Escola de Narciso por VulcanoAhab - Versão HTML

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Ao grande Vulcano

A dedicatória começa um tempo depois de todo escrito, afinal apenas conhecemos o começo quando se faz o horizonte, o recorte do tempo é linear mesmo quando quebrado.

Aqui dedico as linhas que já nem mais são do meu estilo ao homem que ultrapassou a persona do herói. De uma certa maneira, sempre escrevi sobre ele, de todas as maneiras ele sempre esteve no meu andar, em qualquer palavra de dizer tentei bater e romper o aço como ele me ensinou. Ele foi o patriarca dos Vulcanos por mais de 70 anos, ele foi a primeira geração dos ferreiros aqui na terra do samba, na terra em que finalmente trocamos a manufatura de metais pela produção de qualquer componente criativo.

A primeira história que escrevi dele foi sobre um herói de guerra; ainda no ginásio sofria com a paz do mundo ideal. Então, já na adolescência, com as lentes dos hormônios italianos - que a partir da fermentação parecem sofrer em tom Juan -, escrevi meu primeiro artigo para um jornal sobre a história de como o amor salvou um jovem soldado.

Por fim, vivi uma vida de 32 anos ao lado do jovem protagonista dessa dedicatória - fui neto, amigo e aprendiz; então o herói dissipou-se e se fez o homem crescido do que seria um antigo ideal.

E são justamente nos momentos e períodos em que os papéis e máscaras não fazem mais sentido que somos presenteados com a experiência do relacionar. Foi ali, naquele momento em que o herói se fez humano que meus grandes presentes começaram a crescer nesse espaço relacional.

Há pouco vi ele deitado em sono profundo e meus pensamentos secaram, mas não tinha outra intenção senão agradecer e silenciosamente dizer adeus. Aqui dedico minhas palavras ao meu antigo herói que deixou comigo, além da dor de ser hefesto coxo, a possibilidade de sorrir quando tudo ainda é sério, a ética que só se faz em momentos que não se sabe fazer e principalmente a fome da vida; oposto a Kafka, ele foi um artista da fome que nunca sofreu de inanição, ele comeu, bebeu e morreu com a paixão de quem acabou de nascer.

Índice

Capítulo 1

Prefácio de um blog.

Capítulo 2

O Velho.

Capítulo 3

Esak. O personagem de mim.

Capítulo 4

Ervil, estrangeiro próximo.

© Rodrigo Arrigoni 2013

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Prefácio de um blog