Coração de Bilionário por Ruth Candello - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

A ideia de fazer ele ficar furioso não durou tanto. Um

homem assim não ficava furioso por muito tempo.

Primeiro, ele iria gritar, e então a puxaria contra ele e a

paixão de ambos falaria mais alto. Eles teriam tempo de

chegar no quarto ou resolveriam a coisa ali mesmo, na

escada?

Abby ligou o ar-condicionado de seu carro para

refrescar o rosto. Precisava parar de pensar nele daquela

maneira. Aquele homem até que era muito bonito, mas se

portava como um bicho. “Nossa! Ele quis me pagar para

que eu ficasse com ele por uma noite!”

Então, por que ela continuava querendo que aquele

serão houvesse terminado de maneira diferente?

Não era seu costume achar homens perigosos atraentes.

Ela namorava homens sólidos, confiáveis, seguros. Eles

faziam parte de seu plano; um plano que ela traçara para

si e para Lil quando, aos dezoito anos, ela havia se

tornado legalmente responsável por sua irmã caçula. O

que faltava de paixão em sua vida sobrava em objetivos

conquistados. Suas decisões cuidadosas haviam tornado

possível a ela fazer faculdade e, ao mesmo tempo, tomar

conta de sua irmãzinha. Aquela casa onde as duas

moravam agora era um belo exemplo de como ela havia

escolhido o caminho certo.

O que o Sr. Armani estava fazendo ela sentir não fazia

parte de suas prioridades. Havia sido bom, mas era o tipo

de coisa boa que sempre terminava mal. No entanto, saber

isso não mudava o fato de, nesse momento — e ao

contrário do que vinha acontecendo por anos ela estar se

sentindo jovem, animada e viva.

Parando o carro junto à calçada onde se alinhavam, em

frente a sua casa, de maneira perfeita, bonitos arbustos,

Abby sucumbiu de novo à recordação daquele breve beijo

e, saindo para a rua, sentiu um arrepio, apesar da noite

quente de junho. Viu seu próprio sorriso refletido no vidro

do carro. “Vamos, Abby”, disse ela consigo mesma.

“Você precisa evitá-lo. Dormir com ele não teria trazido

nada de bom para você. Nada, exceto sexo.”

Abby suspirou de uma excitação que se refletia em seu

rosto. Como ela iria convencer Lil do quanto realmente

lamentava ter feito ela perder seu emprego se não era

capaz de tirar do rosto aquele estúpido sorriso?

Dominic colocou os pés sobre a escrivaninha do pequeno

escritório de sua casa. O couro desgastado da cadeira

giratória lembrou a ele os dias de há muitos anos atrás,

quando precisava se contentar com aqueles móveis. Cada

dia havia sido um desafio, uma razão que o fazia saltar da

cama a cada manhã.

Ele se serviu de um copo de uísque, mas o pousou sem

sequer provar. Normalmente, Dominic não bebia, mas

havia buscado consolo temporário na dormência que o

álcool dava a ele. Mas mesmo com álcool, sua fúria e sua

autorrecriminação jamais o abandonavam. Até esta noite.

Porém, hoje à noite ele não queria pensar em seu pai,

que o havia deserdado quando ele partiu para procurar

sua mãe, ou na amargura que havia esmagado Dominic

quando finalmente parou de procurá-la. Ele não queria

pensar em sua carreira de enorme sucesso ou em como sua

intensa vida de negócios o havia deixado sem amigos.

Não, esta noite ele não estava querendo pensar no

passado. Pela primeira vez, ele estava focado em alguma

coisa que nada tinha a ver com dinheiro ou vingança.

Nesta noite, ele estava pensando em obter uma coisa —

ou melhor, alguém — que ele queria muito. Ele havia feito

tudo errado e consertar a situação demandava negociações

cuidadosas e cabeça fria.

Ele pegou seu celular e falou:

— Jake.

Jake atendeu no segundo toque:

— Dom, do que você precisa?

— Preciso de um favor. Um favor pessoal.

Conhecendo Jake, Dominic o imaginou se sentando

muito direito em sua cadeira, quando ele anunciou:

— Não vou matar ninguém para você.

Apesar de seu tom casual, Dominic notou a sutileza do

comentário.

— Você acha mesmo que eu usaria meu próprio celular

para pedir uma coisa dessas para você? — Provocou ele,

mas Jake não partilhava de seu bom humor. — Estou

brincando, Jake.

— Eu não gosto de brincadeiras sobre coisas que

poderão me obrigar a viver escondido em algum país do

terceiro mundo para escapar da extradição.

A seriedade do tom de Jake o ferroou. Quando eles

costumavam sentar naquele mesmo escritório, estudando

para exames e delineando seu futuro negócio, nenhum

deles poderia ter previsto exatamente o quanto eles iriam

superar seus objetivos mais otimistas ou quão cruel

Dominic precisaria se tornar para concretizá-los. Mas

assassinato? Quão depravado Jake achava que ele havia

se tornado? De fato, houvera baixas financeiras ao longo

do caminho, mas isso fazia parte do negócio. A

moralidade, do mesmo modo que o direito internacional,

era sempre subjetiva. Seu sucesso sempre havia gerado

rumores de possíveis más práticas, porém, até agora, ele

acreditava que Jake sabia a verdade.

— Tudo o que preciso, Jake, é que você entre em

contato com nossa empresa de investigação local.

Isso chamou a atenção de Jake.

— O que aconteceu?

— Nada! Não aconteceu nada. Eu preciso que

investiguem uma pessoa o mais rápido possível. Esta

noite.

— Sem problema. Aí em Boston nós terceirizamos os

serviços com a Luros Systems. Vou pedir a Duhamel para

fazer o contato. Quem você quer que eles investiguem?

Dominic hesitou e ele não era um homem que costumava

fazer isso.

— Não sei o nome dela, mas ela esteve limpando meu

apartamento hoje.

— Você quer que eles investiguem a vida de sua

diarista? — Perguntou Jake, incrédulo. — Ela roubou

alguma coisa de você?

— Não. É uma história complicada, mas eu quero um

relatório completo: onde ela mora, quem é o namorado, se

está namorando firme.

— Ohhhhhhhhhhhhh! — Exclamou Jake. — Você quer

esse tipo de investigação? Isso vai demandar bastante

trabalho. Aí em Boston já são seis da tarde.

— Eu quero essa informação hoje à noite.

Jake suspirou.

— Estou certo de que a Luros vai conseguir descobrir

alguma coisa.

— Eu pago o que for necessário, mas quero essa

informação até às oito horas — Dominic falou.

— E você vai tê-la. Não existe nada impossível quando

estamos dispostos a pagar.

— Existe, sim — murmurou Dominic, desligando o

celular.

Às sete e quarenta e cinco Dominic descobria,

fascinado, que Abigail Dartley tinha um segredo. A prova,

que havia chegado minutos antes, estava sobre a mesa de

Dominic, escrita e fotografada. A Luros Systems merecia

o elevado preço cobrado. Eles haviam usado a descrição

que ele fizera dela para descobrirem que Abby não era, de

fato, sua diarista, Lillian Dartley, mas poderia ser sua

irmã.

Pouco depois de haver conversado com um dos

detetives particulares da empresa, Dominic recebera em

seu celular a foto da carteira de motorista de Abby, para

que ele confirmasse se a moça era ela.

O restante das informações havia chegado menos de

uma hora depois, trazido por moto-boy. Havia

informações financeiras, entrevistas com vizinhos e

amigos e uma fascinante descrição do último namorado de

Abby, um gerente de banco, de boa aparência, educado,

confiável. Sua primeira avaliação sobre Abby estava

correta. Ela gostava de jogar pelo seguro.

Dominic segurou as fotografias das duas irmãs, uma do

lado da outra, e ficou ainda mais impressionado com o

trabalho da Luros Systems. As duas moças eram

fisicamente muito parecidas. As duas tinham cabelos

castanho-escuros, longos e cacheados, e olhos castanho-

claros, e Dominic imaginou que muitos homens também

achariam que a irmã de Abby era bem atraente. No

entanto, Lillian era magra onde Abby era exuberante, e

ossuda onde Abby era suave. A principal diferença,

porém, entre as duas era sua linguagem corporal. Abby

era alta e se mantinha bem direita, como uma mulher que

sempre respeita o limite de velocidade. O corpo de sua

irmã, por sua vez, se mantinha rígido e desafiador, e isso

marcava bastante a diferença física entre as duas.

Ele leu a história da vida de Abby com profundo

interesse. Nada parecia ser feito ao acaso. A moça a que

todo mundo chamava de Abby havia assumido a

responsabilidade de criar sua irmã caçula depois que os

pais delas morreram. Ela era uma pessoa bastante

respeitada em seu bairro, tinha um monte de amigos e era

uma vizinha atenciosa. Nas três páginas de entrevistas

gravadas, não havia uma palavra indelicada sobre ela.

Nada em seu perfil indicava que ela fosse algo mais que

uma professora de ensino médio que havia substituído sua

irmã, em seu trabalho de diarista, por um dia; uma

professora que havia iniciado suas férias de verão alguns

dias antes.

“Perfeito!”

Uma doce professora que, inocentemente, havia contado

para a vizinha o quanto sua irmã ficaria em apuros se a

troca desse dia fosse descoberta.

“Melhor ainda! Isso está parecendo até fácil demais!”

Com a leitura do testamento de seu pai na tarde do dia

seguinte, ele ficaria livre em torno das…

De repente, teve uma ideia. Por que não levá-la? Abby

seria a distração perfeita. Com ela a seu lado, ele tinha

certeza de que estaria se lixando para as últimas vontades

escritas de seu pai e para o quanto sua irmã havia ficado

instável.

Só de pensar sobre ela agora seu sangue já corria mais

rápido em suas veias. Também não faria mal mostrar a ela

que era tão rico que, ser deixado de fora do testamento de

seu pai, era apenas um pequeno aborrecimento. Sim, ele

levaria Abby — isso tornaria tolerável a insuportável

situação e depois ele iria levá-la para um estupidamente

caro hotel da cidade e mostraria para a Senhorita

Professora de Ensino Médio um pouco do quanto ela

andava perdendo.

Ele discou o número residencial dela, que vinha junto

com o relatório, e esperou, segurando a respiração,

enquanto ouvia tocar.

— Alô? — Respondeu ela depois do quarto toque.

— Quem está falando é Dominic Corisi. Eu gostaria de

falar com Abby Dartley — falou ele.

Houve um silêncio seguido de palavras abafadas

dirigidas a outra pessoa enquanto ela tapava o telefone

com a mão. Uma voz feminina respondeu a ela. Só podia

ter sido a irmã. Elas pareciam não estar de acordo sobre o

que fazer, então ela deixou de tapar o telefone com a mão

quando a conversa subiu de tom.

Ele as interrompeu:

— Apesar de isto estar sendo divertido, não precisa

mais se fazer passar por sua irmã, Abby. Eu já sei tudo

sobre sua pequena enrolação.

— Droga! — falou. — Você ouviu isso?

De repente, ele começou a rir de novo. Colocou os pés

no chão e pousou um cotovelo sobre a escrivaninha.

— Digamos que você fez a opção certa quando decidiu

ser professora em vez de espiã.

— Como você me achou? — Perguntou ela. — E como

você sabe que eu sou professora?

— Isso não interessa. Eu telefonei porque…

Ela o interrompeu:

— Oh, meu Deus! Você pagou para que perguntassem

sobre mim! Ainda há pouco minha vizinha veio me dizer

que alguém andou fazendo perguntas para ela, esta noite, e

que essas perguntas sobre mim haviam sido bem

estranhas.

A Luros Systems precisava ser mais discreta. Ele

precisava falar isso para eles, mas, talvez nesse caso, não

tivesse sido possível. Eles tinham tido muito pouco tempo

para reunir toda a informação que ele havia pedido.

— Você saiu sem sequer me dizer seu nome. Como

pode me acusar de estar querendo saber o nome da pessoa

que jantou comigo? — Perguntou.

— Então, você saiu interrogando meus vizinhos? Isso é

bem diferente de buscar na lista telefônica — respondeu

ela.

— Nós dois sabemos que temos uns assuntos ainda

pendentes — ele falou, deslizando um dedo na borda de

seu copo.

— Você está fazendo tudo parecer mais do que foi. Não

aconteceu nada — argumentou ela.

— Porque você fugiu.

— Eu não fugi!

— Ah, fugiu, sim! Você acha mesmo que eu iria me

importar por você ser professora e não a minha diarista?

— Você acha mesmo que eu iria fazer sexo com você

por dinheiro? — Perguntou Abby, feroz.

— Eu não tinha certeza — respondeu ele, com

honestidade, e entendeu que havia errado quando ouviu

ela respirar mais profundamente. — Depois que eu li a

história de toda sua vida, entendo o quanto eu posso ter

ofendido você.

— O quanto você pode ter me ofendido? Leu a história

de minha vida? Não existe nada nesta conversa que possa

ajudar a mudar minha primeira impressão sobre você, seu

idiota arrogante.

— E ainda assim você me beijou. — Só de dizer

aquelas palavras, já sentiu seu sangue correr mais rápido,

antecipando o prazer que ele tinha certeza de que sentiria

de novo, muito em breve.

— Você me beijou. — Ela o corrigiu.

— Eu não me lembro de você ter lutado para se libertar.

Na verdade, eu me lembro bem do gemido que você deu

quando nosso beijo terminou. E isso me faz imaginar que

outros barulhinhos você vai fazer para mim.

Ele desejava poder ver a expressão no rosto dela.

Estava tendo dificuldade em respirar e isso bastava para

que ele soubesse que havia atingido seu alvo. Ela estava

brava com ele. Impenitente, a raiva dela só fez o fez

desejá-la mais. Ele mal conseguia se concentrar na

conversa, imaginando como seria redirecionar toda aquela

emoção se estivesse ao lado dela.

Antes que ela tivesse tempo para se questionar sobre o

por quê de sua respiração estar assim pesada, ele falou:

— Uma limusine vai buscar você amanhã, às onze

horas. Vista alguma coisa bonita.

A raiva dela explodiu.

— Você está louco? Eu não vou a lugar nenhum com

você.

— Você sabe que quer me ver de novo — desafiou ele.

Em uma tentativa desesperada e sem sucesso para fugir

dele, Abby perguntou:

— E se eu estiver namorando?

— Você terminou com seu último namorado um mês

atrás — respondeu ele, com um tom satisfeito.

Outro suspiro indignado. Ela parecia gloriosamente

afobada.

— Você acha que tem todas as respostas, não é?

Aquilo até que podia ser divertido, mas ele estava

começando a perder a paciência com a resistência dela:

— A limusine vai buscá-la às onze…

— Você pode até mandar uma frota inteirinha de

limusines. Eu não vou a lugar algum com você amanhã.

Fale para seu detetive não esquecer a câmera, assim você

vai poder ver uma bela foto de minha porta fechada.

“Chega!”, ele pensou e então falou alto:

— Você vai entrar na limusine que eu mandar.

— Isso nós vamos ver!

De repente, uma dúvida explodiu na cabeça dele. A

possibilidade de ela recusar não lhe havia ocorrido, agora

não havia outra opção:

— Você virá, sim… Ou o emprego de sua irmã não tem

mais importância para você?

— Você não pode estar mesmo insinuando que vai me

chantagear para fazer com que eu vá a algum lugar com

você, está? É dessa maneira que os multimilionários

conseguem encontros amorosos? Não é um pouco demais?

Ao contrário de todas as outras pessoas que ele

conhecia, ela não estava nem um pouco intimidada por ele

ou por suas ameaças, e isso só fazia aumentar a atração

que Dominic sentia por aquela moça.

Ela fez uma pausa e pareceu estar pensando em alguma

coisa:

— Ou isso é por causa de seu carro?

“Que diabo?”... Ele olhou para seu carro através da

janela.

— O que há com meu carro?

— Oh, nada! Esqueça o que falei. — Pela primeira vez,

a voz dela demonstrava algum nervosismo.

Mais um erro da Luros Systems. Eles não haviam

reportado um aparente ato de vandalismo. Até mesmo com

a luz fraca da rua ele conseguia ver os danos em seu para-

choque. Dominic balançou a cabeça, não querendo

acreditar.

Aquela conversa não estava acontecendo como ele a

havia planejado em sua cabeça. Ele gostaria de ter pedido

educadamente para que ela o acompanhasse, e ele havia

esperado que ela aceitasse seu pedido prontamente.

Ela era deliciosa, inesperadamente difícil de prever ou

controlar. Sua resistência tornaria a vitória dele bem mais

doce e agora a culpa dela era apenas a vantagem que ele

estava buscando.

— Você sabe quanto custa aquele carro? — Perguntou

Dominic, tirando vantagem do desconforto dela.

— Não sei do que você está falando — retrucou ela.

Aquela Abby não era boa em mentiras. Confiando que

haviam chegado a uma solução, ele ordenou:

— Esteja pronta às onze horas.

— Vá para o inferno! — Disse ela, desligando o

telefone na cara dele.

Aquilo era um bom resumo do que aconteceria no dia

seguinte, mas ele não tinha a mínima intenção de ir

sozinho. Se ela pensou que havia vencido, estava

subestimando a capacidade que ele tinha para conseguir o

que queria.

Um telefonema bastaria para colocá-la dentro da

limusine. Ele dirigiu sua voz para o celular:

— Duhamel — ouviu dois toques e logo depois sua

assistente pessoal atendeu. Sem sequer esperar que ela

falasse alguma coisa, ele disse: — Eu preciso que você

faça algo para mim. Considere isso como um favor

pessoal.

index-51_1.jpg

CINCO

Abby pousou o telefone e olhou Lil que, com o bebê

encaixado na lateral do quadril, balançava a cabeça,

divertida.

— Eu não estou acreditando! Abby Dartley está se

comportando de maneira imprudente! — Lil falou.

“Eu mereço isso”, pensou Abby. Ao longo dos anos,

diversas vezes, ela sempre havia ensinado Lil sobre o tipo

certo e o tipo errado de homem. Antes desta noite, havia

sido fácil contrariar os protestos de Lil que sempre falava

que a gente simplesmente não escolhe o homem por quem

está se sentindo atraída.

Mas isso havia sido antes de Dominic.

“Do grosso, mandão, chantagista Dominic”. Apenas

pensar nele fazia Abby sentir um arrepio de antecipação

sexual ao longo de sua espinha. Ela nem estava sabendo

que tipo de passeio ele estava planejando para o dia

seguinte, simplesmente não iria. Mas isso não queria dizer

que Abby não pudesse conceder a si mesma uns momentos

de fantasia.

Lil colocou Colby no outro lado do quadril.

— Era mesmo Dominic Corisi no telefone?

Abby passou por sua irmã e começou a colocar um

pouco de ordem na sala. Finalmente, a febre de Lil havia

desaparecido. Talvez agora a sala deixasse de parecer

uma enfermaria.

— Sim, ele mesmo. Eu falei que ele apareceu lá em

casa.

Lil seguiu a irmã até a cozinha.

— Falou, sim. Mas eu estou achando que você se

esqueceu de contar um monte de coisas.

Abby sentiu seu rosto escaldar.

Lil continuou falando:

— Bem, se ele está querendo mandar uma limusine para

lhe buscar, é óbvio que você causou uma ótima impressão

nele. Não vai me dizer que você não quer ir… Está me

parecendo bastante interessada.

Abby pegou alguns copos que estavam na pia e os

colocou na lava-louças. Esperava que seu silêncio

desencorajasse Lil, mas sua irmã estava esperando,

pacientemente, sem sequer se incomodar em esconder o

quando tudo aquilo a estava divertindo.

— Vamos, ria! Ria de mim! Eu mereço. Aquele homem

é um completo idiota, mas…

— Mas você está gostando dele. — Lil a interrompeu.

— Estupidez, né?

O sorriso de Lil virou simpático.

— Não, mas surpreendentemente humano para você.

— O que você está querendo dizer com isso?

— Estou querendo dizer que, desde que papai e mamãe

morreram, você sempre foi perfeita. — Lil se aproximou

mais de sua irmã, embalando Colby contra seu pescoço.

— Não me interprete mal, eu sou muito grata pela forma

como você sempre cuidou de mim, mas tem sido difícil

viver segundo suas expectativas. É bem animador ver

você assim.

— Eu não vou a lugar algum com ele. — Abby se virou,

cruzando os braços sobre o peito e descansando o corpo

contra o balcão.

— Tem homem rico batendo em sua porta todos os

dias?

— Eu não me importo com o dinheiro dele.

Lil balançou a cabeça.

— Ok, mas olhe nos meus olhos e diga para mim que

você não está com vontade de ir.

Abby pulou para sentar-se em cima do balcão, algo que

ela não havia feito desde sua infância, inclinou a cabeça

para trás contra o armário de madeira e fechou os olhos.

Ela sabia que o sorriso estúpido estava de volta em seu

rosto.

— Você precisava ter visto. Ele chegou parecendo bem

rude, mas isso era apenas por fora. Seus olhos estavam

cheios de tristeza. Eu só quis confortá-lo. Então, ele olhou

para mim e… Eu me senti ardendo por dentro. Eu nunca

havia me sentido assim antes. Eu não o conhecia, mas isso

não tinha a menor importância. — Ela mordeu o lábio e

abriu os olhos. — Isso não faz o menor sentido.

— Quem foi que falou que essas coisas do amor fazem

sentido? Quer dizer, além de você? Não interessa o quão

bem você planeje as coisas, você simplesmente não pode

decidir por quem vai se sentir atraída. Por que você não

dá uma chance para ele? — Lil balançou um dedo em

frente a sua irmã, não a deixando falar. — Não venha me

dizer que é por causa de meu emprego.

Abby ficou com um ar envergonhado.

— Me desculpe, Lil. Eu vou ajudar você a encontrar

outro trabalho.

Lil não parecia tão preocupada com essa perspectiva

como antes.

— Não mude de assunto. O que você tem contra o

moço?

— Além do fato de ele ter mandado investigar minha

vida?

Lil deu de ombros.

— Pessoas ricas sempre são um pouco esquisitas. Eu já

li em uma dessas revistas de economia que ele é um dos

cinquenta homens mais poderosos do mundo. Dê um

desconto para ele. Provavelmente, ele só estava sendo

prudente. — Lil sorriu, pensando em como seus papéis, de

repente, estavam trocados.

Um dos homens mais poderosos do mundo? Abby

engoliu, nervosa.

— Eu estou assustada, ok?

Se você não pode ser honesta com você mesma, pelo

menos, seja honesta com sua irmã.

— Não! É mesmo? — Lil rolou os olhos.

— Cale a boca. — Abby brincou, maravilhada porque a

tensão que sempre fazia parte de suas conversas com a

irmã não existia mais. Abby se lembrou de um tempo,

havia muitos anos, quando elas duas conversavam assim,

sobre meninos.

— Então é isso? Amanhã pela manhã, um dos homens

mais ricos do planeta vai mandar uma limusine para você

e você não vai entrar nela? — Lil a desafiou.

Abby pulou para o chão e continuou enchendo a lava-

louças.

— Exatamente! E vou...

— Me esconder! — Lil terminou a frase pela irmã. Ela

levantou Colby nos braços e falou para a menina: —

Colby, titia Abby cuidou de mim por tanto tempo que

agora ela está com medo de fazer alguma coisa por ela

mesma. Nós vamos ter que parar de depender tanto dela

ou ela nunca vai transar.

Abby suspirou.

— Você não pode falar isso para Colby!

Lil riu.

— Ela só tem cinco meses. Não entende nada do que

estou falando, mas você entende. — Lil foi se encostar no

balcão, ao lado da irmã. — Juro, Abby, eu não estou nem

um pouco preocupada com meu emprego. Eu vou achar

outro igual, fácil, fácil, e em breve eu vou ter meu

diploma. Você já fez mais do que deveria, agora chegou

sua vez de viver um pouco sua vida. Esse cara parece seu

caminho certo para alavancar a próxima fase de sua vida.

Passando as mãos trêmulas debaixo d’água, Abby

perguntou:

— Que fase é essa?

Lil colocou um braço sobre os ombros de Abby.

— Aquela em que você vai parar de ser meu pai e

minha mãe e vai voltar a ser, de novo, minha irmã.

Os olhos de Abby se encheram de lágrimas.

— Eu fui assim tão horrível para você?

Lil a abraçou.

— Não, mas é bom ter minha irmã de volta.

Vinte minutos depois, Abby estava lendo um boletim da

escola quando Lil entrou na sala trazendo o telefone sem

fio. Perdida em seus pensamentos, Abby não tinha ouvido

ele tocar.

— Para você, Abby. — Lil anunciou, com um sorriso

malicioso, e passou o telefone a ela. — É a assistente

pessoal do Sr. Corisi. Hmmmmmm, o que será que ela

está querendo?

— Diga a ela que estou ocupada — Abby falou, mesmo

sentindo a excitação invadi-la de novo. Ele não havia

desistido.

Lil jamais fazia o que mandavam a ela e, por isso,

passou o telefone a sua irmã.

— Fala você.

Abby olhou para sua irmã, chateada.

— Você está achando tudo isso muito divertido, né?

— A vingança sempre é gostosa. — Lil riu e sentou-se

no sofá, ao lado da irmã. Ia ficar assistindo de camarote.

Inevitável!

— Colby não está precisando de um banho ou alguma

outra coisa?

— Ela tomou banho quando chegou em casa. Está

dormindo. — Lil respondeu, descarada, fingindo não ter

entendido o que a irmã queria dizer para ela.

Fazer o quê?

— Alô? — Abby falou, usando um tom menos caloroso

do que era seu costume.

— Alô. Obrigada por me atender, senhorita Dartley. Eu

sou Marie Duhamel, assistente pessoal do Sr. Corisi.

— Sim, eu sei. — Abby suspirou. — Eu não quero ser

rude, mas se eu disse não para ele, por que ele pensa que

eu vou mudar de ideia falando com a secretária dele?

— Assistente pessoal. — A mulher a corrigiu

gentilmente, mas continuou falando em um tom simpático,

parecendo a vizinha do lado: — Eu lhe peço desculpas

por estar interrompendo sua noite, mas depois de tudo o

que aconteceu com Dominic nessa última semana, eu

precisava ajudá-lo.

— Tudo o que aconteceu? — Esse detalhe prendeu a

atenção de Abby. Ela se inclinou para a frente, não se

importando com o fato de Lil estar com sua orelha

praticamente encostada no outro lado do telefone.

Resignada, Abby o afastou um pouco do rosto, para que

Lil ouvisse melhor.

— Ele não contou a você? Eu já devia saber disso. Ele

não é muito bom em pedir ajuda.

— Eu não estou entendendo nada. O que você está

querendo me dizer? — Perguntou Abby, seu interesse

crescendo mais e mais.

Houve uma pausa curta.

— Senhorita Dartley, o pai de Dominic morreu há

alguns dias atrás. Ele veio a Boston para ouvir a leitura

do testamento.

— Oh, meu Deus! — Abby e Lil exclamaram ao mesmo

tempo. Abby fez sua irmã se calar com um aceno de mão.

— Então, amanhã ele quer que eu…?

Era embaraçoso demais para perguntar. Ela imaginara

que ele estava mandando uma limusine para levá-la para

fazer amor em algum luxuoso hotel da cidade. No entanto,

tudo aquilo estava parecendo confirmar seu instinto

inicial.

— Dominic gostaria que a senhorita acompanhasse ele à

leitura do testamento do pai — disse a Sra. Duhamel, só

fazendo aumentar o sentimento de naufrágio que Abby

estava sentindo. Ela havia interpretado aquela noite de

maneira completamente errada? Havia permitido que sua

atração por ele a tornasse cega para a realidade. Dominic

era simplesmente um homem que não estava suportando

ficar sozinho por conta de uma perda recente.

Aquilo doeu.

“Tudo isso por que ele é irresistível!”, pensou ela.

As vibrações de Abby haviam atraído ele. As pessoas

sempre a procuravam quando estavam vivendo uma crise.

Ela já devia estar acostumada com isso.

— Será que ele não… Ele não deveria levar uma outra

pessoa, uma que ele conhecesse melhor do que a mim,

para uma coisa dessas?

— Minha querida — a voz da mulher mais velha

carregava um tipo de emoção própria de uma mãe que fala

sobre seu filho. — Dominic é um homem muitíssimo

ocupado. Ele não tem tempo para amigos. Parceiros de

negócios, sim. Pessoas que gostam de falar que fazem

parte de seu círculo social, sim. Mas ele não pode levar

nenhuma dessas pessoas para assistir a leitura de

testamento de seu pai.

Abby e Lil cruzaram olhares. Aquele cara era bilionário

e, no fim das contas, não tinha nada. Como isso era triste!

Elas haviam sofrido muito com a morte de seus pais, mas

estavam juntas e se apoiavam.

— Lamento muito, Sra. Duhamel, mas eu o vi pela

primeira vez hoje. Eu não sei o que ele falou para a

senhora, mas nós mal nos conhecemos.

— Ele falou que precisava que você fosse. Isso basta

para mim.

— Ele falou isso? — Abby sentiu seu coração se

apertar dentro do peito. Lil quase saiu batendo palmas de

tanta emoção e então ela fez um coração, juntando as mãos

na frente do peito. Abby deu um tapinha nela.

“Ele precisa de mim? Sua conversa durona era apenas

isso… Conversa?”

Ele havia perdido o pai e não estava sendo capaz de

enfrentar sozinho uma situação dolorosa. Ela entendia isso

bem demais, ela sabia como a morte do pai sacudia a vida

de uma pessoa.

— Sim — disse a Sra. Duhamel. — E eu preciso falar

uma coisa para você: ao longo de todos esses anos em que

trabalho para ele, eu jamais dei um telefonema tratando de

seus assuntos pessoais. Esta é a primeira vez.

Então, ele a queria tanto que havia envolvido sua

assistente pessoal no caso. O que isso significava?

— Ele pediu que a senhora me contasse sobre o pai? —

Perguntou Abby.

A Sra. Duhamel descartou a ideia com uma curta risada.

— Oh, não! Eu acho que era para eu ligar e ameaçar

você ou acenar uma varinha mágica e convencê-la a ir

com ele. Ele disse apenas que se existia uma pessoa que

conseguiria convencer você, essa pessoa era eu. Tanta

confiança me lisonjeia, mas eu acho que sua decisão terá

mais a ver com o seu nível de compaixão do que minha

capacidade de persuadi-la.

— Não tenha tanta certeza sobre isso — murmurou Lil.

Abby pediu que ela fizesse silêncio.

Lil deu de ombros e ficou assobiando e apontando para

o telefone:

— Nossa, essa mulher sabe como fazer as coisas!

“Muito verdadeiro!”, pensou Abby. A suave voz da

mulher mais velha havia feito com que o escandaloso

pedido de Dominic soasse mais como um ato de bondade,

em vez de uma imprudência.

A Sra. Duhamel acrescentou:

— Eu sei que Dominic falou que a limusine iria pegar

você às onze horas, mas, se for possível, eu gostaria de

pegá-la às sete. Eu vou levá-la em um spa e depois

faremos algumas compras.

“Oh, primeiro sou gorda, agora estou precisando de um

banho de loja?”

— Diga a seu chefe que se eu não sirvo como eu sou…

A Sra. Duhamel a interrompeu apressadamente:

— Oh, não! Não foi Dominic que sugeriu isso. Eu

apenas pensei que se eu precisasse assistir à leitura de um

testamento de vários milhões de dólares, eu ia querer me

produzir primeiro.

Oh! Sob aquele ponto de vista, Abby só podia estar de

acordo.

— Sra. Duhamel, acho que eu adoro a senhora.

A mulher riu com carinho.

— Estou apenas fazendo meu trabalho. E, por favor, me

chame de Marie.

Abby suspeitou que fosse um pouco mais do que isso.

Essa mulher, obviamente, se preocupava com Dominic.

— Então, por favor, me chame de Abby. Não fique

brava comigo, mas você, realmente, não parece com

alguém que é a assistente pessoal de Dominic. Você é

tão... querida.

O tom maternal retornou:

— Não deixe que sua primeira impressão sobre

Dominic macule sua opinião sobre ele. Ele é bem mais do

que deixa as pessoas verem. Meu marido trabalhou para

ele quando Dominic começou sua empresa, mas saiu antes

que ela decolasse. Stan era um bom marido, mas não era

lá essas coisas como homem de negócios. Ele morreu há

sete anos e me deixou muitas dívidas. Ali estava eu, com

quase sessenta anos, falida e sem formação suficiente para

encontrar um emprego. Então, eu liguei para Dominic

desejando desesperadamente que ele se lembrasse de meu

marido. E ele se lembrava. Ele me disse que Stan havia

sido um bom homem e me contratou na hora como sua

assistente pessoal. Eu trabalho para ele desde esse dia.

Abby trocou um olhar com sua irmã. Dominic não

poderia ser um cara tão ruim assim se ele havia colocado

sob sua proteção a esposa de um antigo funcionário. O que

estava segurando ela? Abby queria muito ir e Dominic

queria muito que ela fosse. Sua irmã teria razão? Estava

na hora de ela dar de ombros para o papel de moça

responsável que havia assumido por necessidade e se

permitir numa aventura louca?

— Ok — falou Abby, sua voz tremendo. — Eu vou.

— Fantástico! — Exclamou a Sra. Duhamel. — Agora,

vá dormir um pouco, querida. Eu pego você às sete.

Antes de encerrar a ligação, Abby perguntou:

— Tem certeza absoluta? Tem de haver alguma outra

pessoa que ele…

A mulher mais velha se apressou a garantir:

— Não fique imaginando coisas. Um passo de cada vez.

Agora apenas se concentre no fato de que, amanhã, você

vai ser tratada como jamais foi.

— Isso está me parecendo muito bom.

— Nem imagina quanto. Eu vejo você às sete.

Lil se esparramou no sofá enquanto uma confusa Abby

colocava o telefone de volta no carregador da parede.

— Se isso ajuda, Abby, eu acho que você escolheu a

opção certa.

Abby suavizou sua resposta com um sorriso:

— Essa é realmente a parte que está me assustando.

Lil lhe jogou uma pequena almofada, da qual Abby se

desviou, sorrindo. Não importava como o dia seguinte iria

acabar, sua vida agora estava bem melhor do que havia

sido por muitos anos.

index-65_1.jpg

SEIS

No final da manhã, Abby estava diante de um espelho

de corpo inteiro no provador de uma boutique de

roupas caras que havia imediatamente fechado suas portas

para outros clientes quando ela chegou. Ela quase não se

reconheceu. Seus cachos escuros haviam sido domados

em ondas macias ao redor de seu rosto agora impecável.

Seus olhos jamais haviam parecido tão grandes e seu

nariz, tão pequeno. Ela sempre se considerara uma garota

normal, igual a tantas outras, mas Marie estava certa.

Todo aquele mimo com que estava sendo tratada havia lhe

dado um novo nível de confiança. Ela se sentia linda.

Na verdade, também havia uma faísca de antecipação

naqueles olhos que observavam através do espelho. Ela

poderia estar dizendo a si mesma que estava se vestindo

para ir ao escritório de um advogado assistir a um ato

importante, mas, no fundo, ela sabia que a fome que havia

sentido por Dominic no dia anterior não fora apenas

imaginação. Seu corpo despertava sempre que Abby se

lembrava de como ele fazia seu sangue correr olhando

para ela com aqueles olhos cheios de desejo sexual. Seu

toque também conteria aquela promessa de luxúria

primitiva e incontida?

Poderia alguma coisa tão boa sobreviver à luz do dia?

O vestido preto, tomara que caia, que estava

experimentando, se colava a todas as curvas de seu corpo,

não deixando lugar para a imaginação. Ela era uma moça

de gostos recatados e aquele vestido ousado, delineando-

lhe os seios e expondo sua excitação, não era o tipo de

roupa que a deixava confortável, e também não parecia

próprio para uma ocasião formal como essa.

— Marie, este vestido é sexy demais para mim. Acho

que vou experimentar um menos justo e com mangas.

— Deixe eu ver. — A voz masculina que lhe respondeu

definitivamente não era Marie.

Dominic! Abby se engasgou, cobrindo os seios com uma

das mãos e segurando a maçaneta da porta com a outra.

— Não abra a porta! — ordenou Abby. — O que você

está fazendo aqui?

Houve o som de um ligeiro movimento na sala do lado

de fora e o fechamento da porta exterior. — Estou vindo

verificar seu progresso. Temos tempo suficiente para

pegar o almoço antes da reunião, se você se apressar.

— O vestido não entra — mentiu Abby. Ela queria que

ele a achasse atraente e não vestida de um modo que

fizesse ele pensar em lhe oferecer de novo seu dinheiro.

— Eu preciso que Marie traga outro para mim, de outro

modelo.

— Mostre para mim.

— Não.

— Estou mandando.

— Você acha que pode me tratar como se eu fosse uma

adolescente?

— Me mostre.

— Não é próprio para hoje. Peça para Marie trazer o

vestido azul-escuro que nós duas estávamos vendo.

— Eu peço. Mas primeiro você vai me mostrar esse. —

Abby escutou o som de uma cadeira sendo colocada perto

da porta do provador e isso disse a ela que Dominic não

iria a lugar nenhum. Ele iria se sentar ali e esperar, até

que ela se decidisse.

Ela largou a maçaneta da porta e endireitou os ombros,

mas isso só fez o decote do vestido mostrar ainda mais

seus seios. Aquela roupa não era decente, porém ele não

iria sair dali se ela não mostrasse… Bom, então, o melhor

era mesmo deixar ele ver.

Sua confiança dobrou ao ver a reação que provocava

nele. Dominic deixou cair os braços e o queixo quando a

viu aparecer. Mas o homem de terno amarrotado do dia

anterior havia desaparecido. Seu terno cinza-escuro havia

sido, obviamente, feito sob medida e seus cabelos

estavam agora perfeitamente penteados, não existia um fio

fora do lugar. Tudo nele mostrava riqueza e poder.

“Nossa! Estou bem longe desse campeonato!”. Abby

perdeu a vontade de girar alegremente diante dele; em vez

disso, ela colocou os braços para baixo, um pouco sem

jeito e disse:

— Veja, eu disse que não era apropriado.

— Você está certa — disse ele com voz rouca,

levantando rapidamente da cadeira, com jeito de

predador. — Esconderam suas sardas — comentou,

usando um tom quase acusatório.

O peito dela arfava de irritação e Abby colocou as

mãos nos quadris.

— Você devia estar comentando o quanto eu estou

linda.

Ele a puxou contra ele, a obrigando a esticar o pescoço

para olhá-lo.

— Isso você já sabe. — Ele roçou seus lábios nos dela

antes de sussurrar em seu ouvido: — Mas, mais tarde, eu

vou querer tirar toda essa maquiagem de seu rosto.

Ela ficou rígida em seus braços.

— Sr. Corisi…

Ele a beijou na nuca.

— Fale meu nome.

— Dominic, não foi para isso que eu vim hoje.

— Apenas meu nome — ele ordenou de novo enquanto

dava pequenas mordidas na orelha dela. — Fale.

— Dominic — ela arfou. Ok, talvez ela também tivesse

vindo um pouco por causa disso.

— Mmmmmmm — gemeu ele, largando a orelha dela e

começando a beijar seu ombro nu. Deslizou uma das mãos

pelo vestido e segurou, com força, as nádegas de Abby,

enquanto a puxava mais para perto dele. Seus corpos se

colaram.

Ela se contorceu contra o corpo daquele homem lindo e

todos os pensamentos racionais voaram de sua mente.

Então se segurou em seus ombros largos e os beijos de

Dominic foram descendo até o lugar onde a pele de Abby

se juntava com o tecido caro do vestido. Ele deu um passo

para a frente e obrigou Abby a ficar encostada na parede.

Dominic foi deslizando sua mão, descendo sempre, mas o

vestido impedia sua entrada. Ele não pareceu importar-se

com isso e a acariciou através do vestido, provocando a

excitação até ela arquear o corpo para trás, cheia de

prazer. O vestido escorregou um pouco, revelando um

mamilo nu e ele desceu para abocanhá-lo.

Ele não era inexperiente. Muito pelo contrário. Ele a

tocava com confiante perícia cheia de promessas de

prazer para eles dois.

Uma batida na porta os interrompeu. Eles escutaram a

voz de Marie vindo do lado de fora:

— Esse vestido está bom? Você quer que eu pegue o

azul?

Dominic gemeu de encontro ao pescoço de Abby e

então ajeitou o vestido dela, colocando a saia para baixo

e o decote no lugar certo.

— Agora não — ordenou ele.

A Sra. Duhamel respondeu como se não o tivesse

escutado:

— Se vocês dois estão querendo almoçar, nós

precisamos nos apressar. Ainda falta Abby experimentar

algumas roupas.

Abby sentiu seu rosto se inundar de embaraço.

— Oh, meu Deus, ela sabe o que nós estamos fazendo.

Dominic segurou o rosto de Abby com as duas mãos

obrigando que ela olhasse para ele.

— E ela decidiu segurar vela para nós. — Ele a beijou

profundamente e o corpo de Abby tremeu, precisando de

novo do de Dominic. Ele terminou o beijo roçando

suavemente, uma última vez, seus lábios nos dela e

descansou o rosto contra seus cachos, cercando-a com

uma ternura que desmentia a brevidade de seu

conhecimento. Por um momento, o único som naquele

pequeno espaço era a respiração descompassada dos dois

e os batimentos do coração dele, grudado na orelha dela.

Respirando fundo, Dominic deu um passo atrás, olhou

Abby e disse: — Ela está certa. Ao menos agora.

Ele foi abrir a porta exterior a sua assistente e deu a ela

um sorriso tímido, como um menino apanhado pela mãe

fazendo uma bobagem.

— Ela é toda sua, Duhamel. Você está certa.

Precisamos ir em dez minutos e ela não pode usar aquele

vestido.

A mulher mais velha entrou no provador, discretamente,

fingindo nem se dar conta de que havia interrompido

mesmo a tempo. Antes de Dominic fechar de novo a porta,

ele falou:

— Ela não vai usar este vestido hoje mas mande a

atendente colocar ele junto com as outras roupas que

vamos comprar.

A piscadela dele era a coisa mais sexy que Abby havia

visto em sua vida. Ela se deixou cair contra a parede

espelhada.