De Encontro ao Sol por Zeca Donadão - Versão HTML

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Introdução

Eu sempre achei as pautas desprezíveis. Sentia tédio quando o editor me chamava e me entregava uma pauta para preparar uma

determinada matéria. Primeiro porque frustrava a minha capacidade de criação e segundo, porque via naquela atitude um cerceamento, uma limitação de conteúdo, como quando no tribunal o juiz diz ao depoente “limite-se a responder apenas o que eu lhe perguntar”. Uma grosseria, pois creio que a melhor maneira de se chegar à verdade é deixando nosso interlocutor à vontade.

Da mesma forma, isso me transportava aos oito ou nove anos de idade, quando de maneira irresponsável eu ia a contragosto, ao mercadinho, para minha mãe, e ela me fazia repetir diversas vezes o que era para eu comprar, sempre acrescentando um não esqueça ao final da frase.

Então, comecei a escrever dois tipos de matéria, a obrigatória, aquela da pauta e outra de comentários e fatos assistidos ou vividos, no local onde ocorria o evento objeto da reportagem. Estas eu conservava.

Cheguei num limite que não tinha mais onde guardar tantos

apontamentos e outras tantas pérolas, e comecei então uma nova etapa da minha vida: escrever um livro a partir daquelas anotações. Deparei-me, então, com uma nova situação: algumas narrativas que na época em que foram escritas me causaram sensação, agora faziam parte da mesmice do dia a dia.

Uma boa parte foi para o lixo.

E o meu livro foi tendo a sua estréia prorrogada a cada mexida de gaveta.

Nestes dias, bons e úteis anos depois, caminhando pela praia, e entusiasmado com a paisagem, imaginei como seria se eu misturasse alguns fatos reais com ficção e decidi partir para este que eu considero apenas um ingênuo romance, mas um belo filho.

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Dedico

À minha, sempre linda, família,

pela tolerância;

aos amigos,

que fizeram da ficção esta realidade,

e a você minha filha

Natalie,

que nunca misturou realidade com ficção.

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- Hoje vou dar um basta em tudo isso!

Dago que viajava comigo, tenta, em vão, mudar a minha opinião e aconselha:

- Pense bem, não vá tomar decisões precipitadas. Tente primeiro conversar com ela e ver o que realmente aconteceu e depois...

Com ouvidos moucos e fazendo do silêncio um confidente aliado, nunca mais tornei a vê-la, até hoje... Vinte e tantos anos depois.

Maitê está a minha frente!

Dago mudou-se para a Suíça, falei pouquíssimas vezes com ele, mas mesmo à distância acompanhei, com orgulho fraternal, seu sucesso profissional e, Segóvia, tenho certeza, “olha-o” com sentimento de dever cumprido por ter legado a ele, o seu talento musical.

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