Dragões por Wanderley Oliveira - Versão HTML

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WANDERLEY OLIVEIRA

pelo espírito

MARIA MODESTO CRAVO

Nesse romance, vamos deparar com um relato leve e comovente

sobre _ as organizações da maldade no submundo astral e quais são

os laços que ainda mantemos com esses corações, mesmo quando

somos iluminados pelo conhecimento espiritual.

"Eles são seres humanos, integram nossa raça. Inteligentes. Com larga

soma de conhecimento das leis divinas e com rara habilidade de manipular

as energias naturais. Conhecem a psicologia da alma, avançaram em

tecnologia e são tenazes na busca de seus ideais. Adquiriram o domínio do

inconsciente tornando-se manipuladores dos sentimentos. Foram

transmigrados de vários planetas em levas de bilhões de criaturas rebeldes

aos sublimes estatutos de Deus, para recomeçarem a caminhada evolutiva

no reerguimento de si próprios perante a consciência."

Magister Seraphis Bey, mestre do Templo de Luxor.

O diamante no lodo não deixa de ser diamante

Wanderley Oliveira

pelo espírito Maria Modesto Cravo

EDITORA

DUFAUX

Índice

Prefácio - Em Favor da Paz Mundial - Magíster Seraphis

Bey. ..........................................................................

Introdução - Diamantes no Submundo Astral - Maria

Modesto Cravo .......................................................

Testemunho - Meus Desafios perante a Maioridade do

Espiritismo - Wanderley Oliveira ........................

Página de Luz - mensagem Psicografada no Sanatório

Espírita de Uberaba - Maria Modesto Cravo ......

1 - O Médium Demétrius e os Desafios da Conviência nos Grupos

Espíritas..................................................................

2 - Ataques Espirituais ao Sanatório Espírita de Uberaba em 1936

3 - Socorrendo o Ex-dragão Matias e Dialogando com Eurípedes

Barsanulfo ...............................................................

4 - Conferência de Isabel de Aragão sobre a Maldade Organizada

5- Os Dragões e Suas Ligações com a Comunidade Espírita 136

6 - Aspectos Psicológicos e Emocionais dos Dragões ....

7 - Vampirismo Assistido no Terreiro de Umbanda ....

8 - O Transporte da Árvore Evangélica e o Movimento

de Unificação ........................................................

9- Organização do Clero Espírita nas Comunidades Draconianas

10- O Compromisso Espiritual de Minas Gerais com o Evangelho

11- Os Descuidos do Movimento Espírita na Década de 40.

12- O Exemplo de Misericórdia de João Castardelli

13 - Uma Estranha Sociedade "Espírita" nos Abismos

14 - O Resgate de Irmão Ferreira, O Cangaceiro do Cristo....

15- Os Laços entre o Templo de Luxor e o Hospital E sperança

16- Retornando à História do Médium Demétrius e as Novas

Alternativas na Medicina Energética..................

Apêndice

-

Entrevista

do

médium

Wanderley

Oliveira

com a autora espiritual ........................................

Prefácio

Em Favor da Paz Mundial

Eles são seres humanos, integram nossa raça. Inteligentes. Com

larga soma de conhecimento das leis divinas e com rara habilidade

de manipular as energias naturais. Conhecem a psicologia da alma,

avançaram em tecnologia e são tenazes na busca de seus ideais.

Adquiriram o domínio do inconsciente, tornando-se manipuladores

dos sentimentos. Foram transmigrados de vários planetas em levas

de bilhões de criaturas rebeldes aos sublimes estatutos de Deus,

para recomeçarem a caminhada evolutiva no reerguimento de si

próprios perante a consciência.

Chegados à Terra em degredo, formaram castas de rebelião usando

as tendências inatas de incon-formação com o exílio. Renascidos nos

troncos antropológicos mais remotos do que hoje é o continente

africano, foram, paulatinamente, resgatando as reminiscências da

bagagem intelectiva e social que armazenaram.

Vieram em naves, cuja atual tecnologia mais avançada da ciência

supersônica, nem sequer alcança os níveis de engenharia

aeroespacial dominada àquele tempo pelos tutores interplanetários

que lhes fizeram o transporte galáctico.

Um trabalho de minúcias, planejamento e milênios de execução.

Quatro troncos1 de transmigrados foram decisivos para a

construção da história da Terra nos últimos 15.000 anos. Eles se

disseminaram pelos povos da Suméria e Mesopotâmia. Espalharam-

se pela Caldeia e depois pelos povos que originaram a família indo-

européia. Deixaram relatos claros de seu poder criador no Egito, na

China, na Índia e na velha civilização greco-romana.

Entre os quatro troncos, dois deles, o ariano e o povo da casa de

Israel ou tronco judaico-cristão2, sempre estiveram presentes nos

mais conhecidos episódios da história humana. Ora como egípcios,

ora como hebreus. Ora como romanos, ora como palestinos. Ora

como nazistas, ora como judeus.

Tais espíritos se revezaram em uma das mais sangrentas e antigas

disputas que transcende a chegada de todos eles a esta casa

planetária. Os arianos como cultores da raça pura e do progresso

pelo domínio, amantes do poder, das castas. Os judeu-cristãos como

0 grupo mais afeiçoado à religião, amantes do Deus único e também

os mais pretensiosos proprietários da verdade. Nos primeiros, a

arrogância nacionalista.Nos segundos, a arrogância religiosa.

Digladiam por milênios afora dando continuidade a uma velha

disputa pelo poder. Ambos adoecidos pela vaidade. Os arianos

acreditam na força bélica, e os judeu-cristãos na força divina.

Religião e armas são duas extremidades de um processo antropoló-

gico milenar deste planeta. Ódio e amor. Poder e fé. Velhos

arquétipos dominantes nas mentes exiladas.

Foi nessa fieira de ódio e incompreensão, há mais de 10.000 anos,

que se organizou a primeira força militar da maldade na Terra. Eles

se denominaram dragões, a mais antiga casta de poder formalizada

no astral inferior de nosso orbe. Descendentes de ambos os troncos

de exilados, como facínoras da hipnose coletiva, entrincheiraram-se

na revolta e no ódio milenar.

A migração interplanetária é uma ocorrência contínua e natural no

universo. Da mesma forma, o ir e vir de comunidades no ambiente

terrestre é uma constante. Obedecendo a fatores socio-espiri-tuais,

diversos grupos reunidos por compromisso e afinidade deslocam-se

conforme a extensão de suas necessidades de aprimoramento

evolutivo dentro do planeta ou para fora dele, nas esferas mais

próximas de suas manifestações vibratórias.

***

1Nota da editora: consulte o livro A Caminho da Luz, de Emma-nuel, pelo

médium Francisco Cândido Xavier

2Nota do médium - o tronco judaico-cristão teve o que os autores espirituais

amam de ve como origem o povo hebreu.

Houve uma grande reação das trevas com as conquistas do século

XX, pelo fato de serem avanços realizados pelos aborígines, o povo

da Terra. As comunidades sombrias zombam desse fato recordando

as contribuições que deram ao velho Egito e às civilizações

primitivas. Essa insurreição também se deve ao estratégico

renascimento corporal de dragões, cujo objetivo seria destruir a

humanidade incendiando a cultura, a política e a economia

mundial.

O noticiário comum não pode afirmar, mas inúmeros líderes

políticos de facções fundamentalistas desenvolveram uma indústria

bélica, socialmente invisível, com o aval de países ricos que não

tinham noção dos perigos que a que expunham o planeta.

As forças sombrias continuam acirradamente o feroz ataque ao bem.

O fundamento basilar dessas hordas consiste em colocar o instinto

como núcleo estratégico da derrocada humana. Convencer o

homem da Terra de que não vale a pena mudar de reino, subir o

degrau do instinto para a razão. O prazer, nessa concepção de-

cadente e astuta, reside em manter-se na retaguarda dos cinco

sentidos, buscando as gratificações imediatistas e passageiras.

Viver, dentro dessa ótica enfermiça, significa gozar os prazeres da

matéria, fruir todos os interesses pessoais.

Estamos em um instante delicado. Daí a razão de conclamarmos

servidores fiéis em todas as plagas do mundo. Existem

embaixadores do Senhor em todos os flancos nos quais haja poder

de influência sobre multidões.

Uma retaguarda de almas de coração puro e experimentadas na arte

de construir o bem foi acionada em regime de prontidão

permanente nestes últimos trinta anos. Entre elas, muitos baluartes

respeitados nas searas da religião transferiram suas enormes res-

ponsabilidades aos sucessores naturais, para atenderem ao

chamado do Celeste Orientador da caminhada planetária junto ao

turbilhão de desordem e interesse nos ambientes administrativos

das sociedades.

O Templo de Luxor3 e o Hospital Esperança4 representam uma

vasta equipe de cooperadores nos serviços redentores, nos porões

do submundo astral. Os dragões são nossa família pelos elos do

coração. Filhos transviados que mendigam amor incondicional.

Essa manifestação de amor deve constituir a orientação essencial a

quem almeja somar nas oficinas de abnegação e socorro pela

iluminação das sombras abissais.

Quando estendemos a mão a um vizinho, quando desenvolvemos

um gesto de solidariedade ou educação, quando tornamo-nos um

exemplo de cidadão, enfim, quando exercemos a cidadania cósmica,

estamos efetivamente cooperando para um mundo melhor e

atendendo ao clamor pela regeneração, que acena um futuro

promissor em favor da paz mundial.

Magíster Seraphis Bey, mestre do Templo de Luxor.

Belo Horizonte, janeiro de 2009

***

3 Nota da editora - O Templo de Luxor, no Egito, foi iniciado na época de

Amenhotep III e só foi acabado no período muçulmano. É o único monumento do

mundo que contém em si mesmo docu¬mentos das épocas faraónica, greco-

romana, copta e islâmica, com nichos e frescos coptas e até uma Mesquita (Abu

al-Haggag).

4 Nota da editora - Obra de amor erguida por Eurípedes Barsanulfo no mundo

espiritual.

Introdução

Diamantes no Submundo Astral

"O diamante no lodo não deixa de ser diamante, sem

perder o valor que lhe é próprio, diante da vida."

Emma-nuel - Vida e Sexo - capítulo 19

A história narrada nesta obra ocorreu entre os anos de 1936 e 19645,

coincidindo com o ápice do transporte da árvore evangélica, um dos

múltiplos movimentos migratórios ocorridos na erraticidade,

resultante dos efeitos da renovação acelerada no planeta, a partir

dos conflitos e avanços sociais do início do século XX.

Nesse cenário de mudanças extrafísicas, milhões de espíritos

amantes do Cristo, integrantes do chamado tronco judaico-cristão,

foram libertados de um dos mais horrendos pátios de escravidão na

vida espiritual: o Vale do Poder. Os dragões que comandam esse

lugar de loucura continuam até hoje juntando pistas e perseguindo

os alforriados. Descobriram, logo nos primeiros anos do século XX,

que no movimento espírita brasileiro regressaram milhões desses

prisioneiros, agora no corpo físico. Conhecer algumas informações

sobre a trajetória desse episódio chamado transporte da árvore evan-

gélica significa radiografar a estrutura moral que a maioria

esmagadora de nós, os espíritas cristãos, construiu no suceder das

reencarnações.

***

5 Nota da editora - esse período refere-se somente ao tempo passado da história

narrada no livro, sendo que seu epílogo chega até o ano de 2008.

Sem nenhuma generalização quanto ao tema, o grupo composto de

condutores, médiuns e quaisquer cooperadores que se encontrem

atraídos pelas expressões cativantes da Doutrina Espírita,

persuadidos pela própria consciência a assumir compromissos com

a causa e se tornarem formadores de opinião coletiva, guarda largas

possibilidades de possuir laços consistentes com esse histórico

movimento migratório.

A determinação do Senhor de tornar o Brasil um país com a missão

de receber a árvore evangélica não é mera figura literária.

Transplantando da Palestina para o Brasil a responsabilidade de se

tornar um celeiro de fé raciocinada e libertadora, Jesus e Sua

plêiade, em verdade, trabalharam e trabalham para o bem de um

extenso conjunto de almas falidas que têm em comum a atração

para os ensinos do Evangelho e o ideal libertário do amor a povoar-

lhes a inteligência sem que consigam educar seus corações.

Quem espera que o Brasil se torne o celeiro do afeto no mundo,

quase sempre nutre expectativas de que somente espíritos de alta

estirpe aqui renascerão, com o intuito de arejamento do pensamento

e da conduta humana. Ledo engano! Contrariando quaisquer

ilusões dessa ordem, essa tarefa também foi confiada a esse grupo

em ressarcimento cons-ciencial.

Muitos poderiam indagar, apoiados na lógica, sobre a razão de se

transferir tão magna missão a espíritos enfermos e decaídos. Mas é

justamente por essa razão que o tronco judaico-cristão se tornou a

coluna vertebral dessa missão. O reerguimento de tais corações é a

prova mais eloquente do quanto a mensagem do Evangelho é capaz

em favor do progresso da humanidade. A vitória desse grupo

comprova a eficácia do remédio contido nas sublimes indicativas de

Jesus.

A faina educativa na qual se encontra o movimento espírita

brasileiro com suas inumeráveis conquistas e descuidos, é o retrato

claro de nosso compromisso com essa história, que ultrapassa

milênios.

Evidentemente, cuidados elementares foram tomados para que a

condição miserável que abrigamos não sepultasse de vez a proposta

do cristianismo redivivo contida na luminosidade do pensamento

espírita. Ao lado das manifestações de pobreza espiritual, o Mestre

enviou homens e mulheres que seriam estacas seguras no

desenvolvimento de nossas potencialidades e na segurança do

patrimônio cultural do legado kardequiano. E para não ensejar

novamente o desvio de Sua mensagem, planejou a reencarnação de

um missionário cuja tarefa é ser a sentinela do Espiritismo e o

exemplo vivo da proposta cristã. Esse missionário é Chico Xavier.

As gerações se conflitam pelo teor das ideias. Quem renasceu na

primeira metade do século XX teve um projeto reencarnatório e um

processo educacional, acentuadamente, distinto das aspirações de

quantos regressaram ao corpo físico depois de 1950. A humanidade

não mudou tanto seu caráter emocional nos últimos 5.000 anos

quanto renovou nos últimos cinquenta. Como esperar que os

espíritas renascidos na atualidade tenham uma percepção do

Espiritismo com a mesma perspectiva de cem anos atrás?

Neste primeiro século da doutrina no Brasil foi tecida uma história

que terá nos próximos setenta anos um novo feixe de interesses e

necessidades socio-espirituais.

Nesses cento e cinqüenta anos do Espiritismo, a comunidade

espírita atingiu conquistas meritórias a poder de conhecimento e

trabalho com boa vontade. Imaginemos quanto não faremos com o

sentimento efetivamente renovado!

Invistamos nas agremiações amorosas da doutrina para que

alcancem o patamar de núcleos educativos que ensinem a arte da

vida saudável, na qual o objetivo prioritário seja fazer todo o bem

que tenhamos capacidade de realizar por nós, pelo próximo e pela

natureza. Esse é o apelo das gerações novas que guardam chances

de criar um elo progressista entre o Espiritismo e o futuro.

Uma das mais ricas gemas da literatura mediúnica, Paulo e Estêvão,

foi o brado sincero e fraterno do mundo espiritual para que o

movimento espírita não se edificasse como uma casa sobre a areia.

Entretanto, é lamentável verificar que as bases do Espiritismo,

concebido como O Consolador Prometido e o Cristianismo Restaurado,

estejam servindo de alicerce a teses antifraternas que abrigam

concepções periféricas acerca do que representa o serviço redentor,

sob os auspícios de Jesus, guia e modelo da humanidade.

No seio dessas concepções, os irmãos espíritas, ao invés de

chamarem para si o ensejo de trabalho com o "inferno", fazem de

tudo para dele se distanciarem, como se nada tivessem a ver com o

que lá acontece. Eis um dos desastrosos efeitos de organizarmos a

coletividade valendo-se dos regimes falidos e repetidos ao longo da

história, nos quais nos embriagamos com o licor da vaidade acerca

de conquistas que, por ora, ainda não logramos. O Espiritismo, em

seu conteúdo moral, é uma religião com propostas éticas,

entretanto, jamais a seara deveria se organizar com modelos

religiosos copiados de fórmulas sem êxito.

Reeditemos a singeleza da Casa do Caminho dos tempos apostólicos.

Simplicidade e fraternidade como roteiros de redenção para nossa

convivência com o Cristo. Serviço social que ampare e eduque.

Esclarecimento que conforte e liberte.

Fique claro nosso propósito educativo!

Cuidamos para que o texto desta obra nos remeta às lições do

Evangelho e, mesmo anotando algumas revelações, evitamos dar-

lhes destaques que poderiam incentivar ainda mais a conduta

humana de colecionar certezas sem aplicá-las para o bem comum.

Por isso, quanto possível, abdicamos de aspectos históricos que, na

hora certa, serão alvo de futuras pesquisas mais esclarecedoras da

parte dos interessados em ambos os planos de vida. A incursão em

minúcias históricas, conquanto curiosa, seria fastidiosa, repetitiva.

Primamos pelas lições morais que os acontecimentos históricos nos

deixaram.

Instigar a discussão sadia, motivar a investigação, ampliar noções

sobre nossos compromissos, eis nossos objetivos mais sinceros.

Longe de nossas intenções qualquer sentimento que nos aproxime

da presunção. Nem mesmo nós, fora da matéria, temos

entendimento suficiente para alcançar a extensão dos temas aqui

propostos.

Urge ampliar a compreensão sobre a natureza das tarefas

emergentes nas faixas vibratórias mais imediatas à psicosfera

terrena, tendo em vista os planos do Cristo para o terceiro milênio.

Essa tarefa destina-se, especialmente, aos médiuns e dirigentes no

melhor entendimento das lutas de quantos se entregam aos serviços

do amor sem condições nas relações intermundos. Formar

trincheiras leais no plano físico por meio de núcleos produtivos de

serviço cristão, que se tornem exemplos seguros e eficazes na

consolidação de valores educativos da moral nas atitudes humanas.

Não haverá regeneração sem que a "lama psíquica" da Terra seja

limpa.

Não teremos paz na humanidade enquanto não zelarmos por nossa

família espiritual que jaz atolada nos lamaçais do sofrimento

inenarrável, junto às fileiras do inferno sem lindes.

O submundo é o inconsciente da humanidade que brota das

profundezas para a remição urgente. Não haverá consciência na

humanidade sem cuidados com a ingerência sistemática das pulsões

que brotam das profundezas da subcrosta.

Para isso, tomamos os dragões como foco nuclear de nossas

anotações. Imperioso refletir sobre a relação entre essa casta de

espíritos e a comunidade espírita. Os laços entre essas almas e os

amantes do Cristo.

Conhecer mecanismos não revelados sobre a ação dos opositores da

verdade é no mínimo uma obrigação de quem pretende consolidar

o bem em sua vida. Há uma parte de nós em cada um deles. Há um

pouco deles em cada um de nós.

Com nossos melhores sentimentos pelos dragões, ficamos com a

valiosa metáfora de Emmanuel que reflete a expressão universal da

bondade celeste que sempre lhes atribui a condição de estimável

diamante atirado ao lodo que, ainda assim, não perdeu o valor que

lhe é próprio.

Da amante do bem e servidora do Cristo,

Maria Modesto Cravo6 Belo Horizonte de 1° de junho

de 2009

***

6 NOTA DO MÉDIUM - para conhecer a vida e a obra de Maria Modesto Cravo,

recomendo o livro "Recordações de Modesta", de Itacy Cecílio, Editora Inede.

Meus Desafios

Perantea Maioridade do Espiritismo

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para

todo o propósito debaixo do céu." - Eclesiastes, 3:1

O pedido a mim endereçado por dona Modesta foi para falar algo

sobre o que significaram os últimos dez anos da minha vida, desde

o surgimento da obra "Seara Bendita", psicografada em 1999 e lança-

da em 2000.

Depois de 22 anos de comprometimento e muita disciplina no

exercício da mediunidade, orientada com base em Jesus, Kardec e

Emmanuel, fui chamado para uma vivência na qual jamais havia

imaginado estar inserido algum dia. E de um momento para outro,

lá estava eu com a responsabilidade desafiante de ser um médium

envolto no teste árduo do conhecimento público.

Eu diria que foram os dez anos mais proveitosos de toda a minha

trajetória como espírito em aprimoramento. Houve muitas perdas,

decepções, abandonos, maledicência e desrespeito, que hoje

concebo como afiados instrumentos cirúrgicos rasgando minhas

ilusões pessoais.

As ilusões começaram a ruir. Ilusões acerca de minha personalidade

e também das pessoas com as quais dividia o campo de trabalho

espiritual. Quando essa ilusão se destrói, surge a mágoa adoecendo

o coração, para que possamos enxergar a nós mesmos com mais

clareza. A mágoa que senti quando percebi que eu e meus

companheiros de caminhada não éramos nada daquilo que

supúnhamos ser. Talvez a desilusão de uma visão idealizada de

vida tenha sido meu maior ganho diante de tantas dores nesses últi-

mos anos.

Hoje, após esses primeiros passos da longa jornada pela maioridade

do Espiritismo em mim mesmo, tenho clareza em reconhecer que os

maiores obstáculos não estão fora, mas na minha própria intimi-

dade. A esse respeito, recentemente, em uma entrevista com dona

Maria Modesto Cravo, ela me disse:

"Muitos idealistas enxergam o maior entrave para a expansão das ideias da

humanização nas trevas e nas organizações rígidas do Espiritismo

organizado.

De nossa parte, nunca tivemos dúvida de que o remédio amargo da atitude

de amor é uma receita apropriada, antes de tudo, para quem nela percebe a

eficácia curativa das enfermidades morais.

Para não deixar dúvidas a ninguém, vejam os desafios a ser vencidos

mesmo entre os que ergueram o estandarte da maioridade do Espiritismo,

desde o lançamento da obra "Seara Bendita".

O remendo de pano novo significa uma roupagem diferente para velhas

atitudes. Quem se sensibilizar com a grandeza das ideias humanizadoras

necessita prioritariamente avaliar em si mesmo o quanto necessita de tal

receituário. Sem esse exame corajoso e despojado, faremos remendos novos

em panos rotos. Teremos planos e iniciativas que terão o colorido, mas não

o conteúdo do humanismo cristão e legitimamente fraterno.

Jesus encontrou as primeiras manifestações de traição, abandono, ofensa e

negação dentro do próprio colégio apostólico. Não foram as organizações

sectárias nem os adversários fora do corpo os responsáveis diretos pela

tragédia do calvário, mas sim o medo de Pedro, a ilusão de Judas e a mágoa

dos discípulos com o povo romano.

Creio que isso basta, ou quer ouvir mais?"

Talvez em poucas linhas eu não consiga retratar as dores e as

alegrias que experimentei nesse decênio. Hoje, passados dez anos

de lições, eu quero dizer: valeu a pena!

Entre erros e acertos, aqui estou eu, saudável, trabalhando como

nunca, dando o meu melhor e certo de que a maior de todas as

vitórias foi uma só: estou aprendendo a ouvir minha própria

consciência.

Para ouvir minha consciência, tive de deixar de ouvir muitos

amigos que não tinham a menor noção do que eu realmente preciso

para crescer como espírito eterno.

Para ouvir minha consciência, tive de aprender a valorizar o que

vale e o que não vale a pena ser valorizado sobre o que falam a meu

respeito, e também acerca do trabalho que realizo em nome de

Jesus.

Para ouvir minha consciência, aprendi que a mágoa é muito útil

quando sabemos o limite entre os erros dos outros e o quanto nós

também contribuímos para seus erros nos ferirem.

Para ouvir minha consciência, tive de entender que confiança

irrestrita é uma ilusão e que precisamos aprender a dizer não.

Para ouvir minha consciência, aprendi que jamais vou agradar a

todos.

Para ouvir minha consciência, aprendi também que não posso

avançar sozinho.

Para ouvir minha consciência, hoje entendo que a vaidade é a mais

grave doença dos médiuns, mas que jamais será erradicada sem a

coragem de investigá-la de frente.

E, por ouvir minha consciência, estamos lançando o livro "Os

Dragões". Este livro foi psicografado há cinco anos. Com a

compreensão da autora espiritual tivemos esse longo tempo de

espera, com o objetivo de melhor examinar diversos assuntos

abordados e que escapavam ao meu conhecimento espiritual.

Mas, como diz o Eclesiastes: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há

tempo para todo o propósito debaixo do céu."

Chegou a hora de plantar mais essa semente venerosa do mundo

espiritual. Sem dúvida, é preciso coragem para levar avante essa

tarefa. Tenho rogado muita força e proteção para que não me falte

essa coragem.

Só queria acrescentar algo que vem bem lá do fundo do coração:

como me sinto bem depois de tantas e preciosas lições! As cirurgias

dolorosas me fizeram muito bem. O melhor de tudo é poder dizer

que não me sinto especial por tudo o que passei, mas me sinto

gente, me sinto humano. Como agradeço aos céus por terem me

ensinado o caminho para livrar-me, pouco a pouco, do peso do

perfeccionismo e das máscaras de superioridade.

Sinto-me muito aliviado em perceber que a humanização é uma

proposta para dentro. Como é bom não nutrir a desgastante

ansiedade de arregimentar estruturas para fora, quando a tarefa,

antes de tudo, tem de acontecer no terreno dos próprios sentimen-

tos. Falar de maioridade sem experimentá-la é mais um desvio de

rota na nossa caminhada. As tarefas por fora vão surgir na medida

em que, genuinamente, me tornar alguém útil pela expansão da

proposta das atitudes de amor.

Peço muito aos bons espíritos que não me deixem esquecer essas

primeiras lições adquiridas à custa de muito suor e muitas lágrimas,

ciente que estou de ter apenas dado um pequeno passo, ante a

imensidão do que me espera.

Sou muito grato pelo carinho e estímulo recebido da parte de

quantos reconhecem o esforço que tive e tenho de fazer para chegar

até aqui. Particularmente à minha família, que, inegavelmente, foi a

mais importante cooperadora que tive até este momento.

Aos muitos amigos que me apoiaram e foram compreensivos com

minhas lutas, minha mais humilde gratidão.

Para todos aqueles que compreenderam a extensão do que nos

aguarda na tarefa abençoada pela maioridade das ideias espíritas,

eu desejo muito sucesso, força e luz.

Wanderley Oliveira

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Belo Horizonte, 1 8 de abril de 2009

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Página de Luz

Meus filhos, Jesus conosco.

Nossos laços se intensificam a cada dia. A barreira da morte foi

vencida pelo amor que nos une.

O momento glorioso da renovação convida-nos aos amplos voos na

direção dos tempos novos.

Rejubilo-me pelo alcance dos nossos esforços, tendo em vista tantos

obstáculos a superar.

O céu e a Terra, sem dúvida, cantam hosanas pela bênção de

oferecermos ao mundo físico as noções mais justas e fiéis da nossa

família em dor nos pátios do submundo.

Glória a Deus nas alturas pelo conclave de almas que buscam sair

do conforto para atender às demandas da hora.

Por certo, "Os Dragões", são páginas de luz que abrirão picadas na

longa jornada de descortinar os horizontes ignorados da vida

imortal.

Com alegria incontida pelas linhas escritas com alma e carinho, sou

pura renúncia e gratidão pelas auspiciosas benesses que estas

páginas prometem gerar nos corações abertos ao ideal de servir e

aprender sem condições.

Da servidora do Cristo e amante do bem,