Crônica do Viver Baiano Seiscentista - Os Homens Bons - Pessoas Beneméritas por Gregório de Matos - Versão HTML

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LITERATURA BRASILEIRA

Textos literários em meio eletrônico

Gregório de Matos

Crônica do Viver Baiano Seiscentista

Índice

PESSOAS BENEMÉRITAS

A EL REY D. PEDRO II COM UM ASTROLABIO DE TOMAR O SOL,QUE MANDOU O

Pe. VALENTIM STANCEL DEDICADO AO RENASCIDO MONARCA.

A MORTE DA AUGUSTA SENHORA RAINHA D. MARIA, FRANCISCA, IZABEL DE

SABOYA, QUE FALLECEO EM 1683.

A SERENISSIMA INFANTA DE PORTUGAL D. IZABEL, LUIZA, JOSEPHA NASCENDO

EM DIA DE REYS.

NA MORTE DA MESMA SENHORA RATIFICA O POETA AS VENTURAS, QUE

PROMETTE O SONETO ANTECEDENTE.

CONTINUA A MESMA RATIFICAÇÃO NA ESTRELLA DOS MAGOS POR HAVER

NASCIDO ESTA SENHORA EM DIA DE REYS.

SENTIMENTOS D'EL REY D. PEDRO II À MORTE DESTA SERENISSIMA SENHORA SUA FILHA PRIMOGENITA.

GLOSA

AO CONDE DE ERICEYRA D. LUIZ DE MENEZES PEDINDO LOUVORES AO POETA NÃO LHE ACHANDO ELLE PRESTIMO ALGUM.

CENSURA QUE FAZ O POETA DESTE TAL CONDE NA SUA DESASTRADA MORTE, LANÇANDO-SE DA JANELLA DO SEU JARDIM, ONDE ACABOU MISERAVELMENTE

POR ALTOS JUIZOS DE DEOS.

AO MESMO ASSUMPTO E PELO MESMO CASO.

ESTRIBILHO

A MORTE DO ILLUSTRISSIMO MARQUEZ DE MARIALVA. GENERAL DAS ARMAS DE

PORTUGAL SOBRE AS PALAVRAS DA ESCRIPTURA "PLANDITE ANTE EXEQUIAS

ABNER; FIPSE FLEVIT DAVID SUPER MULUM ABNER."

EPITAFIO AO CORAÇÃO DESTE MESMO GENERAL ENTERRADO AOS PÉS D'EL REY

D. JOÃO IV.

AO MESMO ASSUMPTO E PELOS MESMOS CONSOANTES

AO MESMO MARQUEZ SENDO ENTERRADO EM TREZ PARTES. O CORPO EM

CATANHÉDE; O CORAÇÃO EM S. VICENTE DE FORA; E OS INTESTINOS EM SAM

JOSÉ DE RIBA MAR

HOMENS DE BEM

A MORTE DO GOVERNADOR MATHIAS DA CUNHA.

AO MESMO ASSUMPTO.

AO MESMO ASSUMPTO.

DISCRIÇÃO, ENTRADA, E PROCEDIMENTO DO BRAÇO DE PRATA ANTONIO DE

SOUZA DE MENEZES GOVERNADOR DESTE ESTADO.

SUBTILEZA COM QUE O POETA SATYRIZA À ESTE GOVERNADOR.

A PRIZÃO QUE FEZ ESTE GOVERNADOR À SEU CREADO O BRAÇO FORTE.

A DESPEDIDA DO MAO GOVERNO QUE FEZ ESTE GOVERNADOR.

SUCCEDE A ESTE GOVERNADOR O MARQUEZ DAS MINAS COM SEU FILHO O

CONDE DO PRADO, DESFAZENDO TODAS AS SUAS OBRAS, E MANDANDO VIR OS

PRINCIPAES DA BAHIA DO DESTERRO, EM QUE ANDAVÃO, PELA MORTE, QUE

OUTROS DERAM AO ALCAYDE MÔR FRANCISCO TELLES.

A SEU FILHO O CONDE DO PRADO, DE QUEM ERA O POETA BEM VISTO, ESTANDO

RETIRADO NA PRAYA GRANDE, LHE DÁ CONTA DOS MOTIVOS, QUE TEVE PARA SE

RETIRAR DA CIDADE, E AS GLORIAS, QUE PARTICIPA NO RETIRO.

AO CONDE DO PRADO EMBARCANDO-SE PARA PORTUGAL EM COMPANHIA DE

SEU PAY, DEPOlS DE TER ACABADO O TEMPO DE SEU GOVERNO LHE FAZ O

POETA ESTAS SAUDOSAS DESPEDIDAS.

A MORTE DESTE CONDE SUCCEDIDA NO MAR QUANDO SE RETIRAVA PARA

LISBOA.

AO MESMO ASSUMPTO.

AO MESMO ASSUMPTO.

AO MESMO ASSUMPTO.

AO GOVERNADOR ANTONIO LUIZ GLZ. DA CAMARA COUTINHO EM DIA DE REYS

OBSEQUEA O POETA PEDINDOLHE EM NOME DE HUM AMIGO HUMA DAQUELLAS

ESMOLLAS, QUE SUA MAGESTADE CONSIGNA DO REAL THESOURO CADA HUM

ANNO PARA OS HOMENS DE BEM, A QUE CHAMÃO MERCÉ ORDINARIA.

EMPENHA O POETA PARA CONSEGUIR ESTA MERCÉ AO CAPITÃO DA GUARDA

LUIZ FERREYRA DE NORONHA SEU PARTICULAR CRIADO.

A PEDITORIO DOS PRETOS DE NOSSA SENHORA DO ROSARIO FEZ O POETA O

SEGUINTE MEMORIAL PARA O MESMO GOVERNADOR, IMPETRANDO LICENÇA

PARA SAIREM MASCARADOS À HUMA OSTENTAÇÃO MILITAR, A QUE CHAMAVÃO

ALARDE.

OUTRO MEMORIAL POR HUM SEU SOBRINHO, QUE DESEJAVA SENTAR PRAÇA DE

SOLDADO.

AO MESMO GOVERNADOR SUBTILMENTE REMOQUEIA O POETA AO DESCUIDAR-

SE DE SUA HONRADASUPPLICA SOBRE A MERCÉ ORDINÁRIA, LEMBRANDOLHE, QUE Á DERA A HUM SOLDADO RIDICULOCHAMADO O FARIA, POR QUEM

NAQUELLE TEMPO CANTAVÃO OS CHULOS "A MULHER DO FARIA VAY PARA ANGOLLA".

TORNA O POETA A INVOCAR LUIZ FERREYRA DE NORONHA.

ATHE AQUI NÃO ERA AINDA VINDA A MERCÉ ORDINÁRIA.E NO DIA, EM QUE O

GOVERNADOR FEZ ANNOS LHE MANDOU O SEGUINTE SONETO.

A D. JOÃO DALENCASTRE VINDO DO GOVERNO DE ANGOLLA, ASSISTINDO NO

MESMO PALACIO, QUEIXANDO-SE, DE QUE O POETA O NÃO VISITASSE, E

PEDINDOLHE HUMA SATYRA POR OBSEQUIO.

A JOÃO PLZ. DA CAMARA COUTINHO FILHO DO MESMO GOVERNADOR TOMANDO

POSSE DE HUMA GINETA EM DIA DE S. JOÃO BAPTISTA, E LHE ASSISTIO DE

SARGENTO D. JOÃO DE LANCASTRO SEU THIO VINDO DO GOVERNO DE

ANGOLLA.

AO MESMO ASSUMPTO.

GENEALOGIA QUE O POETA FAZ DO GOVERNADOR ANTONIO LUIZ DESABAFANDO

EM QUEYXAS DO MUYTO, QUE AGUARDAVA NA ESPERANÇA DE SER DELLE

FAVORECIDO NA MERCÉ ORDINARIA.

CONTINUA O POETA SATYRIZANDO-O COM O SEO CRIADO LUIZ FERREYRA DE

NORONHA.

AOS MESMOS AMO, E CRIADO.

PROSSEGUE O MESMO ASSUMPTO.

REPETE A MESMA SATYRA.

AO MESMO ASSUMPTO.

DIZ MAIS COM O MESMO DESENFADO:

DEDICATORIA ESTRAVAGANTE QUE O POETA PAZ DESTAS OBRAS AO MESMO

GOVERNADOR SATYRIZADO.

APOLOGIA CAVILLOSA EM DEFENÇA DO MESMO GOVERNADOR ANTONIO LUIZ.

DESCANTA O POETA AGORA A DESPEDIDA DESTE GOVERNADOR EM METAPHORA DE CHULARIAS, QUE SE UZAVAM NAQUELLE TEMPO. POR DIZER-SE VINHA

RENDÊLLO D. JOÃO DE ALENCASTRE SEU CUNHADO.

RETRATO QUE FAZ ESTRAVAGANTEMENTE O POETA, AO MESMO GOVERNADOR

ANTONIO LUIZ DA CAMARA NA SUA DESPEDIDA.

A D. JOÃO D'ALENCASTRE TOMANDO POSSE DO SEO GOVERNO OBSEQUEA O

POETA COM AS QUEYXAS DO SEU ANTECESSOR, E CUNHADO.

AO MESMO GOVERNADOR CHEGANDOLHE A NOVA DA MORTE DE SUA SOGRA, A

QUEM DEYXOU CONVALECIDA DA MESMA ENFERMIDADE, DE QUE MORREO

DEPOIS.

LOUVA O SECRETARIO DE ESTADO BERNARDO VIEYRA RAVASCO A HUM

SUGEYTO, QUE FOY À COSTA DA MINA E LÁ FEZ HUMA ILLUSTRE ACÇÃO.

RESPONDE O POETA A BERNARDO VIEYRA RAVASCO PELOS MESMOS

CONSOANTES POR AQUELLA PESSOA A QUEM SE FEZ O OBSEQUIO.

CONTINUA BERNARDO VIEYRA RAVASCO NO SEU PROPOSITO PELOS MESMOS

CONSOANTES.

AO MESMO SECRETARIO DE ESTADO BERNARDO VIEYRA PEDINDO HUMAS

OITAVAS AO POETA, EM TEMPO, EM QUE FAZIA ANNOS CONVALESCENDO DE

HUMA GRAVE DOENÇA.

2 - PESSOAS BENEMÉRITAS

...pessoas beneméritas...

Manuel Pereira Rabelo, licenciado

Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei

A EL REY D. PEDRO II COM UM ASTROLABIO DE TOMAR O SOL, QUE MANDOU O

Pe. VALENTIM STANCEL DEDICADO AO RENASCIDO MONARCA.

Este, Senhor, que fiz leve instrumento

Para pesar o sol a qualquer hora,

Dedico a aquele Sol, a cuja aurora

Já destinam dous mundos rendimento.

Desta minha humildade, e desalento,

Que a sua quarta esfera não ignora,

subindo a oitavo céu, pertende agora

A estrela achar no vosso firmamento.

Eu, que outro sol no seu zenith pondero

Aos do Nascido Soberanos Raios,

Pesando-me eu a mim me desespero.

Mas vós, Águia Real, esses ensaios

Entre os vossos levai, pois considero,

Que nunca em tanta sombra houve desmaios.

A MORTE DA AUGUSTA SENHORA RAINHA D. MARIA, FRANCISCA, IZABEL DE

SABOYA, QUE FALLECEO EM 1683.

Hoje pó, ontem Deidade soberana,

Ontem sol, hoje sombra, ó Senadores,

Lises imperiais enfim são flores,

Quem outra cousa crê, muito se engana.

Nas cinzas, que essa urna guarda ufana,

Vejo, que os aromáticos licores

são de seu mortal ser descobridores,

Porque, o que a arte esconde, o juízo alhana.

A Real Capitânia submergida!

Olhos à gávea, ó tu Naveta ousada,

Que ao mar te engolfas de ambição vencida:

Pois em terra a Real está encalhada,

Alerta, altos Baixéis, porque anda a vida

Da mortal tempestade ameaçada.

A SERENISSIMA INFANTA DE PORTUGAL D. IZABEL, LUIZA, JOSEPHA NASCENDO