Detecção e transmissão planta-semente de Colletotrichum gossypii South var. cephalosporioides... por Alderí Emídio de Araújo - Versão HTML

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Universidade de São Paulo

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

Detecção e transmissão planta-semente de Colletotrichum gossypii

South var. cephalosporioides Costa: efeito de níveis de incidência na semente e do controle químico da parte aérea sobre o progresso da ramulose do algodoeiro

Alderi Emídio de Araújo

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor em

Agronomia. Área de concentração: Fitopatologia

Piracicaba

2008

Alderi Emídio de Araújo

Engenheiro Agrônomo

Detecção e transmissão planta-semente de Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa: efeito de níveis de incidência na semente e do controle químico da parte aérea sobre o progresso da ramulose do algodoeiro Orientador:

Prof. Dr. JOSÉ OTÁVIO MACHADO MENTEN

Tese apresentada para obtenção do título de Doutor em

Agronomia. Área de concentração: Fitopatologia

Piracicaba

2008

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - ESALQ/USP

Araújo, Alderi Emídio de

Detecção e transmissão planta-semente de Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa: efeito de níveis de incidência na semente e do controle químico da parte aérea sobre o progresso da ramulose / Alderi Emidio de Araújo.- -

Piracicaba, 2008.

93 p. : il.

Tese (Doutorado) - - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2008.

Bibliografia.

1. Algodão 2. Controle químico 3. Fungos fitopatogênicos 4. Ramulose 5. Semente I. Título

CDD 633.51

“Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor”

3

À minha esposa Márcia

e às minhas filhas, Anaíse e Adriana, por terem compartilhado comigo os momentos felizes e difíceis dessa jornada.

DEDICO

4

AGRADECIMENTOS

À Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, em especial à Embrapa Algodão, por ter me proporcionado a oportunidade de realizar esse treinamento

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, por ter me concedido bolsa de estudos para desenvolver este trabalho

Ao Departamento de Fitopatologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz De Queiroz” por ter me acolhido e concedido a honra de fazer parte de seu quadro discente

Ao Prof. Dr. José Otávio Machado Menten, por ter me recebido, me aceito como orientando, pela amizade, pelos ensinamentos e por ter me proporcionado a oportunidade de participar de novas experiências

À Dra. Maria Heloísa Duarte Moraes pela amizade, pela convivência e pelo permanente apoio dispensado à condução dos experimentos

À Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Goiás – Fundação GO, na pessoa de seu Diretor Presidente, Washington Luiz Posse Senhorello, por ter colocado à minha disposição toda a sua estrutura para a realização deste trabalho.

Aos colegas pesquisadores da Embrapa Algodão, Alexandre da Cunha Barcellos Ferreira e Camilo de Lelis Morello pela amizade, companheirismo e pelo imenso apoio durante a realização dos experimentos

Aos colegas fitopatologistas, Nelson Dias Suassuna pelo incentivo e colaboração na execução deste trabalho e Wirton Macedo Coutinho, pelas sugestões apresentadas 5

Aos funcionários da Fundação GO, Kézia de Assis Barbosa e André da Silva Teobaldo, pela valiosa colaboração na condução dos experimentos de campo À Colega fitopatologista Ana Beatriz Costa Kzermainski pela amizade, pela oportunidade da convivência e pela colaboração nas análises estatísticas Ao Professor Dr. Carlos Tadeu dos Santos pela colaboração nas análises estatísticas Ao amigo Francisco José Correia Farias, por ter nos acolhido em Piracicaba e pela permanente demonstração de amizade

Aos amigos João Alberto e Silvana, pelos momentos agradáveis de nossa convivência Aos funcionários do Departamento de Fitopatologia Rodolfo e Fernanda, pela amizade e pelo apoio

Aos professores do Departamento de Fitopatologia, pelos conhecimentos transmitidos, pelas críticas construtivas e pelo incentivo

Aos colegas Diogo Togni e Alessandra Rabalho, pela colaboração e por terem, também, enveredado pelos caminhos do algodão

À colega Vanessa C. Frare pelas experiências compartilhadas, por estar sempre disposta a ajudar e pela colaboração na fase final deste trabalho

Aos colegas, Laura, Thaís, Pastora, Helen, Júlio, Júlia, Tatiana, Luana, Paulo, Anne, Silvio, Rock, Alexandre, Fabrício, Cleci, Sandra, Eliane, Liliane, Cândido, Gleiber, Paulo Albuquerque, Silvia, Carol, Eniel, e Walnice pela amizade, pela alegria da convivência e pela disposição de colaborar, sempre que foi preciso.

A todos que colaboraram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho.

6

SUMÁRIO

RESUMO.......................................................................................................................8

ABSTRACT ...................................................................................................................9

LISTA DE FIGURAS .....................................................................................................10

LISTA DE TABELAS .....................................................................................................12

1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................14

Referências ...................................................................................................................19

2 EFEITO DE INIBIDORES DE GERMINAÇÃO SOBRE OS NÍVEIS DE DETECÇÃO DE

Colletotrichum gossypii South var. cephalosporioides Costa EM SEMENTES DE

ALGODOEIRO ..........................................................................................................................23

Resumo.........................................................................................................................23

Abstract .........................................................................................................................23

2.1 Introdução ...............................................................................................................24

2.2 Desenvolvimento.....................................................................................................26

2.2.1 Revisão bibliográfica ............................................................................................26

2.2.2 Material e Métodos...............................................................................................31

2.2.2.1 Obtenção do inóculo..........................................................................................31

2.2.2.2 Inoculação das sementes..................................................................................32

2.2.2.3 Inibidores de germinação ..................................................................................32

2.2.2.4 Teste de sanidade.............................................................................................32

2.2.2.5 Delineamento experimental e análise estatística ..............................................33

2.2.3 Resultados e discussão........................................................................................33

2.3 Conclusões..............................................................................................................39

Referências ...................................................................................................................40

3 EFEITO DE NÍVEIS DE INCIDÊNCIA DE Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa NA SEMENTE E DO CONTROLE QUÍMICO DA PARTE

AÉREA SOBRE O PROGRESSO DA RAMULOSE DO ALGODOEIRO ......................45

Resumo.........................................................................................................................45

Abstract .........................................................................................................................45

3.1 Introdução ...............................................................................................................46

7

3.2 Desenvolvimento.....................................................................................................48

3.2.1 Revisão bibliográfica ............................................................................................48

3.2.2 Material e Métodos...............................................................................................53

3.2.2.1 Obtenção do inóculo..........................................................................................53

3.2.2.2 Inoculação das sementes..................................................................................53

3.2.2.3 Tratamento das sementes.................................................................................54

3.2.2.4 Área experimental, delineamento, plantio e manejo do experimento ................54

3.2.2.5 Avaliação da intensidade da doença e análise estatística.................................56

3.2.3 Resultados e discussão........................................................................................57

3.3 Conclusões..............................................................................................................72

Referências ...................................................................................................................72

4 TRANSMISSÃO PLANTA-SEMENTE DE Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa AGENTE CAUSAL DA RAMULOSE DO ALGODOEIRO ......77

Resumo.........................................................................................................................77

Abstract .........................................................................................................................77

4.1 Introdução ...............................................................................................................78

4.2 Desenvolvimento.....................................................................................................80

4.2.1 Revisão bibliográfica ............................................................................................80

4.2.2 Material e Métodos...............................................................................................82

4.2.2.1 Cultivar e sementes utilizadas...........................................................................82

4.2.2.2 Área experimental, plantio, delineamento e manejo do experimento ................82

4.2.2.3 Avaliação da intensidade da doença, da infecção das sementes e análise estatística ......................................................................................................................83

4.2.3 Resultados e discussão........................................................................................84

4.3 Conclusões..............................................................................................................90

Referências ...................................................................................................................90

8

RESUMO

Detecção e transmissão planta-semente de Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa: efeito de níveis de incidência na semente e do controle químico da parte aérea sobre o progresso da ramulose do algodoeiro

A ramulose, causada por Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, é uma das mais importantes doenças do algodoeiro no Brasil. O fungo é transportado e transmitido pela semente, que se constitui fonte de inóculo inicial. Os objetivos do presente trabalho foram i) estudar o efeito de inibidores de germinação sobre a germinação, comprimento da radícula e incidência do patógeno nas sementes; ii) avaliar o efeito de níveis de incidência na semente e do controle químico da parte aérea sobre o progresso da ramulose; iii) estudar a transmissão do patógeno planta-semente em função da incidência da doença. Com base nos resultados observou-se que os solutos Manitol e NaCl no potencial osmótico de -0,8 MPa reduziram a germinação, o comprimento da radícula e não interferiram na detecção do patógeno. A área abaixo da curva de progresso da incidência e severidade da ramulose foi maior, quanto maior foi o nível de incidência nas sementes, independente do número de pulverizações no ano de 2006. No ano de 2007, a área abaixo da curva de progresso da ramulose foi dependente do número de pulverizações, sendo maior, quanto maior foi o nível de incidência nas sementes, mas sendo reduzida de acordo com o número crescente de pulverizações. Não houve efeito da quantidade de doença sobre a produção nos anos estudados, mas no ano onde foi registrada maior intensidade de doença, a produção de algodão em caroço foi mais baixa. Houve correlação positiva e significativa entre o nível de inóculo inicial, 40 dias após a emergência, e a incidência da ramulose quando 70%

das maçãs estavam formadas. Também houve correlação positiva e significativa entre a incidência da doença no campo e a incidência do patógeno nas sementes.

Palavras-chave: Algodão; Gossypium hirsutum; Doença; Incidência; Pulverização; Restrição hídrica

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ABSTRACT

Detection and transmission plant to seeds of Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa. Effect of incidence levels in the seeds and the chemical control of the canopy on the progress of ramulosis of cotton

The ramulosis, caused by Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides is one of the most important disease of cotton in Brazil. The fungus is transported and transmited by seeds and is an important initial inoculum source. The objectives of this research were i) to study the effect of germination inhibitors on the germination, length of radicle and incidence of the pathogen in the seeds; ii) to evaluate the effect of incidence levels in the seeds and the chemical control of canopy on the progress of ramulosis; iii) to study the transmission of the pathogen from plant to seeds in function of incidence of disease. Based on results it was observed that the Manitol and NaCl in the osmotic potential of -0,8 MPa reduced the germination, the length of radicle and did not caused decrease in the incidence of the pathogen in the seeds. The area under curve of progress of incidence and severity of ramulosis was higher, as much as the level of incidence in the seeds, independent of sprays number in the 2006 year. In the 2007 year the area under curve of progress of incidence and severity of ramulosis was dependent of sprays number. It was higher as much as the level of incidence in the seeds, but it was reduced according to the number of sprays was increased. There was not effect of disease intensity on the yield in the studied years, but in the year which the disease was more severe, the cottonseed yield was reduced. There was positive and significant correlation between the level of initial inoculum at 40 days after seedling emergence and the incidence of ramulosis when 70% of bolls were completely developed. There was positive and significant correlation between the incidence of disease in the field and the incidence of the pathogen in the seeds.

Keywords: Gossypium hirsutum; Disease; Incidence; Spray; Water restriction 10

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1 - Análise de regressão para a área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) da ramulose do algodoeiro em função do nível de incidência de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea. Santa Helena de Goiás, GO, 2006 ...........................58

Figura 3.2 - Análise de regressão para a área abaixo da curva de progresso da severidade (AACPS) da ramulose do algodoeiro em função do nível de incidência de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea. Santa Helena de Goiás, GO, 2006 ...........................59

Figura 3.3 - Curvas de progresso da incidência da ramulose do algodoeiro em função de diferentes níveis de incidência de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea.

Santa Helena de Goiás, GO, 2006.............................................................60

Figura 3.4 - Curvas de progresso da severidade da ramulose do algodoeiro em função de diferentes níveis de incidência de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea.

Santa Helena de Goiás, GO, 2006.............................................................61

Figura 3.5 - Pluviosidade (mm), médias das temperaturas máximas e mínimas (0C), e número de horas com umidade relativa acima de 90% no intervalo entre 18 e 250C de temperatura nos anos de 2006 (a) e 2007 (b) em Santa

Helena de Goiás, GO ...............................................................................64

Figura 3.6 - Análise de regressão para a área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) da ramulose do algodoeiro em função do nível de incidência de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea Santa Helena de Goiás, GO, 2007 ..........................65

11

Figura 3.7 - Análise de regressão para a área abaixo da curva de progresso da severidade (AACPS) da ramulose do algodoeiro em função do nível de incidência de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes e do controle químico da parte aérea. Santa Helena de Goiás, GO, 2007 ...........................66

Figura 3.8 - Curvas de progresso da incidência da ramulose do algodoeiro em função de diferentes níveis de incidência de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides e do controle químico da parte aérea. Santa Helena de Goiás, GO, 2007 ........................................................................................68

Figura 3.9 - Curvas de progresso da severidade da ramulose do algodoeiro em função de diferentes níveis de incidência de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides e do controle químico da parte aérea. Santa Helena de Goiás, GO, 2007 .........................................................................................69

Figura 4.1 - Análise de regressão para a relação entre níveis de inóculo inicial constituído pela percentagem de incidência de plantas com ramulose 40 dias após a emergência e a incidência da doença quando 70% das maçãs encontravam-se formadas. 2006 (a); 2007 (b). Santa Helena de Goiás, 2007 ..........................87

Figura 4.2 – Precipitação (mm) e número de horas com umidade relativa acima de 90%

no intervalo entre 18 e 250C nos anos de 2006 (a) e 2007 (b).....................89

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LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 - Efeito de solutos com diferentes potenciais osmóticos empregados em teste de sanidade de sementes de algodoeiro, sobre a germinação das sementes, comprimento da radícula e incidência de Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides em relação ao tratamento-padrão de água destilada, ao 2,4D e ao congelamento. Piracicaba, 2007 ........................34

Tabela 2.2 - Efeito de inibidores de germinação em diferentes potenciais osmóticos sobre a percentagem de germinação de sementes de algodoeiro em teste de sanidade pelo método do papel de filtro. Piracicaba, 2007 .................36

Tabela 2.3 - Efeito de inibidores de germinação em diferentes potenciais osmóticos sobre a o comprimento da radícula em teste de sanidade de sementes de algodoeiro pelo método do papel de filtro. Piracicaba, 2007....................37

Tabela 2.4 - Efeito de inibidores de germinação em diferentes potenciais osmóticos sobre os níveis de detecção de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides em sementes de algodoeiro, em teste de sanidade pelo método do papel de filtro. Piracicaba, 2007 .............................................38

Tabela 3.1 - Efeito do controle químico da parte aérea sobre os valores da área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) e severidade (AACPS) da ramulose do algodoeiro a partir de 4, 6 e 8% de incidência de

Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes. Santa Helena de Goiás,GO,2007......................................................................... 67

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Tabela 3.2 - Rendimento de algodão em caroço (arrobas/ha) em relação aos tratamentos com diferentes níveis de incidência de Colletotrichum gossypii var.

cephalosporioides nas sementes e ao número de pulverizações com fungicidas na parte aérea do algodoeiro, nos anos de 2006 e 2007 em Santa Helena de Goiás, GO ...............................................................................71

Tabela 4.1 – Inóculo inicial constituído da percentagem de plantas sintomáticas no campo, incidência da ramulose quando 70% das maçãs estavam

formadas e infecção das sementes colhidas por Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides. Santa Helena de Goiás, 2007 ............................. 85

Tabela 4.2 - Coeficientes de correlação entre incidência da ramulose no algodoeiro, quando 70% das maçãs estavam formadas e a incidência de

Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides nas sementes. Santa Helena de Goiás, 2007.............................................................................87

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1 INTRODUÇÃO

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de algodão situando-se em quinto lugar, atrás da China, Estados Unidos, Índia e Paquistão (ANUÁRIO

BRASILEIRO DO ALGODÃO, 2007), tendo produzido, na safra 2006/2007 mais de um milhão de toneladas de pluma (CONAB, 2007).

A cultura do algodoeiro no Brasil concentra-se, principalmente, na região do cerrado de Mato Grosso, Bahia e Goiás, sendo esses três estados, responsáveis por aproximadamente 85% da produção nacional (FERREIRA FILHO; ALVES, 2007), e o restante distribuídos nos estados de São Paulo e Paraná e na região semi-árida do Nordeste.

O crescimento da produção de algodão no cerrado deu-se a partir do início da década de 1990, como alternativa para sucessão com a cultura da soja, encontrando naquela região, condições propícias para o seu desenvolvimento, principalmente a partir do lançamento de cultivares com maior rendimento de fibra, adaptadas àquele ecossistema e com a adoção de alto nível de tecnologia e insumos em todo o sistema de produção (PAIVA et al., 2001; MELO FILHO; RICHETTI, 2003; SUASSUNA; COUTINHO, 2007;).

A elevação do rendimento obtido nos últimos anos, como resultado dos avanços genéticos e das adequações dos sistemas de produção, tem possibilitado a viabilidade econômica da cultura do algodoeiro; entretanto, tem causado preocupação o aumento sistemático no uso de insumos, destacando-se entre estes, os fungicidas (SUASSUNA; COUTINHO, 2007).

O aumento do uso de fungicidas decorre da maior incidência de doenças induzidas pelas condições de clima mais favorável, pelas alterações significativas no sistema de produção e pela utilização de cultivares suscetíveis. Doenças consideradas de pouca importância nas áreas tradicionais de cultivo passaram a ocupar lugar de destaque no cenário da cotonicultura nacional, assim como doenças de grande importância naquelas regiões representam, atualmente, uma ameaça ao avanço da cotonicultura no cerrado (ARAÚJO; FARIAS, 2003; ARAÚJO, 2006).

Mais de 250 agentes causais de doenças do algodoeiro já foram relatados na literatura mundial, alguns dos quais ocorrem em todas as regiões produtoras, enquanto 15

outros se mantêm restritos a algumas regiões. Cerca de 90% são fungos, sendo que algumas doenças são altamente destrutivas, enquanto outras não resultam em danos expressivos à cultura (CIA; ARAÚJO, 1999; CIA; FUZATTO, 1999)

Dentre as principais doenças que afetam a cultura do algodoeiro, no Brasil, destaca-se a ramulose, causada pelo fungo Colletotrichum gossypii South var.

cephalosporioides Costa. A doença foi constatada pela primeira vez no estado de São Paulo, em 1936 (COSTA; FRAGA JÚNIOR, 1937), sendo posteriormente descrita nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba (ABRAHÃO; COSTA, 1949; CIA, 1977; KIMATI, 1980; LIMA, 1981; MALNATI; CARES, 1991, SANTOS, 1993). A ramulose é restrita à América Latina, tendo sido constatada, além do Brasil, na Venezuela (MALAGUTI, 1955) e no Paraguai (MATHIESON; MANGANO, 1985).

Glomerella gossypii é considerada a forma sexuada de Colletotrichum gossypii (HILLOCKS, 1992; HOLLIDAY, 1980). Esse fungo afeta os frutos e as plântulas causando, normalmente, antracnose e tombamento. C. gossypii var. cephalosporioides, apesar de apresentar micélio, conídios e apressórios semelhantes a C. gloeosporioides e nenhuma descrição autorizada do patógeno ter sido reportada, é considerado, na América Latina, como um patógeno distinto, cujo quadro sintomatológico induzido nas plantas de algodoeiro é conhecido como ramulose (BAILEY et al., 1996). Os conídios são produzidos em conidióforos presentes em uma matriz mucilaginosa nos acérvulos, bem como em setas férteis. Esse último aspecto tem grande importância epidemiológica, uma vez que os conídios produzidos pelas setas férteis podem ser dispersos pelo vento e atingir grandes distâncias, enquanto aqueles produzidos na matriz mucilaginosa são dispersos apenas a curtas distâncias pela ação de respingos de chuva, água de irrigação e, possivelmente, insetos (LENNÉ; SONODA; PARBERY, 1984; TANAKA; MENTEN; MACHADO, 1996).

As condições de ambiente mais favoráveis à ramulose são, normalmente, aquelas onde predominam alta pluviosidade, temperaturas entre 25 e 300C e umidade relativa do ar acima de 80% (SILVEIRA, 1965, MIRANDA; SUASSUNA, 2004). No Mato Grosso a amplitude de temperatura favorável ao desenvolvimento da doença variou entre 20 e 300C (ARAÚJO; FARIAS, 2003), enquanto em Minas Gerais a temperatura 16

ótima para maior incidência da ramulose foi de 18,30C (SANTOS, 1993). O fungo pode ser transportado externamente à semente, como esporo aderido à sua superfície, ou como micélio dormente no seu interior (LIMA et al., 1985), constituindo esta uma das principais fontes de inóculo primário da doença, além de restos de cultura contaminados (ARAÚJO et al., 2003; SUASSUNA; COUTINHO, 2007).

Os primeiros sintomas da doença ocorrem nas folhas mais jovens,

caracterizados por manchas necróticas circulares que evoluem e o tecido necrosado rompe-se e se desprende, originando perfurações com formato de estrela. O

crescimento desigual do tecido induz o enrugamento do limbo foliar. Logo após o surgimento das primeiras lesões foliares, ocorre a morte do meristema apical do ramo afetado, paralisando o seu crescimento e estimulando a brotação de gemas laterais, que culmina com a formação de um aglomerado de ramos com entrenós curtos e intumescidos, dando à planta um aspecto envassourado (ARAÚJO; SUASSUNA, 2003; SUASSUNA; COUTINHO, 2007). Plantas infectadas antes do florescimento abortam estruturas florais, devido à competição por seiva com os demais ramos vegetativos. Por fim, a doença reduz o porte da planta e a produção de capulhos (SUASSUNA; COUTINHO, 2007).

Os danos à cultura do algodoeiro podem atingir entre 30 e 70% no rendimento podendo atingir até 85% quando as condições de ambiente são favoráveis (SILVEIRA, 1965; KIMATI, 1980). Carvalho et al. (1984) verificaram redução entre 33 e 46% no rendimento. A maioria das características tecnológicas de fibra foi influenciada negativamente. Embora sejam conhecidos os efeitos danosos da ramulose do algodoeiro não existem, até o presente, estudos que revelem a quantificação dos danos à produção de pluma, em função da intensidade da ramulose sob as condições de plantio no cerrado.

No manejo da ramulose, têm sido recomendados a utilização de sementes livres do patógeno ou o tratamento de sementes, a rotação de culturas, o uso de cultivares resistentes e o controle químico da parte aérea (ARAÚJO; SUASSUNA, 2003; SUASSUNA; COUTINHO, 2007). O uso de sementes sadias torna-se um imperativo para evitar epidemias precoces da doença em função de maiores níveis de inóculo 17

inicial. Assim sendo, a produção de sementes com controle da qualidade sanitária apresenta-se como uma atividade imprescindível.

Avaliar a qualidade sanitária das sementes visando a sua semeadura ou o tratamento direcionado a patógenos alvo como C. gossypii var. cephalosporioides, com o objetivo de evitar o uso de sementes portadoras, é uma prática indispensável. Para tanto, o método empregado na análise sanitária deve assegurar a detecção do patógeno com o máximo de eficiência. Esse aspecto deve ser ressaltado em função, sobretudo, do fato de que, considerando-se o agente causal da ramulose como uma variante de C. gossypii, existem dificuldades quanto a distinguir a identidade de ambos (TANAKA; MENTEN; MACHADO, 1996)

Dois métodos são normalmente utilizados em análises de rotina para detecção de fungos em sementes de algodoeiro. O método do papel de filtro, com algumas variações, é o mais empregado e, apenas eventualmente, emprega-se o método de incubação em meio de ágar (BRASIL, 1992). O método do papel de filtro baseia-se na avaliação de sinais dos patógenos desenvolvidos sobre as sementes, seguida da sua identificação morfológica, e ou, sintomas nas plântulas (NEERGAARD, 1979; DHINGRA; ACUÑA, 1997). A principal desvantagem desse método é a dificuldade de leitura quando o sistema radicular se espalha sobre o papel, formando um emaranhado de radículas e a parte aérea da plântula ergue a tampa do recipiente, aumentando as chances de infecção de plântulas sadias, uma vez estabelecido o contato entre estas e aquelas com sintomas ou sinais ou com o ambiente externo (DHINGRA; ACUÑA, 1997). Neste sentido a associação do método do papel de filtro com técnicas direcionadas à inibição do processo germinativo das sementes tem sido proposta por vários autores, visando facilitar possíveis interferências na visualização do crescimento dos patógenos a elas associados por ocasião da análise de sanidade, bem como visando estimular o seu crescimento (ALAM; JOYCE; WEARING, 1996; CARVALHO, 2000; COUTINHO et al., 2001; MACHADO, 2002; MACHADO et al., 2003).

A produção de sementes com controle de qualidade sanitária e o seu tratamento com fungicidas são medidas que asseguram a semeadura com níveis de inóculo que atendam aos padrões de sanidade (LIMA; ARAÚJO; CARVALHO, 1998). Esse aspecto é fundamental para evitar a ocorrência de epidemias precoces e para a redução do 18

número de aplicações direcionadas ao controle da ramulose. Sendo C. gossypii var.

cephalosporioides transportado, predominantemente, através das sementes, o uso de sementes infectadas não só é responsável pela introdução do patógeno em áreas indenes, como significa maior quantidade de inóculo inicial (LIMA et al., 1985; LIMA; ARAÚJO; CARVALHO, 1998). No Mato Grosso, Machado e Cassetari Neto (2003) identificaram 13,3 plantas/ha, com ramulose, aos 28 dias após a emergência, quando as sementes apresentavam 5% de infecção. Também no Mato Grosso, Araújo e Chitarra (2005) constataram associação entre incremento na severidade da ramulose em relação a um aumento nos níveis de incidência de C. gossypii var.

cephalosporioides nas sementes. A doença apresentou alta severidade mesmo a partir de lotes de sementes com 1% de infecção pelo patógeno.

Considerando a possibilidade de utilização de sementes infectadas por C.

gossypii var. cephalosporioides e a partir de dados que indicam aumento na severidade da doença em função do aumento na incidência do patógeno nas sementes (ARAÚJO, 2006), deve-se avaliar se o controle químico da parte aérea, visando reduzir a intensidade da ramulose, torna-se viável quando se aumenta o nível de inóculo inicial através das sementes como agente de disseminação.

A severidade da ramulose não tem sido correlacionada com a infecção nas sementes (LIMA et al. 1985; PIZZINATTO, CIA, FUZATO, 1991). Áreas onde a doença ocorre de maneira severa, nem sempre resulta em níveis de infecção das sementes, elevado. Por outro lado, em áreas onde a doença se manifesta com menor intensidade, podem ser detectados índices de infecção das sementes elevados. Segundo Lima et al.

(1985) a infecção das sementes está associada ao estádio de desenvolvimento da cultura, sendo o período de formação das maçãs, ou quando as mesmas estão completamente formadas, o mais favorável à infecção das sementes por C. gossypii var. cephalosporioides. Tendo em vista o fato de que as inspeções de campo são realizadas com base na incidência, cabe investigar a relação entre níveis de incidência da ramulose em campo e o nível de infecção das sementes pelo patógeno, visando nortear medidas de manejo que resultem em sementes com alta qualidade sanitária.

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Referências

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2 EFEITO DE INIBIDORES DE GERMINAÇÃO SOBRE OS NÍVEIS DE DETECÇÃO

DE Colletotrichum gossypii South. var. cephalosporioides Costa EM SEMENTES

DE ALGODOEIRO

Resumo

O fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, agente causal da ramulose do algodoeiro, é transmitido pela semente e se constitui em uma das mais importantes fontes de inóculo inicial e de introdução da doença em áreas indenes. Para que se possa identificar sua presença em lotes de sementes, é importante que se empreguem métodos de detecção rápidos e seguros. O mais empregado é o método do papel de filtro, que se baseia na avaliação de sinais do patógeno desenvolvidos sobre as sementes, seguido de sua identificação morfológica. O método apresenta a desvantagem do crescimento das plântulas no período de incubação das sementes, que pode favorecer o desenvolvimento de outros fungos e prejudicar a caracterização do patógeno. Para minimizar este problema vem sendo empregada a restrição hídrica.

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de três solutos em dois potenciais osmóticos, comparados ao tratamento padrão de água destilada, ao congelamento e ao 2,4D, sobre a germinação, comprimento da radícula e detecção do agente causal da ramulose, durante o teste de sanidade. Os solutos reduziram a germinação e o comprimento da radícula em relação à água destilada, 2,4D e ao congelamento e induziram maior incidência do patógeno nas sementes. Os solutos Manitol e NaCl foram mais eficientes em inibir a germinação no potencial osmótico de -

0,8 MPa. O mesmo comportamento foi observado em relação à incidência. O KCl mostrou-se eficiente em inibir a germinação nos dois potenciais osmóticos testados, -

0,6 e -0,8 MPa, porém induziu menor incidência. Os solutos Manitol e NaCl no potencial osmótico de -0,8 MPa foram eficientes em reduzir a germinação e o comprimento da radícula, sem interferir negativamente nos níveis de detecção de C. gossypii var.

cephalosporioides, podendo ser recomendados para uso em análises sanitárias de rotina.

Palavras-chave: Fungo; Restrição hídrica; Incidência; Potencial osmótico; Ramulose EFFECT OF GERMINATION INHIBITORS ON DETECTION LEVELS OF

Colletotrichum gossypii South var. cephalosporioides Costa IN COTTON SEEDS

Abstract

The

fungus

Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, the causal agent of ramulosis in cotton, is transmitted by seeds and is one of the most important source of inoculum and the introduction of disease in health areas. To detect the pathogen in the cotton seeds it is important the use of a safe and quick method. The more used method is the blotter test that is based on the evaluation of pathogen growing on the seeds and the morphological identification. The method presents the disadvantage of seedlings 24

growing during the seeds incubation period, which can be favorable to development of contaminants fungi and become difficult the identification of main pathogen. To avoid this problem the water restriction technique had been used. The present research had the objective to study the effect of water restriction in the blotter test with manitol, NaCl and KCl, in two osmotic potential, -0,6 and -0,8, compared to pattern treatment of distilled water and 2,4D added to the substrate and the freezing technique, in relation to seed germination, radicle elongation and incidence of the pathogen on the seeds. The manitol and NaCl, with osmotic potential of -0,8 MPa were more efficient to inhibit the germination and promoted higher incidence of the pathogen. The KCl was efficient to inhibit the germination in the two osmotic potentials of -0,6 and -0,8, but the incidence of the pathogen was reduced. The manitol and NaCl in the osmotic potential of -0,8 MPa were efficient to reduce the germination and radicle elongation but not reduced the incidence of the pathogen on the seeds. This technique can be used in routine health test to detect C. gossypii var. cephalosporioides in seed cotton.

Keywords: Fungus; Water restriction; Incidence; Osmotic potential; Ramulosis

2.1 Introdução

A taxa de utilização de sementes de algodão é estimada em cerca de 56%

(MENTEN et al., 2005). Essa taxa ainda é considerada baixa pela indústria de sementes, tendo em vista os benefícios obtidos pelo produtor quando da utilização de sementes melhoradas e certificadas. Um dos aspectos importantes no que se refere à utilização de sementes selecionadas diz respeito ao controle sobre sua qualidade fisiológica e sanitária, que assegura melhor germinação, maior vigor das plântulas e baixos índices de doenças iniciais, no que resulta em estande uniforme e baixa taxa de replantio.

A semente é, sem dúvida, uma dos insumos mais importantes. Sua alta qualidade se constitui a base para elevação do rendimento agrícola. A qualidade envolve um conjunto de fatores que, avaliados conjuntamente, propiciam o conhecimento do valor real e do potencial de utilização de um lote de sementes. Os aspectos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários assumem diferentes graus de importância conforme o perfil da produção da espécie ou de determinado lote (BORÉM, 2005).

Uma semente de alta qualidade pode ser definida como aquela que apresenta boas características genéticas, fisiológicas e sanitárias. Neste contexto um dos aspectos fundamentais na associação entre sementes e manejo de doenças é o fato de 25