Dezoito Luas por Kami Garcia, Margaret Stohl - Versão HTML

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Dezoito

Luas

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Dezoito

Luas

Para nossas mães

Susan Racca,

que cria bebês esquilos e

os alimenta com um conta-gotas,

&

Marilyn Ross Stohl,

que sabia dirigir um trator antes

de saber dirigir um carro.

Elas são verdadeiros Pêssegos de Gatlin.

Tumulto e paz, escuridão e luz —

Eram fruto de uma mente, traços

Do mesmo rosto, flores em uma árvore;

Personagens do grande Apocalipse,

Tipos e símbolos da Eternidade,

Do princípio, e fim, e meio, e sem fim.

— WILLIAM WORDSWORTH, O Prelúdio: Sexto Livro

CANTESc

Açúcar e sal

m Gatlin, é engraçado como as coisas boas estão sempre atreladas às

ruins. Às vezes, é difícil distinguir qual é qual. Mas, seja como for, você

E acaba comendo açúcar e sal, e leva chutes junto com beijos, como diria

Amma.

Não sei se é assim em todos os lugares. Só conheço Gatlin, e eis o que sei:

quando voltei ao meu assento habitual na igreja com as Irmãs, a única notícia

circulando com o ofertório era que o Bluebird Café tinha parado de servir

sopa de hambúrguer, a temporada de torta de pêssego estava acabando e uns

baderneiros tinham roubado o balanço de pneu do antigo carvalho perto do

General‘s Green. Metade da congregação ainda andava pelos corredores

acarpetados usando o que minha mãe costumava chamar de sapatos da Cruz

Vermelha. Com tantos joelhos roxos e inchados no ponto onde as meias 3/4

terminavam, parecia que um mar inteiro de pernas estava prendendo a

respiração. Ao menos, eu estava.

Mas as Irmãs ainda seguravam com os dedos dobrados os livros de hinos

abertos na página errada e apertavam lenços dentro de mãos fechadas como

botões de rosas manchados. Nada as impedia de cantar a melodia, com voz

alta e estridente, enquanto uma tentava cantar mais alto do que a outra.

Menos tia Prue. Ela acidentalmente acertava um acorde de três notas em

meio a trezentos, mas ninguém se importava. Algumas coisas não precisavam

mudar, e talvez não devessem. Algumas coisas, como tia Prue, eram para ser

desafinadas.

Era como se o verão anterior nunca tivesse acontecido, e estivéssemos em

segurança entre essas paredes. Como se nada, além da luz do sol intensa e

colorida que brilhava pelos vitrais das janelas, pudesse forçar a entrada lá.

Nem Abraham Ravenwood, nem Hunting e sua gangue do Sangue. Nem a

mãe de Lena, Sarafine, nem o próprio Diabo. Ninguém mais conseguiria

passar pela impetuosa hospitalidade dos auxiliares que distribuíam os folhetos.

E, mesmo que conseguissem, o pastor continuaria a pregar, e o coral

continuaria a cantar, porque nada além do apocalipse poderia manter o povo

de Gatlin longe da igreja ou da vida um do outro.

Mas, do lado de fora dessas paredes, o verão tinha mudado tudo, tanto no

mundo Conjurador quanto no Mortal, mesmo que o povo de Gatlin não

soubesse. Lena tinha se Invocado tanto para a Luz quanto para as Trevas e

tinha partido a Décima Sétima Lua. Uma batalha entre Demônios e

Conjuradores tinha terminado com mortes dos dois lados e provocado uma

fissura do tamanho do Grand Canyon na Ordem das Coisas. O que Lena

tinha feito era o equivalente conjurador a quebrar os Dez Mandamentos. Eu

me perguntei o que o pessoal de Gatlin acharia disso, se soubesse. Eu esperava

que jamais soubesse.

Esta cidade me fazia sentir claustrofóbico, e eu a odiava. Agora, ela parecia

uma coisa esperada, uma coisa da qual eu sentiria falta um dia. E esse dia

estava chegando. Ninguém sabia melhor do que eu.

Açúcar e sal, e chutes e beijos. A garota que eu amava tinha voltado para

mim e dividido o mundo. Fora isso que realmente acontecera no verão.

Era o fim da sopa de hambúrguer e da torta de pêssego, e dos balanços de

pneu. Mas também era o começo de uma coisa.

O começo do Fim dos Dias.