Dúvidas do Amor por Flávia Peniche - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

D�vidas no Amor

 

 

 

 

 

- O novo chefe vai se apresentar hoje, dizem que ele � lindo. � cochichou Alexia para Julia. � Eu estou curiosa.

- Voc� � sempre curiosa Alexia, eu estou preocupada com nossos empregos isso sim e principalmente com o nosso departamento. � retrucou Julia olhando pra o computador. � Preciso terminar esse relat�rio antes do meio dia para a reuni�o.

- J� entendi o recado, vou te deixar trabalhar. � disse ela fazendo uma careta e saindo da sala.

Julia estava muito atarefada com a chegada do novo dono da empresa, ela sendo respons�vel pelo departamento financeiro estava cheia de relat�rios, balancetes e planilhas para entregar at� a reuni�o que ia come�ar h� uma da tarde, e ainda tinha um jantar para fazer para a chegada de um amigo de seu noivo.

Ap�s o almo�o Julia foi para a sala de reuni�o, estava ansiosa e ao mesmo tempo confiante, pois sabia que seu trabalho estava bem feito e correto.

- Esse homem quer nos fazer esperar s� para mostrar quem manda. � resmungou o diretor de marketing irritado. � Pontualidade � muito importante para os neg�cios.

Com quase uma hora de atraso Jo�o Henrique Vasquez entrou na empresa que agora era dono, se irritou mais ainda ao n�o encontrar ningu�m na recep��o da empresa e ao perceber que o elevador estava quebrado. Quando entrou na sala de reuni�o o sil�ncio se instalou, estava acostumado a isso, mas aquele dia estava sendo muito ruim e olhando para aquelas pessoas sabia que o seu dia iria s� piorar.

- Boa tarde a todos, eu sou Jo�o Henrique Vasquez e sou o novo dono dessa empresa. � disse ele se sentando. � Pe�o desculpas pelo atraso, mas vamos come�ar logo essa reuni�o.

Ele era lindo. Pensou Julia encantada. Alto, moreno, porte atl�tico, voz rouca e sexy, olhos verdes e profundos, uma boca sensual e um sorriso frio e distante assim como o ar a de superioridade que ele ostentava. Aquele homem cheirava dinheiro e poder.

- Senhorita Julia Andrade gerente do departamento financeiro est� presente nesta sala? � indagou ele procurando.

- Sim eu estou presente senhor Vasquez, estou aqui para esclarecer qualquer d�vida que possa ter. � disse ela de modo profissional.

- �timo eu gostaria que me desse uma explana��o de forma r�pida como anda o departamento que gerencia. � pediu ele

Que mulher linda! Pensou ele fascinado. Loira de cabelos longos, alta, corpo arredondado, olhos azuis como o c�u, voz serena, apesar do terno formal que usava aquela mulher exalava sexualidade. Aqueles l�bios foram feitos para serem beijados.

- Espero que todos tenham trazidos os relat�rios que eu pedi, quero analis�-los com calma juntamente com minha equipe e qualquer d�vida que eu tiver entro em contato. E avisando a todos que somente daqui duas semanas volto para assumir de vez a presid�ncia da empresa, por enquanto pretendo deixar Caio Junqueira no comando durante minha aus�ncia. � disse ele finalizando a reuni�o.

Como j� passava das cinco da tarde Julia foi para o mercado comprar os ingredientes para preparar o jantar. O card�pio seria simples salada de entrada, salm�o grelhado com pur� de mandioquinha e de sobremesa torta de nozes com sorvete de creme. Chegou a casa trocou de roupa e foi preparar o jantar.

- Meu amor eu j� cheguei, que cheiro bom. � disse Leandro entrando na cozinha. � Voc� � linda sabia!!

- Voc� s� diz isso porque � meu noivo. � disse ela aceitando o beijo dele. � Aposto que estou descabelada e com trigo no rosto.

- E mesmo assim est� linda, e voc� precisa de ajuda com alguma coisa? N�o sou t�o bom cozinheiro quanto voc�, mas sou um bom ajudante. � brincou ele alegre.

- Voc� pode colocar a mesa e escolher um vinho para o nosso jantar, a comida est� tudo conforme o planejado. � disse ela tirando o avental. � Agora eu vou tomar um banho e me arrumar porque daqui a pouco seu amigo e esposa misteriosos v�o chegar.

Julia conheceu Leandro durante uma festa e foi empatia instant�nea, ele era um homem rom�ntico e divertido e o namoro come�ou r�pido e com isso j� fazia tr�s anos que namoravam e seis meses que moravam juntos.

Leandro se juntou com ela no banho, ela o ati�ou, mas Leandro estava mais preocupado com a chegada de seu amigo.

- Julia n�o d� tempo, isso pode esperar. � disse ele a afastando.

Por mais que Julia amasse Leandro, a falta de libido dele a incomodava, n�o que ela fosse alguma ninfoman�aca, mas ela sentia falta de sexo na rela��o e por mais que tentasse discutir isso com Leandro ele sempre dava um jeito de mudar de assunto e para n�o ter uma discuss�o maior ela acabava ficando quieta.

- E como foi seu dia? Muitas pacientes lindas e siliconadas no consult�rio? � perguntou ela azeda. � Alguma tentou tirar uma casquinha de voc�?

- Voc� fica linda quando est� com ci�mes sabia!! � disse ele gargalhando. � Eu sou um cirurgi�o pl�stico, elas s� me procuram para ficarem bonitas para outros homens.

Ela n�o tinha ci�mes dele, mas fazia isso porque sabia que Leandro era muito inseguro quanto a sua apar�ncia. Ele n�o era um homem bonito, de estatura mediana estava um pouco acima do peso, tinha cicatrizes de acnes no rosto, usava �culos e come�ava a ter sinais de calv�cie.

- E como voc� e esse seu amigo se conheceram?- perguntou ela enquanto fazia um tran�a no cabelo.

- Crescemos juntos e depois estudamos na mesma faculdade, eu medicina, ele administra��o e a esposa dele bioqu�mica. Bons tempos. � contou ele saudoso. � Perdemos contato depois de formados e h� quase um ano nos achamos nas redes sociais, e como ele vem para cidade � neg�cios decidimos nos encontrar.

- Ele � dono de alguma empresa aqui?- indagou ela vestindo seu vestido.

- Rick � um milion�rio, tem empresas pelo mundo todo, n�o que ele precise trabalhar, pois veio de uma fam�lia abastada o mesmo da esposa dele Carol. �s vezes acho que eles se casaram somente para unir as fortunas, apenas mais um neg�cio. � disse ele pensativo.

Antes que Julia pudesse dizer algo, a campainha tocou e Leandro saiu r�pido mandando ela se apressar. Ela mesma contrariada foi atr�s de Leandro.

- Rick que bom rev�-lo amigo!!- saudou Leandro animado. � E voc� Carol est� linda como sempre.

- Que bom rever voc� tamb�m Leandro, ou melhor, doutor Leandro Vasconcellos. � gracejou ele entrando na sala.

O choque de Julia n�o poderia ter sido maior, seu novo patr�o era o tal amigo de seu noivo.

- Quero que voc�s conhe�am minha noiva Julia. � a apresentou ele sorridente. � Julia estes s�o Jo�o Henrique Vasquez e sua esposa Carol Trevisan Vasquez.

- Prazer em conhecer voc�s. � disse Julia estendendo a m�o. � Que bom enfim conhecer voc�s.

-Prazer Julia, acho que j� nos conhecemos hoje. � disse Jo�o educado.

- Como assim voc�s se conhecem? � perguntou Leandro curioso.

- Ele � o novo dono da empresa em que eu trabalho, s� n�o imaginava que ele tamb�m era seu amigo. � esclareceu Julia rapidamente.

- Mundo pequeno este mesmo n�!! Prazer em conhecer voc� tamb�m Julia. � disse Carol seca mudando de assunto. � Lindo apartamento de voc�s.

- Julia � a respons�vel pela decora��o eu somente comprei. � gracejou Leandro. � Mas vamos nos sentar, voc�s aceitam algo pra beber?

A conversa fluiu naturalmente sobre as hist�rias deles e as gargalhadas se seguiram. Julia se sentiu deslocada e pedindo licen�a foi para a cozinha terminar o jantar.

- O jantar vai ser servido. � avisou Julia. � Vamos para a mesa. Aviso que fiz algo simples, espero que gostem.

- Julia � muito modesta, ela cozinha maravilhosamente bem, d� para ver por mim que estou um pouco acima do peso. � brincou Leandro rindo.

Quando ela serviu a sobremesa, os elogios foram muitos.

- Realmente voc� cozinha muito bem, parab�ns. � disse Carol mal tocando na torta. �

- Voc� mal tocou na comida Carol, assim Julia vai achar que n�o gostou. � retrucou Jo�o seco.

- Eu preciso manter minha forma, sou a marca da minha empresa. � disse ela irritada.

- Carol sempre foi neur�tica com o pr�prio corpo oque eu acho um exagero sendo ela t�o linda e elegante. � explicou Leandro. � Voc� � perfeita acredite!

Julia se sentiu um monstro perto daquela mulher magra, elegante e a pele dela era como seda e ver Leandro se derreter em elogios para ela n�o ajudou muito. Por mais agrad�vel que estivesse � noite, Julia n�o via � hora de eles anunciarem que iriam embora oque n�o demorou muito para acontecer.

- Foi uma noite muito agrad�vel esperamos v�-los em breve. � disse Leandro se despedindo.

- Foi �timo mesmo Leandro voc� como sempre um excelente anfitri�o. � disse Carol o abra�ando. � E voc� Julia foi um prazer conhec�-la.

- Imagina o prazer foi todo meu, espero que tenham gostado da noite. � disse Julia educada.

- Foi uma noite excelente, precisamos repetir mais vezes. � respondeu Jo�o a olhando. � Boa noite!!

Quando enfim o elevador fechou as portas Julia se sentiu aliviada, a presen�a daquele homem a incomodava.

- Me ajuda a lavar lou�a Leandro?- pediu ela indo para cozinha.

- Claro meu amor, e voc� oque achou dos meus amigos? � perguntou ele pegando o prato pra secar.

- Gostei deles sim, s�o bem simp�ticos. Apesar de eu achar que Carol n�o queria estar aqui hoje, ela me pareceu distante o tempo todo. � respondeu ela lavando uma ta�a.

- Ela sempre foi assim, � somente o jeito dela ser. Carol � a cara de sua empresa, � uma mulher de sucesso. � defendeu ele a amiga. � Quando conhec�-la vai se acostumar.

Julia preferiu se calar, n�o queria discutir sobre Carol, s� queria dormir e tentar esquecer aqueles olhos verdes e penetrantes de Jo�o. Ela acordou mais cedo do que de costume, precisava descarregar sua energias e foi para a cozinha fazer biscoitos.

- Meu amor hoje � domingo volte para cama. � resmungou Leandro esfregando os olhos.

- Perdi o sono, vou fazer esses biscoitos de chocolate para levar para os filhos de Alexia. � disse ela colocando os biscoitos no forno. � Mas n�o se preocupe vou deixar alguns para tamb�m.

- N�o sei como voc� gosta de ficar perto daquelas crian�as t�o barulhentas e indisciplinadas. � retrucou ele s�rio. � Eu vou dormir, quando for sair n�o me acorde.

As vezes ela desconhecia esse lado s�rio de Leandro, ele n�o gostava de crian�as e n�o fazia quest�o de esconder isso, mas de algum tempo para c� Julia sentiu at� um certo desprezo dele em rela��o ao assunto. Ela queria filhos, sempre fora apaixonada por crian�as, mas sabia que teria que escolher entre ter filhos e continuar com Leandro.

Quando ela foi para o banho sem querer enquanto se esfregava pensou em Jo�o. Pare com isso Julia!! Voc� est� noiva e muito apaixonada pelo seu noivo, apesar dos problemas voc� � muito feliz!! Pensou ela se recriminando.

- Leandro vou para Alexia, deixei almo�o pronto para voc� e biscoitos tamb�m. � avisou ela o beijando.

Ele nem se deu ao trabalho de responder e somente resmungou algo e se virou na cama. O caminho at� a casa de Alexia era longo oque deu h� Julia um tempo para pensar sobre sua vida. Ela nasceu em uma fam�lia feliz com mais duas irm�s, pais amorosos e um cachorro. Seu pai era um homem de posses e tinham uma vida confort�vel, mas sem grandes luxos. Suas irm�s todas casadas e com filhos viviam no interior e sempre que ela podia corria para visit�-las. Seus pais moravam em uma fazenda e quase n�o ia a cidade e muito menos a capital, mas as festas de fim de ano eram a oportunidade de Julia matar a saudades dos pais.

- Tia Julia que bom que veio!! Mam�e est� fazendo lasanha e torta de morango! � gritou uma menina despenteada de quarto anos.

- Que delicia isso, eu tamb�m trouxe biscoito de chocolate pra voc�s. � disse Julia a pegando no colo. � Onde est�o seus irm�os?

A gritaria estava instalada e as tr�s crian�as brigavam para ver quem ficava com o pote de biscoitos e Alexia veio da cozinha para resolver a confus�o.

- Nenhum de voc�s vai comer biscoitos antes do almo�o!! � brandou ela pegando o pote. � Agora agrade�am a tia Julia e v�o brincar!!

Contrariadas elas foram correndo para o quintal e l� a gritaria recome�ou.

- Voc� sempre estragando meus filhos educados e silenciosos Julia. � brincou Alexia a levando para a cozinha.

- Eu n�o resisto �queles pares de olhos me pedindo biscoitos. � disse ela rindo. � Eu sou uma manteiga quando o assunto � crian�a.

- E como foi a reuni�o de ontem, o novo chefe � um velhote mal humorado e sem cora��o? � perguntou ela colocando molho na lasanha. � Ouvi dizer que ele deixou voc�s esperando por um bom tempo.

- Nos deixou esperando por uma hora, mas ele me parece uma pessoa justa e nos garantiu que vai manter o corpo de funcion�rios da empresa. E n�o te conto a maior. Lembra-se do amigo de Leandro que ia jantar ontem l� em casa? Pois ele e o dono da empresa s�o a mesma pessoa. � contou Julia pegando um peda�o de queijo. � Ainda conheci a esposa dele, uma mulher linda e magra que me fez lembrar o porqu� que preciso voltar para a academia.

- Mundo pequeno mesmo esse. Ele � t�o bonito quando dizem as meninas da empresa? � perguntou ela maliciosa. � Me conte tudo!!

- Ele � lindo, acho que o homem mais lindo que conheci na minha vida. � confessou ela sorrindo. � E a esposa dele tamb�m � linda, perfeita, elegante e tem a pele mais linda que j� vi no mundo.

- Eu perguntei somente dele t�!! A esposa � s� um mero detalhe. � retrucou ela fazendo careta. � Ent�o amanh� vou ter a honrar de conhecer esse homem?

- N�o, ele vai deixar um tal de Caio Junqueira em seu lugar por duas semanas. Voc� vai ter que esperar para conhec�-lo. � respondeu ela.

Julia riu diante da express�o de desanimo da amiga, elas se conheciam desde a faculdade e come�aram a trabalhar na empresa juntas. Alexia teve um casamento rel�mpago com um investidor da empresa que a deixou com tr�s crian�as pequenas e dividas para quitar, mas gra�as a ajuda de Julia ela se recuperou do baque e seguiu a vida pagando as contas e cuidando muito bem dos filhos.

- Voc� precisa arrumar um namorado Alexia, essa sua curiosidade por cada homem que entra na empresa � pura car�ncia. � constatou Julia s�ria.

- Eu desisti de namorar no momento em que percebi que homem nenhum vai aceitar meus filhos. � retrucou ela olhando para as crian�as da janela.

- Eu s� acho que voc� procura nos lugares errados, baladas e barzinhos n�o s�o lugares que homens que queiram fam�lia v�o. �falou Julia seca.

- Vamos mudar de assunto ou vamos acabar brigando. � disse ela colocando a lasanha no forno. � E Leandro como est�? Tenho a impress�o que ele tamb�m n�o � muito f� de crian�as...

- Ele ficou em casa dormindo, e voc� est� certa, ele detesta crian�a. J� toquei no assunto de filhos e ele sempre muda de assunto e diz que ainda � cedo e que primeiro precisamos nos casar, �s vezes acho que viramos amigos e nem percebemos. � desabafou ela triste. � E ainda tem a falta de libido dele, �s vezes acho que estou t�o acima do peso que ele n�o sente mais atra��o por mim. N�o sei mesmo. Sinto-me t�o confusa quando paro pra refletir sobre nosso relacionamento.

- Eu sempre lhe disse que esse namoro come�ou de forma errada, voc�s estavam carentes e confundiram isso com amor e agora voc�s se acomodaram na rela��o e ningu�m tem coragem de terminar. � disse ela s�ria. � E voc� � linda, seu corpo � lindo e qualquer homem morreria para estar no lugar de Leandro ent�o n�o se menospreze!!

- Eu amo Leandro e sei que ele tamb�m me ama, mas sei l� ele n�o faz quest�o de conviver com minha fam�lia, mas que me exibir para toda a fam�lia dele, quando minhas irm�s v�m para c� e some e a desculpa � sempre que tem muito trabalho no consult�rio. � continuou ela o desabafo. - A gente tem tudo para ser feliz, mas parece que tudo conspira pra que a gente acabe esse relacionamento.

- Acho toda a mulher deveria ser predestinada a ser feliz sabe tipo uma obriga��o universal, fazer as escolhas certas, o homem certo, o corpo certo seria t�o mais f�cil. � brincou ela pegando os pratos. � Colocar a mesa e esperar a bagun�a que meus anjinhos v�o fazer.

O almo�o foi divertido e bagun�ado, alimentar tr�s crian�as com idade de tr�s, quatro e cinco anos n�o era f�cil, Julia tentava ajudar a amiga, mas acabava entrando na brincadeira das crian�as e rindo das travessuras delas.

- Voc� n�o est� ajudando Julia!! N�o deixe ela sujar a toalha da mesa!! Pedia Alexia aflita. � Essas manchas n�o v�o sair com facilidade!!

- Eu estou dando o meu melhor, mas ela � r�pida demais. � disse ela rindo da cara da amiga.

O fim do almo�o foi desastroso, tr�s crian�as imundas e a mesa uma sujeira total.

- Me lembre de nunca mais fazer lasanha aqui em casa. � disse Alexia rindo. � Peque este pano e comece a limpar a mesa que eu limpo as crian�as.

Depois de tudo arrumado, as crian�as foram dormir e for fim o sil�ncio reinou na casa.

- Quando dormem s�o como anjos e quando acordam s�o tr�s fura��es que destroem tudo pela frente. � falou Alexia olhando as meninas dormirem.

Quando sa�ram do quarto Julia decidiu ir embora.

- Fique mais, vamos tomar sorvete tranquilamente sem bagun�a e correria. � pediu ela manhosa.

- Voc� sabe que n�o resisto a um sorvete com calda de chocolate. Isso � golpe baixo!! N�o se faz, a minha gordice fala mais alto neste momento!! � disse ela de forma dram�tica. � Vamos ao sorvete!!

J� passava das cinco da tarde quando ela foi embora, as meninas j� tinham acordado e a bagun�a voltava a reinar.

- Tia Julia fica aqui e dorme comigo!! � pediu Amanda de cinco anos fazendo bico. � Eu te dou minha boneca preferida!!

- Meu amor, a tia n�o pode ficar, mas eu prometo que um dia eu durmo com voc�s ainda trago presente. � prometeu ela a beijando. � Agora eu preciso ir, vejo voc� amanh� na empresa Alexia.

Quando Julia chegou a casa ficou surpresa ao ver Carol e Leandro conversando animados.

 

- Que bom que chegou Julia tentei te ligar, mas s� depois percebi que voc� tinha deixado o celular em casa. Est�vamos te esperando para jantar fora. � disse Leandro a beijando. � Esperamos voc� se arrumar.

- Ol� Julia, espero que n�o se importe em me ver aqui. Vim convid�-los para jantar. � disse Carol educada.

- Acabei de chegar e estou cansada, se n�o se importam voc�s podem ir sem mim. � recusou ela educada. � Tenho certeza que voc�s t�m muitas recorda��es para relembrarem.

Leandro nem insistiu para que ela fosse e logo saiu com Carol para jantarem. Julia tomou um banho e foi dormir, nem viu que horas ele chegou em casa, quando saiu para trabalhar na segunda de manh� ele dormia profundamente.

- Bom dia pessoal, vamos trabalhar!! � cumprimentou ela animada entrando em sua sala.

Ao meio dia recebeu uma liga��o de Leandro se queixando que ela n�o tinha se despedido dele de manh�.

- Voc� est� dormindo t�o tranquilamente que fiquei com pena de te acordar. � defendeu-se ela. � E como foi o jantar, se divertiu muito?

- Foi �timo, Carol como sempre � uma �tima compainha, voc� perdeu teria se divertido muito. � contou ele animado. � Vamos sair na sexta para aquela boate nova que abriu e voc� est� intimada a ir!

- Voc� se esqueceu que vamos para o interior no anivers�rio do meu sobrinho, essa viagem est� acertada a meses, n�o posso faltar! � lembrou-o ela irritada.

- Tinha me esquecido disso, mas tenho certeza que voc� n�o vai se importar se eu n�o for afinal � seu sobrinho. � retrucou ele cauteloso. � Mas se for muito importante para voc� � claro que eu vou meu amor!!

- N�o quero que se sinta obrigado a ir, pode ficar e ir � boate e vou sozinha. � finalizou ela a conversa. � Preciso desligar a noite nos vemos.

Ela desconhecia esse lado baladeiro de seu noivo, Leandro sempre foi caseiro e introspectivo, sempre que queria sair precisava quase que implorar para que ele fosse e agora apenas um pedido de sua amiga ele ai como um cachorrinho. Pensou ela irritada. Ele n�o fazia nenhuma quest�o de conviver com sua fam�lia e isso era p�ssimo para o relacionamento deles.

- Vamos almo�ar chefa!! � chamou-a Alexia.

Julia tinha perdido o apetite depois da conversa com Leandro, mas preferiu aceitar o pedido da amiga s� assim poderia desabafar.

- Leandro � mesmo um babaca viu!! Prefere ir pra balada com a amiga do que ir para o aniversario do sobrinho. � disse Alexia revoltada.

- Mas prefiro que ele n�o v� mesmo, porque se for pra ir de m� vontade e ficar com cara feia l� � melhor nem ir. � disse ela desanimada.

- Nisso voc� tem raz�o, se for pra estragar a festa de uma crian�a que fique por aqui mesmo. � concordou Alexia. � S� vai comer essa salada?

- Vou sim, essa conversa com Leandro me deixou sem fome e tamb�m uns quilinhos a menos n�o vai me fazer nenhum mal. � disse ela desanimada. � Essa viagem vai me fazer bem, preciso ficar longe de Leandro para ter certeza dos meus sentimentos.

- Voc� faz bem, a sua felicidade � mais importante do que qualquer coisa. � concordou Alexia s�ria. � Continuar em uma rela��o por comodismo � um grande erro.

- E as meninas dormiram logo ontem? � perguntou ela mudando de assunto. � Cada dia mais lindas e tamb�m mais sapecas!!

- A �nica coisa boa daquele casamento foram minhas meninas lindas!! Imagina elas dormiram quase meia noite, n�o sei de onde elas arrumam tanta energia pra bagun�a...- disse ela sorrindo.

Logo que chegou do almo�o foi chamada na sala da presid�ncia, pois o substituto de Jo�o queria tirar d�vidas sobre seus relat�rios, quando enfim saiu da sala j� passava das seis da tarde.

- Voc� demorou hoje meu amor. � reclamou Leandro assim que ela chegou em casa. � Queria passar um tempo com voc� antes de ir para a cl�nica hoje, esqueceu que tenho plant�o at� de manh�?

- Eu n�o me esqueci que tem plant�o hoje, s� n�o pude sair mais cedo do trabalho, tinha assuntos importantes para resolver. � respondeu ela irritada.

- O que aconteceu para estar t�o azeda assim? � indagou ele seco. � Se estiver trabalhando demais me avise que posso conversar com Rick e pedir para ele distribu�a suas fun��es com outras pessoas.

- N�o ouse se intrometer em meu trabalho!! Da minha vida profissional cuido eu!! Eu nunca precisei de ajuda no meu trabalho e n�o vai ser agora que isso vai acontecer!! � disse ela r�spida. � Voc� j� n�o estava atrasado para seu plant�o?!! N�o se atrase por minha causa.

- Eu s� estava querendo ajudar, n�o precisava responder desse jeito est�pido!! � retrucou ele na defensiva. � Vou trabalhar mesmo antes que essa discuss�o fique pior!!

Leandro saiu batendo a porta e Julia foi para o quarto e desabou na cama em l�grimas. Oque estava acontecendo com seu relacionamento? Pensou ela angustiada. Desaminada ela tomou um banho e tomou p�lulas e dormir. Quando estava saindo para o trabalho na manh� seguinte Leandro chegou.

- Bom dia, e me desculpe por ontem. � desculpou-se ele sincero. � Eu estava estressado e quis descontar em voc� e voc� fez o mesmo. N�o quero ficar brigado com voc�.

- Desculpa tamb�m por ter sido t�o grossa com voc�. Vamos esquecer ontem, tamb�m n�o gosto e n�o quero ficar brigada com voc�. � concordou ela sorrindo.

- Um beijo para selar nossa paz? � perguntou ele se aproximando dela e a envolvendo num abra�o.

Sentir os l�bios de Leandro fez Julia se esquecer de suas d�vidas em rela��o a eles.

- Voc� precisa ir t�o cedo para a empresa? Pode tirar um tempinho pra ficar comigo agora? � perguntou ele maroto. � Saudades de voc�.

- Pra voc� eu posso tirar uns cinco minutinhos sim. � disse ela brincando. - S� cinco minutinhos!!

- � pouco, muito pouco!! Mas acho que consigo convencer voc� a ficar mais um tempo. � disse ele a levando para o quarto.

Uma hora depois Julia chegou em seu trabalho, e encontrou Alexia muito irritada a esperando em sua sala.

- Quem aquele homem pensa que � para dizer que o modo com quem me visto n�o � profissional?!! � gritou Alexia raivosa. � Eu sou uma excelente profissional e uma mulher antenada com a moda!!

- Bom dia para voc� tamb�m Alexia. � ironizou ela sentando-se. � Agora me explique o que aconteceu para voc� estar fora de si?

- Aquele Caio Junqueira pediu algumas explica��es sobre os balancetes que voc� deixou com ele, mas como voc� n�o estava eu fui porque entendo tanto quanto voc� do assunto. � come�ou explicar ela. � Mas como voc� sabe eu tenho tr�s filhas para cuidar, e hoje na correria de sempre para leva-las para a creche uma delas puxou minha camisa e arrancou dois bot�es e a outro derrubou doce na minha caia, mas como j� estava atrasada n�o deu tempo de trocar, e assim que cheguei aqui a sua secret�ria me pediu esse favor e eu fui. Mas assim que entrei na sala dele e me apresentou ele teve a capacidade de dizer que eu n�o podia ser subgerente do departamento porque minha roupa n�o estava de acordo com a pol�tica da empresa!! Onde isso? Eu sou excelente profissional e me visto conforme o cargo que ocupo!!! Minha vontade foi de voar no pesco�o daquele homem odioso!! � finalizou ela brava.

- Calma Alexia, voc� � uma excelente profissional e uma �tima m�e e claro uma mulher antenada na moda. N�o precisa se preocupar com o que ele disse, pois voc� conhece seu valor e eu tamb�m. � disse Julia convicta. � Agora se acalme e me diga se voc� conseguiu explicar algo para ele?

- N�o consegui explicar nada, fiquei com tanta raiva que pedi licen�a e sai dizendo que ia te procurar. � disse ela ainda raiva.

- Pode ficar tranquila, eu vou l� conversar com ele e explicar tudo pode ficar tranquila. � garantiu Julia saindo da sala.

Julia foi direto para a sala de Caio Junqueira, passou toda a manh� explicando detalhes dos balancetes, quando ia sair para almo�ar tentou explicar os trajes desleixadas de sua amiga.

- Eu n�o gosto de saber da vida dos funcion�rios senhorita Julia. � cortou ele seco. � S� quero efici�ncia e bom senso no modo de se vestir e portar aqui.

- Sim eu entendo, mas s� queria que soubesse que Alexia � uma excelente profissional s� foi pega num mal dia. � insistiu ela. � S� pe�o um voto de confian�a para com ela.

- N�o � para mim que precisa pedir isso senhorita, minha passagem por aqui ser� r�pida. � disse ele s�rio.

- Eu sei, mas acredito que ser� atrav�s de suas refer�ncias que o senhor Vasquez vai saber do funcionamento da empresa. � deduziu ela sincera. � Pe�o desculpas pela insist�ncia em rela��o a Alexia, com licen�a.

A semana foi corrida e Julia ficou muito feliz quando saiu do trabalho ao meio dia de sexta-feira para ir ao anivers�rio do sobrinho no interior. Mesmo contrariada por Leandro n�o ir, pegou a estrada aliviada por deixar os problemas para tr�s e poder aproveitar o fim de semana com sua fam�lia.

Julia chegou na hora do jantar a casa de sua irm� mais velha Miranda e foi recebida por abra�os e beijos de seus sobrinhos.

- J� estava ficando preocupada com a sua demora filha. � disse sua m�e a abra�ando. � Cada vez que vem aqui est� mais magra, precisa comer filha!!

- Somente a senhora para dizer que preciso comer, a balan�a diz que preciso emagrecer. � brincou ela. � Onde est� papai?

- Ficou na fazenda, s� vem amanh�. � avisou Lorena sua m�e. � Vamos entrar e colocar a conversa em dia.

Durante o jantar elas conversaram sobre tudo, menos a aus�ncia de Leandro. Julia sabia que sua m�e e irm�s eram discretas demais para perguntar.

- E Alexia como est�? Aquela meninas devem estar cada dia mais lindas n�? � perguntou Ana sua irm� do meio. � Pensei que ela viesse com voc�.

- Ela est� �tima. As meninas lindas e danadas como sempre. � contou ela sorrindo. � Ela queria muito vir, mas com tr�s crian�as pequenas � dif�cil sair de casa. Ela mandou beijos a todos.

- Tia Alexia mandou meu presente? � perguntou Luan um menino de 10 anos desdentado.

- Ela mandou sim mocinho. � respondeu Julia carinhosa. � Mas assim como o meu presente do tio Leandro o dela voc� s� vai ver amanh� no dia da sua festa.

- E falando em Leandro, por que ele n�o veio? � perguntou Ana curiosa.

- Trabalho e mais trabalho, Leandro s� vive para trabalhar. � mentiu ela sem gra�a. � Onde est� Clara e Ot�vio meus sobrinhos queridos Ana?

- Ficaram em casa com o pai, eles est�o de castigo. � contou ela s�ria. � Eles quebraram uma d�zia de pratos novos e caros.

Julia riu diante da express�o da irm� ao contar a travessura dos sobrinhos.

-Nem me fale nisso, Luan semana passada quase quebrou o bra�o brincando de luta com uma amigo, fiquei cheia de preocupa��o! � contou Miranda. � Filhos s�o uma ben��o, mas vem acompanhado de muita preocupa��o.

- Eles s�o crian�as, voc�s na idade deles tamb�m aprontavam todas. Eram unidas em tudo principalmente para fazer arte. � retrucou Lorena bem humorada.

- Acho que nossos filhos est�o fazendo a gente pagar todas as artes que fizemos com a mam�e. � disse Ana rindo. � Agora s� falta voc� Julia entrar para o nosso time de mam�es.

A conversa sobre gravidez era um terreno perigoso para Julia e ela preferiu desconversar e procurar seu sobrinho e cunhado com a desculpa de saber sobre os preparativos do anivers�rio.

- O tema � do super homem, ele � muito legal tia Julia tem muitos poderes! - contou Luan animado. � Voc� conhece a hist�ria do super homem?

- Eu n�o sou t�o velha assim Luan, acredite na minha inf�ncia j� existia o super homem, mas eu tia Ana e sua m�e gost�vamos de brincar de boneca. � contou Julia rindo.

- Nossa, eu n�o imaginava que o super homem era t�o velho assim!! � disse Luan admirado.

- N�o acredito que disse isso mocinho!! Me chamou de velha?!! Agora se prepare para receber seu castigo!! � disse ela fingindo zanga e fazendo c�cegas nele.

Julia ai dormir no quarto de h�spedes com a sua m�e e sabia que logo o assunto Leandro seria colocado em pauta.

- Agora voc� pode me contar o real motivo de Leandro n�o ter vindo para c�. �disse sua m�e assim que entraram no quarto. � A desculpa do trabalho n�o convenceu ningu�m.

- Foi pelo trabalho mesmo mam�e que ele n�o p�de vir. � mentiu ela novamente. � Temos nossas brigas � claro como todo o casal, mas est� tudo bem, j� combinamos que no pr�ximo feriado n�s iremos passar l� na fazendo com voc� e papai.

Julia n�o queria preocupar sua m�e com seus problemas, preferia mentir ao ter que admitir para ela que talvez estivesse fracassando em sua relacionamento, ela sabia que sua m�e n�o tinha acredito em sua desculpa pela aus�ncia de Leandro, mas ficou aliviada quando ela n�o insistiu no assunto e foram dormir.

A manh� foi atribulada na casa de sua irm�, logo seus tr�s sobrinhos se juntaram e a festa come�ou a ser organizada.

- Crian�as parem de correm envolta da mesa do bolo!! � gritou Julia. � Voc�s v�o destruir tudo antes da festa come�ar!!

A festa come�ou as tr�s da tarde, logo a casa e o jardim estavam cheio de crian�as correndo e fazendo bagun�a.

- Me lembrem no pr�ximo anivers�rio de alugar um espa�o pr�prio para ser destru�do que n�o seja minha casa. � disse Miranda desanimada com a bagun�a.

- A ideia foi toda sua ent�o n�o reclame!! � ralhou o marido de Miranda.

J� passava das sete da noite quando a �ltima crian�a foi embora.

- Seria maldade demais da minha parte deixar toda essa bagun�a para a empregada arrumar amanh�?! � indagou Miranda cansada.

Diante do olhar de advert�ncia da m�e todas levantaram e come�aram a arrumar a casa e o jardim.

- S� quero um banho relaxante e dormir. � disse Julia desabando no sof�. � Amanh� cedo preciso pegar a estrada para casa.

- Fique o domingo com a gente Julia voc� sempre vem com pressa!! � reclamou Ana. � Voc� nem foi l� em casa, podemos ir ao clube amanh�.

- Isso mesmo Julia fique aqui, voc� precisa relaxar e descansar. � concordou Jorge sua pai.

- A proposta � tentadora, mas eu preciso voltar tenho muito trabalho acumulado. A empresa mudou de dono e as vistorias aos departamentos come�am amanh�. � justificou ela a recusa.

- Voc� precisa � descansar e parar de pensar um pouco em trabalho, vamos filha fique o domingo conosco. � insistiu sua m�e.

Antes que Julia pudesse responder algo seu sobrinho entrou com um tablete na m�o dizendo que o tio Leandro estava no site de celebridades. A cena que Julia viu a enojou, Leandro beijava Carol numa boate com um copo de u�sque na m�o.

O texto fazia a seguinte manchete �Carol Trevisan Vasquez pega no flagra!!�

A �nica rea��o de Julia foi mostrar a foto para sua irm� Miranda que tratou de tirar o tablete da m�o do filho e levar Julia para o quarto.

- Respire, respire. Fique calma Julia. � dizia sua irm�o diante da sua palidez.

- Eu n�o acredito que ele fez isso comigo!! �balbuciou ela incr�dula. � Ele n�o podia ter feito isso comigo!!

- Filha fique tranquila, talvez possa existir uma explica��o para essa foto. � amenizou sua m�e. � A m�dia inventa fatos que n�o existem.

- M�e n�o tente defender esse canalha sem vergonha!! � disse Ana brava. � A foto mostra claramente que ele beijou essa mulher e ponto!!

- Leia o resto da reportagem Miranda. � pediu Julia s�ria.

- Voc� n�o precisa fazer isso Julia, n�o precisa sofrer mais. � disse sua m�e tentando a fazer mudar de ideia.

- Eu quero saber m�e, eu preciso saber. Leia por favor Miranda. � insistiu ela.

�A socialite Carol Trevisan Vasquez foi flagrada aos beijos em uma boate badalada com o cirurgi�o pl�stico Leandro Vasconcellos!! Lembrando que Carol � muito bem casada com milion�rio Jo�o Henrique Vasquez numa rela��o que j� dura quase dez anos, e n�o podemos esquecer que Leandro namora um linda loira misteriosa. Agora a pergunta que n�o quer calar: Ser� que esses relacionamentos v�o resistir a essa trai��o?!! Vamos esperar as cenas dos pr�ximos cap�tulos, estou ansiosa!!�

- J� chega!! Pare de ler isso Miranda, n�o v� que isso s� machuca mais a sua irm�. � mandou sua m�e s�ria. - Vamos para o quarto Julia voc� precisa de um banho e uma boa noite de sono, amanh� ser� um outro e com a cabe�a mais fria e tranquila vai saber o que fazer.

Ela n�o tinha palavras para expressar o quanto do�a saber daquela trai��o daquele modo, a falta de honestidade de Leandro a magoou muito, eles sempre conversavam sobre tudo que os incomodava um no outro e sempre tentavam resolver o problema, se ele sentia que n�o estava feliz com o relacionamento deles uma conversa franca teria resolvido tudo, sem m�goas e sem sofrimento. Pensou ela indignada. Nunca vou perdoar!! Decidiu ela.

As p�lulas que sua m�e lhe deu fez com que dormisse tranquilamente, acordo bem cedo se arrumou pegou sua bolsa e foi embora sem acordar ningu�m. N�o queria ver os olhares de sua fam�lia e nem responder perguntas as quais n�o tinha resposta. Precisa ficar sozinha, pensar no que fazer, tomar uma decis�o e tamb�m n�o queria causar um clima desagrad�vel com sua fam�lia.

Julia chegou em casa quase meio dia, ficou aliviada ao perceber que Leandro n�o estava em casa, quando ligou seu celular tinha v�rias mensagens de suas irm�s na caixa postal, mas ela preferiu ignorar e tomar um banho. Leandro chegou quase uma hora depois.

- Ol� meu amor, chegou cedo!! Como foi o anivers�rio? � disse ele a abra�ando. � Me conte como foi.

O sangue de Julia ferveu naquele momento, ela se indignou ao perceber que ele tentava agir como se nada tivesse acontecido.

- Eu odeio voc�!! Voc� me traiu e agora tenta agir como se nada tivesse acontecido?!! Voc� � um c�nico!! Odeio voc�!!! � esbravejou ela irada.

A palidez de Leandro s� fez com que Julia tivesse certeza da infidelidade dele.

- Eu posso explicar Julia, foi a apenas um beijo sem import�ncia... � come�o ele aflito. � N�s deixamos levar pelo momento e aconteceu, mas isso n�o muda o que eu sinto por voc�. Eu te amo!!

- Simples assim?!! �Aconteceu...� Para esse tipo de coisa acontecer os dois precisam querer e voc� naquele momento quis aquele beijo. Voc� naquele momento n�o levou em considera��o tr�s anos de relacionamento, de cumplicidade, honestidade de principalmente fidelidade!! � gritou ela brava. � Voc� s� pensou em um �momento� e se esqueceu de uma viv�ncia maior!!

- Eu pe�o que tente me entender Julia as tenta��es acontecem!!! Mas eu estou arrependido e quero tentar dessa vez. Eu amo voc� demais para perde-la por um bobagem!! � pediu ele desesperado.

- �Tentar outra vez� ?!! Quer dizer que voc� estava tentando o nosso relacionamento?!! Que para voc� o que vivemos era um tentativa?!! Eu nunca vou te entender Leandro!! Ca� em tenta��o quem quer!!! Quem � fraco, quem n�o sabe realmente o que quer!!! Isso sim!! � retrucou ela �cida. � Quero voc� fora da minha casa e principalmente fora da minha vida!!! Acabou, n�o tem mais volta!!

- N�o fa�a nada sem pensar Julia, n�o jogue fora algo que pode ser consertado!! � implorou ele. � N�s podemos superar tudo isso!!

- Foi voc� quem jogou fora nosso relacionamento no momento em que decidiu beijar aquela mulher!! � rebateu ela seca. � Acabou Leandro n�o vou te perdoar por isso!! Pegue suas coisas, eu vou dar uma volta e quando voltar n�o quero encontrar voc� aqui.

Julia saiu do apartamento e dirigiu sem rumo, quando percebeu parou em frente a casa de Alexia.

- Alexia voc� est� em casa? � perguntou ela por telefone. � Estou aqui em frente a sua casa.

- Claro que estou, vou abrir o port�o para voc�. � disse ela desligando.

Ver Alexia fez todo o sentimento que guardava dar vaz�o as l�grimas.

- O que aconteceu Julia?!! N�o chore, me conte!! � pediu Alexia tentando acalma-la. � Venha vamos entrar.

Depois de muito chorar finalmente Julia se acalmou e por fim contou sobre a trai��o de Leandro e como terminara tudo com ele.

- Foi melhor assim Julia!! Voc�s eram muito diferentes n�o ai dar certo, voc� merece coisa melhor e vai encontrar algu�m que tenha o mesmos desejos que voc� de formar uma fam�lia e ter filhos. � disse Alexia serena. � Voc� merece ser feliz e vai ser feliz.

- Eu me sinto enganada, n�o pela fidelidade dele, mas pela falta de honestidade dele comigo, trai��o s� acontece quando algo n�o est� bem!! E ele podia ter chegado e conversado comigo. � disse ele indignada. � A �nica coisa boa nisso � que minha foto n�o foi estampada em nenhum site como a corna do ano!!

- Isso vai passar Julia, esse sentimento de rancor vai embora com o tempo, voc� vai se reerguer e vai seguir em frente. � falou Alexia convicta. � Falo isso por experi�ncia pr�pria e voc� mais do que ningu�m sabe tudo o que eu passei e mesmo assim estou aqui firme e forte. E do mesmo modo que voc� esteve ao meu lado quando eu mais precisei eu tamb�m vou estar do seu lado para tudo o que precisar.

- Obrigada Alexia voc� n�o sabe o quanto as suas palavras me fazem bem. � agradeceu Julia.

- Mas em todo o caso n�s podemos virar um casal gay e voc� adotar minhas filhas. � brincou Alexia. � N�o precisamos de homens!!

- � uma ideia para ser levada em considera��o viu. � disse Julia entrando na brincadeira. � Eu quero ser o homem da rela��o.

- Viu como vai passar, voc� j� est� at� rindo das minhas bobagens. � disse Alexia rindo. � Voc� acha mesmo que ele vai tirar as coisas dele do seu apartamento hoje?

- Vai sim, Leandro n�o gosta de confus�o. E se ele n�o tirar eu vou jogar tudo fora e colocar fogo! � disse ela decidida. � Eu sou capaz disse e voc� sabe!

- Eu sei bem, me lembro quando voc� cortou a jaqueta preferida do seu namoradinho de faculdade quando ele n�o quis te levar numa festa. � relembrou Alexia gargalhando. � Lembro da express�o dele at� hoje.

- Verdade, acho que ele tem medo de mim at� hoje!! � concordou ela gargalhando tamb�m. � Ele bem que mereceu achando que podia me enrolar.

Conversar com Alexia sempre fazia ela se esquecer dos problemas, e relembrar os velhos tempos de faculdade era sempre bom. J� passava da meia noite quando Julia decidiu ir embora.

- Se voc� quiser pode dormir aqui. � ofereceu Alexia preocupada. � J� est� tarde � perigoso andar sozinha e tamb�m voc� corre o risco de Leandro ainda estar no seu apartamento.

- Eu preciso ir para casa, amanh� temos auditoria no departamento esqueceu. � recusou ela educada. � Ele n�o vai estar l� eu garanto e tamb�m prometo n�o parar em sinais fechados. Ao noite, at� amanh�.

Quando Julia entrou no apartamento tudo estava em completo sil�ncio, o lado do closet de Leandro estava vazio assim como suas gavetas, seus pertences do banheiro tamb�m tinham sido tirados. Julia respirou aliviada, quando tivesse tempo faria uma faxina no apartamento para tirar qualquer vest�gio da passagem de Leandro, n�o queria encontrar nada que lembrasse ele. Ap�s um banho demorado, trocou os len��is da cama e deitou, j� quase pegava no sono quando seu celular tocou era sua irm� Miranda, Julia n�o queria atender, mas sabia que se n�o atendesse ela ia continuar insistindo.

- Voc� quer matar a mam�e de preocupa��o �?!! Sa� de casa fugindo de todo mundo, n�s somos a sua fam�lia Julia s� queremos o teu bem!! � reclamou Miranda brava. � Voc� est� bem?