Descobrindo o Dom Profético por Mike Bickle - Versão HTML

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inverno numa temperatura tão quente.

Várias semanas depois, um amigo chamado Art veio nos visitar num final de

semana. No final do culto de domingo de manhã, olhei e vi Bob Jones conversando

com Art. Pensei que certamente Art logo viria e me informaria de que havia um

maluco em minha igreja. Ao invés disso, Art voltou dizendo: “Mike, este homem

parece um profeta de Deus. Ele me contou os segredos do meu coração!”

Art estava planejando voltar naquele dia, depois do culto de domingo à noite,

mas seu pequeno avião particular estava impossibilitado de voar, devido ao mau

tempo. Por volta das nove horas daquela noite, de repente Art insistiu em ver Bob

novamente.

Reunimo-nos em minha casa das dez da noite até às três da manhã. Foi uma

noite incrível. Fiquei impressionado com algumas coisas que Deus revelava a Bob

acerca de minha vida pessoal e de minhas orações. Falei, repentina e

impulsivamente: “Bob, sou grato por Art ter insistido em nos reunirmos esta noite.

Realmente creio que é um profeta genuíno.”

Bob sorriu ao me lembrar de que ele já sabia que nós o aceitaríamos no

primeiro dia da primavera, assim como profetizou em nosso primeiro encontro.

Era uma profecia verdadeira. De repente, me dei conta de que estávamos no

dia 21 de março, o primeiro dia da primavera na América. Art não pudera viajar por

conta de uma repentina nevasca. Estávamos todos em comunhão em torno de uma

mesa e eu havia acabado de aceitar Bob Jones com meus próprios lábios. Tudo

acontecera exatamente como Bob disse que o Senhor lhe mostrara.

A inesperada nevasca no dia 21 de março foi precisamente predita por Bob,

para confirmar a visão profética de que Deus estava levantando uma igreja profética

em Kansas City e que Bob Jones seria usado em sua fundação. O pequeno, porém

significativo, sinal no céu era uma predição da nevasca que viria inesperadamente

no dia 21 de março, exatamente o primeiro dia da primavera. Aconteceu mesmo:

esta nevasca surpreendeu Kansas City depois de várias semanas de excepcional

calor.¹

O Cometa Inesperado

Um mês se passou e eu ainda estava um tanto perplexo pelo incidente da

nevasca. Continuamos a nos encontrar todas as noites, desde novembro de 1982,

das sete às dez, para orarmos por avivamento em Kansas City e na América. Então,

numa noite de quarta-feira, 13 de abril de 1983, tive uma outra experiência singular

com Deus. Pela segunda vez, pude ouvir aquela voz audível interna de Deus,

dizendo algo inconfundivelmente claro.

Deus me ordenou a convocar a igreja para uma assembléia solene de jejum e

oração, durante vinte e um dias. A história do anjo Gabriel (Dn 9-10), que veio em

auxílio contra o diabólico Príncipe da Pérsia, não me saía da cabeça. Também senti

o Senhor dizendo que pessoas de toda a cidade se uniriam a mim nos vinte e um

dias de jejum e oração por avivamento em nossa nação.

Eu tinha algumas sérias reservas a respeito disso. Como eu, um jovem

pastor, recém-chegado na área, iria convocar a cidade para orar e jejuar? Quem me

daria ouvidos? Os outros pastores achariam muita presunção de minha parte

atrever-me a tal coisa!

Minha esposa, Diane, também não me deu muito encorajamento. Ela estava

perplexa pela idéia de convidar os habitantes de uma cidade para vinte e um dias de

jejum e oração por avivamento. Ela me lembrou que eu não tinha credibilidade na

cidade. Fazia apenas seis meses que morávamos em Kansas City.

No entanto, fiquei um pouco surpreso com a determinação que havia em meu

próprio espírito. Para mim, receber este tipo de mensagem de Deus era algo novo e

eu estava perplexo. Então, na manhã seguinte, decidi ligar para Bob Jones. Lembre-

se, nesta ocasião, fazia apenas um mês que eu o havia reconhecido como um

profeta genuíno.

No telefone, expliquei: “Bob, recebi uma palavra que creio ser do Senhor, mas

é algo bem incomum. Acho que acredito em profetas agora e realmente preciso que

um outro profeta confirme o que eu ouvi ontem à noite. Você pode ajudar?”

Bob respondeu com seu sotaque sulista arrastado: “Sim, eu já sei de tudo.

Deus já me contou ontem à noite o mesmo que disse a você.”

Isto me pareceu um pouco excêntrico, mas coisas estranhas e singulares

estavam se tornando mais corriqueiras. Como Bob Jones podia saber o que Deus

havia falado comigo? Pedi a dois amigos meus para servirem como testemunhas e

fomos à casa de Bob. No caminho, expliquei-lhes que Deus literalmente me dera

ordens para convocar parte da igreja em Kansas City para vinte e um dias de jejum

e oração. A passagem que Ele me dera foi Daniel 9, na qual Gabriel fala para Daniel

a respeito da visitação de Deus.

Cheguei na casa de Bob, muito ansioso para ver se realmente recebera a

mesma mensagem de Deus que eu. Se em algum momento eu tive a necessidade

de receber uma genuína palavra profética para confirmar algo, este era o momento.

Coloquei Bob à prova. Pedi que ele me contasse o que Deus me dissera na noite

anterior. Com um grande sorriso estampado no rosto, ele relatou com grande

precisão o que Deus havia me falado. Meus amigos e eu ficamos sentados ali,

assombrados. Então ele prosseguiu para explicar outras coisas que Deus lhe

mostrara.

Bob disse que vira literalmente o anjo Gabriel em sonho naquela madrugada.

Também profetizou que Deus já me havia dado Daniel 9 e que estava nos

chamando para orar por uma visitação de Deus em nossa cidade e em nossa nação.

Disse que um cometa inesperado cruzaria o céu como confirmação de que Deus

estava verdadeiramente convocando este solene momento de jejum e oração. Ele

também disse que Deus enviaria um avivamento a Kansas City e a toda a nação,

assim como me havia dito.

Estávamos atônitos! Não havia meios de ele ter sabido a respeito da

passagem em Daniel 9 que eu recebera na noite anterior. E o cometa – isto

certamente estava além do conhecimento humano. Pensei: “Gostaria de saber onde

esta nova jornada profética vai nos levar. Só posso esperar e ver.”

Três semanas depois, no dia 7 de maio de 1983, o primeiro dia do nosso

jejum e oração, o jornal noticiou:

Cientistas terão uma rara chance na próxima semana de estudar um cometa

recém-descoberto que passará à “curtíssima” distância de quatro milhões e

oitocentos mil quilômetros da terra... Dr. Gerry Neugebauer, o mais

importante pesquisador no projeto internacional IRAS (Infrared Astronomical

Satellite) disse: “... Foi pura sorte estarmos observando naquele momento

exatamente onde o cometa estava passando.” ²

Deus nos deu uma revelação profética de que teríamos que orar e jejuar por

vinte e um dias, por um avivamento que viria no tempo dele, e depois confirmou a

revelação com um sinal natural, nos céus: a detecção inesperada de um cometa no

dia em que começaríamos a jejuar. A profecia de Bob Jones sobre o cometa foi

noticiada pelo jornal na data exata em que o jejum começou.

Sinais Em Baixo na Terra

Paul Cain, um profeta experimentado, foi apresentado a John Wimber, líder

da Associação de Igrejas Vineyard, no dia 5 de dezembro de 1988, na casa de John

em Anaheim, Califórnia. Uma semana ou duas antes da chegada prevista de Paul, o

Dr. Jack Deere, que na época era um pastor auxiliar de John Wimber em Anaheim,

perguntou a Paul se Deus lhes daria um sinal profético para confirmar sua

mensagem a John Wimber e às várias centenas de igrejas Vineyard sob a liderança

de John.

Paul respondeu: “No dia em que eu chegar, haverá um terremoto na sua

região”. Entretanto, esta não é uma previsão tão incomum para o sul da Califórnia.

Então, Jack perguntou: “Será este o grande terremoto que todos estão

esperando um dia?”

“Não”, Paul respondeu, “mas haverá um grande terremoto em um outro lugar

do mundo no dia seguinte à minha partida.”

A palavra profética que Paul havia recebido para John estava em Jeremias

33.8, que diz: “Eu os purificarei de todo o pecado que cometeram contra mim e

perdoarei todos os seus pecados de rebelião contra mim.” Paul trouxe palavras de

consolação ao movimento das igrejas Vineyard, dizendo que Deus ainda estava com

eles e que a palavra do Senhor era: “Graça, graça, graça”.

Às três e trinta e oito da manhã de 3 de dezembro, o dia em que Paul chegou,

houve um terremoto em Pasadena, na região de Anaheim. Ocasionalmente, o

Senhor usa a hora do evento como uma ênfase adicional à mensagem profética

(Jeremias 33.8). Creio que não foi uma mera coincidência.

Paul deixou Anaheim no dia 7 de dezembro de 1988. Outro sinal de

confirmação da parte do Senhor ocorreu no dia seguinte à sua partida. Houve um

violento terremoto na Armênia Soviética no dia 8 de dezembro de 1988, assim como

Paul havia profetizado. Não havia meios de produzir um sinal desta natureza por

esforços humanos.

John Wimber admitiu que antes deste acontecimento já levava a profecia

muito a sério. Muitos dos principais eventos ligados ao desenvolvimento da

Associação das Igrejas Vineyard foram profetizados com antecedência. Mas Paul

representava uma nova dimensão do ministério profético que ainda não conheciam.

Com respeito ao efeito que os terremotos causaram em John, ele escreve: ‘Ele (Paul

Cain) conseguiu toda minha atenção!”4

O Senhor mostrou a Paul que Deus usaria de misericórdia com a Vineyard

assim como descreve a passagem em Jeremias 33.8. Deus usa de misericórdia e

graça para nos tornar aptos a caminhar em um nível mais maduro de pureza e

santidade.

O simbolismo profético parecia claro – Deus estava falando através destes

eventos que abalaria a Igreja Vineyard de Anaheim num futuro próximo, por meio do

ministério profético, assim como um terremoto local acabara de abalar Pasadena. O

abalo profético não seria meramente local, mas acabaria causando um abalo com

proporções internacionais. Isto foi representado através do terremoto na Armênia

Soviética.

Este sinal na terra, o terremoto, era um símbolo do abalo que a Vineyard iria

experimentar enquanto Deus lhes renovasse sua misericórdia no período que

sucederia.

Poder Convincente, Verdade Irrefutável

Sinais e maravilhas na natureza não devem ser desprezados, pois não são

dados por razões fúteis. Não espere que Deus mostre um sinal no céu para lhe

orientar quanto à escolha de um carro para comprar.

Fogo caiu do céu e consumiu o sacrifício de Elias, o Mar Vermelho se abriu e

uma estrela guiou os sábios até Belém. Estes não foram eventos insignificantes no

desenvolvimento do plano e do propósito de Deus.

O cometa não veio para confirmar algo relacionado somente a nós. Era muito

mais que isso. Nosso entendimento é que veio para confirmar os planos de Deus de

visitar nossa nação num avivamento de grande escala.

Valorizamos profundamente o fato de Deus ter usado muitos ministérios

diferentes para profetizar e interceder pelo avivamento que virá para a América.

Nenhum grupo ou denominação é mais especial para Deus do que os outros. Ele

não move astros dos céus, nem abre os mares simplesmente para se exibir diante

de uma platéia de curiosos. A magnitude da demonstração de seu poder é

geralmente proporcional à significância de seu propósito.

O poder de Deus demonstrado por sinais e maravilhas na natureza nos

últimos dias será algo jamais visto, porque servirá para confirmar e assinalar o maior

evento de todos os tempos – a última colheita de almas e a segunda vinda de Jesus

Cristo. O propósito do derramamento do Espírito, do crescimento do ministério

profético e, finalmente, dos sinais e maravilhas na natureza, é despertar a igreja

para um cristianismo apaixonado e trazer pessoas à salvação. A profecia de Joel 2,

citada por Pedro em seu primeiro sermão, ressalta isso da seguinte forma:

E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo! (At. 2.21)

Isto se aplica a crentes invocando o nome de Jesus com grande paixão e a

incrédulos clamando seu nome por salvação.

Tudo isso será de grande benefício para o amadurecimento da igreja, e ao

mesmo tempo uma dramática demonstração de poder para alcançar os perdidos,

para a última grande colheita de almas. Será um extravagante derramamento de sua

misericórdia e poder.

Poder convincente e verdade irrefutável marcaram a pregação do evangelho

no primeiro século. A presença e o poder do Espírito proveram evidências

irrefutáveis da verdade que os apóstolos proclamavam. Um elemento importante da

mensagem do evangelho naqueles dias era que os apóstolos eram testemunhas

oculares da ressurreição de Jesus entre os mortos. O testemunho ocular desta

verdade essencial era da mais alta importância na pregação inicial do evangelho.

Quando os apóstolos se reuniram para escolher um homem para tomar o

lugar de Judas, o consenso era de que tal homem precisaria ter estado com eles

desde o começo, de modo que, como Pedro disse, “seja conosco testemunha de

sua ressurreição” (At 1.22).

Uma tarefa essencial dos doze apóstolos era servir como testemunhas

oculares de tudo o que Jesus disse e fez. Em todas as passagens de Atos que

relatam a pregação do evangelho, você achará palavras semelhantes a estas: “E

nós somos testemunhas disso” (veja At 3.15, 5.32, 10.39, 13.31).

A mensagem da igreja nos tempos do fim não será apenas que Cristo

ressuscitou dos mortos, mas que seu retorno é iminente. Houve grandes

avivamentos ao longo da história, nos quais o poder e a presença do Espírito Santo

eram quase irresistíveis a alguns incrédulos.

Mas a conversão de almas nos últimos tempos será a maior colheita de todos

os tempos, porque a presença e o poder do Espírito Santo serão acompanhados por

sinais nos céus e na terra, que confirmarão a mensagem do evangelho de forma

marcante. Isto será, de certa forma, como o testemunho ocular dos apóstolos. Assim

como nos primeiros dias da igreja, o evangelho nos últimos dias será pregado com

poder convincente e verdade irrefutável.

O Apocalipse de João é cheio de passagens que referem aos sinais nos céus

e na terra nos últimos dias, com o propósito de anunciar tanto a segunda vinda de

Cristo como o ajuntamento de almas para a grande colheita. Compare os eventos

que ocorrem quando o Cordeiro abre o sexto selo para os sinais e maravilhas

profetizadas em Joel 2 (maravilhas no céu e na terra, o sol se tornando em trevas e

a lua em sangue):

Observei quando ele abriu o sexto selo. Houve um grande terremoto. O sol

ficou escuro como tecido de crina negra, toda a lua tornou-se vermelha como

sangue, e as estrelas do céu caíram sobre a terra como figos verdes caem da

figueira quando sacudidos por um vento forte. O céu foi se recolhendo como

se enrola um pergaminho, e todas as montanhas e ilhas foram removidas de

seus lugares (Ap 6.12-14).

Em Apocalipse 11, João fala de duas testemunhas:

Darei poder às minhas duas testemunhas, e elas profetizarão durante mil

duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco (v 3).

Estes homens têm poder para fechar o céu, de modo que não chova durante

o tempo em que estiverem profetizando, e têm poder para transformar a água

em sangue e ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes desejarem

(v. 6)

Em Apocalipse 14, João vê o Filho do Homem com uma foice afiada na mão.

Um anjo aparece nos céus e diz a Ele em alta voz:

Tome sua foice afiada e ajunte os cachos de uva da videira da terra, porque

as suas uvas estão maduras! O anjo passou a foice pela terra, ajuntou as

uvas e as lançou no grande lagar da ira de Deus (vv. 15a-16).

É difícil saber a interpretação exata de cada uma destas passagens, mas

parece claro que a combinação dos sinais na natureza, o aumento da atividade

profética e a grande colheita de almas é citada não apenas por Pedro em Atos 2,

mas por João no Apocalipse também. Jesus, em seu sermão no Monte das

Oliveiras, usa a mesma linguagem para descrever os eventos que precederão sua

segunda vinda:

Imediatamente após a tribulação daqueles dias o sol escurecerá, e a lua não

dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes celestes serão

abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as

nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens

do céu com poder e grande glória (Mt 24.29-30)

À medida que nos aproximarmos do fim dos tempos, haverá um grande

aumento de profecias, confirmadas por atos de Deus na natureza. A maior profecia e

o maior sinal já visto nos céus será o último – a manifestação visível e real de Jesus

Cristo.

Não Choverá

No dia 28 de maio de 1983, o último dia dos vinte e um dias de oração e

jejum, Bob Jones se levantou em um grupo de aproximadamente quinhentas

pessoas e deu uma palavra profética dramática. Ele disse que haveria seca em

Kansas City por três meses durante o verão. De fato, a seca realmente ocorreu do

fim de junho até o fim de setembro daquele ano. Ele continuou a dizer, porém, que

choveria precisamente no dia 23 de agosto. Disse que este seria um sinal profético

para que não nos desanimássemos ao esperar o tempo predeterminado em que a

seca espiritual sobre a nação também acabaria.

Assim como a seca sobre Kansas City foi divinamente interrompida no dia

predeterminado, a seca espiritual também seria divinamente interrompida

precisamente no tempo designado por Deus. Conseqüentemente, nosso jejum e

oração, juntamente com a intercessão de muitos outros espalhados pela nação, não

haviam sido em vão. Deus queria que entendêssemos que havia um tempo

divinamente determinado para a iminente liberação do Espírito Santo na igreja norte-

americana e que este avivamento estava estrategicamente em suas mãos.

Embora as profecias envolvendo ausência de chuvas não sejam algo comum,

certamente têm precedentes bíblicos. Elias profetizou ao rei Acabe:

Juro pelo nome do SENHOR, o Deus de Israel, a quem sirvo, que não cairá

orvalho nem chuva nos anos seguintes, exceto mediante a minha palavra (1

Rs 17.1).

Lucas também menciona algo semelhante na igreja primitiva:

Naqueles dias alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Um

deles, Ágabo, levantou-se e pelo Espírito predisse que uma grande fome

sobreviria a todo o mundo romano, o que aconteceu durante o reinado de

Cláudio (At 11.27-18).

Aparentemente, estes profetas continuaram como membros regulares da

liderança de Antioquia. Lucas descreve a jovem e profética igreja de Antioquia da

seguinte forma:

Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres (At 13.1).

Embora a seca em Kansas City não tenha começado imediatamente (houve

chuvas no mês de junho), no final de junho os céus se fecharam. Durante o mês de

julho e durante as primeiras semanas de agosto quase não choveu. Nestas alturas,

eu já era um especialista em observar o tempo e, desta forma, sabia que no dia 23

de agosto não havia previsão de chuva.

Em certo sentido, a credibilidade do ministério profético estava em jogo.

Duvido que alguém estivesse mais tenso que eu. Entretanto, nada disso fora idéia

minha.

No final da tarde chamei um amigo, Steve Lambert, à nossa igreja. Disse a

ele que não havia indícios de chuva. Steve respondeu, dando risada: “É melhor você

torcer por chuva ou terá de sair da cidade”. Eu não conseguia ver o motivo de tanta

graça.

Nossa igreja tinha uma reunião programada para a noite de 23 de agosto.

Pouco antes da reunião começar, caiu um temporal que durou quase uma hora.

Todos gritavam e louvavam a Deus. A seca continuou no dia seguinte e durou mais

cinco semanas – três meses no total, como profetizado, com exceção do dia 23 de

agosto. Foi o terceiro verão mais seco em Kansas City nos últimos cem anos.

Enquanto as manifestações de sinais e maravilhas sem precedentes será,

efetivamente, o último e melhor convite aos perdidos, a confirmação irrefutável da

palavra profética será também uma grande fonte de encorajamento à igreja. Nosso

fervor e paixão por Jesus serão inflamados, fortificando nossa perseverança, e

capacitando-nos a manter firme nossa esperança nos tempos de espera ou até

mesmo de sofrimento.

Por causa desta confirmação dramática e singular, fomos grandemente

encorajados a continuar orando por um avivamento em Kansas City e na América, e

a não nos cansarmos ao esperar pela resposta de nossas orações. Como mencionei

anteriormente, o Senhor também falou especificamente com nossa equipe para

intercedermos por um avivamento no Reino Unido, na Alemanha e em Israel. A

confirmação da palavra profética por atos de Deus na natureza tem fortificado nossa

fé de que, assim como a chuva veio precisamente no dia previsto, a chuva espiritual

virá precisamente no tempo divinamente designado.

Revelação Profética e Sofrimento

Um princípio a ser ressaltado é a ligação entre a abundância de revelação e

um nível mais alto de sofrimento ou provação. De acordo com Paulo, seu espinho na

carne lhe foi dado para evitar que ele se exaltasse diante da abundância daquilo que

lhe fora revelado (2 Co 12.7). O espinho foi dado por causa da revelação.

Por outro lado, parece que Deus concede revelações poderosas em função

das provações que alguns terão de enfrentar. Paulo recebeu uma visão profética,

instruindo-o a concentrar seus esforços missionários na Macedônia, e não em

Bitínia. Aquela decisão fez com que Paulo e Silas fossem presos, levados aos

magistrados, severamente açoitados, lançados no cárcere interior e presos com os

pés no tronco.

A claridade da direção sobrenatural para ir a Macedônia certamente lhes deu

a certeza de que Deus ainda estava com eles, no meio da sua provação (At 16.6-

24).

Este princípio da revelação antes da tribulação é repetido muitas vezes nas

Escrituras: os milagres do Êxodo antes da provação no deserto, os sonhos de José

antes de ser vendido como escravo, as sobrenaturais vitórias militares de Davi

juntamente com as palavras de Samuel antes das tentações do deserto, e daí por

diante. Embora o espinho possa vir em função da revelação, a revelação também

pode vir para nos preparar para provações futuras. Uma poderosa revelação

profética com confirmações irrefutáveis fortifica as pessoas em tempos de severa

provação.

No fim dos tempos, os tremendos sinais e maravilhas nos céus serão muito

maiores do que as experiências que tivemos com a nevasca inesperada, o cometa,

o terremoto e o temporal. Como serão imensamente encorajados, por confirmações

irrefutáveis da vinda de Jesus Cristo, os santos que estiverem esperando pela sua

volta física e visível!

Aprendendo do Modo Mais Difícil

Nossa igreja, infelizmente, perdeu o equilíbrio justamente neste ponto. Muitos

ficaram impactados por estas confirmações na natureza - o cometa, o terremoto e a

seca.

Entretanto, algumas pessoas se tornaram espiritualmente desequilibradas ao

idolatrar alguns dos profetas como Paul Cain e Bob Jones. Paul nunca viveu em

Kansas City, mas sua reputação cresceu de modo desproporcional na cidade, por

causa do que acontecia quando ele nos visitava.

A falta de equilíbrio nesta área nos fez passar por um doloroso, porém

necessário, processo de correção. O Senhor tem ciúmes por seu povo e por suas

afeições. Ele não permitirá que façamos de líderes fracos e falíveis a fonte e o foco

de seu mover.

Diante de nossa confissão, algumas pessoas podem apontar e dizer: “Aha! É

por isto que não devemos nos envolver com o ministério profético. Só tira nosso

equilíbrio e desvia nossos olhos de Jesus.” Já levantei estes argumentos mais de

uma vez comigo mesmo, e darei a seguir minhas conclusões.

Primeiro, lembrei Deus que o envolvimento no ministério profético nunca foi

idéia minha. O que aconteceu conosco foi uma armadilha divina. Só podíamos dizer:

“Deus, o Senhor nos colocou nessa!” Obviamente, tudo se tratava de uma divina

ordenação de eventos.

Só mesmo rejeitando a direção e providência do Senhor, é que poderíamos

ter guiado a igreja de tal forma que nada incomum, arriscado, profético ou

sobrenatural fosse bem recebido ou até mesmo aceito. Sim, neste caso haveria

menos chances de pessoas caírem em exageros, mas o Senhor teria se

entristecido.

Eu poderia, talvez, ter tentado minimizar o ministério do Espírito Santo de

modo que as pessoas não ficassem tão empolgadas ou emocionadas. Entretanto,

uma igreja que resiste ao dinamismo profético pode facilmente cair em rotina

espiritual. No plano de Deus, a igreja precisa de receber a contribuição profética a

fim de permanecer devidamente encorajada, e assim minimizar a incredulidade e o

tédio que permeia boa parte da igreja hoje atualmente.

Em segundo lugar, estou convicto de que o derramamento do Espírito, o

ministério profético e os sinais e maravilhas na natureza claramente fazem parte da

agenda de Deus para o final dos tempos. Quer gostemos, quer não, o que temos

experimentado é apenas uma gota no oceano comparado à magnitude e à

freqüência do que está por vir. Isto se tornará mais e mais óbvio para a igreja à

medida que a volta do Senhor se tornar mais próxima.

Finalmente, um dos motivos mais importantes para abraçar o ministério

profético é simplesmente aquilo que a Escritura nos ensina: “Sigam o caminho do

amor e busquem com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de

profecia” (1 Co 14.1); “Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar”

(1 Co 14.39); e “Não tratem com desprezo as profecias” (1 Ts 5.20). É muito fácil

desprezar as profecias, mas somos ordenados por Deus a não permitir que tal

mentalidade domine a vida da igreja.

Aprendendo com os Erros

Por crer que tudo o que experimentamos é somente uma pequena amostra do

que a igreja inteira experimentará em plenitude, é válido compartilhar algumas das

coisas que descobrimos no meio dos nosso tropeços desajeitados. A seguir algumas

lições simples sobre profecias confirmadas por sinais e maravilhas na natureza:

1. Não pense que eventos deste porte significam que sua igreja será o

centro do propósito e do plano de Deus para sua região.

Isso parece simples, mas ao longo da história, pessoas que testemunharam

demonstrações do poder de Deus concluíram que seu grupo era o centro do plano

de Deus para sua geração. No nascimento de Jesus, os pastores viram os anjos

cantando no céu e os magos testemunharam a estrela que se movia, mas

provavelmente nenhum dos dois grupos estava presente para participar no dia do

Pentecostes, trinta anos depois.

Deus está comprometido em usar toda a igreja em unidade em cada região.

Embora nunca assumimos a idéia de que seríamos os únicos a ser usados por

Deus, claramente caímos em orgulho espiritual e nos intoxicamos pelo “vinho forte”

deste tipo de experiência.

As confirmações proféticas que testemunhamos na natureza foram

relacionadas com palavras proféticas sobre o que Deus iria fazer além das fronteiras

de Kansas City. Foi-nos permitido testemunhar os sinais proféticos com o intuito de

fortalecer e encorajar-nos para nosso chamado de intercessão por avivamento.

2. Não exalte de modo indevido os vasos que Deus usa.

Prestamos atenção exagerada a pessoas como Paul Cain e Bob Jones.

Alguns concluíram que o fato de eles serem usados de modo tão dramático

significava que eram certos em tudo o que dissessem e fizessem. O Senhor

amorosamente nos disciplinou porque zela para que seu Filho seja o centro de tudo.

A propósito, Paul e Bob são muito diferentes um do outro e estiveram muito

pouco um com o outro. Tenho passado bastante tempo com ambos, mas nunca

estiveram ligados um ao outro de maneira significativo. Suas personalidades e

estilos ministeriais são bem diferentes um do outro. Eles se relacionam conosco de

maneiras diferentes e até pensam de modo diferente sobre vários assuntos.

3. Em algumas situações, uma revelação inusitada seguida de uma

confirmação extraordinária pode ser usada para validar certos

ministérios proféticos.

Foi isso que ocorreu com Bob Jones e a nevasca inesperada na primavera de

1983. Sentimos que esta foi uma maneira de Deus nos preparar para algo especial

que Ele queria falar conosco através de Bob Jones. Mesmo quando isto acontece, a

igreja deve proceder com cautela. A confirmação de um homem como profeta

genuíno não é um endosso universal de tudo o que diz ou faz.

Ocasionalmente o Senhor pode dar uma direção a uma igreja, que seria muito

difícil obedecer sem uma forte confirmação profética. Um evento como este é

relatado por Eusébio, o historiador da igreja do terceiro século. De acordo com

Eusébio, todos os cristãos na cidade de Jerusalém deixaram a cidade por causa de

uma revelação profética e, conseqüentemente, suas vidas foram poupadas.

Entretanto, toda a igreja em Jerusalém, tendo sido ordenada por revelação

divina dada aos homens de bom testemunho de lá antes da guerra,

mudaram-se da cidade e habitaram em uma certa cidade além do Jordão

chamada Pella. 5

Imediatamente após sua partida, Jerusalém foi sitiada por Tito, o general

romano, e destruída no ano 70 d.C.

Certamente Deus estabeleceu a credibilidade destes profetas diante dos

olhos da igreja antes da iminente crise. Não sei dizer como Ele confirmou a

mensagem profética, a ponto de eles deixarem Jerusalém rapidamente antes de Tito

destruir a cidade no ano 70 d. C. O que sei é que as pessoas não são facilmente

persuadidas a deixar suas cidades e suas casas. Portanto, deve ter havido uma

confirmação suficientemente forte para que a palavra fosse aceita.

Creio que há um tipo de ministério profético emergindo no corpo de Cristo em

nossos dias que alcançará semelhante credibilidade diante dos olhos da igreja e, até

certo ponto, até mesmo dos líderes seculares e da sociedade. Muitos podem zombar

desta idéia, mas um dia Deus poderá usar o ministério profético para salvá-los de

um desastre!

O terremoto, a nevasca, o cometa e a tempestade foram fenômenos naturais

que interpretamos como confirmação profética, porque foram preditas as datas

exatas em que os fatos ocorreriam, relacionados a uma visão profética. Alguns

pensam que estes eventos aconteceram por coincidência.

O objetivo deste capítulo não é fornecer extensos dados para provar a

validade destes eventos em nossa experiência. Ao invés disso, quero destacar duas

coisas: no fim dos tempos haverá sinais proféticos irrefutáveis nos céus e na terra, e

a magnitude e a freqüência destes futuros eventos ofuscarão tudo o que foi visto até

então.

Quero encorajá-lo a pensar no que a Bíblia diz acerca destes sinais proféticos

nos últimos dias. Que tempos emocionantes nos esperam como corpo de Cristo!

Capítulo 4

Equações Erradas a Respeito de Dons Proféticos

“Que pena, Richard”, respondi, “lamento que você se sinta assim.” Meu amigo

Richard é um dedicado homem de Deus e pastor nazareno com formação teológica.

Já chegamos a um entendimento bem mais completo agora, mas no início ele ficou

simplesmente escandalizado e ofendido com a idéia de que profetas possam estar

equivocados em algumas de suas doutrinas.

Richard usava uma equação simples, porém incorreta, para julgar os dons

espirituais. Ele pensava que um homem com um histórico repleto de profecias

genuínas era necessariamente santificado e biblicamente equilibrado em quase

todas as áreas doutrinárias. Eu descordava com ele.

Ele não tinha experiência com profetas, porém tinha trabalhado bastante nas

suas teorias. Eu tinha bastante experiência com pessoas proféticas e estava

constantemente atualizando minhas velhas teorias com os resultados práticos da

minha vivência. Sim, pessoas com ministério profético precisam ter fundamentos

muito claros a respeito dos principais pontos doutrinários como, por exemplo, a

pessoa e a obra de Cristo e o valor das Escrituras. Mas em pontos menos

importantes, podem se equivocar.

Um dos fatos mais surpreendentes e esclarecedores sobre tudo isto, em que

concordo plenamente com os pastores evangélicos conservadores, é que há

pessoas dotadas de genuínos dons do Espírito que ainda são carnais. Isso desafia

um conceito muito comum de que grande unção e poder provêm de vidas cheias de

verdade, sabedoria e caráter.

Muitos pensam que apenas pessoas tementes e maduras são usadas por

Deus em demonstrações de poder, porém há exceções. Isto geralmente surpreende

tanto pastores carismáticos quanto não carismáticos, mas acontece: pessoas que

possuem verdadeiros dons do Espírito ainda têm significantes pendências

emocionais e questões não resolvidas em suas vidas.

Muitos líderes concluíram que uma evidente falha na doutrina, sabedoria ou

caráter de uma pessoa constitui prova concreta de que os dons e a unção em seu

ministério não podem realmente ser de Deus.

Outra falsa conclusão vem da maneira como alguns interpretam a primeira

carta de Paulo aos coríntios. Visto que naquela carta encontramos diversas

instruções sobre carnalidade, ao lado da maioria do seu ensinamento acerca dos

dons espirituais, conclui-se que carnalidade é produto da ênfase em dons espirituais

ou vice-versa – que dons espirituais devem ter causado carnalidade. Há duas coisas

erradas nesta conclusão.

Em primeiro lugar, está baseada em um conceito errado. Dons espirituais

nem sempre são invalidados pela carnalidade. Não há qualquer sugestão em 1

Coríntios que o mau uso dos dons os tornou inválidos. Apesar do abuso de certos

dons entre os coríntios, Paulo continuou a exortá-los firmemente: “Sigam o caminho

do amor e busquem com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de

profecia” (1 Co 14.1).

Segundo, alguns concluíram, de maneira incorreta, que provavelmente só a

igreja em Corinto tinha dons espirituais, já que foi a única igreja a quem Paulo

escreveu com mais detalhes a esse respeito. Devido à natureza do Novo

Testamento, devemos ser muito cautelosos na hora de basear um argumento sobre

o silêncio, como neste caso de dizer que as demais igrejas paulinas desconheciam

os dons espirituais, porque Paulo não os mencionou em suas cartas a elas. É

consenso geral que as cartas de Paulo foram escritas para lidar com problemas

urgentes e que não foram formuladas como catecismo ou teologia sistemática.

Minha conclusão a respeito de seu silêncio acerca dos dons espirituais em

algumas de suas outras cartas é que nesses casos ele obviamente sentiu que os

dons estavam sendo usados de maneira correta. Provavelmente, não havia

necessidade de instruções adicionais ou correção no tocante a dons espirituais

naquelas igrejas.

Uma vez que Paulo não menciona a ceia do Senhor em muitas de suas

cartas, se poderia igualmente argumentar que nenhuma das outras igrejas paulinas

sabia o que era a comunhão, nem a praticava. A primeira carta aos Coríntios é a

única em que Paulo menciona a santa ceia, entretanto sem dúvida era praticada

regularmente em todas as igrejas, talvez em quase todas as reuniões.

Abusos não desqualificam nem a prática da ceia do Senhor, nem a prática

dos dons espirituais. A primeira carta aos Coríntios nos ensina que dons genuínos

nem sempre são privilégio exclusivo de pessoas maduras, sábias e cem por cento

corretas em suas doutrinas.

Dons da Graça

A palavra usada no Novo Testamento para dons espirituais é carisma, ou

literalmente “dons da graça”. Em outras palavras, estes dons são concedidos

gratuitamente e não alcançados por mérito.

Foi Simão, o feiticeiro, que mal interpretou os dons e o poder do Espírito

Santo, achando que podiam ser comprados (At 8.18-24). Que coisa terrível,

pensamos. Sem dúvida, Simão estava usando uma equação errada, e Pedro o

repreendeu severamente pela perversão de até mesmo pensar que poderia comprar

o poder de Deus. Mas não há muita diferença entre merecer os dons e comprá-los.

Dinheiro é simplesmente um produto de esforço e trabalho.

Ao contrário de muitas teorias aceitas comumente hoje, os dons e o poder de

Deus são distribuídos de acordo com a vontade do Espírito Santo.

Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e

ele as distribui individualmente, a cada um, como quer (1 Co 12.11).

Não são concedidos como símbolo ou evidência da aprovação divina do nível

de maturidade espiritual de uma pessoa. Tampouco são conquistados por nossa

consagração. São dons da graça.

Veja o que Paulo escreveu aos gálatas, que tinham dificuldades para

entender a graça e voltavam constantemente a incluir lei e obras nas suas

equações:

Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? ... Gostaria de saber apenas uma

coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé

naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo

começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio?

(Gl 3.1-3)

Pelo que podemos entender, os gálatas haviam experimentado a plenitude do

Espírito Santo e, por meio dela, certamente manifestações de dons espirituais. Paulo

os lembrou que, assim como os dons espirituais vêm pela graça, a justificação

também é recebida desta forma. Podemos dizê-lo de forma inversa também. Assim

como somos salvos pela graça, não por obras ou méritos, também recebemos os

dons do Espírito pela graça, não por obras.

Pedro e João ordenaram ao coxo, que mendigava por esmola, que se

levantasse e andasse no nome de Jesus. Quando Pedro viu quão impressionadas

as pessoas ficaram com a cura, ele lhes disse:

Israelitas, por que isto os surpreende? Por que vocês estão olhando para nós,

como se tivéssemos feito este homem andar por nosso próprio poder ou

piedade? (At 3.12)

Pedro quis esclarecer isto rapidamente, antes que conclusões errôneas

surgissem. A manifestação do poder de Deus não era um sinal de sua própria

justiça. Ele prosseguiu, dizendo:

Pela fé no nome de Jesus, o Nome curou este homem que vocês vêem e

conhecem. A fé que vem por meio dele lhe deu esta saúde perfeita, como

todos podem ver (At 3.16).

A cura era o resultado do propósito de Deus, no tempo dele, por meio da fé

no nome de Jesus, a fé que vem por meio dele. Esta passagem contém muitas

implicações. Mas se está dizendo alguma coisa, certamente é que o milagre não

tinha nada a ver com Pedro nem com a exaltação de sua espiritualidade. Tinha a ver

com Deus e seus propósitos.

Tornando-se o Dom

Paulo escreve aos efésios: “E a cada um de nós foi concedida a graça,

conforme a medida repartida por Cristo” (4.70). O que Paulo diz no versículo

seguinte deixa claro que o dom a que ele se referia era um dom ministerial:

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para

evangelistas, e outros para pastores e mestres (v. 11).

Não podemos deixar de notar a interpretação errada que se faz de pessoas

ungidas nesta passagem. Entende-se comumente que as pessoas recebem o dom

de ser profeta, pastor ou evangelista.

Paulo diz algo diferente: “E ele designou alguns para (serem) apóstolos ...

profetas ... evangelistas ... pastores ... mestres”. Evidentemente, o ministro era o

dom dado à igreja. Não é nenhuma questão de dom ungido para benefício do

ministro.

Isto realmente muda a maneira de vermos tudo. Os dons de Deus não são

para nossa exaltação ou auto-estima. Os dons de Deus são distribuídos a pessoas

que se tornam vasos e instrumentos de sua misericórdia para o beneficio de outros.

Os dons de Deus na vida de uma pessoa não são medalhas de honra ao

mérito, atestando a consagração, sabedoria ou total integridade doutrinária de uma

pessoa. Podemos interpretar o significado de Efésios 4.7 da seguinte forma: Como

fruto da graça imerecida, os dons são dados a cada pessoa para o propósito de ser

usada para abençoar outros.

Os dons do Espírito Santo, sejam manifestações de poder e revelação, sejam

pessoas concedidas como ministros, têm o propósito de abençoar a igreja. Mesmo

assim, poucos conseguem evitar a tentação de considerar os dons de poder

sobrenatural como símbolos da aprovação de Deus sobre a vida, maturidade

espiritual e doutrina daquela pessoa. Quanto mais significativos são os dons e o

poder, mais a pessoa seria aprovada por Deus – assim nos parece.

Se entendêssemos que as manifestações do Espírito são para o bem comum

e não para o bem do indivíduo que Deus usa, seríamos menos propícios a resistir à

idéia de que Deus usa pessoas imperfeitas e imaturas para abençoar a igreja.

Somente pela Graça por meio da Fé

Não estou defendendo uma atitude antinomiana (libertina) em relação aos

dons espirituais, assim como quem prega salvação e justificação somente pela fé

não sugere com isto uma vida libertina, por depender falsamente da graça como

saída fácil. Quero apenas fortalecer nossa convicção da importância de examinar

todas as coisas cuidadosamente, ainda que venham de um famoso instrumento

profético, de grande unção.

Em sua repreensão aos gálatas, Paulo usou a idéia de receber os dons do

Espírito por fé e não por obras como análoga a receber a justificação por fé e não

por obras (Gl 3.1-5). Na minha concepção, há uma grande diferença entre servos

imaturos, insensatos ou até mesmo carnais e aqueles que estão em deliberada

rebeldia e contenda com Deus. Quando alguém neste estado de insubmissão e

confronto com Deus afirma ser usado pelo Espírito Santo em profecia, cura ou outro

dom espiritual, sua autenticidade deve ser seriamente questionada.

Todo este conceito de graça contradiz completamente nossa maneira natural

de pensar – ou seja, que os dons, mesmo o dom da salvação, possam ser

concedidos na base da graça, só através da fé, independentemente de qualquer

esforço merecedor da nossa parte. Todas as religiões, com a única exceção do

cristianismo, têm na sua essência uma receita para alcançar algum tipo salvação ou

união com Deus através de boas obras. Nesta, a mais comum de todas as equações

falsas, o homem precisa conquistar seu perdão, lutando diligentemente para

atravessar a separação abismal entre Deus e o homem. Realmente, é difícil

conceber qualquer outra possibilidade.

O objetivo deste capítulo não é falar sobre a justificação, mas sobre os dons e

manifestações do poder Espírito Santo na igreja. Entretanto, o mesmo princípio se

aplica em ambas as situações. Não há como alguém possa entender a justificação

pela graça, apropriada somente pela fé, sem enxergá-la da perspectiva de Deus.

Quando vemos a santidade de Deus, por um lado, e a profundidade do

pecado do homem, por outro, muitas coisas podem ser vistas em nova luz. A

justificação somente pela fé só faz sentido quando se reconhece que nenhum

esforço humano, por maior que fosse, seria capaz de fechar aquele imensurável

abismo entre o homem e Deus. A solução de Deus na cruz faz sentido quando

percebemos que a equação que inclui esforço humano é irrevogavelmente insolúvel.

Consagração ou santificação, por maior que sejam, nunca podem conquistar

direito aos dons do Espírito, assim como as indulgências jamais podiam obter o

perdão nem o dinheiro de Simão comprar o poder de Deus. Os dons do Espírito são

concedidos com base na graça de Deus, não na maturidade, na sabedoria ou no

caráter do instrumento.

Conseqüentemente, precisamos aprender a reconhecer a genuinidade dos

dons do Espírito na vida das pessoas, mesmo que estas pessoas estejam longe da

perfeição. Se nutrirmos e cuidarmos bem destes dons, poderemos receber o

benefício dos depósitos que Deus fez na vida de cristãos imaturos. Estes depósitos

foram feitos com o propósito de abençoar a igreja.

Quando comparadas com a pureza e santidade de Deus, as diferenças entre

os melhores e os piores entre nós não são tão grandes como alguns gostam de

imaginar. A vida e o ministério de Jesus nos mostraram como Deus é realmente.

Entretanto, ainda nos apegamos a conceitos errados sobre como Deus classifica os

pecados.

Durante todo o tempo bíblico, Deus perdoou e usou de grande misericórdia

para com pessoas que, de acordo com nossos padrões, fizeram coisas bem

desprezíveis. Sem diminuir a gravidade de alguns destes pecados mais sérios em

nossa lista, Jesus mostrou a todos que, na opinião de Deus, o orgulho, a hipocrisia,

o tratamento dos pobres, a falta de perdão e a justiça própria eram mais graves para

Ele do que jamais poderíamos imaginar. Isto contraria muitas das nossas

pressuposições e nossa classificação de “pecados realmente graves”.

“O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” , diz a Palavra (1 Sm

16.7). Parece que Ele é bem paciente e misericordioso para com pessoas que

praticam coisas erradas por causa de não serem sábias, maduras ou simplesmente

por não terem força suficiente. Mas com aqueles que continuam a desobedecer a

Deus deliberadamente, procurando torcer a graça de Deus e transformá-la em

desculpa para continuar pecando, Ele muitas vezes usa juízo, a fim de expor tal

rebeldia deliberada.

O problema para nós é que é muito difícil saber o que realmente está no

coração de alguém ou como Deus o vê. Precisamos ter muito cuidado para não

julgar dons espirituais como inválidos, com base na fraqueza ou imaturidade das

pessoas. Deus pode estar mais preocupado em cumprir seus propósitos na vida do

vaso profético do que em passar julgamento sobre ele.

Equação Errada nº 1: Caráter = Unção

Equações dão certo nos dois sentidos, da esquerda para a direita ou vice-

versa, mesmo que sejam equações malconcebidas. Assim, aqueles que

incorretamente presumem que dons espirituais e unção são sinais de caráter

transformado concluirão também que é o caráter que produz dons espirituais.

Isto encoraja as pessoas em alguns círculos a “falsificar” manifestações,

simplesmente para não parecer que são “desprovidas de dons”. Isto também implica

que as pessoas mais espirituais, maduras e santificadas são aquelas que têm os

dons mais prolíficos. Quando uma igreja começa a funcionar baseada nesta

premissa, em pouco tempo acaba entrando por um caminho estranho e desastroso.

Este tipo de pensamento também tende a causar muita condenação às

pessoas, especialmente quando sentem que todas as outras estão profetizando ou

recebendo sonhos proféticos e visões. Posso dizer com base na minha própria

experiência que isto pode colocar muita pressão sobre as pessoas, por se sentirem

menos espirituais do que aqueles que estão fluindo com dons mais poderosos.

Foi assim que me senti por um tempo, e o resultado foi que abdiquei de minha

posição de liderança em favor daqueles que eram dotados de dons proféticos. A

igreja ficou ferida e magoada por essa decisão, produzida por minha insegurança e

falsa humildade.

Lembre-se, a maioria das pessoas proféticas não tem o dom de liderança

essencial para a saúde, o equilíbrio e a segurança da igreja. Uma igreja guiada

exclusivamente por profetas não oferece um ambiente seguro para o povo de Deus.

Uma das coisas mais importantes a se fazer em uma igreja que se dispõe a

nutrir e supervisionar o ministério profético é despojar-se do misticismo e do desejo

carnal de parecer superespiritual. Precisamos manter nossos olhos focados, não nos

profetas, mas em Jesus e em seus propósitos para nós. Não se trata de um

concurso de beleza espiritual, mas pode-se transformar nisso rapidamente, se as

pessoas virem os dons como medalhas de mérito ao invés de algo que visa

abençoar a igreja. O objetivo não é exaltar o instrumento usado. O objetivo é amar

ao Senhor e edificar sua igreja.

O fato de haver poder e revelação fluindo através de determinados ministros

proféticos não é necessariamente um sinal de que Deus está contente com as

outras áreas de suas vidas. Às vezes os dons proféticos continuam funcionando,

mesmo quando há desmoronamento em certas áreas de suas vidas particulares.

As pessoas que são dotadas de dons espirituais mais espetaculares, assim

como aquelas que têm chamados à liderança, devem constantemente vigiar contra a

exaltação. Exaltação é simplesmente pensar que você, sua posição ou sua visão é

tão importante que sua vida e seus erros serão julgados com menos rigor. Pessoas

presunçosas são aquelas que pensam que estão fazendo algo tão importante para

Deus, e que o seu poder se manifesta de tal forma através de suas vidas, que estão

isentas de princípios como integridade, honestidade e bondade – especialmente nos

aspectos menores e menos visíveis de sua vida.

Esta tentação a auto-engano aflige muitas pessoas em posição de poder e

influência. É uma grande ilusão porque, na verdade, é o contrário que se aplica. A

quem muito foi dado, muito será exigido (Lc 12.48).

Toda pessoa que flui nos dons espirituais, assim como toda pessoa em

posição de privilégio ou liderança, precisa estar muito atenta ao fato de que haverá

um dia de prestação de contas. Todos nós estaremos diante de Deus, um dia, para

uma avaliação final de nossas vidas e ministérios (1 Co 3.11-15).

Deus usa misericórdia sobre vasos frágeis e manifesta seus dons por meio

deles, mesmo quando nem tudo está em ordem no seu interior. Mas não se engane.

Isto não se dará para sempre. É como um cachorro preso por uma grande corrente.

Ele pode perseguir o gato até um certo limite, mas chega uma hora – de repente –

quando não há mais corrente.

Alguns servos de Deus mostraram pelas suas vidas como o Senhor é

paciente com nossos pecados, e que seus dons são irrevogáveis. Outros foram

ilustrações de um outro fato – que, um dia, Deus chama seus servos a dar contas do

que receberam. A disciplina de Deus aparece mais abertamente nesta última classe

de pessoas, e leva-nos a ter temor de Deus (1 Tm 5.20-24).

A vida de Saul é um exemplo de como Deus lida com seus servos. Saul

permaneceu como rei em Israel, mesmo em pecado e rebelião, e Deus o usou

pacientemente para ganhar batalhas. Israel foi abençoado, em parte, sob o reinado

de Saul, mesmo com sua falha pecaminosa, mas só até um certo ponto. No fim,

Saul perdeu tanto o temor do Senhor como a consciência de que Deus estava

observando e pesando suas ações. Ele acabou passando a linha com Deus, de

onde não há mais retorno.

A mensagem para profetas, líderes e membros de igreja é esta: os dons de

Deus são concedidos gratuitamente como sinal de sua misericórdia e não de sua

aprovação. Não desdenhe de genuínos dons espirituais manifestados por meio de

pessoas espiritualmente imaturas. Mas, também, não se engane por esta graça e

paciência que Deus usa para com instrumentos proféticos que permanecem ungidos

por um tempo, mesmo que continuem em sua carnalidade. Um dia, Ele nos

chamará, a todos nós, para prestarmos conta, como mordomos, de como usamos os

dons que nos foram confiados.

Equação Errada nº 2: Unção Significa Endosso Divino Sobre Estilo Ministerial

Os benefícios que vieram à nossa igreja como resultado do ministério

profético naturalmente foram acompanhados por algumas dores de cabeça. As

maiores dificuldades foram relacionadas a estilo ministerial e metodologia.

No capítulo 5, falarei sobre algumas coisas que Deus faz que parecem

estranhas e incomuns. Às vezes, Ele ofende a mente para revelar o coração. O

ponto aqui, entretanto, é o estilo e a metodologia heterodoxos que pessoas

proféticas podem adotar por causa de suas próprias fraquezas.

Tenho tido longas e dolorosas discussões a respeito deste assunto com

alguns dos profetas na nossa igreja – desde o mais experiente até aqueles que

estavam se iniciando nos dons proféticos. Nos casos mais problemáticos, as

pessoas e até mesmo aquela determinada palavra profética pareciam ser ungidas

pelo Espírito Santo, porém o modo como entregaram a palavra estava realmente

estranho.

Se as pessoas não forem cobradas, aquilo que começa como um método

incomum pode transformar-se em exagero e manipulação. Em várias situações, eu

simplesmente tive que dizer: “Você precisa parar com isso”.

Profetas geralmente tendem a pensar que o método e estilo que usam são

essenciais ao fluir da unção em suas vidas. Às vezes, dirão: “Não, tenho que fazer

assim ou a unção de Deus não se manifestará em mim”.

Método e estilo ministeriais não produzem poder ou unção. Esta é outra

equação errada em que algumas pessoas caem. O fato de você estar em

determinada posição, fazendo determinada coisa, quando Deus falou, agiu ou curou

alguém não significa que as circunstâncias tinham qualquer influência nisso.

Entretanto, as pessoas caem no erro de recriar um determinado cenário para

poderem presenciar o poder de Deus novamente.

O Senhor muitas vezes usava Bob Jones quando impunha as mãos sobre as

mãos das pessoas. Às vezes, ele colocava seus dedos sobre os dedos da pessoa e,

em algum ponto do processo, Deus, por meio do Espírito Santo, revelava coisas

específicas sobre aquela pessoa. Bob Jones sempre foi muito preciso em seu

ministério profético. Mas não demorou muito para que este método, de colocar os

dedos sobre os dedos da pessoa ministrada, se tornasse um meio que outras

pessoas usavam para tentar obter discernimento e palavras de revelação.

Obviamente, isto é ridículo. O discernimento veio do Espírito Santo e não do

método.

Tenho visto todo tipo de pessoa, em todas as partes do corpo de Cristo,

imitando estilos e métodos por pensarem que o método é a chave. Mas é a pessoa

do Espírito Santo que é a chave para fluir no poder de Deus. Temos que nos

precaver constantemente, para não pensar que, se tão somente fizermos uma

reunião de oração do mesmo modo que aconteceu antes, e se o mesmo líder de

louvor estiver lá com as mesmas músicas ungidas, então Deus talvez repita aquele

incidente do cometa. Isto é superstição espiritual.

Alguns ministros proféticos adotam justamente estas estranhas equações na

sua forma de pensar. A sala precisa ser disposta de uma determinada maneira. A

música tem que ser exatamente desta forma. Não pode haver bebês chorando, pois

isto poderia afastar o Espírito Santo da reunião. Tudo tem que ser como um jogador

de futebol que, antes do jogo, precisa calçar aquela mesma meia ou repetir a

mesma rotina supersticiosa.

E se houver bebês chorando ou se a sala não tiver a disposição certa de

cadeiras? O que isso tem a ver com a personalidade do Espírito Santo e sua unção?

O Espírito Santo provavelmente não é tão caprichoso, nem tão facilmente apagado

pela falta de “ambiente certinho”, como alguns pensam.

Aquilo que chamamos de reunião “ungida” geralmente diz respeito à criação

ou manutenção de um determinado contexto ou atmosfera. Evangélicos

conservadores procuram desenvolver bastante este artifício. Alguns procuram

estudar quais palavras e canções criam o melhor clima para o apelo. Se as luzes

puderem ser diminuídas, melhor ainda.

Devemos tomar cuidado para não pensar que é o método que libera o poder

de Deus ou que o Espírito Santo não pode agir sem o método humano apropriado.

A música pode ser tocada de maneira que o clima fique mais agradável e

aconchegante. Não há problemas em se fazer isso, mas não constitui

necessariamente a bênção do Espírito Santo ou a presença de Deus. Em algumas

igrejas, aumentam a potência do som e fazem um fundo musical com o saxofone – e

dizem que é pura unção!

Temos uma tendência natural de tentar sistematizar experiências

espontâneas. Às vezes, pensamos que se descobrirmos o método chave,

conseguiremos controlá-lo. Se as pessoas são bem-sucedidas em seu ministério

(pelo menos aparentemente), podem começar a usar seu método para manipular

pessoas também. Tenho alertado alguns que agem nos dons proféticos a mudar

seus métodos, porque estavam se tornando manipuladores, ainda que fosse sem

intenção.

As pessoas que são vistas como homens ou mulheres ungidos por Deus

possuem o potencial de influenciar as pessoas. Um líder que sucumbe à tentação de

influenciar e manipular talvez falasse às pessoas da seguinte maneira:

Venham até a frente, se quiserem ser tocadas por Deus. Vamos orar, e se

realmente estiverem sensíveis ao Espírito, vocês cairão sob o poder de Deus.

Seja qual for a sugestão – que as pessoas vão cair, receber uma palavra

profética ou falar em línguas – é um poder manipulador. Já vi um ministro bem

conhecido repreender o povo porque não caíam quando orava por eles. Uma vez,

ele disse a uma mulher: “Ouça, é só receber”.

A mulher respondeu: “Estou recebendo”.

Mas o ministro disse: “Não me diga que está recebendo. Você está

resistindo.” Começaram a discutir, ali mesmo, por causa disso. Ele queria que ela

caísse como sinal de que Deus a estava tocando.

Ministros com poder e dons proféticos, que não têm laços com uma equipe

equilibrada de uma igreja local, geralmente acabam dominados pela tendência de

usar métodos como fonte de poder. É muito mais difícil cair na tentação de

manipulação e falsificação quando se relaciona intimamente com uma equipe

equilibrada que têm os pés no chão.

Algumas pessoas, ao ministrarem, empurram e pressionam até que a pessoa

por quem estão orando caia. Para eles, tornou-se um objetivo especial porque sua

imagem está em jogo. Isto é manipulação de alto calibre.

Equações erradas e falsas teorias sobre metodologia acabam levando ao

sensacionalismo e exagero. O método se torna um falso apoio. Os métodos do

ministério estão operando a todo vapor, mas nada de santo e sobrenatural está

realmente acontecendo. A credibilidade do ministro, entretanto, está em jogo, e ele

sente que precisa produzir algo. Alguns chegam a acreditar que a prova da eficácia

de um método ou fórmula é que sempre funciona, infalivelmente.

Quando as pessoas chegam a este ponto, sentem-se pressionadas a dizer

que Deus está operando mesmo quando não está. Este é um erro terrível.

Estes ministros já se enveredaram pelo caminho de sensacionalismo e

metodologia institucionalizada. Têm medo de dizer que Deus não está operando em

determinados contextos ministeriais, porque sentem que se o fizerem tudo pode

desmoronar. Investiram demais na preservação da fórmula ou da imagem.

Algumas pessoas edificam organizações em cima daquela determinada

marca de metodologia que as tornou famosas. Contratam equipes, fundam

organizações e trabalham pesado para manter a máquina funcionando. Mas um dia,

todos irão descobrir e admitir que o imperador está sem roupas. Nada de genuíno

está acontecendo. Tornou-se uma conspiração para manter uma farsa.

Os dons e as manifestações do Espírito são concedidos conforme lhe

convêm. Podemos orar, dançar e gritar a noite toda como os profetas de Baal, mas

se o Espírito Santo não quiser agir, não agirá. É prerrogativa dele.

Deus, às vezes, aplica um teste surpresa no líder, retendo seu poder num

momento crucial da ministração, para averiguar se o ministro humildemente confiará

nele ou se tentará mostrar que sempre é ungido. Em sua misericórdia, Ele nos faz

passar por uma inesperada prova espiritual, a fim de revelar nossas motivações e

ajudar a preparar-nos para o exame final no último dia.

Precisamos dinamitar esta falsa equação, segundo a qual, se você seguir a

fórmula certa, Deus manifestará seu poder todas as vezes. Creio que em certas

ocasiões, Ele decide estrategicamente não manifestar seu poder a fim de desviar o

coração das pessoas de uma dependência doentia do ministro e dos seus métodos.

Algumas vezes, Ele retira seu Espírito para que não depositemos nossa confiança

no método. Nosso desejo é de nunca demonstrar fraqueza, mas o testemunho de

Paulo era que se regozijava na fraqueza para que o verdadeiro poder de Cristo

pudesse operar através dele (2 Co 12.9-10).

Existe uma mística espiritual intrinsecamente tecida na essência do ministério

profético. Afinal, ouvir diretamente do Deus vivo a respeito de qualquer coisa é algo,

no mínimo, espantoso. Quando pessoas abertas e sedentas se aproximam de uma

pessoa profeticamente ungida, geralmente sentem uma mistura de esperança e

temor diante da possibilidade de Deus revelar-lhes segredos e perspectivas divinas.

Muitas vezes, apegam-se a cada palavra que esta pessoa disser. Esta dinâmica

gera uma vulnerabilidade em ambas as partes a tentações singulares.

Entretanto, creio que é carnal utilizar qualquer aspecto desta mística que

envolve o ministério profético para o fim de influenciar pessoas. Infelizmente, isto

acontece a todo tempo. Muitos profetas começam a pensar de si mesmo “além do

que convém” (Rm 12.3), ou a intoxicar-se com essa sensação de exercer tamanha

influência sobre outros. Tentam parecer mais espirituais, santos e sensíveis do que

realmente são.

Tenho observado que é mais fácil criar esta identidade falsa no ministério

profético do que em qualquer outra função que se possa exercer no corpo de Cristo.

Pessoas proféticas, muitas vezes, procuram corresponder às expectativas das

pessoas, de que sempre estão ouvindo de Deus – o que as induz a declarar

palavras e revelações “de Deus”, quer Deus lhes tenha falado ou não!

Creio que, em certo sentido, devíamos tornar as coisas um pouco “mais

difíceis” para Deus, no que se refere à demonstração de seu poder. Deixe-me

explicar.

Tenho ponderado aquele incidente quando Elias derramou água sobre os

sacrifícios no monte Carmelo (1 Reis 18). Ele não derramou fluido de isqueiro e

riscou um fósforo atrás de si! Ele estava confiante de que, se o genuíno fogo de

Deus caísse, consumiria até mesmo um sacrifício encharcado.

Quero desafiar os ministérios proféticos a derramarem “um pouco d’água nos

sacrifícios” que preparam e a realmente confiar em Deus para manifestar seu poder,

sem sentir pressão alguma de “ajudar” tanto a Deus. Então, quando seu poder for

demonstrado, as pessoas não irão glorificar o profeta de Deus, mas o Deus do

profeta.

Encorajo-os a jogar uma capa por cima da sua particular mística profética e

recusar-se terminantemente a explorá-la para receber favorecimento, louvor,

oportunidades, simpatia, confiança, afeto ou dinheiro. Meu apelo é que se

impressionem somente com Deus e com seu poder, sem se impressionarem consigo

mesmos.

Equação Errada nº 3: Unção Significa 100%

de Exatidão Doutrinária

Durante toda a história da igreja, já houve muitas pessoas ungidas que

acabaram adotando doutrinas estranhas. Seus seguidores acreditaram na falsa

premissa de que uma pessoa usada por Deus, em um genuíno ministério de profecia

ou cura, necessariamente tem de estar correto em suas doutrinas. O exemplo mais

notável na história recente é o de William Branham.

Branham, pobre e inculto, começou seu ministério em 1933. Era um

evangelista batista itinerante, e suas reuniões, muitas vezes, eram freqüentadas por

milhares de pessoas, às vezes, acima de vinte mil. Seu ministério era caracterizado

por grandes manifestações de cura e palavras de conhecimento.

Muito freqüentemente, quando as pessoas faziam uma fila para receber

oração pela cura, Branham descrevia suas doenças, revelava outros fatos pessoais

e, às vezes, chamava-as pelo próprio nome. De acordo com testemunhas, suas

revelações tinham cem por cento de precisão.

Um interprete de Branham na Suíça, que posteriormente se tornou um

historiador, disse: “Nunca ouvi falar de um único caso em que ele tenha se

enganado nas detalhadas revelações que dava”.¹ As curas também eram tanto

numerosas como impressionantes.

Porem, Branham acabou caindo em algumas heresias doutrinárias, embora

nunca tenha chegado ao ponto de negar o Senhor Jesus como Senhor e Salvador,

nem de duvidar da autoridade das Escrituras. Embora afirmasse a divindade de

Cristo, negava a Trindade. Permitiu que fosse proclamado “anjo” da sétima igreja

mencionada no capítulo 3 de Apocalipse. Isto causou grande confusão entre seus

seguidores. Argumentavam que se Deus lhe concedia genuína revelação profética a

respeito da vida das pessoas, por que então não haveria de lhe dar da mesma forma

sã doutrina? Mas o dom de profecia de modo algum garante que a mesma pessoa