Cinco Raparigas de Santa Clara por Enid Blyton - Versão HTML

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Enid Blyton

Cinco raparigas de Santa Clara

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Enid Blyton

Título: Gémeas - Volume VI: CINCO RAPARIGAS DE SANTA CLARA.

Autora: Enid Blyton.

Tradução de MARIA ANTÓNIA CORREIA LEAL

Ilustrações de W. LINDSAY CABLE

EDITORIAL NOTÍCIAS LISBOA

Dados da Edição: Editorial Notícias, Lisboa, 1978.

Título original: FIFTH FORMERS OF ST. CLARE'S.

Género: Juvenil.

Digitalização e correcção: Dores Cunha.

Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destinada unicamente à

leitura de pessoas portadoras de deficiência visual. Por força da lei de direitos de autor, este ficheiro não pode ser distribuído para outros fins, no todo ou em parte, ainda que gratuitamente.

INTRODUÇÃO

Este livro, Cinco Raparigas de Santa Clara, é o sexto, e último, sobre as

histórias do Colégio de Santa Clara. Como os outros, faz completo sentido só

por si, mas será lido com mais interesse por aqueles que tiverem lido os outros

cinco livros, e estão já familiarizados com as respectivas personagens.

A série começou com o primeiro ano, depois foi seguindo, e termina agora

com as alunas do quinto ano, que vão passar para o último ano do colégio. As

raparigas são já nossas amigas, e com elas temos crescido e nos temos

desenvolvido... O seu carácter, as suas brincadeiras e partidas, as suas

conversas e gargalhadas são muito do nosso conhecimento, e é quase com um

sentimento de tristeza que eu, bem como os meus leitores, me despeço destas

velhas amigas do Colégio de Santa Clara.

Os outros livros são As Gémeas no Colégio de Santa Clara, As Gémeas

voltam ao Colégio, O Terceiro Período em Santa Clara, O Segundo Ano do

Colégio de Santa Clara, Claudina no Colégio de Santa Clara e Cinco Raparigas

em Santa Clara. Espero que toda a Colecção vos tenha agradado, como todas as

histórias que vos tenho contado.

ENID BLYTON

1

1 Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source com a intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar e também proporcionar aos Deficientes Visuais a oportunidade de conhecerem novas obras.

Se quiser outros títulos nos procure http://groups.google.com/group/Viciados_em_Livros, será um prazer recebê-lo em nosso grupo.

I

De volta para um novo ano

Antonieta fez soar a campainha de alarme.

O Colégio de Santa Clara estivera silencioso e vazio durante as oito

semanas das férias grandes. À excepção do barulho das vassouras e pincéis e do

toque de campainha de algum fornecedor, o local tinha estado muito calmo. O

gato do colégio tinha saudades das alunas e vagueava dum lado para o outro,

com um ar muito triste, durante a primeira e a segunda semana.

Mas agora tudo mudara. As camionetas do colégio subiam a encosta

cheias de raparigas risonhas e tagarelas. O Colégio de Santa Clara iniciava um

novo período de Inverno!

- Quem diria que estamos num período de Inverno? - observou Patrícia

O'Sullivan à sua gémea Isabel. - O sol está tão quente como no Verão. Ainda

podemos muito bem jogar ténis algumas vezes.

- Eu ainda tomo com certeza banho na piscina afirmou Roberta Ellis, cujo

rosto parecia ter ainda mais sardas do que costumava ter. - Espero que a piscina tenha hoje água nova para tomar banho depois do lanche.

- Oh! Roberta! Tens que andar sempre a jogar ténis, nadar, correr ou saltar!

- comentou Claudina, a francesinha. - As tuas sardas! Nunca na minha vida vi

tantas numa cara só! Tive muito cuidadinho com o sol durante as férias... não

apanhei nem uma sarda!

As outras riram-se. Claudina vivia aterrorizada com medo de ficar

sardenta... mas nunca uma sarda lhe aparecera no pálido rosto nem nas suas

mãos de cera.

As raparigas entraram no colégio subindo a correr as escadas tão suas

conhecidas, gritando umas para as outras e deixando as raquetas espalhadas

por toda a parte.

- Olá, Lida! Olá, Joana! Acolá está a Carlota que cada vez se parece mais

com uma cigana. Eh!, Carlota, onde passaste as férias? Estás tão escura como

uma cigana.

- Estive em Espanha - respondeu a Carlota. Tenho lá família. Diverti-me à

grande.

- Olhem a Marília... puxa! como está grande! exclamou a Isabel. - A Glória

cada vez parece mais um ratinho ao pé dela.

- Olé! - saudou a enorme e elegante Marília, subindo a escada. - Como

estão vocês todas?

- Olá, Marília, olá, Glória - corresponderam as companheiras. - Vocês

passaram as férias juntas, não passaram? Aposto que não fizeram outra coisa

senão nadar e jogar ténis!

Tanto a Marília como a Glória adoravam o desporto, e a Marília tinha a

grande ambição de ser treinadora de desporto no Colégio de Santa Clara

durante aquele período. Estivera no quinto ano durante os dois últimos

períodos, e a Ana Thomas, treinadora de desportos, tinha consentido que a

Marília a auxiliasse. Agora que a Ana se tinha ido embora, Marília teria a

oportunidade de ver satisfeitos os seus desejos, pois não havia no sexto

ninguém com capacidade para aquele lugar.

- Vamos espreitar a nossa sala de aulas - propôs Roberta Ellis. - Sei que ia

ser arranjada de novo durante as férias. Vamos ver como ficou.

Correram todas escada acima até à sala do quinto ano. Realmente estava

muito bonita, pintada dum amarelo cor de banana. A sala estava muito bem

iluminada, e o panorama que se avistava das janelas era encantador.

- Só ficamos aqui este período. Depois vamos para o sexto ano! - disse a

Lida. - Nem quero pensar que estamos no último ano! Lembro-me que quando

cheguei ao Colégio de Santa Clara achava que as do quinto e do sexto ano eram

umas senhoras. Mal me atrevia a falar-lhes!

- Espero que as alunas novas pensem o mesmo de nós... - comentou a

Joana. - A maior parte delas afasta-se de mim quando passo... parecem uns

coelhitos assustados!

- Este ano tenho uma irmã mais nova no segundo ano - informou

Claudina, a colega francesa.

- Veio comigo de França. Olhem, lá está ela. Chama-se Antonieta.

As raparigas chegaram à janela. Viram uma rapariga à roda dos catorze

anos, muito parecida com a branca Claudina, de cabelo escuro, em pé a olhar

para as outras. Parecia muito cheia da sua pessoa.

- Não queres ir lá abaixo para mostrar o colégio à tua irmã? perguntou

Patrícia. - com certeza que se sente sozinha e desamparada.

- Ah!, a Antonieta nunca sente essas coisas garantiu Claudina. - Basta-se a

si própria, como eu.

- Olhem, ali está Mam'zelle!

As raparigas viram Mam'zelle no jardim com um ar de ansiedade no rosto.

- Anda à procura da Antonieta - disse Claudina.

- Há dois anos que a não vê. Pobre Antonieta, vais-te ver doida com tanto

amor e tanta ternura! A minha tia vai achar a sua Antonietazinha tão

maravilhosa como a sua Claudina!

Mam'zelle era tia de Claudina, o que por vezes lhe era de grande

utilidade, e outras vezes lhe trazia desvantagens. Para Antonieta, naquele

momento, trouxe-lhe um certo embaraço. A francesinha tinha-se estado a

divertir, observando as excitadas raparigas inglesas a agarrar nos braços umas

das outras, fazer piruetas, a correr umas atrás das outras, comportando-se da

maneira comum a todas as colegiais, e a que a calma Antonieta não estava

habituada.

Depois, inesperadamente, uma avalancha cai-lhe em cima! Dois braços

rechonchudos quase a estrangulam, e uma voz alta e excitada despeja um

mundo de ternuras em francês nos dois ouvidos da rapariga, primeiro num,

depois no outro. Beijos sonoros lhe estalaram em ambas as faces, seguidos

doutro abraço que dificultou a respiração da Antonieta.

- Ah!, la petite Antonieta, mon petit chou – gritou Mam'zelle com quanta força tinha. As raparigas pararam todas de brincar e ficaram de olhos abertos a

olhar para a Antonieta e para a Mam'zelle. Riram-se. Era evidente que a

Antonieta não achara graça nenhuma àquela efusiva saudação em público.

Libertou-se da tia o melhor que lhe foi possível.

Avistou a irmã mais velha, Claudina, debruçada duma janela lá no alto,

rindo com gosto. Apontou para ela imediatamente.

- Querida tante Matilde, está ali a minha irmã Claudina à sua procura.

Agora que viu a tia a cumprimentar-me, está à espera que a vá cumprimentar a

ela também.

Mam'zelle olhou para cima e viu Claudina. Abraçada ainda à Antonieta,

acenou freneticamente e atirou beijos.

- Ah!, lá está a minha Claudina também! Espera aí Claudina que te vou

beijar.

Antonieta escapou-se e perdeu-se no meio das raparigas. Mam'zelle

dirigiu os passos para a porta que conduzia às escadas.

- Aqui vou eu, aqui vou eu! - gritava ela para Claudina.

- E eu fujo - murmurou Claudina empurrando as companheiras que

desataram a rir. - Mam'zelle vai-se ver atrapalhada este período com duas

sobrinhas no colégio.

E o que é certo é que quando Mam'zelle entrou, toda ofegante, na sala do

quinto ano, Claudina havia desaparecido.

- Perdi-a, mas hei-de encontrá-la! - exclamou Mam'zelle, sorrindo às

alunas do quinto ano que ali se encontravam.

- Ah!, estás de volta, Roberta... e tu, Ângela... e a Adelina... vocês todas,

minhas queridas filhas! Vão todas trabalhar muito para mim este período.

Mesmo muito, pois sabem que no próximo período passam para o último ano,

ou seja para o sexto ano. E olhem que é uma coisa muito solene!

A professora de francês abandonou a sala para ir à procura de Claudina.

As raparigas riram-se.

- Querida Mam'zelle! Não a esquecerei nunca, por muitos anos que eu

viva! - comentou a Lida. - As partidas que lhe temos feito... lembras-te daquelas garrafinhas de mau cheiro que tu tinhas, Joana? quando estávamos no quarto

ano? Chorei a rir, nessa altura, ao ver a cara da Mam'zelle quando o cheiro

chegou junto dela...

- Só há uma aluna nova este ano - disse Joana - na nossa classe, claro. Vi o

nome dela na lista que está lá em baixo. Chama-se Ana Maria Longden. E a

Felicidade Ray que transitou do quarto ano.

- Já não é sem tempo - observou Marília. - É mais velha do que a maior

parte das alunas do quinto ano. Tenho a impressão de que é um bocado tapada.

- Estás enganada - protestou Glória. - O que ela tem é um talento especial

para a música, e tu própria o tens dito muitas vezes, Marília. Não se importa

com coisa nenhuma a não ser com a música... as lições passam por ela como a

água que escorre das costas dum pato. É sempre a última em todas as

disciplinas, com excepção da música.

- A Miss Cornwallis é que vai ficar muito entusiasmada se a Felicidade

não prestar atenção senão à música - disse Roberta que estava informada de que

a professora do quinto ano era aquilo que as alunas chamavam entre elas “uma

autêntica fera. - Aposto que a Felicidade vai estudar mais Geografia, História e Matemática este ano do que no tempo todo em que tem estado no colégio!

- Há mais algumas alunas? - perguntou Marília.

- É engraçado que o nome da Alma Pudden está na lista das alunas do

quinto ano - observou Joana. Mas ela está no sexto ano, não está? Quer dizer,

quando ela veio, o ano passado, puseram-na no sexto ano... mas agora está no

quinto. Talvez a tivessem posto no quinto ano outra vez, por qualquer razão.

- Pois olha, gostava que assim não fosse - confessou Roberta. - Não me

entusiasma nada. É tão parecida com o nome... chouriça! Realmente faz-me

lembrar uma alheira. Gorda... pastosa e estúpida!

- O que ela tem é mau génio- declarou a Lida. Desconfio que não deve

estar muito satisfeita em voltar para o quinto ano...

A Vigilante apareceu à porta da sala, acompanhada duma rapariga alta,

delgada, com olhos pretos, e com um cabelo de um louro tão claro que ainda

mais fazia sobressair a cor negra dos seus olhos.

- Olá, meninas! - saudou ela sorrindo docemente para todas. - Estou muito

contente por terem voltado todas. Tudo boas raparigas. Agora vejam lá não se

lembrem de arranjar papeira, sarampo, bexigas, ou coisas do género! Trago-lhes

aqui a única aluna nova da vossa classe: Ana Maria Longden.

Ana Maria sorriu um pouco nervosa. Não era bonita, mas o cabelo louro e

o contraste dos olhos negros davam-lhe uma graça especial.

- Olá - murmurou ela com um certo acanhamento. - São todas do quinto

ano? Como se chamam vocês?

Lida, que era chefe de turma, fez rapidamente as apresentações.

Estas são as gémeas O'Sullivan, Patrícia e Isabel. Certamente só

conseguirás distingui-las daqui a meia dúzia de períodos... Esta é a Joana e esta a Roberta. Esta é fácil de conhecer pelas sardas! Cuidado com estas duas que

sabem mais partidas do que as outras todas juntas...

Ana Maria sorriu delicadamente. A Lida continuou, apresentando as

raparigas todas uma a uma.

- Esta é Dora, que é capaz de imitar este mundo e o outro. Não tarda nada

que não te esteja a imitar, Ana Maria!

Esta ideia não deixou Ana Maria muito entusiasmada. Dora pareceu-lhe

desajeitada e estúpida. Não viu os olhos inteligentes e a boca cómica da Dora,

que era uma actriz nata.

- Esta é a Carlota, morena como uma cigana! continuou Lida. Carlota riu-

se com o seu descaramento habitual.

- Deixa-me dizer-te, Ana Maria, que em tempos idos trabalhei num circo

como amazona - explicou Carlota. - A Ângela com certeza que te vai falar nisso,

mais cedo ou mais tarde, portanto achei melhor dizer-to já!

A Linda rapariga loira chamada Ângela corou, contrariada. Era verdade

que olhava para a Carlota com um certo desdém, e que sempre assim a olhara...

mas julgava que Carlota não pensara nisso durante os dois últimos anos.

Carlota tinha uma língua muito afiada e cortava sem dó nem piedade nas

pessoas de quem não gostava.

Lida continuou com as apresentações à pressa, na esperança de evitar uma

discussão entre a exaltada Carlota e a idiota da Ângela.

- Esta é a Ângela, o nosso sonho de beleza!

- Esqueceste-te de acrescentar “a fidalga” - censurou a maliciosa Carlota. -

A “fidalga” Ângela Favorleigh! A Ângela tem que ter o seu rótulo...

- Cala-te, Carlota - intimou Lida.

Ângela franziu a testa, fazendo com que a sua linda face se tornasse feia

por um momento. Depois sacudiu a cabeça e saiu da sala. Acabara por

compreender que a beleza e a riqueza não tinham a força do espírito agudo

duma Carlota. Ângela podia ser a mais bonita e a mais rica do Colégio, mas

Carlota derrotava-a sempre em qualquer discussão.

- Esta é a Pamela, a “ursa” da turma - apresentou a Lida, puxando uma

rapariga baixa, nada bonita, que era muito míope e usava uns óculos com umas

lentes grossíssimas. - Trabalha disparatadamente, mas ninguém é capaz de a

fazer parar.

Alguém espreitou à porta. Era Claudina que vinha verificar se a tia ainda

ali estava.

- Podes entrar. Mam'zelle continua à tua procura, mas para outros lados -

tranquilizou-a Carlota. Ana Maria, esta é a Claudina, a menina má da turma...

só trabalha naquilo de que gosta, consegue sempre o que quer... sem se

importar com os meios de o conseguir. Já aqui está há muito tempo, procurando

aprender aquilo a que chama “o sentido inglês da honra”, mas está ainda longe

de saber o que isso é!

- Ah!, Carlota, minha sacripanta! - indignou-se a bem humorada Claudina.

- Sempre a fazer troça de mim. Não sou muito boa mas também não sou tão má

como queres fazer crer.

Marília e Glória foram apresentadas, bem como a simples e calma Paulina,

que em tempos havia sido tão vaidosa como a Ângela, mas que tinha aprendido

à sua custa, e se tornara muito mais simpática.

- Pronto, está a turma toda apresentada - declarou Lida -, excepto a

Felicidade, o nosso génio musical, que vem do quarto ano mas ainda não

chegou, e a Alma Pudden, que desceu do sexto para o quinto. Também ainda a

não vi por aqui.

- Espero que tu não sejas nenhuma maravilha! disse Roberta, voltando-se

para Ana Maria. - com a brilhante inteligência da Pamela, a beleza da Ângela

que lembra uma estrela de cinema, e o génio musical da Felicidade, o quinto

ano já está bem fornecido de portentos! Espero que tu, Ana Maria, não passes

duma simpática rapariga vulgar.

- Pois olha que não sou... - murmurou Ana Maria, fazendo-se muito

vermelha. - Sou poetisa.

Seguiu-se um profundo silêncio. Uma poetisa! O que é que Ana Maria

quereria dizer com aquilo?

- Isso quer dizer que tu... escreves poesia, ou coisa assim? - perguntou

Roberta. - Oh! socorro!

- Quando se é poeta não se pode evitar de o ser - declarou Ana Maria. -

Nasci poetisa. Meu avô foi um grande poeta e a minha tia-avó foi uma grande

escritora. É um dom de família... suponho que nasceu comigo. Estou sempre a

fazer versos. A maior parte deles durante a noite.

- Socorro! - repetiu Roberta. - Temos tido coisas muito estranhas no

Colégio de Santa Clara... mas que me lembre, nunca houve nenhuma poetisa.

Tu e a Felicidade fazem uma rica parelha! Ela levanta-se altas horas da noite

para escrever música... tu levantas-te para fazer poemas! Bem... fazem

companhia uma à outra!

Outra rapariga espreitou à porta e as gémeas gritaram-lhe:

- Adelina! Onde tens estado? Anda cá para seres apresentada à nossa

poetisa.

Uma bonita e deliciosa rapariga entrou na sala, sorrindo. Era Adelina, a

prima das gémeas.

- Esta é a Adelina - apresentou Patrícia. - A nossa cabeça de alho chocho.

Não pensa senão no cabelo, na pele, se tem o nariz a brilhar... e...

Adelina teria franzido a testa ou desatado a chorar alguns períodos atrás,

ao ouvir tão franca apresentação, mas agora já estava calejada. Limitou-se a

ameaçar Patrícia com a mão, sorrindo amavelmente para Ana Maria.

- Põe-te alerta, Claudina, que a tua tia vem no corredor - preveniu ela.

- Desta feita não escapas - disse Lida. - Não tens outro remédio senão

aguentá-la... anda, vai, que isso dá prazer à Mam'zelle. Realmente ela. adora-te, mas não percebo por quê!

Mam'zelle entrou na sala, viu Claudina e atirou-se para cima dela.

- Ma petite, Claudina! Como estás tu? Como está o teu pai, a tua mãe, e

toda a família? Já vi a Antonieta. Pobrezita, parecia sentir-se tão só e tão

acanhada! Tenho no meu quarto umas bolachas e uns bolos para vocês...

venham comigo agora mesmo para os comerem na minha companhia.

Claudina deixou-se levar. As outras riram-se.

- Custa a crer que a Claudina esteja no quinto ano! Talvez que ela se

modifique, agora que está num ano tão elevado.

Mas isso seria a última coisa que Claudina tencionava fazer. A sua

maneira de ser mantinha-se, dizia o que lhe apetecia e fazia o que muito bem

queria, e assim continuaria pela vida fora. Era espantoso como tanta gente

gostava dela!

II

Salas de estudo privativas

Depois duma rapariga ter frequentado o quarto ano durante dois anos, era

costume no Colégio de Santa Clara concederem-lhe o privilégio de possuir uma

pequena sala para os seus estudos, que compartilhava com outra rapariga. Estas

salas eram muito pequenas e as alunas podiam, se quisessem, mobilá-las com

móveis seus, embora o colégio fornecesse mesas, cadeiras, uma carpeta e as

prateleiras.

A maior parte das alunas contentavam-se em trazer apenas uma ou duas

fotografias, umas jarras para flores, um pano para a mesa e um relógio.

Algumas eram mais ambiciosas e traziam uma carpeta de casa, e por vezes uma

poltrona.

As próprias raparigas escolhiam a companheira com quem queriam

compartilhar a sala. Geralmente não era coisa difícil, porque quando atingiam o

quinto ano já todas tinham feito as suas amizades, e era ainda no quarto ano

que planeavam com quem iriam compartilhar a sala de estudos.

O arranjo das salas era muito engraçado. Juntavam-se os respectivos pares

para participarem à Vigilante que iam compartilhar uma sala de estudos, e

então a Vigilante fazia a distribuição.

- Imaginem vocês com uma sala de estudos! dizia ela. - Deus meu! Parece-

me que ainda ontem estavam no primeiro ano, quando eu as castigava por me

não participarem que lhes doía a garganta!

Patrícia e Isabel O'Sullivan partilhavam da mesma sala, evidentemente.

Marília e Glória iam para a mesma sala também. Ângela convidara a Adelina

para a sua. As duas amigas tinham gostos igualmente requintados.

- Desconfio que a vossa sala não terá senão espelhos a toda a roda... - disse

Roberta para a Adelina. Todas diziam que ela não podia passar por um espelho

sem olhar para ele, e até para os vidros das molduras com fotografias, para ver

se tinha o cabelo em ordem.

Roberta e Joana compartilhavam da mesma sala. Ambas eram arrapazadas

e adoravam fazer partidas. Quantas partidas iriam ser maquinadas na sua sala

de estudo!

Um par estranho era constituído pela Pamela Boardman, a “ursa” da

turma, e Dora Edward, que ficava quase sempre em último lugar. com toda a

sua extraordinária habilidade para representar e fazer imitações, Dora era

incapaz de estudar as lições como deve ser, e tinha uma profunda admiração

pela inteligência da Pamela. Por vezes, Pamela tentava ajudar a companheira, e

uma grande amizade nascera entre as duas, o que levara Dora a sugerir ficarem

ambas na mesma sala. Pamela já tinha saído uma vez do Colégio de Santa

Clara, mas as saudades tinham sido tantas que os pais a tinham posto ali

novamente.

A solitária Pamela, que nunca tivera uma verdadeira amiga, acolheu

imediatamente a ideia de compartilhar a sala de estudos com a Dora, que a

fazia rir, pondo os seus óculos e imitando-a para a arreliar. Mas era muito boa

para Pamela.

- Com quem fica a Carlota? - perguntava Patrícia. - Talvez com a Lida.

Entendem-se as duas muito bem.

Mas não. A Lida, como chefe de turma, tinha a honra de ter uma sala só

para si, e portanto Carlota não podia ficar com ela. Resolveu escolher a

Claudina!

A Vigilante tinha sérias dúvidas de que elas se entendessem.

- Vocês vão exercer uma péssima influência uma na outra. São ambas mais

descaradas e descuidadas que imaginar se possa. Não sou capaz de imaginar a

parelha que vocês farão na mesma sala de estudos. Mas tomem sentido... se

houver algum móvel partido ou a informação de que vocês andam à bulha,

voltam imediatamente para a sala das alunas do quarto ano.

- Oh!, senhora Vigilante, quem lhe disse que somos desordeiras? -

perguntou Claudina com o seu ar mais inocente. - Sou capaz de manter a nossa

sala muito bonita, mesmo muito bonita. Não bordei durante as férias duas

toalhas de mesa, e três almofadas para a nossa sala?

Ana Maria e Felicidade tinham que ficar na mesma sala, embora a

Felicidade não tivesse estado dois anos no quarto ano, e a Ana Maria fosse uma

aluna nova. A Vigilante não desejava que fossem elas as únicas que não

tivessem a sua sala de estudos.

- Dois portentos juntos - comentou Roberta, rindo.

- Vão passar horas e horas a escrever música e a fazer versos pela noite

fora!

Ninguém havia convidado Paulina para compartilhar da sala de estudos, e

ela não tinha por sua vez uma amiga para convidar. Era uma rapariga de quem

ninguém gostava muito, porque era invejosa, e tinha sido uma gabarola até as

outras descobrirem que todas as suas maravilhosas histórias eram inventadas.

A partir dessa altura metera a viola no saco, e ninguém sabia como era a

verdadeira Paulina.

- O melhor é ficares com a Alma Pudden - lembrou a Vigilante, riscando o

nome delas da lista. Não há mais ninguém.

- Oh! - fez Paulina, desolada.

Não gostava muito da Alma. Ninguém gostava. Era tão gorda, tão pesada,

e tinha tão mau feitio! Mas não havia mais ninguém, e assim ficaram as duas

juntas.

- Bem, estão todas arrumadas - disse a Vigilante, fechando o livro. - Todas

conhecem o regulamento das salas de estudo, não é verdade? Podem lá tomar

chá sozinhas, se não quiserem ir à sala de jantar. Podem chamar alguma aluna

do primeiro ano, ou do segundo, para lhes fazer algum pequeno trabalho que

desejem seja feito. Podem preparar ali as vossas lições à noite, e podem ir para a cama quando lhes apetecer, desde que não seja depois das dez.

As raparigas sentiram-se livres e independentes, por ter uma salinha só

delas. As salas de estudo eram uns cantinhos confortáveis, uma espécie de

pequeno lar. Podiam ser arranjados ao gosto delas, e os fogões de sala podiam

acender-se para se sentarem confortavelmente junto deles.

Claro que a Ângela mobilou a sala dela como se fosse um palácio em

miniatura. Retirou todo o mobiliário do colégio e fez com que a mãe lhe

mandasse as coisas do quarto dela. Foi à cidade com a Adelina e divertiram-se

imenso a escolher tecido para os cortinados, almofadas e tapetes.

Tudo aquilo custou uma data de dinheiro. Adelina não tinha muito, mas

Ângela tinha recebido magníficos presentes em dinheiro dos tios e tias ricas

durante as férias, e tinha-os guardado para a sua sala de estudos. Gastou à

larga, e não deixou ninguém entrar na sala senão depois de pronta.

Nessa altura ela e a Adelina deram uma festa de “inauguração”, segundo

elas lhe chamaram. Tinham encomendado bolos e sandes no padeiro, e

comprado limonadas e cervejas. A mesa estava cheia de comestíveis e a lareira

estava acesa, apesar do dia estar muito quente.

As outras entraram todas, cheias de curiosidade. Admiraram os espelhos,

os quadros, os móveis polidos, as duas poltronas e os lindos tapetes.

Apalparam os cortinados de seda e ficaram maravilhadas com os belos

crisântemos que estavam nas jarras.

- Sim, senhor! - exclamou Roberta. - Esperem-lhe pela pancada assim que a

Vigilante vir isto! Vai logo dizer à miss Theobald que tu tens dinheiro a mais

para gastar, Ângela!

- Não acho que a Vigilante tenha alguma coisa a ver com isso - ripostou

Ângela, toda empertigada. Tanto Adelina como eu achamos que não há no

Colégio de Santa Clara conforto nem beleza... pelo menos tanto como nós

estamos habituadas em casa... e agora que temos uma sala só para nós, não sei

por que não havemos de a arranjar ao nosso gosto. Não gostas dela, Roberta?

- Bem... para o meu gosto está um bocado espalhafatosa - respondeu

Roberta. - Vocês sabem que eu gosto de coisas simples. Mas a verdade é que

está muito bonita, Ângela, e este chá está uma maravilha!

As outras alunas puseram nas suas salas aquilo que lhes apeteceu.

Claudina pôs em evidência as suas toalhas de mesa e as almofadas. Carlota pôs

umas coisas que trouxera de Espanha. Especialmente havia uma coisa que dava

à sala muita cor e carácter: um xale vermelho escuro, todo bordado, que viera

de Sevilha.

A única sala absolutamente simples e sem qualquer cunho pessoal era a da

Paulina e da Alma. Nenhuma delas tinha gosto nem muito dinheiro, e com

excepção duma jarra azul trazida pela Paulina e um abafador para bule, da

Alma, tão rechonchudo como ela própria, a sala delas estava tão despida como

durante as férias.

Alma Pudden tinha um nome muito infeliz. Não teria importância alguma

se ela não tivesse realmente uma semelhança tão flagrante com uma chouriça...

A sua bata do colégio parecia sempre um saco atado, pelo medo, e tinha uns

olhos que mal se viam, enterrados na cara redonda de lua cheia.

Foram as alunas do quinto ano que lhe puseram a alcunha de “Chouriça”,

que ela detestava, o que não é de admirar... Se ela se tivesse rido, e dito “Sim, realmente pareço mesmo um chouriço de sangue... mas garanto-lhes que vou

emagrecer!”, talvez que as outras lhe tivessem achado graça e lhe chamassem

chouriça mais por afeição do que por troça. Mas a Alma toda se irritava quando

a arreliavam.

Tinha muito mau feitio. Não era daquelas que se exaltam facilmente, mas

que depressa lhes passa, como a Carlota e a Joana. Era fria e má, nas suas

zangas. Ninguém gostava dela.

A pobre Paulina achava uma maçada ter de compartilhar a sala de estudos

com a Alma. Raras vezes a Alma fazia uma observação inteligente, e apesar de

queimar as pestanas a estudar as lições, raramente conseguia boas notas. Era

egoísta, sentava-se sempre na cadeira mais confortável, e servia-se sempre de

mais bolos do que Paulina.

Felicidade e Ana Maria achavam difícil viver nu mesma sala de estudos.

Para a Felicidade não havia nada no mundo senão a música, e andava sempre a

cantar ou a experimentar novas canções no violino, quando Ana Maria desejava

trabalhar ou escrever.

- Felicidade! Tens que tocar essa horrível canção outra vez? - perguntou

Ana Maria. - Estou a ver se consigo emendar o último verso deste poema.

- Que poema? O que estavas a fazer a semana passada? - inquiria

Felicidade. - Pois olha que é um poema desgraçado... palavras sem sentido. És

uma poetisa das dúzias. Para que hei-de parar com a minha música, para tu

escreveres versos de terceira classe?

Felicidade não queria ser malcriada nem magoar a companheira. A

música, para ela, era uma “ideia fixa”, como dizia Roberta. Trabalhava duro

para obter uma elevada classificação no exame final, o L. R. A. M. para o qual

era ainda muito nova. A Directora do Colégio, Miss Theobald, não queria que

ela se preparasse para esse exame, e já tinha prevenido os pais da Felicidade de que a rapariga devia viver uma vida vulgar, interessar-se pelas coisas próprias

da sua idade.

- Não vive senão para a música - explicou Miss Theobald aos pais da

Felicidade, quando uma vez eles a foram visitar. - Por vezes dá-me a impressão

de que não vive neste mundo! E isso é péssimo para uma rapariga. Já tem muita

idade para estar no quarto ano, e contudo está longe de estar apta para

frequentar o quinto. Mas achei melhor colocá-la no quinto, onde as raparigas da

sua idade puxarão um pouco por ela. Gostaria que os senhores lhe dissessem

para desistir desse exame de Música, tão difícil, por um ou dois anos. Tem tanto tempo na frente dela!

Mas os pais da Felicidade tinham demasiada vaidade no talento da filha,

para desistirem do exame. Como era maravilhoso ter uma filha que seria a mais

jovem rapariga a passar nesse exame!

- Ponha-a no quinto ano, se assim o entender, Miss Theobald - respondeu

o pai de Felicidade. Mas não a deixe abrandar os seus estudos musicais. Isso de

maneira nenhuma. Disseram-nos que é um génio, e um génio deve ser ajudado

e encorajado por todas as formas.

- Com certeza - concordou a Directora -, desde que estejamos certos de que

os nossos processos de encorajamento são racionais. Não concordo com um

trabalho musical tão árduo, numa rapariga tão nova, quando há outras matérias

absolutamente essenciais que forçosamente tem de negligenciar.

Mas não servia de nada falar aos pais da Felicidade desta maneira. A sua

filha era um talento, e esse talento tinha de ser cada vez maior! E assim

Felicidade deu entrada no quinto ano, para estar no meio de raparigas da sua

idade, embora os seus conhecimentos estivessem bastante abaixo do nível da

sua turma, e contudo tinha que trabalhar a sua música mais do que nunca.

Felicidade não gostava nem desgostava da Ana Maria. Estava ali, tinha

que a suportar; desde que ela não interferisse demasiado com a sua música,

Felicidade quase não dava pela sua companheira de estudos.

Mas Ana Maria tinha inveja da Felicidade e do seu indiscutível talento.

Ana Maria estava convencida de que também era um génio. Seus pais disso

estavam convencidos também. Tinham os versos dela encaixilhados e liam-nos

às visitas, que por delicadeza não diziam o que deles pensavam, e procuravam

arranjar quem os publicasse.

Não percebiam por que razão as raparigas do Colégio de Santa Clara

pareciam não ligar qualquer importância aos seus lindos poemas. Havia aquele

que começava:

Para as compridas sendas do Futuro

Olham meus tristes, lacrimosos olhos,

Apenas na Ângela e na Alma haviam feito uma certa impressão. Nenhuma

delas era suficientemente inteligente para distinguir um bom dum mau poema,

e não viam a falta de sinceridade e a pretensa inteligência daquele pretensioso

poema.

- O que é que isso significa - quis saber Carlota.

- Devo ser muito estúpida, mas não percebo uma só palavra. Por que estão

tristes e lacrimosos os teus olhos? Tens assim tanto medo do futuro? Sim, não

me admira, se pensas ganhar a vida a fazer versos! Não arranjas muito

dinheiro...

- Isso é um disparate - criticou Roberta. - Escreve aquilo que realmente

sentes, Ana Maria, e talvez tires da cabeça alguma coisa de jeito. Isso não passa de presunção... queres fazer-te passar por uma mulher já feita, quando não és.

O facto do seu talento não ser reconhecido, foi um verdadeiro

desapontamento para Ana Maria, sobretudo porque toda a gente concordava

em que Felicidade era grandemente dotada.

No entanto, duma maneira geral as companheiras de estudos entendiam-

se muito bem, algumas melhor do que outras, evidentemente. As gémeas raras

vezes se zangavam, e como tinham gostos muito semelhantes, o compartilhar

da mesma sala de estudos era para elas um verdadeiro prazer. Roberta e Joana

davam-se lindamente também, bem como a Marília e a Glória.

A princípio custou-lhes a habituarem-se a chamar as mais novas para lhes

fazerem os pequenos serviços. Mas no fim de contas era uma boa ideia. Muitas

das alunas do primeiro ano, por exemplo, tinham sido as primeiras, as mais

importantes, na escola primária, e fazia-lhes bem sentirem-se caloiras, noutra

escola, tendo, por vezes, que andar a correr para fazer os recados das raparigas mais velhas. As gémeas lembravam-se como, a princípio, haviam detestado

isso.

- Achávamos que era uma ofensa à nossa dignidade acender os fogões de

sala, lembras-te? - perguntava Patrícia à Isabel, quando atiçava o lume que uma

das do primeiro ano acabava de lhes acender. - Fez-nos muito bem! Éramos tão

emproadas... achávamo-nos tão importantes! Tiraram-nos as peneiras todas!

- Precisamos de conviver com as alunas do primeiro ano - disse Isabel. -

Conversam connosco quando vêm fazer-nos alguma coisa. Já gosto muito de

algumas delas. Há uma ou duas com muita habilidade para jogos. São

espertíssimas.

- A Ângela abusa do trabalho das caloiras - comentou Patrícia, franzindo a

testa. - Tanto ela como a Adelina estão sempre a mandá-las fazer coisas. Deram-

lhes um bocadinho de poder e elas abusam da situação.

- Temos que lembrar à Lida para lhes dizer duas coisas - sugeriu Isabel,

abrindo a boca - Meu Deus! São dez menos cinco. Anda daí, temos que ir para a

cama. Não é bom irmos para a cama só quando nos apetece?

- Desde que não seja depois das dez! - disse Patrícia, imitando a voz da

Vigilante. - Despacha-te, senão vamos depois das dez!

III

A nova professora de Inglês

Neste período havia muito mais alunas novas nas turmas do primeiro ano

do Colégio de Santa Clara, e Miss Theobald resolveu contratar uma professora

extra, para tirar algum trabalho de cima das outras professoras.

E assim, para bem de todas as raparigas, apareceu Miss Willcox. Esteve

presente na assembleia do segundo dia, e os seus olhos doces olharam à sua

volta.

- Chama-se Miss Willcox - segredavam as alunas umas às outras. - É muito

inteligente. Vai dar lições de Inglês. É escritora! Publicou um livro de versos.

As raparigas olhavam todas para Miss Willcox com pavor. Achavam que

para se escrever um livro era preciso ser-se muitíssimo inteligente. Miss Willcox por sua vez olhava para as alunas com uns olhos distantes e sonhadores. Em

que estaria a pensar? Certamente noutro livro.

Era sempre emocionante ter uma professora nova. Como seria ela nas

aulas? Rigorosa? Bem disposta? Maçadora? Seria boa para se lhe fazer uma

meia dúzia de partidas?

- Tenho a impressão de que deve ser pessoa com muito interesse - disse

Adelina. - Estou mesmo convencida disso. Acho que tem o ar de quem está

sempre a pensar coisas belas.

- Se calhar está a pensar no que será o almoço...

- sugeriu Roberta. - Desconfio sempre das pessoas que parecem sonhar

acordadas. Ana Maria dá por vezes essa impressão, e sei muito bem que metade

do tempo está a pensar se a Felicidade se teria lembrado de arranjar bolos para