Conselhos Para a Igreja por Ellen G. White - Versão HTML

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Conselhos para a Igreja

Ellen G. White

2007

Copyright © 2012

Ellen G. White Estate, Inc.

Informações sobre este livro

Resumo

Esta publicação eBook é providenciada como um serviço do

Estado de Ellen G. White. É parte integrante de uma vasta colecção

de livros gratuitos online. Por favor visite o website do Estado Ellen G. White.

Sobre a Autora

Ellen G. White (1827-1915) é considerada como a autora Ameri-

cana mais traduzida, tendo sido as suas publicações traduzidas para

mais de 160 línguas. Escreveu mais de 100.000 páginas numa vasta

variedade de tópicos práticos e espirituais. Guiada pelo Espírito

Santo, exaltou Jesus e guiou-se pelas Escrituras como base da fé.

Outras Hiperligações

Uma Breve Biografia de Ellen G. White

Sobre o Estado de Ellen G. White

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Para mais informações sobre a autora, os editores ou como po-

derá financiar este serviço, é favor contactar o Estado de Ellen G.

i

White: (endereço de email). Estamos gratos pelo seu interesse e

pelas suas sugestões, e que Deus o abençoe enquanto lê.

ii

iii

Conteúdo

Informações sobre este livro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . i

Introdução — O dom profético e Ellen G. White . . . . . . . . . . . . vi

Capítulo 1 — Uma visão acerca da recompensa dos fiéis . . . xxxvii

Capítulo 2 — O tempo do fim . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . xlii

Capítulo 3 — Como preparar-se para o encontro com o Senhorxlvii

Capítulo 4 — União com Cristo e com os amados irmãos . . . . . . . l

Capítulo 5 — Cristo nossa justiça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . lv

Capítulo 6 — Vida santificada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . lix

Capítulo 7 — Deus tem uma missão para você . . . . . . . . . . . . . lxx

Capítulo 8 — “Eis-me aqui, envia-me a mim” . . . . . . . . . . . . lxxviii

Capítulo 9 — As publicações da igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . lxxxviii

Capítulo 10 — A fé num Deus pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . xci

Capítulo 11 — O cristão é um representante de Deus . . . . . . . xcvi

Capítulo 12 — No mundo, mas não do mundo . . . . . . . . . . . . . . cii

Capítulo 13 — A Bíblia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cvi

Capítulo 14 — Testemunhos para a igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . cxii

Capítulo 15 — O Espírito Santo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cxxi

Capítulo 16 — Manter desobstruída a conexão com Deus . . . cxxv

Capítulo 17 — Pureza no coração e nos hábitos de vida . . . . cxxxii

Capítulo 18 — A escolha de um marido ou esposa . . . . . . . cxxxix

Capítulo 19 — Não se case com um descrente . . . . . . . . . . . . cxlix

Capítulo 20 — Casamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . clv

Capítulo 21 — Sucesso e felicidade ao educar os filhos . . . . . . . clx

Capítulo 22 — O relacionamento entre marido e esposa . . . . clxiv

Capítulo 23 — A mãe e seus filhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . clxx

Capítulo 24 — Pais cristãos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . clxxvi

Capítulo 25 — O lar cristão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . clxxxii

Capítulo 26 — Influência espiritual no lar . . . . . . . . . . . . . . clxxxvi

Capítulo 27 — Economia no lar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . clxxxix

Capítulo 28 — Atividades familiares nos feriados e

aniversários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cxciv

Capítulo 29 — Recreação adequada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cxcvii

Capítulo 30 — As portas que precisamos guardar . . . . . . . . . . . ccv

Capítulo 31 — A escolha da leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccvii

iv

Conteúdo

v

Capítulo 32 — Música . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccxii

Capítulo 33 — A crítica e seus efeitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccxiv

Capítulo 34 — Conselho a respeito do vestuário . . . . . . . . . . ccxxii

Capítulo 35 — Um apelo aos jovens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccxxvii

Capítulo 36 — A melhor disciplina e a educação de

nossos filhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccxxxv

Capítulo 37 — Educação cristã . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccli

Capítulo 38 — Apelo por um viver saudável . . . . . . . . . . . . . cclxvi

Capítulo 39 — A importância da higiene . . . . . . . . . . . . . . . . cclxxi

Capítulo 40 — A escolha dos alimentos . . . . . . . . . . . . . . . . cclxxiv

Capítulo 41 — O consumo de carne . . . . . . . . . . . . . . . . . . cclxxxiii

Capítulo 42 — Fidelidade na reforma do regime alimentarcclxxxix

Capítulo 43 — A igreja na terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccxcviii

Capítulo 44 — A organização da igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccciii

Capítulo 45 — A casa de Deus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cccx

Capítulo 46 — Cuidando dos que erram . . . . . . . . . . . . . . . . . cccxvi

Capítulo 47 — A observância do santo Sábado do Senhor . cccxxiv

Capítulo 48 — Conselhos sobre mordomia . . . . . . . . . . cccxxxviii

Capítulo 49 — Atitude cristã diante da miséria e do

sofrimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cccliii

Capítulo 50 — Cristãos de todo o mundo unidos em Cristo ccclviii

Capítulo 51 — A reunião de oração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccclxiv

Capítulo 52 — O batismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccclxviii

Capítulo 53 — A ceia do Senhor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccclxxii

Capítulo 54 — Oração pelos doentes . . . . . . . . . . . . . . . . . ccclxxix

Capítulo 55 — A obra médica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ccclxxxv

Capítulo 56 — Relações com pessoas que têm outros

interesses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cccxci

Capítulo 57 — Relações com as autoridades . . . . . . . . . . . . cccxciv

Capítulo 58 — A obra enganadora de Satanás . . . . . . . . . . . . . . . cdi

Capítulo 59 — O moderno disfarce luminoso de Satanás . . . . . cdv

Capítulo 60 — Prodígios de mentira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cdxiii

Capítulo 61 — A crise vindoura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cdxviii

Capítulo 62 — O tempo da provação . . . . . . . . . . . . . . . . . . cdxxiv

Capítulo 63 — O que não pode ser esquecido . . . . . . . . . . . cdxxix

Capítulo 64 — Cristo nosso grande sumo sacerdote . . . . . . cdxxxv

Capítulo 65 — Josué e o anjo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cdxxxix

Capítulo 66 — “Eis que venho sem demora” . . . . . . . . . . . . . cdxlv

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

Preparando-se para o encontro com Cristo — Todos os ad-

ventistas do sétimo dia aguardam ansiosamente o tempo em que

Jesus virá, para levá-los ao lar celestial que foi preparar para eles. Na-

quela terra maravilhosa, não haverá mais pecado, decepções, fome,

pobreza, doenças e morte. Quando o apóstolo João contemplou os

privilégios que esperam os fiéis, exclamou: “Vede que grande amor

nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de

Deus [...] Agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou

o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele Se manifestar,

seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-Lo como Ele

é”. 1 João 3:1, 2.

O objetivo de Deus para Seu povo é torná-lo semelhante a Jesus

no caráter. Desde o início era plano de Deus que os membros da

família humana, criados à Sua imagem, desenvolvessem caracteres

semelhantes ao Seu. Para cumprir esse propósito, nossos primeiros

pais no Éden recebiam instruções diretamente de Cristo e dos an-

jos. Mas após Adão e Eva pecarem, eles não mais puderam falar

livremente com os seres celestiais dessa maneira.

A fim de a família humana não ser deixada sem guia, Deus esco-

lheu outros meios de revelar Sua vontade a Seu povo; um deles era

por intermédio dos profetas. Deus disse a Israel: “Então, disse: Ouvi,

agora, as Minhas palavras; se entre vós há profeta, Eu, o Senhor, em

visão a ele, Me faço conhecer ou falo com ele em sonhos”. Números

12:6.

É propósito divino que Seu povo seja informado e iluminado,

conhecendo e compreendendo não apenas os tempos em que vive,

mas também o futuro. “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa

alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os

profetas”. Amós 3:7. Isso diferencia o povo de Deus, os “filhos da

luz” (1 Tessalonicenses 5:5), do povo do mundo.

A obra do profeta inclui muito mais do que apenas fazer predi-

ções. Moisés, o profeta de Deus que escreveu seis livros da Bíblia,

vi

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

vii

escreveu muito pouco acerca do que aconteceria no futuro. Sua obra

é descrita por Oséias em seu mais amplo sentido: “Mas o Senhor,

por meio de um profeta, fez subir a Israel do Egito e, por um profeta,

foi ele guardado”. Oséias 12:13.

[8]

O profeta não é alguém designado por seus semelhantes, nem

nomeia a si mesmo. A escolha de uma pessoa para ser profeta é

inteiramente da alçada divina. Homens e mulheres têm, de tempos

em tempos, sido escolhidos por Deus para falar por Ele.

Esses profetas, homens e mulheres escolhidos por Deus como

canais de comunicação, falaram e escreveram aquilo que Deus lhes

revelara em santa visão. A preciosa Palavra de Deus inclui suas men-

sagens. Através desses profetas, os membros da família humana têm

sido levados à compreensão do conflito que se desenrola, a guerra

entre Cristo e Seus anjos e Satanás e seus anjos. Recebemos enten-

dimento acerca desse combate nos dias finais da história terrestre, e

dos meios providos por Deus para cuidar de Sua obra e aperfeiçoar

o caráter de Seu povo.

Os apóstolos, os últimos escritores da Bíblia, nos deram um qua-

dro claro dos eventos dos derradeiros dias. Paulo escreveu acerca

dos “tempos perigosos”, e Pedro advertiu sobre os escarnecedores

que andam segundo suas próprias concupiscências, perguntando:

“Onde está a promessa de Sua vinda?” A igreja, nesse tempo, estará

em guerra, pois João viu a Satanás “pelejar com os restantes da sua

descendência” O apóstolo João identificou os membros da igreja dos

últimos dias, “a igreja remanescente”, como aqueles que “guardam

os mandamentos de Deus” (Apocalipse 12:17), considerando-os

como a igreja guardadora dos mandamentos. Essa igreja remanes-

cente também teria “o testemunho de Jesus”, que é “o espírito de

profecia”. Apocalipse 19:10. Paulo declarou que a igreja que está

esperando ansiosamente a volta de Cristo, não ficaria privada de

nenhum dom. 1 Coríntios 1:7, 8. Ela seria abençoada com o dom do

testemunho de Cristo.

Está claro, então, que no plano de Deus a igreja dos últimos dias

teria em seu meio, quando viesse à existência, o Espírito de Profecia.

Quão lógico é que Deus falasse a Seu povo nos últimos dias da

história terrestre, assim como o fez com Seu povo em tempos de

necessidade especial nos séculos passados.

viii

Conselhos para a Igreja

Quando essa igreja da profecia — a Igreja Adventista do Sétimo

Dia — viesse à existência, em meados do século dezenove, uma

voz seria ouvida entre nós, dizendo: “Deus me mostrou em santa

visão.” Essas palavras não eram jactanciosas, mas a expressão de

uma mocinha de 17 anos que havia sido chamada para falar em nome

de Deus. Durante setenta anos de fiel ministério, essa voz foi ouvida

guiando, corrigindo, instruindo. E é ouvida ainda hoje através de

milhares de páginas escritas pela mensageira escolhida do Senhor,

Ellen G. White.

A visão do Grande Conflito entre Cristo e Satanás — Um

pequeno prédio escolar de uma vila da região oriental da América

do Norte estava lotado de homens e mulheres que, numa tarde de

domingo, em meados de Março de 1858, haviam-se reunido para

[9]

uma cerimônia. O Pr. Tiago White oficiou a cerimônia fúnebre de

um jovem e pregou um sermão. Quando ele terminou de falar, a Sra.

White sentiu-se impressionada a dizer umas poucas palavras aos

enlutados. Ela se levantou e falou por um ou dois minutos e então fez

uma pausa. O povo a olhava para captar as próximas palavras de seus

lábios. Nesse momento, as pessoas ficaram um pouco sobressaltadas

com a exclamação de “Glória a Deus!”, repetida por três vezes com

crescente ênfase. A Sra. White estava em visão.

O Pr. White falou ao povo acerca das visões da Sra. White. Ele

explicou que as visões lhe haviam sido dadas desde que ela era uma

jovenzinha de dezessete anos. Disse-lhes que, embora seus olhos

estivessem abertos e parecesse que contemplava alguma coisa à

distância, ela estava totalmente inconsciente do que se passava ao

seu redor e nada sabia do que lhe estava sucedendo. Ele se referiu a

(Números 24:4, 16), onde lemos de alguém “que ouve os ditos de

Deus, o que tem a visão do Todo-Poderoso e prostra-se, porém de

olhos abertos”.

Ele explicou às pessoas que sua esposa não respirava enquanto

em visão. Então, se voltou para (Daniel 10:17) e leu a experiên-

cia do profeta em visão: “Porque, quanto a mim, não me resta já

força alguma, nem fôlego ficou em mim.” O Pr. White, em seguida,

convidou àqueles que quisessem para vir adiante e examinar a Sra.

White. Ele sempre permitia tais exames e ficava feliz quando havia

um médico presente para examiná-la durante a visão.

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

ix

Quando as pessoas chegavam perto, viam que a Sra. White não

respirava, todavia, seu coração continuava batendo normalmente e

a cor de sua face era natural. Foi trazido um espelho e colocado

diante de seu rosto, mas nenhuma umidade acumulou-se em sua

superfície. Então trouxeram uma vela, acenderam-na e a puseram

bem perto de seu nariz e boca. Mas a chama continuava ereta, sem

qualquer oscilação. As pessoas podiam ver que ela não respirava.

Ellen andava pela sala, movimentando graciosamente seus braços

enquanto proferia breves exclamações acerca do que lhe estava

sendo revelado. Como Daniel, ela primeiramente sofria a perda da

força natural; então, era-lhe concedido poder sobrenatural. Daniel

10:7, 8, 18, 19.

Durante duas horas a Sra. White permaneceu em visão. Em duas

horas ela não respirou. Então, quando a visão chegou ao fim, ela

tomou uma profunda inspiração, deteve-se por cerca de um minuto,

inspirou novamente e logo estava respirando com toda a naturalidade.

Ao mesmo tempo, ela começou a reconhecer o ambiente, tornando-

se consciente do que ocorria ao seu redor.

Alguém que via freqüentemente a Sra. White em visão, a Sra.

Martha Amadon, fez a seguinte descrição:

“Em visão, seus olhos ficavam abertos. Não havia respiração,

observavam-se, porém, graciosos movimentos dos ombros, dos bra-

ços, das mãos, que expressavam aquilo que ela via. Era impossível

para qualquer pessoa impedir os movimentos de suas mãos e braços.

Ela repetidamente proferia apenas palavras ou articulava frases que

[10]

transmitiam a natureza da visão que estava tendo, quer do Céu quer

da Terra.

“Sua primeira palavra em visão era ‘Glória”, soando, no princí-

pio, muito próxima, e então diminuindo pouco a pouco, parecendo

mui distante. Isso se repetia algumas vezes. [...]

“As pessoas presentes não eram afetadas pela visão; nada cau-

sava temor. A cena era solene e calma. [...]

“Quando a visão chegava ao fim e ela perdia de vista a luz

celestial, retornando, por assim dizer, à Terra, exclamava com um

longo suspiro ao retomar sua respiração natural: ‘E-S-C-U-R-I-D-

Ã-O’. Então, mostrava-se abatida e sem forças.”

x

Conselhos para a Igreja

Mas precisamos retornar à nossa história da visão de duas horas

no edifício da escola. Posteriormente, a Sra. White escreveu sobre

essa visão:

“Muito do que eu havia visto dez anos antes, com referência ao

grande conflito dos séculos entre Cristo e Satanás, foi repetido e fui

instruída a escrever.”

Pareceu-lhe, na visão, estar presente e testemunhando as cenas

que surgiam diante dela. Era como se estivesse no Céu, onde assistiu

à queda de Lúcifer. Então, observou a criação do mundo e viu nos-

sos primeiros pais em seu lar edênico. Viu-os ceder às sugestões da

serpente e perder seu lar paradisíaco. Em rápida sucessão ela con-

templou o desenrolar da história bíblica. Testemunhou a experiência

dos patriarcas e profetas de Israel, a vida e morte de nosso Salvador

Jesus Cristo e Sua ascensão ao Céu, onde está ministrando como

nosso Sumo Sacerdote desde então.

Depois viu os discípulos saindo para espalhar a mensagem do

evangelho até os confins da Terra. Rapidamente passou diante dela

a apostasia e a Idade Escura. Então viu a obra da Reforma, onde

homens e mulheres nobres, com risco da própria vida, defenderam a

verdade. Daí a Sra. White foi levada às cenas do Juízo que se iniciou

no Céu em 1844, prosseguindo até nossos dias. Foi, em seguida,

transportada para o futuro e contemplou a vinda de Cristo nas nuvens

dos céus. Testemunhou as cenas do milênio e a Terra renovada.

Com essas claras apresentações diante de si, a Sra. White, após

retornar à sua casa, dedicou-se a escrever o que havia visto e ouvido

durante a visão. Cerca de seis meses mais tarde, um pequeno volume

de 219 páginas saiu do prelo com o título O Grande Conflito Entre

Cristo e Seus Anjos e Satanás e Seus Anjos.

Esse livro foi recebido com entusiasmo, pois retratava vivida-

mente a experiência que estava diante da igreja e desmascarava os

planos de Satanás, expondo a maneira pela qual ele tenta iludir a

Igreja e o mundo com vistas ao último conflito terreno. Quão gra-

tos a Deus ficaram os adventistas porque Deus lhes estava falando

através do Espírito de Profecia, justamente como tinha prometido

[11]

fazer.

A narrativa do grande conflito, feita de forma resumida no pe-

queno volume Spiritual Gifts (Dons Espirituais), foi mais tarde re-

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xi

publicada na segunda parte do livro Primeiros Escritos, o que ainda

hoje pode ser visto nessa obra.

Mas como a Igreja cresceu e o tempo passou, o Senhor, em

muitas visões posteriores, ampliou a história do grande conflito

e lhe acrescentou maiores detalhes, e a Sra. White o reescreveu

entre 1870 e 1884, em quatro volumes, com o título The Spirit of

Prophecy (O Espírito de Profecia). O livro A História da Redenção

apresenta as mais importantes partes do grande conflito, extraídas

desses livros. Esse volume, publicado em muitos idiomas, revela

às pessoas o que foi mostrado nas visões do grande conflito. Mais

tarde, nos cinco volumes da série “Conflito dos Séculos” (Patriarcas

e Profetas, Profetas e Reis, O Desejado de Todas as Nações, Atos

dos Apóstolos e o Grande Conflito), a Sra. White apresentou em

minuciosos detalhes toda a história do conflito entre o bem e o mal.

Esses volumes, que acompanham a narrativa bíblica desde a

criação até a era cristã e daí até o final dos tempos, trazem grande

luz e encorajamento. São obras que têm ajudado os adventistas do

sétimo a se tornarem “filhos da luz” e “filhos do dia”. Vemos nessa

experiência o cumprimento da promessa: “Certamente, o Senhor

Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos

Seus servos, os profetas”. Amós 3:7.

Escrevendo sobre como a luz chegou até ela, a Sra. White disse:

“Mediante a iluminação do Espírito Santo, as cenas do prolongado

conflito entre o bem e o mal têm sido abertas à autora dessas pá-

ginas. De tempos em tempos, me tem sido permitido contemplar o

desenrolar, nas diferentes épocas, do grande conflito entre Cristo, o

Príncipe da Vida, o Autor de nossa salvação, e Satanás, o príncipe

do mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da Santa Lei

de Deus. [...] À medida que o Espírito de Deus me ia revelando à

mente as grandes verdades de Sua Palavra, e as cenas do passado e

do futuro, era-me ordenado tornar conhecido a outros o que assim

fora revelado, delineando a história do conflito nas eras passadas,

e especialmente apresentando-a de tal maneira a lançar luz sobre a

luta do futuro, em rápida aproximação.”

Como a luz era dada ao profeta — Na experiência passada

dos filhos de Deus, como temos visto, o Senhor disse a Seu povo

como Ele Se comunicava com eles através dos profetas. “Se entre

xii

Conselhos para a Igreja

vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele Me faço conhecer ou

falo com ele em sonhos”. Números 12:6.

Dissemos anteriormente que a visão de 1858 sobre o grande

conflito foi acompanhada de certos fenômenos físicos. Alguém po-

deria logicamente perguntar por que as visões eram dadas dessa

maneira. Indubitavelmente, era para estabelecer a confiança do povo

e garantir-lhes que o Senhor estava falando ao profeta. Não era

[12]

comum a Sra. White referir-se detalhadamente à sua condição en-

quanto em visão, mas em certa ocasião ela disse: “Essas mensagens

nos foram dadas para confirmar a fé de todos, para que possamos ter

confiança do Espírito de Profecia nestes últimos dias.”

À medida que a obra da Sra. White se desenvolveu, ela pôde ser

testada quanto aos seus resultados. “Por seus frutos os conhecereis.”

Mas leva tempo para o fruto se desenvolver e o Senhor, no início,

deu evidências vinculadas à concessão das visões, que ajudaram o

povo a crer.

Entretanto nem todas as visões foram dadas em público, acom-

panhadas por notáveis fenômenos físicos. O Senhor prometeu

comunicar-Se com os profetas também através de sonhos. Números

12:16. Eram sonhos proféticos tais como os que Daniel teve. Ele

declarou: “No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, teve Da-

niel um sonho e visões ante seus olhos, quando estava no seu leito;

escreveu logo o sonho e relatou a suma de todas as coisas”. Daniel

7:1.

Ao contar sobre o que lhe foi revelado, Daniel disse muitas: “Eu

vi em visões da noite”. De modo semelhante, na experiência de

Ellen White, as visões lhe foram dadas quando sua mente estava

em repouso durante as horas da noite. Seus escritos freqüentemente

fazem a declaração introdutória: “Nas visões da noite algumas coisas

me foram claramente apresentadas.” Repetidamente Deus falou ao

profeta mediante sonhos proféticos. Podem surgir questões concer-

nentes ao relacionamento entre um sonho profético ou uma visão

noturna e um sonho comum. Em 1868, a Sra. White escreveu a

respeito:

“Há muitos sonhos que derivam dos fatos ordinários da vida,

e com os quais o Espírito de Deus nada tem que ver. Há também

sonhos falsos, como há falsas visões, que são inspirados pelo espírito

de Satanás. Os sonhos do Senhor, porém, são classificados em Sua

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xiii

Palavra no mesmo nível que as visões, e são, como estas, o fruto

do Espírito de Profecia. Esses sonhos, se forem levadas em conta

as pessoas que os tiveram e as circunstâncias em que foram dados,

trazem em si mesmos a prova de sua autenticidade.”

Certa vez, quando a Sra. White já estava bem idosa, seu filho, o

Pr. W. C. White, procurando dados para ajudar aqueles que estavam

menos informados, fez-lhe uma pergunta: “Mamãe, a senhora tem

falado seguidas vezes sobre assuntos que lhe foram revelados à noite.

A senhora fala de sonhos nos quais a luz é derramada. Nós todos

sonhamos. Como a senhora sabe que Deus lhe está falando por meio

de um sonho?”

Ela respondeu: “Porque o mesmo anjo mensageiro que fica a meu

lado instruindo-me sobre as visões da noite, também está comigo

falando-me nas visões do dia.” O ser celestial referido era, outras

vezes, chamado de “o anjo”, “meu guia”, “meu instrutor”, etc.

[13]

Não havia qualquer confusão na mente do profeta, nenhuma

questão referente à revelação dada durante as horas da noite, pois as

circunstâncias que a cercavam tornavam claro que era uma instrução

vinda de Deus.

Outras vezes, as visões foram dadas enquanto a Sra. White estava

orando, falando ou escrevendo, sem nenhum aviso prévio, a não ser

uma breve pausa se ela estivesse falando ou orando publicamente.

Ela escreveu certa vez:

“Enquanto em fervorosa oração, perdi a noção de tudo o que se

passava ao meu redor: o ambiente se encheu de luz e ouvi uma men-

sagem dirigida a uma assembléia que parecia ser a da Associação

Geral.”

Das muitas visões dadas à Sra. White durante seu extenso minis-

tério de setenta anos, a mais longa durou quatro horas e a mais curta

apenas um breve momento. Freqüentemente elas duravam meia hora

ou um pouco mais. Porém, não se pode estabelecer uma regra que se

aplique a todas as visões, por isso Paulo escreveu: “Havendo Deus,

outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos

profetas [...]”. Hebreus 1:1.

A luz era dada ao profeta mediante visões, mas ele não as es-

crevia enquanto em transe. Sua obra não era de cunho mecânico.

Exceto em raras ocasiões, o Senhor não lhe dava as palavras exatas

a empregar, nem o anjo guiava a mão do profeta para registrá-las.

xiv

Conselhos para a Igreja

Com sua mente iluminada pelas visões, o profeta falava ou escrevia

as palavras que comunicavam luz e instrução ao povo, de forma oral

ou escrita.

Podemos perguntar como a mente do profeta era iluminada,

como ele obtinha a informação e instrução que devia comunicar

ao povo? Assim como nenhuma regra pode ser estabelecida para

a concessão das visões, da mesma forma nenhuma norma pode

ser fixada para orientar a maneira como o profeta recebe a mensa-

gem inspirada. No entanto, em cada caso havia uma experiência

real que fazia indelével impressão na mente do profeta. Do mesmo

modo que o que vemos e experimentamos faz impressão mais pro-

funda em nossa mente do que aquilo que ouvimos, assim também

as representações aos profetas, nas quais eles pareciam testemunhar

acontecimentos dramáticos, realizam impressões mais duradouras

e profundas em seu pensamento. A Sra. White escreveu: “Minha

atenção é frequentemente dirigida a cenas que ocorrem na Terra.

Às vezes sou levada para o futuro distante e me é mostrado o que

vai acontecer. Então, mais uma vez, são-me reveladas coisas que

aconteceram no passado.”

Disso se torna evidente que Ellen White via esses eventos ocorre-

rem como se fosse uma testemunha ocular. Eles eram reapresentados

a ela em visão e assim causavam profunda impressão em sua mente.

Outras vezes parecia-lhe estar verdadeiramente tomando parte na

cena apresentada, parecendo-lhe sentir, ver, ouvir e atender, quando,

em realidade, não o estava; mas sua mente era profunda e indelevel-

mente impressionada. Sua primeira visão (apresentada no próximo

[14]

capítulo deste livro) é um exemplo disso.

Noutras ocasiões, enquanto em visão, a Sra. White parecia estar

presente a reuniões, em casas ou instituições localizadas em lugares

distantes. Tão vívida era essa sensação de presença em tais encon-

tros, que ela poderia relatar em detalhes as ações e palavras ditas

por várias pessoas. Certa vez, enquanto em visão, Ellen White teve a

sensação de estar sendo levada para uma visita a uma de nossas ins-

tituições médicas, passando por quartos e vendo tudo o que ocorria.

Sobre essa experiência, ela escreveu:

“As conversas frívolas, o gesticular leviano e o riso sem sen-

tido feriam dolorosamente o ouvido [...] Fiquei atônita ao ver a

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xv

complacência com os ciúmes, e ouvi palavras invejosas, conversas

inadequadas que fariam corar os anjos de Deus.”

Depois foram mostradas condições mais agradáveis na mesma

instituição. Ela foi conduzida a quartos “dos quais provinha uma voz

de oração. Que som bem-vindo!” Uma mensagem de instrução foi

redigida com base nessa visita à instituição, e nas palavras do anjo

que parecia guiá-la através dos diferentes departamentos e quartos.

Com freqüência, era enviada luz à Sra. White em vívidas repre-

sentações simbólicas. Uma delas é claramente descrita nas seguintes

sentenças extraídas de uma mensagem pessoal enviada a um desta-

cado obreiro que era visto como estando em perigo:

“Certa ocasião, você me foi representado como um general mon-

tado num cavalo e empunhando uma bandeira. Alguém veio e tomou

a bandeira de suas mãos, a qual trazia o lema: ‘Os mandamentos de

Deus e a fé de Jesus’, e que estava sendo pisoteada. Vi você cercado

por homens que o estavam prendendo ao mundo.”

Houve circunstâncias também em que visões diferenciadas e

contrastantes eram apresentadas à Sra. White — uma ilustrando o

que ocorreria se certos planos ou políticas fossem seguidos e, em

outra visão, os resultados de outros planos e políticas. Uma excelente

ilustração a respeito pode ser encontrada na referência à localização

da fábrica de alimentos saudáveis em Loma Linda, na região oeste

dos Estados Unidos. O diretor e seus assessores estavam planejando

construir um grande edifício próximo aos prédios principais do

sanatório. Enquanto os planos eram preparados, a Sra. White, a

quilômetros de distância, teve duas visões numa só noite. A respeito

da primeira visão, ela conta:

“Foi-me mostrado um grande edifício onde muitos alimentos

eram preparados. Havia também prédios menores próximos à pada-

ria. Ali ouvi altas vozes discutindo o trabalho que estava sendo feito.

Não houve acordo entre os obreiros e a confusão se instalou.”

Então ela observou um aflito diretor em suas tentativas de ar-

razoar com os obreiros em busca de harmonia, e que os pacientes

ouviram por acaso essas disputas e “lamentavam que uma fábrica de

alimentos devesse ser estabelecida naqueles belos terrenos”, tão pró-

xima do hospital. “Então apareceu Alguém em cena e disse: ‘Tudo

[15]

isso está acontecendo a fim de dar a vocês uma lição objetiva, para

que possam ver o resultado da implementação de certos projetos.”

xvi

Conselhos para a Igreja

Em seguida mudou-se a cena e ela viu a fábrica de alimen-

tos a “certa distância do sanatório, na estrada que dava para a via

férrea”. Ali os trabalhos eram dirigidos de maneira humilde e em

harmonia com os planos divinos. Poucas horas após a visão, a Sra.

White estava escrevendo aos obreiros de Loma Linda, e isso liqui-

dou a questão sobre o local onde a fábrica de alimentos deveria

ser construída. Houvesse o plano original sido executado, teríamos

tido sérios problemas em anos posteriores, com um enorme edifício

comercial vizinho ao sanatório. Assim se pode ver que, de variadas

maneiras, a mensageira do Senhor recebeu informação e instrução

através de visões diurnas e noturnas.

Através da iluminação da mente o profeta falava ou escrevia,

dando a mensagem de instrução e informação ao povo. Nesse tra-

balho, a Sra. White era auxiliada pelo Espírito do Senhor, mas não

havia controle mecânico. Ela era deixada livre para escolher as pa-

lavras com que transmitir a mensagem. Nos primeiros anos de seu

ministério, ela declarou:

“Se bem que eu seja tão dependente do Espírito do Senhor ao

escrever minhas visões como ao recebê-las, todavia as palavras que

emprego ao descrever o que vi são minhas mesmo, a menos que

sejam as que me foram ditas por um anjo, as quais eu sempre ponho

entre aspas.”

Como os escritores bíblicos, a Sra. White às vezes preferia, sob

a direção do Espírito Santo, escolher a linguagem de outros autores,

especialmente quando apreciava seu fraseado e expressões.

A vida e a obra da Sra. Ellen G. White — Ellen G. Harmon e

sua irmã gêmea nasceram em 26 de Novembro de 1827, em Gorham,

Maine, na região nordeste dos Estados Unidos. Quando estava com

nove anos de idade, Ellen sofreu um acidente causado pelo golpe de

uma pedra lançada por uma colega imprudente. Um grave ferimento

no rosto quase lhe custou a vida e deixou-a num estado de fraqueza

tal que não pôde continuar os estudos.

Com onze anos, ela entregou o coração a Deus. Aos catorze,

foi batizada por imersão no mar e recebida como membro da Igreja

Metodista. Juntamente com outros membros de sua família, ela

freqüentou as reuniões adventistas em Portland, Maine, aceitando to-

talmente os pontos de vista sobre a proximidade do segundo advento

de Cristo apresentados por Guilherme Miller e seus associados.

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xvii

Certa manhã, em Dezembro de 1844, enquanto estava orando

com outras quatro mulheres, o poder de Deus repousou sobre ela.

Inicialmente Ellen perdeu a noção das coisas terrenas; então, numa

representação figurativa, ela testemunhou a viagem do povo do ad-

vento para a cidade de Deus e a recompensa dos fiéis. Com temor

[16]

e tremor essa adolescente de dezessete anos relatou essa e outras

visões aos crentes de Portland. E quando havia oportunidade ela

contava a visão a grupos de adventistas no Maine e estados vizinhos.

Em Agosto de 1846, Ellen Harmon casou-se com Tiago White, um

jovem pastor adventista. Por cerca de trinta e cinco anos sua vida es-

teve intimamente ligada à do marido em diligente obra evangelística,

até sua morte em 6 de Agosto de 1881. Eles viajaram intensamente

pelos Estados Unidos pregando e escrevendo, planejando e reali-

zando, organizando e administrando.

O tempo e a experiência têm provado quão amplos e firmes

foram os fundamentos lançados por Tiago, Ellen White e seus com-

panheiros, e quão sábia e eficazmente edificaram. Eles deram início,

entre 1849 e 1850, à obra de publicações entre os adventistas obser-

vadores do sábado, participando do desenvolvimento organizacional

da Igreja mediante um sólido sistema financeiro, em fins da década

de 1850. Isso culminou com a organização da Associação Geral dos

Adventistas do Sétimo Dia, em 1863. O ano de 1866 marcou o início

de nossa obra médica e a grande obra educacional da denominação

teve seu começo no início da década seguinte. O plano de reuniões

campais anuais foi desenvolvido em 1868 e, em 1874, os adventistas

do sétimo dia enviaram seu primeiro missionário além-mar.

Todo esse desenvolvimento foi guiado pelos muitos conselhos

verbais e escritos que Deus deu ao povo mediante Ellen White.

A maior parte das primeiras comunicações foi redigida em forma

de cartas pessoais ou através de artigos publicados no Present Truth,

nossa primeira publicação regular. Não foi senão em torno de 1851

que a Sra. White lançou seu primeiro livro de 64 páginas intitulado

A Sketch of the Christian Experience and Visions of Ellen G. White

(Um Esboço da Experiência Cristã e Visões de Ellen G. White).

Com início em 1855, foi publicada uma série de panfletos nu-

merados, cada um deles com o título de Testimony for the Church

(Testemunho Para a Igreja). Eles disponibilizavam as mensagens

de instrução e correção que. de tempos em tempos, Deus enviava

xviii

Conselhos para a Igreja

a Seu povo. Para atender à contínua demanda por tal instrução, os

primeiros trinta panfletos foram republicados em 1885 em forma de

quatro livros encadernados. Com o acréscimo de outros volumes,

que surgiram entre 1889 e 1909, completou-se a coleção de nove

volumes conhecidos como Testemunhos Para a Igreja.

Os White tiveram quatro filhos. O mais velho, Henry, viveu até

os dezesseis anos; o mais novo, Herbert, faleceu com três meses

de idade. Os dois filhos do meio, Edson e William, viveram até

à maturidade, empenhados na obra da denominação adventista do

sétimo dia.

Atendendo ao pedido da Associação Geral, a Sra. White viajou

à Europa no verão de 1885. Ali ela despendeu dois anos no fortale-

cimento da recente obra naquele continente. Morando em Basiléia,

[17]

Suíça, ela viajou intensamente através da Europa Central, do Norte

e do Sul, assistindo às reuniões gerais da Igreja.

Quatro anos depois de sua volta aos Estados Unidos, a Sra.

White, com sessenta e três anos de idade e em resposta a outra solici-

tação da Associação Geral, viajou para a Austrália. Ali trabalhou por

nove anos. ajudando a iniciar e desenvolver a obra, especialmente

nos setores médico e educacional. Em 1900, retornou aos Esta-

dos Unidos, indo residir na região oeste do país, em Santa Helena,

Califórnia, onde ficou até sua morte em 1915.

Durante o longo tempo de serviço de sessenta anos na América

do Norte e dez anos no exterior, ela teve cerca de duas mil visões

que, mediante incansáveis esforços voltados ao aconselhamento de

indivíduos, igrejas, reuniões públicas e sessões da Associação Geral,

contribuíram grandemente para o desenvolvimento deste grande

movimento. Mas isso não completou a tarefa de apresentar a todos

as mensagens que ela recebeu de Deus.

Seus escritos somam cerca de cem mil páginas. As mensagens

procedentes de sua pena chegavam às pessoas através de comuni-

cações pessoais, artigos semanais nos periódicos denominacionais

e em seus muitos livros. Os temas tratavam de história bíblica, ex-

periência cristã, saúde, educação, evangelismo e outros tópicos de

cunho prático. Muitos de seus livros estão impressos nos principais

idiomas do mundo, e milhões de seus exemplares já foram vendidos.

Somente o livro Caminho a Cristo vendeu cerca de 50 milhões de

exemplares em 127 idiomas, entre 1892 e 1990.

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xix

Com a idade de oitenta e um anos, a Sra. White cruzou o conti-

nente americano pela última vez, para assistir à sessão da Associação

Geral de 1909. Os restantes seis anos de sua vida foram despendidos

na conclusão de sua obra literária. Próxima ao fim da existência, ela

escreveu: “Seja minha vida poupada ou não, meus escritos falarão

continuamente e sua obra irá avante enquanto o tempo durar.”

Com indômita coragem e plena confiança em seu Redentor, ela

faleceu em sua casa, na Califórnia, no dia 16 de Julho de 1915, e

foi sepultada junto ao esposo e filhos, no cemitério de Oak Hill, em

Battle Creek, Michigan.

A Sra. White era apreciada e honrada por seus companheiros

de obra, pela Igreja e os membros de sua família, como mãe devo-

tada e uma obreira diligente e incansável. Ela nunca teve um cargo

oficial na Igreja. Era tida pela Igreja e por si mesma como “uma

mensageira” com uma mensagem de Deus para Seu povo. Nunca

pediu aos outros que cuidassem dela e nunca usou seu dom para a

obtenção de vantagens financeiras ou popularidade. Sua vida e tudo

quanto possuía foram dedicados à causa de Deus.

Por ocasião de sua morte, o editor de um semanário popular, o

The Independent, em sua edição de 23 de Agosto de 1915, concluiu

seus comentários sobre a vida fecunda da Sra. White com estas

palavras: “Ela foi absolutamente honesta em sua crença nas revela- [18]

ções que recebeu. Sua vida foi digna delas. Ela não exibia nenhum

orgulho espiritual e jamais buscou interesses pecuniários. Viveu e

fez a obra de uma legítima profetisa.”

Poucos anos antes de sua morte, a Sra. White criou um conselho

de depositários formado por líderes da Igreja, a quem deixou seus

escritos com o encargo de serem responsáveis por seu cuidado e

publicação contínua. Com escritórios na sede mundial da Igreja

Adventista do Sétimo Dia, essa comissão promove a publicação

continuada dos escritos de E. G. White em inglês, e estimula sua

circulação, no todo ou em parte, em outros idiomas. Eles também

têm publicado numerosas compilações de artigos e manuscritos, em

harmonia com a instrução da Sra. White. É sob a autoridade dessa

comissão que o presente volume é levado a público.

A Sra. White como os outros a conheceram — Conhecendo

a experiência incomum da Sra. White como mensageira do Senhor,

alguns têm perguntado: Que tipo de pessoa ela era? Será que en-

xx

Conselhos para a Igreja

frentava os mesmos problemas que nós? Era rica ou pobre? Ela

sorria?

A Sra. White era mãe extremosa e dedicada dona de casa. Era

uma anfitriã cordial, hospedando frequentemente membros da Igreja

em sua casa. Era uma vizinha prestativa, uma mulher de profundas

convicções, de disposição agradável, gentil em maneiras e palavras.

Em sua experiência não havia lugar para uma religião melancólica,

infeliz e acabrunhada. As pessoas se sentiam à vontade em sua

presença. Talvez a melhor maneira de familiarizar-se com a Sra.

White seja reconstituir o ambiente doméstico de 1859, o primeiro

ano em que ela escreveu um diário.

Descobrimos que os Whites viviam nos arredores de Battle

Creek, numa pequena casa de campo situada num grande terreno

com jardins, algumas árvores frutíferas, uma vaca, algumas galinhas

e um lugar para seus filhos trabalharem e brincarem. A Sra. White,

nessa época, estava com trinta e um anos de idade. Tiago White

tinha trinta e seis. Seus filhos estavam com quatro, nove e doze anos

de idade.

Em seu lar havia uma jovem cristã contratada para ajudar nas

tarefas domésticas, pois a Sra. White estava frequentemente longe

de casa, ocupada em pregar e escrever. Entretanto, ela assumia as

responsabilidades do lar como cozinhar, limpar, lavar e costurar.

Nalguns dias, ela ia até a casa publicadora onde tinha à disposição

um lugar calmo para escrever. Noutros dias, podia ser encontrada

no jardim plantando flores e vegetais e, às vezes, trocando plantas

florais com os vizinhos. Estava determinada a tornar seu lar o mais

agradável possível para sua família, a fim de os filhos poderem

considerar o lar o lugar mais desejável de se estar.

Ellen White era uma compradora cuidadosa e seus vizinhos

adventistas ficavam felizes quando iam às compras com ela, pois

sabia o preço das coisas. Sua mãe havia sido uma mulher muito

[19]

prática e ensinado lições valiosas às filhas. Ela aprendeu que saía

mais caro comprar coisas malfeitas do que mercadorias de boa

qualidade.

O sábado era o dia mais agradável da semana para os filhos.

A família assistia aos cultos na igreja e, se o Pr. White e a Sra.

White estavam livres de compromissos com pregações, a família se

assentava junta durante o culto. No jantar havia um prato especial

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xxi

que não era preparado noutros dias; daí, se o dia estivesse propício, a

Sra. White caminhava com os filhos pelos bosques ou as margens do

rio, observando as belezas da natureza e estudando as obras de Deus.

Se o dia estivesse chuvoso ou frio, ela os reunia junto à lareira da

casa e lia para eles, citando frequentemente materiais reunidos aqui

e ali, enquanto fazia suas viagens. Algumas dessas histórias foram

posteriormente impressas em livros, para que outros pais pudessem

contá-las aos filhos.

A Sra. White não estava bem de saúde nessa época e desmaiava

algumas vezes durante o dia, mas isso não a impedia de prosseguir

com suas tarefas domésticas, bem como com a obra para o Senhor.

Poucos anos mais tarde, em 1863, ele teve uma visão referente à

saúde e aos cuidados com os enfermos. Foram-lhe mostradas em

visão as roupas mais adequadas para usar, o alimento para ingerir,

a necessidade de exercício e repouso, bem como a importância da

confiança em Deus, a fim de manter o corpo vigoroso e saudável.

A luz provinda de Deus concernente ao regime alimentar e à

nocividade dos alimentos cárneos contrariava frontalmente a opi-

nião pessoal da Sra. White, que julgava a carne essencial à saúde

e à produção de energia. Com a luz da visão a iluminar sua mente,

ela instruiu a moça que a ajudava a preparar os alimentos para a

família a pôr sobre a mesa apenas alimentos integrais compostos de

cereais, vegetais, nozes, leite, creme e ovos. Havia também abun-

dância de frutas. Nessa ocasião, a família White passou a adotar

uma dieta essencialmente vegetariana. Em 1894, Ellen White baniu

completamente a carne de sua mesa. A reforma de saúde foi uma

grande bênção para a família White, como tem sido para milhares

de famílias adventistas espalhadas pelo mundo.

Após a visão da reforma de saúde, em 1863, e a adoção de

métodos naturais de tratamento de enfermos, os Whites eram cons-

tantemente chamados por seus vizinhos, quando doentes, para lhes

ministrar tratamentos. O Senhor abençoou muito esses esforços.

Outras vezes, os enfermos eram levados para o lar dos Whites e

cuidados com carinho até sua plena recuperação.

A Sra. White desfrutava períodos de relaxamento e recreação nas

montanhas, em algum lago ou em mar aberto. Durante a meia idade,

enquanto vivia perto da Pacific Press, no norte da Califórnia, ela

decidiu dispensar um dia para repouso e recreação. A Sra. White, sua

xxii

Conselhos para a Igreja

família e o pessoal do escritório, foram convidados a unir-se ao grupo

[20]

de obreiros da casa publicadora, convite que aceitaram prontamente.

Seu marido estava no Leste a serviço da Organização. Numa carta

que ela lhe enviou encontramos a narrativa dessa experiência.

Depois de saborear um almoço composto de alimentos integrais

na praia, o grupo todo saiu para um passeio de barco pela baía de São

Francisco. O capitão da embarcação era membro da Igreja e todos

desfrutaram uma tarde muito aprazível. Então foi sugerido irem para

alto-mar. Contando essa experiência, Ellen White escreveu:

“As ondas se elevavam e éramos lançados fortemente para cima

e para baixo. Eu estava encantada, mas não tinha palavras para

expressar. Era grandioso! Os borrifos de água nos respingavam. O

vento era forte além da Golden Gate; eu nunca havia experimentado

nada igual em minha vida.”

Então ela observou os vigilantes olhos do capitão e a prontidão

da tripulação em obedecer-lhe as ordens, e comentou:

“Deus retém os ventos em Suas mãos. Ele controla as águas.

Somos meras partículas nas vastas e profundas águas do Pacífico;

todavia, anjos dos céus foram enviados para guardar essa pequena

embarcação enquanto singrava pelas ondas. Oh, as maravilhosas

obras de Deus! Quão além de nossa compreensão! Num relance, Ele

contempla os mais altos céus e os mares.”

A Sra. White, desde o início, havia assumido uma atitude de

contentamento. Certa vez ela perguntou: “Vocês já me viram desa-

lentada, melancólica, lamuriosa? Tenho uma fé que proíbe tal coisa.

É a concepção equivocada do verdadeiro ideal do caráter e serviço

cristãos que conduz a essa conclusão. [...] Um serviço sincero e

espontâneo a Jesus produz uma religião luminosa. Aqueles que

seguem a Cristo bem de perto não ficam desanimados.”

Noutra ocasião, ela escreveu: “Em alguns casos, a idéia adotada

é que a alegria não é compatível com a dignidade do caráter cristão,

mas isso é um erro. O Céu todo é alegria.” Ela descobriu que se

você sorrir, receberá sorrisos em troca; se você proferir palavras

bondosas, terá em retorno também palavras carinhosas.

Entretanto, houve momentos em que ela sofreu grande tribulação.

Certa ocasião, isso ocorreu logo após chegar à Austrália para ajudar

no trabalho local. Ela se encontrava muito doente fazia quase um ano

e sofria intensamente. Estava confinada à cama, durante meses, e só

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xxiii

podia dormir umas poucas horas por noite. Acerca dessa experiência,

ela escreveu a uma amiga:

“Quando me senti desamparada, lamentei ter viajado tanto. Por

que não fiquei na América? A que custo me encontrava na Austrália?

Com freqüência eu poderia ter enterrado minha face nos lençóis e

chorado copiosamente. Mas não podia me dar ao luxo de verter

lágrimas. Eu dizia a mim mesma: ‘Ellen G. White, o que você quer?

Você não veio para a Austrália porque sentiu ser seu dever ir aonde

a Associação achasse melhor? Essa não foi sua decisão?’

‘Sim’, eu dizia.

[21]

‘Então por que você se sente quase abandonada e desanimada?

Não é esse o trabalho do inimigo?’ Eu dizia: ‘Sim, acho que sim.’

“Depois disso enxuguei minhas lágrimas rapidamente e disse:

‘É o bastante. Jamais voltarei a olhar para o lado escuro. Quer viva

ou não, confio minha vida Àquele que morreu por mim.’

“Eu cria que o Senhor faria bem todas as coisas e durante os oito

meses de desamparo, não tive qualquer desalento ou dúvida. Agora

vejo aquela situação como parte do grande plano do Senhor para o

bem de Seu povo aqui neste país, para os da América do Norte e meu

próprio bem. Não posso explicar por que ou como, mas creio. E sou

feliz em minha aflição. Confio em meu Pai celestial. Não duvidarei

de Seu amor.”

Quando a Sra. White morou em sua casa na Califórnia, durante

os últimos quinze anos de sua vida, embora estivesse mais idosa,

tomou interesse pelo trabalho de uma pequena fazenda e no bem-

estar daqueles que a auxiliavam em suas atividades. Geralmente

ocupava-se em escrever, começando logo após à meia-noite, quando

ia dormir cedo. Se o dia houvesse sido agradável e seu trabalho

o permitisse, ela saía para um breve passeio pelo campo, parando

para conversar com alguma mãe que eventualmente encontrasse no

jardim ou na porta de uma casa pela qual passasse. Algumas vezes

ela percebia a necessidade de alimentos e roupas e então ia para sua

casa e apanhava o necessário para suprir as carências. Anos depois

de sua morte, ela era ainda lembrada pelos vizinhos do vale onde

viveu, como uma pequena mulher de cabelos brancos, que sempre

falava com ternura de Jesus.

Quando ela morreu, tinha pouco mais do que as necessidades e

confortos básicos da vida. Ela era uma cristã adventista do sétimo

xxiv

Conselhos para a Igreja

dia confiante nos méritos de seu ressurreto Senhor e tentava fazer

fielmente a obra que o Senhor lhe designara. Assim, com confiança

no coração, ela chegou ao fim de uma vida plena e coerente com sua

experiência cristã.

Mensagens que transformaram vidas — Um evangelista es-

tava realizando uma série de reuniões em Bushnell, Michigan. Logo

após um batismo, todavia, ele deixou o povo sem alicerçar devida-

mente os crentes na mensagem. Aos poucos as pessoas foram se

desanimando e alguns retomaram seus maus hábitos. Finalmente a

igreja tornou-se tão pequena que dez ou doze membros que restaram

decidiram que não deveriam mais continuar se reunindo. Logo após

se dispersarem do que achavam ser a última reunião, chegou o cor-

reio e entre a correspondência encontrava-se a Review and Herald

(Revista e Arauto). Na seção “Roteiro” havia uma notícia dando

conta de que Tiago e Ellen White estariam em Bushnell para as

reuniões, em 20 de Julho de 1867. Faltava apenas uma semana para

isso. As crianças foram enviadas para chamar o povo de volta, aque-

[22]

les que estavam no caminho de sua volta para casa. Ficou decidido

que se preparasse um lugar no bosque e se convidasse os vizinhos,

especialmente os membros afastados.

No dia 20 de Julho, um sábado, os Whites vieram até o bosque

onde sessenta pessoas se haviam reunido. O Pr. White falou pela

manhã. À tarde, a Sra. White se levantou para falar, mas após a

leitura de seu texto, ela parecia perplexa. Sem qualquer comentário

adicional, fechou a Bíblia e começou a falar ao povo de modo muito

pessoal.

“Nesta tarde, estou diante de vocês olhando a face daqueles que

me foram mostrados em visão, dois anos atrás. Enquanto os vejo, sua

experiência me vem claramente à memória e tenho uma mensagem

para vocês da parte do Senhor.

“Há esse irmão que está próximo ao pinheiro. Não posso chamá-

lo pelo nome, pois ainda não fomos apresentados, mas seu rosto me

é familiar e sua experiência está bem vívida diante de mim.” Então

ela falou àquele irmão sobre sua apostasia. Ela o encorajou a voltar

e caminhar com o povo de Deus.

Em seguida, volvendo-se para uma mulher noutra parte do audi-

tório, disse: “Essa irmã assentada perto da irmã Maynard, da igreja

de Greenville; não sei dizer o seu nome porque não me foi dito,

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xxv

mas dois anos atrás seu caso me foi apresentado em visão e estou

familiarizada com sua experiência.” Em seguida, a Sra. White a

animou.

“Há aquele irmão atrás do carvalho. Não tenho condições de

chamá-lo por nome, pois não o vi ainda, mas seu caso está claro para

mim.” Então ela falou com ele, revelando seus mais íntimos pensa-

mentos e abriu perante o auditório a experiência daquele homem.

Passando de um para outro, ela se dirigiu à congregação, falando

do que lhe havia sido mostrado em visão, dois anos antes. Depois

de a Sra. White concluir seu sermão, falando não apenas palavras

de reprovação, mas também de animação, ela assentou. Alguém

do grupo se levantou e disse: “Gostaria de saber se aquilo que a

irmã White nos disse nesta tarde é verdadeiro. O Pastor e a Sra.

White nunca haviam estado aqui antes; eles não estão familiarizados

conosco. A Sra. White nem mesmo sabe o nome da maioria de nós

e, todavia, ela vem aqui esta tarde e nos diz que dois anos antes

recebeu uma visão na qual nossos casos lhe foram mostrados e então

nos fala pessoalmente, um por um, expondo diante de todos nossa

vida e nossos mais íntimos pensamentos. Tudo isso é verdade, em

cada caso? Ou a Sra. White cometeu alguns erros? Eu gostaria de

saber.”

Uma por uma as pessoas se manifestaram. O homem que estava

junto ao pinheiro ficou em pé e disse que a Sra. White havia descrito

seu caso melhor do que ele mesmo poderia fazê-lo. Ele confessou

seu procedimento desobediente. E manifestou a decisão de voltar

e continuar junto com o povo de Deus. A mulher sentada junto à

irmã Maynard, da igreja de Greenville, também confirmou. Disse

que a Sra. White tinha narrado sua vida melhor que ela teria feito. O

[23]

homem junto ao carvalho disse que a irmã White havia apresentado

seu caso de modo muito mais exato do que ele mesmo poderia

expressar. Confissões foram feitas e os pecados foram abandonados.

O Espírito de Deus desceu e houve um reavivamento em Bushnell.

O Pastor e a Sra. White voltaram no sábado seguinte, quando foi

realizado um batismo e organizada a igreja de Bushnell.

O Senhor amava Seu povo em Bushnell, assim como faz com to-

dos aqueles que nEle esperam. “Eu repreendo e disciplino a quantos

amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”. Apocalipse 3:19. Esse texto

deve ter sido lembrado por alguns dos presentes. Quando o povo

xxvi

Conselhos para a Igreja

viu o próprio coração assim como o Senhor o vê, compreendeu sua

verdadeira condição e desejou mudar de vida. Esse é o real propósito

de muitas das visões dadas à Sra. White.

Logo após a morte de Tiago White, em 1891, a Sra. White foi

morar perto do Healdsburg College. Várias moças moravam em

sua casa enquanto freqüentavam a escola. Era costume naquele

tempo usar uma redezinha simples na cabeça para manter o cabelo

assentado durante o dia. Certo dia, ao passar pelo quarto da Sra.

White, uma das moças viu uma rede de cabelo muito bem feita,

exatamente como a que ela estava querendo conseguir. Pensando

que o objeto poderia estar perdido, ela o apanhou e pôs em cima

de seu baú. Pouco depois, quando se vestia para sair, a Sra. White

sentiu falta de sua redezinha. À noite, com a família reunida, a Sra.

White perguntou sobre sua rede desaparecida, mas ninguém deu

qualquer indicação de saber onde ela estava.

Um dia e pouco depois, quando a Sra. White estava passando

pelo quarto daquela moça, uma voz lhe disse: “Abra aquele baú.”

Como o baú não lhe pertencia ela não quis abri-lo. Na segunda

ordem, ela reconheceu a voz como de um anjo. Quando ela ergueu

a tampa do baú, viu por que o anjo lhe havia falado. Quando todos

da casa se reuniram novamente, a Sra. White perguntou outra vez

sobre a redinha, afirmando que ela não poderia ter desaparecido por

si mesma. Ninguém disse nada e assim a Sra. White não prosseguiu

com o assunto.

Poucos dias mais tarde, enquanto a Sra. White estava descan-

sando de sua tarefa de escrever, foi-lhe dada uma brevíssima visão.

Ela viu a mão de uma das moças deixar cair uma rede de cabelo sobre

a lâmpada a querosene. Quando a rede tocou a chama, consumiu-se

imediatamente numa labareda. Aí terminou a visão.

Ao a família se reunir, a Sra. White mais uma vez tocou no

assunto do desaparecimento da rede, mas não houve confissão e

ninguém parecia saber de seu paradeiro. Pouco depois, a Sra. White

chamou aquela jovem e contou-lhe sobre a voz e o que ela havia

visto no baú; então falou sobre a curta visão na qual vira uma rede

de cabelo sendo queimada sobre uma lâmpada. Ao receber essa

[24]

informação, a moça confessou ter apanhado a rede e a queimado

com receio de ser descoberta. Ela acertou a questão com a Sra. White

e com Deus.

Introdução — O dom profético e Ellen G. White

xxvii

Podemos pensar que essa era uma coisa insignificante para o

Senhor Se preocupar: apenas uma rede de cabelo. Mas era uma

questão de muito maior importância do que o valor de um objeto

roubado. Estava envolvida uma jovem, membro da Igreja Adventista

do Sétimo Dia. Ela achava que tudo estava bem, e não percebia os

defeitos de seu caráter. Não viu o egoísmo que a levou a roubar

e enganar. Quando compreendeu quão importantes são as coisas

pequenas e que Deus se interessou em dar uma visão à Sua ocupada

mensageira aqui na Terra sobre uma rede de cabelo, essa moça

começou a ver as coisas sob sua verdadeira luz. Essa experiência foi

o momento decisivo de sua vida.

Essa é uma razão por que as visões foram dadas à Sra. White.

Embora muitos dos testemunhos escritos pela Sra. White tenham

aplicações bastante específicas, eles apresentam princípios que aten-

dem às necessidades da igreja em cada lugar do mundo. A Sra.

White deixou claro o propósito e o lugar dos testemunhos nestas

palavras:

“Os testemunhos escritos não se destinam a comunicar nova luz;

e sim a gravar vividamente na alma as verdades da inspiração já

reveladas. Os deveres do homem para com Deus e seu semelhante

estão claramente discriminados na Palavra Divina, mas poucos de

vós obedecem a essa luz. Não se trata de apresentar outras verdades;

mas, pelos Testemunhos, Deus simplificou importantes verdades já

reveladas. [...] Os testemunhos não foram dados para depreciar a

Palavra de Deus, mas para exaltá-la e atrair as mentes para ela a fim

de que a bela simplicidade da verdade possa impressionar a todos.”

Durante toda sua vida a Sra. White manteve a Palavra de Deus

diante do povo. Ao encerrar seu primeiro livro, declarou:

“Recomendo, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de sua

fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados. Nela Deus prometeu

dar visões nos ‘últimos dias’; não para estabelecer uma nova regra de

fé, mas para conforto do Seu povo e para corrigir os que se desviam

da verdade bíblica.”

A visão que não podia ser contada — Durante uma série de

reuniões em Salamanca, Nova York, em Novembro de 1890, na qual

a Sra. White fez algumas palestras públicas para grandes audiências

e ficou muito fraca, tendo contraído uma severa gripe em meio à

viagem para lá. Após uma das reuniões, ela foi para seu quarto

xxviii

Conselhos para a Igreja

desanimada e doente. Desejava derramar seu coração perante Deus

e suplicar misericórdia, saúde e forças. Ajoelhou-se ao lado de uma

cadeira e, contando o que se passou, disse:

“Eu não tinha ainda proferido uma palavra, quando a sala pareceu

encher-se de uma luz suave e prateada e me foram removidos o

desapontamento e o desânimo. Fiquei cheia de conforto e esperança

[25] — senti a paz de Cristo.”

Então, Ellen recebeu uma visão. Após a visão, não quis dormir

ou descansar. Ela fora curada e sentia-se recuperada.

Uma decisão precisava ser tomada pela manhã. Iria ela para

o lugar onde as próximas reuniões deveriam ocorrer ou voltaria

para seu lar em Battle Creek? A. T. Robinson, que dirigia a obra,

e William White, filho da Sra. White, foram até seu quarto para

saber a resposta. Eles a encontraram já vestida e bem de saúde. Ela

estava pronta para sair e lhes contou acerca da cura. Falou-lhes sobre

a visão e disse: “Gostaria de dizer-lhes o que me foi revelado na

noite passada. Em visão, parecia-me estar em Battle Creek e o anjo

mensageiro disse: “Siga-me.” Então ela hesitou. Não podia recordar-

se da visão. Por duas vezes tentou contá-la, mas não se lembrava

do que lhe fora mostrado. Nos dias que se seguiram, ela escreveu a

respeito. Isso tinha relação com os planos que estavam sendo feitos

para o periódico de liberdade religiosa, então chamado American

Sentinel (Sentinela Americana).

“À noite, como que pude penetrar em várias reuniões e lá ouvi pa-

lavras proferidas por homens influentes que se o American Sentinel

removesse a expressão “Adventista do Sétimo Dia” de suas colunas

e nada dissesse sobre o sábado, os grandes homens do mundo iriam

financiá-lo: ele se tornaria popular e faria uma grande obra. Isso

parecia muito atrativo.

“Vi que seus rostos brilhavam e eles passaram a trabalhar no

propósito de transformar o Sentinel num sucesso popular. Toda a

questão foi apresentada por homens que necessitavam da verdade

na mente e no espírito.”

Claramente o que ela viu era um grupo de homens discutindo a