Efeito das superfícies cerâmicas no desgaste do esmalte dos dentes antagonistas por Anna Liubushka Olivera Belsuzarri - Versão HTML

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ANNA LIUBUSHKA OLIVERA BELSUZARRI

EFEITO DAS SUPERFÍCIES CERÂMICAS NO DESGASTE DO

ESMALTE DOS DENTES ANTAGONISTAS

São Paulo

2004

Anna Liubushka Olivera Belsuzarri

Efeito das superfícies cerâmicas no desgaste

do esmalte dos dentes antagonistas

Tese apresentada à Faculdade de Odontologia da

Universidade de São Paulo, para obter o Título de

Doutor, pelo Programa de Pós-Graduação em

Odontologia.

Área de Concentração: Dentística

Orientadora: Profa . Dra Márcia Martins Marques

São Paulo

2004

FOLHA DE APROVAÇÃO

Belsuzarri ALO. Efeito das superfícies cerâmicas no desgaste do esmalte dos dentes antagonistas [Tese Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

São Paulo, / /2004

Banca Examinadora

1) Prof (a).Dr.(a)______________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:_______________________________Assinatura _________________

2) Prof (a).Dr.(a)______________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:_______________________________Assinatura _________________

3) Prof (a).Dr.(a)______________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:_______________________________Assinatura _________________

4) Prof (a).Dr.(a)______________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:_______________________________Assinatura _________________

5) Prof (a).Dr.(a)______________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:_______________________________Assinatura _________________

DEDICATÓRIA

Ao meu pai Rafael (in memoriam), exemplo

de determinação, coragem e dedicação,

que sempre torceu pelo meu sucesso. Sei

que ele está ao meu lado participando e me

dando suporte nesse momento.

A minha mãe, pessoa que eu admiro a cada

gesto, por me dar a mão por qualquer caminho

que eu percorra, pelo amor e estímulo que

foram fundamentais para atingir este objetivo.

5

A minha irmã Milzi, pelo amor e apoio que

sempre estiveram presentes no decorrer

da minha vida.

Ao meu namorado Pierre, pelo amor, força e

estímulo presentes em todos os momentos.

Obrigado por estar ao meu lado.

Dedico este trabalho à vocês.

AGRADECIMENTO ESPECIAL

A Professora Dra. Márcia Martins Marques, pessoa que mesmo com tantos afazeres sempre mostrou-se a disposição, dando estímulo, esclarecendo dúvidas e com valiosas sugestões para a esperada conclusão deste trabalho, sem a qual não teria atingido meu objetivo, a minha eterna gratidão.

7

AGRADECIMENTOS

A Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), pela oportunidade oferecida.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo período em que nos concedeu bolsa de estudo.

Ao Prof. Dr. Edmir Matson, por confiar em mim, por compartilhar seus conhecimentos e incentivo constante.

Ao Prof. Dr. Tetsuo Saito, pessoa por quem tenho profundo respeito e admiração, incentivador constante do meu desenvolvimento profissional.

Ao Prof. Dr. Mauricio Matson, por contribuir na realização da análise estatística dos resultados obtidos neste estudo.

A Profa. Elisa Maria Agueda Russo, pelo apoio e colaboração prestada.

Ao Técnico Walter Soares pela gentileza na confecção das matrizes utilizadas no experimento, pelo apoio e auxilio.

8

A empressa Mitutoyo, que tão gentilmente cedeu suas instalações para a realização deste trabalho. Especialmente ao pessoal do Departamento Técnico; Pedro Nakashima, Everaldo Costa da Silva, Daniel Hipólito e Tatiana Dias Santana.

A empressa Dentsply, que cedeu as dependências do Laboratório Dental, para a realização desta pesquisa. Em especial a Consultora Técnica Maria Takeshita, pela colaboração e esclarecimentos técnicos da área laboratorial.

Ao Dr. Sergio Lian Branco Martinez, Consultor Técnico da IVOCLAR, pela assistência e disponibilização de seu laboratório, ao Técnico Romildo Da Conceição, pelo apoio e tempo para esclarecimentos técnicos da área laboratorial.

Às funcionarias da Biblioteca da Faculdade de Odontologia da USP, Aguida Feliziani, Maria Aparecida Pinto, Vânia Martins Bueno e Luzia Marilda Z.M. Moraes pela orientação, dedicação na revisão e formatação deste trabalho.

Às funcionarias do serviço de pós-graduação Catia, Nair e Alessandra, pelo auxílio e dedicação.

A meus colegas Adriana Fruges e Renato Fleury Silveira, pela sua colaboração, estímulo e amizade durante estes anos.

A todos os professores, colegas, técnicos, amigos e pessoas que de alguma forma contribuíram com a elaboração deste trabalho, que a omissão de nomes não atenue nosso agradecimento.

Belsuzarri ALO. O efeito das superfícies cerâmicas no desgaste do esmalte dos dentes antagonistas [Tese de Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

RESUMO

O efeito das superfícies cerâmicas no desgaste do esmalte antagonista foi estudado in vitro. Foram avaliados os desgastes produzidos pelas porcelanas glazeadas e polidas. Para tal finalidade utilizaram-se cinco cerâmicas: IPS Empress 2 (Ivoclar), IPS Empress (Ivoclar), Duceram Plus (Degussa), Duceram LFC (Degussa) e Symbio (Degussa). Oito conjuntos dente e cerâmica foram testados para cada situação, com carga padronizada e imersos em água a 37 0 C. As medidas do desgaste do esmalte e cerâmica foram avaliadas após 150000 e 300000 ciclos. Os resultados revelaram que o desgaste final do esmalte do dente antagonista foi significantemente menor quando as cerâmicas foram polidas. A quantidade do desgaste do esmalte antagonista foi maior nos primeiros 150000 ciclos. A cerâmica IPS Empress provocou um desgaste significativamente maior do esmalte do dente antagonista quando comparada com as outras cerâmicas testadas (p<0,01). As rugosidades iniciais das superfícies cerâmicas foram diferentes entre si, sendo que diminuíram após o polimento, exceto para a cerâmica IPS Empress. Não houve correlação entre a rugosidade superficial inicial das cerâmicas com o desgaste gerado no esmalte dos dentes antagonistas.

Palavras-Chave: Desgaste - Esmalte – Cerâmicas – Rugosidade superficial.

Belsuzarri ALO. The effect of glazed and polished ceramics on the wear of human enamel [Tese Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

ABSTRACT

The effect of glazed and polish dental ceramic on the wear of human enamel was studied in vitro. Five ceramics: IPS Empress 2 (Ivoclar), IPS Empress (Ivoclar), Duceram Plus (Degussa), Duceram LFC (Degussa) and Symbio (Degussa), were tested in water at 37 0 C, under standard load. The amount of wear enamel and specimens was determined after 150000 and 300000 cycles. The results showed that the polished ceramics produce less amount of enamel wear. The amount of enamel wear opposite to IPS Empress ceramic was significant higher (p<0,001). The enamel wear rate increased on the first 150000 cycles. Differences between roughnesses were found in all ceramics, the roughness decreased when the ceramics were polished except for IPS Empress ceramic. No correlation on the roughness and enamel wear were found.

Key Words: Enamel – Ceramic – Wear – Roughness.

LISTA DE TABELAS

Tabela 5.1 - Desgastes médios finais (mm) + o erro padrão das medias das cerâmicas e do esmalte dos dentes antagonistas em função dos tratamentos (glazeamento e polimento)...............................................62

Tabela 5.2 - Desgastes verticais médios (mm) + o erro padrão das medias das cerâmicas e do esmalte dos dentes antagonistas em função do número de ciclos...............................................................................................63

Tabela 5.3 - Média da rugosidade superficial (Ra) + o erro padrão das medias das cerâmicas antes da ciclagem mecânica ..............................................63

Tabela 5.4 - Comparação dos desgastes verticais finais do esmalte do dente antagonista (mm) às cerâmicas glazeadas e polidas ..........................64

Tabela 5.5 - Comparação do desgaste do esmalte do dente antagonista (mm) às cerâmicas polidas ................................................................................66

Tabela 5.6 - Comparação dos desgastes do esmalte dos dentes antagonistas (mm) às cerâmicas glazeadas ......................................................................67

Tabela 5.7 - Comparação entre os desgastes do esmalte dos dentes antagonistas às cerâmicas (mm) em função das fases da ciclagem mecânica ........68

Tabela 5.8 - Comparação entre os desgastes totais das cerâmicas glazeadas (mm) ....................................................................................................69

Tabela 5.9 - Comparação entre os desgastes totais das cerâmicas polidas (mm) ..70

Tabela 5.10 - Comparação dos desgastes verticais finais das cerâmicas glazeadas e polidas (mm) ........................................................................................71

Tabela 5.11 - Comparação das rugosidades superficiais (Ra) entre as cerâmicas glazeadas ............................................................................................72

Tabela 5.12 - Comparação das rugosidades superficiais (Ra) entre as cerâmicas polidas .................................................................................................73

Tabela 5.13 - Comparação das rugosidades superficiais (Ra) entre as cerâmicas glazeadas e as polidas ........................................................................74

Tabela 5.14 - Correlação entre a rugosidade superficial inicial das cerâmicas (Ra) e os desgastes totais do esmalte dos dentes antagonistas às cerâmicas (mm) ....................................................................................................75

SUMÁRIO

p.

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................13

2 REVISTA DA LITERATURA ...............................................................15

3 PROPOSIÇÃO ....................................................................................45

4 MATERIAL E METODO ......................................................................46

4.1 Preparo das amostras ....................................................................46

4.1.1 Confecção dos discos cerâmicos ..................................................47

4.1.1. 1 Amostras confeccionadas no Laboratório Dental Da Degussa .48

4.1.1. 2 Amostras confecionadas no laboratório LIAN (Ivoclar)..............50

4.2 Inclusão das amostras ...................................................................53

4.3 Testes de rugosidade superficial..................................................54

4.4 Testes de ciclagem mecânica .......................................................54

4.5 Medidas do desgaste .....................................................................56

4.6 Tratamento estatístico dos dados ................................................60

5 RESULTADOS ....................................................................................62

6 DISCUSSÃO .......................................................................................76

7 CONCLUSÕES ...................................................................................85

REFERÊNCIAS ......................................................................................86

APÊNDICES...........................................................................................92

13

1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, a busca por restaurações mais estéticas proporcionou uma constante evolução dos materiais odontológicos, principalmente das cerâmicas, motivando estudos para este fim.

As cerâmicas têm merecido atenção e destaque, inicialmente porque nenhum outro material consegue reproduzir a beleza e naturalidade de um dente como elas, e também por apresentarem vantagens incontestáveis como a estabilidade de cor, resistência ao manchamento, ao desgaste e biocompatibilidade. No entanto, as restaurações cerâmicas têm deficiências que impedem sua indicação irrestrita, sendo que a principal está relacionada com o desgaste do dente antagonista. O

aumento da resistência mecânica traz consigo o aumento da dureza, podendo ocasionar um desgaste exagerado no esmalte (RAMP; RAMP; SUZUKI, 1997; ROSEMBLUM; SCHULMAN, 1997; FARLEY et al., 1999; IMAI; SUZUKI; FUKUSHIMA, 1999).

As características da superfície como a lisura e o glaze poderiam estar influenciando na resistência ao desgaste da cerâmica e no desgaste excessivo do esmalte antagonista. Qualtrough, Wilson e Smith, 1990, relataram que a quantidade do desgaste estaria influenciado pela dureza do material cerâmico e sua rugosidade superficial.

A maioria de restaurações protéticas, na clínica, recebem ajustes oclusais posteriores ao ato da cimentação, não podendo ser encontrada na literatura, informação, de como este ajuste no material cerâmico pode estar influindo no desgaste do esmalte antagonista. A impossibilidade de realizar trabalhos deste tipo 14

in vivo por questões éticas, direciona os pesquisadores para desenvolverem trabalhos in vitro, que embora apresentem limitações na sua representação do fenômeno, ajudam a compreender melhor os mecanismos pelos quais ocorre o desgaste do dente antagonista, ajudando assim a criar uma base científica clara para a melhor indicação de materiais restauradores.

Com o propósito de melhor entender o desgaste do dente antagonista a cerâmicas polidas realizamos este estudo que analisou a relação da rugosidade superficial das cerâmicas com o desgaste do dente antagonista. Adicionalmente, mensuramos e comparamos o desgaste das cerâmicas polidas e das cúspides dentárias antagonistas após ciclagem mecânica.

15

2 REVISTA DA LITERATURA

Monasky e Taylor (1971) salientaram a problemática da utilização das porcelanas em restaurações anteriores e posteriores, e a utilização das mesmas nas superfícies oclusais, pois requerem adequada técnica clínica para obter uma restauração bem sucedida a longo prazo. Um erro comum é deixar uma inadequada espessura do material, que freqüentemente resultará em uma fratura. Além disso, a necessidade do desgaste da restauração durante o ajuste oclusal resulta em um material altamente abrasivo e potencialmente destrutivo à superfície de esmalte antagonista.

Christensen (1986) determinou as atitudes e prática de dentistas com relação à utilização de coroas metalocerâmicas (CMC). Um questionário desenvolvido pelo Comitê Científico de Investigação da Academia Americana de Odontologia Estética foi desenvolvido para ser preenchido na reunião anual da Academia. Oitenta profissionais preencheram este questionário e após a avaliação os resultados obtidos foram: as CMC são as mais utilizadas; coroas em ouro não são tão utilizadas quando comparadas às anteriores. Os profissionais consideraram as CMC

restaurações de extremo sucesso; apesar disto os profissionais respondem que preferem coroas com metal na superfície oclusal se fosse para sua própia boca.

Lambrechts, Braem e Vanherle (1987b) avaliaram o desgaste do esmalte dental, in vivo. Para o teste estudaram áreas de contato oclusal de pré-molares e molares em contato com amálgama, e quantificaram os desgastes sofridos por ambas superfícies. Foram realizadas avaliações no 10, 20, 30 e 40 ano, sendo que após um ano a média para o desgaste nos pré-molares foi de 23 µm, e nos molares 16

de 39 µm. Nas restaurações de amálgama, a média de desgaste anual foi de 40 µm, nos pré-molares; e 54 µm nos molares.

Campell (1989) observaram por microscopia eletrônica de varredura (MEV) o efeito do polimento em dois materiais cerâmicos; Dicor e Cerestore. Os espécimes que não foram polidos apresentaram o aspecto mais áspero. O polimento da cerâmica Dicor com o Kit Shofu para ajuste e com a pasta de polimento diamantada com granulação de 0,2 µm resultou em uma superfície lisa e mais fissurada. Ao MEV, a melhor lisura foi obtida quando foi aplicada a caracterização extrínseca.

Christensen (1989) avaliando as restaurações indiretas estéticas ressaltou que ainda não há observação a longo prazo das inlay/onlay em porcelana para fazer um julgamento adequado sobre elas. O desgaste dos dentes antagonistas, provocado por alguns materiais e a fratura de restaurações em outros materiais tem causado preocupações. Apesar disso, a longevidade esperada das inlays/onlays em porcelana é maior que dos em resina, 10 a 6 anos respectivamente.

Willey (1989) salientou que o poder abrasivo das restaurações cerâmicas contra o esmalte dentário é um problema para a classe odontológica. Pois a perda do esmalte dentário é irreversível. Sendo que os efeitos nocivos das restaurações cerâmicas antagonistas aos dentes naturais só são visíveis ao longo do tempo. É de grande importância que esta informação seja dada ao paciente junto com outras alternativas, para que depois seja tomada uma decisão final sobre o plano de tratamento a seguir. O objetivo das restaurações deve atingir a estética, porém deve levar em consideração a preservação dos tecidos remanescentes.

Lambrechts et al. (1989) quantificaram o desgaste do esmalte dental humano em áreas de contato oclusal por um período de 4 anos. Foram selecionados 21

pacientes com dentição completa e oclusão normal. Os dentes foram examinados 17

aos 6, 12, 18, 24, 36 e 48 meses. Os resultados mostraram que o desgaste nos molares foi maior do que nos pré-molares durante os 6 períodos de avaliação.

Raimondo, Richardson e Wiedner (1990) compararam o polimento alcançado com o uso de quatro diferentes pastas diamantadas com o obtido pelo réglazeamento e emprego de um kit de pontas de silicone (Shofu) para ajuste e polimento de porcelana. As amostras foram avaliadas por examinadores independentes (análise visual) e por microscopia eletrônica de varredura (MEV).

Pela análise visual, os dois sistemas de pasta de polimento mostraram resultados iguais ou melhores que os apresentados pela porcelana glazeada. A análise em MEV das amostras polidas com o kit Shofu mostrou um melhor aspecto superficial quando comparado com os outros sistemas de polimento. Os autores relataram que, para um refinamento do resultado, o kit de pontas de silicone deveria ser utilizado em associação a uma pasta de polimento diamantada fina.

Nel, Van Vuuren e Dannheime (1990) acreditando que as restaurações em porcelana são as melhores alternativas onde a estética é de importância primordial, apontaram como vantagens das inlays/onlays de porcelana a estabilidade de cor, ser quimicamente inerte, apresenta resistência à corrosão, biocompatibilidade, resistência às forças mastigatórias quando unido à estrutura dentária, ser economicamente mais vantajosa que o ouro. No entanto, incluem como desvantagens o fato da porcelana produzir um desgaste exagerado no dente natural antagonista durante a mastigação, ser quebradiça e ter baixa resistência à tração.

Seghi, Rosenstiel e Bauer (1991) fizeram uma análise da correlação entre o desgaste do esmalte dental e a dureza de diferentes materiais cerâmicos disponíveis no comércio. Utilizaram dentes humanos antagonistas a cinco materiais cerâmicos para avaliar a dureza Knoop e também o desgaste do esmalte como superfície 18

antagonista. Os valores de desgaste do esmalte de acordo com o material na superfície antagonista mostraram que o material Optec ocasionou o maior desgaste do esmalte e o Dicor o menor. A dureza Knoop apresentou pobre correlação dos materiais cerâmicos e o seu potencial de desgaste do esmalte humano.

Palmer et al. (1991) estudaram o efeito da cerâmica com e sem aplicação de pintura extrínseca em relação ao desgaste do esmalte. Como controle foi avaliado o desgaste produzido por porcelana dental convencional. Três grupos de nove cones de esmalte foram abrasionados contra discos de porcelana obtidos pela técnica da cera perdida com pintura extrínseca, cera perdida sem pintura extrínseca e porcelana convencional. O desgaste de esmalte foi obtido por medidas microscópicas antes e após a abrasão. Desgastes significantemente maiores foram observados com a porcelana obtida pela cera perdida com pintura extrínseca. Estes resultados levaram os autores a sugerir que a cerâmica obtida pela cera perdida com pintura extrínseca não deveria ser usada em regiões onde o antagonista é dente natural.

Jacobi, Shillinburg e Duncanson (1991) recomendaram que o glaze da superfície das porcelanas deve ser removido das superfícies oclusais, pois a dureza do glaze é maior quando comparado com a camada interna da porcelana, já que esta superfície seria mais abrasiva. Tradicionalmente o réglazeamento é o método escolhido para restaurar a superfície de porcelana desgastada, mas os autores afirmaram que um bom polimento da superfície resulta em uma porcelana menos abrasiva que a porcelana glazeada. Eles confirmaram que a superfície de porcelana produz uma abrasão excessiva na superfície de esmalte antagonista, e que deve se ter cuidado na seleção dos pacientes, quando utilizada em superfícies oclusais.

Mair (1992) fez uma revisão da literatura do significado da terminologia 19

desgaste na odontologia. O autor alegou que existe uma confusão no que se refere ao fenômeno do desgaste dentário, que é considerado usualmente em termos de suas manifestações clínicas antes de seu processo básico fundamental. A disciplina mãe do estudo deste processo é a tribiologia. Os termos atrição, abrasão e erosão são comuns na disciplina de dentística e tribiologia, porém os significados são diferentes. O desgaste é um processo natural que acontece quando duas ou mais superfícies em movimento entram em contato uma com a outra. O dente em movimento, e contatante junto a outras restaurações, produz um desgaste inevitável.

Este processo é dependente da estrutura das superfícies, o estresse de contato, a atividade do meio lubrificante, a temperatura e a duração de contato. Em alguns pacientes o desgaste pode provocar problemas funcionais, estéticos e restauradores. Se necessário, o manejo do desgaste envolve a substituição dos dentes perdidos com materiais dentários, com o intuito de minimizar os fatores etiológicos. O mecanismo do desgaste pode ser: abrasão, que descreve o desgaste de uma superfície por meio de partículas ásperas abrasivas e é subdividida em dois tipos: abrasão a dois corpos, quando existem duas superfícies contactantes e abrasão a treis corpos, quando existem partículas entre ambas superfícies.

Desgaste por fadiga, que acontece como resultado da formação e propagação de micro-trincas na superfície quando duas superfícies estão em movimento e com carga dinâmica. O desgaste é o resultado do contato direto entre o dente e qualquer partícula abrasiva durante a mastigação ou durante movimentos parafuncionais.

Adicionalmente a este processo físico existe o efeito químico da dieta ou regurgitação dos ácidos. Os termos atrição, abrasão e erosão têm sido utilizados para descrever o desgaste dos materiais restauradores e do tecido dentário. A atrição descreve o desgaste dos dentes em regiões de contato direto entre os 20

dentes. A mesma terminologia foi adotada por Lambrechts , Braem e Vanherle (1987a) para descrever o desgaste das restaurações em regiões de contato oclusal.

A atrição dentária é manifestada em desgaste das cúspides e incisal associados a facetas de desgaste nas superfícies palatais e oclusais. A erosão descreve a perda de superfície como resultado de um fluido. Normalmente no que diz respeito aos tecidos dentários, a erosão é utilizada para descrever a perda da superfície dentária como resultado de sua exposição a ácidos que não são de origem bacteriana. Esta foi subdividida em dieta, regurgitação e erosão industrial, dependendo da origem do àcido. A abrasão é utilizada, pelos cientistas dos materiais dentários, para descrever o desgaste das restaurações na região de não contato. Estas manifestações de perda de substância ao longo da restauração, com subseqüente exposição das margens do esmalte foram comumente descritos nas primeiras tentativas de restaurações com resina composta. O autor faz referência a Power e Craig (1972) demonstraram que o desgaste dos cristais de hidroxiapatita resultava de trincas nos cristais, e Powell, Phillips e Norman (1975) consideraram que a fadiga é muito importante no desgaste do esmalte.

Delong, Pintado e Douglas (1992) investigaram se a caracterização externa da porcelana alterava substancialmente o desgaste do esmalte antagonista. Foram testados dois sistemas cerâmicos: o de vidro fundido e uma cerâmica convencional e utilizaram o ouro para cerâmica como grupo controle. Foram realizados um total de 300000 ciclos, com carga de 13,4 N. Foi analisado o desgaste a cada 150000 ciclos, podendo-se observar que a velocidade do desgaste esteve incrementada nos primeiros 150000 ciclos e que depois foi decrescendo com o tempo. A análise dos resultados demonstrou que o ouro que é geralmente considerado o material ideal restaurador para o esmalte antagonista, provocou o menor desgaste e a cerâmica 21

convencional caracterizada provocou o maior desgaste da superfície do esmalte quando comparado com o sistema de vidro fundido caracterizado, em uma proporção de 3 a 1. Este último provocou maior desgaste que o ouro, numa proporção de 2 a 1. O coeficiente de desgaste do esmalte antagonista com o sistema de vidro fundido caracterizado foi 70% do coeficiente do desgaste com a cerâmica caracterizada, mas o coeficiente de desgaste do esmalte antagonista quando utilizado o vidro fundido caracterizado é cinco vezes maior que com o vidro fundido sem caracterização e é duas vezes maior que a cerâmica convencional não caracterizada. Estes resultados indicam que a caracterização das cerâmicas e do sistema de vidro incrementa o desgaste da superfície do esmalte. Os achados sugerem que as restaurações cerâmicas em contato com superfícies de esmalte não devem ser caracterizadas.

Hulterström e Bergman (1993) avaliaram vários sistemas de polimento em uma cerâmica dental, a Vita Mark I ( porcelana feldespática própria para o sistema CAD-CAM). Foram utilizados dois sistemas de polimento; discos de papel impregnados com abrasivo (Soflex, 3M) e pontas de silicone impregnadas com abrasivo (Shofu Porcelain Laminate Polishing Kit), sendo também analisado outro grupo de porcelanas (Vitadur, Dicor, Dicor MGC, IPS Empress, Mirage, Vita Mark I e Vita Mark II) em combinação com uma pasta de polimento de diamante. As análises foram realizadas com rugosímetro, utilizando o parâmetro Ra, onde eram registradas a rugosidade inicial e as condições observadas após os vários estágios do polimento. Nesta segunda parte da pesquisa, os dois sistemas de polimento possibilitaram um polimento satisfatório. O uso de uma pasta de polimento de diamante não trouxe vantagens quando o sistema Soflex foi empregado. Já para o sistema da Shofu, o efeito da pasta foi mais variável.

22

Ekfeldt et al. (1993) analisaram in vivo o desgaste por abrasão de diferentes materiais restauradores antagonistas com dentes naturais (porcelana, resina composta de micropartículas e ouro). Para tal finalidade fizeram restaurações as quais ficaram na cavidade oral, com função mastigatória por um mês. Logo após, os materiais foram analisados e os resultados revelaram que a maior resistência à abrasão foi apresentada pela porcelana, seguida pelo ouro. Observou-se que a resina composta teve um desgaste de quatro a cinco vezes maior que os outros materiais estudados. Os autores observaram que a porcelana sofreu desgaste por fadiga, o desgaste apresentado pelo ouro foi por abrasão e que a resina composta sofreu abrasão triboquímica. As observações realizadas pela microscopia eletrônica de varredura mostraram que nos pontos de contato oclusal a porcelana sofreu perda do glaze.

Krejci et al. (1993) analisaram in vitro o desgaste das superfícies de restaurações de porcelana e do esmalte de cúspides antagonistas, usando 3

materiais cerâmicos: Dicor com a superfície polida, Biodent, IPS Empress com a superfície polida, IPS Empress com a superfície caracterizada. Os resultados mostraram que a porcelana Biodent e o Dicor não mostraram diferenças no que diz respeito ao desgaste e que o IPS Empress tanto o grupo polido como o grupo caracterizado, apresentaram um desgaste menor sendo que entre ambos apresentou um menor desgaste o grupo polido. No que diz respeito ao desgaste do esmalte antagonista, os grupos de IPS Empress polido e glazeado provocaram o menor desgaste. A análise por microscopia eletrônica revelou que o glaze foi completamente removido nas áreas de contato após a finalização dos testes. Os autores concluem que o desgaste do esmalte estaria dado pela combinação da dureza do material e a rugosidade apresentada na superfície.

23

Krejci, Lutz e Reimer (1994) verificaram que a porcelana feldespática tradicional para o sistema CAD/CAM (Mark II, Vita) composta de micro-partículas apresenta um menor potencial de desgaste do esmalte antagonista quando comparado com a porcelana feldespática tradicional. Puderam também verificar que os trabalhos in vitro, relacionados ao desgaste apresentam resultados bastante controversos, porém, os autores afirmam que a perda de estrutura da própria porcelana interfere no desgaste do antagonista. Outro aspecto interessante é a superfície altamente polida da restauração de porcelana que apresenta menor potencial de desgaste do esmalte antagonista quando comparada com aquela que é apenas glazeada em forno. O polimento remove falhas e porosidades da superfície deixando a porcelana mais resistente, mais lisa causando menor acúmulo de placa bacteriana.

Scurria e Powers (1994) estudaram o efeito de cinco tipos diferentes de polimento (1- pontas diamantadas com granulação fina; 2- broca carbide de 30

lâminas; 3- pontas de silicone; 4- pasta de diamante 5- pontas de óxido de alumínio e duas pastas de óxido de alumínio) na rugosidade superficial de dois materiais cerâmicos: Ceramco II e Dicor MGC. A análise da rugosidade superficial utilizando o parâmetro Ra mostrou que a superfície glazeada apresentou uma superfície mais rugosa que a superfície polida, e que a cerâmica Ceramco II apresentou uma rugosidade maior. A técnica que utiliza pontas diamantadas em granulações decrescentes seguido da utilização de pasta diamantada foi a que obteve a menor rugosidade. No caso do Dicor a utilização de pontas de óxido de alumínio e pastas de óxido de alumínio teve o mesmo efeito que com a técnica que utiliza as pontas diamantadas seguidas de pasta diamantada. Em geral a rugosidade encontrada depois de realizados os procedimentos de polimento foi menor.

24

Kawai e Tsuchitani (1994) fizeram uma comparação de dois métodos para medir desgaste de materiais. Para tal finalidade foram utilizados molares hígidos, os quais foram inclusos em acrílico deixando a superfície vestibular exposta. Foram feitos preparos cilíndricos nas superfícies dentárias com as seguintes dimensões: 4

mm de diâmetro e 3 mm de profundidade. Foram feitas restaurações com os diferentes materiais pesquisados. Para efetuar o desgaste utilizaram um aparelho de desgaste, utilizando como meio entre ambas superfícies partículas esféricas de polimetil metacrilato (PMMA), para execução de um teste a três corpos, pois os autores salientaram que o defeito que produz o desgaste se encontrava na superfície dos materiais testados. O desgaste foi realizado com uma carga de 75 N

com 2 Hz de freqüência, realizando-se um total de 400000 ciclos. Foram feitas réplicas com silicone. Os autores descreveram o desgaste como a profundidade do material perdido, determinada pelas margens da cavidade produzida pelo impacto, para ambos dos métodos de análise estudados. Um método é a medição por meio de um perfilómetro e outro método de análise por imagem de superfície da amostra testada. Os resultados do estudo revelaram que o método de medição pelo perfilómetro tem valores semelhantes aos do método de análise por imagem de superfície.

Ratledge, Smith e Wilson (1994) investigaram o desgaste do esmalte dental antagonista a resina composta convencional, amálgama, resina composta de micropartículas, porcelana glazeada, cerâmica sem glaze e esmalte humano (controle) em uma máquina de ensaio mecânico. Os teste foram realizados em água e em ácido cítrico (pH=4) e os pares de esmalte - material foram submetidos a 25000 ciclos com carga máxima de 40N. A profundidade de desgaste dos materiais foi analisada por um perfilômetro. Todos os materiais produziram maior desgaste no 25

esmalte em meio ácido. A porcelana com glaze Vitadur-N demonstrou a ação mais destrutiva em relação ao esmalte humano seguida da cerâmica sem glaze IPS

Empress. A resina composta convencional produziu maior desgaste quando comparada à resina de micropartículas. Os autores puderam concluir que a porcelana oclusal pode ser danosa para a superfície do esmalte antagonista.

Jagger e Harrison (1994) preocuparam-se em analisar o desgaste produzido pela superfície de porcelana Vita glazeada, não glazeada e polida sobre o esmalte antagonista. Os resultados do estudo demonstraram que as porcelanas glazeadas e as não glazeadas provocaram efeitos similares na superfície do esmalte antagonista.

Verificaram também que a superfície glazeada foi removida depois de duas horas do teste o que corresponderia aproximadamente a dois dias de uso intra-oral. Os autores concluíram que o desgaste produzido no esmalte antagonista pela superfície de porcelana glazeada e não glazeada foi similar, e que a superfície de porcelana polida produz um desgaste substancialmente menor do esmalte antagonista. Os autores sugerem que depois de um ajuste na superfície oclusal, a porcelana deve ser polida e não deve ser realizado um réglazeamento da porcelana.

Jahanmir e Dong (1995) realizaram experimentos para determinar o mecanismo de desgaste das cerâmicas dentais. Para esta finalidade foi utilizada a cerâmica Dicor MGC antagonista a alúmina AD-998. As amostras foram feitas em formato esférico com um diâmetro de 12,7 mm. Os testes foram conduzidos no aparelho de desgaste linear. Foram feitos 500 ciclos com uma carga de 4,9 N, não foi utilizada nenhuma lubrificação. O desgaste foi medido usando um projetor de perfil, para tal finalidade fizeram-se de 3 a 5 traçados horizontais perpendiculares a linha de deslizamento. O coeficiente de desgaste foi calculado dividindo o volume do desgaste, pela linha do desgaste e o peso. O coeficiente do desgaste da cerâmica 26

foi maior que o coeficiente do desgaste das bolas de alumina. Os resultados da análise pelo MEV sugeriram que o desgaste da alúmina ocorreu por um processo de fino polimento e no caso da cerâmica ocorreu primeiro um processo de fratura ao longo da interface mica-vidro como nos planos de clivagem basais da mica. Os autores concluíram que o processo do desgaste das cerâmicas dentais está controlado pela resistência às pequenas fraturas.