Despenteada por Vicki Lewis Thompson - Versão HTML

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Capítulo 1

A explosão surpreendeu Charlie. Normalmente, ninguém explodia coisas em

Middlesex, Connecticut, especialmente às quatro da tarde. Mas, quando Charlie

passava pela Elm Street em sua Harley, alguma coisa explodiu por trás da porta de

metal de uma garagem.

A porta ainda trepidava quando ele fez o retorno e se aproximou dela, derrapando

sobre a fina camada de neve e gelo. Foi difícil desviar do Civic Hybrid ali estacionado.

Charlie saltou da moto e correu para a garagem.

- Pode me ouvir? - gritou, batendo na porta com violência.

- Não entre em pânico! Está tudo bem aí?

- Sim! - A voz abafada era de uma mulher. E ela tossia.

- Estou chamando o resgate! - Ele pegou o celular no bolso da jaqueta.

- Não! Não faça isso! - Mais tosse.

- Por que não?

- Porque estou bem.

Charlie necessitava de mais informações. Ouvira uma explosão e sentia um cheiro

estranho no ar.

- Pode abrir a porta? É possível que esteja em choque, ou coisa parecida.

- Sinceramente, estou bem. - Mas ela ainda tossia.

- Tem certeza? Abra a porta. Preciso saber se está bem realmente.

Houve um momento de silêncio, depois a porta começou a subir. Mas ela parou em

seguida, limitando o espaço da abertura a uma pequena fresta. O cheiro estranho

tornou-se mais intenso.

- Parece que a porta está emperrada.

- Não, é que... Ah, sim! Emperrou, realmente! Mas eu estou bem. Vê? Minha mão está

inteira.

Charlie olhou para a mão que ela exibia pela fresta. A imagem o fez pensar na Coisa

do filme A Familia Addams. A diferença era que essa mão era muito mais bonita. Ela

usava um suéter cor-de-rosa com as mangas dobradas sobre o pulso delicado.

E movia os dedos.

- Vê? Tudo funciona. - As unhas estavam feitas, apesar da ausência de esmalte.

Também não havia anéis. Ela devia estar deitada de costas no chão da garagem para

poder exibir a mão daquele jeito. Talvez houvesse caído com a explosão.

Mas isso não fazia sentido, porque ela acabara de acionar o mecanismo do portão

automático. Sim, podia estar segurando o controle remoto no momento da explosão,

mas isso era altamente improvável. A mulher se deitara apenas para poder mostrar a

mão e convencê-lo de que não a perdera. Então... ela escondia alguma coisa na

garagem.

O comportamento o intrigava. Que mulher causava uma explosão e depois fingia que

nada havia acontecido? Não conhecia nenhuma. Ele se ajoelhou no chão e tirou o

capacete para poder espiar pela fresta, mas o ar quente que provinha do interior

embaçou as lentes dos óculos, e ele não conseguiu enxergar muita coisa.

- Que cheiro é esse? - Agora ele também tossia.

A mulher recolheu a mão.

- Eu... é... estou fazendo ... uma coisa.

- Produzindo bebida alcoólica? - Nunca havia provado essas misturas clandestinas,

bebera muito uísque barato em seus dias de estudante. Aquela garagem só podia ser

uma destilaria. Não se importava com isso, realmente, mas... Estava curioso.

- Você é fiscal?

- Não. Sou engenheiro. - Sentia o joelho gelado em contato com o pavimento. A calça

de couro ajudava, mas ele mudou de posição para diminuir o desconforto.

- Engenheiro? De que tipo?