Descobrindo o Dom Profético por Mike Bickle - Versão HTML

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Descobrindo o Dom Profético

Mike Bickle

Editora Atos

Digitalização: Ezequiel Netto

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C o n t r a c a p a

D E S C O B R I N D O O D O M P R O F É T I C O

É facilmente visível a confusão que o ministério profético gera dentro das quatro paredes da

igreja.. A discussão e as controvérsias sobre o tema ficam cada dia mais freqüentes, como

também o número de pessoas que desfrutam deste verdadeiro dom divino.

Mike Bickle, quando ainda era um jovem pastor pouco simpático à profecia, foi pego de

surpresa quando estes dons surgiram em sua própria Igreja. Sentindo-se emboscado pelo

próprio Deus, buscou ajuda e aconselhamento, porém, sem muito sucesso. Foi assim que

começou sua longa jornada, muitas vezes dolorosa, para fora do "caos profético" rumo a um

entendimento mais claro acerca da ordem divina. Com base nesta experiência, ele agora

escreve a todos que desejam ver e conhecer como o dom profético pode amadurecer em si

mesmo.

Em Descobrindo o Dom Profético você irá conhecer o que realmente pode ser chamado de

profético. Este livro revela sem medo, de forma clara, precisa e verdadeira como é composta a

estrutura de um ministério com base nas profecias divinas, além de revelar a forma mais

correta de se usar esta verdadeira dádiva de Deus.

Mike Bickle é atualmente diretor da International House of Prayer of Kansas City (Casa de

Oração Internacional de Kansas City — EUA), Um grande ministério de guerra espiritual

que funciona vinte e quatro horas por dia. Além de ser presidente da Forerunner School of

Prayer (Escola Precursora de Oração), uma escola de treinamento de tempo integral em

Kansas City.

Mike Bickle conhece tanto a celebração quanto a confusão que o ministério profético

pode gerar. Quando ainda um jovem pastor, pouco simpático à área profética, foi

pego de surpresa quando estes dons surgiram em sua própria igreja. Sentindo que

foi emboscado pelo próprio Deus, buscou ajuda e aconselhamento, porém sem

muito sucesso. Foi assim que encetou sua jornada, muitas vezes dolorosa, para fora

do “caos profético”, rumo a um entendimento mais claro acerca da ordem divina.

Com base nesta experiência, ele agora escreve a todos que desejam ver o

ministério profético amadurecendo-se na igreja hoje.

Para igrejas em toda parte que lutam para descobrir o lugar apropriado para o

ministério profético em suas congregações, além de diretrizes sólidas para seu

funcionamento, as lições aprendidas por Mike Bickle oferecem um excelente ponto

de partida (Revista Ministries Today).

Mike Bickle é diretor da International House of Prayer of Kansas City (Casa de

Oração Internacional de Kansas City), um ministério de guerra espiritual que

abrange a cidade toda e funciona vinte e quatro horas por dia. Além de ser diretor

ministerial de Friends of the Bridegroom (Amigos do Noivo), um ministério dedicado

a equipar precursores espirituais na formosura de Deus, ele também é presidente da

Forerunner School of Prayer (Escola Precursora de Oração), uma escola de

treinamento de tempo integral em Kansas City.

Quero dedicar este livro à fiel congregação da Metro Christian Fel owship, que

me apoiou corajosamente durante os últimos doze anos, para perseverarmos na

jornada para nos tornarmos uma igreja profética. Eles viram a glória de Deus em

várias ocasiões e, ao mesmo tempo, enfrentaram muitas crises por minha falta de

maturidade e sabedoria para pastorear um povo profético de maneira apropriada.

Obrigado, Metro Christian Fellowship.

Quero agradecer também a Paul Cain, pois seu amor e sabedoria paternais

fizeram grande diferença em minha vida. Por diversas vezes, seus extraordinários

dons proféticos me deixaram estupefato. Sua sabedoria e maturidade me ajudaram

incontáveis vezes no meio de períodos de perplexidade. Seu exemplo de bondade e

humildade me desafiaram a imitá-lo assim como ele imita a Cristo. Como pai

espiritual, seu amor tem me dado a segurança e a coragem para não desistir.

Obrigado, Paul.

Reconhecimentos

Quero expressar minha profunda gratidão a Walter Walker, que foi o primeiro

a dar a idéia de escrever este livro. Ele me pressionava persistentemente para

cumprir os prazos e terminar a minha parte. Entrevistou a Michael Sul ivant e a mim

por diversas horas e depois transcreveu tudo e colocou em texto para fazer parte

deste livro. Deus foi muitíssimo bondoso em me dar um escritor assistente tão

talentoso e, ao mesmo tempo, humilde. Obrigado, Walter, por seus talentos e por

seu grande coração.

Quero também agradecer a Jane Joseph pelas incontáveis vezes em que

ficou além do seu horário normal que se dedicar a este livro. Uma secretária

profética é tão valiosa quanto um escritor assistente profético. Ela, também, foi um

presente de Deus.

Por último, mas não em menor importância, quero agradecer à minha esposa

Diane e aos meus dois filhos maravilhosos, Lucas e Paulo, por terem deixado que

eu sacrificasse uma parte do nosso tempo juntos para escrever este livro.

Sumário

Prefácio

1. “Houve um Terrível Mal-entendido” .........................................................

2. A Grande e Iminente Visitação ..................................................................

3. Confirmação de Profecia através de Atos de Deus na Natureza ................

4. Equações Erradas a Respeito de Dons Proféticos .......................................

5. Deus Ofende a Mente para Revelar o Coração ..........................................

6. Encarnando a Mensagem Profética .............................................................

7. Desmascarando os Falsos Profetas .............................................................

8. Silêncio: Uma Estratégia de Deus ..............................................................

9. Origens do Chamamento Profético ............................................................

10. Pastores e Profetas: Harmonizando-se no Reino .......................................

11. A Palavra Profética na Adoração Pública .................................................

12. O Cântico Profético do Senhor ..................................................................

13. Profecia: Revelação, Interpretação e Aplicação .........................................

14. Mulheres no Ministério Profético ..............................................................

15. Oito Aspectos de uma Igreja Profética .......................................................

Apêndices

I. A Presença Manifesta de Deus ...................................................................

II. Estatuto da Metro Christian Fellowship .....................................................

III. Amigos do Noivo .......................................................................................

IV. Compromisso Maior da Metro Christian Fel owship .................................

V. Oração Pessoal ............................................................................................

Notas .................................................................................................................

Prefácio

Por que outro livro sobre o ministério profético? Tenho lido vários livros acerca

deste assunto ao longo dos anos. Alguns enfatizam as diversas categorias bíblicas

de profetas e as manifestações sobrenaturais que ocorrem através deles. Outros

dão ênfase em como profetizar e o que fazer com as mensagens proféticas.

Este livro toca nesses assuntos, mas também aborda francamente o gozo e o

sofrimento de um povo profético no contexto da igreja local. Relato aqui os riscos, as

perplexidades e as tensões envolvidos no pastoreamento de pessoas proféticas em

meio a pessoas não proféticas. Quando há atividade do Espírito Santo entre

pessoas falhas como nós, o choque entre ambição pessoal e falta de sabedoria é

algo inevitável. Muitos conflitos ocorrem. Surgem muitas tensões. Além disso,

passamos por experiências com o Espírito totalmente desconhecidas para nós. Tudo

isso concorre para produzir experiências extremamente desafiantes na vida da

igreja.

David Pytches descreveu parte do mover profético de nossa igreja local em

um livro chamado “Some Said It Thundered” (Alguns Disseram que Trovejou). Foi

um livro muito importante. Algum tempo depois, porém, alguém sugeriu que eu

escrevesse um livro complementar, revelando todos os nossos erros no ministério

profético. Esta pessoa sugeriu que eu chamasse o livro de “Some Said We

Blundered” (Alguns Disseram que Falhamos). Quase concordei. Na verdade,

cometemos vários erros em nossa jornada no ministério profético.

O futuro da igreja será tanto emocionante como desafiador. Novas dimensões

do ministério do Espírito Santo certamente continuarão a ser reveladas. Este não é o

tempo de acharmos que já sabemos de tudo, mas de expressarmos a virtude da

humildade através de um espírito tratável.

Quero mencionar mais uma coisa: Michael Sullivant ajudou-me a escrever

este livro. Michael é um dos nossos co-pastores em Metro Christian Fellowship

desde 1987. É um amigo de confiança, cheio do Espírito, com um dom profético em

constante aperfeiçoamento. Sua sabedoria em pastorear pessoas com ministério

profético em nossa igreja local já foi comprovado através dos anos. Ele viaja pelos

Estados Unidos e por outros países, ensinando e demonstrando o ministério

profético de um modo totalmente desprovido de autopromoção ou exagero – o que é

exatamente aquilo de que precisamos.

Embora este livro tenha sido escrito na primeira pessoa, Michael esteve

sempre ao meu lado, participando significativamente em todo o processo. Sua

contribuição vem da sua experiência, tanto no ministério profético como no

pastoreamento de pessoas proféticas. Ele conhece as alegrias e as tristezas disso,

em primeira mão. Suas credenciais nesta área são mais do que suficientes para

escrever seu próprio livro sobre o ministério profético. Assim, sinto-me honrado em

tê-lo como meu co-autor.

Capítulo 1

“Houve um Terrível Mal-entendido”

John Wimber havia organizado tudo. Era julho de 1989 e quatro mil pessoas

estavam espremidas em um armazém adaptado em templo pela Comunidade Cristã

da Vineyard em Anaheim, Califórnia.

John deu duas ou três mensagens na conferência e depois apresentou Paul

Cain, a mim e mais alguns que falariam a respeito do ministério profético. Ensinei

sobre nutrir e supervisionar pessoas com chamado profético na igreja local e dei

alguns conselhos práticos para encorajar leigos a fluir em seus dons proféticos.

Estas duas idéias são os tópicos principais deste livro. Relatei também alguns

testemunhos de ocasiões em que Deus usou sonhos, visões, anjos e uma voz

audível para cumprir seus propósitos na vida de nossa igreja. Compartilhei até

mesmo algumas histórias sobre como Deus confirmou estas revelações proféticas

com sinais da natureza – cometas, terremotos, secas e enchentes que ocorreram

precisamente na época revelada.

Provavelmente, eu deveria ter sido mais explícito quanto ao fato de que

raramente qualquer destes fenômenos sobrenaturais tem acontecido por meu

intermédio. Por mais de uma década, fui pouco mais que um espectador do

ministério profético e, a princípio, um espectador relutante.

Nos meus primeiros dias de ministério, eu era um jovem pastor conservador,

que tinha esperança de um dia poder me formar no renomado Seminário Teológico

de Dallas. Era anticarismático e me orgulhava disso. Dentro de poucos anos, já

estava associado e comprometido a um pequeno grupo de pessoas incomuns,

chamadas por alguns de profetas. “Por que eu, Senhor?” , perguntei muitas vezes.

Paul Cain é um formidável e santo ancião, além de um querido amigo, cujo

ministério profético é nada menos que impressionante. Sua ministração naquela

conferência, que foi anterior à minha, junto com meus testemunhos proféticos,

devem ter causado uma sobrecarga nos circuitos espirituais de algumas pessoas. A

maioria das pessoas presentes era de igrejas evangélicas conservadoras, que

haviam sido abençoadas pelos ensinamentos de Wimber sobre cura, mas que

tinham quase nenhuma exposição a qualquer espécie de ministério profético.

Existe no Corpo de Cristo, pelo que tenho constatado, um grande anseio por

ouvir Deus falar de maneira pessoal.

Terminei minha preleção e estávamos prestes a fazer uma pausa para o

almoço. No último minuto, John Wimber subiu na plataforma e cochichou em meu

ouvido: “Você não quer orar para que o Espírito Santo libere o dom de profecia às

pessoas, agora?”

Quem conhecia, pelo menos um pouco, John Wimber, sabia que nele não há

nada de exibicionismo ou autopromoção. Ele convidava o Espírito Santo a agir numa

audiência e tocar milhares de pessoas com o mesmo tom de voz com que daria o

último anúncio. Foi com essa naturalidade que me pediu para orar pelas pessoas

para que pudessem receber aquilo que eu acabara de descrever.

Diante de uma assembléia de quatro mil pessoas sedentas, observando-nos

atentamente, perguntei a John: “Será que posso fazer isso, mesmo que eu próprio

não tenha dons proféticos?”

John respondeu: “Apenas vá em frente e ore pela liberação do dom e deixe

que o Senhor toque quem Ele bem entender.”

“Porque eu estou orando por estas pessoas?” , pensei. Comecei a procurar

por ajuda de Paul Cain, John Paul Jackson ou alguém que realmente soubesse o

que fazer. Mas percebi que estava por minha conta.

“Bem, está certo, John, se você quer que eu faça isso...” , pensei. Minha

oração não faria mal a ninguém.

John anunciou que eu pediria ao Espírito Santo para liberar o dom de profecia

na vida das pessoas. Então eu orei. Assim que a reunião terminou, formou-se uma

longa fila de pessoas que esperavam ansiosamente para falar comigo. Alguns

queriam que eu orasse de forma individual para que lhes fosse comunicado o dom

profético. Outros queriam que eu lhes transmitisse uma “palavra do Senhor”, isto é,

que eu profetizasse o que Deus tinha a dizer a respeito deles e do seu plano para

suas vidas.

Fazia pouco tempo que eu havia apresentado Paul Cain, Bob Jones e outros

ministros proféticos à Vineyard, homens que fluíam no ministério profético em

maneiras que me impressionavam. Mas, talvez pelo fato de estar sempre orando

pelos outros, algumas pessoas que estavam na conferência concluíram

erroneamente que eu era um profeta ungido e a pessoa mais indicada para ajudá-

las a liberar o dom profético em suas vidas.

Notei que Bob, o meu cunhado que me ajudara a começar a igreja, estava lá

no fundo, apontando para mim e rindo silenciosamente. Ele sabia que eu não era

profeta e que estava numa bela enrascada.

Por diversas vezes expliquei às pessoas que se enfileiravam para falar

comigo: “Não, eu não tenho uma palavra para você. Não, não tenho o dom de liberar

dons proféticos. Não, não tenho unção na área profética.”

Procurei John, mas não o encontrei. Após explicar individualmente a mais ou

menos vinte e cinco pessoas em fila, simplesmente fui até o palco e anunciei em alto

tom: “Houve um terrível mal-entendido! Eu não tenho ministério profético!”. E saí de

fininho.

No dia anterior, John Wimber havia me apresentado a Richard Foster, autor

de A Celebração da Disciplina. Richard estava esperando que eu terminasse de orar

pelas pessoas para que almoçarmos juntos. Eu estava morrendo de fome. Além

disso, queria colocar a maior distância possível entre mim e aquele lugar o mais

rápido possível. No caminho até o carro, fui abordado por diversas pessoas no

estacionamento que também queriam que eu profetizasse para elas. É claro que eu

não tinha nenhuma mensagem profética para lhes dar.

Finalmente, conseguimos escapar e encontrar um restaurante que ficava a

uns quinze quilômetros do auditório. Mas para minha surpresa, enquanto me servia

no bufê de saladas, duas pessoas que estavam na conferência vieram me pedir para

profetizar a elas. Depois, um casal ainda veio à minha mesa, querendo saber se eu

tinha uma palavra profética para eles.

Foi nesta hora que desejei ardentemente ter sido mais explícito durante minha

ministração, dizendo que eu não era profeta nem filho de profeta. Na verdade, sou

filho de boxeador profissional.

Muitas pessoas só conhecem a Deus no contexto do que fez em lugares

distantes, há muito tempo. Estão ansiosas para saber que Deus realmente está

envolvido em suas vidas agora, de uma maneira pessoal. Quando essa realidade é

apresentada dramaticamente, pela primeira vez, as pessoas, incluindo a mim

mesmo, reagem de maneira exagerada por algum tempo.

Aqueles que estão ansiosos ou desesperados para ouvir algo da parte de

Deus raramente são reservados e educados. Eu estava ficando impaciente e irritado

com a insistência das pessoas. O fato de estar com Richard Foster, alguém que há

longo tempo eu desejara conhecer, aumentou minha irritação. Fiquei muito

constrangido.

Ao ler A Celebração da Disciplina, você nunca imaginaria que Richard é um

comediante tão espontâneo. Ele rompeu em gargalhadas quando afastei meu prato

e disse: “Richard, eu não sou profeta. Houve um terrível mal-entendido hoje.”

Entretanto, tudo isto foi insignificante comparado com o tumulto que ocorreria

alguns anos depois. Não seria a primeira nem a última vez que eu teria a sensação

de que Deus escolhera o homem errado para pastorear uma equipe de profetas.

Uma Relutante Introdução ao Ministério Profético

Na nossa experiência, muitas pessoas, tanto líderes como leigos, que hoje

estão envolvidos com ministérios proféticos, foram introduzidas resistindo e lutando

contra. Um bom exemplo disso é meu amigo, Dr. Jack Deere. Antes de conhecer

John Wimber e de experimentar as demonstrações do poder de Deus, Jack era

professor no Seminário Teológico de Dallas e um convicto cessacionista. Um

cessacionista é alguém que crê que os dons sobrenaturais do Espírito Santo,

manifestados durante o primeiro século, cessaram. Ele também passou por uma

difícil jornada de adaptação para conseguir abraçar o ministério profético.

Com a atenção que recebemos nos últimos anos por causa dos dons

proféticos em nossa igreja, muitas pessoas ficam surpresas ao descobrir que tipo de

pessoas Deus trouxe para trabalhar conosco. Oito homens de nossa equipe têm

mestrado, outros quatro têm doutorado – todos de seminários evangélicos

conservadores, não carismáticos. O perfil da personalidade destes homens

contrasta fortemente com o dos ministros proféticos, porém esta diversidade é

essencial.

O Senhor nos ajudou a estabelecer uma escola bíblica, academicamente

forte, de tempo integral, chamada Grace Training Center de Kansas City.

Professores do tipo intelectual e ministros proféticos ensinam lado a lado, formando

uma só equipe coesa que aprendeu a trabalhar em unidade. Nosso objetivo é

combinar os dons do Espírito com um estudo aprofundado e responsável das

Escrituras, e nossos alunos têm nos dado retornos muito positivos a respeito do

treinamento bíblico e espiritual que estão recebendo.

Assim como acontece na nossa igreja, a maior parte dos membros da nossa

equipe de liderança, formados em seminário, não é especialmente dotada na área

profética. São pastores e mestres que sentiram um forte chamado para fazer parte

de um ministério que abrange, entre outras coisas, o ministério profético. A mesma

coisa se dá com a maioria dos leigos de nossa igreja que possuem dons proféticos.

Seu envolvimento neste tipo de ministério é, na maior parte do tempo, uma

contradição à instrução que receberam no treinamento, que negava os dons

espirituais.

Muitas vezes, o chamado de Deus se opõe diretamente às nossas forças

naturais e ao nosso treinamento doutrinário anterior. Cremos que Deus deseja

integrar profundo estudo sistemático das Escrituras com as manifestações

sobrenaturais do Espírito Santo. Esta é uma das principais razões pela fundação do

Grace Training Center

Paulo disse aos coríntios que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza (2

Coríntios 12.9). É comum Deus chamar pessoas a algo para o qual não são

naturalmente capacitadas.

Pedro, o pescador iletrado, foi chamado para ser apóstolo aos cultos judeus.

Paulo, o fariseu cheio de justiça própria, foi chamado para ser apóstolo aos gentios

pagãos.

Ser chamado na fraqueza para realizar algo que demanda muita força é o

mesmo que ser um cético teólogo, chamado a fazer parte de algo sobrenatural.

Certamente eu me encaixo nessa categoria, como também alguns membros da

liderança da Metro Christian e muitos membros da nossa igreja. No início da nossa

carreira, ninguém jamais suspeitaria que pessoas como nós, com toda nossa

bagagem teológica e as afiliações que tínhamos, um dia estariam de algum modo

envolvidos com um ministério profético. Deus realmente deve ter senso de humor.

Tornando-me um Anticarismático

Em fevereiro de 1972, quando tinha 16 anos de idade, fui tocado pelo poder

do Espírito Santo. Em uma igreja das Assembléias de Deus em Kansas City,

chamada Evangel Temple, o Espírito Santo me envolveu e eu falei em línguas pela

primeira vez. Antes daquela experiência, eu não tinha nem ouvido falar no dom de

línguas. Eu não tinha idéia do que havia acontecido comigo. Pedi às pessoas que

oraram comigo para me ajudarem a entender o que era aquilo. Disseram-me que eu

havia falado em línguas. Perguntei: “O que é isso?” Então me falaram que eu

poderia aprender mais sobre isso na próxima reunião.

Apesar de ter sido um poderoso encontro com Deus, fui imediatamente

convencido por meus líderes presbiterianos que aquilo que experimentara fora uma

falsificação demoníaca. Com o tempo, concluí que havia sido enganado por aquela

falsa experiência e por isso a renunciei completamente. Comprometi-me a resistir

qualquer manifestação carismática. Racionalizei que qualquer coisa que parecesse

ser tão real poderia facilmente enganar outras pessoas.

Comecei a advertir outros crentes “inocentes” a se precaverem contra

experiências “falsas”, como o falar em línguas. Assim, durante vários anos

seguintes, minha missão principal era confrontar a teologia carismática e resgatar do

engano qualquer um que tivesse sido ludibriado por tal “farsa”.

Eu não gostava dos carismáticos assim como não gostava de sua teologia.

Aqueles que eu conhecera pessoalmente pareciam achar que já tinham tudo. Senti

que eram orgulhosos e arrogantes. Na minha avaliação, faltavam muitas coisas,

especialmente paixão pelas Escrituras e santidade pessoal. Além disso, sua teologia

não era evangelicamente ortodoxa.

Como jovem cristão, eu era estudioso devoto de grandes autores evangélicos,

imergindo-me nas obras de J. I. Packer, John Stott, Stuart Briscoe, Jonathan

Edwards, Dr. Martin Lloyd-Jones e outros. Levava meu zelo pela ortodoxia

evangélica e minha oposição aos dons sobrenaturais do Espírito Santo aonde quer

que eu ministrasse a Palavra de Deus. Ministrei em vários grupos universitários por

todo o meio oeste dos E.U.A.

Outro Terrível Mal-Entendido

Em abril de 1976, fui convidado a pregar em uma pequena cidade do

Missouri, numa pequena comunidade luterana de vinte e cinco pessoas que

procurava por um novo pastor. Estavam interessados na renovação que estava

acontecendo na Igreja Luterana. Preguei uma de minhas mensagens favoritas, uma

versão anticarismática do batismo no Espírito Santo.

Eu já havia pregado este sermão diversas vezes nos grupos estudantis

universitários. Era algo que peguei diretamente do pequeno livro de John Stott sobre

o batismo no Espírito Santo. Minha intenção era deixar claro, desde o princípio, que

eu não tinha nada a ver com as heresias carismáticas.

Embora estas pessoas pareciam realmente amar a Deus, elas não estavam

totalmente esclarecidas quanto aos vários argumentos teológicos contra o dom de

línguas. Queriam que eu me tornasse seu pastor, mas não as implicações

doutrinárias de meu sermão estavam muito acima de suas cabeças.

Ao mesmo tempo, eu desconhecia totalmente que muitos deles estavam

participando fervorosamente do movimento de renovação na Igreja Luterana. Seu

comportamento reservado me enganou.

Alguns dos lideres de seu grupo de oração estavam fora da cidade naquele

final de semana. Quando voltaram, ficaram sabendo que um jovem pregador havia

ministrado acerca do batismo no Espírito Santo. Bem, isso já era suficiente para eles

e eu fui contratado.

Aqueles líderes que estavam ausentes durante minha pregação presumiram

que eu estava em acordo com sua teologia carismática; por outro lado, eu presumia

que tinham ouvido falar que meu sermão estava recheado de teologia

anticarismática. Eu não podia imaginar o que aconteceria em seguida.

Uns seis meses depois, aproximadamente setenta e cinco pessoas estavam

no novo templo. Um dos líderes, um daqueles que estava viajando quando dei

aquele primeiro sermão sobre o batismo no Espírito Santo, disse-me que alguns dos

novos membros da igreja ainda não haviam recebido a experiência do batismo. Ele

queria que eu fizesse um apelo e orasse por estas pessoas.

“Mas eu faço isso todo domingo de manhã, quando faço o apelo para

salvação”, expliquei.

“Não, não”, ele disse. “Queremos aquela parte das línguas estranhas.”

“Não acredito em línguas,” respondi. Não avançamos muito na nossa

conversa antes que eu percebesse o que havia acontecido. Estava claro que eles

haviam interpretado meus argumentos contra a doutrina carismática de maneira

totalmente errônea. Então gemi: “Oh, houve um terrível mal-entendido!”

Uma parte de mim queria sair correndo dali o mais rápido possível. “Sou

pastor de uma igreja carismática!”, reconheci com pesar.

Eu não podia acreditar naquilo. Como pude me deixar envolver numa

confusão dessas? Olhando em retrospecto, não podia duvidar que fora o próprio

Deus que me colocara ali. A essa altura dos acontecimentos, eu realmente gostava

daquelas pessoas e confiava em sua genuinidade, sua humildade e seu amor pelas

Escrituras e pelo evangelismo. Como pessoas tão boas podiam ser carismáticas?

Minha experiência com esta igreja foi o modo que Deus usou para quebrar

alguns de meus preconceitos contra os carismáticos. Agora eu tinha uma classe de

pessoas que respeitava e aceitava, mas que, em minha concepção, estavam um

pouco “fora” teologicamente. Por incrível que parecesse, Mike Bickle agora estava

tolerando carismáticos. Por enquanto, tudo bem, tendo em vista que já tinha planos

de ir ao México como missionário. Pensei: “Se for por pouco tempo, posso suportar

qualquer coisa.”

Pego na Armadilha de Deus

Continuei com a igreja por mais alguns meses antes que me tornar alvo, pela

primeira vez, de uma mensagem profética, que evidentemente não aceitei.

Certa noite, alguns homens da igreja foram comigo ouvir o presidente da

ADHONEP em uma reunião. No meio da reunião, ele me apontou e disse: “Você,

jovem, lá atrás. Deus vai tirá-lo de onde está e vai colocá-lo diante de centenas de

jovens – imediatamente.”

“Eu não” , pensei. Já havia acertado tudo para trabalhar com uma organização

missionária no México. Pensei que já estava me despedindo do cristianismo

ocidental e partindo para o lugar onde a colheita estava – na América Latina. Já

havia colocado em meu coração o propósito de gastar minha vida no México e na

América do Sul. Aborreci-me com aquela palavra profética e disse a mim mesmo:

“Não pode ser.”

Porém, em seguida o homem disse: “Ainda que você diga em seu coração

neste exato momento: ‘Isto não pode ser’, Deus o fará imediatamente.”

As pessoas aplaudiam e me abraçavam, mas eu estava aborrecido; só queria

uma coisa – sair dali o mais rápido possível.

Dentro de apenas uma semana, quando estava em Saint Louis com um

amigo, encontrei-me por acaso com um pastor de uma grande igreja carismática de

lá. Ele me olhou e disse: “Sei que não nos conhecemos, mas tenho um convite

inusitado para você. O Espírito de Deus acabou de me dizer que você é quem deve

pregar em nosso culto de jovens, onde temos mais de mil jovens todo sábado à

noite.” Antes mesmo de poder pensar sobre aquilo, ouvi-me dizendo sim.

Eu estava chocado e confuso interiormente pelo fato de ter espontaneamente

aceitado pregar naquela igreja radicalmente carismática. Eu estava envergonhado

de mim mesmo. O que meus amigos pensariam?

Porém, aquele culto de sábado à noite transcorreu razoavelmente bem. No

final, o pastor se colocou diante daqueles mil jovens em aplausos e perguntou-me se

podia voltar na próxima semana. Sob a pressão do momento, concordei em voltar –

só que a mesma coisa aconteceu naquele sábado também. Acabei concordando

várias vezes em voltar para pregar ali. O grupo foi tão receptivo comigo que pensei

que conseguiria mudar sua teologia.

No mês seguinte, no dia do meu casamento, os presbíteros da minha igreja

fizeram uma reunião reservada com este pastor, durante a recepção do casamento,

e decidiram que eu seria o próximo pastor de jovens nessa grande igreja

carismática. Sem sequer me consultar, simplesmente anunciaram esta decisão no

final da recepção do casamento. Eu estava tão emocionado por estar me casando

com minha maravilhosa esposa, Diane, que simplesmente respondi: “Ótimo. Faço o

que vocês quiserem!”

Durante minha lua-de-mel, acordei para o que tinha feito. Sem mais nem

menos, eu havia concordado em deixar minha pequena igreja para me tornar um

pastor de jovens em uma igreja carismática – não dava para acreditar no que tinha

feito. Perguntei a mim mesmo: “Como pude deixar isto acontecer?” Parecia que eu

estava constantemente caindo nas armadilhas do próprio Deus e aceitando fazer

coisas contra as quais tinha preconceito.

Senti-me necessidade urgente de retomar o controle de minha vida. Imagine

só, eu agora fazia parte da equipe pastoral da Comunidade Nova Aliança, uma igreja

radicalmente carismática em Saint Louis, Missouri. Até onde as coisas poderiam

chegar?

Na Comunidade Nova Aliança, passei a dividir um escritório com um ex-

pastor luterano, chamado Tim Gustafson, que me ajudou a adaptar-me a este novo

e estranho ambiente. Nenhum de nós podia imaginar que minha relutante jornada

rumo aos dons do Espírito só estava começando.

Eu ainda não me sentia confortável sobre o dom de línguas. A profecia que eu

havia recebido na reunião da ADHONEP, dizendo que eu seria colocado

imediatamente diante de centenas de jovens, havia se cumprido dentro de dois

meses, quando assumi o pastorado dos jovens desta grande igreja em Saint Louis.

Porém, eu ainda não cria em profecias e assim nem imaginava o que aconteceria

nos anos seguintes.

Preferi ignorar a profecia que recebi. Pensei se tratar de uma coincidência. Eu

ainda tinha planos para o México, então simplesmente esperaria com paciência

nesta igreja carismática assim como fizera na anterior.

Mal podia imaginar que eu, um evangélico conservador, estava prestes a me

envolver com os dons espirituais, particularmente o dom de profecia, em um nível

incomum, até mesmo para muitos carismáticos.

Na primavera de 1979, a liderança da igreja me pediu para considerar a

hipótese de entregar meu ministério com jovens, para iniciar uma igreja irmã que

estaria ligada a eles. Então, em setembro de 1979, tornei-me pastor de uma nova

igreja no Condado de South Saint Louis. A igreja cresceu e, logo, comecei a

reconhecer, junto com minha esposa Diane, que continuaríamos servindo ali por

muitos anos. Estava começando a desistir da idéia de ser missionário no México. O

fato de Deus ter traçado planos diferentes para nós não era tão estranho, mas a

maneira que Ele usou para comunicar seu plano representou um outro grande

desafio à nossa fé.

O Próximo Passo de Fé

Em junho de 1982, três anos depois de fundar a nova igreja, fui confrontado

por pessoas que afirmavam ter tido encontros com Deus. Primeiro foi Augustine

Alcala, um ministro profético itinerante, e depois Bob Jones, que se juntou à nossa

igreja e ministrou entre nós por vários anos. Eles falavam de experiências

sobrenaturais que incluíam, só para citar algumas das mais espetaculares, vozes,

visitações angelicais, visões em cores e sinais nos céus.

Algumas das comunicações divinas pareciam ter grandes implicações na

direção de minha vida pessoal e ministério. Se Deus estava tão interessado em

atrair minha atenção, eu queria saber por que, então, Ele não podia me dar uma

visão diretamente, mesmo não crendo muito na veracidade de tais experiências. Eu

havia aceitado completamente a idéia de Deus curar os enfermos, mas não estava

preparado para tais experiências proféticas.

A princípio, o que esses homens afirmavam pareciam ser resultado de

imaginações vívidas, porém enganadas, e não de revelações genuínas da parte de

Deus. Mas ao ouvi-los e orar, o Espírito Santo começou a confirmar a autenticidade

das experiências. Ao mesmo tempo, meus amigos e cooperadores mais confiáveis

também começaram a crer que as profecias eram verdadeiras. Embora tudo isso se

chocasse com as reservas que eu tinha de longa data contra este tipo de coisa,

decidi dar um passo de fé e dar espaço ao ministério profético em nossa igreja.

O Senhor usou palavras proféticas confirmadas de maneira extraordinária

para nos mudar de Saint Louis para Kansas City. Lá começamos uma outra igreja

em dezembro de 1982, chamada Metro Christian Fel owship, onde estamos até hoje.

Desde 1983, nossa liderança tem descoberto que o ministério profético pode

realmente trazer grandes bênçãos à igreja. Também entendemos que pode ser

causa de confusão e condenação, e ser contraproducente aos propósitos de Deus

se não for administrado apropriadamente.

No início de nossas atividades, David Parker, que atualmente pastoreia uma

grande igreja Vineyard em Lancaster, Califórnia, fazia parte de nossa equipe. Ele

ajudou imensamente nossa igreja, introduzindo uma teologia equilibrada e bem

fundamentada para nortear o ministério profético. Ele tem uma capacidade madura

para abraçar o ministério do Espírito Santo dentro do contexto de responsável

profundidade bíblica.

Foram poucas as pessoas com ministério profético que ministraram entre nós

durante os primeiros dois anos desta nova igreja. Hoje elas não se encontram mais

entre nós. Houve várias razões para sua saída. Algumas delas foram confrontações

dolorosas, porém necessárias, que nossa comunidade enfrentou e superou, através

das quais nos tornamos mais sábios e maduros.

Através deste livro, esperamos compartilhar a experiência que ganhamos com

dor e também com alegria. Esta tem sido uma jornada muito inusitada. Eu jamais

poderia ter imaginado, no princípio, o desenrolar dramático dos eventos que nos

esperava.

Capítulo 2

A Grande E Iminente Visitação

Sou muito grato por Deus nunca ter intentado fazer do ministério profético em

nossa igreja em Kansas City um “movimento profético”. Fomos rotulados assim por

pessoas que mais tarde se tornaram opositores e críticos. Víamos a nós mesmos

como uma equipe de implantar igrejas, que continha alguns ministros proféticos

assim como continha pastores, mestres, evangelistas e administradores. Na minha

mente, as características predominantes destes líderes deveriam ser sua paixão por

Jesus e sua intercessão por avivamento.

Entretanto, as pessoas proféticas que acabaram se integrando na nossa

equipe tinham uma atuação tão extraordinária, que suas contribuições se tornaram o

centro das atenções, especialmente àqueles que nos olhavam pelo lado de fora.

Os eventos associados com o ministério profético tornaram-se tão

espetaculares e intrigantes que a mensagem da paixão santa, da intercessão e do

avivamento era muitas vezes ofuscada. Por isso, fomos rotulados negativamente de

“movimento profético” e “os profetas de Kansas City”.

Dentro da nossa igreja local, os profetas também ganharam um destaque

muito elevado, mas, mesmo assim, não representavam a ênfase principal de nossa

liderança. Eu estava sempre procurando manter o foco da nossa igreja em um de

nossos principais propósitos: interceder pelo grande avivamento que creio estar para

chegar – um avivamento que trará incontáveis multidões de novos crentes para a

igreja; um avivamento que trará de volta a paixão, a pureza, o poder e a unidade do

Novo Testamento.

A profecia não é uma área em que a igreja deve se especializar. É uma das

muitas ferramentas usadas para construir a casa, mas não é a casa em si. Quando

você constrói um prédio, você não chama um martelo de movimento. O martelo é

apenas uma de muitas ferramentas importantes.

Inicialmente, mudamo-nos para Kansas City em novembro de 1982 para

começar uma igreja. Várias semanas antes de fazermos nosso primeiro culto de

domingo, começamos a realizar reuniões de intercessão, todas as noites. Tínhamos

em torno de quinze pessoas e nos reuníamos das sete até às dez da noite. Estas

reuniões de oração aconteciam todas as noites durante dez anos, sete vezes por

semana, excetuando-se feriados como Dia de Ações de Graças e Natal.

Em outubro de 1984, quando nossa igreja tinha apenas dois anos de idade,

acrescentamos mais duas reuniões de oração. Encontrávamos três vezes ao dia,

das 6h30 às 8h30 da manhã, das 11h30 à 1h00 da tarde e das 7h00 às 10h00 da

noite. A maioria destas reuniões de oração tinha entre doze e quinze pessoas.

Intercedíamos por aproximadamente seis horas por dia, primeiro por um avivamento

em Kansas City e depois pelos Estados Unidos. Então o Senhor nos orientou a orar

por lugares chaves como Inglaterra, Alemanha e Israel.

De 1987 até 1989, multiplicamo-nos em seis diferentes congregações por

toda a cidade. Procuramos trabalhar como uma só igreja que se congregava em seis

locais diferentes. Cada congregação tinha parte da responsabilidade na realização

destas reuniões diárias de oração.

Em 1992, liberamos três destas congregações para operar como igrejas

independentes. As outras duas se fundiram novamente no nosso local central de

adoração. Hoje, na Metro Christian Fel owship, ainda temos reuniões de intercessão

três vezes ao dia, às segundas, quartas e sextas.

Durante todo este tempo como igreja, sempre estivemos profundamente

envolvidos na intercessão pela vinda desta grande visitação de Deus. Digo tudo

isso, porque intercessão é um dos principais propósitos do ministério profético em

Kansas City. Infelizmente, fizemos um trabalho imperfeito de pastorear nossos

membros e evangelizar nossa comunidade.

Hoje nossa igreja é fundamentada em pequenos grupos de comunhão.

Encorajamos todos a participarem destas igrejas no lar e a estar envolvidos em

nossos projetos de evangelizar através de servir. Conseqüentemente, não podemos

manter o mesmo nível de intercessão que tivemos durante os primeiros dez anos de

nossa história. Há mais equilíbrio agora entre o cuidado pastoral e o evangelismo;

entretanto, necessitamos de constante inspiração por parte do ministério profético, a

fim de manter as reuniões de intercessão três vezes por dia, três vezes por semana.

No passado, para as pessoas que viam nosso ministério pelo lado de fora, o

ministério profético era poderoso e intrigante. Conseqüentemente, ganhou certa

notoriedade e nossa igreja se identificou com ele. Mas, para nós, o ministério

profético – mesmo com suas facetas impressionantes e palavras proféticas

confirmadas com sinais como cometas, secas e terremotos – é focado em um alvo

principal: encorajar e sustentar nossos intercessores por avivamento na igreja. Deus

quer que a igreja experimente uma grande colheita de novas almas que

amadurecerão na graça de Deus, especificamente em seu afeto apaixonado por

Jesus.

A profecia nunca deve ser um fim em si mesma. As profecias nos encorajam

a manter-nos fiéis às reuniões diárias de oração e a manter o foco em uma vida de

amor apaixonado por Jesus. Creio que o ministério profético é o combustível que

abastece o tanque da intercessão e da santidade. É a esperança profética que faz

com que nossas orações por uma grande visitação de Deus persistam durante os

muitos anos e diversos períodos de provação.

O Modelo de Atos 2: Vento, Fogo e Vinho

Creio que Atos 2 é um padrão divino de como Deus visita sua igreja com

poder. Muitos elementos nesta passagem revelam como Deus iniciou sua igreja no

dia de Pentecostes. Quero destacar três:

Primeiramente, Deus enviou o “vento” do Espírito, depois o “fogo” do Espírito

e finalmente o “vinho” do Espírito. O vento do Espírito envolve a manifestação de

milagres. Creio que anjos estão definitivamente envolvidos nisso. Hebreus 1.7 fala

sobre a relação entre o ministério de anjos e o vento. No dia do Pentecostes,

aqueles que estavam presentes ouviram o som de um vento muito forte. Mais tarde,

em Atos 4, o prédio em que estavam tremeu.

Quando Deus envia o vento do Espírito, podemos esperar que venham

grandes sinais e maravilhas, como o som de um vento poderoso ou o tremor de um

prédio, assim como curas extraordinárias – ressurreição de mortos e cura de

paralíticos. Uma grande colheita de almas virá como resultado disso.

O fogo de Deus foi o que veio em seguida em Atos 2. Este batismo de fogo

aumentará o amor de Deus no coração do homem. Teremos um entendimento mais

profundo do amor de Deus que resultará em ardente paixão por Jesus e compaixão

pelas pessoas. Esta nova paixão por Deus, impulsionada pelo Espírito Santo, fará

com que a atmosfera no Corpo de Cristo mude drasticamente. O foco será em amar

Jesus de todo nosso coração, com todas nossas forças. Um aspecto particular do

ministério do Espírito será a intercessão profética pelos perdidos e o início de uma

poderosa colheita de novas almas no Reino de Deus.

No livro de Joel, o vinho de Deus está ligado ao derramamento do Espírito

Santo. É o ministério de Deus pelo Espírito, trazendo gozo inexprimível e refrigério

às almas cansadas e sobrecarregadas.

Em abril de 1984, algo tremendo nos aconteceu - o Senhor falou

audivelmente a dois membros de nossa equipe de profetas em Kansas City, na

mesma manhã. Estas duas pessoas não estavam juntas, mas em lugares diferentes,

quando ouviram Deus falar. Ele disse várias coisas, mas destacarei apenas uma

delas agora.

A voz do Senhor ressoou como um trovão dizendo: “Em dez anos começarei

a liberar o vinho do meu Espírito.”

Duas coisas nos impactaram. Primeiro, o que é o vinho do Espírito? Segundo,

como seremos capazes de esperar por dez anos? Eu tinha vinte e oito anos de

idade na época e dez anos me pareciam um milênio.

Agora, parece óbvio o verdadeiro significado do vinho do Senhor. Uma razão

pela qual Deus envia seu vinho é para refrescar e renovar o coração de seu povo

em meio à fadiga e desânimo, tão comuns nos dias de hoje. Deus está atualmente

liberando “seu vinho” sobre sua igreja em muitas nações.

Em janeiro de 1990, o Senhor falou a umas cinco pessoas proféticas no

período de um ano. Ele disse que visitaria estrategicamente a Londres e depois à

Alemanha com a manifestação da presença do Espírito. Ficou claro que a partir de

Londres, o Reino Unido seria tocado, assim como as nações de fala germânica

seriam tocadas como resultado da sua visita a Berlim. O Espírito vai tocar toda a

Europa e o mundo nos dias que virão. Temos procurado encorajar muitos a

intercederem por suas igrejas naquelas cidades estratégicas. As notícias da

Inglaterra e da Alemanha indicam que estamos começando a testemunhar o

cumprimento inicial destas profecias.

Em Atos 2, Deus primeiro enviou o vento, depois o fogo e, por fim, o vinho. À

medida que Deus restaurar a igreja para a segunda vinda, creio que a ordem será

inversa. Primeiro, Ele enviará seu vinho para dar refrigério e cura às igrejas

cansadas. Depois, enviará o fogo do Espírito para expandir nossos corações no

amor de Deus. Por último, enviará o vento do Espírito, que inclui a manifestação dos

anjos. Esta demonstração do poder do Espírito Santo trará inúmeras pessoas à fé

salvadora em Jesus Cristo.

A igreja verdadeiramente tem grandes coisas pela frente. Entretanto, Satanás

tentará nos desafiar como nunca antes.

Exegese e Revelação Profética

Para nós, todo o conceito de nutrir e administrar o ministério profético na

igreja local provém de nossas expectativas por um derramamento do Espírito Santo,

conforme predito em Joel 2 e citado por Pedro em seu primeiro sermão no dia de

Pentecostes.

Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos.

(Atos 2.17 a)

No que diz respeito ao derramamento do Espírito nos últimos dias, a base

bíblica e os precedentes históricos devem sempre preceder a revelação profética e a

experiência pessoal subjetiva. O tipo mais forte de fé é aquele que provém tanto de

entendimento bíblico, como de discernimento pelo Espírito.

Muitas profecias do Antigo Testamento sobre o Reino de Deus são cumpridas

de duas maneiras. Primeiro, houve um cumprimento local em Israel. Muitas

profecias tiveram seu cumprimento durante a primeira vinda de Cristo, o

derramamento do Espírito no Pentecostes ou o nascimento da Igreja. Mas o

cumprimento completo de muitas profecias só se dará num contexto mundial, logo

antes da segunda vinda de Cristo.

Jesus falou do Reino não apenas como se o Reino já tivesse vindo, mas

também como se ainda estivesse porvir. Como diz George E. Ladd, o Reino tanto é

uma realidade já presente, como algo pelo qual esperamos.¹ O Reino veio com o

advento de Cristo, mas a manifestação completa das profecias concernentes ao

Reino de Deus ocorrerá no final dos tempos, quando Jesus Cristo retornar.

Por exemplo, no último versículo do Antigo Testamento, Malaquias profetizou:

Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do

SENHOR. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos,

e os corações dos filhos para seus pais; do contrário, eu virei e castigarei a

terra com maldição (Malaquias 4.5).

Jesus identificou João como Elias (Mt 11.14) e depois disse a seu respeito:

De fato, Elias vem e restaurará todas as coisas. Mas eu lhes digo: Elias já

veio, e eles não o reconheceram, mas fizeram com ele tudo o que quiseram

(Mt 17.11-12)

Vemos o cumprimento imediato da vinda de “Elias” no ministério de João

Batista na Judéia. Entretanto, também vemos um cumprimento futuro quando “Elias”

virá para restaurar todas as coisas no final dos tempos.

Da mesma maneira, as profecias de Joel 2, com relação ao derramamento do

Espírito Santo, foram parcialmente cumpridas em Jerusalém no dia de Pentecostes.

Pedro cita a profecia e diz:

Estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove

horas da manhã! Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel (At

2.15-16).

Porém, o fato de o derramamento do Pentecostes ser “o que foi predito pelo

profeta Joel” não significa que todo o derramamento se deu ali. O Espírito veio sobre

120 pessoas em um pequeno recinto em Jerusalém. Isto não é o suficiente para o

cumprimento completo – mesmo se incluirmos as três mil pessoas que se

converteram e foram batizadas naquele dia. A profecia de Joel diz: “Derramarei do

meu Espírito sobre todos os povos(Joel 2.28, negrito acrescentado).

Tenho convicção de que a plenitude daquilo a que Joel se referiu ainda não

foi vista. A profecia terá alcance mundial, quando toda a carne – isto é, todos os

crentes e não apenas os profetas – terão sonhos e visões. A maior e mais plena

manifestação do Reino de Deus – o Dia do Senhor, a restauração de todas as

coisas e o derramamento do Espírito Santo – está reservada para a consumação de

todas as coisas no final dos tempos. Creio que haverá um avivamento como nunca

houve na história, em que todos os cristãos experimentarão sonhos, visões e tudo o

que Joel profetizou, um pouco antes da segunda vinda de Cristo.

Mudando a Cara do Cristianismo em Uma Geração

Por anos li os escritos de Jonathan Edwards, David Brainerd, Dr. Martin

Lloyd-Jones e de outros autores puritanos e já tinha adotado sua teologia de uma

inédita colheita de almas no final dos tempos ².

Mas foi anos mais tarde, em um pequeno e sujo quarto de hotel no Cairo,

Egito, que a fé no derramamento do Espírito nos últimos dias se tornou uma questão

pessoal para mim. Naquele tempo, comprometi-me de corpo e alma a fazer parte

disso.

Em setembro de 1982, tinha acabado de deixar meu pastorado de South

County Christian Fellowship em Saint Louis, três anos depois de fundá-la,

juntamente com meu querido amigo Harry Schroeder. Não pretendíamos chegar em

Kansas City antes do início de novembro. Então, aceitei um convite para pregar em

uma conferência de pastores na Índia.

Como eu tinha uma daquelas passagens que dão passe livre para ir aonde

quiser por trinta dias, gastei duas semanas visitando as cinco maiores cidades dos

países em desenvolvimento. Eram cidades como Calcutá, na Índia, Seul, na Coréia

e Cairo, no Egito. Eu queria aproveitar esta oportunidade para ver de perto os

“pobres do mundo” e, portanto, visitei áreas onde havia favelas.

Cheguei ao Cairo, no Egito, no meio de setembro. Seguindo as sugestões de

um motorista de táxi, hospedei-me em um pequeno hotel. O quarto de 2,5m por

2,5m estava equipado com uma cama pequena, um barulhento ventilador de teto,

encanamento da idade da pedra e uma coleção de insetos que periodicamente

saíam correndo sobre o piso de concreto. Era algo bem primitivo para os padrões

ocidentais.

Eu estava separando um tempo todos os dias para interceder por minha

futura igreja em Kansas City. Este era um peso contínuo em meu coração. Comecei

a orar por volta das 8h30 naquela primeira noite. Ajoelhei-me no chão de concreto

ao lado daquela cama precária, e dentro de uns trinta minutos tive um dos encontros

mais incríveis de minha vida.

Não tive uma visão, não fui arrebatado ao céu. Simplesmente ouvi Deus falar

comigo. Não era aquilo que as pessoas chamam de voz audível. Foi o que chamo

voz audível interna. Eu a ouvi tão claramente quanto teria ouvido com meus ouvidos

físicos e, honestamente, foi atemorizante.

Isto foi acompanhado por uma sensação tão forte de pureza, poder e

autoridade. De certo modo, parecia que estava sendo esmagado. Eu queria sair dali,

mas ao mesmo tempo não queria. Queria que aquilo parasse, mas ao mesmo tempo

que continuasse.

Ouvi apenas algumas sentenças e levou somente alguns instantes, mas cada

palavra tinha grande significado. Uma profunda sensação de reverência a Deus

inundou minha alma enquanto experimentei um pouquinho do temor do Senhor. Eu

literalmente tremi e chorei, enquanto o próprio Deus se comunicava comigo de uma

maneira que nunca havia experimentado, antes ou depois. O Senhor simplesmente

disse: “Eu mudarei o conceito e a expressão do cristianismo na terra em apenas

uma geração.” Foi uma palavra simples e direta, mas senti o poder de Deus em

cada palavra e ao mesmo tempo recebia a interpretação do Espírito.

Entendi que esta reforma/avivamento acontecerá por sua soberana iniciativa.

Deus mesmo iria causar esta drástica mudança no cristianismo ao redor do mundo.

A frase “o conceito do cristianismo” significa a imagem que o cristianismo tem

aos olhos dos incrédulos. Na igreja primitiva, as pessoas tinham medo de ser

casualmente associadas com cristãos, em parte devido às demonstrações de poder

sobrenatural. Nos anos 90, muitos incrédulos consideravam a igreja como algo

irrelevante.

Deus mudará o modo como os não-cristãos vêem a Igreja. Mais uma vez,

testemunharão o maravilhoso e assombroso poder de Deus na Igreja. Terão uma

imagem bem diferente da igreja antes que Deus complete seus propósitos com esta

geração.

“A expressão do cristianismo” significa o modo como o Corpo de Cristo

expressa sua vida coletiva. Deus irá mudar poderosamente a igreja de tal forma que

funcione efetivamente como um corpo saudável no poder e no amor de Deus, ao

invés de simplesmente fazer reuniões e programas com base no seu projeto e

estrutura.

Paul Cain diz que há três elementos neste novo entendimento e expressão do

cristianismo: poder sem paralelos, pureza e unidade. O relacionamento entre os

crentes e Deus e entre uns e outros, o modo como são vistos pelos não-crentes e

até mesmo a estrutura e o funcionamento da igreja serão radical e repentinamente

mudados pelo próprio Deus.

Esta mudança ocorrerá – não em um mês, em um ano ou em alguns anos –

mas em uma geração. Naquela noite no Cairo, tive a percepção que estava sendo

convidado a fazer parte disso.

O conceito e a expressão do cristianismo serão mudados por um grande

derramar do Espírito Santo que derrubará qualquer tipo de barreira nacional, social,

étnica ou cultural. Não será um avivamento de caráter ocidental. A profecia de Joel 2

e Atos 2 diz que nos últimos dias Deus derramará seu espírito sobre todos “os

povos” (Atos 2.17).

Muitas coisas começarão a acontecer como resultado deste derramamento do

Espírito. Haverá expressões tão variadas que não será chamado simplesmente de

movimento de evangelismo, movimento de cura, movimento de oração, movimento

de unidade ou movimento profético. Incluirá tudo isso e muito mais. Sobre todas as

coisas, despertará e renovará nas pessoas uma profunda paixão por Jesus por meio

do Espírito Santo.

O Espírito Santo anseia, acima de todas as coisas, glorificar a Jesus no

coração humano (Jo 16.14). Deseja implantar profundas e santas afeições por Jesus

na sua noiva. Falar neste derramamento somente em termos de um movimento

profético é ter um conceito muito limitado.

O crescimento do ministério profético na igreja local envolve mais do que

profecia verbal e inspirativa. Entendo que inclui visitações angelicais, sonhos,

visões, sinais e maravilhas no céu, além de um aumento de revelação profética, até

mesmo através das sutis impressões do Espírito Santo.

Minha experiência no quarto de hotel em Cairo durou de 30 a 60 segundos

apenas, embora parecesse para mim como se fossem duas horas. Saí do quarto e

andei sozinho pelas ruas do centro de Cairo até a meia-noite, entregando minha vida

ao Senhor e a quaisquer planos que Ele tinha para mim. O temor de Deus encheu

minha alma por horas. Levantei-me no dia seguinte, ainda sentindo o impacto.

Esta experiência ligou o que já acreditava em teoria doutrinária acerca do

cumprimento da profecia de Joel 2/Atos 2, de um derramamento do Espírito nos

últimos dias, à prática da minha vida diária. Creio que a palavra se referia à geração

atual. Esta aplicação pessoal e contemporânea de uma dramática visitação de Deus

em proporções mundiais, sem dúvida, foi baseada parcialmente em minha

experiência subjetiva. Mas é baseada também nas Escrituras.

Tanto a promessa de Atos 2, como esta experiência, impactaram o modo

como começamos a nova igreja em Kansas City. Inspiraram nosso compromisso

com a intercessão por uma grande visitação de Deus. Nossa dedicação para nutrir e

administrar o ministério profético faz parte disso e só pode operar de modo eficiente

no contexto de edificar a igreja local. Não é um fim em si mesmo.

A Glória de Deus na Igreja

O nascimento de Paul Cain foi marcado por eventos sobrenaturais. Falarei

mais sobre isso no capítulo 9. Com 30 anos de idade, Paul Cain já tinha um

ministério profético singular. No começo da década de 50, ele estava no rádio e na

TV, e ministrava em diversas reuniões para audiências de 20 a 30 mil pessoas.

Adquiriu uma tenda com capacidade de doze mil pessoas para seu ministério

itinerante.

Mas ao invés de liberá-lo para um ministério mais abrangente ainda, o Senhor

o convenceu a deixar o ministério por um período. Este período durou mais de vinte

e cinco anos.

Durante estes anos, Paul lutou muito para entender por que Deus o havia

encostado no auge de sua vida e, depois de um início tão marcado pelo

sobrenatural, por que Deus parecia ter-se esquecido dele. O que encorajava e

sustentava Paul naqueles anos, mais do que tudo, era uma visão que sempre se

repetia. Paul diz que era uma visão aberta, como uma tela de cinema, que aparecia

à sua frente e que voltava muitas vezes.

Creio que esta visão insistente nos permite ver aspectos do grande

avivamento final que será o cumprimento mundial e total da profecia de Joel 2 e Atos

2.

Nesta visão, Paul viu grandes estádios cheios de pessoas em cidades por

todo o mundo. Havia grandes sinais e maravilhas e multidões incontáveis eram

salvas, à medida que a glória de Deus se manifestava na igreja.

Nos últimos dias, como no primeiro século, o crescimento do ministério

profético não será simplesmente um movimento em si. Este é apenas um dos

aspectos de um grande e muito abrangente derramamento do Espírito Santo em

toda carne.

Uma das coisas singulares sobre o grande avivamento será a manifestação

de sinais e maravilhas descritas em Atos 2.19, que aparecerão na natureza, assim

na terra como no céu. Fiquei impactado com a visitação de Deus que eu mesmo

experimentei no Cairo. Fiquei surpreso pela maneira como Deus me introduziu ao

ministério profético. Mas o Senhor estava prestes a me surpreender ainda mais,

confirmando estas palavras proféticas por meio de seus atos na natureza.

Capítulo 3

Confirmação de Profecia Através de

Atos de Deus na Natureza

A confirmação de palavras proféticas por meio de atos de Deus na natureza

não é algo comum na Igreja. Indubitavelmente, porém, no final desta geração, sinais

nos céus assim como as próprias forças da natureza na terra servirão como

testemunho dramático, tanto para a igreja como para os que não crêem.

Em Kansas City, vimos este tipo de coisa acontecer apenas algumas vezes e

soubemos de alguns outros casos. Entretanto, suspeitamos que a igreja em outras

partes do mundo possa estar experimentando mais disso do que a igreja no

Ocidente.

Quando um ministério profético equilibrado floresce, geralmente é

acompanhado por alguma forma de sinais e maravilhas. No sermão do Pentecostes,

Pedro citou a promessa de Joel 2 de um avivamento nos últimos dias. Claro, os

últimos dias começaram com a cruz, a ressurreição e o batismo com o Espírito

Santo no dia de Pentecostes.

O maior cumprimento da promessa de Joel 2 será nos últimos anos dos

últimos dias – aqueles poucos anos que precedem a segunda vinda de Jesus Cristo.

Este período de tempo é comumente chamado de “tempos do fim”.

A primeira metade da passagem em Atos 2 fala do derramamento do Espírito

e o aumento da atividade profética no corpo de Cristo como um todo:

Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos.

Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos

terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu

Espírito naqueles dias, e eles profetizarão (Atos 2.17-18).

A segunda metade da passagem é dedicada ao grande aumento de

intervenções de Deus na natureza:

Mostrarei maravilhas em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra: sangue,

fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue,

antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que

invocar o nome do Senhor será salvo! (vv. 19-21).

Há uma seqüência e ordem divina neste texto: o derramamento do Espírito

seguido do aumento de sonhos e visões proféticas, seguidos pela confirmação de

sinais no céu e na terra. Então o fato de termos testemunhado algumas destas

confirmações sobrenaturais na natureza é ligado ao aumento de atividade profética.

Nossa convicção é que isso que temos visto é apenas uma pequena amostra

do que irá acontecer de maneira ainda mais dramática em muitas igrejas espalhadas

pelo mundo. Os últimos dias serão acompanhados por uma multiplicação de todos

os quatro elementos da profecia de Joel 2: 1) o derramamento do Espírito; 2) sonhos

e visões proféticas; 3) sinais e maravilhas na terra e no céu e 4) uma volta de todo

coração a Jesus – primeiro para receber salvação e depois com um amor

extravagante por Ele, acompanhado de 100% de obediência. Esta entrega total ao

Senhor Jesus não é só por parte de incrédulos, mas inclui o crescimento de uma

santa paixão por Jesus dentro da igreja.

Este capítulo tem como objetivo encorajá-lo sobre o futuro. No fim dos

tempos, haverá tremendas manifestações de visões e sonhos proféticos,

confirmados por meio de sinais e maravilhas na natureza. Estes eventos proféticos

não se darão apenas no meio de algumas igrejas de estilo profético, mas diante dos

olhos de toda humanidade, tanto de crentes como não-crentes.

À medida que fomos vivenciando e procurando compreender nossas próprias

experiências no ministério profético, concluímos que pode haver vários motivos por

que o Senhor confirma profecias por meio de atos sobrenaturais na natureza. As

pessoas podem entrar em exageros quando este tipo de coisa acontece. Temos

aprendido, através de caminhos dolorosos, que a igreja precisa saber como lidar de

maneira sábia com tais demonstrações de poder e revelação. O corpo de Cristo, no

processo de nutrir e administrar este emergente ministério profético, se deparará

mais e mais com profecias confirmadas através de atos de Deus na natureza.

Conseqüentemente, o segundo objetivo deste capítulo é comentar aquilo que

pudemos aprender neste processo.

Uma Inesperada Nevasca

Um profeta itinerante havia me dado uma profecia em Saint Louis, com

relação à nova igreja que eu ia iniciar no setor sul de Kansas City, antes de me

mudar para lá. Esta palavra incluía a advertência de que um falso profeta estaria

entre nós nos primeiros dias de nossa igreja.

Em março de 1983, não muito depois de nossa chegada em Kansas City,

uma pessoa de aparência estranha entrou em meu escritório e se apresentou a mim.

A princípio, fiquei um tanto cético com relação a Bob Jones, pensando ele fosse o

falso profeta acerca de quem o Senhor me alertara. Ironicamente, neste primeiro

encontro, Bob Jones confirmou esta profecia, alertando-me também sobre um falso

profeta que estaria em nossa nova igreja. Perguntei a mim mesmo: “Será que Bob

Jones poderia ser um falso profeta e mesmo assim dar uma advertência sobre

isso?” Este pensamento me deixou perturbado por vários dias!

Encontrei-me com o pastor da igreja que Bob freqüentara anteriormente, por

vários anos. Este pastor me disse que Bob era um homem de Deus e um profeta

comprovado, com muitos frutos positivos. Também me contou que Bob profetizou na

primavera de 1982 que um grupo de jovens viria para o setor sul de Kansas City

dentro de um ano, e que seriam usados em intercessão por avivamento. Por esta

razão, o pastor abençoou a decisão de Bob de se ajuntar à nossa nova igreja de

jovens.

Quando Bob Jones entrou em meu escritório, no dia 7 de março de 1983, ele

estava usando um casaco de inverno. Isto era estranho, porque já fazia algum

tempo que não nevava, e a temperatura estava acima de 20o C, naquele dia.

Neste primeiro encontro, Bob profetizou que Deus ia levantar uma igreja

profética em Kansas City, e que nós seríamos usados em sua fundação. Durante

este mesmo encontro, ele disse que Deus confirmaria esta profecia com um sinal na

natureza. Ele me contou que no primeiro dia da primavera haveria uma nevasca

inesperada e que no momento em que isto acontecesse, ele estaria sentado com os

líderes de nossa nova igreja e que o aceitaríamos como parte de nossa equipe.

Não levei a profecia muito a sério, uma vez que estava certo de que Bob era o

falso profeta sobre quem eu fora advertido. Deixei a questão de lado, pensando que

certamente alguém que profetizasse sua própria aceitação tinha de ser um falso

profeta. Mas ainda achei estranho ver um homem usando um pesado casaco de