Crítica da razão cibernética por Mariano Soltys e Cléverson Israel Minikovsky - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

CL�VERSON ISRAEL MINIKOVSKY (AUTOR)

MARIANO SOLTYS (AUTOR)

PATRICK VICENTE (COLABORADOR)

 

CR�TICA DA RAZ�O CIBERN�TICA

 

 

2011

Cataloga��o

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pref�cio Cl�verson

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pref�cio de Mariano Soltys

 

������������ Eis o futuro da filosofia. Essa obra inaugura um novo tempo, um novo modo de ver o mundo. Comparando o ser humano as tecnologias, em especial a inform�tica, traduz a cosmovis�o do nosso tempo e do que ainda est� por se desenvolver. N�o se volta tanto ao passado como outras obras filos�ficas, mas leva o leitor a um novo paradigma que � essa realidade virtual que est� cada vez mais presente em sua vida. Novas tecnologias s�o analisadas e a rede mental agora se faz iniciada, para enfim chegarmos a um para�so cibern�tico, onde a dor e a tristeza se ver�o superados. A obra � �nica na atualidade, e sua vis�o de mundo sofrer� uma revolu��o ap�s essa leitura. Parab�ns por encontrar-te com esse tesouro em suas m�os.

Sum�rio

 

 

A intelig�ncia humana................................................. 10

Teoria da relatividade e qu�ntica.............................. 13

Fatos que inauguram uma outra moral.................... 16

Um extremo moral s� pode ser rea��o a outro........ 19

Da transi��o de um governo yang para yin.............. 22

Das assinaturas da moral como s�mbolos................ 23

Reflex�es Irrefletidas................................................... 26

Povo................................................................................ 27

Libert�............................................................................ 28

Amor............................................................................... 30

Mudo.............................................................................. 32

Direito e justi�a............................................................ 34

Pol�tica.......................................................................... 36

Indiv�duo...................................................................... 37

Originalidade................................................................ 39

Desvalores..................................................................... 41

Supersti��es valorativas.............................................. 43

M�ximas que viraram m�nimas................................. 45

Modas e paranoias....................................................... 47

Grandes verdades........................................................ 48

O fim da picada............................................................ 50

 

4. Opini�es.................................................................... 51

4.1. Felicidade............................................................... 42

4.2. Ins�nia..................................................................... 48

4.3. Cerveja.................................................................... 52

4.4. Festa tradicional.................................................... 53

4.5. O gosto de atriz..................................................... 54

4.6. Flogs, blogs, sites de relacionamento................... 54

4.7. �Se achar�............................................................... 56

4.8. Humildade............................................................. 56

4.9. Futebol.................................................................... 57

4.10. Institui��o............................................................. 58

4.11. F� na lux�ria........................................................ 60

4.12. Hero�smo em novelas......................................... 60

4.13. Servi�o militar...................................................... 62

4.14. Sobre o desarmamento....................................... 63

4.15. Sofrimento............................................................ 63

4.16. Obriga��o............................................................. 64

4.17. Coragem................................................................ 65

4.18. Idade...................................................................... 66

4.19 Fundamentalismo e religi�es............................. 67

4.20 Loura...................................................................... 68

5- Contra o adestramento do humano....................... 61

6. Quest�es constitucionais avan�adas..................... 75

6.1 Inconstitucionalidade de lei velha e CF nova.... 77

6.2 A Constitui��o no desenvolvimento do direito 80

6.3Direitos fundamentais aplicados para a Administra��o P�blica.................................. 84

6.4 A gera��o dos direitos constitucionais............... 87

6.5 A mem�ria Constitucional.................................... 91

6.6 Controle de progn�stico de leis pelo STF.......... 96

7. Novas premissas...................................................... 99

7.1 O complexo das ma��s de V�nus........................ 100

7.2 A outra moral em paralelo ao que n�o prestava............. 101

7.3 Sobre o triplo reflexo dos acontecimentos na vida 102

7.4 A cultura da imagem............................................. 103

7.5 Triplo equil�brio..................................................... 104

7.6 Pararraz�o................................................................ 105

7.7 Sobre a atualidade evolutiva do amor................ 107

7.8 Compensa��o racial amorosa............................... 108

7.9 Equil�brio das cren�as........................................... 109

7.10 Propaganda de senso comum............................ 110

7.11 Diversidade humana........................................... 111

7.12 Padr�o de beleza anor�xico-anabolizado......... 112

7.13 Otimismo independente..................................... 113

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeira Parte

 

Por

 

Cl�verson Israel Minikovsky

 

 

 

 

 

 

A intelig�ncia humana

 

Como a intelig�ncia � uma nuvem e nela tudo est� embaralhado pode-se seguramente dizer que as proposi��es �ticas, est�ticas, religiosas, filos�ficas e aqueloutras de grande efeito sem verificabilidade alguma brotam da intersec��o dos princ�pios axiom�ticos com os dados da experi�ncia imediata. O am�lgama dos c�digos ra�zes com as informa��es banais e comuns do cotidiano s�o a liga e o material de constru��o com os quais erigimos nossa vis�o de mundo. Assim as tais proposi��es das quais nada, segundo Wittgenstein, nada podemos falar, como quase tudo o que � mental participam de dois mundos.

����������������

 

Teoria da relatividade e teoria qu�ntica

 

� sabido que existe a teoria qu�ntica para explicar a microf�sica e a teoria da relatividade para explicar os fen�menos astron�micos, isto �, a macrof�sica. E que tais teorias, embora simultaneamente aceitas, s�o incompat�veis entre si. Diria que n�o apenas � perda de tempo concili�-las, mas ainda de que n�o h� nada de t�o infrut�fero e in�til preocupar-se com isso. Perguntado qual � a teoria correta e qual a imprecisa diria que as duas s�o imprecisas.Nenhuma teoria humana capta a natureza das coisas tais como elas s�o. E ainda que um g�nio crie uma teoria assentada sobre os mesmos princ�pios que explique as micro e macropropriedades da mat�ria, ele, no m�ximo, conseguiria forjar uma ilus�o com maior apar�ncia de verdade, algo que demorar� mais tempo para ser derribado.

 

Os a prioris e a mudan�a

 

N�o � s� a conte�do dos a prioris que muda, mas os pr�prios a prioris mudam. N�o h� nada de t�o genial que um dia n�o envelhe�a e caduque. Quem � homem de conhecimento deve saber que seu destino � ser superado. A genialidade consiste em ser vanguardista, em pensar o que n�o foi pensado, em antecipar no mundo ideal o mundo real. A intelig�ncia n�o � um castelo de a prioris, � uma nuvem. Piaget foi melhor que Kant, mas ainda errou o alvo.

 

 

 

 

Pensamento e comportamento

 

H� uma dial�tica entre pensamento e comportamento. O sistema decimal � apenas um dos sistemas poss�veis. Dentro em breve veremos o desaparecimento dos algarismos ar�bicos. Ali�s, veremos o desaparecimento da pr�pria matem�tica, enquanto n�o passa de um ramo da l�gica. A ci�ncia da computa��o ir� impor ao mundo uma nova l�gica. Pensamento traz tecnologia, mas tecnologia tamb�m traz pensamento. As novas geometrias sinalizaram s� o come�o. Refiro-me aos trabalhos de Karl Friedrich Gauss, Janos Bolyai e Nicolai Ivanovich Lobachewskij.

 

Meta a priori

 

H� um meta a priori que � mutante. Todos os sub a prioris kantianos podem mudar porque est�o submetidos ao meta a priori que n�o para de editor novas leis para os pensamentos. A infla��o legislativa n�o existe s� no mundo jur�dico, mas epistemol�gico tamb�m. Da� a raz�o pela qual o comportamento do ser humano sempre muda. O computador logo mais n�o precisar� de programas execut�veis, bastar� loguin e senha. Nosso loguin � o nosso nome que recebemos na certid�o de nascimento e a senha entra automaticamente, basta estarmos em estado de vig�lia. Mas assim como nossa m�quina no escrit�rio pode ser alvo de creches, ser� que nosso intelecto um dia n�o correr� semelhante risco?

 

 

 

 

Antissistema

 

Nada mais contradit�rio do que um sistema filos�fico, um sistema at� pode ser din�mico, mas n�o comporta a volatilidade de uma nuvem. � curioso que a intelig�ncia sendo algo t�o distinta de um sistema elabore sistemas. Nada mais artificioso e desligado da realidade do que a filosofia que at� hoje se produziu quando sempre ela quis nos p�r em contato com a verdadeira realidade. A id�ia de sistema contraria aquilo que n�s somos.

 

Prazo de validade

 

As pr�prias religi�es t�m um prazo de validade. O cristianismo foi transformado em religi�o, mas ele � muito mais do que religi�o. At�, portanto, o cristianismo ir� expirar. S� n�o acabar� o cristianismo suprarreligioso. Marx e Engels disseram que �tudo o que s�lido desmancha no ar�. De fato, at� mesmo o socialismo cient�fico, mas muito mais do que isto, toda ci�ncia, toda filosofia, toda arte. O ser humano � aquilo que a todo instante deixa de ser o que �.

 

Nebulosa

 

Assim como Kant prop�e que o universo teria surgido de uma nebulosa onde todas as leis da f�sica estavam protoimbricada, tamb�m o c�rebro humano � uma nuvem de intelig�ncia. Na mente humana, assim como est� ocorrendo na inform�tica, n�o h� hierarquia entre c�digo raiz e c�digo derivado. No intelecto imiscuem-se os pensamentos de car�ter axiom�tico com os mais banais, corriqueiros e desprez�veis pensamentos.

 

A linguagem

 

A linguagem � uma das supremas manifesta��es do intelecto. Mas a linguagem � extremamente vol�til. Caso a filosofia fosse um sistema somente os fil�sofos estariam habilitados a manipul�-la. Mas h� respingos e estilha�os da linguagem, ela � essencialmente fragment�ria e dividida. Em certas circunst�ncias ela � at�mica e pontual embora este ponto esteja inserido num contexto.

 

Representa��o de mundo

 

Em toda sua nefelibatiquez a intelig�ncia � n�o s� uma ferramenta para resolver os problemas operacionais do cotidiano, mas um laborat�rio gasoso de fabricar toda sorte de representa��o de mundo. Nietzsche destacou que o homem fica imbu�do do esp�rito filos�fico quando se d� conta de que o mundo � representa��o. A fun��o da representa��o � organizar a nossa vida e os objetos e as circunst�ncias que nos rodeiam e, sobretudo, servir de est�mulo � vida. Pouco importa se uma representa��o � verdadeira ou n�o, importa que ela sirva � vida, cumpra sua fun��o pragm�tica. Mas contrariamente a Nietzsche vejo o cristianismo como afirma��o da vida. Deus de Israel n�o � o Deus dos fracos, mas dos fortes. O pr�prio Cristo foi aristocrata. Porque o que faz um homem ser aristocrata � sua virtude moral e n�o o fato de ele ser detentor de poder pol�tico ou recursos econ�micos. O cristianismo do s�culo XXI n�o � um fardo, mas uma fonte inexaur�vel de vitalidade, sa�de e conquistas de todo g�nero, inclusive mundanas. A presente vida torna-se extraordin�ria, pois em sua materialidade torna-se sinal do que h� de vir, ou seja, uma vida t�o et�rea como a pr�pria intelig�ncia na sua pureza. O para�so existe, ele � liberdade absoluta de representa��o, em que ela n�o est� sujeita a transitar presa por conex�es de neur�nios. N�o h� cadeia que n�o seja intelectual e n�o h� inferno que n�o seja intelectual. Mesmo quando o homem est� preso aos p�s e �s m�os por ferrolhos foi o seu pensamento que o conduziu at� este estado. Freud v� a educa��o como repress�o dos instintos, pr�-condi��o da civiliza��o. De fato, sem educa��o n�o h� civiliza��o, mas a educa��o n�o � repressora, ela � um instrumento de emancipa��o. N�o � sociedade, o Estado, o patr�o, ou nossos pastores que colocam freio em nossa boca, somos escravos de n�s mesmos. Temos a capacidade �mpar de nos autoafligir com o chicote e � disso que precisamos nos libertar.

 

Plat�o, Arist�teles e Kant

 

Para assegurar a inteligibilidade do mundo real Plat�o criou um mundo � parte, o mundo das id�ias, incorrupt�vel, imut�vel, lastro-�ncora deste nosso mundo emp�rico no qual vivemos. Arist�teles entronizou o mundo ideal no mundo real dizendo que mat�ria e forma s�o ontol�gicamente insepar�veis e somente atrav�s do processo de abstra��o didaticamente tratamos a ess�ncia como solta do ser concreto. Kant disse que n�o sabemos o que � a coisa em si, apenas enjambrou uma esquematologia de a prioris que seria a estrutura do nosso intelecto respons�vel pela organiza��o os dados da experi�ncia. No fundo estamos vendo que a metaf�sica apenas muda de lugar. Mas, o que eu defendo � que aquilo que a metaf�sica resolveu chamar de ser � algo que est� a desmantelar-se a todo momento e a intelig�ncia � uma chama que crepita, inexistindo propriedades ou leis universais que fundem o pavimento do objeto ou do sujeito, sendo tanto um quanto outro duas marcas gasosas, ou uma infinidade de massas gasosas a reagirem quimicamente num processo inintelig�vel ante a multiplicidade de vari�veis.

 

 

 

 

Her�clito

 

Quanto mais estudo filosofia mais heracl�teo me torno. N�o h� leis universais. Postulo isto ainda que epistemologicamente inviabilize o conhecimento dito episteme. A �nica coisa que existe � doxa. Doxa mais consistente e doxa menos consistente. Entendo por leis universais aquelas constantes independente de espa�o e tempo. Ora, at� mesmo o espa�o e o tempo s�o relativos. Na verdade o espa�o e o tempo n�o est�o nem naquilo que se chama de sujeito e nem naquilo que se chama de extens�o, mas na rela��o entre estes dois p�los. Na rela��o entre estas duas nuvens. O tempo � algo t�o relativo, incompreens�vel e inapreens�velque n�o tardar� mudar o modo como artificiosamente cronometramos o tempo. O tempo � uma farsa, uma ilus�o. Tudo est� em movimento desuniforme. Falar em tempo � pressupor uma uniformidade que em verdade nunca existiu. N�o � de se tirar o cr�dito das Sagradas Escrituras quando nos informa a idade dos patriarcas de acordo com padr�es nada plaus�veis para a nossa �poca.

 

Que tipo de filosofia estamos autorizados a produzir?

 

O grande m�rito da filosofia foi ter descoberto de que n�o se pode produzir filosofia. A n�o ser este tipo de filosofia segundo o qual apenas tomamos conhecimento de nossa total incapacidade de formular uma �nica proposi��o sequer medianamente pass�vel de cr�dito. Isto j� � um grande conhecimento, pois saber que n�o se pode saber � magna sapi�ncia. Poder�amos ser atingidos pela realidade de infinitas maneiras, mas o somos apenas por cinco maneiras. Dizem, n�o sei com base em que, os cientistas contempor�neos que a realidade tem onze dimens�es. S�o-nos acess�veis quatro: altura, largura, profundida e tempo. O grande problema � que tr�s destas dimens�es dizem respeito a espa�o que n�s em definitivo n�o sabemos o que � e a outra diz respeito ao tempo, coisa que nunca existiu, mas inventamos. A era digital, a era da inform�tica tem colocado ao nosso alcance obras que encerram pensamentos de pensadores que viveram, nas mais diferentes �pocas, nos mais diferentes lugares. Como, pois, trataremos o espa�o e tempo como categorias fundantes de qualquer coisa que seja que se diga consistente at� se pela nossa parca e d�bil tecnologia relativizamos estes par�metros!? O que at� hoje foi tratado como par�metro eu nomino como pseudopar�metro.

 

O fim da filosofia

 

O fim da filosofia � alcan�ar aquilo que est� al�m da experi�ncia, mas n�s estamos trancados dentro do bal�o de ensaio da experi�ncia. Nada que transcenda o mundo emp�rico pode ser demonstrado pela for�a do pensamento. Remanesce apenas uma paix�o em n�s que nos empurra para o inating�vel, o metaemp�rico. O metaemp�rico � um insight que brota da intui��o. Mas este insight tem alcance mais limitado e mais pontual do que o hic et nunc do cogito ergo sum de Ren� Descartes.

 

 

O faz-de-conta

 

Evidentemente, n�o podemos querer superar os problemas de ordem epistemol�gica para s� ent�o nos habilitarmos na exara��o de uma teoria de aplicabilidade pr�tica. O que tenho pretendido mostrar � que nunca foi, n�o � e jamais ser� poss�vel desfazer os n�s que mant�m atados aquilo que chamamos de episteme. Mas diante disso a vida n�o para e temos de fazer um faz-de-conta como se efetivamente alguma coisa estivesse nos autorizando a emitir ju�zos n�o estritamente emp�rico-circunstanciais. A oumperiforalogia parte disso.