já sejam casados há anos. Você tem que saber quem é

essa pessoa desde a sua raiz, de onde ela veio, quem ela é, quais as circunstâncias e

pessoas que a influenciaram e a fizeram ser a pessoa que é hoje — e tudo o que

contribuiu para isso. Somente assim você poderá entender bem a situação e agir com

eficácia.

index-27_1.jpg

Capítulo 3 | A mochila nas costas

Imagine isto: noivo e a noiva estão no altar da igreja, vestidos a rigor diante dos

convidados. O oficiante conduz a cerimônia. Nas costas de cada um dos noivos, por

cima do vestido branco dela e do terno alugado dele, uma grande e pesada mochila.

Dentro da mochila de cada um está todo o seu passado, a bagagem que estão levando

para dentro do casamento, cujo conteúdo ambos começarão a descobrir muito em

breve: a criação e os ensinamentos que absorveram dos pais, as experiências antigas, os

traumas, o medo de rejeição, as inseguranças, as expectativas... Por isso, quem ainda

está se preparando para se casar deve agir como segurança de aeroporto: “Abre a mala

aí, quero ver o que tem dentro!”

Já vi muitos casais dizerem: “O seu passado não me interessa, só quero saber de nós

daqui para a frente.” Soa muito romântico, com certeza, mas essa atitude não vai

impedir que vocês tragam o passado para dentro do relacionamento presente. O seu

passado faz parte de você, é impossível se livrar dele. Mas é possível, sim, aprender a

lidar com ele, seja o que for. No entanto, se não sabem o passado um do outro, saberão

como agir quando ele se manifestar lá na frente no casamento?

Deixe-nos dar um exemplo pessoal de como essa bagagem afeta o casal já logo de

início.

5.6 SEGUNDOS DE LIBERDADE

Quando Cristiane e eu nos casamos, começamos a ter problemas devido à falta de

atenção que ela sofria de minha parte e as consequentes cobranças que me fazia. Seis

dias por semana eu ia cedo para o trabalho e retornava tarde da noite, cansado, e ainda

trazendo trabalho extra para terminar em casa. No sábado, nosso suposto dia de

descanso, eu voluntariamente voltava ao serviço pelo menos meio período pela manhã.

Por ser muito jovem, querendo me afirmar no trabalho, entendia que precisava me

dedicar.

Continuei trabalhando como quando era solteiro, mas não estava consciente de que

agora tinha uma esposa. Eu não tinha equilíbrio algum com respeito a trabalho e

família. Cristiane ficava em casa a maior parte do tempo, e quando eu chegava à noite,

ela vinha com aquela perguntinha: “Como foi o seu dia?” A última coisa que eu queria

falar àquelas horas era sobre o meu dia, pois estava exausto. Então eu respondia com

duas palavras: “Foi bom”. Ela, insatisfeita, insistia: “Aconteceu alguma coisa?” E eu lhe

dava mais três palavras: “Não, tudo normal.” Obviamente (não tão óbvio para mim

então), ela se sentia excluída da minha vida. Some-se a isso o fato de que eu só queria

saber de comer, terminar algum trabalho que tinha trazido para casa e depois cair na

cama, morto de sono. Eis aí uma receita perfeita para uma esposa infeliz.

Mas isso era só durante a semana. No sábado, era um pouco pior. Minha querida

esposa pensava: “Bom, pelo menos no sábado vamos sair.” Coitada. Como o principal

dia da semana no meu trabalho era o domingo, a minha preocupação no sábado era

planejar e aprontar tudo para o dia seguinte. Nas poucas horas que me sobravam na

tarde e na noite de sábado, eu queria apenas descansar; já ela, queria ir ao cinema,

passear. E como até deixava passar a minha falta de atenção durante a semana, no

sábado ela estava mais determinada: “Aonde a gente vai hoje?” “Vamos ver um filme?”

“Vamos almoçar fora?” “Vamos chamar uns amigos para sair?” E eu, com “aquela”

cara, dizia: “Você está louca? Não entende que este é o único momento que tenho para

ficar em casa e descansar?” Eu a achava extremamente chata, uma pessoa que não me

entendia. Minha defesa era: “Você sabia da minha carga horária antes de casar, sempre

foi assim, você é que está criando caso agora.” Realmente, meus dias e horários de

trabalho não haviam mudado. Só que eu me esquecia de que, quando namorávamos,

arranjava tempo no sábado à tarde para sair com ela. Quem havia mudado, na verdade,

era eu.

Cristiane:

Fui filha de pastor. Durante toda a vida estava ou dentro de casa ou da igreja.

Quando me casei, aos dezessete anos, foi como se minha mão direita estivesse

algemada à esquerda do meu pai, e ali no altar ele abriu a algema do pulso dele,

colocou-a no do Renato, a fechou novamente e passou a chave para ele. Foram 5.6

segundos de liberdade, cronometrados... É claro, no momento não parecia assim. Eu

pensava que quando me casasse, tudo mudaria em minha vida — até porque quando

namorávamos saíamos para passear, o Renato me ligava sempre, tirava um dia da

semana só para mim. Ele era super romântico, vivia me escrevendo cartinhas de

amor, e eu me sentia a rainha da cocada...

Porém, minhas expectativas foram por água abaixo. Primeiro, assim que nos

casamos, o Renato foi transferido para Nova York; lá eu fiquei longe da minha

família e de todas as minhas amigas. Fomos morar a uma hora de distância do

trabalho dele, o que tirava ainda mais do pouco tempo que passávamos juntos.

A exemplo de minha mãe, queria ser uma boa esposa para o meu marido, fazê-lo

muito feliz. Eu me dedicava muito ao lar, cuidava das roupas dele praticamente o

dia inteiro, cozinhava diariamente algo novo e sempre fazia questão de estar bem

arrumadinha para ele quando chegava à noite. Mas tudo isso era difícil, pois eu era

muito jovem e tinha acabado de sair da escola. A comida não saía bem, passava as

camisas de linho dele umas três vezes e, mesmo assim, não ficavam bem passadas,

os produtos de limpeza queimavam minha pele... enfim, pensava: “O Renato vai

chegar mais tarde e apreciar todo o meu sacrifício” – que nada! Ele não notava.

Renato foi meu primeiro namorado e era tudo o que sempre sonhei, mas fiz do

meu casamento um problema. Comecei a me entristecer, reclamar, chorar e cobrar

muito. E ele sempre dizia o mesmo, que ele era assim e eu deveria aprender a

conviver com o seu jeito, teria de me adaptar àquela vida. Eu só saía para ir à igreja

na quarta-feira e na sexta-feira à noite. Eram os dias mais interessantes da semana!

Não é de admirar que todas as outras noites, quando ele chegava em casa, eu o

esperasse ansiosamente — era o único amigo que eu tinha para conversar! Mas ele

não percebia minha necessidade e ficava quieto, cheguei ao ponto de achar que

meu marido não me amava mais.

Por inexperiência, por eu ser muito jovem e nunca ter tido outro relacionamento

antes, tudo era motivo de desconfiança. Às vezes chegava à igreja, via o Renato

aconselhando a uma mulher (parte do trabalho dele) e sentia ciúme. “Como pode

ele dar tanta atenção a pessoas que ele nem conhece e para mim, que sou sua

esposa e faço tudo por ele, não está nem aí?” Fazia esse tipo de comentário para ele

e pronto — meu marido se fechava ainda mais. Ele me dava o famoso “tratamento

de silêncio”, que às vezes durava três dias! Ele conversava normalmente com todo

mundo, sorria, mas comigo... Era como se eu não existisse. Aquilo, obviamente, não

me ajudava a lidar com todas as inseguranças que havia trazido para dentro do

casamento, pelo contrário, só ampliava ainda mais nosso problema.

A minha criação foi bem diferente da criação que ele teve. Na minha família,

falávamos abertamente tudo o que sentíamos, em qualquer situação. Eu, então, fazia

o mesmo em casa com o Renato, mas em vez de ele se chatear comigo, me dar um

fora e depois voltar ao normal, ele simplesmente não dizia nada, me lançava aquele

olhar de desprezo e deixava de falar comigo por dias. Essa diferença na forma de

lidar com nossas questões piorava ainda mais os conflitos, pois além dos problemas

do trabalho — em função das responsabilidades —, quando chegava em casa ele

enfrentava outros. Por tudo ser muito novo para mim e eu não ter ninguém para

conversar, queria nele um amigo, mas só conseguia um marido frustrado, que me

achava uma chata.

Quando eu mudei e parei de cobrar a atenção dele, vi o resultado. Ele passou a

fazer o que eu gosto e o que me agrada sem que eu pedisse. Hoje conversamos

bastante, somos melhores amigos e nos realizamos muito na presença do outro. Mas

apenas conseguimos fazer isso quando aprendemos a lidar com a bagagem um do

outro.

Eu percebia o ciúme dela e ficava irritado, mas não conseguia enxergar a raiz desse

sentimento. Não tinha ideia do que ela trazia na bagagem. Daí, quando ela me cobrava,

pressionava, ou acusava de algo, eu me fechava. Foi nesse momento que ela começou a

conhecer um pouquinho da minha bagagem, também.

Cresci vendo meu pai lidar com os problemas entre ele e minha mãe se fechando com

ela. Toda minha infância foi assim. Se minha mãe fizesse algo que o desagradasse, meu

pai a “punia” lhe dando um gelo. Dois, três, cinco dias. O mais longo, acredite se quiser,

foi de oito meses! Se dar gelo fosse competição, meu pai seria o campeão e recordista

isolado...

Eu odiava aquilo. Via ambos calados um com o outro, minha mãe tentando fazer as

pazes, procurando agradá-lo, e ele preso ao que havia acontecido — o que quase sempre

era uma bobagem. Aquilo criava um ambiente horrível também para nós, os quatro

filhos. Pensava comigo mesmo que jamais seria assim quando me casasse.

Porém, quando me casei, fazia exatamente o mesmo com a Cristiane. A experiência é

melhor professora do que a teoria, afinal. Eu sabia que o que estava fazendo era errado,

mas na prática só sabia fazer aquilo a que eu havia assistido em toda a minha infância e

juventude. Era o peso da minha mochila.

EXCESSO DE BAGAGEM

A verdade é que nós fazemos somente o que aprendemos. Eu não tinha uma referência

melhor do que aquela. Você acaba repetindo os erros dos seus pais, pois o

comportamento deles (não as palavras) foi a sua escola. Não gostava de ser assim, mas

era como se eu já estivesse programado para agir como o meu pai. Mesmo a Cristiane

me pedindo desculpas, eu não mudava meu comportamento.

No relacionamento nós temos que desaprender coisas ruins para então aprender coisas

boas. Temos que identificar os maus hábitos, aquilo que não funciona, e eliminá-los do

nosso comportamento, desenvolvendo novos e melhores hábitos. Reconhecer isso é

muito doloroso, mas imprescindível para a mudança.

Como você pode ver, logo no início do nosso casamento, Cristiane e eu tivemos

muitos problemas decorrentes das bagagens que trouxemos conosco. Eu não era uma

má pessoa, tampouco ela, mas a mistura das nossas bagagens não resultou em algo

positivo. Assim acontece em todos os relacionamentos. Todo ser humano traz em si sua

bagagem, seu conjunto de princípios, valores, experiências, cultura, visão de mundo,

opiniões, hábitos, passado, traumas, influências da família/escola/amigos, sonhos, e

muito mais.

Quando duas pessoas se juntam pelo casamento, a maior parte de seus problemas

provém de coisas em suas bagagens que conflitam entre si. Portanto, conhecer a outra

pessoa profundamente e descobrir as suas raízes é fundamental para compreender o

porquê deste ou daquele comportamento. E mais: conhecer e entender a si mesmo é

igualmente essencial, pois isso lhe ajudará a desenvolver maneiras de lidar com suas

próprias raízes e assim resolver as diferenças e conflitos.

Foi isso que aconteceu comigo e com a Cristiane. Anos mais tarde, passei a me dar

conta de nossas bagagens e a entender por que nos comportávamos daquela maneira.

Cristiane tinha a bagagem das altas expectativas da família perfeita de onde veio; a

imagem do pai exemplar; a insegurança de nunca ter tido um namorado (enquanto eu

vinha de um noivado rompido, antes de nos conhecermos); a infância e a adolescência

com praticamente zero de lazer e vida social. Tudo isso explicava por que a Cristiane

esperava tanto de mim, tinha ciúmes de mulheres por quem eu nunca me interessei,

exigia tanto a minha atenção e valorizava muito o fato de passear.

OS OPOSTOS SE ATRACAM

O interessante é que as bagagens dela entravam em choque frontal com as minhas. É

bem típico dos casais: os opostos se atraem, mas depois que casam, se atracam...

enlouquecem um ao outro.

Minha família era consideravelmente diferente da dela. Em casa éramos três irmãos e

uma irmã. Não tratávamos a pobrezinha assim, como posso dizer... com tanta

delicadeza. Éramos brutos. Minha mãe, sempre servindo a meu pai e a nós, raramente

exigia algo para si mesma. Vivia para ele e para os filhos. E meu pai... bem, esse já lhe

falei como era. O conjunto disso como pano de fundo me fazia achar a Cristiane um

tanto chata, exigente demais, pegajosa, que reclamava de barriga cheia — um chiclete no

meu cabelo. A imagem de uma mulher forte, gravada em minha mente pelo que

conhecia de minha mãe, uma mulher que aguentava tudo, não ajudava minha percepção

de minha esposa. Daí, a minha maneira fria e dura de tratar a Cristiane.

Outro pedacinho de minha bagagem: cresci no meio de mulheres. Tinha irmã, muitas

primas, muitas tias, amigas na vizinhança, amigas na escola, amigas na igreja e

namoradas aqui e ali. Eu não via nenhuma diferença entre ter amigos e ter amigas.

Depois de casado, isso não ajudou a raiz de insegurança na Cristiane. Tampouco a

minha maneira fria de ser com ela. Daí o ciúme.

E lá em casa, sempre fomos uma família de muito trabalho. Meu pai se levantava às

cinco da manhã até no domingo. Ele iniciou a mim e a meu irmão mais velho no

trabalho aos doze anos de idade. Trabalhar duro sempre esteve em nosso sangue.

Quando comecei a trabalhar na igreja antes de me casar, esse conceito aumentou, pois

agora não era mais por dinheiro, e sim para ajudar outras pessoas. Somado ao fato de