Eram os Deuses Astronautas? por Erich von Däniken - Versão HTML

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Eram os Deuses Astronautas?

Erich von Däniken

APRESENTAÇÃO

( JOÃO RIBAS DA COSTA)

Jung e seus discípulos parecem acreditar que certas recordações cósmicas tem sido transmitidas de geração em geração e influenciam, até hoje, os sonhos dos homens.

Por outras palavras: em maior ou menor grau, cada ser humano leva consigo a memória da espécie.

Quase totalmente inibida, manifesta se parcial e esporadicamente em sonhos, revelando se mais ativa, e de maneira muito especial, em determinadas pessoas.

Nessa ordem de idéias, seriam exemplos de tais indivíduos excepcionais e privilegiados homens como Platão, Leonardo Da Vinci, Dante, Swift ou Vítor Hugo. As revelações de Platão sobre a discutida Atlântida; as estupendas realizações de Da Vinci, que o colocaram muito à frente de sua época; a minuciosa descrição do Cruzeiro do Sul, feita por Dante 200 anos antes que os navegadores da Renascença vissem, pela primeira vez, aquela constelação; a enumeração dos satélites de Marte, a especificação de suas dimensões e de suas órbitas peculiaríssimas, 150 anos antes que Asaph Haíl os descobrisse; os combates e outras peripécias de gigantes, que integram La Légende des Siécles... tudo isso não seria produto genial de vivíssima imaginação mas apenas aproveitamento de memórias atávicas, particularmente claras, de um passado cujos registros na maior parte se perderam.

Mas, por todo o globo terrestre, avultam vestígios muito mais concretos do que simples sonhos, e que gritantemente nos afirmam a realidade de um maravilhoso passado a recordar. São monumentos e realizações que a História conhecida absolutamente não explica e, muito menos, justifica: a origem e a finalidade de Stonehenge; as características incríveis da Pirâmide de Quéops, e os insondáveis propósitos de seus construtores; os misteriosos balizamentos de 250 metros de altura, entalhados, em altas penedias do Pacifico oriental; os maravilhosos calendários maias; objetos de platina ou alumínio, velhos de milhares de anos, que não poderiam ter sido fabricados sem certas técnicas só agora disponíveis; relatos, inscrições, relevos em pedra, cuja substância e significado somente o progresso das últimas décadas permite interpretar... E tantos outros mistérios que desnecessário seria enumerar porque deles estão cheias as páginas deste interessantíssimo livro.

Tem se a nítida impressão de que, da longa História Humana, só se conhece uma parte muito curta, a mais recente... o último volume: os primeiros se perderam, ou não chegaram a ser escritos, o que é improvável. Para dizer a verdade, não se trata apenas de uma impressão, mas de certeza, pois se sabe, por outras fontes, cientificamente aceitas, que o Homo sapiens existe há dezenas de milhares de anos, dos quais a História só registra, e muito insatisfatoriamente, os últimos seis milênios.

O passado desconhecido sempre despertou intensa curiosidade, mas, também, acalorados debates.

Já Aristóteles, contemporâneo de Platão, mas muito mais moço que ele, considerava puro mito a decantada Atlântida. Isto não impediu que o relato chegasse até nós, como não arrefeceu a discussão do assunto no correr do tempo. Há atualmente mais de 2.000 livros e 25.000 folhetos ou artigos dedicados exclusivamente a essa suposta, ou real, civilização perdida.

A investigação pré-histórica é hoje mais empenhada e mais dinâmica do que em qualquer outra época, porque as notáveis realizações da tecnologia moderna curiosamente vêm fornecendo pistas cada vez mais nítidas do caminho a palmilhar na interpretação dos estranhos registros que nossos antepassados perpetuaram na rocha viva.

O livro "Eram os Deuses Astronautas?" não pretende certamente substituir os volumes iniciais perdidos da História Universal. Mas é uma provocação irresistível ao debate. É um corajoso desafio aos especialistas dos vários ramos da Ciência, no sentido de que enfrentem juntos, de uma vez por todas, as inumeráveis provas de que muito aconteceu na Antigüidade e a História não registra, e lhes encontrem a verdadeira significação, seja ela qual for. Só assim poderemos, afinal, saber ao certo o que fomos e o que realizamos no passado longínquo. Saberemos, então, como, quando, em que e por que fracassamos em certo momento, a ponto de destruir, aparentemente da noite para o dia, todo o arcabouço da civilização sobre a Terra.

Ao fazê-lo, não estaremos apenas satisfazendo uma natural curiosidade. Mais que isso, redescobriremos, talvez, imenso patrimônio científico, possivelmente uma diferente estrutura mental, e até, - quem sabe? - maravilhosas técnicas, mais simples, mais eficientes e menos dispendiosas que as atuais. E - last but not least - talvez encontremos, nas convulsões fatais desse passado agora morto, as lições de que tanto precisamos, para mais seguramente evitar catástrofes semelhantes no futuro.

A iniciativa de editar e apresentar este livro no Brasil certamente não implica uma tomada de posição, mas consubstancia o propósito de contribuir para participação muito mais ampla neste apaixonante debate.

Pode se recusar a tese do autor: é direito que assiste a qualquer um. Mas, em matéria de tal relevância - pois é a História passada e futura de nossa espécie que está em jogo - não basta rejeitar as hipóteses dos que têm a capacidade e a coragem de as formular: cumpre, também, pesquisar, imaginar e defender sucessivamente novas hipóteses que se afigurem melhores... até que um dia se consiga encontrar a Verdade.

Nesta obra, von Däniken cita algumas passagens da Bíblia que considera relacionadas com sua tese.

Entretanto,não as erige em argumentos comprobatórios, no que aliás faz muito bem, porque os Livros Sagrados não são, nem jamais pretenderam ser, fontes de informações científicas.

Na abertura do Capitulo IV, o autor diz textualmente que "a Bíblia certamente tem razão". Este é o ponto de vista de von Däniken que o leitor deverá ter em mente, ao longo do livro, especialmente diante de citações ou comentários que o autor, por amor à brevidade, não desenvolve mais profundamente.

Algumas de suas considerações, na aparência irreverentes, em realidade não o pretendem ser, e de fato não são. As mais autorizadas escolas modernas de exegese - como, por exemplo, L'École Biblique de Jérusalem, dirigida por eminentes exegetas católicos - admitem, sem hesitação, que o livro do Gênese, assim como os demais do Pentateuco, não pode ser totalmente atribuído a Moisés.

Neles se pode seguir mais ou menos claramente o fio de quatro tradições diferentes - a javista, a eloísta, a deuteronomista e a sacerdotal - todas respeitadas e integradas naqueles livros por numerosos colaboradores anônimos, desde a era mosaica até os tempos de Exílio.

Essas e outras circunstâncias semelhantes explicam as repetições e os trechos discordantes efetivamente encontrados naqueles livros, cujo valor religioso não diminuem, antes robustecem, porquanto, malgrado as características que as distinguem, as várias tradições registram essencialmente a mesma substância, têm uma Origem certa e comum a todas elas, que remonta diretamente a Moisés.

O episódio dos "filhos de Deus", que se casaram com "filhas dos homens", citado pelo autor, é de tradição javista e considerado, pelos exegetas, como de difícil compreensão. Os autores sagrados se referem a uma lenda popular sobre gigantes (os "Nephilim", que seriam OS Titãs Orientais), nascidos da união entre mortais e seres celestes. O judaísmo mais tarde e quase todos os primeiros escritores da Igreja primitiva interpretaram como "anjos culpados" a expressão "filhos de Deus".

Só a partir do IV século, em função de um conceito mais espiritual da natureza angélica, a literatura patrística começou a ver os "filhos de Deus" como a linhagem piedosa de Set, e os "filhos dos homens" como a descendência depravada de Caim.

Em conseqüência, a interpretação deste episódio, que von Däniken esboça, não contradiz a Bíblia e é até mais inocente que a inicialmente formulada pelos primeiros Padres da Igreja.

"Eram os Deuses Astronautas?" fez grande sucesso na Alemanha, onde foram vendidos mais de 300.000 exemplares, entre fevereiro de 1968 e junho de 1969. Já foi publicada a edição inglesa em Londres, a francesa em Paris, e o livro está sendo traduzido para vários Outros idiomas.

Dada a repercussão que tem causado nos mais cultos países europeus, e tendo se em vista que no Brasil não se poupa esforço no sentido de ombrear em todos os campos com as nações mais adiantadas do mundo, é de se esperar que este provocante livro será recebido com interesse e entusiasmo pela grande maioria dos leitores brasileiros.

São Paulo, dezembro de 1969

JOÃO RIBAS DA COSTA

APRESENTAÇÃO

(PROFESSOR FLÁVIO A. PEREIRA)

ESTE LIVRO, para ser escrito - informa Erich von Däniken, na Introdução - precisou mobilizar uma grande coragem, "igualmente indispensável a qualquer um que viesse a lê-lo".

E que dizer de quem se dispusesse a prefaciá lo?...

Däniken, ao longo dos seus doze capítulos, propõe nos cerca de 323 interrogações. É o quanto basta para situar a obra no rol dos livros polêmicas.

Acontece, porém, que os tempos são de revisão e contestação, de A até Z. O momento cultural é de franca e progressiva efervescência em todos os setores de todas as ciências, da matéria e do espírito, do corpo e da sociedade, da história e do instinto. Em particular, estes são anos de profundas modificações das antigas interpretações da Pré-História e Arqueologia, História Sagrada e Exegese Bíblica.

Pois surgiu, nos horizontes da contemporaneidade, uma nova espécie de Gnose, que vai crescendo com o estudo do realismo fantástico, do "impossível", do "absurdo", do "anômalo", do

"incongruente".

(Mas quem não sabe que a Ciência oficial, vez por outra, tem criado obstáculos ao progresso científico? Quem não aprendeu que Galileu foi condenado? Édison apedrejado? Ford combatido?

Santos Dumont menosprezado? Von Braun excomungado? Mendei marginalizado?... O Congresso da Sociedade para O Progresso da Ciência não chegou a declarar, em 1897, que o bisão desenhado na caverna de Mouthe, descrito pelo ilustre Emile Riviére, havia sido desenhado fraudulentamente pelo rapazelho dordonhês que descobriu a gruta?...)

Os nossos são dias, na verdade, de maravilhosos prazeres intelectuais. A presença de homens na Lua homens de carne, osso e sexo, e não apenas de míticos personagens ou de literárias criaturas teve o condão de transformar a cultura, transtornando os próprios cientistas!

A Astronáutica veio constituir um como que hormônio de poderoso efeito convertendo, a cultura pré Cosmonáutica numa sadia atitude de enfrentar, denodadamente todo e qualquer problema - a começar pelo da reação dos meios ortodoxos.

Não leia, o leitor, este livro, como se fora mais uma ficção científica. Não confunda as categorias em que se dividem os livros que, de uma forma ou outra, se relacionam com os campos científicos. Há três grandes espécies de livros ligados a esta esfera: livro de Ciência (ciência consagrada, ciência feita, ciência ortodoxa, ciência adotada), livros de ficção científica (exploração sistemática do possível, invenção livre circunscrita aos cânones não da Fabulística, mas da Futurologia) e livros de especulação científica (estudos e indagações teóricas em torno do discutível ou inexplicado no âmbito da ciência oficialmente instituída como tal).

A especulação científica não é contrária à Ciência; muito menos pretende tomar lhe o lugar. Mas também não se submete servil mente a postulados "consagrados"; isto seria frontalmente contrário à natureza da atitude especulativa, além de que a Ciência, por mais ortodoxa que seja, vez por outra é forçada a substituir seus próprios conceitos, até então considerados inabaláveis e definitivos.

O livro de Däniken pertence à categoria das obras especulativas. Ainda não é, nem pretende ser

"ciência". Mas é visando ao progresso da Ciência que se atira com entusiasmo às mais arrojadas especulações.

Para edificação dos leitores apontarei, a seguir, alguns fatos autênticos que convém conhecer a fim de que Däniken não seja injustiçado...

1. Em 1964, o Doutor J. Mellaart, que dirige o Instituto Arqueológico de Ankara, descobre em Chatal Huyuk, na Anatólia, vestígios de cidades que vieram revelar uma civilização de 7 a 8.000

anos antes de Cristo. (Todos sabemos: a época em que se originou a civilização jamais cessou de ser datada cada vez mais para trás, á medida que a Arqueologia ia progredindo. Se Champollion situara essa data no marco inicial do Egito Faraônico - há 5 ou 6.000 anos - com a descoberta (105

sumérios a História Humana veio recuar de mil anos. Em 1954, estávamos na conta dos 7.000 anos.

Desde então, as descobertas se foram sucedendo, e o grande recuo cronológico continua!) 2. Por outro lado, de acordo com o Doutor Alexandre Marshack, de Nova York, os homens das cavernas já anotavam suas observações astronômicas há... 35.000 anos! Numerosos vestígios -

escreve o grande pré historiador - considerados como manifestações artísticas do Paleolítico Superior e do Mesolítico, "são, na verdade, registros astronômicos"! (Querem subversão maior do que essa?) Motivos pictóricos descobertos em restos pertencentes às culturas magdaleniana e aurignaciana, interpretados até 1965 como tendo significação religiosa ou mágica, são, contudo, consignações de observações científicas (!) da esfera celeste. "O conhecimento da esfera celeste, pelas grandes civilizações do passado, constitui um dos principais enigmas da Arqueologia contemporânea", pontifica o Dr. Marshack.

3. E por falar em cavernas, convém trazer a lume o Professor Leroi Gourban, cuja opulenta e erudita "Préhistoire de l'art occidental", publicada em 1965, com suas 739 fotografias deslumbrantes, veio provocar outra revolução na Pré-História, pois demonstrou que os desenhos e pinturas das cavernas não estão ligados apenas à magia da caça: "são símbolos masculinos e femininos complexíssimos". A Humanidade Pré- Histórica possuía a sua própria Simbologia Cósmica. A Caverna se organizava em função de uma Metafísica ainda d e s c o n h e c i d a 4. No mesmo e fatídico ano de 1965, outro erudito, Doutor Geraid Hawkins, professor de Astronomia na Universidade de Boston, edita o decisivo livro "Stonehenge decoded" em que revela a mais estarrecedora das conclusões. Graças a um computador eletrônico, descobrira Hawkins que o famoso monumento megalítico de Stonehenge, de idade estimada em 4.000 anos, tinha sido um autêntico e versátil observatório astronômico, construído (por quem? com que instrumentos?) entre os anos de 1850 e 1700 antes de Cristo. "A pré-história oficial ou acadêmica ensina que as Ilhas Britânicas, naquele tempo, tinham sido habitadas por povos subdesenvolvidos em comparação com as adiantadas civilizações mediterrâneas contemporâneas." Conflito nevrálgico na Ciência Histórica! Stonehenge é uma pedra gigantesca não apenas na paisagem britânica, como, e sobretudo, no sapato dos pré historiadores ortodoxos...

5. No ano seguinte 1966 o Doutor Charles H. Hapgood, professor da Universidade Estadual de Keene, E.U.A., publica outra revolucionária brochura: "Maps of the Ancient Sea Kings: Evidence of Advanced Civilization in Ice Age!". Relata a importantérrima descoberta das primeiras provas testemunhais da existência de uma civilização anterior a todas as conhecidas até agora. O livro de Hapgood veio coroar sete anos de pacientes pesquisas e de contínua permuta de informações com sumidades na matéria e especialistas em outros ramos das ciências. E eis o que pode ser do maior interesse para o leitor: as contundentes pesquisas de Hapgood haviam sido estimuladas pelas surpreendentes teses de Arlington Mallery a respeito do misterioso Mapa de Piri Reis (de que Erich von Däniken trata no Capítulo III do presente livro). "Há dez mil anos, pelo menos, floresceu uma adiantadíssima civilização, anterior à última glaciação, sendo plausível admitir que seu foco de irradiação tivesse se localizado, nada mais nada menos, do que no continente antártico!" (Se algum pais criasse uma NASA para conquistar a Antártica a despeito do Tratado Internacional restritivo e viesse a empreender ali um ativo programa de pesquisa arqueológica, na década de 70 viriam à luz fatos mais estarrecedores do que poderia ser, por exemplo, a descoberta, digamos, de uma ferramenta na Cratera de Fra-Mauro, pelos tripulantes da Apolo 13... Entenderam a comparação?) 6. Mas temos mais. Em 1968, o escritor russo Mexandre Gorbovsky, em livro de apaixonante conteúdo, propôs arrojadissima tese histórica: "As grandes civilizações básicas, tanto do Velho Mundo quanto da América, desenvolveram se a partir de um patrimônio comum, vestígio das primeiras civilizações universais brutalmente desaparecidas". Gorbovsky menciona algumas peças do imenso quebra cabeça:

- na língua falada pelas castas inferiores do povo inca havia pelo menos mil raízes sânscrítas;

- a julgar pela análise serológica de fragmentos musculares de múmias incas, esse povo pertencia ao grupo sangüíneo "A", absolutamente desconhecido na América até a chegada dos espanhóis, no século XVI;

- os chineses, há mais de mil e seiscentos anos, conheciam e aplicavam o fenômeno da eletrólise;

- textos da Índia, de 3.000 anos de idade, falam numa espantosa arma cuja descrição evoca, a nós, a bomba atômica;

- e, para completar, os russos descobriram na mesma Índia um esqueleto humano de 4.000 anos, portador de radioatividade superior em 50 vezes o ambiente, tudo indicando que o indivíduo havia consumido alimentos contaminados com radioatividade 100 vezes maior que a média ordinária!

(Explosões nucleares na Antigüidade? Aqui a nova Gnose resolutamente invade o campo da Física Nuclear e da Tecnologia do Átomo, da Ciência ortodoxa de nossos dias).

É construtivo destacar quem prefaciou o livro de Gorbovsky: o Professor J. B. Fedorov, da Academia Soviética. Mais ainda, é instrutivo reter O que escreve Fedorov ali: "Os poetas e os cépticos são igualmente indispensáveis à Ciência. Quanto ao cientista, tem ele o direito de construir hipóteses audaciosas e de correr riscos".

Erich von Däniken, pois, não está sozinho. Não importa que não seja um clássico erudito, um arqueólogo de profissão ou um sábio exegeta bíblico. Estamos diante de um jornalista. Só? Não. De um jornalista honesto, bem informado e, sobretudo, muito inteligente. (Audacioso seria redundante falar.)

Como presidente da Associação Brasileira de Estudo das Civilizações Extraterrestres (ABECE), dou meu aval a Erich von Däniken. Muitos, certamente, dele discordarão. Mas este é um livro para gente que deseja se preparar para a Grande Revelação do decênio 70!

São Paulo, novembro de 1969

PROFESSOR FLÁVIO A. PEREIRA

INTRODUÇÃO

Para escrever este livro, foi necessário mobilizar uma grande coragem que será igualmente indispensável para que alguém o leia. As teorias e provas, que ele contém, não se ajustam à Arqueologia tradicional, tão laboriosamente desenvolvida e tão solidamente cimentada. Os especialistas do ramo não o levarão a sério ou o colocarão na lista negra das obras que melhor seria não mencionar. De sua parte, os leigos preferirão encaramujar-se em seu mundo familiar quando verificarem que a descoberta do passado envolve maiores mistérios e requer mais audácia que uma antevisão do futuro.

Não obstante, uma coisa é certa: há algo de errado no passado longínquo, que dista de nós milhões e milhões de anos. Esse passado repleto de deuses desconhecidos, que visitaram a Terra primitiva em espaçonaves por eles tripuladas...

Incríveis realizações técnicas se concretizaram em tempos antiquíssimos, cujo patrimônio tecnológico, imensamente rico e variado, só parcialmente se redescobriu até agora.

Há algo errado em nossa Arqueologia! Porque estamos encontrando acumuladores elétricos que datam de muitos milhares de anos. Porque nos defrontamos com seres estranhos, que usam trajes espaciais com fechos de platina. Porque achamos números com quinze casas e nenhum computador os colocou ali. Mas de que maneira aqueles homens primitivos puderam adquirir a capacidade de criar tantas coisas inacreditáveis?

Há algo errado também no campo da religião. Em regra, todas elas prometem ajuda e salvação à humanidade. Os deuses primitivos fizeram igualmente as mesmas promessas. Por que não as cumpriram? Por que usaram armas avançadíssimas para combater atrasadíssimos povos? E por que planejaram seu aniquilamento?

Familiarizem nos com a perspectiva de que nosso mundo de idéias, forjado e desenvolvido durante milênios, está para desmoronar. Poucos anos de acurada pesquisa foram suficientes para arrasar os redutos mentais em que tranqüilamente vivíamos. Conhecimentos até há pouco escondidos em bibliotecas e arquivos de sociedades secretas estão sendo agora revelados. A era das conquistas espaciais já não comporta segredos. As incursões no espaço, que visam a descoberta de outros corpos celestes, também nos levam ao passado longínquo. Deuses e sacerdotes, reis e heróis emergem de trevas abissais... Podemos intimá-los a desvendarem seus segredos, pois temos meios de tudo descobrir sobre nosso passado, sem quaisquer hiatos, se a isso realmente nos dispusermos.

Modernos laboratórios devem tomar a seu cargo toda pesquisa de natureza arqueológica. Os arqueólogas devem examinar com aparelhos hipersensíveis de medição as áreas em que se desenvolveram civilizações há muito tempo extintas.

Sacerdotes, que buscam a verdade, tem de voltar, uma vez mais, a duvidar de tudo quanto está firmemente estabelecido.

Os deuses do nebuloso passado deixaram inumeráveis pistas que só hoje podemos decifrar e interpretar, pela primeira vez, porque o problema das viagens interplanetárias, tão característico de nossa época, já não era problema, mas realidade rotineira, para homens que viveram há milhares de anos. Pois eu afirmo que nossos ante passados receberam visitas do espaço sideral na mais recuada Antigüidade embora não me seja ainda possível determinar a identidade dessas inteligências extraterrenas, ou o ponto exato de sua origem no Universo. Não obstante, proclamo que aqueles "estranhos" aniquilaram parte da humanidade existente na época e produziram um novo senão o primeiro Horno sapiens.

Esta afirmativa é revolucionária. Abala até os alicerces um arcabouço mental que parecia tão solidamente construído. Meu objetivo é tentar fornecer provas de sua veracidade.

ERICH VON DÄNIKEN

CAPÍTULO I

Há outros seres inteligentes no Cosmo?

Há inteligência extraterrenas?

É possive1 vida sem oxigênio?

Há vida em ambientes que seriam letais para o homem?

SERÁ ADMISSíVEL que nós, habitantes deste mundo do século XX, não somos os únicos entes vivos, de espécie semelhantes, em todo o Universo? "A Terra é o único corpo celeste que abriga seres semelhantes a nós" - eis a resposta que parece correta e convincente, uma vez que nos museus ainda não há qualquer homúnculo extra terreno, exposto a nossa visitação. Entretanto, uma floresta de pontos de interrogação se agiganta cada vez mais, à medida que estudamos, com maior profundidade, os resultados das mais recentes pesquisas.

De acordo com os astrônomos, umas 4.000 estrelas podem ser percebidas à vista desarmada, numa noite serena. Já a luneta de modesto observatório astronômico traz quase dois milhões delas ao alcance da visão, enquanto moderno telescópio de espelho refletor aproxima a luz de bilhões de sóis

- miríades de pontos de luz na Via Láctea. Mas, nas dimensões ilimitadas do Cosmo, esse nosso conjunto de estrelas é parte insignificante de um sistema estelar incomparavelmente maior um conglomerado de vias-lácteas, poder se ia dizer contendo cerca de vinte galáxias dentro de um raio de 1,5 milhão de anos luz (um ano luz é igual à distância que a luz percorre em um ano, isto é, 300.000 x 60 x 60 x 24 x 365 quilômetros, ou sejam, nove e meio trilhões de quilômetros, aproximadamente).

Embora vastíssimo, esse número de estrelas é ainda muito pequeno, em comparação com o que contém muitos milhares de galáxias espiraladas que o telescópio eletrônico revelou. Isto é apenas o que se descobriu até agora, devo ressaltar, porque as pesquisas nesse campo mal começaram.

O astrônomo Harlow Shapley calcula que há cerca de 1020 estrelas ao alcance de nossos atuais telescópios (numeral 1 seguido de 20 zeros isto é, 100 quintilhões de estrelas). Quando Shapley atribui sistema planetário a apenas uma, em cada grupo de mil estrelas, temos de admitir que estabelece proporção muito cautelosa. Se continuarmos a especular com base nessas estimativas, imaginando a existência de condições indispensáveis à vida numa só estrela em cada mil que centralizarem sistemas planetários, ainda encontraremos uma cifra fantástica 1014. Pergunta Shapley: Quantos corpos celestes, nesse número astronômico, possuirão atmosfera apropriada à vida? Um em mil? Isso ainda nos garantiria o número incrível de 1011 astros portadores dos requisitos necessários à vida. Embora se conjeture que a vida se produziu num só desses astros em cada milhar, ainda assim restam cem milhões de planetas em que podemos admitir a existência de seres vivos. Esses cálculos se baseiam na aparelhagem e técnicas hoje disponíveis, mas não devemos esquecer que tais meios de pesquisa estão sendo constantemente aperfeiçoados.

De acordo com hipótese do bioquímico Dr. S. Muler, os processos biológicos e as condições que lhes são indispensáveis possivelmente se desenvolveram mais rapidamente em alguns daqueles planetas do que na Terra. Se aceitarmos essa audaciosa idéia, civilizações mais avançadas que a nossa podem ter evoluído em 100.000 planetas.

O Professor Dr. Willy Ley, conhecido vulgarizador de conhecimentos científicos e amigo de Wernher von Braun, disse me em Nova York:

"O número aproximado de estrelas, somente em nossa Via Láctea, sobe a trinta bilhões. A suposição de que nossa galáxia contém, pelo menos, dezoito bilhões de sistemas planetários, é admitida pelos astrônomos da atualidade. Se tentarmos reduzir essas cifras, tanto quanto possível, e imaginarmos que as distâncias no interior de sistemas planetários são reguladas de tal modo que somente num caso entre cem existe planeta em órbita na "ecosfera" de seu próprio sol, tudo isso ainda deixará 180 milhões de planetas capazes de manter a vida. Se, em prosseguimento, supusermos que, entre Os planetas assim capacitados, somente num deles, em cada centena, o potencial vitalizante haja sido aproveitado, ainda teremos 1.800.000 planetas com seres vivos.

Admitamos, para concluir, que num só planeta, entre cem com seres vivos, existam criaturas com grau de inteligência semelhante ao do Homo sapiens. Pois esta última conjetura ainda garante para nossa Via Láctea o enorme número de 18.000 planetas com vida inteligente semelhante à nossa."

Considerando se que as mais recentes computações evidenciam a existência de 100 bilhões de estrelas fixas em nossa Via Láctea, a lei da probabilidade nos aponta cifras muito mais altas que as usadas pelo Professor Ley em seu cauteloso cálculo.

Deixando de lado números fantásticos e galáxias mal conhecidas, podemos concluir que há 18.000

planetas relativamente próximos de nós que oferecem condições necessárias à vida, similares às que existem na Terra. Entretanto, poderíamos ir à frente em nossas especulações e imaginar que apenas um por cento daqueles planetas seja efetivamente habitado. Ainda haveria 180 deles! Já não há dúvida sobre a existência de planetas muito assemelhados à Terra, quer quanto à gravidade e composição atmosférica, quer quanto à flora e, possivelmente, até a fauna. Mas, será essencial que os planetas devam ter condições semelhantes às da Terra para que neles exista vida?

A idéia de que a vida só pode florescer sob as condições terrestres foi invalidada pela pesquisa. É

erro acreditar que a vida não pode existir sem água e sem oxigênio. Até mesmo na própria Terra há formas viventes que não precisam de oxigênio: são as bactérias anaeróbias. Pequena porção de oxigênio já é mortal para elas. Então, por que não haveria mais altas formas de vida num ambiente sem oxigênio?

Pressionados pelos conhecimentos novos que surgem a cada dia, teremos de atualizar a imagem mental que formamos do mundo. A investigação científica, até recentemente concentrada apenas na Terra, promoveu nosso próprio mundo à categoria de planeta ideal. Não é demasiadamente quente, nem exageradamente frio; contém água em abundância; dispõe de ilimitada quantidade de oxigênio; Os processos orgânicos rejuvenescem a natureza constantemente.

Mas, em realidade, é absolutamente insustentável a suposição de que a vida só possa existir e desenvolver se em planeta similar ao nosso. Calcula se que vivem na Terra 2.000.000 de espécies diferentes de seres vivos. Desse conjunto - e aqui se trata, novamente, de estimativa - são

"conhecidas" cientificamente 1.200.000 espécies. E entre essas formas de vida, que a ciência conhece, há milhares que deveriam ser incapazes de viver, de acordo com os ensinamentos que atualmente ainda prevalecem! As premissas de que partimos para estabelecer condições mínimas de vida têm de ser revistas e novamente testadas.

Por exemplo: poder-se-ia pensar que a água altamente radioativa é sempre isenta de germes. Mas, na realidade, há certas espécies de bactérias que se adaptam à água letal que circula pelos reatores nucleares. Uma experiência realizada pelo Dr. Siegel chega ás raias da fantasmagoria. Reproduziu ele, em seu laboratório, as condições atmosféricas de Júpiter e cultivou bactérias, como também minúsculos acarinos, na mencionada atmosfera, que não possui um só dos requisitos que até agora enumeramos como indispensáveis à vida. Amônia, metano e hidrogênio não exterminaram aqueles seres vivos. As experiências de Hinton e Blum, entomologistas da Universidade de Bristol, também alcançaram resultados surpreendentes. Os dois cientistas desidrataram uma espécie de pequeninos mosquitos à temperatura de 100° C. Logo após, imergiram seus diminutos "cobaios" em hélio líquido que, como se sabe, é tão frio como o espaço. Depois de os submeter a poderosa radiação, fizeram nos retornar às suas condições normais de vida. Os ditos insetos nada perderam de suas funções biológicas e produziram mosquitinhos perfeitamente "sadios". Estamos igualmente informados sobre bactérias que vivem em vulcões, assim como sobre outras que se alimentam de pedra ou produzem ferro. A floresta de pontos de interrogação continua, pois, a crescer cada vez mais.

Há experiências em andamento nos laboratórios de muitos centros de pesquisa. Continuam a acumular se novas provas de que a vida de maneira alguma se condiciona aos requisitos anteriormente fixados. Julgou se, durante séculos, que o Universo inteiro estivesse sujeito às mesmas leis e condições que prevalecem na Terra. Tal convicção destorceu e turvou nossa forma de ver as coisas; colocou antolhos nos investigadores científicos que, sem hesitação, adotaram nossos moldes e sistemas de pensamento para contemplar o espaço exterior. Teilhard de Chardin, o pensador que marcou sua época, sugeriu que somente o fantástico tem a possibilidade de ser real no Cosmo!

Se nossa maneira de pensar fosse aplicada em direção inversa - isto é, considerando as coisas da Terra como vistas de muito longe no espaço - seres inteligentes, nascidos noutro planeta, julgariam indispensáveis à vida as condições prevalecentes no planeta deles. Se vivessem a uma temperatura de 150 a 200º C abaixo de zero, pensariam que tais temperaturas, incompatíveis com o tipo de vida que conhecemos, são indispensáveis à vida noutros planetas. Isto corresponderia aos processos lógicos com que temos tentado eliminar as trevas do passado. Se quisermos manter nosso respeito próprio, deveremos ser racionais e objetivos. Em todas as épocas, as teorias audaciosas sempre pareceram visionárias. Mas, quantas fantasias já se tornaram, há tanto tempo, realidades comuns da rotina diária! Por certo, os exemplos dados aqui visam a evidenciar as mais remotas possibilidades. Entretanto, quando fatos aparentementes improváveis, que nem podemos imaginar hoje, forem demonstrados como o serão em toda a sua veracidade de coisa realmente acontecida, as barreiras desmoronarão, permitindo livre acesso às "impossibilidades" que o Cosmo ainda esconde. As gerações futuras encontrarão no Universo formas de vida jamais sonhadas. Não existiremos nessa época, para testemunhá-lo, mas nossos descendentes terão de aceitar o fato de não serem as únicas - e, certamente, nem mesmo as mais antigas - inteligências no espaço cósmico.

Calcula-se que a idade do Universo situa se entre oito e doze bilhões de anos. Os meteoritos mostram traços de matéria Orgânica, quando observados ao microscópio. Bactérias com milhões de anos de idade despertam novamente para a vida. Espórulos flutuantes são impelidos pela luz de um sol qualquer para as profundezas do espaço, e chega um tempo em que são capturados pela força gravitacional de algum planeta. Vidas novas vêm se desenvolvendo assim, num ciclo perpétuo de criação, há muitos milhões de anos. Cuidadosos e repetidos exames de toda espécie de rochas, recolhidas nas diferentes partes do globo, provam que a crosta terrestre formou se há cerca de 4.000 milhões de anos. Sim, e tudo quanto a ciência sabe é que algo semelhante ao homem já existia há um milhão de anos! Desse gigantesco rio do tempo, ela só conseguiu represar um insignificante arroio de 7.000 anos de história humana, à custa de muita canseira, muita aventura e elevada dose de curiosidade. Mas, que são 7.000 anos de história humana, comparados com milhares de milhões de anos da história do Universo?

Nós - os modelos da criação? - levamos 400.000 anos para atingir nosso atual estágio biológico e nosso presente nível mental. Quem pode apresentar prova concreta de que outro planeta não poderia proporcionar condições favoráveis para mais rápido desenvolvimento de inteligências similares ou distintas da nossa? Existe alguma razão em virtude da qual não possa haver

"competidores" noutro planeta, que sejam iguais ou superiores a nós? Temos alguma base para eliminar essa possibilidade? Entretanto, isso é o que temos feito até hoje.

Quantas vezes têm desmoronado os pilares de nossa sabedoria! Centenas e centenas de gerações acreditaram piamente que a Terra era plana. A firme convicção de que o Sol girava ao redor da Terra manteve-se inabalável durante milhares de anos. Estamos ainda seguros de que a Terra é o centro de tudo, apesar de Ter sido provado que nosso planeta é um apagado corpo celeste de pequenas dimensões, que vagueia a 30.000 anos luz de distância do centro da Via Láctea.

Chegou o tempo de admitirmos nossa insignificância, descobrindo o infinito no Cosmo inexplorado.

Só então teremos consciência de que não passamos de minúsculas formigas no vasto complexo do Universo. Mas, sem que pese tudo isso, nosso futuro e nossas possibilidades estão nas profundezas do espaço, lá... onde os deuses disseram que estariam!

Somente após ter visualizado o que nos reserva o futuro disporemos de força e determinação suficientes para investigar o passado de maneira honesta e imparcial.

CAPÍTULO II

Quando nossa espaçonave pousou...

A viagem fantástica de uma nave espacial para o Cosmo

"Deuses" chegam em visita

Vestígios que o vento não leva

JÚLIO VERNE, o avô de todos os novelistas de ficção científica, tornou se, afinal, um narrador de aventuras facilmente aceitáveis. O produto de seu maravilhoso poder imaginativo já não é mais ciência de ficção: ao contrário, foi consideravelmente superado. Os astronautas de nossos dias efetuam a viagem ao redor do mundo em pouco mais de 80 minutos, e não em 80 dias.

Neste capitulo, iremos resumir o que possivelmente acontecerá numa imaginária viagem que só espaçonaves do futuro poderão efetuar. Mas tal excursão, embora assombrosa, será de fato realizável dentro de menos décadas que as decorridas entre a concepção de Júlio Verne, então utópica, de uma volta ao redor do mundo em 80 dias, e a realidade de hoje, que nos apresenta astronaves rodeando o globo em 86 minutos apenas.

Não pretendemos, porém, valer nos de períodos de tempo assim tão curtos: vamos supor que nossa espaçonave partiria da Terra, em direção a uma distante e desconhecida estrela, somente daqui a 150 anos.

Essa nave espacial deveria ser, sem dúvida, tão grande quanto um transatlântico atual. Em conseqüência, teria um peso inicial de 100.000 toneladas, correspondendo 99.800 toneladas a combustível e 200 a carga útil efetiva.

Impossível?

Não. Hoje em dia, já poderíamos montar uma espaçonave, peça por peça, em pleno espaço, enquanto tudo estivesse a girar em órbita, ao redor de um planeta. Entretanto, esse trabalho de montagem no espaço será desnecessário em menos de duas décadas, porque será possível construir uma imensa astronave na Lua e dai lançá-la ao espaço. Além disso, as pesquisas básicas em torno da propulsão de futuros foguetes prosseguem aceleradamente. Os foguetes de amanhã serão propelidos por meio de motores nucleares e viajarão a uma velocidade quase igual à da luz. Uma solução nova e muito audaciosa se concretizará no foguete impulsionado por meio de fótons: a praticabilidade de se construir tal engenho já foi demonstrada em experiências físicas realizadas com partículas elementares. O combustível especial levado a bordo do foguete lhe permitirá chegar tão perto da velocidade da luz que os efeitos da relatividade - especialmente a diferenciação entre o tempo no ponto de lançamento, e o tempo na própria astronave - se farão sentir em sua plenitude.

O combustível irá sendo transformado, progressivamente, em radiação eletromagnética e, sob tal forma, expelido como se procedesse de um conglomerado de jatos, mas com a velocidade da luz.

Teoricamente, uma espaço nave equipada com fóton propulsores pode alcançar 99% da velocidade da luz. A essa velocidade, as fronteiras do nosso sistema solar serão franqueadas com a rapidez do raio.

É uma idéia estonteante. Mas nós, que nos encontramos no limiar de uma nova era, devemos ter presentes, em nosso espírito, os passos de gigante com que a tecnologia assombrou também nossos avós, pois eram igualmente de estarrecer, naquela época: as estradas de ferro, a eletricidade, o telégrafo, O primeiro automóvel, o primeiro aeroplano. Houve uma primeira vez em que nós mesmos nos espantamos ao ouvir melodias que pareciam vir através do ar; ao tomar contacto com a televisão (em branco e preto e, depois, em cores); ao presenciar o lançamento de naves espaciais; ao receber dados e fotografias procedentes de satélites artificiais em órbita ao redor da Terra e de outros corpos celestes. Os filhos de nossos filhos farão viagens interestelares e realizarão pesquisas cósmicas nas escolas técnicas das universidades.

Sigamos, porém, a viagem de nossa imaginária astronave, em direção a uma distante estrela.

Certamente, seria divertido tentar prever os recursos de que se utilizará a tripulação para matar o tempo durante o percurso. Por enormes que possam ser as distâncias vencidas pelos astronautas e por mais lento que acaso pareça o arrastar do tempo para os que ficarem na Terra, o fato é que estarão sempre a produzir se os efeitos da teoria da relatividade de Einstein. Pode parecer incrível, mas o tempo, a bordo de uma espaçonave em viagem, com velocidade próxima à da luz, passa mais vagarosamente do que na Terra ou na Lua.

t = − ( v )2

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