Conceitos Básicos de Filosofia e Política no Século XXI por Volmer Silva do Rêgo - Versão HTML

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de um tolo

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Apontamentos básicos de Filosofia para o iniciante

Volmer Silva do Rêgo

(Volmer de Recife)

1ª. Edição – 2005

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(CIP) – Dados internacionais de catalogação na publicação

©Copyright desta edição – 2014

Silva do Rêgo, Volmer – Recife, PE 1960.

CBJE – Câmara Brasileira do Jovem Escritor.

1ª Edição – RJ – 218 pgs

– todos os direitos reservados.

1. F I LO S O F I A 1. Título

ISBN: 9 788541304375

Contatos com o autor – e-mail: provolmer@gmail.com

É permitida a citação ou uso de partes do texto deste livro desde que citada a

fonte.

Agradecimentos aos colegas professores, em especial ao professor Adriano

Pires de Carvalho.

Edição – Pesquisa - Projeto gráfico –

Capa - Coordenação e Direção:

Volmer Silva do Rêgo

SUMÁRIO

Prefácio – .............................................. . . . . . ... . . ................................ 9

Iª. Parte - ........................................ . .. . . . . . .......................................... 17

Usos atuais da filosofia.

Sobre Poesia, Mito, Religião e Ciência teórica.

IIª. Parte - ...................................... . . . . . ....... ....................................... 71

Egito – Grécia – Judeia - Roma

As trocas e influências.

Roma – berçário da civilização Ocidental

A Igreja e o poder.

IIIª. Parte - .............................................. . . . . ... . . ................................ 97

Cultura e Civilização. Os eixos do pensamento ocidental.

Grécia – berço da civilização ocidental

Pré-socráticos (conceitos da natureza)

Ethos – Logos - Pathos

Filósofos físicos

Escola Jônica

Eleatas

Atomistas

Sofistas

Os três grandes:

Sócrates – A questão do ser na Pólis

Platão – Alma – Eros – República.

Aristóteles – A ciência da filosofia - Lógica – Ética (virtudes cardiais)

- Metafísica - Política – Dialética – Estética – Retórica e Poética

Referências bibliográficas - ........................................................................ 215

Prefácio

Que obra-prima é o homem! Tão nobre na razão! Tão infinito na faculdade!

Na forma e no movimento, tão expressivo e admirável! Na ação, tão

semelhante a um anjo! Na compreensão, tão semelhante a um deus! A

beleza do mundo! O modelo dos animais! Ainda assim, para mim, o que é

essa quintessência do pó?

William Shakespeare – Hamlet

Das muitas inquietações que permeiam a mente humana, várias há que se

desdobrarão eternamente como dúvidas inexplicáveis e questões complexas,

dadas ao tempo que se encarregará de transformá-las e de as recolocar em

pauta, nunca mais como as mesmas, é certo, resultado da evolução do

pensamento em consonância com as novas necessidades e novas descobertas,

mas sempre renovadas e sempre capazes de instigar o raciocínio e à

inteligência humanas em direção às respostas que podem estar no passado, e

logo, porque o tempo imaterial , parece-nos, não se divide, no presente ou no

futuro.

Para tal parece-nos possível raciocinar de forma simples (a simplicidade em si

é um complexo implicado de considerações semânticas, linguísticas,

conceituais, lógicas e também abstratas que, às vezes, foge à razão) – assim, é

preciso dar o próximo passo, qual seja, retornar ao passado, circularmente.

Uma vez chegado lá, porém, haveremos de nos reconduzir ao presente, aliás

dele eximir-se é cometer suicídio, e, às explicações dadas pelos antepassados, e

baseados nas mesmas, rever nossos próprios pontos de vista atuais e propor

novos que um dia também serão refutados pelas novas gerações. Gerar e

quebrar paradigmas. Interpretar as reinterpretações.

Eis a esfericidade, como forma física, aqui utilizada como exemplo de

perfeição do raciocínio e da arquitetura – para usar um termo moderno – que

rege todo o universo e a vida nele contida, da pureza da ideia mecanicista ao

complexo quântico evolucionário da moderna física atual, à engenharia

genética e aos projetos genoma e proteoma humanos, de Charles Darwin e sua

teoria da evolução das espécies, aos saltos vertiginosos das ciências em

laboratórios, tecnologia e inteligência artificial, às incríveis revoluções por

minuto feitas pelos grandes computadores. Do macrocosmo ao micro, como os

antigos egípcios, na figura de Hermes, o três vezes grande (Trimegisto)... Tudo

o que criamos e inventamos a fim de satisfazer nossa curiosidade e à

impotência para explicar o nada, o todo, o ser e o não ser, sendo tudo em um

dado momento, real e irreal. Continuamente.

Desde a proposta da bíblia judaica, e antes destes, os egípcios, os assírios, os

babilônicos, passando por Pitágoras, pelo Oriente desconhecido, pelos

pensadores românticos dos séculos XVII e XVIII, até o racionalismo dos

séculos seguintes, em que a Ciência e a Tecnologia assumiram de fato uma

posição indiscutível de liderança nas relações entre os países mais ricos e os

outros, chegando a interferir na vida ordinária das pessoas, física, mental e

espiritualmente, gerando inúmeras diferenças de caráter social e psicológico,

tudo parecem ser reinterpretações do desconhecido, revisões do já visto, sob

novos ângulos, novas perspectivas e dimensões, novas palavras, eterno

retorno, transmigrações, pedaços de uma história que, segundo as escrituras

sagradas e a tradução da mitologia hebraica começou com Adão e Eva em

um jardim e terminará em Revelações, numa provável chuva de fogo.

De acordo com as modernas pesquisas aeroespaciais, graças aos

equipamentos modernos como o telescópio Hubble e outras sondas espaciais

informatizadas, e mesmo antes de seu surgimento, já desconfiávamos e

acabamos descobrindo que somos um minúsculo grão de poeira cósmica,

flutuando suspensos em um universo, um „caldo‟ caótico e escuro, pontilhado

de traços luminosos, entre bilhões de estrelas, quasares, pulsares, anãs

brancas e buracos negros e outros corpúsculos, dentre explosões e

nascimento de outros sóis em milhões de galáxias, e das quais conhecemos

(ou melhor, sabemos ou temos informações), apenas por números, gráficos,

imagens virtuais de satélites reconstituídas pelos computadores das agências

espaciais e laboratórios especializados e ondas de rádio emitidas por refração

aos impulsos que enviamos, ou emitem de per se, algumas dezenas de

milhares, se tanto. Nem sabemos seus nomes, ou não lhes demos ainda, logo

as desconhecemos. Questionamos o que as atrai, o que as criou, o que as

mantém, se são dotadas de luz própria, e de onde provém esta luz (nós que

somos seres carentes de energia), se suportam alguma forma de vida ou, pelo

menos se o conceito – como explicamos: cadeias carbônicas – CHON - que

temos de vida se aplica por lá.

Desenvolvemos modelos e tentamos reproduzir-lhe a atmosfera, a biosfera,

material e virtualmente. Será que existe água, ar respirável, qual a matéria

densa ou rarefeita que as compõem, se experimentaram uma evolução como

a nossa, monocelular, pluricelular, e se a vida tornou-se lá também

inteligente, e que tipo de inteligência é, se são capazes de aceitar outros tipos

de vida e qual o seu grau de tolerabilidade aos invasores, caso um dia nos

encontremos, se lá chegarmos ou se aqui vierem? Enfim, tantos

questionamentos que mal disfarçam a nossa ignorância travestida de

ansiedade intelectual, dos egos inflados nas academias, posturas legítimas,

porquanto carentes de conhecimento, mas envolvidos numa busca, e que

pode apenas esconder a pergunta síntese, aquela por trás desta procura

incessante e que tanto nos apavora e instiga: estaremos sozinhos no Universo

ou há mais alguém? E o que está por trás disso: quem responderá? Essa

sensação de estar só em um universo tão grande é assustadora, é limítrofe. E,

para piorar a sensação, o sentimento real de que não há tempo suficiente em

uma vida humana, a de cada um de nós, para se chegar a uma conclusão ou

ao conhecimento da verdade. Se somos mesmo atraentes ou, se por sermos

predadores, afastam-se de nós!

Theo e Chronos (Deus e Tempo), as duas únicas palavras do saber humano

que permanecerão sem resposta ad infinitum. Infinitude, aliás, um atributo

que lhes é característico. Vida deve ser o intervalo entre a incompreensão e a

busca e tentativa de adquirir conhecimento e poder sobre estas duas

variantes e constantes universais. Quem nos dirá? O intervalo da existência

humana, mesmo enquanto espécie habitante e concorrente do planeta (aqui

não estamos sós, mas queremos mais, queremos o que¿ um ser superior?) é

por demais curto na linha do tempo histórico, se comparados ao da própria

existência do planeta, à idade das estrelas. Somos uma espécie tardia em um

planeta recente... Contraditório. Real... e, verdadeiro!

Há outras questões derivadas e aparentemente distantes do pensar atual e

contemporâneo, mas que nos incomodam silenciosamente, tanto quanto as

anteriores, e provavelmente abandonadas ou postas de lado por falta de

sensibilidade ou de possibilidades plausíveis e aceites de solução: se há mais

seres vivos no universo e se foram inteligentes, terão eles a idéia de um Deus,

um ente superior, criador de suas mentes, corpos (seja lá o que venha a ser

isto) e culturas, sociedades, civilizações? Ou, depois que morrermos nós

iremos, como alma, energia ou protoplasma, para algum lugar? Ou nos

desfazemos por completo? E que lugar seria este? Existe vida lá como

imaginamos e concebemos aqui? A alma existe de verdade ou é só nossa

imaginação, nosso inconformismo? E Deus? O que é Deus? Como chegamos

n‟Ele ou O conhecemos? Só depois da morte? E o que é a morte? Do que

temos medo e porque o temos? Mas, se temos de morrer para conhecê-lo,

então, qual a graça? Esta é a única vida que temos? Por que seria necessário

perdermos esta vida para podermos conhecer o Deus, como nos asseguram

as religiões ocidentais, nós que o somos? Qual é a intenção, a função da vida?

O conhecimento, o estudo profundo, a pesquisa e a sabedoria são as únicas

vias de fato para chegarmos, talvez, próximos a uma compreensão destes e de

outros fenômenos da natureza e de além da natureza? Ou apenas nos

aproximamos da paz, da calma de em sabendo tanto, nada saber? Haverá

outro caminho, como o da Fé, por exemplo? Aliás, a Natureza existe só aqui

no nosso planeta Terra ou podemos expandir-lhe o conceito para outras

paragens em outros planetas? Noutras galáxias? O conhecimento racional e a

fé serão as únicas ferramentas de que dispomos para procurar entender e

aceitar a vida e tudo o mais que a envolve? Estamos limitados pelos nossos

sentidos? Devemos nos orgulhar disso?

As ciências atuais, que se originaram a partir da Filosofia e das investigações,

do questionamento e da necessidade de obter respostas a tantas indagações,

nos dão explicações plausíveis com as quais tendemos a concordar e

através das quais nos conformamos, mas ao mesmo tempo novas e constantes

dúvidas e questionamentos surgem e nos são colocados, há sempre mais a se

descobrir, há sempre mais a se questionar. A evolução, às vezes não

responde, mas tende a nos forçar a esquecer, a por de lado aquilo que não

soubemos responder com o tempo. A filosofia, contudo, nos deu esta certeza

– de que só através do raciocínio, da pesquisa, da busca séria e científica é que

poderemos obter as respostas ou nos aproximar delas e encontrar relativa

paz. A ciência brinca nos campos do senhor e a religião (como uma mãe)

observa e lhe impõe certos freios morais, cobra-lhe ética e responsabilidades.

Do que ela saberá, que tesouro do conhecimento ainda guarda em suas salas

secretas e bem guardadas? Ou é só mais uma instituição humana, cheia de

segredos, política, falida, assustada?

Diferentemente da sofisticada utilização dos argumentos independentes que

se moldam de acordo com as circunstâncias, e as diferentes opiniões, a

filosofia também nos deixa claro que tudo muda e que, portanto, não

devemos nos satisfazer com o já obtido e devemos procurar ir além, para lá

do desconhecido, expandir os limites do conhecimento até os limites da

impossibilidade, já que ela também descortinou a idéia da infinitude, o que

quer dizer em miúdos - se é infinito é porque ainda não acabou, está se

fazendo ou se refazendo -, e estamos como formigas correndo pra lá e pra cá

em uma enorme bola girando em meio ao nada em constante mutação. Será?

Para os hindus: Maia, um reino de ilusões...Uma idéia muito triste, mas muito

provável. O que podemos descartar, de fato, o que nos dá este poder?

Cabe também à filosofia outra função, talvez mais nobre - a de

estabelecer uma crítica ao conhecimento e questioná-lo sempre. Para que o

queremos de fato, para nos libertar da ignorância? Mas quanto mais

evoluídos, mais próximos estamos da barbárie. A realidade nos mostra isso!

Então nos libertar de que? Até aonde a tecnologia aliada à ciência e ao

conhecimento modernos nos são úteis, e a partir de que ponto começam a nos

prejudicar, física, psicologicamente, espiritualmente? E então o que fazer?

negar o avanço ou domá-lo, e aí normatizar as suas consequências? Para que,

qual o propósito disso tudo?

Este livro procura a partir dos escritos de vários mestres nos apresentar, não

as respostas a estas questões, elas não existem, ou não sabemos perguntar;

mas tão somente uma idéia da evolução do pensamento humano, das

mudanças e dos saltos qualitativos deste pensar, e é claro que não pretende

resumir todo o pensamento já exposto, ele pode quem sabe, no limite,

apontar alguns destes a fim de que os leitores possam identificar algumas,

talvez as melhores, quem sabe, das várias formas de ver o todo, o Uno e o

múltiplo e vice e versa e dali abstrair alguma pretensa conclusão.

Tudo isso são pedaços do todo, largados pelos tempos, fragmentos da

inteligência e da existência de uma espécie biológica que desenvolveu,

aprendeu e usou da razão, mas não sabe da sua verdadeira origem, apenas

procura desesperadamente, às vezes acreditando demasiado nos instintos e

nas aparências do mundo sensível, decifrar em cada pedaço ou traço da

matéria e do pensamento, um registro qualquer da primeira ocorrência, do

fato inicial, informações precisas e confiáveis que nos levem lá onde tudo

começou e, quem sabe, consequentemente, nos impulsione a querer saber

onde tudo isso vai dar. Até um novo e possível reinício.

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Este livre é, portanto, uma simples introdução, um texto para o homem

médio, cidadão cotidiano imerso em seu trabalho, atrás do ganha pão pelo

suor de seu rosto (dogma religioso e político – alguém nos impôs esta

condição!) e para curiosos que queiram adentrar ao mundo do conhecimento

com um pouco mais de base histórica, digamos assim, e de argumentos

cambiáveis para desenvolver nos salões. Daí não ser um livro de filosofia, de

pensamento ou de discussões filosóficas, propriamente dito, como os

compêndios didáticos que procuram aprofundar o conhecimento à exaustão,

ou aquelas teses complexas que pretendem um doutoramento.

Este livro é tão somente um texto de apresentação daqueles conceitos básicos,

e uma breve discussão sobre eles, e ainda assim nem todos que nortearam o

pensamento humano desde então surgem no texto. Serve para aguçar a

inteligência e coçar a dúvida. Sua leitura é só um convite à inquietação. Se o

conseguir, estarei satisfeito!

Julho de 2005

Introdução aos estudos filosóficos

(...) Ainda hoje perdura o preconceito de que a filosofia se afadiga com problemas que

não têm a mínima relação com a existência humana e continua encerrada em uma

esfera longínqua e inacessível aonde não chegam as aspirações e necessidades dos

homens...Estes preconceitos pretendem reduzir a filosofia a uma disciplina particular

acessível a poucos e assim lhes menosprezam o valor essencialmente humano...Nada

do que é humano é alheio à filosofia, pelo contrário, esta é o próprio homem, que em si

mesmo se faz problema e busca as razões e o fundamento do ser que é o seu...Devemos

fazer reviver perante nós o filósofo na sua realidade de pessoa histórica se queremos

compreender claramente, através da obscuridade dos séculos desmemorizados ou das

tradições deformadoras, a sua palavra autêntica que pode ainda nos servir de

orientação e guia (...).