Derby Girl por Shauna Cross - Versão HTML

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Aba:

Conheça Bliss Cavendar!

Fã de indie-rock, 16 anos, adorável e excêntrica, ela vive presa em

Bodeen, uma cidadezinha do interior do Texas. A mãe, uma viciada em

concursos de beleza e em inscrever suas filhas neles, acredita que está tudo

certo para que sua preciosa Bliss enfim conquiste a coroa de Miss Bluebonnet.

Mas a jovem prefere morrer a se submeter ao ritual mais uma vez e

elabora um plano de fuga: Roller Derby. Um esporte radical só para garotas e,

ops, teoricamente proibido para menores de 18 anos.

Bliss não perde tempo: compra os patins, protege os joelhos e começa a

frequentar os treinos de Derby na cidade vizinha, Austin – um paraíso cheio de

lojas e de vida em comparação a Bodeen.

A menina ganha um nome de guerra e rapidamente embarca em uma

jornada épica, repleta de garotas tatuadas e divertidas, garotos de banda

irresistíveis e, claro, algumas lições que até mesmo uma descolada praticante

de Derby não pode ignorar!

Para toda e qualquer garota encrenqueira, este é para vocês.

A vida não é tão bela assim

Não sei como isso foi acontecer nem que tipo de acordo foi feito por trás dos

panos, mas aparentemente estou morando numa pequena cidade do Texas

com dois impostores culturalmente limitados como guardiões legais, quando sei

que meus pais verdadeiros estão por aí em algum lugar. Provavelmente são

esses tipos artísticos superdescolados que moram num loft em Nova York. Ou

talvez São Francisco. Isso também funcionaria. Trocaria essa cidade com fedor

de vaca por São Francisco sem pensar duas vezes.

Queridos provavelmente maneiros pais,

Se de repente derem falta de uma filha adoravelmente sarcástica de 16

anos, enviem uma passagem de avião. Estou pronta para voltar para casa.

Beijos,

Sua rebenta complacente.

Obs: Se não forem meus verdadeiros pais e por acaso acharem este

bilhete(e forem modernos e sem filhos),apelo para que considerem o

maravilhoso mundo da adoção.*

*Oferta de adoção válida apenas para os que vivem numa cidade legal.

Conceito de cidade legal a ser determinado pela adotada.

Escrevi isso num cartão de primavera passado quando fui forçada a

participar de um lançamento de balões ridículo-demais-da-conta na escola(não

pergunte). Até agora, tive exatamente zero respostas, mas a esperança é a

última que morre.

Esperança é provavelmente a única maneira de sobreviver em Bodeen,

Texas. A não ser, é claro, que você seja um caipira jogador de futebol

americano, adorador-de-caminhões, fã-de-música-country. Se for esse o caso,

naturalmente, Bodeen é sua cidade alma gêmea. U-hu pra você.

Mas se você por acaso é uma garota desajustada, fã-de-indie-rock,

perita-em-brechós, usuária-de-camisetas-customizadas, com tinta azul no

cabelo, que acha que a vida é um filme dos anos 1960, então Bodeen pode

ser, e geralmente é, uma gigantesca bola de chatice.

Ah, a linda Bodeen, lar dos mullets nada irônicos, e da ―mundialmente

famosa‖ fábrica de sorvetes Bluebonnet. As delícias congeladas são

produzidas localmente, e pessoas viajam de longe só para dar uma olhada na

fabricação do tal sorvete ao vivo e em cores. Honestamente, o processo é tão

fascinante quanto golfe na TV numa tarde de sábado, mas os turistas

dizem oohs e ahhs como se fosse uma porcaria de experiência religiosa, como

se o chocolate com marshmallow que estão comendo não fosse exatamente o

mesmo lixo que compram aos galões na sua padaria local.

A propósito, quando digo turistas, não quero sugerir que Bodeen seja

uma Meca para viajantes do mundo todo, nem ninguém remotamente

interessante, ou seja, garotos por quem valha a pena babar. Toda a coisa da

fábrica-de-sorvete-como-destino-de-férias não significa muito para essa parcela

da população. Acredite, fiz meu dever de cassa no assunto. Passei inúmeras

horas observando ônibus de turismo após ônibus de turismo se esvaziando,

esperando desesperadamente um relance de beleza masculina entre a

multidão de bundas gordas e pochetes - nunca acontece. Você ainda vai ver

Jesus Cristo andando de skate pelas ruas de Bodeen antes de um cara gato

um dia atravessar a fronteira.

E se isso não fosse o bastante, Bodeen de alguma maneira virou

sinônimo de ―destino romântico para casais‖, o que significa que os pais de

outras pessoas arrastam seus relacionamentos deprimentes até aqui para um

pequeno fim de semana ―reconciliador‖. Eles se hospedam num dos

nossos charmosos hoteizinhos e se ocupam fazendo o que quer que seja que

os pais fazem quando estão cercados por papel de parece do tempo da minha

avó, cortinas rendadas e aroma de muffins recém-assados (fator nojo: alto!).

Toda sexta-feira à noite, quando esses casais descem na minha

cidadezinha, penso: ―Em algum lugar perdido no Texas está um bando de

adolescentes cujos pais os deixaram sozinhos no fim de semana,‖ E imagino

que deve haver um garoto, esperto, obcecado por música e bonitinho, que

realmente dê valor a uma menina com cabelos azuis e uma coleção

impressionante de CDs... E então me pergunto: Por que é que eu não estou

com ele? EU DEVERIA ESTAR LÁ ENQUANTO MEUS PAIS ESTÃO AQUI.

Dói. Dói de verdade.